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quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

EUNUCOS SEM PIO No meu trabalho como historiador, investigando os anos 30, sou diariamente confrontado com a crescente hegemonia política e ideológica do fascismo no mapa político europeu e de como, paulatinamente, se processaram as transição para modelos autoritários de cariz totalitário e se desmantelaram, peça a peça, as instituições democrático-liberais construídas no pós-I Guerra Mundial.


EUNUCOS SEM PIO
No meu trabalho como historiador, investigando os anos 30, sou diariamente confrontado com a crescente hegemonia política e ideológica do fascismo no mapa político europeu e de como, paulatinamente, se processaram as transição para modelos autoritários de cariz totalitário e se desmantelaram, peça a peça, as instituições democrático-liberais construídas no pós-I Guerra Mundial.
Claro que bem longe da imaginação estava a barbárie do genocídio, mas era já bem patente que estes Estados autoritários promoveriam - a bem a Nação e da pacificação social - sociedades exclusivas e estanques, masculinas, e que utilizariam todos os métodos disponíveis, legais ou não, para forçar a construção de uma utopia fascista, um Homem Novo, xenófobo, racista, homófono e misógino por definição moral e ideológica. E assim, um após outro, se foram retirando direitos fundamentais a esta e a outra minoria, primeiro a socialistas e comunistas, depois a sindicalistas e judeus, homossexuais e deficientes, mulheres e negros. Contra esta sistematização legal poucos foram os que organizadamente se insurgiram, pois não se consideravam parte da minoria afectada.

Sabemos hoje o resultado desta desistência e estamos conscientes da capacidade de "entrismo" do fascismo nos edifícios institucionais das democracias (via eleições e governos) em momentos de crise, apoiados em promessas de pacificação social, desenvolvimento e revitalização económica, reapropriamento da soberania nacional e na incapacidade de actuação dos sistemas democráticos em momentos de conflitualidade social e insolvência económica. Aliás, já nos anos 30 alguns alertavam para este perigo e para a necessidade das democracias liberais construírem diques legais que impossibilitassem o acesso legal de tal ideologia ao poder; preocupações aliás muito visíveis na aliança entre sociais-democratas e democratas-cristãos no processo de construção europeia. Não sei, então, quando deixámos de nos preocupar, mas os acontecimentos da passada sexta-feira na Assembleia da República em muito se assemelham ao ocorrido em muitas legislaturas fascistas, nomeadamente por se decidir intervir, por questão de princípio acrescento, nos direitos consagrados e protegidos de uma minoria concreta.

Pelo exposto, é evidente que vivemos momentos críticos que requerem imediata intervenção. A recente consagração pública da nova Mocidade Portuguesa (leia-se JSD e JP) demonstra que o desnorte governamental e a percepção de impunidade política (onde anda o Presidente de todos os portugueses?) permite com uma banalidade atroz que se dê voz à nova face do fascismo contemporâneo e se ultrapassem todos os limites da moral política e da boa ética republicana, em prol da construção de um Novo Homem, pouco escolarizado, heterossexual, decerto branco, de boas famílias e bons costumes. Imagino que esta nova Mocidade (carinhosamente apoiada pelos respectivos chefes) pense que a política de depauperização da sociedade portuguesa terá já castrado o País, e o tornado num eunuco sem pio. Saibamos então demonstrar que tomamos sérias as lições da história; e que muito podemos ser, mas poetas castrados jamais.


José Reis Santos 

Editora britânica: "EUA e UE estão por trás da instabilidade na Ucrânia"

Editora britânica: "EUA e UE estão por trás da instabilidade na Ucrânia"

Enviada: 22 Jan 2014 | 14:32 
Por trás dos protestos retomado na Ucrânia são os esforços dos EUA e da União Europeia para derrubar o governo democraticamente eleito de Viktor Yanukovich acredita o editor-chefe da revista britânica 'Política Primeira', Marcus Papadopoulos. TRADUÇÃO GOOGLE
De acordo com o jornalista, que destacou em um comentário citado pela  agência de notícias Itar-Tass , expressando sua opinião pessoal, o Ocidente se aplica esses esforços ", organizando e instigante partidos da oposição."  Entre o final de Washington e Bruxelas, Papadopoulos destaque como um objetivo geoestratégico "para impor um governo pró-ocidental e tendendo anti-russo como membro  da UE  e da NATO, semelhante ao cargo de presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili. "  "A soberania da Ucrânia como um país independente foi descartada e pisado pelos funcionários UE, juntamente com alguns políticos norte-americanos, alemães e poloneses, como EUA o senador John McCain, que  viajaram para Kiev  e inspiraram os protestos da oposição ", o especialista britânico acredita. 





Senador dos EUA John McCain na barricadas Maidan.


Papadopoulos pergunta como um estadista britânico reagiria se, por exemplo, um político polaco veio a Londres e manifestantes exigindo um novo governo para se juntar ao  Reino Unido ? Sua resposta é categórica: "Seria uma situação completamente inaceitável".

O ex-primeiro-ministro polonês Jaroslaw Kaczynski, líder de um lado dos partidos da oposição na Ucrânia, Vitali Klitschko.
 

Em 2010, o presidente democraticamente eleito Yanukovich ea UE reconheceu a escolha, lembre-se. "Então, Yanukovich tem o poder de escolher o caminho que considerem mais adequado para os interesses da Ucrânia, quer com a União Aduaneira da Rússia, Cazaquistão e Belarus ou da UE. Democracy Looks Like", diz especialista. confrontos entre manifestantes partidários da integração europeia e as forças da ordem púbica e retomadas alcançado uma intensidade sem precedentes no domingo, após a chamada 'assembleia popular' organizada pelos opositores dos deputados governo legítimo. Os confrontos têm reclamado pelo menos duas vítimas nas ruas de Kiev.


Texto completo en: http://actualidad.rt.com/actualidad/view/117711-eeuu-ue-disturbios-ucrania?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=actualidad

Depois do terramoto - As primeiras fotos da nova ilha no mundo Sismo fez nascer nova ilha no Paquistão 2013-09-25









26 famosos que se parecem com pessoas do passado

26 famosos que se parecen con personas del pasado. Fotos


Recientemente, una nueva expresión que acaba de salir en Internet.

Es un doppelgänger!

En este caso, específicamente, el término tiene un significado muy simple, a pesar de el nombre robusto. Doppel y Ganger = replica = Andante.

Es como un "doble andante." La palabra se aplica por lo general a las personas que sean iguales, no tienen ningún parentesco o similitud genética.

A continuación, enumeramos 26 famosos que, en comparación con las cifras del pasado, o fotos antiguas, puede ser visto como un doppelgänger. Compruébelo usted mismo y se sorprenderá.
01 – Justin Timberlake (cantor) e uma foto de um antigo bandido
02 – Nicolas Cage (ator) e um homem em 1870
02 - Cage 1870
03 - Ellen Degeneres (apresentadora de TV nos EUA) e Henry David Thoreau (escritor do século XIX)
03 - Ellen Henry
04 – Rose Wilder Lane (escritora do século XIX) e Maggie Gyllenhaal (atriz)
04 - Maggie Rose
05 – Alec Baldwin (ator) e Millard Fillmore (Ex-Presidente dos EUA)05 - Alec Milalrd
06 – John Travolta (ator) e um homem desconhecido do Século XIX)
06 - Travolta Desconhecido
07 - Nicolae Grigorescu (pintor romeno do Século XIX) e Orlando Bloom (ator)
07 - Nicolae Grigorescu Orlando Bloom
08 – Louis XII (antigo Rei da França) e Vladimir Putin (Presidente da Rússia)08 - Louis XII Putin
09 - Filipe IV (antigo Rei da Espanha) e Mark Zuckerberg (criador do Facebook)09 - Philip IV Zuckerberg
10 - Paul Revere (mensageiro da Guerra da Independência dos EUA) e Jack Black (ator)
10 - Revere Jack Black
11 - Alexandre Severo (Imperador da Dinastia dos Severos) e Eminem (rapper)11 - Severus Eminem
12 – Uma mulher de uma antiga fotografia e Leonardo Di Caprio (ator)12 - Moça Antigsa Di Caprio
13 – Charles Darwin (criador da Teoria da Evolução) e George Carlin (humorista norte-americano)13 - Darwin Carlin
14 - Rupert Grint (ator) e Sir David Wilkie (artista plástico dos Séculos XVIII e XIX)14 - Grint Wilkie
15 – Albert Einstein quando jovem e Shia Labeaof (ator)15 - Einstein Shia
16 - Douglas MacArthur (comandante militar norte-americano na Primeira Guerra Mundial) e Bruce Willis (ator)16 - MacArthur Willis
17 – Um rapaz de uma foto antiga e Robert Pattison (ator)17 - Homem Antigo Pattinson
18 - Rachel Weisz (atriz) e Miss Lily Elsie (atriz e cantora do começo do século passado)18 - Weisz Elsie
19 – Antiga Estátua Egípcia e Michael Jackson (cantor)19 - Egito Jackson
20 – Barack Obama (Presidente dos Estados Unidos) e Aquenáton (Faraó do Egito Antigo)20 - Obama Akhenaten
21 – Um rapaz de uma antiga foto e Jay Z (rapper)21 - Homem Antigo Jay Z
22 - John Brown (abolicionista norte-americano) e Charlie Sheen (comediante norte-americano)22 - Brown Sheen
23 – Van Gogh (pintor holandês) e Chuck Norris (ator norte-americano)23 - Gogh Norris
24 - Christopher Lloyd (ator norte-americano) e John C. Calhoun (político e filósofo dos Séculos XVIII e XIX)24 - Lloyd Calhoun
25 - Bill Bailey (comediante norte-americano) e Thomas Hobbes (filósofo inglês nos Séculos XVI e XVII)25 -Bailey Hobbes
26 - Andrew Garfield (ator norte-americano) e Leon Trotsky (revolucionário bolchevique)26 - Garfield Trotsky


Um diplomata na Revolução Na passada sexta-feira, à volta de um café nos couros queirosianos do Grémio Literário, um capitão de abril lembrava-me que fora daquele mesmo local que, em 25 de abril de 1974, um diplomata português, então no exercício de funções políticas, organizara a mediação entre Marcelo Caetano e António de Spínola, que acabou com a rendição do chefe do governo, aquando da célebre deslocação de Spínola ao Carmo.

Um diplomata na Revolução

Na passada sexta-feira, à volta de um café nos couros queirosianos do Grémio Literário, um capitão de abril lembrava-me que fora daquele mesmo local que, em 25 de abril de 1974, um diplomata português, então no exercício de funções políticas, organizara a mediação entre Marcelo Caetano e António de Spínola, que acabou com a rendição do chefe do governo, aquando da célebre deslocação de Spínola ao Carmo. 

O diplomata chamava-se Pedro Pinto e era, à altura, subsecretário de Estado da Informação. Morreu há semanas. Nesse dia, ao aperceber-se pela rádio do impasse que estava criado no largo do Carmo, com o quartel da GNR rodeado pelas tropas de Salgueiro Maia, que se confrontava com a recusa de Caetano de se render às forças do Movimento das Forças Armadas, Pedro Pinto tomou a iniciativa de enviar ao Carmo o diretor-geral da Informação, Pedro Feytor Pinto, acompanhado de Nuno Távora. Feytor Pinto, homem muito próximo de Caetano, constatou então a disponibilidade deste último de se render, evitando o assalto ao quartel pelas forças do MFA que estava iminente, desde que o poder "não caísse na rua". Caetano aceitou a hipótese de transmitir o poder a António de Spínola que, para tal, foi mandatado pelo Movimento, depois de uma chamada telefónica para o "posto de comando" do MFA, na Pontinha. 

A iniciativa de Pedro Pinto terá tido duas consequências importantes. Por um lado, terá evitado um número significativo de vítimas, que o assalto ao quartel e a reação das respetivas tropas iriam seguramente provocar, não apenas entre militares mas igualmente entre os milhares de civis que enchiam o Carmo, bem como nas famílias dos GNR, que com eles viviam no quartel. A decisão de ataque ao quartel fora já tomada, tendo Salgueiro Maia recebido ordem escrita de Otelo Saraiva de Carvalho para assim proceder, depois das muitas horas de impasse que se viveram.

Mas houve uma consequência política muito importante que a espetacular deslocação de Spínola ao Carmo acabou por ter. O general, que estava a par do Movimento mas que estava longe de ser o seu líder ou sequer a personalidade que o MFA pretendia ver à frente da nova Junta de Salvação Nacional, terá ganho, pelo protagonismo criado nesse momento, uma vantagem imediata na luta pelo poder. Esta sua momentânea proeminência desequilibrou, em definitivo, a relação de forças em seu favor, potenciando a retração de Costa Gomes para assumir a liderança da Junta. A História seria seguramente muito diferente se tivesse sido este último e não Spínola a titular a Revolução.

Se acaso Caetano se tivesse rendido a Salgueiro Maia, se tivesse sido preso e posteriormente julgado com outros responsáveis pelos crimes regime ditatorial, talvez tivesse sido possível fazer o processo do "Estado Novo", talvez os agentes da PIDE e os magistrados cúmplices dos Tribunais Plenários tivessem sido condenados. Nada assim aconteceu. Sem consultar o MFA, contrariando os termos do "memorando" assinado na Pontinha na noite de 25 de abril, a Junta decidiu, poucos dias depois, exilar Caetano, Tomaz e outras figuras para o Brasil. Se os mandantes tinham sido postos a salvo, que legitimidade tinha a condenação dos subordinados? 

Hoje, dia em que falo em Paris sobre a Revolução de abril, apeteceu-me lembrar este episódio e o papel histórico que um diplomata português acabou por nela desempenhar.



duas-ou-tres.blogspot.pt

nunca a imprensa desceu tão baixo Sintonize qualquer canal dos nossos, a qualquer hora, em qualquer telejornal. Ou abra qualquer jornal ao acaso. Seja qual for o dado económico, a estatisticazinha enviesada, o dito por não dito de um desditoso filho da Pátria, e aí estão eles,

nunca a imprensa desceu tão baixo

Sintonize qualquer canal dos nossos, a qualquer hora, em qualquer telejornal. Ou abra qualquer jornal ao acaso. Seja qual for o dado económico, a estatisticazinha enviesada, o dito por não dito de um desditoso filho da Pátria, e aí estão eles, os jornalistas engajados, os escrevinhadores domados, a dar-nos conta de que tudo está bem, que o governo vai no bom caminho e nós no descaminho com eles. Que o desemprego em Portugal continue a ser o mais alto de sempre, isso agora não interessa nada. Que a maior parte dos desempregados assim vá ficar até ao fim dos seus dias, é coisa de somenos. Que os idosos estejam entre a vida roubada e a morte lenta, pouco importa. Que os portugueses tenham sido, metódica e cruelmente, espoliados ao longo dos últimos anos, é matéria que não é para aqui chamada.

Até Sócrates volta a ser o bombo do Mamede em festa. Assim como quem não quer a coisa, pela calada que é como esta gente morde melhor, Olli Rehn veio dar uma mãozinha aos senhores do burgo portucalente culpando Sócrates de, tão tardiamente, ter sido forçado a baixar as calcinhas e a pedir "ajuda" externa, a "ajuda" que nos tem conduzido, como cordeiros, ao altar dos sacrifícios.

Já se diz que o PSD é bem capaz de ganhar as legislativas de 2015. Desde que vi um mágico no Coliseu a tirar pássaros do rabo, já nada me espanta. Com umas intrigas aqui, umas mentiras acolá, uns cêntimos distribuídos parcimoniosamente mas com sabedoria antes das eleições, o povo, atento, venerador e sempre agradecido, deporá a cruz no lugar devido e perpetuará a manigância, a extorsão, a boa governança dos vassalos da ganância, do verdadeiro poder, absoluto e global.

Que Ele, ou o diabo por Ele, se amerceie de nós.


ouropel.blogspot.pt

Casa Fernando Pessoa adjudica serviços a empresa com escritório na residência da sua directora Além dos contratos directos, a mesma firma tem recebido encomendas indirectas, através de outras empresas contratadas pela Câmara de Lisboa e pela Egeac.

Casa Fernando Pessoa adjudica serviços a empresa com escritório na residência da sua directora

Além dos contratos directos, a mesma firma tem recebido encomendas indirectas, através de outras empresas contratadas pela Câmara de Lisboa e pela Egeac.
Instalada em Campo de Ourique, a Casa Fernando Pessoa funciona desde 1993 como um centro cultural dedicado à obra do poeta RUI GAUDÊNCIO
A Casa Fernando Pessoa adjudicou vários serviços por ajuste directo, desde o final de 2012, a uma pequena empresa que tem escritório em casa da sua directora artística, a escritora Inês Pedrosa.Além das adjudicações feitas a essa empresa, o seu gerente e proprietário tem beneficiado de contratos indirectos, relativos à Casa Fernando Pessoa (CFP), celebrados pela Egeac, a empresa da Câmara de Lisboa que gere a instituição desde 2012, e pela própria autarquia.
Instalada em Campo de Ourique, num edifício camarário, a CFP funciona desde 1993 como um centro cultural dedicado à obra de Fernando Pessoa. Promove exposições, conferências e outras iniciativas ligadas à poesia em geral e a Pessoa em particular, para lá de publicar a revista Pessoa.
Em 2008, o presidente da câmara, António Costa, decidiu transformar este serviço municipal numa fundação, tal como defendia Inês Pedrosa, mas o projecto foi abandonado meses depois. Nesse período, todavia, o município despendeu mais de 50 mil euros em estudos preparatórios, parte dos quais nunca foram feitos e outra ficou por concluir.
A contratação da empresa Above Bellow, de que é dono e gerente o designer brasileiro Gilson Lopes, foi sempre feita sem consulta a quaisquer outros fornecedores — procedimento que a lei não exige, devido aos reduzidos montantes envolvidos nas adjudicações. Num dos casos, em Dezembro de 2012, a CFP encomendou-lhe cerca de 3 mil euros (mais IVA) em objectos demerchandising, contratando-a depois para fazer algumas fotografias por 520 euros.
Mais recentemente, através de outro contrato, foram-lhe encomendados vários serviços na área de artes gráficas e audiovisual, relativos ao III Congresso Internacional Fernando Pessoa, no valor de 4826 euros.
A particularidade deste última encomenda está no facto de a factura emitida em nome da Egeac, em Outubro do ano passado, indicar como “Escritório e morada postal” um apartamento de Entrecampos onde reside a directora artística da CFP. No mesmo local tem também sede a firma Inês Pedrosa, Unipessoal Ldª, detida exclusivamente por aquela escritora e jornalista.

Gilson Lopes presente em vários trabalhos
Paralelamente ao Congresso Internacional Fernando Pessoa, a CFP e a Egeac produziram a exposição Lisboa em Pessoa, que esteve patente nos dois últimos meses no aeroporto da Portela. A sua concepção e produção foram adjudicadas em Novembro, por ajuste directo e pelo valor de 13.856 euros (mais IVA), à empresa de publicidade WOP, a qual, de acordo com  uma informação oficial da Egeac, “solicitou algumas ilustrações para este trabalho” a Gilson Lopes. O seu nome, todavia, consta da ficha técnica da exposição como responsável pela “direcção de arte e ilustração”.
Também a revista Pessoa, que é editada pela CFP e não se publicava há dois anos, voltou às bancas há dois meses, tendo o seu grafismo sido encomendado pela câmara, através de uma outra empresa, a Gilson Lopes, que figura na ficha técnica como responsável pelo design dessa edição.
Uma das coisas que chama a atenção nestes contratos públicos e foi alvo de várias referências num blogue denominado Corta-fitas é o facto de o empresário ter uma relação de grande proximidade com a directora da CFP. Ao PÚBLICO, sobre esse assunto, Inês Pedrosa respondeu por email nos seguintes termos: “Não estou casada nem em situação configurável como união de facto — e a minha vida privada é, de acordo com a lei, isso mesmo: privada.”
Já Gilson Lopes começou por dizer, ao telefone, que não tinha nada a ver com Inês Pedrosa. Quando lhe foi lembrada a “morada postal” das suas facturas, pediu para lhe serem enviadas perguntas por escrito. Até hoje, passadas duas semanas, nada disse.
Quanto às adjudicações à Above Bellow, Inês Pedrosa comentou que está “contratada pela Egeac para a Casa Fernando Pessoa como prestadora de serviços de direcção artística, sem poderes para adjudicar o que quer que seja”.
As autorizações e propostas de adjudicação são de facto assinadas pela directora-executiva da CFP, Carmo Mota. O PÚBLICO perguntou a esta funcionária da Câmara de Lisboa se a iniciativa de contratar Gilson Lopes era de Inês Pedrosa, mas a mesma respondeu apenas que reencaminhara o pedido de informação para a direcção da Egeac.
Num email enviado esta terça-feira ao PÚBLICO, a Egeac nada diz sobre aquela questão, mas informa que as decisões de adjudicação e contratação “são funções das direcções de equipamento” e que “as direcções artísticas definem as orientações artísticas da instituição, sendo que há uma total e necessária articulação entre direcções”, neste caso da CFP. 
A  Egeac acrescenta que os contratos em causa surgiram “num contexto da evidência de uma necessidade imediata e específica combinada com as referências profissionais da Above Bellow e de Gilson Lopes”, com “a disponibilidade de calendário para aceitação e realização dos projectos” e com o “equilíbrio [das suas propostas] face aos preços de mercado”.
Tanto a Egeac como a vereadora da Cultura da Câmara de Lisboa, Catarina Vaz Pinto, recusaram-se a fazer qualquer comentário sobre as relações entre a directora artística da CFP e Gilson Lopes.
Advogado primo de Inês Pedrosa
A Câmara de Lisboa, através do então director municipal de Cultura, Rui Pereira, contratou no final de 2008 a advogada Maria José Oliveira e Carmo para prestar vários serviços relativos à constituição da Fundação Casa Fernando Pessoa. A jurista trabalhava à época com o advogado Miguel Pedrosa Machado, primo direito de Inês Pedrosa, a qual sugeriu a contratação a Rui Pereira.
O contrato, no valor de 24.996 euros, contemplava a elaboração dos estatutos da fundação, bem como oito trabalhos acessórios. Os arquivos da Direcção Municipal de Cultura, porém, apenas tem registo da entrega dos estatutos, que se traduzem em 19 páginas e 25 artigos — alguns deles iguais aos de minutas disponíveis na internet. O contrato foi assinado por Rui Pereira e por Maria José Oliveira e Carmo a 26 de Novembro de 2008.
A nota de honorários da advogada e o recibo por ela emitido têm data do dia anterior, 25 de Novembro, sendo também desse dia o visto de Rui Pereira por baixo de um carimbo com a seguinte inscrição: “O trabalho foi executado nas devidas condições.” Nos termos do contrato, o mesmo só terminará quando a advogada apresentar à câmara “o requerimento a solicitar a declaração de utilidade pública” da fundação, coisa que nunca aconteceu, até porque António Costa desistiu do projecto.
O clausulado refere também que o pagamento será feito de uma só vez, até 60 dias após a data do recibo. Oito dias depois da sua emissão, a 2 de Dezembro, Rui Pereira autorizou o pagamento, o qual foi efectivado no final desse mês. Maria José Oliveira e Carmo disse ao PÚBLICO que fez tudo aquilo a que se vinculou e que lhe foi possível fazer. “Se não se avançou com nada não foi por inércia minha, mas porque a câmara travou o processo. Em todo o caso estou pronta a fazer a escritura em qualquer altura, afirmou”.
Quanto a Miguel Machado, a advogada afirma que foi ele quem a “apresentou ao cliente” e confirma que o mesmo esteve em duas reuniões. Mas garante que não prestou qualquer serviço, nem foi remunerado. Miguel Machado, por seu lado, afirma que foi ele quem sugeriu o nome da colega a Inês Pedrosa e diz que não recebeu qualquer remuneração porque nada fez.
Também no final de 2008, a Câmara de Lisboa, através do mesmo director, encomendou a outros advogados três estudos igualmente relacionados com a criação da fundação. O facto de esses serviços não terem sido prestados, apesar de pagos por cerca de 28 mil euros, acabou por levar, em Outubro do ano passado, o Ministério Público a acusar Rui Pereira e duas advogadas, uma delas sua cunhada, pelos crimes de participação económica em negócio e falsificação de documento. 
O caso, que aguarda julgamento, fez com que Rui Pereira se demitisse, logo que foi acusado, das funções que desempenhava como director-geral do Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos da Justiça.