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quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

NSA consegue entrar nos computadores mesmo sem ligação à internet Agência de Segurança Nacional norte-americana consegue aceder a computadores mesmo que as máquinas não estejam ligadas à internet, noticia o "New York Times", nas vésperas do discurso de Barack Obama sobre vigilância eletrónica.

NSA consegue entrar nos computadores mesmo sem ligação à internet
Agência de Segurança Nacional norte-americana consegue aceder a computadores mesmo que as máquinas não estejam ligadas à internet, noticia o "New York Times", nas vésperas do discurso de Barack Obama sobre vigilância eletrónica. 

De acordo com o jornal norte-americano, citado pela agência AFP, há cerca de 100 mil computadores em todo o mundo que estão implantados com um software que permite à Agência de Segurança Nacional norte-americana (NSA, no original) não só aceder ao computador e consultar, alterar ou apagar os dados, mas também criar autoestradas virtuais para lançar ataques eletrónicos.

Na maioria dos casos, o software, que está operacional desde pelo menos 2008, tem de ser implantado fisicamente por um espião ou pelo próprio fabricante, porque utiliza ondas de rádio que podem ser transmitidas a partir de pequenos circuitos eletrónicos ou através de um cartão USB instalado secretamente nos computadores dos utilizadores.

As revelações de um dos diários com maior circulação nos Estados Unidos surgem na mesma semana em que Barack Obama deverá apresentar um importante discurso sobre a reforma do sistema norte-americano de vigilância, um tema que saltou para as primeiras páginas de todo o mundo no seguimento das revelações feitas pelo antigo consultor da NSA Edward Snowden, em junho.

* Vergonhoso!!!



apeidaumregalodonarizagentetrata.blogspot.pt

o carteiro - poesia


O CARTEIRO PÉ ANTE PÉ
ASSOMOU À VELHA PORTADA
NESTE COMEÇO DA MANHÃ TINHA FÉ

DE QUE NÃO ESTIVESSE OCUPADA



António Garrochinho

MARIA JOÃO BRITO DE SOUSA - SONETO A UM ANTIGO/NOVO SONHO (Em decassílabo heróico)

SONETO A UM ANTIGO/NOVO SONHO
(Em decassílabo heróico)



Eu trago um sonho antigo, omnipresente,
Como um grito vermelho no meu peito
Erguido contra a voz, que nunca aceito,
De quem a torna infame ou prepotente!

Mais alto elevo o sonho transparente,

Mais longe o levo intacto e sem defeito,
E é com el` que partilho o duro leito
Que cabe a quem não sonha impunemente…

Razões? Há tantas mil pr`a tê-lo aceso
E tantas mais crescendo, a dar-lhes peso,
Se ousamos ver a crua realidade

De quem já descobriu, mesmo indefeso,
Que um sonho, se for livre, é morto ou preso
Tão só porque evocava a liberdade!




Maria João Brito de Sousa 

pekenasutopias.blogspot.pt

le bon vivant

Ao contrário dos americanos e da sua hipocrisia, estou-me nas tintas se François Hollande tem uma amante, duas ou três. O poder, já se sabe, exerce uma atracção irresistível e Hollande, sendo fogoso e não formoso, aproveita. É lá com ele.


O que me chateia, e muito, é o Hollande político, não é o Hollande homem. Como político tem-se revelado de assombrosa mediocridade. Como homem, vá lá, revela bom gosto.

Preferia o contrário. Preferia-o amarrado a um estafermo e a governar contra outro estafermo, a Frau a norte.

ouropel.blogspot.pt

Jovem ficou em cuecas no recreio antes do suicídio Um jovem suicidou-se sábado à noite. Colegas lembram que sexta-feira foi deixado em cuecas no recreio da escola. Responsáveis desvalorizam, mas pároco da aldeia diz que sinais foram ignorados.

Jovem ficou em cuecas no recreio antes do suicídio


Um jovem suicidou-se sábado à noite. Colegas lembram que sexta-feira foi deixado em cuecas no recreio da escola. Responsáveis desvalorizam, mas pároco da aldeia diz que sinais foram ignorados.
 
foto DR
Jovem ficou em cuecas no recreio antes do suicídio
Inspeção-Geral de Educação abriu inquérito
 
Nélson tinha 15 anos. Colocou termo à vida, enforcando-se num pinheiro próximo de casa, em Adaúfe, Braga, na noite do passado sábado. Eram 23.36 horas. Deixou duas cartas: aos pais e à namorada. O que o terá levado ao suicídio não é ainda claro.
"Desgosto amoroso". Esta é pelo menos a tese que o Comando Distrital da Guarda Nacional Republicana (GNR) de Braga aponta para o caso do adolescente. Os militares, confrontados com as notícias tornadas públicas e que apontam para um caso de bullying, dizem que "não há qualquer relação".
No entanto, a Inspeção-Geral de Educação e Ciência abriu um inquérito para apurar o que poderá ter acontecido. O jovem contou à família (e os amigos confirmaram) que, há dias, num intervalo, um grupo de colegas o tinha despido no recreio da escola. "Ele ficou em cuecas, apanhou a roupa, vestiu-se e foi para as aulas sem dizer nada", recordou um colega de turma que relatou, posteriormente, a situação a um professor.
Fausto Farinha, diretor do Agrupamento de Escola Sá de Miranda onde está integrada a EB 2/3 de Palmeira, desmente a existência de "bulliyng". "Não falei com ninguém da comunicação social e fico espantado com o que foi noticiado. Este é um momento doloroso para a família e do foro privado. A escola apenas está a tomar as respetivas diligências num caso destes e que envolve o falecimento de um aluno", afirma o responsável, desmentindo que esteja a decorrer um "inquérito de bullyng".
Fausto Farinha, que já apresentou as condolências à família, apenas revela a existência de um incidente com o aluno no dia 9. "Uma brincadeira dentro da escola", diz o diretor do agrupamento, sem revelar que tipo de situação. "Compete às autoridades investigar", diz.
O pároco de Adaúfe aponta o dedo à escola (ver texto na página seguinte), dizendo mesmo que a instituição tinha conhecimento que o jovem "era constantemente maltratado e que os responsáveis do estabelecimento de ensino não valorizaram os sinais de alerta". Sem comentar o caso em concreto, a Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap) recomenda que se aposte na prevenção.
Contactada pelo JN, a presidente da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens em Risco, de Braga, recordou que "a criança teve aberto um processo, entre março e setembro de 2012, relacionado com problemas familiares", Amélia Pereira afirmou, todavia, que "não foi sinalizado bullying".
De acordo com GNR, a EB 2/3 de Palmeira era acompanhada com regularidade pelas autoridades. "Associação de pais, professores e alunos não apontam qualquer referência para casos do bullying naquele estabelecimento de ensino", confirma mesma fonte.
As cartas, encontradas no interior de casa, uma dirigida à namorada em tons de despedida, e outra aos familiares de Nélson Antunes sinalizando onde podiam encontrar o corpo, foram entregues ao Ministério Público que, e até ao momento, não está a investigar o suicídio do adolescente.

NSA instalou software em computadores do mundo todo, diz New York Times

NSA instalou software em computadores do mundo todo, diz New York Times




 
A Agência de Segurança Nacionaldos EUA ( NSA, na sigla em inglês) colocou um software em quase 100.000 computadores ao redor do mundo que a possibilita realizar operações de vigilância nesses equipamentos e pode servir de caminho para ataques cibernéticos, revelou o jornal New York Times na terça-feira.
 
A NSA plantou o software na maioria dos casos por meio de acesso a redes de computadores, mas também usou uma tecnologia secreta que possibilita a invasão de computadores que não estão conectados à Internet, disse o jornal, citando autoridades dos EUA, especialistas em computação e documentos vazados pelo ex-prestador de serviço da NSA Edward Snowden.
O Times disse que a tecnologia está em uso desde pelo menos 2008 e utiliza um canal secreto de ondas de rádio transmitidas de minúsculas placas de circuito e cartões USB secretamente inseridos nos computadores.
"A tecnologia de frequência de rádio ajudou a resolver um dos maiores problemas enfrentados pelas agências de inteligência norte-americanas por anos: entrar em computadores que adversários, e alguns parceiros dos EUA, tentavam tornar impermeáveis à espionagem ou ataques cibernéticos", disse o jornal.
 
"Na maioria dos casos, o hardware de frequência de rádio precisa ser fisicamente instalado por um espião, uma fabricante ou um usuário sem intenção", acrescentou.
Alvos frequentes do programa, conhecido como Quantum, incluíam unidades militares da China, que é acusada por Washington de conduzir ataques digitais contra militares e empresas dos EUA, segundo o Times.O jornal disse que o programa também conseguiu plantar o software em redes militares da Rússia, assim como em sistemas utilizados pela polícia e os cartéis de drogas do México, instituições de comércio da União Europeia e em aliados como Arábia Saudita, Índia e Paquistão.


Por Peter Cooney/ Agencia Reuters/Free ilustration by: militanciaviva!
 

Os Condes da Estrela O apelido Conde vale o que vale, mesmo que um qualquer pé descalço pretenda que o apelido também passa a título na pia batismal e mesmo que, cumulativamente, faça recurso a uma qualquer família Conde que veio por aí abaixo nos tempos do Condado Portucalense, tendo deixado umas sementes na zona da Estrela

Os Condes da Estrela

O apelido Conde vale o que vale, mesmo que um qualquer pé descalço pretenda que o apelido também passa a título na pia batismal e mesmo que, cumulativamente, faça recurso a uma qualquer família Conde que veio por aí abaixo nos tempos do Condado Portucalense, tendo deixado umas sementes na zona da Estrela, sementes que desabrocharam em pleno século XX, germinadas por grandes doses de ridículo.

Mas pensava eu que isso de Conde tinha apenas a ver com o António, senhor de imensos recursos na arte de reescrever a história, ao ponto de dar a minha terra como terra de Viriato, com argumentos impossíveis de ultrapassar: uma das ruas mais antigas tem o nome de Viriato, o povo é da mesma opinião desde apaniguado do historiador de alto gabarito como era Hermano Saraiva e, além disso, em tempos terá mesmo existido a intenção, falhada, de se erigir uma estátua ao pastor dos Montes Hermínios. Reconheça-se que argumentar assim não é para qualquer um.
Ora acontece que hoje dou com um mano Zé em foto de perfil no FB, inchado de vaidade e muito compostinho ao lado de Sua Alteza Real Dom Duarte Pio – o respeitinho é muito bonito -, e isso só me permite a conclusão de aquilo ser mal ou defeito de família e que passou incólume às vacinas da época.
Assim sendo, temos já dois condes, ou seja, a minha terra corre o risco de ter albergado, embora sem proveito e, talvez por isso, sem reconhecimento, um ramo da nobreza.
Agora só falta integrar tais condes na família deste que um dia se afirmou visconde por ser duas vezes conde, se calhar de Castelo e de Branco. E estariam bem uns para os outros, abençoados pela cativante Betty.
Seria ridículo a mais, mas só se estragaria um palácio.


azereiro.blogspot.pt

Rosa Luxemburg - 1871 - 1919

Rosa Luxemburg - 1871 - 1919



Faleceu há 95 anos, fuzilada em 15 de Janeiro de 1919, o seu corpo foi atirado para Landwehr Canal em Berlim.
O trabalho foi executado pelas milicias de direita Freikorps, grupos que posteriormente aderiram aos nazis. Quem pagou o trabalho, foram os grandes empresários de Berlim, que há algum tempo vinham oferecendo dinheiro para que a matassem.


Estaleiros: Comissão Europeia desmente Aguiar Branco Em resposta às questões apresentadas pelo Bloco de Esquerda, Bruxelas esclarece que nunca exigiu a devolução das ajudas estatais aos estaleiros, desmentido assim o principal argumento do ministro para avançar para a subconcessão.


Desmentido da Comissão Europeia devia levar à perda de mandato de Aguiar Branco, defendeu Marisa Matias
“Fica comprovado que este negócio que foi construído através de uma gestão danosa, foi legitimado por uma mentira", reagiu a eurodeputada Marisa Matias ao receber a resposta às questões que enviara no final do ano passado, após o ministro da Defesa ter afirmado que o despedimento dos trabalhadores e entrega dos Estaleiros de Viana a privados se devia à necessidade de devolver 180 milhões de euros reclamados pela União Europeia.
A versão de Aguiar Branco foi agora desmentida pela Comissão Europeia, que afirma taxativamente que "não ordenou a Portugal a recuperação de qualquer auxílio estatal concedido aos Estaleiros Navais de Viana do Castelo". 
"A mentira tem perna curta, e é lamentável que pelo seu caminho tenham sido postas em causa as vidas de 618 trabalhadores. Esta resposta da Comissão Europeia não pode ter outra consequência que não a perda de mandato de Aguiar Branco”, defendeu Marisa Matias em comunicado.

Resposta dada por Joaquín Almunia em nome da Comissão (15.1.2014) 
A Comissão ainda não adotou uma decisão final no processo SA.35546. Por conseguinte, a Comissão não ordenou a Portugal a recuperação de qualquer auxílio estatal concedido aos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC).
Tal como indicou nas suas respostas às perguntas E-5205/2013 e E-11396/2013, desde a abertura do procedimento formal de investigação no processo SA.35546, a Comissão efetuou diversas trocas de correspondência com as autoridades portuguesas e está a acompanhar de perto a evolução mais recente da situação dos ENVC. Neste contexto, as autoridades portuguesas informaram a Comissão das medidas a que se refere o Senhor Deputado e do resultado do procedimento de subconcessão, bem como das medidas subsequentes que planeiam adotar em relação aos trabalhadores dos ENVC por cartas de outubro e novembro de 2013. 
A Comissão continuará a sua avaliação do processo SA.35546 e a supervisionar atentamente a evolução da situação dos ENVC. 

Pergunta de Marisa Matias à Comissão Europeia
Assunto: Estaleiros Nacionais de Viana do Castelo
O Governo português anunciou, através do seu Ministro da Defesa, José Aguiar Branco, que anulou o processo de reprivatização dos Estaleiros Nacionais de Viana do Castelo (ENVC) e optou por "um concurso público para a venda quer do Atlântida, quer de material que existe nos estaleiros" e pela "subconcessão dos terrenos que atualmente são ocupados pelos estaleiros". O processo dos ENVC e respetivas ilegalidades é já bem conhecido pela Comissão Europeia, nomeadamente através do processo SA.35546 da DG Concorrência. Aliás, é precisamente a decisão desse processo que é invocada pelo Governo português para justificar a decisão agora tomada. "Não é uma vontade do Governo, resulta desse processo" aberto pela União Europeia, porque lesou a concorrência, insistiu [o Ministro da Defesa Português], realçando que "não há condições", atualmente, para devolver os 180 milhões de euros reclamados, o que evitaria o fecho de uma empresa que tem quase 70 anos."
Esta decisão determina o despedimento dos 618 trabalhadores atuais e não garante sequer que se mantenha a atividade que a ENVC sempre desenvolveu naquele local, uma vez que a subconcessão é relativa apenas aos terrenos. Como contrapartida deste contrato, o Estado português deverá receber um total de 7,05 milhões de euros em rendas que serão pagas pela Martifer até 2031, mas terá de pagar, até janeiro de 2014, cerca de 30 milhões de euros para despedir os trabalhadores, sendo público e conhecido que a Martifer tem atualmente uma dívida que ascende a 378 milhões de euros.
Acresce ainda que o próprio Governo português anuncia também que é preciso dar início à construção de dois navios asfalteiros, para não entrar em incumprimento em relação à empresa de petróleos da Venezuela (PDVSA), que os encomendou. É certo que, sem trabalhadores nem estaleiros, não o poderá fazer.
Assiste-se, assim, a um negócio ruinoso para Portugal, para os trabalhadores dos ENVC, mas muito vantajoso para a empresa que vai assumir a subconcessão dos terrenos por ajuste direto – a Martifer.
1. Exigiu a Comissão a devolução dos 180 milhões de euros, na sequência do processo SA.35546 da DG Concorrência?
2. Está a Comissão a par destes desenvolvimentos e desta subconcessão por ajuste direto dos terrenos dos Estaleiros de Viana do Castelo?
3. Está a Comissão a par deste despedimento coletivo levado a cabo pelo Estado Português?
4. Pretende a Comissão tomar alguma medida em tempo útil?

MASSACRES AO LONGO DA HISTÓRIA - Massacre de Mountain Meadows

Massacre de Mountain Meadows



Esse foi um massacre em massa que aconteceu em Mountain Meadows, território do Utah, cometido por um grupo Mórmon e nativos indígenas da tribo dos Paiutes em 11 de setembro de 1857. O incidente iniciou com um ataque, e rapidamente se transformou em um cerco, e culminou no assassinato de emigrantes. Todos os emigrantes, exceto 17 crianças com menos de 6 anos, foram mortos. O número de mortos é incerto, acredita-se que cerca de 120 pessoas perderam a vida nesse episódio. Após o massacre, os corpos das vítimas foram deixados no local, até entrarem em decomposição, e as crianças sobreviventes foram adotados por famílias locais.



A história

Em meados de 1857, um grupo de 40 famílias oriundas do Arkansas se uniram para atravessar o oeste dos Estados Unidos rumo à Califórnia. Eram liderados por Alexander Fancher. Naquela época, o território do Utah, atual estado do Utah, enfrentava a Guerra Mórmon de Utah (não confundir com guerra Mórmon do Missouri), um grande conflito entre o governo e os Pioneiros Mórmons, que temiam serem novamente expulsos do local. Em razão disso, Salt Lake City tornara-se um dos principais focos de guerrilha nos Estados Unidos.

Durante sua rota ao oeste do país, o grupo imigrante seguiu viagem pelo território do Utah. Embora o grupo estivesse bem equipado, armado e organizado, muitos de seus animais estavam debilitados, o que fez com que o grupo decidisse repousar em Moutain Meadows, uma montanha situada cerca de 55 quilômetros ao sul de Salt Lake City. Os colonos Mórmons, juntamente com os Paiutes - nativos americanos da região - desconfiavam da intenção dos membros da caravana. Na época era comum preconceito contra os Mórmons, e como havia uma disputa armada em curso, os ânimos estavam altamente exaltados, por parte da milícia Mórmon.


Os nativos indígenas da região também guardavam um sentimento antagonista contra o povo do Leste americano (região a que pertencia a caravana), que, de acordo com eles, não compartilhavam o sentimento de fraternidade para com eles. Devido ao clima de insegurança, e até um sentimento revanchista por parte dos indígenas, que muitas vezes foram mortos e torturados por grupos de colonos vindos do leste, e também a desconfiança dos colonos Mórmons, ocorreu o primeiro ataque contra os membros da caravana entre os dias 8 e 9 de setembro de 1857.

A tensão toma conta

A caravana atacada em monte Meadows não era a única que, naquela época, se deslocada do leste para o oeste. Na verdade essa emigração era muito comum, e muitas vezes não era bem vista pelos moradores locais, já que esses emigrantes muitas vezes, enquanto seguiam seu curso, acabavam invadindo involuntariamente, ou não, as áreas de terra dos habitantes locais. Haviam muitos relatos de maus tratos contra os índios, promovidos por membros desses grupos. Isso tudo acabou gerando um certo sentimento de repúdio nos colonos locais, contra esses grupos emigrantes, sobretudo nos grupos Mórmons, tidos pelo povo do leste como conspiradores, por estarem envolvidos na guerra Mórmon, também conhecida guerra de Utah. Esses membros da igreja Mórmon eram constantemente hostilizados pelos emigrantes.

O conflito conhecido como guerra Mórmon começou principalmente porque o governo dos EUA receava que os Mórmons, pelo sucesso econômico surpreendente que vinham tendo, tivessem a ambição de emancipar o Utah do resto do país. Enquanto que os colonos alegavam que simplesmente instalaram-se na região oeste pois era o único lugar onde não eram perseguidos, sendo a chave para o seu sucesso a união dos seus membros, onde as formas de corrupção não se desenvolviam. Estes afirmavam que não pretendiam dividir ou dominar o país, e sim pregar o evangelho de Jesus Cristo. Esse conflito teve como agravante a política desastrada do governo local, o que era usado como argumento pelo governo americano para fundamentar seus receios com relação a uma possível guerra separatista. Dessa forma foram designadas tropas para o local. Os colonos com medo de serem expulsos de suas propriedades pelo exército, também resolveram formar um exército. Não houveram conflitos sérios entre ambos os lados, mas a região vivia sob imensa tensão.

Brigham Young, presidente da Igreja e governador do território, e seus conselheiros formaram políticas baseadas na preparação para a guerra que poderia acontecer. Eles instruíram as pessoas a economizar grãos e a preparar-se para guardá-los nas montanhas caso precisassem fugir para lá quando as tropas chegassem. Nem uma semente de grão deveria ser perdida ou vendida a mercadores ou emigrantes depassagem. As pessoas também estavam guardando munição e mantendo suas armas de fogo em ordem, e os milicianos do território foram postos em alerta para defender o território contra a aproximação das tropas, se necessário.


Essas ordens e instruções foram espalhadas para os líderes em todo o território. Brigham Young e outros líderes pregaram ardentemente contra o inimigo que percebiam no exército que se aproximava e buscaram aliança com os índios para resistir às tropas.

Brigham Young
Essas políticas de guerra exacerbaram as tensões e conflitos entre os emigrantes que iam em direção à Califórnia e os colonos Santos dos Últimos Dias conforme as caravanas passavam pelos assentamentos de Utah. Os emigrantes ficavam frustrados quando não conseguiam se reabastecer no território como esperavam. Tiveram dificuldades para comprar grãos e munição e seus rebanhos, alguns dos quais contendo centenas de cabeças de gado, tinham que competir com os rebanhos dos colonos pelo pasto e água limitados ao longo do caminho.

Algumas histórias tradicionais de Utah sobre o que ocorreu em Mountain Meadows incorporaram a alegação de que envenenamento também contribuiu para aumentar o conflito — os emigrantes do Arkansas teriam deliberadamente envenenado uma nascente e uma carcaça de boi próximos à cidade de Fillmore, no centro de Utah, causando doença e morte dentre os índios locais. De acordo com essa história, os índios enfureceram-se e seguiram os emigrantes até Mountain Meadows, onde teriam cometido a atrocidade sozinhos ou forçado hesitantes colonos Santos dos Últimos Dias a unirem-se a eles no ataque. A pesquisa histórica mostra que essas histórias não são precisas.

Embora seja verdade que parte dos rebanhos dos emigrantes estivesse morrendo ao longo do caminho, inclusive próximo a Fillmore, as mortes pareceram resultado de uma doença que afetou os rebanhos nas jornadas da década de 1850. Os humanos contraíam a doença dos animais infectados através de cortes, ferimentos ou pelo consumo da carne contaminada. Sem essa compreensão moderna, as pessoas suspeitavam que o problema tivesse sido causado por envenenamento.

O plano de atacar a companhia de emigrantes foi originado dentre a liderança local da Igreja em Cedar City, que havia sido recentemente alertada de que as tropas federais poderiam entrar a qualquer momento através da passagem ao sul de Utah. Cedar City era a última cidade na rota para a Califórnia para o reabastecimento de grãos e suprimentos, mas ali também os emigrantes se frustraram. Produtos básicos não estavam disponíveis na loja da cidade e o dono do moinho cobrou um boi inteiro — um preço exorbitante — para moer algumas dúzias de medidas de grãos. Semanas de frustrações logo cobraram seu preço. Com a tensão crescendo, um dos emigrantes alegou possuir a arma que matou Joseph Smith. Outros ameaçaram unir-se às tropas federais contra os Santos dos Últimos Dias. Alexander Fancher, capitão da caravana dos emigrantes, repreendeu esses homens.

Alexander Fancher
As afirmações daqueles homens muito provavelmente foram ameaças vazias feitas no calor do momento, mas, no ambiente em transformação de 1857, os líderes de Cedar City levaram as declarações daqueles homens a sério. O delegado da cidade tentou prender alguns dos emigrantes sob a alegação de intoxicação pública e blasfêmia, mas foi forçado a recuar. A companhia de carroças seguiu seu caminho para sair da cidade cerca de uma hora depois, mas os agitados líderes de Cedar City não estavam dispostos a deixar o assunto morrer. Planejaram chamar a milícia local para perseguir e prender os ofensores e talvez confiscar parte de seu gado. Carne e grãos faziam parte da comida que os Mórmons pretendiam usar para sobreviver se tivessem que fugir para as montanhas quando as tropas chegassem.

O prefeito de Cedar City, o comandante da milícia e o presidente de estaca Isaac Haight descreveram o descontentamento contra os emigrantes e pediram permissão para chamar a milícia em um despacho expresso ao comandante distrital da milícia, William Dame, que vivia nas proximidades de Parowan. Dame era também presidente da estaca de Parowan. Após convencer um conselho a discutir o assunto, Dame negou o pedido. “Não dêem importância às ameaças deles”, escreveu ele no despacho de volta à Cedar City. “Palavras são como o vento: elas não injuriam ninguém. Mas se eles (os emigrantes) cometerem atos de violência contra os cidadãos, informem-me imediatamente e tais medidas serão adotadas para assegurar a tranquilidade”. [James H. Martineau, “The Mountain Meadow Catastrophy,” July 23, 1907, Church Archives, The Church of Jesus Christ of Latter-day Saints.]

Ainda querendo punir os emigrantes, os líderes de Cedar City então formularam um novo plano. Como não podiam usar a milícia para prender os ofensores, persuadiriam os índios Paiute para darem à companhia do Arkansas uma “lição”, matando alguns ou todos os homens e roubando seu rebanho. [John D. Lee, Mormonism Unveiled: The Life and Confessions of the Late Mormon Bishop, John D. Lee (1877), 219.]

O ataque foi planejado para uma parte da caravana para a Califórnia que fugiu por uma passagem estreita do cânion do Rio Santa Clara, várias milhas ao sul de Mountain Meadows. Essa área estava sob a jurisdição da milícia do Fort Harmony, liderada por John D. Lee, que foi convencido a participar do plano. Lee era também um “fazendeiro indígena” fundeado pelo governo federal para os índios Paiutes locais. Lee e Haight tiveram uma longa conversa durante a noite sobre os emigrantes, na qual Lee disse a Haight que acreditava que os Paiutes “matariam a todos, homens, mulheres e crianças” se fossem incitados a atacar. [Mormonism Unveiled, 220.] Haight concordou e os dois planejaram depositar toda a culpa pela matança aos pés dos índios.

John D. Lee
Os normalmente pacíficos Paiutes relutaram quando foram apresentados ao plano pela primeira vez. Apesar de ocasionalmente assaltarem os estoques de emigrantes em busca de comida, não tinham tradição de ataques em larga escala. Mas os líderes de Cedar City prometeram-lhes uma pilhagem e os convenceram de que os emigrantes estavam alinhados com as tropas “inimigas” que matariam os índios junto com os colonos Mórmons.

Em 6 de setembro, domingo, Haight apresentou o plano ao conselho de líderes locais que ocupavam posições eclesiásticas, civis e militares. O plano encontrou resistência dos que o ouviram pela primeira vez, produzindo um acalorado debate. Finalmente, o conselho de membros perguntou a Haight se ele havia consultado o Presidente Brigham Young a respeito. Respondendo que não, Haight concordou em enviar um mensageiro expresso a Salt Lake City com uma carta explicando a situação e pedindo orientação.

O cerco de cinco dias

Mas, no dia seguinte, pouco antes de Haight enviar a carta a Brigham Young, Lee e os índios fizeram um ataque prematuro ao campo de emigrantes em Mountain Meadows ao invés de no local planejado no cânion de Santa Clara. Vários dos emigrantes foram mortos, mas os que sobraram resistiram ao ataque, forçando um recuo. Os emigrantes rapidamente organizaram seus carroções em círculo, protegendo-se dentro dele. Dois outros ataques ocorreram nos dois dias seguintes dos cinco que durou o cerco.


Após o ataque inicial, dois milicianos de Cedar City, julgando ser necessário conter a volatilidade da situação, atiraram em dois cavaleiros emigrantes descobertos poucas milhas fora do círculo. Eles mataram um dos cavaleiros, mas o outro escapou e voltou para o círculo, levando a notícia de que os matadores de sua companhia eram homens brancos, não índios.


Os conspiradores foram apanhados em sua teia de enganos. Seu ataque aos emigrantes tinha falhado. Seu comandante militar logo saberia que eles tinham grosseiramente desobedecido suas ordens. Um despacho havia sido enviado a Brigham Young em Salt Lake City. Uma testemunha do envolvimento dos brancos havia espalhado a notícia dentre os emigrantes. Se os emigrantes sobreviventes fossem libertados e seguissem seu caminho para a Califórnia, logo se espalharia a notícia de que os Mórmons estavam envolvidos no ataque. Um exército já se aproximava do território e, se a notícia da participação da milícia no ataque chegasse a eles, as ideias a respeito dos Mórmons serem conspiradores seriam confirmadas, o que  resultaria em ação militar retaliatória que ameaçaria suas vidas e as vidas de seu povo. Além disso, esperava-se para qualquer dia a chegada de outras caravanas de emigrantes para a Califórnia em Cedar City e depois a Mountain Meadows.

Ignorando a decisão do conselho

Em 9 de setembro, Haight viajou a Parowan com Elias Morris, um dos dois capitães da milícia e seu conselheiro na presidência da estaca. Novamente, pediram permissão a Dame para convocar a milícia e, novamente, Dame reuniu o conselho de Parowan, que decidiu que homens deveriam ser enviados para ajudar os combalidos emigrantes a prosseguir em seu caminho em paz. Posteriormente, Haight lamentou: “Eu daria um mundo, se o tivesse, se tivéssemos sustentado a decisão do conselho”. [Andrew Jenson, notas da conversa com William Barton, Jan. 1892, arquivo Mountain Meadows, Jenson Collection, Church Archives.]

Ao invés, quando a reunião terminou, Haight e seu conselheiro encontraram Dame sozinho e compartilharam com ele informações que não tinham dito ao conselho: os emigrantes encurralados provavelmente sabiam que homens brancos estavam envolvidos nos ataques iniciais. Essa informação levou Dame, agora isolado do moderado consenso de seu conselho, a repensar sua decisão anterior. Tragicamente, ele cedeu. Quando a conversa terminou, Haight achou que tinha sua permissão para usar a milícia.

Na chegada a Cedar City, Haight imediatamente convocou duas dúzias de milicianos, a maioria policiais, para juntar-se aos que já esperavam próximo ao acampamento dos emigrantes em Mountain Meadows.

O massacre

Na sexta-feira, 11 de setembro, Lee entrou no acampamento dos emigrantes com uma bandeira branca e, de certa forma, convenceu-os a aceitar termos perigosos. Ele lhes disse que a milícia os escoltaria em segurança na passagem pelos índios de volta a Cedar City, mas tinham que deixar para trás seus bens e entregar as armas, sinalizando aos índios suas intenções pacíficas. Os desconfiados emigrantes debateram o que fazer, mas, no fim, aceitaram os termos, já que não tinham alternativa melhor. Estavam sitiados há dias, com pouca água, os feridos estavam morrendo e não tinham munição suficiente para suportar mais um ataque.

Como combinado, as crianças mais novas feridas deixaram o acampamento primeiro, levadas em dois carroções, seguidos pelas mulheres e crianças que podiam andar. Os homens e garotos mais velhos ficaram por último, cada um escoltado por milicianos armados. A procissão marchou por cerca de uma milha até que, num sinal previamente combinado, cada miliciano virou-se e atirou no emigrante próximo a ele, enquanto os índios saíram de seus esconderijos para atacar as aterrorizadas mulheres e crianças. Os milicianos que acompanhavam os dois primeiros carroções mataram os feridos. Apesar dos planos de culpar os Paiutes pelo massacre — e dos persistentes esforços posteriores em fazê-lo —, Nephi Johnson depois susteve que seus companheiros milicianos foram responsáveis pela maior parte da matança.


Comunicado tardio

A mensagem expressa de resposta do Presidente Young a Haight, datada de 10 de setembro, chegou em Cedar City dois dias depois do massacre. Sua carta relatava notícias recentes de que não havia tropas do exército americano em condições de alcançar o território antes do inverno. “Portanto, vejam que o Senhor respondeu nossas preces e, novamente, evitou a desgraça concebida para cair sobre nossas cabeças”, escreveu ele.

“No que diz respeito às caravanas de emigrantes passando por nossos assentamentos”, prosseguiu Young, “não devemos interferir nelas antes de serem notificadas a seguirem seu curso. Vocês não devem se meter com elas. Esperamos que os índios façam o que acharem melhor, mas vocês devem tentar preservar um bom relacionamento com eles. Não há outras caravanas indo para o Sul, que eu saiba. (…) Os que estão lá devem deixá-los ir em paz. Apesar de precisarmos estar alertas e sempre prontos, devemos também possuir a nós mesmos com paciência, preservando-nos e tendo sempre em mente os mandamentos de Deus.” [Brigham Young to Isaac C. Haight, Sept. 10, 1857, Letterpress Copybook 3:827–28, Brigham Young Office Files, Church Archives.]

Consequências

As 17 crianças sobreviventes, consideradas “novas demais para contar histórias”, foram adotadas por famílias locais. Representantes do governo resgataram as crianças em 1859 e as devolveram aos membros de suas famílias no Arkansas. O massacre ceifou cerca de 120 vidas e afetou irremediavelmente as vidas das crianças sobreviventes e de seus parentes. Um século e meio depois, o massacre permanece sendo um assunto profundamente doloroso para seus descendentes e outros parentes.

Embora Brigham Young e outros líderes da Igreja em Salt Lake City tenham sabido do massacre logo após o ocorrido, a percepção da extensão do envolvimento dos assentados e os terríveis detalhes do crime só chegaram aos poucos ao longo do tempo. Em 1859, eles desobrigaram de seus chamados o presidente de estaca Isaac Haight e outros proeminentes líderes da Igreja em Cedar City que tiveram participação no massacre. Em 1870, excomungaram Isaac Haight e John D. Lee da Igreja.

Em 1874, um juri territorial acusou judicialmente nove homens por sua participação no massacre. A maioria deles eventualmente foi presa, embora apenas Lee tenha sido julgado, condenado e executado pelo crime. Outros acusados tornaram-se provas do Estado e outros ficaram foragidos da lei por muitos anos.

Execução de John D. Lee
As famílias dos homens que planejaram o crime sofreram com o ostracismo imposto por seus vizinhos ou com alegações de que maldições haviam caído sobre eles. Por décadas, os Paiutes também sofreram injustamente, pois muitos os consideravam culpados pelo crime, chamando-os e a seus descendentes de “quemiadores de carroções”, “selvagens” e “hostis”. O massacre tornou-se uma mancha indelével na história da região.


Hoje, alguns dos descendentes das vítimas do massacre e seus parentes são Mórmons. Esses indivíduos estão em uma posição incomum, pois sabem como é ser um membro da Igreja e também um parente de vítima.




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O DOCUMENTÁRIO QUE A SEAWORLD NÃO QUER QUE VOCÊ VEJA O filme “Blackfish” está ajudando a mudar a percepção sobre animais selvagens criados em cativeiro. blackfish-sem-arte O documentário “Blackfish” está ajudando a mudar a percepção sobre animais selvagens criados em cativeiro — e, no meio do caminho, jogou areia num empreendimento bilionário que ganha dinheiro com isso há quatro décadas.



O DOCUMENTÁRIO QUE A SEAWORLD NÃO QUER QUE VOCÊ VEJA


O filme “Blackfish” está ajudando a mudar a percepção sobre animais selvagens criados em cativeiro.
blackfish-sem-arte
O documentário “Blackfish” está ajudando a mudar a percepção sobre animais selvagens criados em cativeiro — e, no meio do caminho, jogou areia num empreendimento bilionário que ganha dinheiro com isso há quatro décadas.
Fala das orcas do Sea World, um dos maiores parques do mundo, frequentado pelos brasileiros que invadem Orlando todo ano. A diretora Gabriela Cowperthwaite se concentra basicamente na trajetória de Tilikum, um macho capturado na Islândia aos 2 anos, em 1983, e na da treinadora Dawn Brancheau, morta por ele em 2010.
Vários adestradores dão seus depoimentos sobre como trabalharam num circo em que criaturas gigantes e inteligentes fazem piruetas para turistas. Narram a falta de informação sobre acidentes. Os casos abafados. Funcionários do Sea World aparecem mentindo sobre o tempo médio de vida dessas baleias na natureza e no confinamento (é bem mais alta no mar, ao contrário do que eles dizem) e sobre o colapso da barbatana dorsal dos machos (algo que só ocorre nos tanques).
Há imagens de ataques brutais a humanos. Não há registro disso na natureza. Tilikum está envolvido em três mortes. Ainda assim, virou o reprodutor do parque, que vende orquinhas de pelúcia às crianças nas lojinhas. Não é difícil compreender a agressividade ou imprevisibilidade desses animais, que nadam até 160 quilômetros no oceano e são obrigados a dar voltas em piscinas, ganhando como prêmio por seus números sardinhas de um balde com gelo.
Gabriela não é ativista e o tom não é panfletário. Ela esteve com as filhas gêmeas no Sea World quando as meninas tinham 4 anos. Em 2010, cobriu a morte de Dawn Brancheau. Dawn foi jogada de um lado para o outro, afogada, mastigada — sob as vistas da plateia. Gabriela não parou mais de apurar e foi descobrindo um mundo estranho e escuro.
Orcas de diferentes comunidades são obrigadas a conviver. Mãe e cria são separadas se a dinâmica entre elas não funciona. Uma das cenas mais impressionantes é o ataque a um treinador, em que uma fêmea morde seu pé direito e afunda. Fica pelo menos um minuto e volta à superfície. Solta o pé direito e pega o esquerdo. Mergulha novamente. Reemerge. O ritual se repete. O homem mantém a calma. No segundo em que se vê livre, sai nadando como um torpedo, tentando fugir. É perseguido.
O Sea World não colaborou com o documentário. Mais tarde, por causa da enorme repercussão, foi obrigado a responder. Publicou uma carta aberta com alguns pontos — todos contestados pela diretora. No fim do ano, oito dos dez artistas programados para se apresentar num evento cancelaram sua participação, entre eles Willie Nelson, Heart e Barenaked Ladies.
Um jornal de Orlando realizou uma enquete perguntando aos leitores se a percepção que tinham do lugar havia mudado. Surpreendentemente, mais da metade disse que não. Intrigado, um repórter de um site resolveu investigar a procedência desses votos. Mais de dois terços vinham de um mesmo IP — cujo domínio era seaworld.com.
Eu estive lá com meus filhos. O show de Shamu (nome padrão para todas as orcas) é competente como o de Madonna. Talvez melhor. Canção-tema envolvente e brega tocada em alto volume, uma treinadora bonita falando platitudes new age num microfone e justificando as acrobacias dos animais com uma conversa mole de que “eles fazem isso porque gostam”. Tilikum aparece no fim para dar um salto espetacular e molhar o público. A interação entre os domadores e os bichos parece genuinamente carinhosa.
Mas, ao final, fica uma sensação estranha. Um incômodo. “Blackfish” explicita por que aquilo tudo é moralmente inaceitável. “Depois de tanto tempo confinadas nesses tanques, eu pensei que as orcas houvessem encontrado uma maneira de ser uma família feliz”, diz Gabriela Cowperthwaite. “A realidade é o oposto disso. Há um conflito constante e elas não tem para onde fugir”.


Carlinhos, explica lá isso aos nossos colaboradores . Carlos Silva, o secretário-geral da União Geral de Trabalhadores tem um curioso conceito de “contrato social”.


Carlinhos, explica lá isso aos nossos colaboradores

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Carlos Silva, o secretário-geral da União Geral de Trabalhadores tem um curioso conceito de “contrato social”.
É assim:  
jornal i - Quando chegou a secretário-geral impôs limites para a preservação do acordo tri-partido. Nos últimos meses esses limites já foram ultrapassados? 
Carlos Silva - Claramente. Mas o acordo mantém-se porque nem sequer foi cumprido por parte do governo (...).
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O que significa, se bem entendi, que para este representante de trabalhadores, uma das razões para a sua organização honrar um compromisso é o facto de a entidade com quem o celebrou não o fazer.
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É preciso que se diga que o inenarrável Carlos Silva sucedeu ao inexplicável João Proença (sobre quem já me debrucei aqui) na liderança da UGT - não sem antes pedir, muito deferentemente permissão à sua entidade patronal, o excelentíssimo doutor Ricardo Salgado. E que a UGT é uma curiosa e peculiar organização de trabalhadores que subscreve invariavelmente todos os pressupostos das propostas dos empresários em sede de negociação. A sua simples existência torna aliás, bastante redundante a da organização patronal com quem “negoceia”.
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No entanto, esta aparente e espampanante contradição da união geral de trabalhadores (isto é, a sua capacidade de mimetizar os pontos de vista empresariais) talvez se explique, muito prosaicamente, pela consanguinidade: António Saraiva, o actual líder da principal organização patronal já foi, afinal, um dos seus afiliados. Ou seja, é uma questão de ADN.
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