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domingo, 2 de março de 2014

AS MAIS BELAS PINTURAS DO MUNDO - PINTORES FAMOSOS - Jacopo Robusti Tintoretto - (PARTE 4)

Jacopo Robusti Tintoretto

Retrato de Mulher Mostrando o Seio (c. 1570)

Jacopo Robusti Tintoretto

São Jorge e o Dragão (1555)

Jacopo Robusti Tintoretto

Cristo No Mar da Galiléia (1575)

zemarcartelas.blogspot.pt


Jacopo Robusti (seu pai era tintureiro. Tintore em italiano, e o pintor ficou conhecido como Tintoretto) foi o maior pintor que Veneza conheceu, depois de Ticiano. Nasceu na ilha-república e raramente saiu de suas prais, restringindo seus interesses à vida familiar e à arte. Foi grandemente influenciado para efervescência do movimento religioso da Contra-Reforma e buscou, por meio de sua arte, concretizar uma visão altamente subjetiva e pessoal, que se recusava a ficar presa às regras renascentistas do equilíbrio formal e do naturalismo. Mestre do desenho, fascinado pelo corpo humano em movimento, criou uma quase infinita coleção de poses e gestos dramáticos e dinâmicos. Suas violentas distorções e a maneira original com que utilizava as cores dão a seu trabalho um tom quase alucinatório, antecipando o Barroco e o Maneirismo.

Conta a lenda que nas paredes do estúdio de Tintoretto estava escrito o seguinte slogan: “O desenho de Michelangelo e as cores de Ticiano”.
Mas deve-se tomar cuidado em interpretar o papel dessas duas figuras máximas da geração que precedeu Tintoretto na arte desse pintor: elas serviram mais como ponto de partida do que propriamente como modelo de estilo e técnica. Tintoretto permaneceu como um dos mais determinados individualistas, para quem cada nova conquista técnica prestava-se à evolução de um estilo cada vez mais singular.

Ao contrário de Ticiano e Michelangelo, Tintoretto era muito menos um produto da Renascença acadêmica do que da espiritualidade efervescente da Contra-Reforma. Podemos ver algumas das qualidades que o tornaram diferente de seus antecessores em seu primeiro grande sucesso público, São Marcos Salvando um Escravo. Aí, a serenidade do estilo de Giorgione e de Ticiano é abandonada em favor de um traço violento, que expressa o carateer sobrenatural do milagre.
A dramática inversão do Santo é um notável exercício da técnica de aproximação. A força da figura é demonstrada pelo conjunto da composição, com figuras contorcidas, flagradas em pleno movimento. O que Tintoretto queria mostrar aqui era o abalo causado pelo milagre.


Segundo contam seus biógrafos, Tintoretto modelava figuras em cera e as colocava num palco de madeira, no meio de velas dispostas nos mais variados ângulos. Em seguida, levava o cenário a um aposento escuro e ascendia as velas, daí desenhando a cena em miniatura. Dessa maneira, ele conseguia captar o efeito global do arranjo das figuras, e juntá-las por meio do uso de uma iluminação originalíssima.
Tintoretto não estava interessado em captar a “aparência natural” das cenas. Em seu trabalho, seres inspirados nas figuras heróicas e musculosas de Michelangelo são contorcidos numa variedade de poses carregadas de emoção, muitas vezes alongados além das possibilidades reais da natureza. Em Tintoretto, a coloração rica que lembra Ticiano é distorcida por gritantes contrastes de luz e sombra, como se a cena estivesse iluminada por seguidos relâmpagos, num clima de alucinação.
Estes exageros de movimento e luz não serviam apenas para provocar efeitos de impacto. À medida que sua carreira se desenvolvia, as composições de Tintoretto tornaram-se incrivelmente complexas. Ele concentrava toda uma ação num ângulo oblíquo para o espectador, ou estabelecia grandes contrastes entre primeiro plano e fundo. Um mínimo detalhe no canto de uma tela às vezes ganha destaque por estar fortemente iluminado, realçando suas cores brilhantes, em oposição ao resto do quadro, relegado à sombra. Aquilo que começou como um pequeno arranjo de figuras de cera sobre um minúsculo palco de madeira acabou se transformando em algo que jamais poderia ser apresentado num teatro real em três dimensões: tornou-se um drama desempenhado num espaço misterioso de infinita profundidade.


Apesar do forte clima fantástico, Tintoretto insistia em incluir em quase todas as suas obras uma infinidade de detalhes do mundo cotidiano. Para alguns críticos contemporâneos, esses detalhes eram mais chocantes do que as próprias e terríveis distorções em sua pintura. Um deles condenou sua A Última Ceia (na Igreja de São Trovaso) por achá-la “reduzida a um banquete comum”. Mas Tintoretto fazia questão de pintar com amor tanto uma simples cesta de pão como uma mesa de madeira, ou as tranças de uma mulher, os pregos e a madeira do crucifixo, ou mesmo a cera que pinga da vela. Para ele, tais detalhes eram tão importantes quanto as figuras sagradas dos santos e dos anjos. O pintor encontra o mistério divino no próprio realismo dos objetos comuns.

Embora Tintoretto tenha recebido bastante ajuda de seus assistentes de estúdio, em suas maiores obras, particularmente aquelas da Escola de São Roque, sua marca pessoal é claramente reconhecível. A pincelada livre, solta, que Ticiano havia introduzido, tornou-se como que a caligrafia de Tintoretto. Alguns críticos qualificavam-na de áspera e incompleta. Mas essa qualidade “inacabada” concedeu à obra de Tintoretto um ar de frescor e modernidade, antecipando os impressionistas que viriam séculos depois.
Nos últimos trabalhos de Tintoretto, essa tendência é levada ao extremo. A pincelada é rápida e brusca: a cor, fragmentada em fios de luz, e as figuras mais alongadas e acrobáticas que nunca. Algumas de suas obras finais consistem de uma interação de sombras com as partes mais iluminadas e são pintadas quase exclusivamente em uma cor só. Sempre que perguntado sobre suas cores preferidas, Tintoretto respondia: “Preto e branco, porque dá força à forma, modelando sua sombra, e o outro a atenua, pela luz”.


Tintoretto foi um artista do comprometimento e da paixão. Embora fosse um exímio retratista e habilidoso decorador de grandes superfícies, era antes de tudo, um pintor visionário dos dramas religiosos. Em sua busca pela verdade do espírito, ele estava preparado para ir contra os cânones da forma, contra as noções de realismo e de acabamento, e era capaz de distorcer e até mesmo desfigurar o corpo humano, dominando um estilo único e inconfundível.
CASA ONDE VIVEU O PINTOR








Tintoreto ( Jacopo Robusti)

A moderna historiografia da arte tende a reconhecer em Tintoretto o maior representante do amplo movimento artístico que foi o maneirismo, interpretado segundo a tradição veneziana. O artista é admirado antes de tudo pela ênfase no dramatismo da composição e da luz.
O filho do tintureiro
     Jacopo Robusti, conhecido como Tintoretto, nasceu em Veneza por volta de 1518. Filho de um tintureiro de sedas (daí o cognome), sabe-se que entrou ainda jovem para o ateliê de Ticiano, onde ficou poucos dias.
Uma vida dedicada
à pintura
     Em 1539, no entanto, já se estabelecera como pintor, e voltou de uma viagem a Roma impressionado com a obra de Michelangelo.
     Após pintar afrescos para a igreja de Santa Maria dell'Orto, recebeu em 1548 a encomenda de decorar a Scuola di San Marco, trabalho que lhe valeu grande fama.
     Em 1550 casou-se com a filha de um banqueiro e até o fim da vida dedicou-se somente à pintura.
Renascentista, barroco
ou maneirista ?
Durante muito tempo Tintoretto foi classificado como o último pintor renascentista; passou depois a ser considerado o primeiro mestre da pintura barroca; hoje é apontado como grande vulto do maneirismo.
     É difícil classificá-lo com precisão, pois em sua obra existem exemplos das três correntes. O pintor preocupou-se igualmente com a forma e com a cor, numa síntese florentino-veneziana que para outro mestre teria sido impossível.
     Segundo a tradição, teria escrito na porta do seu ateliê: "Desenho de Michelangelo e colorido de Ticiano."
Um mestre da cor
     A obra de Tintoretto está concentrada sobretudo em Veneza, mas seus quadros a óleo escureceram, em parte porque ele não costumava reforçar o branco das telas antes de pintar as cores escuras.
     Suas obras, altamente dramáticas, fogem à placidez e regularidade da composição renascentista.
     A fama de que desfrutou o pintor como mestre do colorido, a despeito da deterioração de seus óleos, sobrevive em função da alta qualidade emocional das telas.
O furioso
     A dramaticidade dos quadros de Tintoretto somente pode ser equiparada a sua inesgotável atividade; daí seu outro apelido da época, "Il Furioso".
     Autodidata, a princípio estudou e copiou obras de Michelangelo e Sansovino. Executou trabalhos sem nada cobrar ou apenas pelo preço do material utilizado: são os casos da decoração da igreja de Santa Maria dell'Orto e da Scuola di San Marco.
    Nesta última concluiu em 1548 um de seus quadros mais importantes: o "Milagre de são Marcos" (hoje na Academia de Belas-Artes, Veneza), no qual procurou exaltar o movimento e o volume dos corpos pela luz, sem sacrificar a cor.
     A partir de 1550, Tintoretto recebeu numerosas encomendas de procedências diversas. Dessa fase há, entre outros trabalhos, "Adão e Eva" (1550-1553), "Abel e Caim" (1550-1553), "Santo André e São Jerônimo" e "São Jorge e a princesa", os dois últimos para o Palazzo Ducale.
     A mais célebre das obras desse período foi "Susana no banho" (1560-1564).
O esboço estava pronto
     Em 1564, a Scuola di San Rocco abriu concurso para a decoração de suas salas e convidou os principais pintores venezianos a participar.
     Todos apresentaram um simples projeto, mas no dia da decisão do certame Tintoretto mandou descobrir uma parede da instituição e mostrou um trabalho acabado, que ofereceu de presente.
     Como o estatuto da escola não permitisse a recusa de doações, a vitória coube ao pintor que, além de vencer o concurso, recebeu contrato para a execução de outras obras.
Consumidas pelo fogo
     Nessa mesma instituição, Tintoretto deixou importante repositório de arte. A primeira de suas obras ali pintadas foi uma "Crucificação" (1565), seguida de uma história da "Paixão" (1566), com cenas que salientam os impulsos humanos dos personagens, como em "Cristo diante de Pilatos", "Tentação de Cristo" e a "Ceia".
     Em 1577, Tintoretto começou a decorar o segundo pavimento da escola e executou "O maná", "Moisés aspergido com a água do regato" e "Adoração da serpente de bronze". Para o teto, principalmente, pintou cenas dos dois testamentos, em que se destaca a "Fuga para o Egito".
     O pintor executou ainda obras avulsas, como o "Juízo final" e a "Batalha de Lepanto", destruídas no incêndio que consumiu o Palazzo Ducale de Veneza em 1577.
     Para esse palácio concluiu, pouco antes de morrer em Veneza, em 31 de maio de 1594, o monumental "Paraíso", um dos maiores quadros a óleo do mundo.
©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.






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