AVISO

O administrador deste blogue
não é responsável pelas opiniões
veiculadas por terceiros
nem a sua publicação quer dizer
que delas partilhe, apenas as
publica como reflexo da
sociedade em que se inserem
dando-lhes visibilidade
mas nunca fazendo delas opinião própria.
Ao desenvolturasedesacatos reserva-se ainda o direito
de eliminar qualquer comentário anónimo ou não identificado, que contenha ataques
deliberadamente pessoais, que em nada contribuampara o debate de ideias ou para a denúncia
de situações menos claras do ponto de vista ético.


sábado, 28 de dezembro de 2013

Acorda, povo! Para um povo que aguentou, de cabeça baixa, 48 longos anos de ditadura abençoada pela Igreja e que ainda hoje suspira por esse tempo, não chegam as manifestações que se têm feito um pouco por todo o lado, nem as críticas à destruição do país nas redes sociais e nos fóruns - que a comunicação social está, de um modo geral, submetida ao poder - nem os dilacerantes testemunhos de quem tudo perde diariamente e passa fome, nem os suicídios

picosderoseirabrava.blogspot.pt




Acorda, povo!


Para um povo que aguentou, de cabeça baixa, 48 longos anos de ditadura abençoada pela Igreja e que ainda hoje suspira por esse tempo, não chegam as manifestações que se têm feito um pouco por todo o lado, nem as críticas à destruição do país nas redes sociais e nos fóruns - que a comunicação social está, de um modo geral, submetida ao poder - nem os dilacerantes testemunhos de quem tudo perde diariamente e passa fome, nem os suicídios (de igual modo calados pela comunicação social), nem o desesperado movimento hemorrágico («Diáspora» chama-lhe aquele senhor metido a presidente, sem saber muito bem o que diz) da juventude qualificada para outros países que lhes abrem as portas e os braços, para abrir os olhos e perceber que é preciso agir!

Mesmo assim - ou talvez por isso - é preciso continuar a mostrar por palavras simples e por números, o buraco, a lama em que este "governo", esta "maioria" e este "presidente" nos estão a atolar. E porque há quem o faça muito melhor que eu, transcrevo a crónica da Câncio no DN de ontem. 

Vale a pena ler. Há que acordar Portugal!



Passos natais passados

Em 2010, na oposição, Passos garante que, devido à crise, lá em casa só haverá presente para "a mais nova". "Foi um ano muito duro", diz no vídeo de Natal. "Pelo desemprego, pelo aumento dos impostos, na redução dos salários, na quebra do investimento. Enfim, é um período de grande tensão e de incertezas tanto para os mais jovens como para os menos jovens." Com o IVA a aumentar um ponto percentual nos três escalões e o IRS a subir para todos com um novo escalão de 45% acima dos 150 mil euros, o ano fecha com desemprego de 10,8%, dívida pública de 92,4%, e PIB a crescer 1,9%.

2011: mensagem natalícia é já de PM. O que cortou meio subsídio a toda a gente e anuncia que em 2012 funcionários públicos e pensionistas ficarão sem os dois (Natal e férias). Medidas que não estavam nem no memorando nem no seu programa eleitoral, mas não o impedem de falar de confiança: "É um ativo público, um capital invisível, um bem comum determinante para o desenvolvimento social, para a coesão e para a equidade. São os laços de confiança que formam a rede que nos segura a todos na mesma sociedade. Um dos objetivos prioritários do programa de reforma estrutural do governo consiste precisamente na recuperação e no fortalecimento da confiança." Ano fecha com défice de 4,2% (abaixo do previsto), dívida pública 107,2%, desemprego 12,7%. PIB contrai 1,6%.

2012 é o ano do anúncio do aumento da TSU para trabalhadores, que cairá pela contestação, e do "enorme aumento de impostos" para 2013, depois do IVA no máximo para a restauração, eletricidade e gás. Se desemprego alcança 15,7%, respetivo subsídio é reduzido em duração e valor, como indemnizações por despedimento. RSI e Complemento Solidário para idosos sofrem cortes. Tudo ao contrário da mensagem natalícia do PM, que exorta "todos [a] fazer um pouco mais para ajudar quem mais sofre, quem perdeu o emprego" e a celebrar os 120 mil lugares vazios dos emigrantes: "Esta quadra natalícia será um momento especial para recordarmos aqueles que estão mais longe, ou aqueles que se afastaram de nós no último ano." Tanto sacrifício para défice subir aos 6,4%, muito acima do acordado, dívida pública atingir 124,1% e PIB contrair 3,2%.

2013, e eis Passos redentor: "Começámos a vergar a dívida externa e pública que tanto tem assombrado a nossa vida coletiva. Fizemos nestes anos progressos muito importantes na redução do défice orçamental, e não fomos mais longe porque precisámos dos recursos para garantir os apoios sociais e a ajuda aos desempregados." De facto: num ano cortou-se CSI a 4818 idosos pobres e no OE 2014 vêm mais cortes, também no RSI e ação social. Prevê-se 17,4% de desemprego, com o de longa duração e jovem a aumentar (por mais que o PM jure que se criaram 120 mil empregos). Dívida vai a 127,8%, PIB contrai 1,5% e défice deverá ficar em 5,9%, 1,4 pontos acima do acordado em 2012. Mas o Pedro vê cenas. Este ano, às tantas, até houve presentes para todos lá em casa.

(Fernanda Câncio, DN/ 27/Dez/2013)

Hobo Nickels: as obras de arte feitas em moedas

Hobo Nickels: as obras de arte feitas em moedas
























  


www.ordinario.com.br

Registros históricos realmente interessantes são factos que podem não mudar a sua vida, mas com certeza um pouco de conhecimento nunca é demais.

Registros históricos realmente interessantes

são factos que podem não mudar a sua vida, mas com certeza um pouco de conhecimento nunca é demais.
fatos_interessantes_08
Óculos de sol foram inventados pelos chineses, mas não para bloquear o sol. Eles foram usados por juízes em tribunais para esconder suas emoções. 


fatos_interessantes_01
As pirâmides são tão antigas, que até mesmo o rei Tutankamon teria se referido a elas como “antigas”.


fatos_interessantes_02
Algumas sequoias gigantes são mais velhas do que as pirâmides.


fatos_interessantes_03
Depois de governar o Egito por centenas de anos, Cleopátra foi a primeira de sua família a aprender egípcio.


fatos_interessantes_04
Calcula-se que, nos últimos 3 mil anos, houve apenas 240 anos de paz em todo o mundo civilizado.


fatos_interessantes_05
A Warner Bros foi fundada apenas alguns meses antes da queda do Império Otomano.


fatos_interessantes_06
Os soviéticos usaram cães armados com explosivos como armas anti-tanque. Às vezes, porém, os cães corriam de volta e explodiam os próprios soviéticos.


fatos_interessantes_07
Para cada soldado americano morto durante a Segunda Guerra Mundial, cerca de 21 soldados soviéticos foram mortos.


fatos_interessantes_09
A última viúva de um soldado da guerra civil morreu em 2003. Gertrude Janeway tinha 18 anos quando se casou com John Janeway, em 1927.


fatos_interessantes_10
Na noite de seu assassinato, Martin Luther King teve uma briga de travesseiros em seu quarto de hotel.


fatos_interessantes_11
Napoleão era, na verdade, mais alto do que um francês médio.


fatos_interessantes_12
A atual bandeira dos EUA foi desenhada por um estudante de 17 anos chamado Robert Heft para um projeto da escola. Ele recebeu um B menos. Quando o presidente escolheu seu projeto o professor mudou sua nota para um A.


fatos_interessantes_13
Todos os tanques britanicos desde 1945 possuem capacidade para fazer chá.

obutecodanet.ig.com.br

A VISITA DA MAMÃ

video

A mulher que nem Mandela eclipsou, por LAURA GREENHALGH, Comentaristas sublinharam o silêncio no estádio Soccer City, dias atrás, em Johannesburgo, quando Winnie Mandela, de 77 anos, curvou-se diante de Graça Machel, de 68, para lhe dar condolências pela morte de Nelson Mandela, aos 95. O encontro das viúvas titânicas do mesmo homem, o herói sem fronteiras, foi selado por dois beijos na boca, costume africano, e por iniciativa daquela que se curvou.

A mulher que nem Mandela eclipsou, por LAURA GREENHALGH,

Comentaristas sublinharam o silêncio no estádio Soccer City, dias atrás, em Johannesburgo, quando Winnie Mandela, de 77 anos, curvou-se diante de Graça Machel, de 68, para lhe dar condolências pela morte de Nelson Mandela, aos 95. O encontro das viúvas titânicas do mesmo homem, o herói sem fronteiras, foi selado por dois beijos na boca, costume africano, e por iniciativa daquela que se curvou.
"Mas estas mulheres não se falam", exclamou uma radialista incrédula, ao vivo. Seria mais uma cena inusitada numa cerimónia com direito a aperto de mão entre Barack Obama e Raúl Castro, auto retrato de governantes pelo celular da primeira-ministra da Dinamarca e um atrapalhado tradutor para surdos-mudos, que jura ter visto anjos no palco.
No entanto, o beijo de Winnie na rival não se explica por ousadia ou deslize de protocolo. Tem-se ali o reconhecimento público de uma grande líder africana: a "mama" Graça, como é chamada não só em Moçambique, onde nasceu, e na África do Sul, onde vive, mas nos países onde sua voz ecoa - Etiópia, Sudão, Índia, entre outros.
Graça Machel casou-se com Mandela em 1998, dois anos depois do turbulento divórcio do líder negro. Uma separação marcada por casos de corrupção, autoritarismo desmedido e infidelidade vindos da parte de Winnie. Já em 2010, quando veio a São Paulo receber o título de doutor honoris causa conferido pela USP a Mandela, Graça anunciaria numa entrevista ao Estado a decisão de fechar sua agenda para compromissos externos, terminar com a ponte aérea semanal entre Maputo e Johannesburgo (fica na capital de Moçambique a Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade, que ela criou e preside), só para se dedicar a Madiba. "Meu marido está com 92 anos. Tem todo o conforto de que necessita. Nada lhe falta. Mas ele me quer a seu lado", disse.
Discreta quanto à vida privada, não se negou a explicar como e quando o romance começou. Viúva do presidente moçambicano Samora Machel, morto em 1986 num suspeito acidente de avião em espaço aéreo sul-africano, Graça Machel procurou o presidente Mandela para cobrar dele empenho nas investigações. "Era o décimo aniversário da morte de Samora e não se avançava na investigação sobre o envolvimento de elementos ligados ao apartheid. Madiba ouviu, acolheu minha revolta e assim tudo começou", contou. Teria sido amor à primeira vista? "Creio que estávamos, ambos, muito sozinhos naquele momento". A partir daí, o que se viu foi um Mandela feliz, exaltando "a maravilha de estar apaixonado".
Mas a personalidade solar do líder não eclipsou Graça Simbine Machel. Nem a transformou em peça de cerimonial. "Conheci Graça por intermédio de Ruth Cardoso. Eram amigas, Graça queria Ruth como irmã. Em comum, tinham a capacidade de se reinventar, ao mesmo tempo em que reinventavam o papel de primeira-dama", analisa a cientista política Lourdes Sola. E assim foi: mulher de dois presidentes, primeira-dama em dois países, comprometida com o fim do colonialismo, Graça desembarcou na África do Sul dos anos 90 já a bordo de uma sólida biografia pessoal. Nascida em família pobre e numerosa, estudou com apoio de organizações religiosas até doutorar-se em filologia da língua alemã pela Universidade de Lisboa. Fez-se poliglota.
Voltaria à pátria para actuar na Frente de Libertação de Moçambique, a Frelimo, incluindo a fase das armas. Independência conquistada, foi por 14 anos a primeira ministra da Educação de um país livre, mas com índice de analfabetismo de 93%.
O pan-africanismo é marca de seu pensamento e acção. "Depois de décadas lidando com a ruptura do colonialismo, só agora as nações africanas começam a definir seu destino", avalia. Graça saltou do front político para o activismo social, no campo dos direitos humanos, tendo a sabedoria de actualizar as suas causas. Por exemplo, em Darfur, jogou o peso de sua influência ao denunciar a violência de género, em particular o estupro de mulheres e meninas. Em países como Etiópia e Índia, enfrentou tradições culturais arraigadas ao condenar o casamento imposto a crianças, como prática natural e socialmente aceita. "Tira-se a menina da escola, isolam-na grávida em casa, não lhe dão serviços médicos adequados. É devastador".
Outro momento de alta performance de Graça acontece nos anos 90, quando a ONU a convoca para conduzir um amplo levantamento sobre a situação da infância em zonas de conflito. Liderou um batalhão de especialistas ao compor o célebre Relatório Machel, numa época em que havia perto de 30 conflitos armados em curso. Denunciou a morte de 2 milhões de crianças no espaço de uma década. O triplo em termos de portadores de sequelas. Tratou do problema em todos os seus vieses: crianças como alvo preferencial em combates, recrutadas como soldados, aliciadas para a prostituição, amputadas em minas terrestres, órfãs, sem lar nem escola. "É impressionante. Já pude vê-la em fóruns com personalidades incríveis. Assim que Graça começa a falar, vê-se que está num nível superior de inteligência, carisma e clareza", declarou recentemente John Carlin, biógrafo de Mandela.
"Não é a origem social que determina o que és, nem o que virás a ser", costuma repetir a ex-ministra da Educação que sonhava transformar um país numa grande escola. Semanas antes de o marido morrer, extenuada com o lento definhar e com o clima de disputa entre os Mandelas, meteu-se numa videoconferência de Johannesburgo, para dar um puxão de orelhas no presidente de seu país. Cobrou medidas para conter a onda de sequestros de crianças, algo que atemoriza a sociedade moçambicana. "Ela se manteve à frente de tudo nesse período difícil", comentou o advogado George Bizos, companheiro de Mandela na luta contra o apartheid. Assessores de Graça acreditam que, daqui para frente, ela vai se voltar ainda mais para o social. A política não a seduz. O activismo, sim.
Josina, uma das filhas com Samora Machel, faz outra previsão: Graça deve se recolher, para elaborar a perda do homem que lhe deu toda a beleza de um amor crepuscular: "Hoje o que ela sente é dor". 


ocatarrodaformiga.blogspot.pt

Um poeta na varanda dos deuses [ Tempo estimado de leitura: 3 a 4 minutos ] «Lisboa é como a vida: nós queixamo-nos, mas é muito bom andar por cá.» Dono de um aguçado sentido crítico e de um humor por vezes implacável, Alberto Pimenta reflecte em toda a sua obra uma grande atenção aos problemas do mundo actual, expressa com um rigor de linguagem que faz dele um dos nomes mais importantes, mas também mais incómodos, da poesia portuguesa contemporânea.

Um poeta na varanda dos deuses

[ Tempo estimado de leitura: 3 a 4 minutos ]
«Lisboa é como a vida: nós queixamo-nos, mas é muito bom andar por cá.» Dono de um aguçado sentido crítico e de um humor por vezes implacável, Alberto Pimenta reflecte em toda a sua obra uma grande atenção aos problemas do mundo actual, expressa com um rigor de linguagem que faz dele um dos nomes mais importantes, mas também mais incómodos, da poesia portuguesa contemporânea.

Nos mais de 40 títulos que publicou desde 1970, tal como nas numerosas performances que encenou, em Portugal e na Alemanha (onde viveu durante 17 anos), Pimenta nunca se deixou seduzir pela lógica da facilidade. «A cultura é o desporto da classe média», afirmou uma vez. Ainda hoje, há quem não lhe perdoe esta irreverência e a frontalidade dos gestos e das atitudes.
Alberto Pimenta é um poeta que vê as coisas de dentro das palavras: «Não parto das coisas para as palavras, mas sim das palavras para as coisas», diz. «Partindo das coisas, dá-se-lhes as palavras que lhes correspondem, produzem-se metáforas. Partindo das palavras, tenta-se chegar à verdadeira coisa que é ou que, normalmente, não é.»
Assim acontece também na relação do poeta com a cidade onde vive desde há 30 anos: «Lisboa é a cidade dos contrastes: o contraste do antigo e do moderno, o contraste do luxo e da miséria. E sobretudo os contrastes de cor e de luz: é uma cidade que agora pode ser azul e daqui a pouco já é cinzenta, ou amarela, ou verde, e esse é um dos seus aspectos mais fascinantes.»
Talvez por isso Alberto Pimenta tenha escolhido viver numa das sete colinas de Lisboa, no bairro da Mouraria, com vista para o castelo «de onde se vê tudo, como um deus que está sentado em cima de um muro e vê só o cenário, essas cores, essa luz.» E, do alto, é possível observar os diferentes tempos da cidade: «Passa-se de uma muralha medieval para o kitsch actual dos bairros pós-modernos e dos dormitórios – as novas muralhas, inexpugnáveis, sempre no estilo de gaiolas sobrepostas e onde há uma vida que é pouco vida, uma vida sem mistério nenhum», diz. «De cima vê-se tudo isso e não se vê o humano. Se nos misturamos com as pessoas vemos gente muito cansada, muito apressada…»
A relação de Alberto Pimenta com o mundo tem muito a ver com os anos vividos em Heidelberg, um tempo que o marcou bastante. Até hoje: «Às vezes até sonho em alemão», diz. «Continuo a ter uma grande relação com a Alemanha, até já publiquei um livro, na Áustria, Verdichtungen, que foi escrito originalmente em alemão. E a minha última namorada era uma alemã…»
Aliás, foi só por causa da revolução de 25 de Abril de 1974 que o poeta não adquiriu a cidadania alemã: «O governo português da altura tinha-me tirado o passaporte, eu pedi a nacionalidade alemã e foi-me concedida», diz. Mas dois dias mais tarde deu-se a Revolução dos Cravos, e algum tempo depois Pimenta decidiu regressar a Portugal: «Acreditei na utopia de que o meu país era outro país.»
Hoje, Pimenta confessa que pode sentir-se «alternadamente bem ou mal» em Lisboa. Mas reconhece que, apesar disso, «é muitas vezes agradável.» Principalmente vista do alto: «A cidade é boa da varanda, da varanda dos deuses.»
E é assim que vai reinventando as coisas com as palavras que entende mais adequadas. Como fez no seu livro mais recente, Marthiya de Abdel Hamid, onde se colocou na pele de um poeta iraquiano que descreve com incrível precisão os horrores da guerra. Porque, como afirma, «esta poesia não é inócua: trabalha para o mundo, não a partir dele, mas da nomeação dele.»
Mini International | Março 2007