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segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

O NEGÓCIO DA POBREZA - Por fim, o presidente da Cáritas fez uma declaração que passou despercebida, sugeriu que o Estado reembolsasse o IVA que cobrou nas doações feitas ao Banco Alimentar Contra a Fome, denunciando uma reivindicação futura destas instituições. Só não se percebe a razão porque o mesmo senhor não exigiu aos distribuidores que venderam os produtos a devolução da margem de lucro, dando assim uma prova inequívoca de que a caridade promovida pelas grandes superfícies não é mais do que um grande negócio para o merceeiro dos tamancos mais o seu amigo dos contraplacados.

O negócio da pobreza

A última campanha do Banco Alimentar Contra a Fome mostrou uma responsável mais cuidadosa nas palavras e uma operação junto da comunicação social digna de uma grande multinacional. Estivemos perante uma campanha com um elevado nível de profissionalismo que só falhou pelo assédio que os seus voluntários fazem aos clientes dos supermercados.
Ficou também marcada por algum debate sobre os interesses que envolvem estas campanhas com uns a tratá-las como meros negócios e outros a considerar que os primeiros nada fazem contra a fome, fazendo passar a mensagem do que a melhor forma de combater a fome é institucionalizando a caridade. Pelo meio ainda se assistiu à ressurreição do presidente da AMI chamando a atenção para o seu importante papel, só não se entende a razão porque esteve para abandoná-lo a troco de um penacho político.
Por fim, o presidente da Cáritas fez uma declaração que passou despercebida, sugeriu que o Estado reembolsasse o IVA que cobrou nas doações feitas ao Banco Alimentar Contra a Fome, denunciando uma reivindicação futura destas instituições. Só não se percebe a razão porque o mesmo senhor não exigiu aos distribuidores que venderam os produtos a devolução da margem de lucro, dando assim uma prova inequívoca de que a caridade promovida pelas grandes superfícies não é mais do que um grande negócio para o merceeiro dos tamancos mais o seu amigo dos contraplacados.

Os pobres são uns tipos cheios de sorte, têm milhares de boas almas preocupadas com  o seu bem estar e um dia destes ainda vamos ouvir isso ser dito pela boca de algum alto responsável da caridade nacional. Não só são uns tipos porreiros como ainda geram emprego e muito a ganhar por muitos milhares de especialistas em pobreza.
Sem a pobreza nosso amigo Santana Lopes não seria provedor da Santa Casa, as dezenas de dirigentes da mesma instituição teriam que ir em busca de tacho alternativo, isto só para dar um exemplo. Independentemente do que se possa pensar ou dizer da caridadezinha institucionalizada a verdade é que anda por aí muita gente a viver à grande e à francesa à custa dos pobres.
A caridade tornou-se num mega negócio e se, envolve muitos voluntários e gente com boas intenções, também cria milhares de empregos, tachos muito bem remunerados. Imagine-se quantos almoços são pagos por estas instituições para que alguns dos seus dirigentes possam preocupar-se com a pobreza em restaurantes de luxo.
De certeza que se compararmos o que é dado aos pobres com os lucros e benefícios pelos que promovem e sustentam a caridade chegamos à conclusão de que são os primeiros os que mais ganham com o negócio? De um lado estão as sopas quentes, do outro os ganhos das redes de distribuição, os impostos recolhidos pelo Estado, as mordomias e luxos pagos pelas Santas Casas, os cargos remunerados, uma rede imensa de assistentes sociais, etc., etc..
De certeza que são os pobres que ganham com a caridade ou esta é um imenso negócio e os pobres não passam de marionetas de muita gente que fez da pobreza dos outros um caminho para o seu próprio enriquecimento? Não se trata de uma acusação ou conclusão, mas é óbvio que este fenómeno tem uma vertente de negócio e ambição pessoal. Veja-se o caso da AMI, que move milhões e é gerida como se fosse um negócio familiar, uma espécie de Pingo Doce da ajuda.

Curiosamente, as operações de ajuda alimentar são fortemente vigiadas em Bruxelas pelo historial de fraudes. Por cá é pecado questionar para onde vão e quem está ganhando com tantos milhões.




jumento.blogspot.pt

ESTRELA REPORT. Na foto, manifestantes contra o "Relatório Estrela" em Estrasburgo, hoje. Quando a acção dos políticos transcende a banalidade do ramerrame, os seus nomes deixam de ser (apenas) seus e passam a ser das acções relevantes que empreendem. É também assim neste caso: o “Relatório Estrela” é o nome-bandeira pelo qual passou a ser conhecido o trabalho da deputada europeia Edite Estrela, enquanto autora do “Relatório sobre saúde e direitos sexuais e reprodutivos”, aprovado pela Comissão dos Direitos da Mulher e da Igualdade dos Géneros do Parlamento Europeu e, agora, presente ao plenário dessa instituição. (Na realidade, já foi presente anteriormente, mas os meios mais conservadores europeus conseguiram, até agora, evitar a votação.)

ESTRELA REPORT.



Na foto, manifestantes contra o "Relatório Estrela" em Estrasburgo, hoje.

Quando a acção dos políticos transcende a banalidade do ramerrame, os seus nomes deixam de ser (apenas) seus e passam a ser das acções relevantes que empreendem. É também assim neste caso: o “Relatório Estrela” é o nome-bandeira pelo qual passou a ser conhecido o trabalho da deputada europeia Edite Estrela, enquanto autora do “Relatório sobre saúde e direitos sexuais e reprodutivos”, aprovado pela Comissão dos Direitos da Mulher e da Igualdade dos Géneros do Parlamento Europeu e, agora, presente ao plenário dessa instituição. (Na realidade, já foi presente anteriormente, mas os meios mais conservadores europeus conseguiram, até agora, evitar a votação.)

Os direitos sexuais e reprodutivos abrangem um vasto domínio, incluindo: o direito a cuidados de saúde maternos e ao planeamento familiar; a questão da mortalidade materna (com indicadores a melhorar, mas com flutuações preocupantes em alguns países europeus); a questão da educação sexual, cuja inexistência ou insuficiência tem efeitos negativos nas taxas de natalidade na adolescência, de interrupção voluntária da gravidez e de doenças sexualmente transmissíveis; a questão do aborto, com alguns países europeus que continuam a legislar a hipocrisia (quer dizer, proibindo na lei, explicita ou implicitamente, para poderem fechar oficialmente os olhos e não terem que se defrontar com os problemas reais) ou que, apesar de legislações mais realistas, deixam pulular os obstáculos extralegais aos mecanismos legais; as insuficiências dos sistemas de saúde no que toca às doenças sexualmente transmissíveis; a violência de género, muitas vezes ligada à sexualidade; etc. A merecer preocupação está também o facto de, aparentemente, alguns países europeus não monitorizarem adequadamente estas questões. Por exemplo, mais de dois terços de Estados-Membros não dispõem de qualquer informação sobre a percentagem de mulheres grávidas que foram a, pelo menos, uma consulta pré-natal e mais de um quarto de Estados-Membros não possuem dados sobre a percentagem de partos assistidos por um profissional de saúde qualificado. Ora, quem não sabe não cuida. Além do mais, a tornar ainda mais urgente o tópico, a contexto de crise e recessão só ajuda, com o argumento das “poupanças” a todo o custo, a encurtar o braço dos meios públicos para atender a estes direitos.

Os direitos sexuais e reprodutivos são parte dos Direitos Humanos, como reconhecido por instrumentos internacionais, e estão intimamente ligados à efectividade da igualdade de género. Por exemplo, a regulação da fertilidade: claro que, num mundo ideal, essa questão seria tanto de homens como de mulheres; mas, neste mundo real que temos, a falta de métodos acessíveis e aceitáveis para essa regulação acaba por cair mais pesadamente sobre os ombros das mulheres. Em qualquer caso, os direitos das mulheres são direitos de todos: porque nenhum ser humano decente vive bem num mundo onde metade das pessoas são potencial ou efectivamente discriminadas por serem do género feminino; porque quem discrimina as mulheres também discrimina por outros motivos (orientação sexual, por exemplo) com os mesmos “argumentos”.

Por todas estas razões, o Relatório Estrela, reconhecido pela esmagadora maioria como um relatório equilibrado, ganhou o interesse de muitos por essa Europa fora, que vêem nele um contributo para que as instituições europeias sejam relevantes na vida concreta e real dos europeus concretos e reais.

Ora, estranhamente – perdão, sem estranheza nenhuma – o Relatório Estrela tornou-se um ponto central da luta política à escala europeia. Por quê? O contexto é este: há uma agenda reaccionária global (europeia, internacional) para impor morais particulares a toda a gente. O que essa agenda reaccionária pretende é capturar as políticas públicas, fazendo com que os meios dos Estados só possam ser usados dentro dos limites traçados por essas morais particulares. A questão é esta, com um exemplo: ninguém quer obrigar ninguém a usar este ou aquele método anticonceptivo, porque não cabe às políticas públicas determinar como as pessoas se comportam nesse campo; mas é criminoso diminuir os esforços das políticas públicas para informar as pessoas acerca do que está em causa e é criminoso deixar esse assunto ao “Deus dará” só porque certas correntes religiosas têm preceitos que vão contra a autodeterminação consciente das pessoas nessas matérias. Não podemos proibir uma religião de pregar que “venham os filhos que Deus quiser”, mas devemos impedir que as políticas públicas, por omissão, traduzam esse preceito obscurantista. O obscurantismo é a arma dos extremismos. Neste caso, o obscurantismo é a arma do extremismo reaccionário, também agora na Europa, aliás importando as piores práticas do extremismo americano.

Como de costume, o obscurantismo reaccionário assenta muito na apresentação falseada da lógica das situações. O Relatório Estrela não quer impor nada de novo aos Estados Membros, mas quer promover o interesse pelas práticas que dão melhores resultados em termos de saúde e de implementação dos direitos já reconhecidos. O Relatório Estrela leva a sério a questão civilizacional da violência de género, que temos de combater resolutamente. O Relatório Estrela alinha com as abordagens pragmáticas em questões de saúde pública, com aquelas abordagens que dão prioridade à saúde das pessoas em vez de lhes pedir primeiro que adiram a certas morais particulares antes de se protegerem e cuidarem. O Relatório Estrela é uma questão de civilização.

É para isto que serve a Europa: para distribuir o melhor e restringir o pior. Para que a Europa seja dos cidadãos temos de assumir a importância destes debates globais. Os cidadãos europeus podem apoiar estas iniciativas. Amanhã, o Parlamento Europeu vota o Relatório Estrela. Apelo a que façam ouvir a vossa voz: multipliquem o apelo ao voto “SIM” no Relatório sobre saúde e direitos sexuais e reprodutivos, o agora chamado Relatório Estrela. Façamos disto um tópico de opinião pública.

O relatório pode ser lido em português aqui.





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Aprendam a dançar Doundounba

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Naked African Dance 2: Nude Doundounba! (All Levels) from Naked Yoga School on Vimeo.

Vital Moreira colaborando à borla (grande parvo!) com o governo

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