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domingo, 1 de dezembro de 2013

O PÃO DOS OUTROS . UM CONTO DE MICHELE LOCHAK

O pão dos outros

Remi está a conversar com a avó. Gosta de a ouvir falar dos seus tempos de menina.
— Na minha aldeia, na Provença, pelo Ano Novo, no primeiro dia de Janeiro, toda a gente oferecia uma prenda a toda a gente. Vê lá se és capaz de adivinhar o que seria.
Remi lança palpites:
— Comprar prendas para a aldeia inteira… É preciso muito dinheiro. Quer dizer que as pessoas eram ricas?
A avó riu-se:
— Oh, não! Naquele tempo, tinha-se muito pouco dinheiro e ninguém na aldeia comprava prendas. Nem sequer havia lojas como há hoje.
— Então, faziam as prendas?
— Não propriamente!
— Mas como é que faziam?
— Era muito simples. Ora ouve…
Antigamente, cada família cozia o seu pão. Não havia água corrente nas casas, por isso íamos buscá-la à fonte, no largo da aldeia.
E, no dia um de Janeiro, de manhã muito cedo, a primeira pessoa que saía de casa, colocava um pão fresco no bordo da fonte, enquanto enchia a bilha de água. Quem chegava a seguir pegava no pão e deixava outro no mesmo lugar para a pessoa seguinte, e assim por diante…
Desta forma, em todas as casas, se comia um pão fresco oferecido por outra pessoa. Nem sempre se sabia por quem, mas garanto-te que o pão nos parecia muito bom porque era como se fosse um presente de amizade.
As pessoas que estavam zangadas pensavam que talvez estivessem a comer o pão do seu inimigo e isso era uma espécie de reconciliação…
Durante alguns dias, esta história andou a martelar na cabeça de Remi.
Uma manhã, teve uma ideia.
Meteu no bolso uma fatia de pão de lavrador, que é o pão que se come na casa de Remi.
E na escola, um pouco antes do recreio, Remi pousou o pão bem à vista, em cima da carteira de Filipe, o seu vizinho.
Filipe está sempre com fome e não para de repete a Remi:
— Oh! Que fome, que fome eu tenho! Bem comia agora qualquer coisa!
Quando Filipe viu a fatia de pão, que rica surpresa! Sabia muito bem quem lha tinha dado, mas fingiu que não sabia.
No recreio, todo contente, comeu o pão sem dizer nada a Remi, mas…
No dia seguinte, sabem o que é que Remi encontrou em cima da carteira, mesmo antes do recreio? … Um pedaço de cacete!
Um grande pedaço bem estaladiço! Um verdadeiro regalo!
Filipe ria-se.
E assim continuaram a dar um ao outro presentes de pão.
Na aula, a Carlota e a Sílvia estão sentadas logo atrás de Filipe e de Remi. Rapidamente souberam da história do pão e quiseram também participar nas surpresas.
No dia seguinte, Sílvia levou uma fatia de cacetinho e Carlota uma fatia de pão centeio.
Outras crianças quiseram participar nas prendas de pão.
Apareceu pão saloio, pão de noz, pão de sêmea, pão sem côdea, pão caseiro, pão fino, pão russo, negro e um pouco ácido, que Vladimir levou, pedaços de pão árabe, que a mãe de Ahmed cozera no forno, e ainda muitos outros tipos de pão.
Desta forma, quase toda a turma se pôs a trocar pedaços de pão durante o recreio.
A professora apercebeu-se das trocas e perguntou:
— O que é que vocês estão a fazer?
Carlota e Remi contaram-lhe toda a história do pão dos outros.
E logo após o recreio, o que é que estava em cima da secretária da professora? …um pedaço de pão!
Toda a classe tinha os olhos postos na professora. Ela sorriu e comeu o pão.
E, no domingo seguinte, quando Remi viu a avó, era ele que tinha uma história para lhe contar:
— Sabes, avó, na minha turma…
Michèle Lochak
Le pain des autres
Paris, Flammarion, 1980
(Tradução e adaptação)

MARCAS DE LICORES COM NOMES MALANDRECOS
















O Governo falha o Dia da Restauração O governo PSD/CDS, até ser substituído, acabou com o Dia da Restauração da Independência. O "pin", com a bandeira nacional, que os seus membros trazem na lapela, é um "faz-de-conta". Até a Wikipédia deu conta da decisão de Passos Coelho e Paulo Portas. Vejamos:

O Governo falha o Dia da Restauração

O governo PSD/CDS, até ser substituído, acabou com o Dia da Restauração da Independência. 
O "pin", com a bandeira nacional, que os seus membros trazem na lapela, é um "faz-de-conta". Até a Wikipédia deu conta da decisão de Passos Coelho e Paulo Portas. Vejamos:
"A Restauração da Independência é a designação dada ao golpe de estado revolucionário ocorrido a 1 de dezembro de 1640, chefiada por um grupo designado de Os Quarenta Conjurados e que se alastrou por todo o Reino, pela revolta dos portugueses contra a tentativa da anulação da independência do Reino de Portugal pela governação da Dinastia filipina castelhana, e que vem a culminar com a instauração da 4.ª Dinastia Portuguesa - a casa de Bragança - com a aclamação de D. JoãoD. IV.
Esse dia, designado como Primeiro de Dezembro ou Dia da Restauração1 , é comemorado anualmente em Portugal com muita pompa e circunstância desde o tempo da monarquia constitucional. Uma das primeiras decisões da República Portuguesa, em 1910, foi passá-lo a feriado nacional como medida popular e patriótica. No entanto, essa decisão foi revogada pelo XIX Governo Constitucional, de Passos Coelho, passando o feriado a comemorar-se em dia não útil a partir de 2012."

gotadeagua53.blogspot.pt

o revolucionarismo de direita Por Carvalho da Silva http://www.jn.pt/ Já vimos, no passado, uma direita nacionalista e fascista autointitulada "revolucionária" que até falava de socialismo. Vemo-la ainda hoje, infelizmente, cada vez mais em quase toda a Europa, levantando bandeiras de aparência popular para mobilizar e manipular desesperos.

o revolucionarismo de direita



Por Carvalho da Silva

Já vimos, no passado, uma direita nacionalista e fascista autointitulada "revolucionária" que até falava de socialismo. Vemo-la ainda hoje, infelizmente, cada vez mais em quase toda a Europa, levantando bandeiras de aparência popular para mobilizar e manipular desesperos.

A direita "revolucionária" em Portugal não ousou ainda mostrar aquela face, move-se com disfarce no seio de uma direita um pouco mais ampla. Esta atua cheia de tiques e rodriguinhos. Fala de empreendedorismos, de excelências (afirmadas por medíocres), de iniciativas privadas, de inovações, de liberdades de escolha, de convergências, de combates a privilégios e de equidades. E os ministros repetem discursos onde as palavras/conceitos "mudança", "reforma", "progresso" e tantos outros - surripiados aos movimentos políticos e sociais defensores dos direitos dos trabalhadores e da sua emancipação social, cultural e política - são subvertidos nos seus significados e autenticamente torturados.

Essa direita que se diz liberal muito pouco tem do velho liberalismo, em muitos casos prudente e gradualista. É antes um liberalismo ostensivamente hipócrita, um "deixa-fazer" os fortes e um "põe na ordem" os fracos. É uma direita que toma a crise por ela própria provocada como oportunidade para extinguir na Europa o que na Europa se pensava ser uma aquisição irreversível - assegurar a dimensão social intrínseca ao Estado de direito democrático, procurar garantir a todos os cidadãos, independentemente do volume da sua carteira ou conta bancária, acesso a cuidados de saúde, à educação, à cultura, à proteção em caso de desemprego, à segurança e dignidade depois de uma vida de trabalho.

É a direita do "quem quer saúde, paga-a". É a direita que, lançando campanhas contra o sistema público da Segurança Social, procura esquemas que conduzam as pessoas a descontarem o mínimo possível para esse sistema e a colocarem o seu dinheiro no setor financeiro privado. Os ricos são libertados da obrigação de contribuírem na medida da sua riqueza, debaixo da propaganda hipócrita de que devem pagar a sua saúde e a sua proteção social. O que resta são sistemas subfinanciados e de má qualidade para os pobres, coitados, a quem depois oferece, caridosamente, uma sopa e uns alguns subsídios miseráveis.

É a direita que promete "cheques ensino" para que os pobres também possam frequentar os colégios dos ricos, tentando demonstrar que não se justifica uma escola pública com condições para ser de qualidade. Oferece aos colégios a liberdade de escolha dos seus alunos, barra ao geral dos pobres o acesso a ensino de qualidade, designadamente sob pretexto de fraco desempenho nos exames. A escola pública de qualidade é atacada porque é um forte instrumento de mobilidade social ascendente.

Esta direita já não se abstém de querer outra Constituição. Quer uma lei das leis onde esteja escrito como título dos títulos: "o que os mercados querem tem de ser feito".

Entretanto, grandes detentores de capitais procuram novas esferas de valorização do imenso dinheiro de que se têm apropriado e logo olham, gulosos, para a saúde, a educação e as pensões como o eldorado do futuro. Trata-se de completar o processo de roubo organizado e "legal" que são os atuais mercados das dívidas. Para satisfazer a ganância dos grandes banqueiros e acionistas de fortes grupos económicos, espremem o povo e geram uma multidão de excluídos.

Este neoliberalismo violento quer virar a sociedade de pernas para o ar: colocar no topo os interesses de quem tem o efetivo poder de mercado; no meio instalam a política ao serviço dos primeiros; e, por fim, os interesses gerais dos cidadãos. A ética, enterram-na! Como o antigo presidente da República, Ramalho Eanes, disse por estes dias, a ordem das prioridades deve ser precisamente a inversa.

Precisamos de mudança, sim! De derrotar este revolucionarismo, desmascarando as suas mentiras e traições. Precisamos de dar sentido a palavras como igualdade, justiça, reforma, progresso, trabalho, emprego, liberdade, democracia. Precisamos de inverter as prioridades enquanto é tempo.

ouropel.blogspot.pt

A LEOA


Nazaré Blow Up

LEITURA PARA HOJE - NEGÓCIO DA FOME

Leitura para hoje

Para ler melhor, clicar em cima da imagem

EXPRESSO - PASSOS JÁ NÃO QUER QUE SE LIXEM AS ELEIÇÕES - É a conclusão que me surge depois deste texto do Expresso onde se faz uma súmula dos avanços e recuos do governo. Precipitação, taticismo, inconsistência? De tudo um pouco como se verá.

Expresso - Passos já não quer que se lixem as eleições

É a conclusão que me surge depois deste texto do Expresso onde se faz uma súmula dos avanços e recuos do governo. Precipitação, taticismo, inconsistência? De tudo um pouco como se verá.


"E polémico? Então guarda na gaveta.  Governo recua nas leis do tabaco, álcool e animais domésticos. Inépcia ou tática política?
Rodadas de imperiais só para maiores de 18 anos, via verde para as apostas online, cartão amarelo para os donos com mais de dois cães em casa e vermelho para as máquinas de venda de tabaco. As propostas estiveram em cima da mesa nos últimos meses mas o Governo meteu-as na gaveta. E esta semana recuou na instalação do terminal de contentores na Trafaria. A infraestrutura anunciada em fevereiro pode afinal, não ser a melhor.
"Nada disto se deve a inépcia ou precipitação. É uma tática que este Governo é useiro e vezeiro: anuncia, tenta ver as reações da opinião pública e depois coloca-se no meio termo", crítica José Adelino Maltez, investigador de ciência política.
Para o politólogo António Costa Pinto, os recuos "são uma característica própria das coligações" e não "deste Governo em concreto". Na sua opinião, o único recuo grave de Passos Coelho foi "no caso da TSU", em outubro de 2012, quando o executivo deixou cair o aumento desta taxa depois de uma série de manifestações. "Foi uma fraqueza, um sinal claro de concessão, quando havia uma pressão mínima da oposição."
Em relação ao tabaco, os avanços e recuos têm sido constantes. O secretário de Estado Fernando Leal da Costa defendeu a proibição de fumar nos automóveis que transportem crianças. 
Nem o CDS o apoiou
No ano passado, o Governo ponderou o fim das máquinas de venda automática de tabaco, vistas como um "convite ao consumo". Recentemente sugeriu a redução de tabaco nestas máquinas.
Em tese, a nova lei proíbe o fumo em espaços fechados a partir de 2014. Mas o Governo deu uma moratória até 2020, para que os donos de bares e restaurantes possam rentabilizar o investimento feito em extratores de fumo, que o próprio executivo já admitiu que não funcionam. A proibição total do fumo só será real daqui a seis anos.
Esta semana, o Ministério da Saúde desmentiu a intenção do Governo em 'cadastrar' pais fumadores — como foi noticiado pelo Expresso. Mas a primeira recomendação do relatório da Direção Geral da Saúde (DGS), defende "um sistema de informação e de registo clínico e de enfermagem que permita conhecer o consumo de tabaco nos utentes em geral e nas mulheres grávidas, bem como a exposição ao fumo ambiental, em particular das crianças no contexto familiar". Contactada pelo Expresso, a DGS não esclareceu os moldes deste "sistema de informação e de registo clínico".  

"Fascismo higiénico"
  Quando, a 1 de maio, a lei do álcool entrou em vigor, os especialistas consideraram-na "um passo atrás" e uma cedência às pressões da indústria. O Governo proibiu a venda de bebidas espirituosas a menores de 18 anos, mas qualquer jovem de 16 pode pedir um copo de vinho ou uma cerveja num bâr. "É como permitir fumar cigarros a partir dos 16 anos e charutos só aos 18", critica a Deco.
Durou pouco mais de 24 horas a defesa pública do Governo em relação ao projeto do novo Código do Animal, que iria limitar o número de animais domésticos por apartamento: dois cães (ou quatro gatos). Perante as críticas — João Almeida, do CDS (partido de Assunção Cristas), falou em "fascismo higiénico" — a ministra da Agricultura deu o dito por não dito, no final de outubro. O anteprojeto de decreto-lei foi desclassificado para mero "trabalho técnico dos serviços do ministério", como se nada tivesse acontecido. "Não gastei um minuto a olhar para isso", desvalorizou a ministra.
Mais arrastado tem sido o processo da legalização das apostas online. Desde 2003 houve poucos avanços e muitos recuos. O último foi há uma semana, quando PSD e CDS decidiram tirar do Orçamento uma norma que previa atribuir à Santa Casa da Misericórdia a exploração e supervisão do jogo online, medida contestada pelos restantes operadores. Duarte Pacheco, do PSD, justificou que era "um assunto demasiado importante" que tem de ser discutido isoladamente. Quem perde é o Estado: 20% das receitas iriam para os cofres públicos." com PAULO PAIXÃO e VERA LÚCIA ARREIGOSO


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