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segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Berlusconi diz que os seus filhos “se sentem como judeus no tempo de Hitler” Comparação do primeiro-ministro indigna comunidade judaica italiana.

Berlusconi diz que os seus filhos “se sentem como judeus no tempo de Hitler”

Comparação do primeiro-ministro indigna comunidade judaica italiana.

Silvio Berlusconi afirma que os seus filhos “se sentem como os judeus no tempo de Hitler”. A declaração, com a qual o antigo chefe do Governo italiano ilustra as já conhecidas queixas de perseguição por “magistrados de esquerda”, causou a indignação da comunidade judaica do país.
“Os meus filhos dizem que se sentem como se deviam sentir as famílias judias na Alemanha, no regime de Hitler. Temos toda a gente contra nós”, disse, em resposta a um jornalista de televisão, Bruno Vespa, num livro que vai ser publicado, e de que têm vindo a ser divulgados extractos.
A declaração, divulgada na quarta-feira, foi feita em resposta a uma pergunta sobre se os cinco filhos lhe tinham pedido para vender o império de media e deixar Itália para escapar aos repetidos problemas com a Justiça. Mais tarde, a resposta de Berlusconi foi colocada no site do seu partido, a Forza Italia.
“É não só inapropriado e incompreensível, mas ofensivo”, comentou Renzo Gattegna, líder da união das comunidades judaicas italianas.  
Também partidos de esquerda reagiram. “Berslusconi devia ter vergonha e pedir perdão pela comparação”, disse Emanuele Fiano, do Partido Democrata, principal força de esquerda.
Berslusconi reagiu mais tarde às críticas invocando a amizade e apoio que deu a Israel enquanto primeiro-ministro. “Não deixam dúvidas sobre a minha consciência da tragédia do Holocausto e respeito pelo povo judeu”, disse.
A Alemanha nazi matou cerca de seis milhões de judeus no Holocausto da II Guerra Mundial.
Berlusconi, 77 anos, que há anos tem problemas com a Justiça, foi condenado, em Agosto, sem possibilidade de apelo, a um ano prisão por fraude fiscal. Em Outubro foi-lhe aplicada uma pena de dois anos de interdição de exercício de funções públicas — decisão que, para produzir efeitos, terá de ser votada pelo Senado, a que pertence. Uma comissão do Senado já votou a sua expulsão, mas a decisão terá de ser confirmada, ou não, pelo plenário da câmara alta.
O antigo primeiro-ministro, cujo partido integra a actual coligação de Governo, espera também o recurso que apresentou a umasentença de sete anos de prisão por abuso de poder e prostituição de menores, no caso Ruby.
Na resposta a Bruno Vespa, Berlusconi afasta a hipótese de deixar o país — “É o meu país, o país que eu amo, e no que tenho tudo: a minha família, os meus amigos, as empresas, a casa. Não admito a possibilidade de deixar a Itália”, disse.

Drones, a nova máquina de morte dos Estados Unidos DronesInicialmente utilizados como máquinas de espionagem, os drones, ou Veículos Aéreos Não Tripulados (VANT), passaram a ser máquinas de guerra no ataque dos EUA ao Afeganistão, em 2001, e na Guerra do Iraque, em 2003. Os drones foram empregados pela primeira vez em 1959, pelos Estados Unidos, mas o fato só foi admitido pela Força Aérea norte-americana em 1973, ou seja, 14 anos depois.


DronesInicialmente utilizados como máquinas de espionagem, os drones, ou Veículos Aéreos Não Tripulados (VANT), passaram a ser máquinas de guerra no ataque dos EUA ao Afeganistão, em 2001, e na Guerra do Iraque, em 2003. Os drones foram empregados pela primeira vez em 1959, pelos Estados Unidos, mas o fato só foi admitido pela Força Aérea norte-americana em 1973, ou seja, 14 anos depois.
Com um operador na estação de controle no solo (GCS) e um satélite ligado a quatro aeronaves, estão criadas as condições para invadir o espaço aéreo de qualquer país, secretamente, assassinar civis indefesos, alegando que se está fazendo combate ao terrorismo. Assim foi, sob o comando da Central de Inteligência Americana (CIA), no Iraque, no Afeganistão e, mais recentemente, na Líbia, no Iêmen, na Somália e no Paquistão.
Em 2009, após um ataque ao território iemenita em que morreram dezenas de civis, entre eles mulheres e crianças, o governo norte-americano construiu uma base secreta na Arábia Saudita e, a partir dali, desferiu dezenas de ataques ao Iêmen sob pretexto de matar membros da organização terrorista Al Qaeda. O governo saudita se calou sobre o assunto e o governo americano não revelou qualquer registro a respeito. Foi num desses ataques que a CIA se vangloria de ter matado o clérigo Anwar al-Awlaki, um dos membros mais importantes da Al Qaeda depois do assassinato de Osama bin Laden, e que seria o primeiro norte-americano da lista de “prender ou matar” da central de inteligência. O clérigo era nascido no Estado do Novo México e a Constituição dos EUA proíbe que se coloquem cidadãos norte-americanos em listas desse tipo, o que causou uma forte reação das organizações de direitos humanos do país.
A mentira da luta contra o terrorismo
As ações no Paquistão, onde também existem bases da Al Qaeda, são da mesma envergadura, mas contam com a posição contrária do premiê Nawaz Sharif, obrigando Obama a se reunir com ele para tentar apaziguar o problema. Para isso foi necessária a liberação de mais de US$ 1,6 bilhão em ajuda militar e econômica ao Paquistão, ajuda que havia sido suspensa em 2011. O jornal The Washington Post informou, no entanto, que documentos secretos dos EUA revelaram que autoridades do alto escalão do governo paquistanês têm conhecimento há anos e apoiaram os ataques com drones da CIA. Eleito em junho deste ano e com repúdio da população aos ataques, o governo respondeu dizendo que “quaisquer que tenham sido os entendimentos no passado, o atual governo vem sendo muito claro em relação à sua política nessa questão”, enfatizando que considera tais ataques uma violação da soberania, bem como das leis internacionais.
Já somam pelo menos 65 os ataques com drones nos últimos anos no Paquistão, segundo oWashington Post chamados, ironicamente, de “pontos de diálogo” pela CIA. De acordo com a Anistia Internacional, ONG com sede em Londres, as mortes de civis acontecem às centenas e ninguém responde por elas. Ano passado, diz a Anistia, após apresentar minucioso relatório, foram assassinados por aviões não tripulados uma avó que colhia para a neta legumes em sua horta e 18 trabalhadores, na localidade de ZowiSidgi, sendo um deles de 14 anos, que conversavam à sombra. “Pessoas que claramente não são uma ameaça iminente aos EUA, não estão lutando contra os EUA, estão sendo mortas. Os EUA têm de se explicar claramente com justificativas para esses assassinatos”, sentencia Mustafa Qadri, pesquisador da Anistia que escreveu o relatório.
O Exército e a CIA trabalham juntos no Iêmen: a CIA voando com seus drones sobre a região norte a partir de sua base na Arábia Saudita e o Exército voando com os seus a partir de Djibuti. Só no Paquistão foram 3.336 mortos por esses ataques, desde 2003, de acordo com a New America Foundation. A Anistia Internacional considera que “os EUA podem ter cometido crimes de guerra no Paquistão”.
Estudo da HumanRightsWatch analisa seis ações com drones americanos contra alvos em território iemenita. A ONG conclui que os bombardeios mataram mais civis do que militantes. Um dos ataques, por exemplo, provocou 57 vítimas “colaterais”. Outro matou um clérigo muçulmano que pregava contra a Al Qaeda.
Da mesma forma, LettaTayler, responsável pelo estudo, diz que “estamos muito preocupados que o fracasso da Casa Branca em mostrar que esses ataques estão de acordo com a lei internacional possa criar um perigoso precedente para outros países”, pois com a quantidade de mortes de civis e o sigilo das operações é altamente provável que outros países – aliados ou não de Washington – comecem em breve a fazer uso dessas armas (só EUA e Israel já realizaram ataques com drones).
Corrida armamentista
Enquanto esse debate internacional esquenta, a indústria norte-americana da guerra desenvolve microdrones, que servirão para segurança interna do país e de suas cidades, mas também para assassinar cidadãos de outros países ou mesmo grupos de pessoas;microdrones do tamanho de uma borboleta, chamados de “Switchblade”, que carregam uma carga do tamanho de uma granada, foram utilizados pelas Forças Armadas dos EUA, segundoJohn Horgan, professor do Stevens Instituteof Technology e autor de quatro livros sobre o assunto.
Mais de 50 nações já têm a tecnologia, bem como grupos como o Hezbollah. Oficiais de segurança dos Estados Unidos estão tão preocupados com a ameaça de terrorismo com drones que já executaram simulações de ataques em um programa chamado “Black Dart”. Empresas de defesa como a Procerus Technologies agora desenvolvem um software que permitirá que drones rastreiem e destruam outros drones.
Assim se desenvolve a indústria da morte e da guerra, confiando em que a tecnologia será maior que o ser humano, que superará todos os limites para a obtenção do lucro e que os homens não alcançarão as condições de se revoltar contra todos os crimes cometidos em seu nome e que não serão capazes de impor suas verdadeiras necessidades de uma vida harmônica, voltada para o bem-estar e a liberdade. Enganam-se: a humanidade está muito mais perto de se libertar desse regime do que imaginam os imperialistas com suas máquinas de guerra.
Marcos Villela, Rio de Janeiro

BASTA A SUA VOZ E UM COPO E VOCÊ TREINANDO FAR´+A MÚSICA - A ISSO CHAMA-SE CUP SONG - VEJA AQUI QUATRO VÍDEOS

Cup Song : Usando copo como instrumento?








 

Agora,para quem ficou curioso, tem um tutorial  simples  para aprender a fazer a “CUP SONG” !www.bemnafrente.com

JORGE PALMA -Estrela do mar


Numa noite em que o céu tinha um brilho mais forte
E em que o sono parecia disposto a não vir
Fui estender-me na praia sozinho ao relento
E ali longe do tempo acabei por dormir

Acordei com o toque suave de um beijo
E uma cara sardenta encheu-me o olhar
Ainda meio a sonhar perguntei-lhe quem era
Ela riu-se e disse baixinho: estrela do mar

Sou a estrela do mar
Só ele obedeço, só ele me conhece
Só ele sabe quem sou no principio e no fim
Só a ele sou fiel e é ele quem me protege
Quando alguém quer à força
Ser dono de mim

Não se era maior o desejo ou o espanto
Mas sei que por instantes deixei de pensar
Uma chama invisível incendiou-me o peito
Qualquer coisa impossível fez-me acreditar

Em silêncio trocámos segredos e abraços
Inscrevemos no espaço um novo alfabeto
Já passaram mil anos sobre o nosso encontro
Mas mil anos são poucos ou nada para a estrela do mar

CURIOSAS ESTÁTUAS DE AMSTERDAM Cidade famosa por seus grandes museus, Amsterdam tem algumas de suas peças de arte mais interessantes ao ar livre. Muito além das estátuas formais de políticos e personagens históricos que normalmente povoam as ruas da Europa, nos últimos 30 anos Amsterdam viu surgir curiosas estátuas que fazem brincadeiras com o dia-a-dia da cidade. Ninguém sabe ao certo quando as estátuas foram instaladas, nem quem assina as peças.

CURIOSAS ESTÁTUAS DE AMSTERDAM

Cidade famosa por seus grandes museus, Amsterdam tem algumas de suas peças de arte mais interessantes ao ar livre. Muito além das estátuas formais de políticos e personagens históricos que normalmente povoam as ruas da Europa, nos últimos 30 anos Amsterdam viu surgir curiosas estátuas que fazem brincadeiras com o dia-a-dia da cidade. Ninguém sabe ao certo quando as estátuas foram instaladas, nem quem assina as peças.
Amsterdam - estatua homem correndo na marnixstraatA primeira estátua apareceu em 1982, no pequeno parque Tweede Marnixplantsoen (que fica na rua Marnixstraat): um homem apressado, de sobretudo e chapéu, levando uma caixa de violino. Os locais dizem que ele está correndo para pegar o tram 10 (o tram é tipo um metrô de superfície). Às vezes vem um engraçadinho e coloca uma casca de banana na frente da estátua, para o cara tropeçar.
Em uma árvore perto da Leidseplein está outra curiosa peça de arte. Ali desde 1989, poderia passar despercebido o pequeno homem a cortar o galho com uma serra.
Amsterdam - homem com serra na LeidsepleinUma interferência maior provocou a instalação do “fiddler”, o violinista de bronze que apareceu em 1991 na entrada do Stopera – complexo que abriga o teatro de ópera Muziektheater e a sede da prefeitura de Amsterdam. O músico emerge do chão tocando seu instrumento, quebrando o piso de mármore a sua volta.
Dizem que esse violinista havia sido instalado primeiro no Canal do Mar do Norte, na cidade holandesa de Velsen, antes de ser transferido para a capital. Em nenhum dos dois locais há registros da identidade do escultor.
Amsterdam - violinista saindo do chao em frente a StoperaMais uma obra misteriosa surgiu em 1993, em pleno Distrito da Luz Vermelha: uma mão a apalpar seios de bronze em meio aos paralelepípedos. A cena fica em Oudekerksplein, perto da Oude Kerk, a igreja mais antiga de Amsterdam.
Dessa vez, a vizinhança reclamou: primeiro porque a estátua foi considerada sexista e depois porque volta e meia alguém tropeçava (it’s a booby trap! haha) e o bronze fazia barulho. A prefeitura providenciou a retirada da escultura mas reinstalou a peça após tratamento acústico.
Amsterdam - escultura dos seios no Red Light DistrictApesar da convocação da prefeitura, o autor preferiu permanecer anônimo. Dizem que é um médico que faz esculturas apenas como hobby. Há quem faça piada de que o artista desconhecido seja a própria Rainha Beatrix da Holanda, que também é conhecida por seu talento artístico, alegando que o violinista se parece muito com seu marido Claus e que só alguém com muita influência instalaria obras em pontos tão importantes de Amsterdam sem arranjar problemas. A essa altura, eu já acho que são diversos artistas trabalhando por todos os lados da cidade.
Há muitas outras. Os 40 lagartos no pequeno jardim da Leidseplein já são famosos e bastante fotografados pelos turistas. Também não podemos esquecer das estátuas “oficiais” e assinadas, como aquela que homenageia Anne Frank, no bairro de Jordaan, ao lado da igreja Westerkerk. Seja quem for o autor, vale andar por Amsterdam com os olhos atentos.
Amsterdam - estatuas de lagartos em Leidseplein
vontadedeviajar.com

IMAGENS PROJECTADAS PARA VOCÊ PENSAR

DO ILUSTRADOR POLISH






25 Novembro o golpe contra-revolucionário - fascista excerto do blog página um 1- O golpe militar em preparação

25 Novembro o golpe contra-revolucionário - fascista

excerto do blog página um






1- O golpe militar em preparação

O 25 de Novembro foi um golpe militar inserido no processo contra-revolucionário. A sua preparação começou muito antes das insubordinações e sublevações militares do verão quente e de Outubro e Novembro de 1975 .

Talvez que as mais esclarecedoras informações dessa preparação em curso muitos meses antes de Novembro sejam as que dá o comandante José Gomes Mota no seu livro, esquecido ou guardado nas estantes, A Resistência. O Verão Quente de 1975 , Edições jornalExpresso , 2ª ed., Junho de 1976.

Segundo José Gomes Mota, o golpe foi preparado pelo «Movimento», que define por ser contra o que chama «os dissidentes», — nomeadamente «os gonçalvistas» e o PCP. Fala em «novas estruturas reorganizadas». Diz que o «Movimento» deveria ter presença activa no Conselho da Revolução ( ob. cit. , p. 93) e aceitar a «manutenção formal dos órgãos de cúpula do Movimento — Conselho da Revolução e Assembleia do MFA» ( ob. cit. , p. 95).

O «Movimento» chamava a si a preparação e decisão do golpe militar, mas, «preservando e garantindo a legitimidade revolucionária do Presidente da República» ( ob. cit. , p. 94). Segundo José Gomes Mota, a cúpula efectiva era o «Movimento», que dispunha de dois grupos dirigentes.

Um «militar», «inicialmente constituído por Ramalho Eanes, Garcia dos Santos, Vasco Rocha Vieira, Loureiro dos Santos, Tomé Pinto e José Manuel Barroso». A sua «tarefa» principal era a «elaboração de um plano de operações» ( ob. cit. , p. 99), tarefa que «cumpriu rigorosamente», tendo «para isso muito contribuído a liderança de Ramalho Eanes» ( ob. cit. , p. 100).

Outro «político», de que faria parte o «Grupo dos Nove», «veio a desempenhar o papel de um verdadeiro estado-maior de Vasco Lourenço», que «assumira a chefia do Movimento» ( ob. cit. , p.100).

O livro encerra muitas contradições e obscuridades sobre o «Movimento». Diz que «a iniciativa [de um confronto militar] teria de partir sempre dos «dissidentes» ( ob. cit. , p. 93), que o «Movimento» tinha por objectivo «evitar qualquer possibilidade de uma guerra civil» e a criação da «Comuna de Lisboa» ( ob. cit. , p. 94). Mas o facto, que importa sublinhar, é a revelação de um efectivo centro político-militar a preparar um golpe ao longo do verão quente .

Melo Antunes, por seu lado, fala da acção militar do «Grupo dos Nove» na preparação para o golpe: «Além das acções legais ou semilegais a que deitámos mão para obter a supremacia militar, também desenvolvemos acções clandestinas para nos prepararmos para uma confrontação que eu julgava inevitável.[...] Tínhamos uma organização militar em marcha. » ( Vida Mundial , Dezembro de 1998, p. 50.)

A preparação do golpe «para pôr fim a uma situação insustentável» vinha pois de longe.

Foi ulteriormente dado a conhecer que, no verão quente , muitos Comandos «deixaram os postos civis e se alistaram de novo para estarem operacionais».

A colocação de Pires Veloso no Norte em Setembro de 1975, substituindo Corvacho, que Freitas do Amaral intitula de «famigerado Brigadeiro» «afecto ao PCP» ( O Antigo Regime e a Revolução , ed. cit., pp. 245 e 406), fazia parte dessa preparação. Não foi por acaso que, no 25 de Novembro, vieram ajudar o golpe várias Companhias do Norte, que depois levaram os presos para Custóias.

O papel de Ramalho Eanes é sublinhado nas valiosas informações que, no 20º aniversário do golpe, revela Vasco Lourenço, designado em 22 de Novembro e confirmado a 24 Comandante da Região Militar de Lisboa em substituição de Otelo Saraiva de Carvalho.

Segundo Vasco Lourenço, Eanes , « responsável por organizar o plano de operações», «desempenhou papel fundamental» , e «acabou por ser o principal comandante operacional », não cedendo às pressões dos militares mais radicais (artigo «Não aconteceu o pior», in Revista História , nº 14, Novembro de 1995, pp. 37-38).

Também Jaime Neves, sublinhando que se tratou de «um golpe contra o PCP», confirma o papel de Eanes: « Conspirávamos [...] e o Eanes [...] passou a ser ele a coordenar as coisas. » (Entrevista à revista Indy , 21-11-1997.)

O papel de Eanes expressou-se aliás publicamente, logo após a vitória do golpe, em factos tão significativos como a sua ascensão a Chefe do Estado-Maior do Exército (interino em 27-11-1975 — posse em 9-12-1975) e ulteriormente a Presidente da República eleito.

Está mais que provado, assumido e confessado, que se tratou de um golpe militar contra-revolucionário há muito em preparação num turbulento processo de arrumação e rearrumação de forças.

Cerca das 10 horas da própria manhã do dia 25, prontos para desencadear as operações, os conspiradores — numa diligência conjunta do «Grupo dos Nove», Eanes, Jaime Neves e oficiais dos Comandos da Amadora — procuraram e conseguiram obter a aprovação e cobertura institucional do Presidente da República, Costa Gomes (entrevista de Costa Gomes a Maria Manuela Cruzeiro, in Costa Gomes, o Último Marechal , Editorial Notícias, 3ª ed., Lisboa, 1998, p. 357; e in revista Indy, 27-11-1998).

Para a compreensão do golpe e do que dele resultou é necessário ter em conta que, na sua preparação, participaram forças muito diversas associadas num complexo enredo de alianças contraditórias.

Todas estavam aliadas para pôr fim à influência do PCP e ao processo revolucionário, restabelecer uma hierarquia e disciplina nas forças armadas e extinguir o MFA insanavelmente em vias de destruição pelas suas divisões e confrontos internos. Mas, como resultado do golpe relativamente ao poder político e às medidas concretas a tomar, havia importantes diferenças.

Na grande aliança contra-revolucionária, internamente muito fragmentada, participavam fascistas declarados e outros reaccionários radicais, que visavam a instauração de um nova ditadura, que tomasse violentas medidas de repressão, nomeadamente a ilegalização e destruição do PCP. Participava também oGrupo dos Nove, de que alguns membros, receosos da possibilidade de saírem vitoriosas do golpe as forças mais reaccionárias, pretendiam a continuação de um regime democrático.

Da parte dos fascistas e neofascistas, a ilegalização e repressão violenta do PCP era, não apenas um desejo mas um objectivo que pretendiam fosse alcançado no imediato.

As organizações terroristas deviam também participar. Paradela de Abreu diz que «sempre tinha estado convencido de que o Plano Maria da Fonte só deveria ser desencadeado no seu «programa máximo — um programa de violência ou de guerra — em ligação com um golpe militar » ( Do 25 de Abril ao 25 de Novembro , ed. cit., p. 204), intervindo com «muitos grupos capazes de executar quem quer que fosse» ( ob. cit. , p. 197). Na noite de 25 de Novembro foi-lhe comunicado para não avançar com o «Plano» ( ob. cit. , p. 208).

Este objectivo de desencadear uma vaga repressiva de extrema violência já na altura era abertamente proclamado nas campanhas anticomunistas. E muitos anos volvidos, mais claramente o dizem, nas suas confissões, alguns dos participantes.

Jaime Neves, num jantar em sua homenagem realizado em Janeiro de 1996, declarou que « o "problema" seria resolvido "muito simplesmente com a prisão do líder do PC", Álvaro Cunhal » ( Público , 11-1-1996). O seu estado de espírito é transparente, ao dizer que, se «havia uma manifestação realizada pelo Partido Comunista, eu recusava-me a ir com a tropa para a rua se não fosse para prender o dr. Álvaro Cunhal» (entrevista ao Semanário , 26-11-1983).

Alpoim Calvão, operacional nº 1 da rede bombista, não deu por definitivamente derrotada a extrema direita depois do 25 de Novembro. Num encontro com Pinheiro de Azevedo (então Primeiro-Ministro), solicitou que fosse permitido o regresso a Portugal de Spínola e de todos os spinolistas exilados. Não são conhecidos os termos em que colocou o problema. Pedido? Exigência? O que diz é que uma tal decisão seria «uma solução pacífica», porque, apesar do 25 de Novembro, « muitos queriam pegar em armas e vir por aí abaixo matar comunistas » (entrevista a Eduardo Dâmaso, publicada no seu livro A Invasão Spinolista , Círculo de Leitores, 1997, p. 98). É o que teriam feito, pelo que se vê, se tivessem sido eles a impor o resultado.

No próprio dia 25, não estando ainda certo como o golpe iria terminar política e militarmente, todos envolvidos num objectivo geral comum anticomunista, cada qual pretendia que o resultado correspondesse aos seus próprios objectivos.

Mário Soares e o PS tinham representado um papel importante na acção política preparatória do 25 de Novembro. Mas o golpe do 25 de Novembro não foi o que projectaram. Nenhum dos seus três objectivos centrais imediatos se concretizou. Nem a liquidação da dinâmica revolucionária e das suas conquistas. Nem o esmagamento militar do PCP, do movimento operário e da esquerda militar, nem, como resultado do golpe, ser Soares o vencedor, aquele que teria salvado a democracia de um golpe e de uma ditadura comunista e que por isso assumiria naturalmente de imediato, no poder do Estado, as responsabilidades daí decorrentes. Tal operação foi tentada mas falhou. Não é por isso exagero dizer-se que Soares ficou de fora do 25 de Novembro .

Os fascistas e neofascistas, participantes na preparação e no golpe, não conseguiram tão-pouco o que pretendiam.

Quanto ao «Grupo dos Nove», Melo Antunes (tal como Eanes e Costa Gomes) defendia uma solução política da crise. Indo no dia 26 à televisão declarar que «a participação do PCP na construção do socialismo era indispensável», deu importante contribuição para a defesa da democracia.

Como na altura considerámos, essa atitude expressava um objectivo político e uma apreensão: o objectivo de assegurar um regime democrático para o que considerava indispensável o contributo do PCP e a apreensão de que, se a extrema direita desencadeasse a repressão contra o PCP, ele e seus amigos acabariam também por ser reprimidos.

Poucos dias depois, o chefe do EMGFA, general Costa Gomes, enviou aos três ramos das Forças Armadas uma directiva na qual se afirmava que «só os militares [...] estão em condições de servir o projecto de construção da sociedade proposta pelo Movimento do 25 de Abril, sociedade onde não seja mais possível a exploração do homem pelo homem» ( Jornal de Notícias , 2-12-1975).

E, ao tomar posse como Chefe do Estado-Maior do Exército, no dia 6 de Dezembro, Ramalho Eanes, então promovido a general, declarou como «objectivos políticos prioritários a independência nacional e a construção de uma nova sociedade democrática e socialista.» ( Jornal de Notícias , 7-12-1975)


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