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sábado, 9 de novembro de 2013

A IMPRESSIONANTE ARTE DE RUA DE UM MISTERIOSO ARTISTA DE ORIGEM CHINESA -De origem chinesa, artista de rua DALeast, cujo trabalho é reconhecido pelo seu estilo único e inovador, vem usando uma técnica rebuscada de grafite 3D que impressiona e que está transformando lugares por onde ele passa.

De origem chinesa, artista de rua DALeast, cujo trabalho é reconhecido pelo seu estilo único e inovador, vem usando uma técnica rebuscada de grafite 3D que impressiona e que está transformando lugares por onde ele passa.
www.indicativoweb.com



DALest nasceu na China, mora e trabalha na Cidade do Cabo, sul da África. Aos 29 anos o pintor mantém seu verdadeiro nome em segredo. Começou a fazer arte desde que ele tinha três anos. Ele fala que já trabalhou em quase tudo quando estava na China - pintura, escultura, instalações e arte digital, mas só começou a pintar em espaços públicos em 2004.
Suas pinturas incomuns, que são, por vezes, centenas de metros de extensão, parece algo tridimensional e dá a impressão de ter sido criado a partir de milhares de minúsculos fragmentos de metal.

DALeast mostrou interesse por desenho desde que ele tinha dois ou três anos. Quando ele cresceu, estudou escultura no Instituto de Belas Artes de sua cidade natal Wuhan, mas desistiu no quarto ano - um ano antes do que era proposto para ser concluído. DALeast estava desiludido com as mentalidades conservadoras e métodos de ensino. Em seu primeiro ano de estudo, ele se juntou a um grupo de grafite chamado JEJ, que é uma das primeiras equipes de geração de grafite ativos na China.

O artista passa seis meses do ano viajando e tem marcado paredes em quase todos os continentes. Seus trabalhos podem ser vistos em Miami, Cidade do Cabo, Nova York, Londres, e claro, a sua terra natal, China.





































O japonês que salvou seis mil judeus das garras nazistas Chiune Sugihara foi um diplomata japonês que serviu como cônsul do Império Japonês na Lituânia, durante a Segunda Guerra Mundial. Aproveitando-se da hierarquia do cargo e mesmo arriscando sua carreira e a segurança de sua família, ele pode ajudar milhares de judeus a deixar a Europa, concedendo-lhes vistos de trânsito para que eles pudessem viajar para o Japão. Aqui a história desse notável homem.

O japonês que salvou seis mil judeus das garras nazistas

Chiune Sugihara foi um diplomata japonês que serviu como cônsul do Império Japonês na Lituânia, durante a Segunda Guerra Mundial. Aproveitando-se da hierarquia do cargo e mesmo arriscando sua carreira e a segurança de sua família, ele pode ajudar milhares de judeus a deixar a Europa, concedendo-lhes vistos de trânsito para que eles pudessem viajar para o Japão. Aqui a história desse notável homem.

Sugihara nasceu em 1 de Janeiro de 1900 em Yaotsu, uma área rural da região de Chubu, no Japão, em uma família de classe média. Seu pai era um médico respeitado e sua mãe, descendente da classe samurai. Embora o pai desejasse que ele estudasse medicina, Sugihara seguiu sua própria vocação e ingressou na Universidade Waseda para  estudar Língua e Literatura Inglesa, formando-se em 1919. Pouco tempo depois, ele passou em um exame para uma bolsa de estudos no estrangeiro patrocinada pelo Ministério das Relações Exteriores. O Ministério o recrutou e o designou para Harbin, na China, onde ele também estudou as línguas russa e alemã, que lhe ajudaram a reforçar a carreira diplomática, e mais tarde, a que se tornasse delegado do Japão para assuntos soviéticos.
Tempos depois, Sugihara recebeu o cargo de Vice-Ministro dos Negócios Estrangeiros na Manchúria, cargo que desempenhou com dignidade, recusando-se em concordar com o tratamento cruel dado pelos japoneses à população chinesa. Dessa maneira, Sugihara mostrou ser uma exceção no Corpo Diplomático Imperial do Japão e um japonês diferente de qualquer outro daquela época. Sugihara Chiune preferiu seguir sua consciência e viver de acordo com suas próprias convicções morais. Quando voltou para o Japão, ele se casou com Kikuchi Yukiko, e logo depois, em 1938, foi enviado à representação diplomática japonesa em Helsinque, na Finlândia.

sugihara
Em março de 1939, Chiune Sugihara foi enviado para Kaunas para abrir o serviço consular. Kaunas era a capital temporária da Lituânia na época, estrategicamente localizada entre a Alemanha nazista e a União Soviética.
Chiune Sugihara estava se adaptando em sua nova função diplomática, quando o exército nazista invadiu a Polônia em setembro de 1939. O resultado foi uma onda de judeus poloneses que decidiram deixar seu país e mudar-se para a vizinha Lituânia, até então neutra no conflito. Com eles vieram as histórias arrepiantes das atrocidades alemãs contra a população judaica. Os que escaparam,  fugiram sem posses ou dinheiro, por isso a população judaica da Lituânia fez todo o possível para ajudá-los com dinheiro, roupas e moradia.
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Judeus sendo revistados por nazistas em Varsóvia, capital da Polônia
Antes da guerra, a população de Kaunas era de 120.000 habitantes, um quarto dos quais eram judeus. A Lituânia até então, tinha sido um enclave de paz e prosperidade para o povo israelita. A maioria dos judeus lituanos não sabiam do risco que corriam e minimizavam o que estava acontecendo na Polônia, embora os próprios refugiados poloneses alertassem que, do outro lado da fronteira, os judeus estavam sendo mortos aos milhares. Contudo, algo assim, em pleno século XX era quase impossível de se acreditar, e os judeus lituanos continuaram a levar a vida normalmente.
As coisas começaram a mudar em meados de junho de 1940, quando os soviéticos invadiram a Lituânia. Agora era tarde demais para deixar o país. Ironicamente, os soviéticos deram permissão para sair somente aos judeus que tinham vindo da Polônia.

Em 1940, a maioria da Europa Ocidental estava sob o poder dos nazistas, com exceção da Grã-Bretanha. O resto do mundo era supostamente livre, mas a maioria dos países colocava obstáculos à imigração de refugiados judeus, e nem é preciso mencionar o perigo que eles corriam em qualquer lugar da Europa ocupada. Os judeus poloneses tinham que partir. Eles se tornaram párias.
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O antigo consulado japonês em Kaunas, na Lituânia
Em meio a esta terrível situação diplomática, Chiune Sugihara de repente se tornou parte fundamental de um desesperado plano de sobrevivência. O destino de milhares de pessoas dependia dele.
Logo, começaram a chegar as notícias de que o exército alemão avançava rapidamente para o leste, em direção a Lituânia. Em julho de 1940, as autoridades soviéticas deram instruções a todas as embaixadas estrangeiras, que para a própria segurança, abandonassem Kaunas. Quase todos os consulados fecharam e seus diplomatas deixaram a Lituânia de imediato, porém, Sugihara solicitou a permanência no país. Foi lhe dada uma permissão de 20 dias de estadia.
Hitler tecia sua teia ao redor da Europa Oriental e o tempo dos refugiados em Kaunas diminuía a passos largos. Foi então que alguns dos refugiados poloneses vieram com um plano, a última chance de escaparem dos nazistas com vida. Eles descobriram que não era necessário o visto para viajar para as possessões holandesas no Caribe: Curaçao e Guiana Holandesa. Além disso, o cônsul da Holanda, Jan Zwartendijk, estava disposto a selar o passaporte com o visto de entrada. Mesmo com o passaporte carimbado pelo cônsul holandês, os judeus ainda tinham um grande problema. Naquele tempo, obviamente, não havia voos diretos para o Caribe. Os refugiados tinham que deixar a Lituânia passando pela União Soviética. Mais uma vez, a  sorte parecia sorrir, pois o cônsul soviético simpatizava com  eles e concordou em deixá-los passar, mas sob uma condição: além do visto holandês, eles também deveriam obter um visto de trânsito japonês, porque, obrigatoriamente, eles teriam que passar pelo Japão, a caminho das  ilhas holandesas.
Certa manhã, no final de julho de 1940, Chiune Sugihara e sua família acordaram devido ao barulho de uma multidão de judeus poloneses, reunidos na frente do consulado japonês. Os refugiados sabiam que só tinham uma chance. Somente se o consulado japonês lhes desse vistos de trânsito para atravessar o seu país, os judeus conseguiriam a permissão para viajar através da União Soviética. Chiune Sugihara ficou comovido pela situação e queria ajudar, mas não tinha autoridade para emitir tal número de vistos sem a autorização do Ministério dos Negócios Estrangeiros, em Tóquio. Ele telegrafou ao seu governo em três ocasiões, solicitando a liberação dos vistos, mas Tóquio categoricamente negava. Os Japão não queria receber os refugiados judeus porque isso iria contrariar um poderoso aliado: Hitler.
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Judeus poloneses em frente ao consulado japonês em Kaunas

Depois das contínuas negativas dos seus superiores, o diplomata japonês discutiu a situação com sua esposa. Era preciso tomar uma decisão difícil. Ele era acima de tudo um homem criado sob a rígida disciplina tradicional dos japoneses. Ele sabia que como diplomata,  estava obrigado a obedecer as ordens do império japonês, na verdade, a obediência ao seu imperador, era uma virtude que tinha sido incutida  no seu coração ao longo de toda a sua vida.  Sugihara sabia que se desafiasse as ordens de seu governo, ele poderia ser demitido, desonrado, e, certamente, seria o fim de sua carreira diplomática. Tal situação, tornaria difícil sustentar a família no futuro, mas no final, o cônsul resolveu fazer o que sua consciência dizia ser o correto. Ele decidiu ajudar os milhares de refugiados,  assinando os vistos de entrada no Japão.

Durante 29 dias, a partir de 31 julho até 28 agosto de 1940, Chiune e sua esposa Yukiko, se dedicaram a assinar os vistos, todos redigidos à mão. Hora após hora, dia após dia, durante aquelas quatro semanas, eles redigiram, assinaram  e selaram uma média diária de 300 vistos. O trabalho foi tão intenso, que no final do dia, Yukiko precisava massagear as mãos cansadas do marido. Nem sequer paravam para comer, não querendo deixar todas aquelas pessoas em pé dia e noite em frente ao consulado.
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Chiune Sugihara com Yukiko, sua esposa
Apesar de toda a boa vontade do jovem cônsul, alguns judeus estavam tão desesperados, que começaram a pular a cerca para entrar no consulado. Alguns deles se ajoelhavam para beijar os pés de Sugihara, implorando por um visto, gesto que tocou profundamente  o diplomata. O fato de um ser humano estar disposto a lhe beijar os pés para salvar a  vida e a de sua família, revelava o quão angustiadas estavam aquelas pessoas. Naquele momento, Sugihara teve certeza de que estava fazendo a coisa certa. No final de agosto de 1940 já tinham sido emitidos pelo menos seis mil vistos, até que os soviéticos obrigaram Sugihara a fechar o consulado e deixar a Lituânia.
Os refugiados judeus que obtiveram os vistos de Sugihara, foram de trem para Moscou, em seguida, tomaram outro trem e viajando pela Transiberiana, chegaram à cidade portuária de Vladivostok, que fica de frente para a costa japonesa. De lá, a maioria deles partiu para Kobe, no Japão. Depois de ficarem em Kobe por um tempo, eles foram transferidos para Xangai, na China. Milhares de judeus poloneses que estavam lá graças aos vistos do cônsul japonês, sobreviveram sob a proteção do governo japonês em Xangai.
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Um dos vistos emitidos por Sugihara

Apesar da desobediência, o governo japonês sabia que as habilidades diplomáticas de  Sugihara seriam úteis durante o conflito, razão pela qual durante esse tempo ele não foi removido do cargo, mas em 1945, quando a guerra terminou, automaticamente Sugihara foi dispensado do serviço diplomático. Toda a sua carreira  de longos anos foi esquecida. O agora ex-cônsul tinha de recomeçar do zero. Para sustentar a família, ele começou a vender lâmpadas de porta em porta, e, às vezes, fazia trabalhos como tradutor de tempo parcial. Dada a dificuldade encontrada no Japão,  Sugihara mudou-se para a União Soviética, imaginando que lá,  seu conhecimento de outras línguas seria melhor usado. Foi mais um desafio, pois, sem sua família, ele viajou para terras soviéticas em busca de emprego. Nas duas últimas décadas da vida, Sugihara trabalhou como gerente de exportação em Moscou.
Em 1968, Jehoshua Nishri, um membro da embaixada israelense em Tóquio e um dos beneficiários dos vistos de Sugihara, conseguiu finalmente localizá-lo. Nishri era um adolescente em 1940, quando  recebera o visto do cônsul japonês.
Os refugiados que sobreviveram graças a compaixão de Sugihara, entraram com uma petição para inclusão do cônsul no Museu Yad Vashem. Em 1985, Chiune Sugihara foi nomeado " Justo entre as Nações ", a mais alta distinção concedida pelo governo de Israel a cidadãos de outros países que ajudaram judeus durante o Holocausto. Sugihara estava muito doente para viajar para Israel, de modo que sua esposa e filho concordaram em participar da homenagem em seu nome. O ex-cônsul e sua família receberam a cidadania israelense perpétua. Sugihara morreu no ano seguinte, em 31 de julho de 1986.
Apesar da publicidade dada por Israel e por outras nações, Sugihara permaneceu um desconhecido em seu país. Somente quando uma grande delegação judaica de todo o mundo, incluindo o embaixador de Israel no Japão, compareceu ao funeral dele, foi que os japoneses se deram conta da grandeza do cônsul Chiune Sugihara.
kid-bentinho.blogspot.com.br

HÁ SEMPRE UMA MENSAGEM NESTAS ILUSTRAÇÕES QUE FORAM MUITO BEM PENSADAS E EXECUTADAS -O artista polonês Paul Kuczynski, resolveu fazer ilustrações para motivar o pensamento das pessoas. Confira as ilustrações abaixo:


artista polonês Paul Kuczynski, resolveu fazer ilustrações para motivar o pensamento das pessoas.

Confira as ilustrações abaixo:
















Tudo muito bem feito e pensado!

E ai, o que acharam?

www.naopertube.blog.br

MULHERES NO BRASIL - Perguntamos para grandes mulheres: o que falta para sermos verdadeiramente livres? A história do mundo até aqui pode ser resumida em uma palavra: testosterona. Desde a invenção da escrita, 4 mil anos atrás, foi conferido aos homens o privilégio de estudar, pesquisar, publicar e governar. Faz menos de um século que conquistamos direito ao voto, aos estudos, ao trabalho remunerado e até ao prazer. Nesse curtíssimo período de tempo, alcançamos aqueles que largaram com quase 4 mil anos de vantagem.

AFINAL, O QUE QUEREMOS É QUE AS MULHERES...

Perguntamos para grandes mulheres: o que falta para sermos verdadeiramente livres?


A história do mundo até aqui pode ser resumida em uma palavra: testosterona. Desde a invenção da escrita, 4 mil anos atrás, foi conferido aos homens o privilégio de estudar, pesquisar, publicar e governar.
Faz menos de um século que conquistamos direito ao voto, aos estudos, ao trabalho remunerado e até ao prazer. Nesse curtíssimo período de tempo, alcançamos aqueles que largaram com quase 4 mil anos de vantagem.
Hoje, somos cientistas, empresárias, presidentes de corporações e até de países. Mas o que veio colado a tantas conquistas? Pressão. Talvez tenhamos apenas acumulado exigências – ainda esperam que sejamos mães e mulheres perfeitas, profissionais bem-sucedidas; que saibamos cozinhar, mas que sejamos academicamente completas; que desfilemos uma aparência impecável, mas que consigamos liderar corporações e nações.
A verdade é que, em menos de cem anos, pulamos de um extremo do espectro da condição feminina para o outro sem que tenhamos nos livrado de amarras passadas – e ainda há muitas questões a serem resolvidas. Quais são algumas delas? Convocamos figuras que admiramos para nos ajudar a pensar e projetar o universo feminino daqui a dez anos.

Afinal, o que queremos é que as mulheres...

...envelheçam sem paranoias e sem se sentir invisíveis

Rosa Navarro
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Mirian Goldberg
Mirian Goldenberg, 54 anos, antropóloga e autora de Coroas: corpo, envelhecimento, casamento e infidelidade (ed. record) e Corpo, Envelhecimento e Felicidade (ed. civilização brasileira, inédito) – não vê a hora de chegar aos 70
“Quanto mais jovem é a mulher, mais ela tem medo de envelhecer. Essa constatação foi a que mais me chamou a atenção na pesquisa que faço desde 2007, com mulheres de 40 a 80 anos – no Brasil, na Alemanha, na Argentina e na Espanha. Quanto mais jovens, mais elas tomam cuidados estéticos ligados ao envelhecimento. Vão muito ao médico, usam muitos cremes hidratantes e filtros solares. Até os 50 anos, reclamam da decadência do corpo, da falta DE homem, quando solteiras – e das faltas DOS homens, quando casadas (falta de carinho, de atenção, de dinheiro, de sexo, de cumplicidade, de elogios, de intimidade etc.). Preocupamse demais com o que os outros vão pensar. Criei até o conceito de que, no Brasil, o marido é um verdadeiro capital, mais até do que o corpo. As mulheres precisam mostrar que não estão sozinhas, que não são fracassadas.
Tarde demais?Já aquelas a partir dos 50 anos não se preocupam tanto com ter um marido. Dizem: ‘Posso até beijar na boca, mas casar nunca mais’. Falam, com muita felicidade, que é a primeira vez que podem ser elas mesmas, livres, sem precisar de um homem para mostrar seu valor. Não se preocupam tanto com a aparência, mas muito mais com a saúde. O tempo é delas, para viajar, ficar com as amigas, tomar um chope, fazer programas culturais, dar risadas. Mas comentam: ‘Pena que descobri tarde demais que a liberdade é minha maior riqueza!’. Agora querem usufruir essa liberdade. Antes, sentiam que tinham que ser muito sérias, preocupadas com o corpo, em seduzir o marido...
Quanto mais conversava com as mulheres mais velhas, mais vontade eu ficava de ter logo 70 anos! Envelhecer com essa perspectiva é uma grande felicidade. E, a partir dos meus 18 anos, comecei a ler Simone de Beauvoir e depois fiz minha tese de doutorado sobre Leila Diniz. Então, nunca fiquei muito preocupada com a opinião dos outros, em provar meu valor, em seguir certos padrões de comportamento exigidos pela sociedade. E, com essa pesquisa, quero mostrar não só os lados negativos de envelhecer, da decadência do corpo ou da solidão.
Aprendi, com minha própria experiência, que a vida pode melhorar muito com a idade. Então, o grande segredo é descobrir do que você gosta e ser você mesma. Ter a coragem de ser livre e feliz.”
Rosa Navarro
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Maitê Proença
Maitê Proença,53 anos, atriz – sente na pele os efeitos dos anos, mas se recusa a perder tempo esquentando a cabeça com isso
“Tem me acontecido um fenômeno curioso de uns tempos pra cá. Pequenos pedaços de ser humano vêm se acrescentando ao meu corpo de forma insidiosa. Acontece à noite, enquanto durmo, no escuro da inconsciência uma matéria estranha se cola nas minhas reentrâncias. É uma massa roliça, molenga, disforme; depósitos de meleca grudam por minhas partes ao fechar dos olhos. 
Ficou perigoso dormir. De manhã não reconheço o que vejo. Minha cintura, que já foi de pilão, está igual à de uma canguru a que assisti ontem saltitando pesadamente no Animal Planet, e a cada semana me cresce mais um marsupialzinho pela circunferência. 
Com o traseiro é ainda mais grave. Não tenho comido mais ou pior do que de hábito. A ginástica, o pilates, a ioga, a corrida, que sempre me reequilibraram, de nada servem com os volumes de agora; essas sedimentações noturnas não respondem ao exercício físico. A coisa se fixa nas sombras, num descuido da gente, acontece quando menos se espera e nada tem a ver com as inofensivas gordurinhas de outrora. Talvez fosse o caso de me mexer muitíssimo, com exercícios ultrapesados e por horas intermináveis... Mas como, se não há tempo para os livros que quero ler, e os filmes que há pra ver, e tantos amigos a visitar, os telefonemas, a internet, dançar, beber, sonhar? E o trabalho que não diminui pra deixar caber tanta vida? Como, me digam, com tanta vida para viver, vou passar três horas do dia com a cabeça na bunda?”

Rosa Navarro
Marina Silva
Marina Silva

...não precisem se masculinizar para assumir cargos de chefia

Marina Silva,
53 anos, ministra do Meio Ambiente e senadora (PV-AC) de 2003 a 2011 – acredita na liderança feminina a partir da delicadeza, do acolhimento e da intuição
“Sempre digo que as mulheres devem ocupar os espaços que vão conquistando na política, dentro das empresas, no campo das artes, da espiritualidade e da academia sem precisar caricaturar os homens. Uma parte das mulheres ainda acha que para ser respeitada precisa se transformar em uma caricatura do masculino, e eu acho que é perfeitamente adequado e necessário que a forma do feminino de liderar possa ocupar o seu espaço; aliás, a civilização tem caminhado manquejando porque tem se firmado só na terra do masculino.
É preciso se equilibrar sobre o masculino e o feminino, e esse equilíbrio só será possível quando assumirmos os espaços que estamos conquistando com nossa própria forma; com nossa forma intuitiva, delicada e que nem por isso deixa de ser firme e assertiva; com nossa liderança mais horizontalizada, mas que nem por isso deixa de ser uma forma de liderança. A maneira de acelerarmos esse processo é nos desaprisionarmos das amarras, aquelas que sugerem que, para sermos respeitadas, temos que falar grosso, bater na mesa, falar alto, enfim, sugerem que temos que ter os mesmos modelos masculinos.
Mais acolhedoras
Temos que assumir desta forma: as mulheres são diferentes; e a contribuição que podemos dar será mais efetiva quanto mais formos capazes de assumir essa diferença. As mulheres são mais inclusivas, mais acolhedoras das diferenças, mais dispostas a dividir a autoria, a realização e o reconhecimento das coisas e, com certeza, têm maior propensão a negociar em vez de disputar. As mulheres buscam mais o convencimento do que a disputa. Quanto mais exercitarmos essas qualidades, mais aceleraremos o processo de não termos que nos aprisionar a formas que não são nossas e mais contribuiremos para a melhoria das relações humanas no planeta, do homem consigo mesmo e com a natureza.
Porque durante milhares de anos as mulheres foram tratadas como incapazes. E, em pouco mais de um século, aprendemos tudo o que os homens sabem. Isso é fantástico se pensarmos que, durante milhares de anos, fomos subtraídas de todos os espaços de poder, de decisão, de liderança e de aprendizagem. Então, é uma demonstração fantástica da nossa capacidade de manejar experiências próprias, da nossa aprendizagem a partir do que observamos e assimilamos com a forma masculina, mas sem que seja uma caricatura – que seja, isso sim, uma elaboração, uma ressignificação.”

Rosa Navarro
Maya Gabeira
Maya Gabeira

...tenham o direito de ir e vir sozinhas, em segurança, aonde bem entendem

Maya Gabeira,24 anos, surfista de ondas grandes – não tem medo de andar sozinha pelo mundo...
“Viajo muito sozinha desde os meus 17 anos, quando saí de casa para pegar onda em vários lugares do mundo. Passei por muitas dificuldades por ser uma mulher viajando sozinha. Especialmente na Sumatra, na Indonésia, um país de religião muçulmana. Era constrangedor, me olhavam como se eu estivesse toda errada. Por isso, usava blusa de manga comprida, me sentia o tempo todo deslocada. Não era bem-visto uma mulher querer ser livre.
Mas isso não acontece só do outro lado do mundo. No Brasil, quando uma mulher chega sozinha a um bar ou se quer ficar com um cara e faz o approach, é vista com malícia pelos homens – e até por outras mulheres. Nosso país ainda é machista em relação a muitos outros. Me sinto mais à vontade sozinha, à noite, na Califórnia, onde moro, por exemplo, do que no Rio de Janeiro. Em várias situações, uso o celular como artifício – mando mensagens ou ligo para alguém, mesmo sem precisar. Sinto que dá uma segurança e bloqueia um pouco os olhares e, principalmente, a abordagem para conversas.
Igualdade
Ver um homem sem companhia num restaurante ou viajando sozinho é completamente normal. Percebo que, quando volto a algum lugar anos depois, muita gente me reconhece. Porque até pouco tempo era muito diferente uma mulher pegando onda, viajando só, então fiquei marcada. Talvez se fosse homem as pessoas não lembrassem, porque seria apenas mais um. Mas é claro que as diferenças entre nós e os homens diminuíram muito nos últimos dez anos. E acredito que o caminho é daqui para a igualdade.”

…sintam-se livres para namorar, em qualquer idade, uma pessoa de qualquer idade 

Rosa Navarro
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Bárbara Paz
Bárbara Paz,36 anos, atriz – não casou com José, mas com o cineasta Hector Babenco, 28 anos mais velho. Estão juntos há cinco anos
“Deveria ter uns 3, 4 anos, e disse à minha mãe que estava apaixonada pelo Zé, nosso açougueiro. Um dia, soltei um verso para ele: ‘Zé, não gosto de teimoso/ não sei dizer por que/ mas Zé você é tão teimoso/ mas eu gosto de você’. Ele devia ter uns 48 anos, idade do meu pai. Me apaixonei pelo José, pelo jeito que falava comigo, por sua voz, pelo jeito que me pegava no colo, que me contava histórias, pelo jeito de me dar balas, como me olhava quando pedia para eu rezar um Pai-Nosso ou uma Ave-Maria. Ele me tratava como gente grande, me dava atenção, me dava amor. Era um amor, talvez o meu primeiro. Sentada no balcão onde se cortava a carne para depois embrulhá-la num papel pardo, aprendia um pouco sobre o que era ser amada sem precisar ser desejada. Namorar em qualquer idade uma pessoa de qualquer idade. Guardar esse amor, viver esse amor, aprender com esse amor.
Ser esse amor.
Meu pai faleceu logo depois que o açougue fechou.
Cresci querendo alguém que se chamasse José para namorar.
Cresci querendo alguém para amar. Para me encantar. Para dividir minhas orações, meus versos, minhas balas. Cresci buscando alguém que me tocasse como aqueles olhos me tocavam quando era guria.
Cresci ouvindo que o casamento era o fim da história. Que as principais virtudes da mulher, dentro e fora do casamento, deveriam ser a obediência e a submissão. Diziam que a inferioridade feminina provinha da fragilidade do sexo, da sua fraqueza ante os perigos da carne.
Na prática do sexo, a mulher deveria somente procriar, não deveria demonstrar sensação de prazer – a posição deveria ser o homem sobre a mulher. Essa posição ‘obrigatória’ indicava a situação de submissão que dela se esperava.
Conforto
Nos tempos de hoje a mulher sai em busca da caça. Com seu rifle. Para saciar o seu desejo. Seja ele de meia-idade ou de idade inteira.
Seja ele servo, bandido ou poeta. Seja rico, velho ou moço.
As mulheres não têm medo de dizer que querem transar, que preferem homens mais velhos, mais jovens, mais inteligentes, mais poetas; que gostam de ter prazer, que querem casar, ter filhos, ou não casar nem ter filhos, que querem só trabalhar, transar e escutar à noite histórias de um velho sábio.
Hoje elas podem falar, ter voz ativa, escolher os seus Josés.
Namorar no melhor sentido da palavra. Nos tempos em que vivemos, a mulher assusta, amedronta, namora uma pessoa de qualquer classe social, de qualquer tribo, de qualquer sexo, de qualquer origem.
Sem tabu, sem medo.
Parece que durante tanto tempo a repressão foi tão grande que hoje elas querem confronto, ou melhor, conforto.”
Rosa Navarro
Regina Casé
Regina Casé
Regina Casé, 
57 anos, apresentadora de TV – desde 1999, casada com o diretor Estevão Ciavatta, 14 anos mais novo
“Não sei se é porque agora estou ficando mais velha, eu, que sempre lutei contra todo tipo de preconceito, tenho achado que o de idade, se não é o pior, é o mais abrangente deles.
Sempre tive amigos das idades mais variadas. Por exemplo, me tornei amiga de Clarita Mariani quando ela já tinha quase 80 anos. Ela era mãe de minha amiga, a fotógrafa Anna Mariani, e avó de outras amigas, Gi e Zaba, mas nunca pra mim foi apenas mãe ou avó de alguém, e sim uma amiga com quem tive uma afinidade enorme até ela morrer – maior até que com as minhas contemporâneas.
Outro exemplo recente é minha amizade tão viva e amorosa, cheia de interesses em comum, com Rita, 6 anos, filha da Mini Kerti [diretora de cinema] com [o artista] Luiz Zerbini, com quem fui casada 15 anos e que é pai de minha filha, Benedita, 21. A Rita nunca foi pra mim apenas uma criança que vem a reboque desses adultos queridos. Nós temos, cada vez mais, uma relação nossa, muito forte e independente.
Muitos amigos meus se tornaram mais amigos da Benedita, e muitos e muitos amigos dela saem e conversam muito mais comigo do que com ela.
Se penso que quando o Estevão [Ciavatta, marido de Regina] nasceu eu já tinha 14 anos e namorava bastante, penso na sorte que foi encontrar com ele 29 anos depois e ter me casado de véu e grinalda aos 43!
Se não tivéssemos tido essa coragem, teríamos perdido 15 anos maravilhosos e um amor que nunca pensei que pudesse existir igual e que espero que dure para sempre!
Se bem que aos 90 pode ser que eu conheça um de 20, a gente se apaixone... [risos].
O tempo que a gente passa por aqui é tão curto, no máximo uns cem aninhos, que separar as pessoas por idade é, literalmente, uma enorme perda de tempo, né?”
Rosa Navarro
Tpm113_ESPECIAL-10-ANOS_003
Lygia da Veiga Pereira

...não sejam discriminadas profissionalmente porque têm filhos.

Lygia da Veiga Pereira,44 anos, geneticista, é pioneira nas pesquisas com células-tronco no Brasil – entrevistada das páginas vermelhas da Tpm# 112, ela volta a falar aqui o quanto quer ser valorizada pela função de mãe
Tpm. Você se sente discriminada por colegas de trabalho por ser mãe? Não há uma valorização da atividade da maternidade. A sociedade devia ver isso como: “Essa pessoa está criando um novo cidadão, um novo indivíduo”. Deveria ter um valor, mas não é assim. Nós, mulheres, agora temos que ter uma performance masculina no trabalho e ainda acumular a função que só a gente exerce, que é a maternidade. Não sei se por trás da discriminação tem certa inveja masculina, mesmo que inconsciente, uma forma de o homem dizer: “Você está competindo com a gente, mas é mamãezinha, café com leite, tem que sair cedo para cuidar de criança”. Isso é uma sacanagem. Antes a mulher se bastava cuidando dos filhos e da casa. Agora, a gente foi para o outro extremo. O que tem valor é a produção, o profissional. Mas esse extremo não nos deixou totalmente felizes e talvez a sociedade como um todo também tenha sofrido com isso.
Alguma sugestão para solucionar esse conflito? Tenho a ideia de que a solução poderia ser a criação de uma lei de incentivo fiscal que motivasse as empresas a contratar mães por meio período. Se essas mães pudessem trabalhar das 9 às 14 horas, estariam ali muito mais inteiras. Quantas pessoas trabalham das 9 às 17 horas, mas ficam metade do tempo no Facebook? Se tivéssemos essa lei, a empresa teria uma funcionária muito mais completa, feliz, produtiva, sem aquela angústia de ter deixado os filhos em casa. Seria uma forma de a sociedade valorizar a maternidade. E teríamos uma geração de mulheres mais felizes.
Como você equilibra a função de mãe e de cientista? Foi muito sofrido até eu conseguir ver que era capaz de continuar fazendo a diferença na minha profissão e participar da vida das meninas [Gabriela, 8 anos, e Maria, 6]. Recentemente, passei o fim de semana na fazenda de amigos, com amigas que não trabalham. Fui embora no domingo, porque precisava estar na USP na segunda-feira. Mas elas continuaram lá com os filhos. Senti certa inveja dessa liberdade, que é mais interna do que externa. Porque não posso colocar a culpa só na USP, eu também poderia me programar...
Acredita que essas amigas estão mais satisfeitas que você? Olha, vejo minhas amigas com filhos divididas em dois grupos: um que abriu mão da profissão e ficou só administrando as crianças – e aí viram aquelas mulheres brilhantes, inteligentes e com uma capacidade produtiva muito grande, só que meio frustradas, não tão completas naquela função. E outro grupo que são as mães que seguiram trabalhando, como eu. Essas vivem a angústia de se desdobrar em mil papéis e não conseguir acompanhar tão bem a criança. Quando minhas filhas viajam de férias, com alguém da família, por exemplo, e sei que não estão em casa me esperando, me dedico muito mais tranquilamente ao trabalho.
Rosa Navarro
Marina Person
Marina Person

...não sejam pressionadas para engravidar

Marina Person,42 anos, apresentadora e cineasta – se pergunta: quero ser mãe ou ter filhos?
“‘Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa miséria’ .
Não precisa ser tão radical quanto Machado de Assis nessa frase autobiográfica que encerra o Memórias póstumas de Brás Cubas, mas muitas vezes a escolha de algumas pessoas, sobretudo mulheres, por não ter filhos, ainda choca.
Conheço mulheres que deliberadamente assumem não querer filhos. São poucas, mas existem. E existem aquelas outras que deixaram a maternidade para mais tarde. Mas a biologia não entende a vida moderna.
Confesso que desde muito jovem esteve nos meus planos engravidar e ter filhos, mas sempre pensei nesse assunto num tempo futuro. Como muitas moças da minha geração, a carreira era prioridade. Mas esse papo de botar tudo na conta da carreira é uma desculpa, porque a verdade é que, no fundo, o que sempre esteve em primeiro lugar era a minha autonomia, a minha independência e o certo egoísmo que sempre tive com meu próprio tempo. Eu simplesmente não queria aquilo pra mim naquele momento. Queria estudar, trabalhar, viajar, curtir meus amigos, namorar... E fiz tudo isso.
A outra metade
Então aquele tempo futuro chegou, mas na época não havia a outra metade, o pai dos meus filhos não estava ao meu lado. Lá se foram os 34, 35, 36, 37, 38 anos... Bem, vou fazer uma produção independente, decidi. E estava resolvida, conversei com um amigo querido que também queria muito ter filhos e não tinha a metade que lhe faltava. Estava tudo arranjado, combinado, eu disse: ‘Me dá até o próximo aniversário, se eu não estiver namorando ninguém legal, a gente faz esse filho, nós dois’. E passei a sonhar com esse projeto.
O destino gosta de brincar mesmo com a gente, pois conheci o pai dos meus filhos quando completei 39 anos. Mas também não podia ser assim: ‘Olha, sabe o que é, eu sei que a gente mal se conhece, mas eu preciso engravidar agora!’. A coisa tinha que evoluir naturalmente. Depois de algum tempo de namoro, fiz uma consulta no ginecologista, que me encheu de estatísticas e me deu um ultimato: ‘O que você está fazendo para evitar a gravidez? Pare já!’. E eu parei, quase a contragosto. Naquela mesma semana engravidei. Mas a gravidez não foi pra frente, assim como uma segunda.
Você quer ter filhos ou quer ser mãe? Essa é a grande questão que me coloco. A frase, dita com muita propriedade por uma mãe de três filhos, é a coisa mais lúcida que ouvi sobre o tema. De fato, são coisas bem distintas.
Assumir que não quer ser mãe, mesmo hoje em dia, é um ato de coragem. E eu admiro essas mulheres, que, a exemplo de Machado de Assis, rejeitam o papel que, com a melhor das intenções, a sociedade lhes impõe.”
Rosa Navarro
Gleisi Hoffman
Gleisi Hoffman

...tenham seus salários equiparados aos dos homens

Gleisi Hoffmann,46 anos, ministra-chefe da Casa Civil, é uma das dez mulheres que dividem os Ministérios e as Secretarias brasileiros com 28 homens – de acordo com o decreto legislativo nº 805, de 2010, todos os ministros recebem salário de igual valor, R$ 26.723,13
“A jornada pelo reconhecimento dos direitos das mulheres é longa, secular e busca a construção de uma sociedade menos excludente, portanto, mais justa e igualitária.
Nós não somos nem melhores nem piores que os homens. Somos diferentes. Seja pela função biológica, de gestar e prover a vida, seja pela forma como somos culturalmente educadas. Não somos de entrar em disputas, mas de partilhar, estabelecer consensos, ouvir e valorizar o coletivo.
Essas qualidades, aliadas à nossa entrada tardia no mercado de trabalho, é que fazem com que tenhamos tantas desigualdades. Em uma sociedade capitalista, em que ganhar conta, as mulheres ficaram de fora muito tempo. Trabalhando sem ganhar.
O crescimento industrial e tecnológico das últimas décadas e a liberação feminina contribuíram para o aumento significativo das mulheres no mercado de trabalho. Em 2010, o percentual de mulheres chefes de empresas no Brasil alcançava 21%, índice próximo à média mundial, de 24%.
O setor empresarial parece ser onde as mulheres ascendem com mais sucesso nos espaços de poder e decisão, mostrando que as conquistas sociais, como maior escolaridade e liberdade individual, estão envolvidas no processo.
A eleição da primeira mulher presidenta da República no Brasil é, indiscutivelmente, um marco nessa luta por igualdade de direitos e de reconhecimento intelectual, social, político e cultural.
Sem perder a ternura
Mas, ao mesmo tempo em que as mulheres começam a ser maioria em cargos de encarregadas e coordenadoras, os dados também revelam que o rendimento salarial delas continua inferior ao dos homens. Um estudo do IBGE mostra que, no ano passado, o rendimento salarial médio das mulheres era de R$ 1.097,93, enquanto o dos homens era de R$ 1.518,31. Em 2009, comparando a média anual de rendimentos, verificou-se que as mulheres ganhavam em torno de 72,3% do rendimento recebido pelos homens. Em 2003, esse percentual era de 70,8%.
A mesma conclusão é apresentada em um estudo da Organização Internacional do Trabalho: ‘As mulheres, principalmente as negras, possuem rendimentos mais baixos que os dos homens e, ainda que em média tenham níveis de escolaridade mais elevados, seguem enfrentando o problema da segmentação ocupacional, que limita seu leque de possibilidades de emprego’.
Embora a participação feminina tenha aumentado em todos os setores da sociedade, inclusive no mercado de trabalho, as mulheres do século 21 ainda não são reconhecidas por seus direitos. As desigualdades de gênero – e raça – continuam a fazer parte do cotidiano e a cidadania não chegou a todas.
Precisamos continuar avançando em direção à igualdade social e econômica. Sabemos todas que não se muda uma realidade de uma hora para outra. É preciso muita vontade e determinação, características que nos são extremamente familiares. É preciso, também, ações e legislações mais positivas em favor das mulheres.
Tenho certeza de que romperemos essa barreira. E, nessa caminhada, temos que fortalecer nossa diferença para harmonizar a igualdade. Acredito que as qualidades amorosas, compassivas e sustentadoras do lado feminino são essenciais para conduzir nossa sociedade por águas menos turbulentas. Este é o grande desafio das mulheres: construir, agregar, valorizar e, acima de tudo, transformar o poder e a força em servir.”
Rosa Navarro
Sabrina Sato
Sabrina Sato

...não sejam julgadas pela aparência

Sabrina Sato,30 anos, humorista do Pânico na Tv! - Acredita que, um dia, as mulheres vão se preocupar mais com a saúde do que com o físico
“Hoje, não tenho mais encucações do tipo: ‘Será que estão reparando na minha celutite?’. Acredito que daqui a dez anos estaremos mais preocupadas com a saúde do que com a aparência. É isso que vai mexer com a segurança das mulheres. Hoje, carregamos muita cobrança, mas não deveríamos. Porque as mulheres não estão numa posição inferior à do homem, e acho até que hoje são eles que estão mais preocupados, por exemplo, se vão ficar carecas do que a gente com a celulite. Estamos mais seguras porque conquistamos espaço e mostramos a que viemos, e eles inseguros porque foram atingidos e se sentem ameaçados por essa mulher contemporânea.
Personalidade
A preocupação da mulher de querer seguir um padrão ou a preocupação com o físico deveria ser só uma fase. Hoje, o legal é você usar como atrativo o que a diferencia. Eu, por exemplo, usei o fato de ser japonesa para me destacar. As pessoas falam: ‘Mas você é japonesa e tem bunda?’. É porque sou uma mistureba, e isso é bacana também. Hoje em dia, é cafona querer ter o cabelo da fulana e a bunda da sicrana, porque já é cafona querer ser igual. E homem que gosta de mulher de verdade gosta de personalidade, não de bunda. Isso nunca vai mudar.”

...tenham o direito de fazer aborto por escolha própria

Rosa Navarro
Mariana Lima
Mariana Lima
Mariana Lima,
39 anos, atriz – fez um aborto contra a vontade, mas é a favor de que cada mulher faça sua escolha
“Tenho duas filhas muito queridas e desejadas e já fiz um aborto, porque tive um vírus chamado Parvovirose durante a primeira gravidez. Ele matou o feto de quase cinco meses. Apesar de ter sido operada por minha médica num hospital privado, com toda a segurança, a experiência foi bastante traumática porque eu e meu marido queríamos muito ter um filho.
Tenho a firme convicção de que um filho nasce de um desejo. Ele não vem ao mundo porque quer. E nem por causa de desígnios mágicos ou por uma ‘vontade de Deus’. Quando a criança é indesejada, na grande maioria dos casos, vive marginalizada, excluída e maltratada. E contribui para o aumento do imenso contingente de crianças abandonadas, subnutridas e desamparadas que infelizmente temos em nosso país.
Controle
A criminalização do aborto, sua ilegalidade, gera morte e criminalidade, porque estimula a prática clandestina, feita com as próprias mãos ou em clínicas suspeitas. Os endinheirados pagam suas passagens para os Estados Unidos ou para países da Europa, onde é permitido, e ajudam a preservar a saúde e a vida da mulher.
É como as drogas: o problema deveria ser combatido pelo Estado na sua origem, e não nas consequências. O Estado proíbe o consumo, mas não consegue combater o tráfico e o crime. A questão do controle da natalidade é muito séria e deve ser colocada em pauta, com instrução e criação de condições de acesso a remédios anticoncepcionais.
Sou a favor da legalização do aborto. Inicialmente, até a questão ficar mais clara, que seja permitido por lei no primeiro trimestre da gestação para todas as mulheres e casais que desejarem. E também durante toda a gestação, se a mulher for vítima de estupro ou se o feto apresentar sérios problemas de formação que impeçam sua existência fora do útero materno.”*
* Hoje, no Brasil, de acordo com o artigo 128 do Código Penal, o aborto é permitido em apenas dois casos: quando não há outro meio para salvar a vida da mãe ou quando a gravidez resulta de estupro. Mesmo assim, segundo as Ações Afirmativas em Direito e Saúde do Ipas Brasil, a cada minuto, 40 mulheres fazem um aborto em condições de risco e, a cada ano, mais de 70 mil mulheres morrem de complicações decorrentes de aborto realizado em condições precárias de higiente e/ou feito por pessoas não qualificadas.
Rosa Navarro
Paula Lavigne
Paula Lavigne

...tenham onde pendurar a bolsa nos banheiros públicos

Paula Lavigne,
42 anos, produtora e sócia da Natasha Enterprises, cuida da carreira de Caetano Veloso e produziu filmes como O Bem amado – ficaria feliz se esses probleminhas fossem resolvidos
“Poucas vezes gostei de ser chamada para dar opinião em público, pois penso que não tenho nada a dizer que vá interessar tanto alguém. Mas, desta vez, acho que posso ajudar. Porque não gosto nada de ser mulher e isso não tem nada a ver com ser machona. Ser mulher é muito sofrido e caro. Por isso, daqui a dez anos eu queria...
… poder sentar em uma privada pública com a segurança de que não vou pegar nenhuma doença. Ou que os lugares fossem obrigados a ter em seus banheiros aquele plástico que gira (cuidado que às vezes acaba o refil do vaso e gira o mesmo plástico). Mas repare no número que está marcando: se for zero, apele para aquela posição “dançando funk com a bolsa no pescoço!”. Por que tem sempre um miserável dono de estabelecimento que não bota a porcaria de um lugar para você pendurar a bolsa? Chega de bolsa no pescoço pra fazer xixi, um dia morro enforcada.
... não ter mais cabelos brancos. Queria que existisse um remédio que se toma e não nascem mais cabelos brancos. Todo mundo fala pra mim: “Nossa, Caetano ficou lindo grisalho!”. Ah, vai eu deixar meus cabelos brancos (que são poucos ainda) sem pintar! Duvido que alguém diga: “Nossa essa ex-mulher do Caetano tá um charme com esse cabelo branco!”.
… que fosse obrigatório os homens darem lugar às mulheres no ônibus ou em outros transportes públicos. Por motivos óbvios!
... que não tivesse mulher sendo apedrejada quando trair o marido como tem por aí no Oriente Médio. Tudo bem elas se vestirem, se cobrirem, façam como quiser, tem dias na TPM que a gente se sente tão feia que quer sair de burca! Mas pedrada não!
... que inventassem um remédio para celulite que funcione, nem que fosse como um Viagra: toma e passa algumas horas com a bunda dura sem celulite!