Favela de pássaros em Spontaneous City

Favela de pássaros em Spontaneous City 


“(…) que os animais urbanos possam se sentir um pouco mais urbanos  (…)”

Geralmente cidades grandes, ou cidades que cresceram rápido demais, são mal planejadas. Atualmente moro em Niterói e é isso que vejo aqui. Fico surpreso com a quantidade de casas que conseguem se sustentar (não sei como) em beiradas de morros, dá uma sensação de instabilidade muito grande para mim, nascido em Mato Grosso do Sul, onde a maior parte das terras são planas e com terrenos planejados. Outra coisa que acho curioso é como há um acumulo de casas (barracos) em cima de casas, como o princípio de uma favela como é mostrada nos jornais. Confesso que não me sentiria nada seguro morando num lugar como esse, muito menos confortável, acredito que seja como morar num apartamento sem o mínimo de conforto.
É curioso como as pessoas se submetem a condições de vida que não parecem saudáveis apenas pela ideia de estar no centro de algo. Eu sou um caso disso, estou buscando o centro da cultura do Brasil, estou buscando uma boa formação acadêmica para conseguir ser um profissional de qualidade, estou buscando uma cidade com porte médio-grande que consiga atender os meus “desejos como cidadão e consumidor”, estou hipnotizado pela sociedade, estou infectado com o vírus da classe média urbanizada. 
Percebendo essa condição da maior parte da sociedade ocidental, o dueto de artistas Bruce Gilchrist e Jo Joelson – conhecidos como London Fieldworks  - criou um trabalho muito curioso de intervenção humana, a obra Spontaneous City. É um jogo metafórico da condição humana e da condição dos outros animais que estão com habitats desaparecendo. A obra monta-se como uma cidade urbanizada para pássaros, insetos, e/ou qualquer outro animal que seja capaz de ocupar os “barracos”, fazendo um experimento que mistura arte e ecologia. Os modelos das casas foram inspirados nas casas de bairros de Londres que cresceram absurdamente e sem nenhum planejamento nos anos 60, o que – obviamente – acabou expulsando os animais que lá viviam. As centenas de casinhas foram instaladas em árvores desses mesmos bairros para que os animais urbanos possam se sentir um pouco mais urbanos.
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