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sexta-feira, 4 de outubro de 2013

InCOMUNIDADE - O Governo assumiu como política que o aumento da rentabilidade do capital investido, sobretudo nas empresas de exportação e nos grupos com negócios com o Estado, se daria com a redução do custo unitário do trabalho de uma forma peculiar. Que forma? Destruição de riqueza (recessão) e desemprego massivo (1). Dito de outra forma, simples: a produtividade aumenta porque um trabalhador passa a fazer o trabalho que antes era feito por dois, com o mesmo ou ainda menos salário.



InComunidade


Raquel Varela 

 O Governo assumiu como política que o aumento da rentabilidade do capital investido, sobretudo nas empresas de exportação e nos grupos com negócios com o Estado, se daria com a redução do custo unitário do trabalho de uma forma peculiar. Que forma? Destruição de riqueza (recessão) e desemprego massivo (1). Dito de outra forma, simples: a produtividade aumenta porque um trabalhador passa a fazer o trabalho que antes era feito por dois, com o mesmo ou ainda menos salário.
Esta política implica uma massiva descapitalização das reformas e pensões. É um entre os vários mecanismos de descapitalização da segurança social construída com as contribuições de quem trabalha.
Em primeiro lugar os pais pagam o desemprego dos filhos. Como?
Já pagavam desde o final dos anos 80 quando a redução de salários implicou uma mudança histórica na geração nascida depois de Abril, com muitos impedidos de ser independentes, porque os baixos salários implicam a permanência em casa dos pais até mais tarde. Como se compreende, isso implica uma redução do salário real disponível dos pais mas também implica algo porventura mais grave: a infantilização de toda uma geração, que se mantém «jovem» até aos 35 anos.Não é o mimo dos pais que gera a dependência, é a dependência que gera a infantilidade.
Em segundo lugar, um trabalhador precário ganha em média quase 40% menos do que um trabalhador com direitos (2), o que significa que não consegue descontar para a segurança social ou desconta um valor muito baixo.
A UE e os governos, então de maioria absoluta de Cavaco Silva, ponderaram que a criação de uma massa de desempregados e precários (precários que ciclicamente entram no desemprego) implicava inevitavelmente a criação de programas de cunho estrutural para evitar revoltas sociais desta camada de «eternos jovens» – subsídio de desemprego, extensão destes subsídios, rendimento mínimo, RSI, agora cantinas sociais, etc. Numa palavra, a caridade (e a redução dos custos das empresas) organizada pelo Estado, embora exercida no terreno pelas IPSS.
Do outro lado da história estão os trabalhadores com direitos que foram despedidos, já não tão jovens, a maioria aliás tipicamente despedida depois dos 45 ou 50 anos, com muita dificuldade em retornar ao mercado de trabalho. E que por isso fazem este percurso típico, também ele suportado em parte pelos reformados: subsídio de desemprego durante três anos, seguindo-se a pré-reforma até à idade da reforma. O Estado criou um expediente para que as empresas despedissem com mais facilidade os trabalhadores com direitos a que as leis laborais conquistadas na revolução de 1974-1975 atribuíam indemnizações por despedimento ‘elevadas’, suportando esses custos, que passaram a ser assumidos pelo fundo da segurança social, pelo Orçamento de Estado e, por vezes, com comparticipação de fundos europeus. Ilustra esse negócio uma acta de uma reunião entre duas empresas de trabalho portuário nos anos 90, em Leixões, em que um patrão diz ao outro que na reestruturação «não foram beliscados financeiramente» (3), orgulhando-se de não ter pago um escudo pela reforma antecipada dos seus trabalhadores.
O rumo destes trabalhadores desde o início dos anos 90 é, parece-me, o mesmo que está destinado, a concretizar-se o despedimento, aos actuais trabalhadores da função pública, da RTP, da Lusa e de muitas empresas privadas: desemprego, pré-reforma, reforma. Isto é, rumo nenhum, porque se as reformas estão hoje a ser parcialmente confiscadas, como estarão daqui a cinco anos, a continuar a esta política?
A negociação feita nos anos 90 para as pré-reformas, que foi feita em sede de concertação social e muitas vezes com apoio de alguns sindicatos, não garantiu as reformas dos que então as assinaram, porque hoje o governo confisca parte destas com o argumento de que há crise. Quando de facto se trata de uma fraqueza social dos trabalhadores com direitos e reformados, que se vêem não a usufruir de uma sociedade mais produtiva, mas rodeados de uma massa desesperada de desempregados dispostos a trabalhar a qualquer preço.
Finalmente, creio, os despedidos de hoje não terão a reforma, porque não há sistema de segurança social, por mais superavitário e contributivo que seja, e o nosso é, que sustente ter metade da força de trabalho (2,5 milhões) desempregada ou precária. As empresas do sector exportador e dos grupos económicos que vivem na dependência do Estado, esses ‘aguentam’, e, se olharmos os relatórios de contas, descobriremos que há muito “saíram da crise”.
As sociedades, felizmente, não se suicidam colectivamente. Há sempre uma saída, que quando é saída é porque foi encontrada colectivamente. E que não poderá deixar de passar, entre outras coisas, por esta premissa: se a força de trabalho é gerida como um todo, a resistência deve sê-lo também. Porque, para além da solidariedade e da moral, palavras que têm valor para muitos de nós, existe a economia real. E emprego, desemprego e reformas estão indissoluvelmente ligados a esta questão cimeira do nosso tempo: nunca antes no mundo se produziu tanto e com tanta eficácia – como podemos tolerar que isso se traduza em desemprego maciço e miséria de uma parte crescente da sociedade em vez de pleno emprego, com redução do horário de trabalho e salários dignos, para que todos possam trabalhar e contribuir para uma velhice digna?
Medo de não ter emprego, medo de não ter reforma, as relações laborais são hoje de facto a razão da maioria das pessoas viverem aterrorizadas. Facto tão verdadeiro quanto enunciar que, se reformados, desempregados e precários se juntarem em formas de resistência colectiva a esta cruzada recessiva e contrária à civilização, o medo pode mudar de lado.
Notas:
(1) Ver Relatório do Orçamento de Estado 2013 pp. 14-17 (cit in Guedes, Renato, “Orçamento do Estado para 2013: o significado do reajuste económico”, 22 de Outubro de 2012, www.cadpp.org).
(2) Sobre as diferenças salariais ver vários estudos de Eugénio Rosa em www.eugeniorosa.com
(3) Acta nº 29. Assembleia Geral Extraordinária das associadas da Associação GPL - Empresa de Trabalho Portuário do Douro e Leixões, realizada na sua sede social em Leça da Palmeira, Matosinhos, 23 de Janeiro de 1995. .
Raquel Varela, historiadora. Investigadora do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa, onde coordena o Grupo de Estudos do Trabalho e dos Conflitos Sociais e investigadora do Instituto Internacional de História Social, Amesterdão. É coordenadora do projecto História das Relações Laborais no Mundo Lusófono (FCT). É coordenadora de Quem paga o Estado Social em Portugal? (Bertrand, 2012). .

www.incomunidade.com

Este país não é para mulheres de bigode Com senso ou sem senso vai-se constatando que as estatísticas já não são causas comuns hipotéticas mas absurdas medianas aos trambolhões. A moda está em desuso e dizer-se, “mulher de bigode, ninguém a phode” é desviar o padrão das infortunas variáveis a casos extremos. Não fugindo da variante (N), a do bigode que não está em vogue mas ninguém a phode, na aldeia da Picha, Toninha bigodes recebe uma visita inesperada. As estatísticas bateram-lhe à porta.









Este país não é para mulheres de bigode


Com senso ou sem senso vai-se constatando que as estatísticas já não são causas comuns hipotéticas mas absurdas medianas aos trambolhões. A moda está em desuso e dizer-se, “mulher de bigode, ninguém a phode” é desviar o padrão das infortunas variáveis a casos extremos. Não fugindo da variante (N), a do bigode que não está em vogue mas ninguém a phode, na aldeia da Picha, Toninha bigodes recebe uma visita inesperada. As estatísticas bateram-lhe à porta.
- Ò mãe tá aqui uma mulher pra ti!
- Quem é Xico? Despacha a mulher que eu estou a fazer o jantar.
- Não posso mãe a gaja diz que é daquela cena das estatísticas A mãe preocupadíssima vem a correr e interpela o filho:
- Já podias ter dito, é sempre a mesma coisa, só me deixas ficar mal, não sei a quem saíste com esse palavreado, manda a senhora entrar.
- A minha mãe disse pra entrar.
Amélia dos Capuchos, colaboradora da Biblioteca Municipal de Pedrógão Grande, estava varada com a recepção mas tinha que acatar com as suas obrigações uma vez que se comprometeu com a junta de freguesia.
- Boa noite, eu sou a Amélia venho da junta e precisava que me respondesse a um inquérito para o INE ou então eu deixo ficar os impressos a senhora preenche e passo cá amanhã. Toninha quando ouviu falar na junta mudou de imediato de postura:
- Nada disso senhora doutora faça o favor de se sentar, quer tomar alguma coisa, um cafezinho, um licor?
- Sou uma simples funcionária da biblioteca, não sou doutora, dona…
- Toninha, Toninha bigodes, pode tratar-me assim e sinta-se em casa senhora doutora, ora deixe-se de modéstias, os méritos devem ser conhecidos.
Amélia já não tinha controlo sobre Toninha e de nada servia contrapor, só queria era apreçar os impressos e dar de frosques.
- Obrigada dona Toninha pela atenção, é um simples inquérito sobre a qualidade de vida dos habitantes da Picha.
- Claro, senhora doutora, pergunte o que quiser.
- Quantas pessoas vivem nesta casa?
- Ora bem, eu, o meu esposo mais conhecido pelo Picha pequena, a minha Milinha da racha e o meu filho Xico esperto e o meu cão torrão, se não me enganei nas contas, somos cinco.
- Costumam ler livros ou jornais? Pergunta Amélia sem tirar os olhos do bigode da Toninha.
- Eu leio muito pouco mas gosto de ler, só que já me falta a vista, leio a Maria e o jornal, a página onde colocam os falecidos para ver se vem alguém cá da terra a Maria ajuda-me a compreender como anda o mundo. Isto está muito mal senhora doutora veja lá que nesta ultima edição vinha lá um rapazinho a perguntar o que devia fazer, tinha nascido com três tomatinhos e não sabia o que havia de fazer à vida dele, o pobrezinho tinha lá aquela coisa dos complexos, e o raio da Dr.ª que responde àquelas desgraças, respondeu-lhe que ele devia sentir-se feliz por ser um homem avantajado e mais…só desgraças, outro a namorada ficava chateada quando o rapaz praticava o coito interrompido mas nessa já nem li a resposta ora se ela ficava chateada por o fulano ter a picha interrompida ai até eu ficava ao menos o outro tinha três tomates já dava prà fazer uma rica salada.
Toninha bigodes desata a rir e manda uma grande bufarda à Amélia, esta sorriu entre dentes e respondeu:
- Pois, pois…e o seu marido, os seus filhos gostam de ler?
- Gostam sim senhora, o meu Xico é um rapaz muito esperto, acabou este ano o curso das novas oportunidades já vai fazer dezanove anos para o ano, coitadinho teve que deixar a escola porque era hiperactivo é uma doença muito complicada, só lhe dá para dormir de dia e depois à noite vai até ao centro com os amigos da Venda da Gaita, veja a senhora doutora ele parece que só fala inglês desde que acabou o curso, eu vou chamá-lo para ele lhe responder. – Xico! Ó Xico anda cá a senhora doutora quer falar contigo.
Amélia corava como um presunto e a voz ia enfraquecendo:
- Não vale apena incomodar o gaiato, ele deve ter muitos afazeres.
- Nada disso, senhora doutora e voltava a berrar: - ò Xico!
- Poça mãe, não sou mouco, que queres? Dizia o gaiato com cara de mau.
- Vá lá Xiquinho a senhora doutora quer saber se gostas de ler, senta-te aí.
- Ya, doutora tá-se bem, eu gosto de ler tipo a Bola, os filmes dobrados em português, as revistas do meu pai, tem lá cada monumento, quer que lhe mostre?
Apressadamente Amélia sem demora responde:
- Não Chico, acredito que sim…
Toninha toda contente olha para o filho e diz:
- Eu sabia que ias seguir a profissão do teu pai, és o meu orgulho. Puxa-lhe pelas bochechas com um sorriso enorme.
- Ó mãe bebeste? Deixa-te dessas cenas. Levantou-se e voltou para o quarto.
A mãe com o bigode mais aguçado virou-se para a Amélia:
- Eu não lhe disse que o meu Xico era um menino muito esperto? Por este caminho vai seguir o dom do pai. Sabe o meu esposo é mestre-de-obras, ele é unha com carne com o senhor presidente da junta as empreitadas cá da aldeia são todas feitas pelo meu esposo e por metade do preço mas ele é muito correcto a factura vai sempre com o dobro do valor conforme o senhor presidente lhe pede, a verdade se diga também não pagamos aquela coisa do imposto, sabe como é uma mão lava a outra. Quem tem amigos não morre na cadeia. Bem agora já sabe que o meu marido lê livros sobre obras e monumentos. Agora a minha filha já é mais sobre dança.
Amélia interrompe:
- Dança? Mas ela é bailarina tirou algum curso, formou-se?
- Não senhora doutora, ela abandonou os estudos aos 14 anos, quando acabou a quarta classe, foi um desgosto, ela tinha tanto jeito nas línguas, sempre que chegava a casa (parece que a estou a ver) corria para mim toda feliz e dizia, “- mãezinha hoje o Serôdio da venda deu-me um linguado”, no início cheguei a fazer figura de idiota pensei que era peixe depois ela explicou-me que era uma língua nova. A minha Milinha da racha tem vinte e dois anos, já trabalha como bailarina desde dos dezassete e lá vai ganhando o bocadito dela.
Amélia não hesitou, ironicamente abreviou-se:
- É bailarina numa discoteca e trabalha à comissão ou a recibos verdes?
Toninha bigodes desatou novamente às gargalhadas:
- A senhora doutora agora teve graça, é à comissão, as pessoas que lá vão ficam verdes mas é de inveja, porque a minha filha não é para o bico de qualquer um da forma como ela dança ainda vai parar ao Teatro do Las Férias.
Amélia levantou-se, pedindo licença:
- Dona Toninha bigodes bem tenho de ir, o dever chama-me, ainda me faltam mais dois inquéritos mas…
Toninha interrompeu:
- Já vai senhora doutora mas e o resto das perguntas?
- Não se incomode dona Toninha bigodes conseguiu responder a todas elegantemente e digo-lhe mais, como diz o ditado “uma mulher de bigode ninguém a come…”, ahahahahahah, até qualquer dia e dê cumprimentos à família.
- Obrigada senhora doutora, você também tem a sua graça, mas olhe que o ditado não é assim, ahahahah, dê lá cumprimentos ao senhor presidente e disponha sempre que quiser, tenha uma boa noite.

- Ai Jesus, lá se foi caralho do pernil assado que comprei na venda do Picha frita…

Viva as estatísticas, os vigaristas, viva a educação!

Conceição Bernardino

O que podem esperar os contribuintes, funcionários públicos e reformados em 2014 As primeiras respostas (e o que ainda falta saber) sobre algumas medidas do Orçamento do Estado para o próximo ano.

O que podem esperar os contribuintes, funcionários públicos e reformados em 2014 

As primeiras respostas (e o que ainda falta saber) sobre algumas medidas do Orçamento do Estado para o próximo ano.

Os ajustamentos à tabela salarial no Estado serão definitivos Enric Vives-Rubio

O Governo não deu muitos detalhes sobre o que as famílias, os funcionários públicos, os reformados e as empresas podem esperar no próximo ano. Apenas ficou uma certeza: a carga fiscal deverá manter-se, assim como os actuais cortes nos salários e nas pensões.
A ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, deixou claro nesta quinta-feira que “as medidas de carácter extraordinário implementadas em 2012 mantêm-se em 2014”. E justificou, em resposta aos jornalistas às questões relacionadas com a manutenção da taxa adicional de 3,5% sobre o IRS , que na recta final do programa de ajustamento não faria sentido “não manter o esforço necessário para manter o programa com sucesso”. Já em relação ao IVA na restauração, o Governo fecha-se em copas e remete para o Orçamento do Estado, que será apresentado até 15 de Outubro.
Funcionários públicos: cortes salariais agravam-se
As medidas de austeridade que este ano penalizaram os funcionários públicos são, a julgar pelas palavras da ministra, para manter. O corte de 3,5 a 10% aplicado aos salários acima de 1500 euros é uma das medidas extraordinárias que se tem mantido de ano para ano.
Porém, não se sabe se os ajustamentos à tabela salarial — que serão definitivos — vão acumular com o corte que já está a ser aplicado. A ministra das Finanças confirmou que a revisão da tabela salarial será incluída no Orçamento do Estado (OE) para 2014. “Essa medida faz parte das que tinham sido acordadas na 7.ª avaliação”, disse, e “é para avançar”.
A revisão e a criação de uma tabela única de suplementos foram anunciadas pelo primeiro-ministro em Maio passado e visam poupar 445 milhões de euros já no próximo ano.
Todos os serviços, organismos e empresas públicas foram obrigados a divulgar, até ao dia 23 de Setembro, informação sobre os salários, suplementos e benefícios atribuídos aos trabalhadores. A informação está a ser tratada pela Direcção-Geral do Tesouro e Finanças para servir de base à revisão das tabelas.
Aos cortes salariais há ainda a somar as novas regras laborais no Estado, nomeadamente o aumento do horário de trabalho de 35 para as 40 horas, em vigor desde o passado sábado. Contudo, o diploma está no Tribunal Constitucional para fiscalização sucessiva, o que poderá mudar o seu percurso.
Também não é de afastar um novo programa de rescisões amigáveis no Estado, nos moldes semelhantes ao que está em curso até 30 de Novembro para os assistentes técnicos e operacionais, mas abrangendo agora outras carreiras.
Pensionistas: CES é para manter
O Governo desistiu da contribuição de sustentabilidade (que ficou conhecida como a TSU dos pensionistas), que pretendia aplicar sobre as pensões, em substituição da contribuição extraordinária de solidariedade (CES).
A CES que este ano está a ser aplicada a todas as reformas (tanto as do público como as do privado) acima de 1350 euros deverá manter-se. O corte é de 3,5 a 10%, mas, na parcela das pensões acima dos 7000 euros, pode chegar aos 40%.
Por esclarecer ficou a situação dos aposentados da Caixa Geral de Aposentações (CGA), que, além da CES, serão afectados pelo diploma da convergência com o privado e que prevê cortes de 10% nas actuais pensões dos funcionários públicos. Não está totalmente esclarecido se a CES acumula com este corte, mas em cima da mesa poderá estar uma suavização da contribuição extraordinária para evitar uma penalização excessiva dos reformados do Estado.
A estas medidas há ainda a acrescentar o aumento da idade da reforma dos 65 para os 66 anos de idade, que também deverá entrar em vigor no próximo ano e que afecta tanto os trabalhadores do Estado como os do sector privado.
Famílias: o pós-enorme aumento de impostos
O OE que está em vigor trouxe um aumento dos impostos sobre os trabalhadores dependentes e independentes e sobre as empresas em relação aos automóveis, à propriedade, ao tabaco e às transacções financeiras/capital.
Paulo Portas garantiu que não haverá um agravamento da carga fiscal em 2014.Mas ficou por dizer se a pressão sobre o rendimento do trabalho se mantém igual ao nível deste ano — resultado do “enorme aumento” de impostos que entrou em vigor este ano: redução do número de escalões, agravamento das taxas, introdução de uma sobretaxa (que se manterá) e de uma taxa de solidariedade para o escalão mais elevado.
Empresas: IVA na restauração em aberto
Tanto Portas como Maria Luís Albuquerque fecharam-se em copas quanto a uma decisão sobre o IVA na restauração, remetendo o tema para o projecto de Orçamento do Estado para 2014.
Entre quatro cenários estudados pelo grupo interministerial, dois apontam para uma redução do IVA no próximo ano: um admite uma descida da actual taxa de 23% para 13% em todos os serviços de restauração, como pede a Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP); o outro pondera uma baixa para 13% na alimentação e a manutenção do imposto nos 23% nas bebidas (sendo a distinção feita entre tipos de produtos).
Nos dois cenários, o grupo de trabalho estudou a hipótese de introduzir mudanças a partir de Janeiro ou apenas em Julho, diminuindo o impacto da redução da receita fiscal estimada.
Empresas: reforma do IRC avança
A baixa do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas (IRC) deverá ser outra das medidas a incluir na proposta de orçamento. A comissão encarregada pelo Governo de estudar a reforma deste imposto defende uma baixa de 25% para 17% até 2018 e o fim, em 2017 e 2018, das derramas.
Para o próximo ano, o primeiro a ser abrangido pelo recuo progressivo deste imposto, a comissão liderada pelo centrista António Lobo Xavier sugeriu que a taxa baixasse para 23%, mantendo-se as derramas. Certezas, só no OE.

Deslegitimados Há uns anos, Vicente Jorge Silva exultou com a subida eleitoral do Bloco de Esquerda e decretou que o BE «vai dominar a esquerda portuguesa nos próximos 25 anos», acrescentando a pièce de resistance do seu apurado faro: a de que o PCP, concomitantemente, iria pelo «cano abaixo», dando enfim tranquilidade às mimosas almas como a do Vicente.

 
  • Henrique Custódio 

Deslegitimados
Há uns anos, Vicente Jorge Silva exultou com a subida eleitoral do Bloco de Esquerda e decretou que o BE «vai dominar a esquerda portuguesa nos próximos 25 anos», acrescentando a pièce de resistance do seu apurado faro: a de que o PCP, concomitantemente, iria pelo «cano abaixo», dando enfim tranquilidade às mimosas almas como a do Vicente.
Esta visão não é original, emergindo dum «clube de opinadores» que, desde a Revolução de Abril, se aplicam a declarar, regularmente, o ansiado óbito do PCP. Alguns atrevem-se mesmo a mixorofar teorias, como a de que «já não há classes sociais mas 'cidadãos'» ou de que «acabou a luta de classes».
Só não dizem que as sociedades continuam, tal e qual como no tempo de Marx e de Lenine, dominadas pela exploração capitalista, onde as «classes» continuam nos exploradores (sempre uma minoria) e nos explorados (a maioria cada vez mais esmagadora dos que produzem toda a riqueza e cada vez menos dela usufruem).
Obviamente, as classes aí estão, e inexoravelmente empurradas para a luta pela ganância insaciável do capitalismo, e essa é que é essa...
Com estas eleições autárquicas surgiu uma «novidade» – PCP, no quadro da CDU, foi o único partido que subiu em votação, percentagem, câmaras municipais e mandatos, o que calou os vicentes do burgo e levou a generalidade dos comentadores a reconhecer que «o PCP se revitalizou» e «é uma força política com raízes no País».
Só não referem um elemento desta vitória autárquica do PCP: o de que as câmaras municipais comunistas são as únicasonde, em quase 40 anos de Poder Local, jamais se registou um escândalo dos que proliferam regularmente nas gestões dos outros partidos, seja de corrupção, nepotismo, branqueamento de capitais, tráfico de influências ou de todo o tipo de negócios escuros.
O eleitorado foi-se habituando a constatar isso, tal como foi testemunhando que os eleitos comunistas são credores dos fundamentos e da continuação da gestão directa dos problemas e necessidades das populações.
Pelo que a vitória da CDU evidenciou outra coisa: que é realmente o trabalho e a honestidade que constituem o valor firme da política, arredando lentamente as demagogias sem princípios nem pinga de vergonha.
Entretanto, o PM Coelho reconheceu a derrota e disse que«me continuarei a bater pelo caminho que temos vindo a percorrer».
O homem esquece que o PSD e o CDS somaram 35,75% dos votos nas anteriores autárquicas, ficando-se agora pelos 27,30%.
Mas o que entra pelos olhos dentro é que o apoio político do Governo se desmoronou e conta, agora, com uma base social que anda à volta de um terço do eleitorado (concretamente, 3,7 num total de 10).
Se a contabilidade é aritmeticamente avassaladora, politicamente é uma sentença de morte para a coligação Pedro e Paulo, que não mais pode reivindicar (como tanto o fez, no passado) a «legitimidade das urnas» para se manter em funções.
É que as urnas acabaram de os desligitimar. E fragorosamente.

A CÓLTURA DO PRAIME TAIME - Manuela Moura Guedes também é um ícone, mas de um certo tipo de jornalismo de entretenimento muito apreciado pelo público da televisão. O seu “jornal da nove”, na Tvi, era uma espécie de “o juiz decide”, em directo e em horário nobre – ela era o juiz, claro, uma espécie de Roy Bean do faroeste europeu - instruía o processo, acusava, interrogava implacavelmente as testemunhas e ódepois julgava, sem direito a defesa claro,

A cóltura do praime taime

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Manuela Moura Guedes também é um ícone, mas de um certo tipo de jornalismo de entretenimento muito apreciado pelo público da televisão.
O seu “jornal da nove”, na Tvi, era uma espécie de “o juiz decide”, em directo e em horário nobre – ela era o juiz, claro, uma espécie de Roy Bean do faroeste europeu - instruía o processo, acusava, interrogava implacavelmente as testemunhas e ódepois julgava, sem direito a defesa claro, para grande gáudio da imensa audiência, sedenta de justiça, que assistia à coisa. Às sextas-feiras a novela só começava lá para a meia-noite, devido ao penoso derenrolar dos processos. Nada que inquietasse os aficionados. Mais emocionante só no tempo da santíssima inquisição, quando a populaça levava farnel e refrescos para o terreiro-do-paço, para ver arder as bruxas e os judeus.
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Entretanto, a pedido de várias famílias, o generoso milionário que então mandava na estaçãocancelou-lhe o pugrama (esta é uma das peculiaridades do faroeste europeu: aqui até os milionários sofrem pressões, coitadinhos).
Manuela deixou então o jornalismo-de-merda. Mas não passou à estória, como José Milhazes - passou ao entretenimento-de-merda.
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Agora Manuela apresenta o concurso “Quem quer ser milionário”, dizem que com “conteúdo cultural”. Em horário nobre, como o jornal-das-nove-da-tvi, mas na RTP1. 
É lá que interroga implacavelmente uns pobres idiotas - que apenas querem enriquecer honestamente sem fazer grande coisa - para delírio da imensa audiência da Tvi, que o canal público agora definitivamente disputa, com as mesmas armas. 
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TVI 24-Constança Cunha e Sá: Governo: "A conferência de imprensa foi uma encenação" Avaliação da troika - A conferência de imprensa foi uma encenação, nada sendo dito sobre o que se ia fazer. A questão dos 4% é uma derrota do governo. Vamos ter um plano de austeridade fortíssimo para 2014 e para este ano o défice vai ser superior a 5,5%, com recurso a receitas extraordinárias.

TVI 24-Constança Cunha e Sá: Governo: "A conferência de imprensa foi uma encenação"

Avaliação da troika A conferência de imprensa foi uma encenação, nada sendo dito sobre o que se ia fazer. A questão dos 4% é uma derrota do governo. Vamos ter um plano de austeridade fortíssimo para 2014 e para este ano o défice vai ser superior a 5,5%, com recurso a receitas extraordinárias.
A habilidade de Portas foi esquecer o pacote de austeridade aprovado na 7ª avaliação, sendo preciso ter uma certa lata par dizer que estas pequenas e médias poupanças não incidem sobre as pessoas e as famílias. Esqueceu-se de dizer que a convergência de pensões mantém-se e incide sobre pensões de 600 euros, revelando a má fé na forma como as medidas foram apresentadas aos portugueses. O que Portas vem dizer é que para além desse pacote de austeridade, vai haver mais pequenas e médias poupanças.
Não há desagravamento fiscal, a descida do IVA na restauração sumiu, as medidas extraordinárias e provisórias vão continuar a ser aplicadas, pelo menos em 2014, o que é um aumento de impostos. Não explicou as medidas de 436 milhões que vão compensar a TSU dos reformados e mantém-se a taxa de solidariedade sobre as reformas. Isto demonstra que vem aí um grande pacote de austeridade. Pergunta, então, porque era tão importante flexibilizar o défice para 4,5 (como queria Portas), se isto se resolve com pequenas e médias poupanças e se a coisa é tão simples e não afecta as pessoas e as famílias.
Se a MF está tão segura de que as medidas que apresentará são constitucionais, pergunta porque é que o PM falou sobre riscos constitucionais. Foi o próprio PR que pôs em causa a perspectiva de crescimento se a troika não tivesse bom senso e não teve.

Autarca eleito em Viana tem o coração na terra mas os pés no Canadá Candidato do PSD obteve maioria absoluta e está no estrangeiro, tal como o antecessor. PS diz-se envergonhado

Autarca eleito em Viana tem o coração na terra mas os pés no Canadá

Candidato do PSD obteve maioria absoluta e está no estrangeiro, tal como o antecessor. PS diz-se envergonhado

  • "Com o coração em Castelo do Neiva" foi o slogan do PSD nas últimas eleições autárquicas. Mas, no dia da votação, Paulo Torres, candidato à Junta de Castelo de Neiva, estava do outro lado do Atlântico, no Canadá, para onde partiu dias antes, porque os compromissos profissionais que o prendem àquele país falaram mais alto.
A Comissão Política Concelhia do PSD, contactada pelo PÚBLICO, afirmou ter sido informada da ausência "temporária". Eduardo Viana explicou que Paulo Torres, de 37 anos, é arquitecto e, que por esse motivo, "teve de se deslocar ao Canadá no âmbito de uma colaboração que já vem prestando há algum tempo" naquele país.
O mesmo responsável escusou-se a equacionar, para já, a possibilidade de as ausências "temporárias" do novo autarca passarem a ter um carácter definitivo, ou seja, a emigração, tal como aconteceu com o anterior presidente, também ele do PSD e também ele a trabalhar no Canadá.
Em Dezembro de 2012, Augusto Bandeira suspendeu o mandato, zangado com o partido pelo qual foi eleito. Bandeira acusou o PSD de o ter obrigado a partir, para "não cair em desgraça". A procura de uma segunda oportunidade no Canadá, onde já tinha estado emigrado durante 15 anos, foi a única solução que encontrou depois da crise económica e de as portagens na A28 lhe terem arruinado o restaurante familiar que geria.
Desiludido com a política e com os políticos, até escreveu uma carta de despedida ao primeiro-ministro, Passos Coelho - divulgada publicamente na altura -, para deixar registada a "tristeza" que sentia por pertencer a um partido que, "neste momento, está a ser obrigado a destruir famílias, sem se perspectivarem quaisquer melhorias a médio/ longo prazo".
Paulo Torres, então tesoureiro, foi o escolhido para suceder a Augusto Bandeira, já que o "vice" de Bandeira, Eusébio Rocha, tinha sido o primeiro a partir, igualmente para o Canadá.
O principal opositor de Paulo Torres nas últimas autárquicas, o candidato do PS, disse ao PÚBLICO que se sente "envergonhado com estas histórias todas". Fernando Dias, que arrecadou apenas 28,21% dos votos, não "perspectiva nada de bom para a freguesia, que já passou os últimos quatro anos sem saber quem era o presidente da junta".
"Não entendo como é que as pessoas acreditam numa coisa destas, sabendo destas histórias todas. Votaram mesmo com ele ausente. Mas pronto, é o que o povo quis", rematou.
De acordo com Eduardo Viana, a estrutura local do PSD não dispõe de qualquer informação que permita concluir que "o arquitecto Paulo Torres tenha decidido emigrar". Adiantou que aquando da escolha deste candidato, o cenário das ausências temporárias por razões profissionais não foi equacionado.
"Isto são situações profissionais que surgem e se calhar, hoje em dia, mais do que nunca é que entendemos com alguma naturalidade. Não lhe posso garantir o que irá ocorrer no futuro."
O responsável adiantou que a "informação que tem é que o arquitecto Paulo Torres estará disponível para ir à tomada de posse", mas escusou-se a garantir se vai ou não cumprir o mandato até ao fim. E até admitiu que "não ficou definido o tempo" que vai permanecer no Canadá". A única garantia que avançou é que, "com Paulo Torres ou sem Paulo Torres", Castelo de Neiva "tem gente competente para assegurar a sua ausência, ainda que temporária". Eduardo Viana adiantou que a população da freguesia "não tem de se preocupar", porque a equipa que arrecadou 51,30% dos votos nas últimas eleições é "dinâmica e de qualidade" e composta por "gente capaz".