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sexta-feira, 20 de setembro de 2013

BANCO ESPÍRITO SANTO - A FACE OCULTA "O grupo emprega mais de 20 mil pessoas e vale mais do que as duas holdings criadas para concentrar parte dos activos financeiros e não financeiros, que valem mais de sete mil milhões de euros: cerca de cinco por cento do PIB português. Apesar de Ricardo Salgado não ser o líder do GES, presidindo apenas ao BES, ele é a figura de proa, considerado o artífice de uma estratégia sustentada numa rede empresarial, que abrange mais de 20 países. E que tem extensões a centenas de sociedades que nascem de holdings sediadas na Suíça e no Luxemburgo e que, pelo facto de não estarem dentro do perímetro de consolidação, têm facilidade em realizar operações cruzadas

BANCO ESPÍRITO SANTO a face oculta




"O grupo emprega mais de 20 mil pessoas e vale mais do que as duas holdings criadas para concentrar parte dos activos financeiros e não financeiros, que valem mais de sete mil milhões de euros: cerca de cinco por cento do PIB português.

Apesar de Ricardo Salgado não ser o líder do GES, presidindo apenas ao BES, ele é a figura de proa, considerado o artífice de uma estratégia sustentada numa rede empresarial, que abrange mais de 20 países. E que tem extensões a centenas de sociedades que nascem de holdings sediadas na Suíça e no Luxemburgo e que, pelo facto de não estarem dentro do perímetro de consolidação, têm facilidade em realizar operações cruzadas. Este foi, aliás, um dos pontos, entre vários, que o Instituto Português de Corporate Governance (IPCG) procurou regulamentar no Código do Bom Governo das Sociedades. A iniciativa foi chumbada o mês passado pelas empresas que integram o PSI20, num movimento aparentemente liderado por Ricardo Salgado.

Entre as prioridades do grupo estão investimentos não só em Portugal, mas ainda Espanha, Brasil e Angola. No centro desta estratégia de expansão está o BES, o que reforça a capacidade de endividamento das empresas do universo do grupo e permite estender os seus interesses a todo o lado, por vezes em aliança com o sector público. É vasto o conjunto de negócios que se cruzam com o Estado, como o turismo, imobiliário, agro-pecuária, saúde, defesa, passando ainda pelas utilities, sectores cuja acção depende de decisões governamentais.

Em declarações ao PÚBLICO, os ex-ministros Luís Mira Amaral e Jacinto Nunes elogiam a estratégia do grupo que tem resultado num crescente poder na economia e sociedade portuguesa. Os dois ex-ministros salientam ainda o facto de a importância do BES ter saído reforçada com a queda de Jardim Gonçalves no BCP e a luta de poder no maior banco privado.

Os problemas com a justiça

À medida que os interesses da família se expandem, maiores são as dores de cabeça. Nos últimos anos as instalações do banco e de empresas do grupo, assim como casas de dirigentes, foram alvo de buscas policiais, com o nome de empresas do GES e o próprio banco a aparecerem associados a investigações em Portugal, Espanha, Brasil e EUA. Em Portugal, além do caso Portucale e das averiguações às contrapartidas com submarinos, o BES (BCP, BPN e Finibanco) surge no centro da Operação Furacão, a maior investigação de sempre à criminalidade económica em Portugal. Em causa estão eventuais crimes fiscais, baseados num esquema de fuga ao fisco, desenhado pelo banco. Américo Amorim é um dos clientes do BES ouvido pelas autoridades, a quem explicou que possui "contactos de muitos anos com o BES e outra empresa do grupo, a Erger", especializada em planeamento fiscal.

Em Espanha, o juiz Garzon ordenou buscas às instalações do BES em Madrid, no quadro de uma investigação que envolvia clientes do banco que eram figuras de topo da sociedade espanhola. Mas o processo foi arquivado. No Brasil, o BES surge mencionado nos inquéritos parlamentares ao caso mensalão. Ricardo Salgado foi ouvido pela justiça como testemunha a pedido das autoridades judiciais brasileiras, mas negou ter sido contactado para financiar o PT de Lula da Silva. Outros nomes que são referidos são os de António Mexia, convocado enquanto ex-ministro das Obras Públicas, e do antigo chairman da PT Miguel Horta e Costa, actual vice-presidente do BESI.Nos EUA a comissão do Senado norte-americano que investiga as contas-fantasma de Augusto Pinochet, divulgou que o ditador chileno tinha uma conta aberta no BES Florida. O PÚBLICO não conseguiu obter uma reacção formal por parte dos responsáveis do Grupo."

In jornal O Público

Actualização

Obviamente o poder da família Espírito Santo na esfera política não é recente, pelo que em seguida publicamos, uma breve descrição da convivência de Ricardo Salgado com Salazar, que saiu na revista Sábado:

"SALAZAR E OS MILIONÁRIOS

Prólogo

Os encontros de domingo à noite
Primeira metade da década de 50. Oito da noite de domingo. Era esse habitualmente o momento reservado para os dois homens mais poderosos do país discutirem grande parte do destino de Portugal. No Palácio de São Bento ou no Forte do Estoril, António de Oliveira Salazar, então à beira dos 60 anos e a meio dos seus 40 anos no poder, recebia Ricardo Espírito Santo, onze anos mais novo.

Além de dirigir o Banco Espírito Santo e Comercial de Lisboa (BESCL), o banqueiro liderava a petrolífera Sacor, que esteve na origem da Galp, e controlava a seguradora Tranquilidade e as Sociedades Agrícolas do Cassequel e do Incomati, em Angola e Moçambique. As suas várias áreas de influência ajudam a explicar como se transformou num conselheiro especial de Salazar para todos os assuntos relacionados com economia, política, diplomacia e artes — e acabou por se tornar também um dos melhores amigos do presidente do Conselho.
Era muitas vezes Maria da Conceição, a protegida a que Salazar deu a alcunha de Micas, que abria a porta de São Bento a Ricardo Espírito Santo: «Tenho hora marcada», dizia-lhe ao entrar, como se precisasse de justificar a sua presença.

O presidente do banco cumprimentava Micas com um beijinho e oferecia-lhe com muita frequência bonecas, chocolates e até amêndoas na Páscoa. Ricardo Espírito Santo estacionava o carro no parque da residência oficial, pendurava o sobretudo no bengaleiro junto à porta de entrada e, se Salazar ainda estivesse ocupado, aguardava na pequena biblioteca junto ao gabinete do presidente do Conselho, no rés-do-chão. Mas raramente tinha de esperar. As conversas entre os dois podiam decorrer no gabinete ou enquanto passeavam pelos jardins de São Bento. Quando terminavam, o ditador acompanhava o amigo até à saída.

Estes encontros semanais entre os dois homens ficaram registados no diário que Salazar mantinha: um livro de capa vermelha e letras douradas onde resumia a sua rotina e indicava os principais assuntos abordados em cada audiência. A 14 de Maio de 1950, por exemplo, recebeu Ricardo Espírito Santo entre as 20h e as 20h45 e anotou à frente:
«Sua viagem e férias, saúde, alguma coisa de negócios».
Salazar só saiu de Portugal três vezes — foi a Paris na juventude e deslocou-se duas vezes à fronteira para se encontrar com Francisco Franco, o ditador espanhol. Aproveitava por isso os relatos das deslocações dos outros para satisfazer a sua curiosidade sobre o mundo. E Ricardo Espírito Santo todos os anos fazia longas viagens para tratar de negócios (do banco ou da empresa de petróleos), por motivos de saúde (frequentava termas), de férias (era praticante habitual de esqui e golfe) ou em busca de peças de arte nos antiquários e nos leilões. Foi esse o principal tópico que Salazar fixou no dia 17 de Dezembro de 1950, depois do encontro de uma hora e meia, das 19h30 às 21h00: «Dr. Ric. Espírito Santo - compras que fez em Roma de objectos de arte».

A situação da Sacor, criada pelo Estado em 1938 para intervir no mercado dos combustíveis, era discutida na maior parte dos encontros.
As entradas nas agendas de 1953 e 1954 revelam que falaram de «vencimentos dos administradores», de «conversas com ministro da Economia sobre terrenos de que a Sacor precisa» e de «como distribuir 37 500 contos a colocar entre portugueses [num aumento de capital]».

As relações com o romeno Martin Sain, o principal accionista da empresa de petróleo, eram alvo de grande atenção do presidente do Conselho. Além de abordarem os temas importantes da Economia como o plano de fomento ou o estado do mercado de capitais, é difícil encontrar um grande investimento que não tenha sido escrutinado e, mais do que isso, aprovado, nestes encontros rotineiros de domingo à noite. Analisaram a criação da TAP em 1953, a lapidagem de diamantes em Portugal, o apoio à empresa de Siderurgia, que António Champalimaud começou a negociar com o Governo em 1952, e a fundação da sociedade de milionários que iria financiar aquilo a que Salazar chamava «o novo grande hotel de Lisboa» — o Ritz, que só seria inaugurado em 1959, quatro anos depois da morte do banqueiro.

A folha de 3 de Março de 1953 revela que Salazar recebeu Ricardo Espírito Santo e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Cunha, às sete e meia da tarde e que discutiram a prenda que o governante deveria oferecer a Franco, no encontro seguinte com o generalíssimo espanhol. Uma hora depois, o ministro saiu mas o banqueiro ficou. Durante mais uma hora, até às 21h30, relatou a Salazar os bastidores da inauguração do seu museu de artes decorativas, cuja cerimónia decorrera nessa semana, intencionalmente a 28 de Abril, para homenagear o presidente do Conselho no seu dia de aniversário.

O costume estava tão enraizado que quando o ditador cancelou um dos encontros semanais, em 1951, Ricardo Espírito Santo manifestou por carta a sua grande tristeza. «Tenho muita pena de não ir aí hoje, a nossa conversa dominical é para mim o maior prazer da semana, mas obedeço na esperança de que serei compensado.» E, em Abril do ano seguinte, quando, por estar na Suíça, foi o empresário a não poder comparecer, enviou outra mensagem. Sugeria que Salazar recebesse Mário de Sousa, administrador do Banco Fonsecas, Santos & Viana, para discutir novas medidas relacionadas com as exportações, mas frisava a importância que atribuía a estes encontros: «Eu agradeço (e não lhe levo a mal!) se lhe dispensar meia horazita de um fim de tarde de domingo, desses fins de tarde que eu tanto aprecio e que quase sempre são o melhor prémio para mim, de uma semana de trabalho! Como vê nem de longe o deixo em paz!

Despediu-se com um post-scriptum que comprovava a sua intimidade com António Ferro, embaixador em Berna e antigo responsável pelos serviços de propaganda nacional, e com as duas mulheres que viviam na casa do ditador — a governanta e a pupila: «P.S. — Peço o favor [de] dar minhas lembranças a dona Maria, e Maria Antónia. O Ferro gostou muito da carta de vossa excelência.»



Quando estava fora do país, o banqueiro esforçava-se por manter a comunicação de domingo com o governante, que anotava estas chamadas no diário com igual deferência: «Pelo telefone, vários e dr. Ric. Esp. Santo».
Em 1954, Ricardo Espírito Santo acompanhou o presidente da República, Craveiro Lopes, numa viagem de barco a Angola e São Tomé e Príncipe. Esteve fora sete domingos: apenas num não conseguiu enviar telegramas dirigidos a «sua excelência o presidente do Conselho» e assinados, simplesmente, Ricardo. Nos seis que enviou, a falta que sentia dos encontros com o ditador foi sempre manifestada de forma crescente: «Sigo bem mas com saudades», escreveu no segundo, a 31 de Maio; a 20 de Junho, manifestava-se «cheio de saudades»; na mensagem do domingo seguinte lia-se: «As saudades são cada vez mais maiores»; e no último notava-se o alívio por estar quase a regressar: «Vou mais contente a pensar que se os deuses nos forem propícios estarei aí no próximo domingo e poderei matar as saudades que já pesam no meu coração. Gostei muito de o ouvir e espero que este já o encontrará no forte.»

Neste telegrama, Salazar anotou a azul a instrução: «Saber quando chega o barco». Um funcionário responderia a lápis: «Chega domingo, dia 11 [de Julho], ao meio-dia». E foi nesse domingo às 19h15 que se reencontraram, no forte de Santo António, no Estoril. Até às 21h00, Salazar recolheu informações sobre o negócio do açúcar e «outros assuntos de África», e, claro, quis saber tudo sobre o que ficou descrito no diário como uma «viagem formidável»."

In revista Sábado



O banqueiro Ricardo Espírito Santo, avô do actual presidente do BES Ricardo Salgado, teve nos anos 40 várias intervenções no universo da espionagem, expressas nas cartas que escreveu a Salazar – as principais são divulgadas pela SÁBADO esta quinta-feira na edição impressa.
A 30 de Dezembro de 1944, já perto do fim da II Guerra Mundial, o banqueiro desejou feliz ano novo ao ditador com um pedido misterioso: “Cumprindo as ordens de Vossa Excelência, junto remeto uma nota com o nome da pessoa que está ausente na sua pátria e cujo regresso conviria impedir”. Um pequeno envelope à parte contém um cartão com o nome Nassenstein, escrito a azul, em maiúsculas e sublinhado.

Cecil Nassenstein era um agente alemão da Gestapo também conhecido por Adolf Nogenstein. Foi colocado em Lisboa em 1942 como diplomata, mas a sua missão era vigiar os espiões americanos e ingleses e decifrar os seus códigos. Sabia falar pelo menos dez línguas (inglês, alemão, francês, português, espanhol, russo, italiano, grego, latim e servo-croata), contou à SÁBADO a neta do espião - Stéphanie Nassenstein, 37 anos, é actualmente uma das responsáveis pelos programas do Forum Económico Mundial, que reúne todos os anos os líderes do Mundo em Davos.
Os relatórios dos serviços secretos britânicos divulgados pelos arquivos nacionais daquele país descrevem-no como um elemento-chave da Gestapo em Portugal. Pode ler uma síntese desses documentos clicando aqui
O pedido de Ricardo Espírito Santo não teve sucesso e o espião conseguiu reentrar em Portugal, onde viveu clandestinamente até 1947, quando foi capturado pela PIDE numa casa da António Augusto Aguiar, em Lisboa.
Estava armado, tal como o agente Herbert Wissmann, que se suicidou com cianeto antes de ser capturado. Nassenstein também tentou matar-se várias vezes, mas foi enviado para Inglaterra durante dois anos, e depois para um campo alemão.
Antes de morrer em 1981, dirigiu uma empresa de plásticos para enchidos e teve um último contacto com o universo da espionagem em 1972: a pedido do governo e com ajuda da Cruz Vermelha, organizou uma troca de espiões em Berlim: devolveum um russo para receber um alemão, que era seu parente afastado e morreu pouco depois de atravessar a ponte.

O banqueiro era um agente alemão para o MI6
Aquela carta de Ricardo Espírito Santo não foi um acaso. Em Abril de 1945, o banqueiro enviou a Salazar quatro relatórios secretos (dois em inglês e dois em francês) sobre “o problema alemão em Portugal após a guerra”, onde se desvenda a presença de 10 agentes da Gestapo no país, que poderiam liderar um movimento clandestino. Os documentos revelam também os planos alemães para organizar a resistência após a derrota na II Guerra.
No livro “Judeus em Portugal durante a II Guerra Mundial”, Irene Pimentel escreve que o banqueiro era um germanófilo: “O MI6 considerava ‘holy ghost’ (espírito santo, em inglês), um agente alemão”. E há registo de um telegrama do embaixador alemão em Madrid enviado ao ministro dos Estrangeiros, que refere o banqueiro português como confidente dos alemães.
Ricardo Espírito Santo já tinha tido um papel importante em 1940 ao acolher os duques de Windsor a pedido do governo português, numa altura em que os alemães chegaram a preparar uma operação para os raptar da casa do banqueiro no Estoril. O plano não se concretizou e os duques embarcaram para as Bahamas, tal como desejava o líder britânico Winston Churchill.



Banco Espírito Santo na lista negra
Durante a II Guerra o Banco Espírito Santo foi posto na lista negra dos aliados por negociar com os alemães. Já depois do conflito, Ricardo Espírito Santo mandou a Salazar um relatório sobre a importância da radiodifusão na II guerra mundial assinado por Humberto Breisky, um nome muito parecido com o de Hubert Von Breisky, encarregado de negócios da Embaixada da Alemanha em Lisboa. (Hubert Von Breisky era o pai do barão Stephan Von Breisky, que ficou conhecido por aparecer nas revistas sociais ao lado de Elsa Raposo). Seguiram-se vários relatórios, não assinados, sobre o que diziam as várias emissoras internacionais sobre Portugal.
Para ajudar a explicar a quantidade de informações confidenciais a que tinha acesso, fonte próxima da família recorda que Ricardo Espírito Santo era um frequentador assíduo das várias embaixadas e cultivava relações de proximidade com diplomatas de vários países, do lado alemão e do lado dos aliados. Segundo o livro “O banco espírito santo, uma dinastia financeira portuguesa”, de Carlos Alberto Damas e Augusto Ataíde, o banqueiro falava sete línguas e foi até convidado em 1950 para ser embaixador de Portugal no Vaticano, mas recusou.

In revista Sábado

resistência06.blogspot.pt

Os 10 casos mais bizarros de histeria coletiva Conheça histórias de pânicos e histerias que tomaram conta de grupos de pessoas de forma desproporcional ou inexplicável.

Os 10 casos mais bizarros de histeria coletiva


Conheça histórias de pânicos e histerias que tomaram conta de grupos de pessoas de forma desproporcional ou inexplicável.



Fonte da imagem: Reprodução/BrontehoroineOs 10 casos mais bizarros de histeria coletiva
Você já deve ter ouvido falar sobre a histeria coletiva, mas caso não saiba nada sobre isso, prepare-se para conhecer uma das mais intrigantes situações psicológicas que podem se desenvolver na mente humana.
Os surtos de histeria coletiva (também conhecidos como a doença psicogênica de massa) acontecem quando um grupo de pessoas passa a ter sintomas, perturbações ou reações semelhantes, de forma solidária a qualquer fato, imaginário ou exagerado.
Nessa lista, reunimos os mais impressionantes surtos coletivos na história, desde situações de pânico, até reações desproporcionais a qualquer ocorrido do cotidiano. Confira abaixo tudo o que a mente humana é capaz de criar com um pouco de influência externa.

1. A epidemia de riso na Tanzânia

Rir pode ser perigoso. Ao menos é o que você vai constatar após conhecer a história bizarra de histeria coletiva que ocorreu na Tanzânia. Inexplicavelmente, uma piada contada dentro de um colégio interno fez com que a população de diversas cidades na região de Tanganyika tivesse crises de riso incontroláveis.
O fato ocorreu no ano de 1962 e, por mais incrível que possa parecer, só terminou 18 meses depois de ter começado. Segundo pesquisadores, os alunos entraram em crises de riso após ouvir a piada, transmitindo a histeria para seus pais, que a transmitiram para moradores de áreas próximas.
As risadas causaram diversos sintomas derivados do próprio riso incontrolável, como dores, desmaios, problemas respiratórios, erupções cutâneas e até mesmo ataques de choro.

2. A Tragédia do Cine Oberdan

A história aconteceu em abril de 1938 em São Paulo e teve um final assustadoramente trágico, no entanto, começou de uma forma curiosa. Segundo relatos de presentes no local, um pânico tomou conta de uma das salas do Cine Oberdan por conta de um grito de fogo.
No entanto, nunca houve qualquer sinal de incêndio. Muitos atribuíram o ocorrido a certo momento do filme em que dois aviões se chocavam, o que teria motivado o grito de um espectador. Mesmo sem sinais de fumaça, a sala lotada de crianças foi invadida pela histeria coletiva, o que resultou em dezenas de pessoas pisoteadas e mais de 30 mortos.
Sapatos deixados pelo caminho na confusãoFonte da imagem: Reprodução/São Paulo Antiga
A versão oficial da policia é um pouco diferente, mas não muda a desproporção entre o fato e a reação do público. Segundo a conclusão dos investigadores, uma das crianças sentiu uma forte dor de barriga durante o filme e, após diversas tentativas desesperadas de encontrar o lanterninha, o menino resolveu ir sozinho ao banheiro.
Embora ele não tenha conseguido chegar ao destino a tempo, o jovem (que acabou fazendo suas necessidades no caminho) seguiu até o sanitário, onde as luzes estavam apagadas. Vendo uma pilha de jornais, ele resolveu fazer um tipo de tocha para visualizar o ambiente. A porta entreaberta permitiu que um espectador visse a luz da chama. Ele então teria gritado, o que gerou todo o pânico no local. O incêndio jamais existiu, mas as consequências da histeria aniquilaram famílias inteiras.

3. O rio de água doce

O Mahim Creek é um dos rios de água salgada mais poluídos da Índia. Ele recebe toneladas de esgoto e resíduos industriais todos os dias. No entanto, em 2006 a notícia de que sua água havia ficado doce e potável se espalhou, sem que haja qualquer explicação para o boato.
Mahim CreekFonte da imagem: Reprodução/Flickr Ian Gethings
Em poucas horas, mais rumores de que outros rios haviam se tornado potáveis na região começaram a surgir. Enquanto autoridades temiam surtos de doença e tentavam alertar as pessoas de que não deveriam beber a água, dezenas de moradores já haviam coletado água em garrafas plásticas.
No dia seguinte, aqueles que acreditavam no boato diziam que as águas haviam se tornado salgadas novamente. Não existem dados sobre os danos causados após o episódio.

4. A epidemia do inseto

Em 1962, uma misteriosa doença surgiu em uma fábrica de tecidos dos Estados Unidos. Após boatos de que insetos existentes no galpão transmitiriam um vírus extremamente resistente, dezenas de trabalhadores passaram a apresentar os sintomas da suposta doença, como náuseas, tonturas, vômitos e sonolência.
No entanto, nunca foi encontrada qualquer evidência de que estes insetos existiram realmente, nem mesmo mordidas nos corpos dos indivíduos infectados. Pesquisadores acreditam que a ansiedade e a tensão causadas pelos boatos foram responsáveis pelos sintomas.

5. A Guerra dos Mundos

Essa é possivelmente a história de histeria coletiva mais conhecida do mundo. Em 1938, uma adaptação de A Guerra dos Mundos foi transmitida pela rádio Columbia Broadcasting System, no entanto, não foi recebida da forma esperada.
Dirigido e narrado por Orson Welles, o episódio foi ao ar em meio à tensão dos momentos que antecediam a II Guerra Mundial. Alguns ouvintes não sabiam que a narração se tratava de uma leitura de peça de ficção e, ao ligarem o rádio no meio da transmissão, acreditaram que aquilo se tratava de um boletim de notícias.
Até o final da tarde, o que era apenas ficção havia se tornado realidade: milhares de pessoas tomaram as ruas de cidades como Nova York e Nova Jersey, em pânico com a suposta guerra que havia começado. A polícia levou horas para acabar com a confusão, que virou noticiário em todo o mundo.

6. O homem-macaco assassino

Em 2001, rumores começaram a circular por toda a Índia de que uma estranha criatura metade homem e metade macaco aparecia durante a noite atacando pessoas. Dezenas de relatos oculares inconsistentes começaram a surgir, mas mesmo sem qualquer comprovação de existência da criatura, a histeria tomou conta da região.
Fonte da imagem: Reprodução/Listverse
A polícia registrou três casos de pessoas que morreram e mais 15 que que machucaram gravemente ao saltar de janelas, acreditando terem visto a criatura em seus quartos durante a noite. nenhuma evidência foi encontrada.

7. Onze pessoas e o diabo

Em Paris, no ano de 2010, um caso de histeria coletiva completamente sem sentido chocou o mundo. Um homem, ao levantar-se nu no meio da noite para esquentar a mamadeira de seu filho, foi confundido pela própria esposa com o “Diabo”.
Ao vê-lo, ela começou a gritar por socorro, chamando o homem de diabo. A irmã dele, ouvindo os gritos feriu a mão do rapaz com uma faca. Outras 10 pessoas da família ajudaram as mulheres a expulsarem o homem do local. Inexplicavelmente, nenhum deles reconheceu o indivíduo para desfazer a confusão.
O rapaz então tentou voltar ao apartamento. Com isso, todos que moravam no local começaram a saltar da janela, tentando fugir do que eles acreditavam ser o demônio. Na confusão, várias delas se machucaram e um bebê de quatro meses morreu. A polícia não encontrou qualquer droga no local, nem mesmo evidências de cultos religiosos ou obscuros no apartamento.

8. O atentado terrorista que nunca existiu

Em Melburne, Austrália, uma funcionária do aeroporto internacional da região desmaiou na escada rolante. Sem qualquer motivo aparente, isso foi confundido por outros funcionarios com um ataque terrorista. O sistema de ar condicionado foi desligado para evitar que o suposto gás não se espalhasse pelo local.
A perícia jamais descobriu qualquer sequela de substâncias tóxicas no local, no entanto, mais de 50 pessoas foram levadas ao hospital apresentando sintomas semelhantes aos da funcionária que havia desmaiado – e que, na verdade, apenas teve um mal súbito.

9. O espírito cearense

Em 2010, uma escola no interior do Ceará teve suas aulas interrompidas após um caso de surto coletivo. Dezenas de alunos entre 12 e 19 anos diziam ver o espírito de um estudante que havia morrido.
Vários adolescentes entravam em um tipo de transe ao estar dentro da escola, o que fez com que um boato de que a instituição seria assombrada surgisse. Psicólogos, parapsicólogos e até mesmo um padre foram chamados para conversar com os alunos e explicar o que estava acontecendo.
Mesmo com a ajuda dos profissionais, os casos de desmaios e sintomas semelhantes a convulsões só aumentaram, o que fez com que a escola tivesse que ser fechada por um período. Após o intervalo, o caso aparentemente se resolveu.

10. A dança da morte

Em 1518, um caso de histeria de dança incontrolável surgiu em Estrasburgo, na França. Fao Troffea, uma moradora da região, começou a dançar na rua, aparentemente sem motivo e sem qualquer música tocando.
Fonte da imagem: Reprodução/ClipTank
Relatos dão conta de que seus passos fervorosos duraram entre quatro a seis dias, sem interrupção. Em uma semana, 34 pessoas já haviam se juntado à dançarina e em menos de um mês havia mais de 400 pessoas dançando frenéticamente nas ruas. A maioria dessas pessoas acabaram morrendo de exaustão ou por causas como ataques cardíacos e derrames.

MAIS VIGARICES - Presidente do BES Ricardo Salgado envolvido em offshore suspeita O presidente do BES terá recebido 8,5 milhões de euros de um empresário da construção em 2011, o que motivou a entrega de três rectificações do IRS de Ricardo Salgado no ano seguinte. O SOL avança que esse dinheiro foi transferido de uma offshore do construtor para outra, que alegadamente pertence ao banqueiro.

Presidente do BES Ricardo Salgado envolvido em offshore suspeita
O presidente do BES terá recebido 8,5 milhões de euros de um empresário da construção em 2011, o que motivou a entrega de três rectificações do IRS de Ricardo Salgado no ano seguinte. O SOL avança que esse dinheiro foi transferido de uma offshore do construtor para outra, que alegadamente pertence ao banqueiro.
Ricardo Salgado envolvido em offshore suspeita
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O construtor José Guilherme terá pagado a Ricardo Salgado 8,5 milhões de euros a título de honorários, por serviços de consultadoria e assessoria aos seus negócios em Angola, escreve o SOL, acrescentando que o banqueiro terá comprado de propósito uma offshore, com sede no Panamá, para ‘guardar’ o dinheiro.
Devido a estes rendimentos extraordinários, Salgado foi obrigado, entre 30 de Maio e Dezembro de 2012, a entregar três declarações de rectificação do IRS correspondentes ao ano anterior, sendo obrigado a pagar 4,5 milhões de euros de imposto.
O rasto das transferências do construtor José Guilherme para a offshore de Ricardo Salgado foi detectado na documentação apreendida à Akoya Asset Management, da qual o banqueiro, segundo o SOL, era um entre cerca de 400 dos seus clientes. Na época, em Dezembro, o presidente do BES foi confrontando com estas acusações, tendo sido chamado a depor no Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP).
O SOL tentou obter um comentário de Ricardo Salgado sobre as acusações, questionando mesmo se esse ‘pagamento’ de 8,5 milhões seria compatível com a sua actividade de banqueiro.
Em resposta, o porta-voz do presidente do BES esclareceu: “Conforme amplamente divulgado há mais de seis meses na comunicação social, a situação tributária, legal e profissional do Dr. Ricardo Salgado encontra-se regular e esclarecida”.

O homem que inventou Snowden e Manning está vivo — e livre Ele trabalhou para um órgão de defesa do governo americano. Ele vazou documentos de guerra ultrassecretos. Ele foi acusado de traidor. Ele foi perseguido e processado por dizer a verdade. Se você pensou em parar de ler esse post agora achando que não há novidade nenhuma pois estamos falando de Edward Snowden ou de Bradley Manning (ops, Chelsea, como ela quer ser chamada), espere mais um pouco. Esse cara não é nenhum deles. Ele fez tudo isso há mais de 40 anos.


O homem que inventou Snowden e Manning está vivo — e livre

Ele trabalhou para um órgão de defesa do governo americano.
Ele vazou documentos de guerra ultrassecretos.
Ele foi acusado de traidor.

Ele foi perseguido e processado por dizer a verdade.
Se você pensou em parar de ler esse post agora achando que não há novidade nenhuma pois estamos falando de Edward Snowden ou de Bradley Manning (ops, Chelsea, como ela quer ser chamada), espere mais um pouco. Esse cara não é nenhum deles.
Ele fez tudo isso há mais de 40 anos. Principal analista político de defesa do governo americano, Daniel Ellsberg foi um dos responsáveis pelo planejamento da expansão da guerra do Vietnã.
Para entender melhor a guerra, Ellsberg saiu de trás de sua mesa na RAND Corporation, uma organização de pesquisa e análise para as forças armadas financiada pelo governo americano, e foi até a linha de batalha empunhar uma metralhadora.
Foi ao Vietnã não como militar, e sim como civil.
Vestiu farda, tentou comandar ataques de infantaria em arrozais no delta no norte do país, mas acabou presenciando uma guerra inútil que matou mais de 50 mil americanos e mais de 2 milhões de vietnamitas (um genocídio de pelo menos 1 milhão de civis). Viu a farsa, voltou e decidiu não trabalhar mais para um governo que omitia informações, manipulava o público e mentia para o país.
Daniel Ellsberg foi julgado pelo ato de espionagem por entregar ao NY Times, em 1971, o que depois ficou conhecido como os Pentagons Papers: milhares de páginas com informações confidenciais sobre a guerra do Vietnã. O jornal relutou temendo o tribunal mas não deixou de publicar.
Apesar de todo o esforço de Nixon em desqualificá-lo (ou até por conta do esforço desmesurado do presidente em tentar censurar a imprensa), Ellsberg foi absolvido.
Para Nixon foi o início de seu fim. Para Ellsberg e seu país, a vitória da liberdade de expressão.
No documentário O Homem Mais Perigoso da América, disponível no Youtube com legendas em português, o próprio Ellsberg narra essa história. O nome do filme vem de um depoimento do poderoso conselheiro de Nixon, Henry Kissinger, que chamou Ellsberg de “o homem mais perigoso da América” e disse que ele “tinha que ser parado a qualquer preço”.
Em um formato clássico de documentários históricos podemos assistir à entrevistas com os principais personagens do episódio: autores dos Pentagons Papers, funcionários do governo, veteranos do Vietnã, ativistas anti-guerra e jornalistas que cobriram o fato. Além de gravações de conversas telefônicas entre Nixon e seus assessores, imagens da guerra e diversas outras cenas de arquivo.
Numa delas, após seu julgamento, um repórter pergunta à Ellsberg se ele havia se preocupado com a possibilidade de ir para a prisão pelo que tinha feito.
Ele responde com um tiro certeiro: “Você não iria para a prisão para tentar acabar com essa guerra?”
Ellsberg é um herói. Aos 83 anos ele afirma em uma matéria no jornal britânico The Guardian que o vazamento de informações da National Security Agency feito por Snowden é mais importante na história americana do que os Pentagons Papers.
Só que por enquanto as coisas são diferentes. Snowden é fugitivo, Manning é condenado e quem espiona é o Obama. Quem será o homem mais perigoso da América?

Militância viva