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domingo, 8 de setembro de 2013

Pois,Poiares Maduro,afirmou "Controlo da RTP vai ficar nas mãos de entidade independente". É notorio o "caga Povo" , primeiro a troica e os mercados.Interesses "independentes"Angolanos?Chineses?.Independentes de quem?É necessário privatizar.Destruição do Estado, reduzi-lo a simples gestor das policias (pois claro) forças armadas e justiça.


Reduzir os custos do trabalho para niveis de mera sobrevivência alimentar. E privatizar a favor de quem?
A teoria do monetarismo tem um alcance muito mais vasto do que o que se pensa. A finalidade é provocar a inflação incontrolável endividando os países para depois os credores exigirem o retorno do capital num curtissimo espaço de tempo (impossível de cumprir) não obstante terem já arrecadado fabulosos dividends pelos juros inflacionados impostos por eles próprios. A impossibilidade de cumprir os prazos absurdos de dois anos aquilo que foi contraido em trinta, leva a que os agiotas imponham um acordo em que abdicam da sua soberania e aceitem a entrega de todo o patrimonio do Estado (privatizações) ao capital globalista, que são eles próprios.A Europa está infestada, de máfias criminosas ,que cobram milhares de milhões para nos escravizar.
Joe Wolf

oi você quem pediu uma guerra? Autor: Rui Mota Barack Obama, certamente o mais prematuro Nobel da história da Academia Sueca, prepara-se para um ataque punitivo e cirúrgico à Síria, como retaliação pelas vítimas das armas químicas,

Foi você quem pediu uma guerra?

Barack Obama, certamente o mais prematuro Nobel da história da Academia Sueca, prepara-se para um ataque punitivo e cirúrgico à Síria, como retaliação pelas vítimas das armas químicas, causadoras de milhares de mortos entre a população civil. Não sabemos se as armas, proibidas pelas convenções internacionais, terão sido usadas pelo regime de Assad ou pelos rebeldes que o combatem, uma vez que os peritos da ONU, enviados para o terreno, ainda não divulgaram as conclusões da investigação em curso.
Também não parece haver grande apoio da parte da população americana, que é maioritariamente contra e, muito menos da Europa, que continua dividida sobre esta questão. O governo inglês, tradicionalmente o maior aliado das aventuras americanas no Médio-Oriente, viu a sua proposta ser chumbada pelo parlamento daquele país e, na Alemanha,  Merkel, certamente mais preocupada com as eleições, adiou a decisão para quando houver um mandato claro das Nações Unidas. Só Hollande parece, neste momento, apoiar inequivocamente Obama, mas também tem a população francesa contra.
Na recente cimeira do G20 em S. Petersburgo, o presidente americano tentou mais um “tour de force” junto de Putin, mas a Rússia, tradicional aliada da Síria, não lhe fez a vontade e pediu provas inequívocas sobre o uso das armas pelo governo de Assad, coisa que os EUA não têm...Vem agora a Sra. Ashford, uma espécie de ministra dos negócios-estrangeiros da UE, declarar que há um acordo de princípio assinado por 11 países europeus, no sentido de  apoiar a decisão de Obama em bombardear a Síria.
Entretanto, em Washington, o Nobel da Paz não desiste da sua ideia pacificadora e reiterou a vontade de ir para a guerra, mesmo que de forma unilateral, agora apoiado numa decisão positiva (que carece de ser rectificada) do Congresso.
Ou seja: queira a ONU ou não, queiram os principais aliados dos EUA ou não, queiram a maioria dos países da UE ou não, queiram as próprias populações da região ou não, nada parece demover o governo americano de levar por diante esta ideia fixa: punir o governo sírio  de forma exemplar. Não será uma guerra convencional, no sentido em que não haverá soldados americanos no terreno, mas haverá bombardeamentos cirúrgicos durante um tempo limitado, que pode ir de 2 a 3 meses. Acho sempre fantásticas estas previsões dos altos militares do Pentágono, que sabem como as guerras devem começar, mas nunca pensaram como estas podem acabar. Logo se verá, deve ser o espírito da coisa...
Pensava que os americanos tinham aprendido algo com as recentes fiascos no Iraque e no Afeganistão, mas, pelos vistos, “the smell of napalm in the morning” é mais forte do que a realidade. Como dizia alguém por estes dias, em Damasco, “o presidente Obama subiu a uma árvore e não sabe como descer dela”. É uma boa imagem.
De lamentar apenas que estas almas, sempre tão caridosas e pacíficas, não se tenham lembrado das armas químicas que foram usadas pelos mais diferentes regimes, a começar pelos americanos no Vietnam, por Sadam Hussein (então apoiado pelos EUA) na guerra contra o Irão ou, mais recentemente, na faixa de Gaza, por Israel, num ataque com bombas de fósforo. Onde estava o Nobel da Paz, nessas ocasiões? 

A FACE OCULTA DA TERRA

Passos Coelho – Ah... um dia o escroque põe-se a jeito... Começo por pedir desculpas pela forma já recorrente de utilizar esta imagem (ainda por cima montada por mim) de um Passos com “ar” de personagem do “estado novo” e com o jornal da “mocidade portuguesa” em fundo... mas depois de dar algumas voltas ao arquivo... acabo por não encontrar nada que lhe assente melhor.


Passos Coelho – Ah... um dia o escroque põe-se a jeito...


Começo por pedir desculpas pela forma já recorrente de utilizar esta imagem (ainda por cima montada por mim) de um Passos com “ar” de personagem do “estado novo” e com o jornal da “mocidade portuguesa” em fundo... mas depois de dar algumas voltas ao arquivo... acabo por não encontrar nada que lhe assente melhor. Passemos ao assunto:
Se Passos Coelho fosse detentor de uma inteligência e competência acima da triste mediocridade... a sua vida profissional, antes de chegar à “presidência do conselho de ministros”, não se teria limitado a uns empregos de favor, oferecidos na totalidade por um padrinho político (que parece, aliás, já estar arrependido do apadrinhamento).
Ainda assim... não sou dos que pensam que ele é estúpido. Logo, só uma arrogância sem limites pode explicar que o canalha, não tendo aprendido nada com o episódio em que chamou “piegas” aos portugueses, reincida agora, classificando os protestos contra a sua política criminosa... como lamúrias.
acção sem vergonha deste bando que, entre nós e disfarçado de governo, cuida dos negócios dos banqueiros e especuladores organizados em “troika”, está a conseguir fazer aumentar a minha falta de paciência e radicalismo a um ritmo muitíssimo maior do que aquele que a idade, de forma natural, se encarregaria de ir justificando e desculpando.
Assim, não é de estranhar que eu, por vezes, deseje tanto a oportunidade de ouvir as lamúrias que Passos Coelho soltaria, se fosse rodeado por alguns familiares de idosos, ou doentes assassinados pela falta de assistência médica atempada, ou pela falta de meios para comprar medicamentos... ajudados por uns tantos desempregados cujo desemprego tivesse sido provocado pela política de propositado empobrecimento e destruição da economia do país... a que se juntaria um ou outro pai (ou mãe) de um jovem obrigado a emigrar... e que, em conjunto e em “homenagem” à austeridade “para lá do que atroika exigia” e de que Passos Coelho tanto gosta de se gabar, lhe partissem metodicamente os dentes, lhe reorganizassem reiteradamente a geografia do focinho... juntando-lhe a reinvenção da forma de uma ou duas costelas!!!
Normalmente, este desejo violento acaba por passar... e eu volto a ser uma pessoa quase normal. Quase um bom cristão... não fosse o inultrapassável “handicap” que representa o facto de eu não ser nem bom... nem cristão.

Capitalistas servem-se dos trabalhadores para acumularem lucros que, de imediato, remetem para o exterior, não investindo em Portugal.

Capitalistas servem-se dos trabalhadores para acumularem lucros que, de imediato, remetem para o exterior, não investindo em Portugal.



As melhorias na balança de serviços - que refletem as mudanças no perfil 
produtivo do país - bem 
como o maior fluxo de fundos comunitários entrados, tudo se escoa, na realidade, 
para o exterior, como rendimentos do capital; os capitalistas servem-se dos 
trabalhadores para acumularem lucros que, de imediato, remetem para o exterior, 
não investindo em Portugal. O capitalismo como drama é sempre maior nos países
 periféricos e subalternos onde a democracia se vai também ausentando.

Sumário
Conclusões e síntese
A – As necessidades ou capacidades de financiamento externo
B – Os saldos mais globais da balança de pagamentos
B. 1 – Balança corrente
B.1.1 – Balança de mercadorias
B.1.2 – Balança de serviços
B.1.2.1 – Transportes
B.1.2.2 – Viagens e turismo
B.1.2.3 – Outros segmentos
B.1.3 – Balança de rendimentos
B.1.4 – Balança de transferências
B.2 – Balança de capitais

Conclusões e síntese
A balança de pagamentos de um país sintetiza as necessidades de meios financeiros
 para pagar a entidades estrangeiras ou, o contrário, a receber destas, por conta de 
uma grande variedade de transações de mercadorias, serviços, rendimentos ou capitais. 
Estruturalmemte, a balança portuguesa exibe necessidades de financiamento; porém, 
muito recentemente, as obrigações assumidas perante a troika geraram pequenos 
saldos positivos. Nada há de sustentável;
Essa situação financeira recente tem pouco de virtuoso pois resulta do empobrecimento 
de grande parte da população, de falências e desemprego, de quebras nos rendimentos 
e nos direitos, no acentuar das desigualdades, sem que se veja qualquer impacto positivo 
resultante do reforço da riqueza ao dispor dos capitalistas;
A balança corrente e o seu principal componente - o saldo de mercadorias - determinam 
o sentido e o volume da relação portuguesa com o exterior. Observa-se um crescimento 
paralelo, ainda que de sinais contrários,  entre a balança de rendimentos (deficitária) e 
a de serviços (superavitária). Finalmente, as transferências, apresentam em todo o 
período um saldo positivo sem grandes variações;
A travagem observada nas importações desde 2010, acompanhada do crescimento 
das exportações, reduz substancialmente a relevância do tradicional deficit da balança 
de mercadorias. Sem reais mudanças estruturais no aparelho produtivo, na textura social 
e na distribuição do rendimento, qualquer incremento do investimento ou do poder de 
compra irá repor um promover um retorno do deficit aos níveis históricos;
Na sua globalidade e heterogeneidade a balança de serviços é superavitária e o seu 
saldo cresceu oito vezes desde 1996, correspondendo a 5.3% do PIB, como resultado 
do crescimento das receitas e da relativa estagnação das despesas;
No que concerne à balança de transportes o saldo torna-se favorável a partir de 2006 
devido ao contributo do transporte aéreo e, de modo mais modesto, o rodoviário.
O saldo da balança de turismo e viagens é amplamente favorável sobretudo devido à 
evolução das receitas, uma vez que as despesas se têm basicamente estagnadas;
No conjunto dos restantes segmentos integrados na balança de serviços, destacam-se 
os saldos favoráveis das várias áreas de consultadoria  e os serviços de construção. 
Em sentido inverso, com deficits sublinham-se os direitos de utilização, os seguros e 
os serviços financeiros;
O saldo desfavorável da balança de rendimentos é muito pesado e típico de um país 
periférico. Para esse resultado contribui decisivamente a saída de rendimentos 
associados ao investimento estrangeiro em Portugal;
No contexto da balança de transferências há a sublinhar a perda de importância relativa 
das remessas dos emigrantes e a irregularidade dos saldos favoráveis face à UE que
 atinge em 2012 o máximo em todo o período analisado;
A balança de capitais apresenta um saldo favorável para o qual contribuem 
fundamentalmente as transferências procedentes da UE.
Síntese da situação da balança de pagamentos em 1996 e 2012 
(para ter acesso a gráficos e outros dados de apoio, visite o site original ).

A – As necessidades ou capacidades de financiamento externo
Qualquer país tem relações económicas com o exterior. Essas relações concretizam-se 
em trocas de bens, prestações de serviços, transferências de capitais, de rendimentos 
ou correspondem a contrapartidas pela concessão de direitos comerciais


ARTIGO COMPLETO: http://apodrecetuga.blogspot.com/2013/09/capitalistas-servem-se-dos.html#ixzz2eIuWL0E9

Onde está o tão propagado crescimento económico feito por Passos Coelho? Maria Luís Albuquerque Os alarmes soaram esta semana quando as taxas de rendibilidade (yields) da dívida portuguesa a 10 anos voltaram a superar a barreira dos 7%. Além do simbolismo, por ter sido a fasquia fixada pelo ex-ministro Teixeira dos Santos para fazer o pedido de resgate, os juros estão ao nível mais elevado desde o início de julho,

Onde está o tão propagado crescimento económico feito por Passos Coelho?

Maria Luís Albuquerque

Os alarmes soaram esta semana quando as taxas de rendibilidade (yields) da dívida portuguesa a 10 anos voltaram a superar a barreira dos 7%. Além do simbolismo, por ter sido a fasquia fixada pelo ex-ministro Teixeira dos Santos para fazer o pedido de resgate, os juros estão ao nível mais elevado desde o início de julho, mês marcado pela instabilidade política após a demissão de Vítor Gaspar e do sai-não-sai de Paulo Portas. Nessa altura, as yields tocaram nos 7,5%. A contínua escalada da desconfiança e a saída de investidores destes títulos irão não só alargar mais o diferencial face aos juros da Irlanda mas também ameaça Portugal de não conseguir manter as pisadas do tigre celta no regresso aos mercados de dívida.


“Os juros das dívidas soberanas têm vindo a subir desde que, no início do verão, se começou a encarar a possibilidade do fim das medidas de estímulo dos bancos centrais, em especial nos EUA”, afirmou Filipe Silva ao Dinheiro Vivo. O diretor da gestão de ativos do Banco Carregosa explicou que “o fim dessas ajudas aumenta o risco para a dívida pública, logo faz subir as taxas”.
No caso de Portugal o agravamento das yields tem sido mais acentuado nos últimos dias. Ontem, a taxa a 10 anos voltou a subir pela quarta sessão consecutiva, para os 7,1%. No caso da Irlanda, e para o mesmo prazo, o valor era de 4%. Se fossem necessários mais sinais da crescente desconfiança relativamente à capacidade de Portugal reembolsar a dívida, bastaria olhar para os prazos mais curtos. A dois anos, os juros da dívida estavam ontem nos 5,47%, o que significa que os investidores exigem juros quase tão elevados na dívida de prazos curtos como na de prazos longos. Mas a subida das yields não se cinge apenas a Portugal. As taxas dos restantes países periféricos também têm vindo a subir e nem a maior economia europeia escapou, com as bunds alemãs a 10 anos a superarem os 2% pela primeira vez em ano e meio.
À expectativa de retirada de estímulos monetários por parte da Reserva Federal (Fed) - além da desconfiança sobre Portugal - junta-se um outro factor de pressão: a liquidação de posições em obrigações devido à forte queda dos preços nos últimos tempos. Os recentes indicadores económicos, que apontam para a retoma, estão a levar os investidores a transferir capitais destes ativos para outros, como as ações.
“Tudo indica que os investidores estão, para já, a canalizar os seus investimentos para fundos de tesouraria. Muito destes recursos vêm do desfazer de investimentos nos mercados emergentes”, sublinhou João Zorro ao Dinheiro Vivo. No entanto, o diretor de investimentos da ESAF salienta que “o investimento em obrigações manter-se-á ativo, pois o grosso dos investidores procura investimentos com retornos mais previsíveis e a subida das taxas de juro irão certamente atrair bastante atenção logo que a volatilidade neste mercado diminua”.
Os analistas não antecipam, no curto prazo, uma queda dos juros. A confirmar-se, o impacto do agravamento poderá manifestar-se nas próximas emissões de Portugal, com destaque para o leilão de longo prazo que o país vai tentar realizar depois do Orçamento do Estado para 2014. Apesar de querer provar que consegue ir sozinho, mesmo que para isso tenha de pagar preços elevados, o regresso de Portugal aos mercados está sob ameaça. “Não faz sentido emitir a custos proibitivos, como estão neste momento as yields das obrigações portuguesas”, concluiu João Zorro.



Entre Dezembro de 2011 e Junho de 2013, os gabinetes dos membros do Governo passaram de um total de 951 pessoas para 996: um aumento de 4,7% a que corresponde mais 45 elementos nomeados na equipa do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho.
Segundo dados da Direção-Geral da Administração e do Emprego Público (DGAEP), entre Junho e Março deste ano, o Executivo ficou com mais 9 elementos, de 987 para 996 elementos.
Este balanço foi feito antes da última remodelação governamental — em Julho —, que aumentou a equipa do primeiro-ministro de 12 para 15 ministérios.
De realçar que o site oficial do Governo ainda não disponibilizou qualquer nomeação da ministra de Estado e das Finanças, Maria Luís Albuquerque, e do ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete.
No momento em que os funcionários públicos já começaram a receber cartas para rescindir o vínculo de forma amigável, o DGAEP revela que a administração pública central perdeu mais de 30 mil pessoas entre Dezembro de 2011 e Junho de 2013: de 458.353 para 428.187.
No primeiro semestre de 2013, aposentaram-se 4.484 funcionários da administração central pública e 9.877 pessoas engrossaram as fileiras da mobilidade. Isto numa altura em que já foi enviado para o Tribunal Constitucional o decreto de requalificação que abre a porta a despedimentos na Função Pública.

Abaciente
João Couto

O recurso dos vencidos Pela sua extrema actualidade e oportunidade reproduzo a seguir o texto de Jorge Cordeiro, membro da Comissão Política do PCP, divulgado no Publico on-line, no seguimento da decisão ontem conhecida do Tribunal Constitucional sobre a limitação dos mandatos autárquicos.

O recurso dos vencidos

Pela sua extrema actualidade e oportunidade reproduzo a seguir o texto de Jorge Cordeiro, membro da Comissão Política do PCP, divulgado no Publico on-line, no seguimento da decisão ontem conhecida do Tribunal Constitucional sobre a limitação dos mandatos autárquicos.
" Seja qual for a posição que cada um assuma perante o princípio da limitação de mandatos – e a do PCP é de há muito conhecida pelas razões e fundamentos que nos dispensamos de reapresentar – já tem outro significado, bem mais grave e inquietante, pretender que essa limitação ultrapasse as fronteiras de um impedimento a uma recandidatura numa determinada autarquia para ganhar a dimensão de expropriação do direito político de um qualquer cidadão se poder candidatar.
1. Merece contestação e repúdio, embora não se estranhe, que organizações fascizantes e de extrema-direita como a da Revolução Branca inconformada com o regime democrático, as liberdades e direitos fundamentais se assuma enquanto aríete da cruzada antidemocrática que a propósito da limitação de mandatos se empreendeu no país. Mais perplexidade causa ter visto o Bloco de Esquerda, não só acompanhar e animar essa campanha, como tomar nas suas mãos esse papel na fase do processo eleitoral.  
E por antecipação às vozes indignadas que venham a surgir acusando-nos de estar a comparar o incomparável em termos de doutrina e objectivos das organizações acima citadas, aqui se esclarece que não estamos. Apenas e tão só a constatar o que objectivamente não pode ser negado: o facto de que à vez, primeiro aquela agremiação por via de providências cautelares que, embora inúteis e sem sustentação jurídico-constitucional, algumas surpreendentes decisões judiciais animaram politicamente, e depois o Bloco de Esquerda por via de uma insensata fúria impugnadora (com a hipócrita companhia do PS, diga-se),  deram corpo à operação a que acabámos de assistir.  
E se a decisão agora conhecida do Tribunal Constitucional, esperada e óbvia, pôs termo a este processo bem se pode dizer que quem as animou contribuiu, e não pouco, para alimentar o populismo mais doentio e a demagogia mais rasteira, e para minar a credibilidade da política e dos direitos democráticos.  
Merece anotação que tudo o que o BE tenha para apresentar ao país nestas eleições autárquicas se confine à perseguição de candidaturas. Como não deixará de ser objecto de registo por todos os que vêem nestas eleições mais do que a pequenez dessa dimensão, que este tenha feito desta decisão o elemento central das conclusões da sua convenção autárquica e o eixo essencial da sua campanha eleitoral.
Um “projecto” autárquico que se esgota no anúncio de impedimento de elegibilidade de outros poderá ter como objectivo procurar ganhar na secretaria o que no terreno do debate eleitoral não obtém vencimento, mas será sem dúvida curto demais para o que está em discussão e decisão em eleições locais. O caminho da limitação de direitos fundamentais, e mais ainda da sua liquidação, é um caminho perigoso que todos quantos se identificam com o regime democrático deveriam conhecer e prevenir pela simples razão de que hoje são estes os invocados para serem cerceados e amanhã serão outros mais profundos e não menos inquietantes. Que forças e organizações fascizantes o queiram percorrer pelas razões que se antevêem percebe-se, embora se repudie. Que outros sem esse posicionamento e objectivos os acompanhem na ilusória ânsia de uns quantos votos fáceis é bem mais grave.
2. Dir-se-á com verdade que esta azáfama impugnadora poderá ficar para a história conhecida como a do recurso dos vencidos. Assim é. Deitando mão ao recurso julgado mais útil – o dos recursos judiciais de impugnação – o BE expôs à evidência um conjunto de concepções, posicionamentos e argumentos reveladores da inconsistência política que o caracteriza. 
No arsenal de argumentos e pretextos sempre apresentados como os mais moralizadores e válidos, o BE não olhou a meios e bem menos ao rigor. Para o Bloco princípios constitucionais como o direito fundamental de acesso a cargos públicos em condições de igualdade e liberdade, o princípio da elegibilidade enquanto regra e o da inelegibilidade como excepção, o juízo da proporcionalidade entre o direito fundamental em causa e os interesses com ele concorrentes, são chão que deu uvas. 
Umas quantas, datadas e descontextualizadas citações de Rousseau no século XIX são bastantes para, transformando o iluminismo deste com o obscurantismo teórico de quem o invoca, fazer tábua rasa do comando constitucional sobre direitos e garantias políticas fundamentais; a inflamada invocação da proposta do Governo de Cavaco Silva de 1991 sobre a limitação de mandatos, com recurso à citação do então ministro Valente de Oliveira no debate parlamentar de então, chega para atestar o conceito de moralização de vida política que o BE parece partilhar; a deliberada mistificação sobre o chamado princípio da renovação de mandatos, insinuando em sua contraposição um quadro de perpetuação de poder, para iludir que essa renovação está sempre garantida pelo voto soberano das populações; o trocadilho sobre o alcance de  uma preposição e a sua contracção com um artigo definido (sobre a dimensão jurídica do de e do da) para “na dúvida” optar pela restrição em detrimento do direito. Ao que se deve juntar a intolerável e insultuosa tentativa de transformar cada um dos milhares de eleitos locais em potenciais réplicas de Alberto João Jardim.
No vale tudo argumentativo, o Bloco recorreu sempre pelo lado dos vencidos: assumiu objectivamente o que de mais reaccionário a Revolução Branca propagandeou e promoveu, até esta ser desautorizada e vencida, quer por acórdão do Tribunal Constitucional sobre as providências cautelares, quer pela ilegitimidade superveniente para lhe dar seguimento no processo eleitoral; citou abundante e copiosamente em seu favor o voto vencido do presidente da Comissão Nacional de Eleições ignorando a deliberação largamente maioritária adoptada pela entidade sobre a matéria; invocou entusiasticamente em seu socorro o processo legislativo de 1991 sobre a limitação de mandatos fingindo desconhecer que a lei então aprovada foi declarada inconstitucional por acórdão do Tribunal Constitucional; sustentou repetida e falsamente a tese da inelegibilidade (absoluta e inibidora de direitos políticos apenas permitida em circunstâncias especial e obrigatoriamente previstas na Lei) em contraponto à da limitação que em concreto se encontra em vigor, escamoteando o facto de tendo o BE apresentado em 2005 um projecto-lei que explicitamente visava aquele objectivo esse diploma ter sido rejeitado pela esmagadora maioria do parlamento. 
3. Não deixa de ser significativo que alguns dos que fazem desta questão o centro de tudo e que associam o número de mandatos a alegados vícios do sistema político e as teias de interesses económicos percam, porque o não têm ou ignoram, o sentido de classe que por detrás destes fenómenos se escondem e em muito os ultrapassam.
O que determina aquelas situações é a natureza de classe e os interesses económicos que lhe estão associados independentemente do papel dos indivíduos. É uma pura ilusão admitir que a teia de interesses e dependências políticas, económicas e sociais não sobreviverá pela mão dos partidos que lhes dão expressão apenas pela mera mudança do eleito dessa mesma força política. Bastaria olhar para as remodelações governamentais para se perceber que vão as pessoas mas as políticas ficam. Só por imaturidade política se pode privilegiar a natureza pessoal no exercício dos cargos, ignorando a própria seriedade de cada um, para ocultar os interesses que estão presentes para lá dos indivíduos em si considerados. Alguns dos que fingem compromisso com a isenção ou transparência fazem-no para esconder agendas obscuras, ambições de poder, projectos de amputação e cerceamento democrático. 
E só por imprevidência política se pode prosseguir um caminho de criminalização da política e dos políticos, explorando profusamente concepções populistas e alimentando suspeições sobre o exercício de cargos públicos na base da generalização de práticas  e comportamentos. A campanha a que se assistiu deixou marcas bem mais profundas na democracia, é preciso que todos tenham disso consciência, do que aquelas que os que viram na coisa um filão rico de apoio eleitoral imaginam.
O recurso a expedientes, o exercício de surfar a onda da demagogia e do populismo, a busca de apoio fácil à corrente das ideias dominantes, mesmo que com a expectativa de algum proveito de curto prazo, acabará por ser paga com preço elevado. Seja o recurso à limitação de direitos seja a de animar e promover listas de cidadãos - quer por falta de apoio e projecto próprio, pretendida dissimulação ou porque é moda ser contra os partidos, a política e os políticos em abstracto - em contraponto às dos partidos, identificando nuns um paraíso de costumes e noutros um inferno de pecados.   " 
Jorge Cordeiro é membro da Comissão Política do PCP


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