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domingo, 23 de junho de 2013

Mercedes Maybach para poucos.




Este carro é um Mercedes Maybach. O teto muda de opaco para transparente dependendo da preferência dos passageiros.
AGORA, PARE DE SONHAR E VOLTE PARA O TRABALHO! 
(SEJA FELIZ COM O QUE TEM!)
BESTEIRAS DA NET

O HOMEM E A AVESTRUZ

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A Fábula do Porco-Espinho
.
Durante a era glacial, muitos animais
morriam por causa do frio.
Os porcos-espinhos, percebendo a situação,
resolveram se juntar em grupos, assim se agasalhavam
e se protegiam mutuamente; mas, os espinhos de cada
um feriam os companheiros mais próximos,
justamente os que ofereciam maior calor.
Por isso decidiram afastar-se uns dos outros
e voltaram a morrer congelados.

Então precisavam fazer uma escolha:
ou desapareceriam da Terra ou aceitavam
os espinhos dos companheiros.
Com sabedoria, decidiram voltar a ficar juntos.
Aprenderam assim a conviver
com as pequenas feridas que a relação
com uma pessoa muito próxima podia causar,
já que o mais importante era o calor do outro.
E assim sobreviveram!
Moral da História:

O melhor relacionamento não é aquele
que une
pessoas perfeitas, mas aquele
onde cada um aprende
a conviver com os defeitos do outro
e consegue admirar suas qualidades.
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PRÉDIO EM FORMA DE PIANO E VIOLINO É ATRACÇÃO NA CHINA



Entrada é feita pelo violino transparente.
Edifício tem espaço de exposição de projectos e sala de concertos. 

O Urban Planning Exhibition Hall, prédio em forma de piano e violino na China (Foto: Zhang Anhao/Imaginechina)O Urban Planning Exhibition Hall (Foto: Zhang Anhao/Imaginechina/AFP)
Um prédio na cidade de Huainan, na China, chama a atenção de músicos e arquitetos do mundo todo e se tornou cenário para fotos de muitos turistas que vão ao local.
Em forma de piano e violino, o Urban Planning Exhibition Hall foi construído em 2007 por estudantes de arquitetura da Universidade de Hefey, junto com uma empresa de design e decoração.
Transparente, o violino abriga a entrada e as escadas que levam ao prédio em formato de piano.
O local serve como um espaço de exposição para projetos de construções modernas e criativas para a região. O edifício também tem duas sala de concertos e é usado por estudantes de música de uma escola local.
Criança posa em frente à parte de trás do Urban Planning Exhibition Hall, prédio em forma de piano e violino na China (Foto: STR/AFP)Criança posa para foto na parte de trás do edifício (Foto: STR/AFP)
O Urban Planning Exhibition Hall, prédio em forma de piano e violino na China (Foto: STR/AFP)O edifício visto mais de perto (Foto: STR/AFP
)
O sonho de Pedro Passos Coelho
José Vítor Malheiros (in Público de 2013/5/3)

«"Um terço é para morrer. Não é que tenhamos gosto em matá-los, mas a verdade é que não há alternativa. se não damos cabo deles, acabam por nos arrastar com eles para o fundo. E de facto não os vamos matar-matar, aquilo que se chama matar, como faziam os nazis. Se quiséssemos matá-los mesmo era por aí um clamor que Deus me livre. Há gente muito piegas, que não percebe que as decisões duras são para tomar, custe o que custar e que, se nos livrarmos de um terço, os outros vão ficar melhor. É por isso que nós não os vamos matar. Eles é que vão morrendo. Basta que a mortalidade aumente um bocadinho mais que nos outros grupos. E as estatísticas já mostram isso. O Mota Soares está a fazer bem o seu trabalho. Sempre com aquela cara de anjo, sem nunca se desmanchar. Não são os tipos da saúde pública que costumam dizer que a pobreza é a coisa que mais mal faz à saúde? Eles lá sabem. Por isso, joga tudo a nosso favor. A tendência já mostra isso e o que é importante é a tendência. Como eles adoecem mais, é só ir dificultando cada vez mais o acesso aos tratamentos. A natureza faz o resto. O Paulo Macedo também faz o que pode. Não é genocídio, é estatística. Um dia lá chegaremos, o que é importante é que estamos no caminho certo. Não há dinheiro para tratar toda a gente e é preciso fazer escolhas. E as escolhas implicam sempre sacrifícios. Só podemos salvar alguns e devemos salvar aqueles que são mais úteis à sociedade, os que geram riqueza. Não pode haver uns tipos que só têm direitos e não contribuem com nada, que não têm deveres.


Estas tretas da democracia e da educação e da saúde para todos foram inventadas quando a sociedade precisava de milhões e milhões de pobres para espalhar estrume e coisas assim. Agora já não precisamos e há cretinos que ainda não perceberam que, para nós vivermos bem, é preciso podar estes sub-humanos.


Que há um terço que tem de ir à vida não tem dúvida nenhuma. Tem é de ser o terço certo, os que gastam os nossos recursos todos e que não contribuem. Tem de haver equidade. Se gastam e não contribuem, tenho muita pena... os recursos são escassos. Ainda no outro dia os jornais diziam que estamos com um milhão de analfabetos. O que é que os analfabetos podem contribuir para a sociedade do conhecimento? Só vão engrossar a massa dos parasitas, a viver à conta. Portanto, são: os analfabetos, os desempregados de longa duração, os doentes crónicos, os pensionistas pobres (não vamos meter os velhos todos porque nós não somos animais e temos os nossos pais e os nossos avós), os sem-abrigo, os pedintes e os ciganos, claro. E os deficientes. Não são todos. Mas se não tiverem uma família que possa suportar o custo da assistência não se pode atirar esse fardo para cima da sociedade. Não era justo. E temos de promover a justiça social.

O outro terço temos de os pôr com dono. É chato ainda precisarmos de alguns operários e assim, mas esta pouca-vergonha de pensarem que mandam no país só porque votam tem de acabar. Para começar, o país não é competitivo com as pessoas a viverem todas decentemente. Não digo voltar à escravatura - é outro papão de que não se pode falar -, mas a verdade é que as sociedades evoluíram muito graças à escravatura. Libertam-se recursos para fazer investimentos e inovação para garantir o progresso e permite-se o ócio das classes abastadas, que também precisam. A chatice de não podermos eliminar os operários como aos sub-humanos é que precisamos destes gajos para fazerem algumas coisas chatas e, para mais (por enquanto), votam - ainda que a maioria deles ou não vote ou vote em nós. O que é preciso é acabar com esses direitos garantidos que fazem com que eles trabalhem o mínimo e vivam à sombra da bananeira. Eles têm de ser aquilo que os comunistas dizem que eles são: proletários. Acabar com os direitos laborais, a estabilidade do emprego, reduzir-lhes o nível de vida de maneira que percebam quem manda. Estes têm de andar sempre borrados de medo: medo de ficar sem trabalho e passar a ser sub-humanos, de morrer de fome no meio da rua. E enchê-los de futebol e telenovelas e reality shows para os anestesiar e para pensarem que os filhos deles vão ser estrelas de hip-hop e assim.

O outro terço são profissionais e técnicos, que produzem serviços essenciais, médicos e engenheiros, mas estes estão no papo. Já os convencemos de que combater a desigualdade não é sustentável (tenho de mandar uma caixa de charutos ao Lobo Xavier), que para eles poderem viver com conforto não há outra alternativa que não seja liquidar os ciganos e os desempregados e acabar com o RSI e que para pagar a saúde deles não podemos pagar a saúde dos pobres.


Com um terço da população exterminada, um terço anestesiado e um terço comprado, o país pode voltar a ser estável e viável. A verdade é que a pegada ecológica da sociedade actual não é sustentável. E se não fosse assim não poderíamos garantir o nível de luxo crescente da classe dirigente, onde eu espero estar um dia. Não vou ficar em Massamá a vida toda. O Ângelo diz que, se continuarmos a portar-nos bem, um dia nós também vamos poder pertencer à elite."»

Da guerra civil entre os pobres

Nos locais de trabalho, começa-se a disputar a atenção do patrão porque a sobrevivência pode depender de não ser despedido
Texto de João Teixeira Lopes 

Os tempos não vão de feição. Não falo apenas da violência ideológica que impregna o purismo monetarista e a destruição de todas as formas de contrato social, que rouba o chão às pessoas, expropriando-as de qualquer possibilidade de mapear o futuro.


Falo também da tristeza, do ensimesmamento, do recuo para o silêncio da casa, do resmungo entre dentes, da difusa sensação de culpa (andamos a viver acima das possibilidades…), da omnipresente chantagem e acima de tudo do medo.

Falo ainda dessa terrível guerra civil que se vem travando entre os mais pobres e que os governantes, às várias escalas (nacional, europeia, global), vêm promovendo com êxito.

Um sociólogo, José Madureira Pinto, chamou-lhe há muitos anos «anomia implosiva», uma espécie de explosão para dentro, sem criar laços solidários com outros: para dentro da própria pessoa (suicídio, mutilações de personalidade ou identidade, auto flagelação) ou da própria classe social (guerra latente ou aberta entre os pobres).

O habitante do bairro olha para o vizinho com desconfiança e por vezes acidez ou mesmo ódio, porque acha que os cem ou duzentos euros que ainda recebe do rendimento social de inserção ou do subsídio de desemprego são fruto de uma qualquer fraude manhosa.

Nos locais de trabalho, começa-se a disputar a atenção do patrão porque a sobrevivência pode depender de não ser despedido. Nos supermercados, vigiam-se uns aos outros, para apanhar o ladrão em flagrante e infligir-lhe vergonha, dano e pena. Estava a passar com a minha mãe de carro junto a um desses estabelecimentos quando deparo com um adolescente em fuga. Não mais de 14 anos, roupa de rua, boné ao contrário e o pavor estampado no olhar porque estava prestes a ser agarrado. No seu encalço dois polícias que, mal o alcançam, lhe distribuem fartas bofetadas e o derrubam com um toque certeiro do cassetete nas pernas.

Perante a insistência de uma violência desnecessária, protestei. No fundo da rua, uma pequena multidão de empregados do supermercado e de transeuntes formava uma compacta claque de apoio à enérgica ação policial. No automóvel em frente ao meu, uma família de aparência humilde vituperava contra a minha atitude: “Você não percebe que o puto roubou?” Andamos na caça do pequeno ladrão e a destruirmo-nos uns aos outros. Assim, não nos aperceberemos da galinheira em que nos transformamos, com a raposa lá dentro, de dentes afiados e olhar cintilante.