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segunda-feira, 10 de junho de 2013


Florestas da Guiné-Bissau estão a ser metidas em contentores

Destruição maciça da floresta de madeira pau-sangue, alerta ambientalista.

Nas matas da Guiné-Bissau há pessoas a cortar madeira contra a vontade das populações, um fenómeno recente que o ambientalista Bocar Seidi resume numa frase: "Estamos a assistir a um desastre ecológico".
"Há uma destruição maciça da floresta" da Guiné-Bissau, afirma o jovem no meio das matas de Colbuia, uma aldeia do sul do país, na região de Quebo, já perto da Guiné-Equatorial.

Foi lá que falou à Lusa, no meio de uma estrada improvisada mata dentro e com barulho de motosserras em fundo. Porque nas matas de Colbuia, além de Seidi, há madeireiros a cortar todas as árvores de pau-sangue e há gente a carregar os toros de madeira em contentores.

O corte de madeira sem controlo começou no início do ano por todo o território da Guiné-Bissau, de acordo com as notícias que têm surgido repetidamente na imprensa. Notícias de desmatação descontrolada na região de Farim, leste, na região de Cacheu, a norte, na região de Bafatá, também a leste.

E desmatação descontrolada também a sul, nas matas de Colbuia, como constatou a Lusa. Bocar Seidi diz que o mesmo se passa nas localidades vizinhas de Cumbijã, Nhacuta ou Lenguel, e aponta o dedo a empresários chineses.

"Fomos invadidos pelos projectos chineses, que de facto esta zona está a ser cortada de um lado para o outro", diz o jovem, que faz parte da associação ambientalista Adecol (de Colbuia). E de facto por todo o lado se vêem troncos de árvores prontos a serem transportados e restos do que já foi árvore pau-sangue, única madeira usada na Guiné-Bissau para fazer alfaias agrícolas.

Até agora a floresta tinha sido preservada mas em Janeiro tudo mudou, conta, afiançando que dali já foram levados 32 contentores de madeira, cada um com 16 toneladas. Especialmente os jovens, adianta, reagiram contra, chegando a apreender motosserras e mandado para casa os madeireiros, a maior parte contratados na vizinha Guiné-Conacri.

E queriam também uma reacção do Governo mas até agora nada, diz. A região é zona protegida e toda a população, garante, está contra o corte, incluindo os anciãos. Mas quando questionado se a culpa é dos chineses a resposta é pronta: "Os responsáveis não são os chineses, são os guineenses que pegaram no contrato e lho deram para fazer a devastação".

Luta pela sobrevivência
Tagmé N´Bunde, da tabanca (aldeia) de Lenguel, está com outros jovens junto de um contentor meio carregado por vários cidadãos da Guiné-Conacri. Também acusa empresários chineses e garante que aquele contentor está apreendido. Um cidadão de origem chinesa deixou apressadamente o local sem ser possível à Lusa questioná-lo.

Mas os motivos que os levam a impedir o carregamento são outros. "Enquanto não nos deram o que prometeram a madeira não sai", diz à Lusa, explicando que empresários chineses tinham dito que iriam construir uma escola, um poço e arranjar o campo de futebol, provendo-o de equipamentos. Até agora nada foi feito, afirma.

Em Colbuia também o líder juvenil Rashid Bari resume assim a sua revolta: "Fizemos uma reivindicação para parar o corte de madeira porque não estamos a beneficiar nada". Na tabanca, não longe da estrada alcatroada, um monte de madeira aguarda num contentor.

No centro da aldeia juntam-se os anciãos, os "homens grandes". Sentados em roda, solenes, explica um: "Há pessoas que invadiram as matas e não nos entendemos com eles, não aprovamos isso, aqui vivemos da floresta, já apresentámos queixa às autoridades e disseram que tínhamos razão mas ainda não vimos nenhum resultado".

Issa Seidi é um dos líderes da comunidade. Lembra que sem árvores e com o barulho das motosserras os animais se vão embora, diz que "estão a destruir tudo" e avisa que quem tocar na floresta vai ter problemas.

"Podem matar-nos mas não vamos abandonar a floresta, estamos a lutar pela sobrevivência dos nossos filhos", diz pausadamente, acrescentando que toda a população está contra.

No final todos os anciãos se baixam e rezam. Em silêncio e em dialecto Fula, se calhar pela floresta. A escassos quilómetros o barulho dos insectos e dos pássaros rivaliza com o de motosserras. Por todos os lados, nas matas de Colbuia.

medita, medita, coisa maldita !



O fim da Escola Pública coincide com o fim da Democracia

Quantos filhos de ministros, secretários de Estado, assessores, políticos, deputados, frequentam a Escola Pública? Alguém fez este estudo?
Como podem estas Ex.cias ser isentas no que se está a passar na Escola Pública, desde o anterior governo socialista e a ministra Maria de Lurdes Rodrigues, até ao actual governo híbrido e o ministro Crato?
A quem serve o caminho seguido por estes governos mais recentes de destruição sistemática e maciça da Escola Pública?
A que negócios? A que agenda? Querem V. Ex.cias que o contribuinte-pai de alunos da Escola Pública lhes financie a educação dos seus filhos em colégios particulares?

Esta destruição camuflada de interesse público, de poupança e de eficiência de gestão, tem um preconceito de classe: há a educação de elite e a educação popular. Mas também revela uma outra distinção: só uns poucos terão acesso a luxos como a música, a arte e o desporto, áreas fundamentais de uma educação equilibrada. E a intenção mais perniciosa: voltaremos à literacia salazarenta da programação das massas para o conformismo. É que a educação de qualidade permite aprender a observar, a pensar, a reflectir, a decidir, a agir. Assim como prepara para uma vida activa, para a autonomia.

A Escola Pública simboliza a Democracia, o acesso tendencialmente universal a uma educação de qualidade, coloca todos os alunos numa plataforma igualitária. A sua destruição implica uma derrocada, pelos alicerces, de uma organização política que se dizia democrática.
Estas Ex.cias esquecem o século em que vivemos e querem forçar-nos a voltar ao séc. XIX. Se as viagens no tempo se pudessem mesmo efectuar, que maravilha seria teletransportá-los para esse mundo ideal com que sonham...
É por isso que cada vez mais me convenço que nem uma República chegámos a ser verdadeiramente, só nos faltou o Rei e a Família Real. Isto foi sempre uma monarquia de barõezinhos a gravitar nos Paços do poder.

Por uns tempos aproximámo-nos de uma sociedade evoluída em termos de uma cultura aberta e universal, a Escola Pública formou bons profissionais que se afirmaram pela qualidade do seu trabalho. A sua formação era mais abrangente com incidência na Filosofia (agora esquecida), no Latim (agora mais do que morto), nas Humanidades que se querem menorizar. Um médico adquiria mais mundo do que o mundo da medicina. E o mesmo para outros cursos universitários.

Mas hoje já saltámos um século para trás e vamos completamente ao contrário. Qualquer dia as crianças vão soletrar as dinastias, a tabuada, as quadras populares, a redacção da vaca. Programadas por professores dependentes da aprovação do director da escola, numa actividade descaracterizada e multifuncional, e numa precariedade existencial.
A vida e o ânimo vão-se esvaindo com esta total ausência de respeito pela essência da actividade profissional que é a pedagógica, a formativa, a que permite e promove as condições favoráveis para, não apenas os alunos adquiririrem conhecimentos, técnicas e competências, mas também as ferramentas para criarem a partir desses conhecimentos, técnicas e competências. No fundo, preparar os alunos para uma participação activa e gratificante na comunidade.

Uma democracia não sobrevive sem uma educação de qualidade tendencialmente universal. Já se percebeu que essa não é uma prioridade para o governo actual. Mas se é esse o caminho que V. Ex.cias escolheram seguir, não imponham ao contribuinte-pai de alunos na Escola Pública que financie a educação particular dos vossos filhos.


...

Dia de Portugal, Elvas:

Discurso do Presidente dirigido às Forças Armadas como exemplo de estoicismo nos cortes e constrangimentos sofridos.
Frase-chave do discurso em que a palavra Pátria (!) surgiu mais do que duas vezes: ... nenhuma instituição é poupada mas nenhuma deve ser descaracterizada na sua essência.
Nem de propósito, a Escola Pública acaba de sofrer várias demolições que a descaracterizaram na sua essência. Ou a essência da Escola Pública não é aprender? E dirigida a todos? E a essência das funções profissionais dos professores não são as pedagógicas? Ensinar, portanto?
Primeiro, veio a ministra do governo socialista anterior, Maria de Lurdes Rodrigues, atropelar a essência da profissão, a pedagógica, que foi ultrapassada pelo arrivismo da função de gestão-administrativa titulando os professores mais novatos e dando-lhes assim o crédito de avaliar os professores mais experientes pedagogicamente, os da velha guarda. Com esta estratégia, não apenas passou a ferro a função essencial da actividade profissional do professor, a pedagógica, como deu a primeira machadada no estatuto do professor e empurrou para a antecipação da reforma muitos professores da velha guarda.

Este governo está a dar os retoques finais: a tal descaracterização da essência da instituição. E de uma maneira muito mais limpa e rápida: eliminação de qualquer vestígio de contrato da carreira docente e, de caminho, eliminação dos profissionais no activo. Deste modo, muitos optarão por seguir o exemplo dos colegas e pedir a reforma antecipada. Os que ficam não sabem o que os espera, a insegurança, a instabilidade, é total e avassaladora: não é apenas a organização da vida escolar que se altera, é toda a sua cultura, a sua lógica, a sua qualidade.
E se a vida dos professores estará em suspense contínuo, também a própria escola estará ao abandono: menos auxiliares para acompanhar os alunos com as consequências que já se estão a verificar, como os exemplos recentes de aumento de insegurança, violência e criminalidade.
Assim, caso ainda não tenham percebido, também a vida dos pais passará a ser um sobressalto. Professores multifuncionais e replectos de tarefas administrativas, terão cada vez menos disponibilidade para acompanhar os alunos que revelam mais dificuldades. Menos auxiliares de educação na escola significa mais probabilidades do seu filho se ver envolvido num qualquer desacato.
E finalmente também a vida dos alunos, porque uma escola em que falta segurança e estabilidade mínimas e condições favoráveis para aprender, é uma escola sem qualidade.

Mas eis que os mamarrachos da 24 de Julho e da 5 de Outubro se mantêm incólumes! Afinal, é só para cortar na essência da Escola Pública: os professores? Prejudicando os que utilizam os seus serviços: os alunos?
E os colégios particulares, após o argumento a população escolar diminuiu, vão continuar a receber subsídios do Estado e a absorver alunos da Escola Pública?

A confusão é total, estamos muito perto de uma situação caótica em que ninguém se entende nem percebe sequer para onde se vai. Pelo que já consegui perceber, continua a cortar-se nos serviços prestados aos cidadãos e na sua qualidade e segurança (veja-se agora também na saúde) mas mantêm-se os mamarrachos ministeriais. Para quê?
A Escola Pública, após esta limpeza, nem precisa de um ministro nem de um ministério! Ainda não viram isso? Pode seguir apenas com um secretário de Estado, tal como a Cultura, chega e sobra. Um ou dois gabinetes para deliberar sobre programas, calendário escolar, e uma ou outra legislação a definir os cortes orçamentais. O resto é assegurado pelas escolas, o director é que escolhe, não é? Os professores passam à maior precariedade vital, passando a depender das boas graças da chefia directa a quem têm de agradar, adaptando-se à cultura da escola.

Que escola teremos daqui a 10 anos? Uma escola de que todos os profissionais fogem: a profissão de professor passará a ser a menos atractiva para licenciados, só como último recurso; os próprios auxiliares de educação e administrativos, também só como último recurso e talvez passem a ser recrutados em outsourcing ou recorrendo às agências de trabalho temporário.

E pensar que tudo poderia ter sido tão diferente... mas para isso era preciso lideranças com visão, inteligência, conhecimentos em ciências humanas,  uma cultura aberta e democrática. E isso não temos por cá.

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DÁ-LHES GRAXA JONET E RECEBE MEDALHAS !


FOTOGALERIA PARA APAIXONADOS POR CAMIÕES -EXPOSIÇÃO DE CAMIÕES ONTEM NO PARQUE DAS CIDADES AQUI JUNTO Á MINHA ALDEIA - OS CAMIÕES DESFILARAM DEPOIS NA AVENIDA PRINCIPAL EM QUARTEIRA - fotos de João Mendes






































VELUDO - POEMA DE ANTÓNIO GARROCHINHO


A PIOLHEIRA XUXA É ISTO ! SÓ ISTO ! E NÃO VALE A PENA DIZER MAIS NADA.


Alegre aceita CDS... se sair já

Manuel Alegre, um dos protagonista do encontro das esquerdas na Aula Magna, faz um aviso: «Paulo Portas está totalmente comprometido com isto. Se não faz cair o Governo não há separação possível. Se PSD e CDS vão juntos até ao fim, juntos ficarão». Numa altura em que nota uma «fixação no CDS», Alegre diz que o que pode ameaçar a maioria absoluta é a perda de votos à esquerda. «Ou o PS evita uma deriva centrista ou haverá um resultado surpreendente nas legislativas», diz ao SOL.Seguro e Portas foram escolhidos por Pinto Balsemão para o encontro anual do Grupo de Bilderberg. Entre banqueiros, empresários, e alguns dos principais políticos do mundo, os líderes do maior partido da oposição portuguesa e do segundo partido do Governo encontraram-se ontem em Inglaterra. Um prenúncio de um futuro Governo PS-CDS? «Não foi Seguro que escolheu Portas!», reage Alegre.
A matéria de alianças divide o PS. No congresso de Santa Maria da Feira, Ricardo Gonçalves, um dirigente próximo de Seguro, discursou a favor do CDS. «Não podemos confundir o eleitorado com uma frente esquerdista. Temos de fazer uma escolha. A esquerda não mudou desde a Guerra Fria, não é opção de governo», justifica agora ao SOL. Augusto Santos Silva, ex-ministro de Sócrates, foi outro dos que já riscaram a frente de esquerda.
Duarte Cordeiro, deputado da ala esquerda dos socialistas, prefere não apostar em pistas para alianças futuras. Dos encontros desta semana «não se pode tirar daqui qualquer ilação e a prioridade é o PS ganhar a maioria nas legislativas».
Seguro satisfeito
Numa semana em que o PS teve encontros com todos os partidos parlamentares, o SOL sabe que CDS e BE tiveram nota distintiva. O líder do PS saiu satisfeito da reunião com os bloquistas, notando a evolução de posições em matéria europeia.
No encontro com Portas, no Caldas, discutiram-se matérias concretas. A maior abertura do líder do CDS em «manter diálogos positivos com o PS» em comparação com Passos Coelho, é positiva para o socialistas. Do ponto de vista estratégico, Seguro traçou a linha que seguirá até ao dia depois das eleições: não afastará qualquer hipótese, para não afastar o voto útil. Sendo certo que o PCP, por se aproximar da defesa da saída do euro, é visto como uma hipótese impossível.
O PS volta a ser «partido charneira do sistema», conclui por seu lado Alegre, elogiando o facto de Seguro conseguir dialogar com todos os partidos.
manuel.a.magalhaes@sol.pt

OUTROS CA...ÕES




Libertar Portugal

Libertar Portugal
«Pôr fim ao pacto de agressão e aos seus resultados dramáticos para o povo e para o País».
por João Ferreira
 
"Ao contrário do que alguns dizem, não é nem a Constituição, nem os portugueses – que o Governo manda emigrar, que estão a mais no País. Quem está a mais é este Governo ilegítimo e a política que executa. Quem está a mais é a maioria parlamentar que o sustenta e um Presidente que se assume como seu patrocinador. A demissão do Governo e a realização de eleições antecipadas constituem-se, assim, como um primeiro e imprescindível passo para resgatar o País do desastre."

Dois anos decorridos sobre a decisão de amarrar o País ao programa dito de ajustamento, assinado com a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional, Portugal e os portugueses foram arrastados para o desastre económico e social.

A evolução da situação nacional reflecte os efeitos dramáticos do que a vida confirmou ser um autêntico pacto de agressão ao País e ao seu povo.

A realidade é documentada (se bem que não inteiramente traduzida) por números aterradores: quase um milhão e meio de desempregados; uma recessão acumulada de 5,5% do PIB; mais de 250 mil portugueses, na sua maioria jovens, forçados a emigrar; uma dívida pública impagável e imparável que, tendo aumentado 48 mil milhões de euros, atinge já os 127% do PIB.

Declínio económico, retrocesso social, empobrecimento e dependência. O País viu agravarem-se todos os seus problemas estruturais, mesmo aqueles que alegadamente teriam justificado esta intervenção. Não apenas cria hoje menos riqueza, como distribui de uma forma ainda mais injusta a riqueza que cria.

Expressão disso, os salários reais sofreram uma redução média de 9,2% – em termos relativos, portanto, bem acima da redução do PIB – e têm hoje um peso historicamente baixo no rendimento nacional: apenas 38%. Inocultável marca de classe desta política e do Governo que a executa, opera-se uma significativa redistribuição do rendimento nacional, a favor do capital, em desfavor do trabalho.

A reconfiguração profunda e duradoura do Estado e do seu papel é o objectivo último.

Um programa deste calibre não pode ser implementado senão em confronto aberto com a Constituição da República. Em confronto com o projecto de desenvolvimento e de progresso social nela plasmado. Em confronto com o regular funcionamento das instituições e com os mais elementares princípios e valores democráticos. Em confronto com a vontade soberana do povo, incluindo dos muitos que se sentem hoje enganados pelas promessas e compromissos eleitorais de há dois anos.

Em circunstâncias normais, caberia ao Presidente da República dirimir este confronto. Porém, aquele que jurou defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição quebrou ostensivamente esse compromisso, confirmando-se aos olhos do País como parte do problema, ao dar o apoio cúmplice à autêntica subversão do regime democrático-constitucional em curso.

Ao contrário do que alguns dizem, não é nem a Constituição, nem os portugueses – que o Governo manda emigrar, que estão a mais no País. Quem está a mais é este Governo ilegítimo e a política que executa. Quem está a mais é a maioria parlamentar que o sustenta e um Presidente que se assume como seu patrocinador.

A demissão do Governo e a realização de eleições antecipadas constituem-se, assim, como um primeiro e imprescindível passo para resgatar o País do desastre.

Austeridade

A «austeridade» é a nova expressão verbal de um velho conceito. Uma expressão disseminada, sobretudo, após a implementação daquela que foi a linha de resposta imediata ao agravamento da crise capitalista na Europa e nos EUA: a conversão de dívida privada em dívida pública.

Seguiu-se uma consabida mistificação: a de que a dívida pública resultou de um Estado sobredimensionado, que vive «acima das suas possibilidades».

Mistificação que procura não apenas obnubilar este processo de conversão de dívida privada em dívida pública, mas também esconder que o aumento da dívida pública, em Portugal como noutros países, acompanhou a tendência, especialmente nítida nas últimas duas décadas, para o recuo do Estado num conjunto de áreas da vida económica e social; esconder que esse aumento da dívida pública se deu a par de uma monumental transferência de recursos públicos para os grupos económicos e financeiros – por meios diversos: privatizações, concessões diversas, parcerias público-privado, isenções e perdões fiscais, entre outros.

Querem esconder também que esta dívida se auto-alimenta e auto-sustenta, desde logo graças ao processo de extorsão montado a partir do serviço da dívida e da especulação sobre os seus juros – um processo viabilizado por decisões políticas que deixaram o Estado refém dos mercados financeiros.

A «austeridade» vertida no programa da troika incorpora o essencial das medidas que têm vindo a ser preconizadas ao nível da União Europeia. Antes dele, já o «Pacto para o Euro Mais» e a chamada «Governação Económica» tinham apontado o caminho.

Um caminho que se articula em torno de dois objectivos centrais: o embaratecimento dos custos unitários do trabalho e o aumento da taxa de exploração, sendo a manutenção do desemprego em patamares elevados uma variável estratégica para impor esta desvalorização da força de trabalho; e o alargamento das áreas em que se pode exercer o processo de acumulação de capital, retirando à esfera pública ainda mais sectores da vida económica e social.

Nada de novo, portanto. Tudo velho. Na sua essência, o «memorando da troika» não difere qualitativamente nem dos PEC que o antecederam, nem dos programas de ajustamento que o FMI anda há décadas a aplicar pelos quatro cantos do mundo, com resultados conhecidos.

Por esta cristalina razão, não há renegociação ou redesenho possíveis do memorando. A essência deste programa é para servir os objectivos que serve e não pode ter outras consequências.

Essência que o novo tratado europeu, o chamado Tratado Orçamental, quer inscrever na pedra. Aprovado, tal como os que o antecederam, nas costas dos povos, fugindo ao debate e ao escrutínio público democrático, a sua intenção é clara. A chanceler Merkel tratou de a enunciar oportunamente, Cavaco Silva veio relembrá-la recentemente: garantir que mudando os governos, não mude a política. Garantir, com troika ou sem troika, a institucionalização do neoliberalismo e a eternização da dita austeridade. Para alcançar este desiderato, prevêem-se mecanismos de autêntico recorte neocolonial, bem embrulhados na retórica da «maior integração política» e na exigência de um aprofundamento do federalismo.

Ruptura

A ruptura com a política de direita – a política que conduziu o País ao desastre – insere-se na necessidade de uma ruptura mais ampla, com a submissão do país às orientações prevalecentes no seio da União Europeia, com a ideologia que as inspira e com as perigosas motivações que lhes subjazem.

Esta ruptura – um imperativo democrático e patriótico – coloca na ordem do dia a questão crucial da alternativa. Da política alternativa e da alternativa política que a concretize.

No actual contexto, essa alternativa passa, tem de passar, por uma política patriótica e de esquerda e por um governo que a concretize.

Uma política patriótica que recuse a ideia atávica de que a solução para os nossos problemas sempre dependerá de terceiros, ou pior, a ideia de que essa solução passa por aprofundar os caminhos que nos conduziram a muitos desses problemas.

Uma política patriótica, que recupere imprescindíveis instrumentos de soberania económica, monetária e orçamental e se proponha vencer atrasos, bloqueios e défices crónicos do País, aproveitando de forma sustentada o seu potencial endógeno; reconhecendo que para dever menos é necessário produzir mais e promovendo, dessa forma, a produção nacional.

Uma política patriótica e um governo patriótico que rejeitem de imediato o programa da troika, subscrito por PS, PSD e CDS, e que encetem uma renegociação da dívida pública, nos seus montantes, juros, prazos e condições de pagamento. Uma renegociação que rejeite a componente ilegítima da dívida e que assuma a necessidade de uma moratória, negociada ou unilateral, com a redução do serviço da dívida para um nível compatível com o crescimento económico e com a melhoria das condições de vida dos trabalhadores e do povo português. Assim se libertaria uma parte substancial dos 8 mil milhões de euros que o País está a entregar aos «credores» – verba indispensável à dinamização e recuperação económicas. Assim se colocaria a vida à frente da dívida e não, como prevê o Tratado Orçamental, a dívida antes de tudo o resto.

Uma política de esquerda, que valorize o trabalho, os trabalhadores e os seus direitos; que valorize os salários e as pensões e que assuma o compromisso explícito de devolver ao povo os seus direitos, salários e rendimentos, ilegitimamente retirados.

Uma política orçamental que combata o despesismo, a despesa sumptuária, e se baseie numa componente fiscal de aumento da tributação dos dividendos e lucros do grande capital e de alívio dos trabalhadores e das pequenas e médias empresas, garantindo uma justa distribuição da riqueza e, bem assim, as verbas necessárias ao funcionamento eficaz do Estado e do investimento público.

Uma política de esquerda que defenda e valorize os serviços públicos, em particular nas funções sociais do Estado – saúde, educação e segurança social, – como elemento essencial à concretização de direitos e ao desenvolvimento do País.

Uma política que recupere para a esfera pública o controlo de sectores estratégicos da economia, como o sector financeiro, indispensáveis à dinamização económica e, também eles, necessários para a anulação do fosso entre uma minoria que acumula fortunas colossais e uma imensa maioria que vê as suas condições de vida degradarem-se a cada dia.

A política alternativa de que o País precisa é inseparável da luta dos trabalhadores e do povo, do exercício pleno dos seus direitos constitucionais, incluindo o direito de resistência, da defesa da democracia e das liberdades.

A situação do País e a solução para os problemas nacionais reclama a convergência das forças, sectores e personalidades democráticas que, sem prejuízo de posicionamentos diferenciados e admitindo essas diferenças, partilhem o objectivo de romper com a política de direita, que há mais de 30 anos vem avolumando os problemas nacionais, e que se manifestem genuinamente empenhados na construção de uma política alternativa, patriótica e de esquerda. Uma política que se vincule aos valores de Abril e os projecte no presente e no futuro de Portugal.

 
 
João Ferreira , íntegra da intervenção do deputado do PCP no Parlamento Europeu.


Fonte: Avante



Mafarrico Vermelho

BASE AÉREA DOS ESTADOS UNIDOS NA HOLANDA ABRIGA 22 BOMBAS ATÓMICAS



Suspeita nunca havia sido confirmada por autoridades holandesas.

Em documentário, Ruud Lubbers revelou que bombas estão em base aérea.


A base aérea holandesa de Volkel abriga 22 bombas atômicas dos Estados Unidos, afirmou o ex-primeiro-ministro do país Ruud Lubbers em um documentário da "National Geographic" declaração publicada nesta segunda-feira pelo jornal "De Telegraaf".
Apesar de haver rumores sobre o assunto há décadas, a presença de armamento nuclear em solo holandês nunca havia sido confirmada por um alto responsável do país.
Documentos revelados em 2010 pelo Wikileaks já apontavam para a presença dessas bombas na base de Volkel, mas o governo holandês havia se negado a confirmar a informação.

Lubbers, que foi primeiro-ministro da Holanda entre 1982 e 1994, critica no documentário da "National Geographic" a presença do armamento em solo holandês.
Segundo especialistas citados por "De Telegraaf", as bombas são do tipo B-61, até quatro vezes mais potentes do que as utilizadas em Hiroshima e Nagasaki durante a Segunda Guerra Mundial.
"Nunca teria pensado que essas coisas estúpidas continuariam aí em 2013 (...). Acho que são uma parte absolutamente sem sentido de uma tradição do pensamento militar', criticou o ex-chefe do governo.
A presença de armas atômicas americanos na Europa foi admitida oficialmente muito poucas vezes, apesar de que, segundo analistas citados em vários em veículos de imprensa, os EUA manteriam ainda cerca de 240 bombas em cinco países aliados (Alemanha, Bélgica, Itália, Holanda e Turquia).
No caso da Bélgica, um telegrama publicado pelo Wikileaks neste ano confirmava a presença de armas nucleares táticas na base de Kleine-Brogel, onde segundo o Grupo de Investigação e Informação sobre a Paz e a Segurança (Grip) haveria entre dez e 20 bombas do tipo B-61.
ISTO É GOZO !!!!

O Presidente da República, Cavaco Silva, desafiou hoje os portugueses a terem métodos de vida saudáveis, sublinhando a importância da prática de desporto na rotina diária, à margem da inauguração da Avenida Portugal, em Elvas.

Nesta inauguração, inserida nas comemorações oficias do Dia de Portugal, Camões e das Comunidades Portuguesas, onde participaram cerca de 400 ciclistas e várias dezenas de pessoas a caminhar, Cavaco Silva recordou os tempos em que praticou desporto, revelando que ainda hoje “todos os dias, em cima de um tapete” faz “1.500 metros”.

“É bom sublinhar métodos de vida saudável como este que aconteceu aqui [na recém inaugurada Avenida Portugal]. Praticar desporto é bom para evitar as doenças do coração e, por isso, eu, que fui um atleta que pratiquei 110 metros barreiras, 400 metros barreiras e salto em altura, ainda hoje, todos os dias, em cima de um tapete, faço 1.500 metros”, declarou.

Em declarações aos jornalistas, após a inauguração da Avenida Portugal, o Chefe de Estado convidou “os portugueses em geral a terem métodos de vida saudável onde se inclui a prática desportiva”.