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quarta-feira, 22 de maio de 2013


ALEMANHA:Uma chanceler made in RDA

Angela Merkel nas instalações do movimento de oposição Demokratischer Aufbruch [Despertar Democrático] na Alemanha de Leste, no outono de 1989.
Angela Merkel nas instalações do movimento de oposição Demokratischer Aufbruch [Despertar Democrático] na Alemanha de Leste, no outono de 1989.
© Bundesregierung
Quais as origens de Angela Merkel? Como construiu Angela Merkel o seu pensamento político? Tal como os outros europeus, os alemães fazem frequentemente estas perguntas. A alguns meses de distância das legislativas de setembro, uma biografia procura a chave do sucesso da chanceler na sua infância na RDA. Excertos.
Os jornalistas Ralf Georg Reuth e Günther Lachmann publicaram esta semana, na Alemanha, Das erste Leben der Angela M. “A primeira vida de Angela M.” (edições Piper), que revela novos elementos sobre as ligações da chanceler com a ditadura da antiga RDA. Refutando as afirmações de Angela Merkel, que declara que sempre desaprovou pessoalmente o regime do Partido Socialista Unificado (SED) na Alemanha de Leste, os autores pensam poder demonstrar que o seu papel na RDA e aquando da queda do regime foi mais complexo e menos lisonjeiro para a chanceler.
Segundo esta, Angela Merkel ter-se-á esquivado à doutrinação ideológica e terá sempre sonhado com uma democracia que unificasse a Alemanha, tendo ultrapassado os anos do comunismo graças a uma espécie de exílio interior. Esta lenda baseia-se sobretudo na ideia de que o seu meio familiar protestante – Angela Merkel é filha de um sacerdote – a terá poupado às tentações e às ilusões da doutrina do Estado socialista. No entanto, um exame mais aprofundado do contexto põe a claro uma imagem bem diferente do envolvimento de alguns teólogos protestantes, entre os quais o seu pai, no regime da Alemanha de Leste.
Angela Merkel, nasceu em 17 de julho de 1954, em Hamburgo, como Angela Kasner. O seu pai, Horst Kasner [que, em 1954, partiu com a família e foi instalar-se na zona de ocupação soviética], fez parte de um grupo de teólogos através dos quais, sob a orientação dos soviéticos, os dirigentes da RDA pretenderam aplicar a sua conceção política da Igreja. Nesse sentido, esses teólogos, que consideravam o socialismo como uma verdadeira alternativa ao capitalismo ocidental, fundaram, em 1858, em Praga, uma organização cristã internacional denominadaConferência Cristã da Paz. Horst Kasner aderiu a esta organização e, também, à confraria protestante de Weißensee [Berlim], dirigida por Hanfried Müller, igualmente membro da Conferência Cristã da Paz e que tinha excelentes contactos no politburo do SED.

Teologia e política

Quando, em 1961, no auge da guerra fria, a Conferência das Igrejas Evangélicas da RDA decretou – em cooperação com a Igreja Evangélica na Alemanha (EKD) – que os cristãos não deviam submeter-se ao absolutismo doutrinário de uma ideologia, a confraria de Weißensee defendeu um ponto de vista inverso. Os seus “Sete princípios sobre a liberdade da Igreja e o conceito de serviço” apresentam a colaboração com “o poder antifascista” como dever do cristão. Esses “sete princípios” podem ser considerados como a base ideológica da conceção da “Igreja no socialismo”. Nessa época, o pai de Angela Merkel era muito próximo do poder estabelecido.
É certo que Horst Kasner se foi distanciando progressivamente da linha oficial dos dirigentes da RDA, a partir de 1970. Ainda assim, Angela Merkel cresceu numa família na qual a teologia e a política se misturam e na qual o domínio político era associado à busca de um ideal socialista.
Angela Merkel fez parte dos 10% de alunos do ano da sua admissão autorizados a frequentar a Erweiterte Oberschule (escola superior alargada da RDA). Ao contrário de muitos outros filhos de sacerdotes, não tentou eximir-se à participação nas organizações populares do SED e fez parte do Jovens Pioneiros. Mais tarde, foi secretária-adjunta da Juventude Alemã Livre [JAL, primeiro movimento de juventude da Alemanha de Leste] na sua escola. A sua proximidade, e do seu pai, ao regime permitiram-lhe obter o bacharelato. Em seguida, Angela Kasner estudou Física na Universidade Karl Marx de Leipzig. Todos os que frequentavam este estabelecimento tinham garantida uma carreira científica. Sobretudo quando exerciam funções dirigentes na Juventude Alemã Livre, como Angela Kasner. Foi na Universidade de Leipzig que entrou, pela primeira vez, em contacto com os círculos comunistas reformadores.

Merkel e o socialismo democrático

Em 1981, foi promovida a secretária responsável de propaganda da célula da JLA no ZiPC [Instituto Central de Físico-Química da Academia de Ciências de Berlim], que, tendo mais de 600 colaboradores, não é de modo algum uma estrutura confidencial. Angela Merkel sempre desmentiu ter sido responsável de propaganda. Refutou tal alegação, logo em 2005, numa obra publicada sob o título Mein Weg. Ein Gespräch mit Hugo Müller-Vogg (edições Hoffman und Campe) [“À minha maneira: entrevista a Hugo Müller-Vogg”]. “Propaganda? Não tenho memória de ter feito propaganda, fosse de que maneira fosse. Eu era responsável da cultura.”
No outono de 1989, o pai de Angela Merkel organizou, na sua escola pastoral, um encontro de físicos alemães de Leste subordinada ao tema “O que é o Homem?” Para falar verdade, o pai de Angela Merkel talvez tivesse gostado de a ver no Partido Social-Democrata (SPD). Mas já não tinha a influência de outrora sobre a filha mais velha. A escolha pessoal desta última foi um movimento recentemente criado chamado Despertar Democrático [do qual um dos fundadores esteve presente nesse encontro].
No entanto, ao contrário do que quis fazer acreditar até agora, Angela Merkel só aderiu ao Despertar Democrático em dezembro, porque este movimento já previa no seu programa a reunificação da Alemanha. Na realidade, alguns elementos levam a crer que, à partida, Angela Merkel era favorável a um socialismo democrático, numa RDA autónoma, e que nem sempre preconizou a unificação. Na sua qualidade de membro do comité diretor do Despertar Democrático, Angela Merkel foi membro da Aliança pela Alemanha, a coligação [de partidos conservadores], impulsionada por Helmut Kohl, que viria a ganhar as legislativas de março de 1990 para a Câmara do Povo (parlamento da RDA).

A “primeira vida” da chanceler

Na altura, o homem forte da RDA chamava-se Lothar de Maizière. O filho de Clemens de Maizière – antigo camarada de luta de Horst Kasner – nomeou Angela Merkel para o cargo de porta-voz adjunta do Governo, no interior do qual as suas competências foram reconhecidas. Segundo escreveu o Neues Deutschland [órgão oficial do SED], Angela Merkel conseguiu, “graças à sua inteligência e à sua fiabilidade, construir uma reputação que poderá levá-la às mais altas funções”. O que viria a acontecer. Quando a chanceler trocou o Despertar Democrático pela União Democrata Cristã (CDU), Lothar de Maizière e o seu secretário de Estado, Günther Krause, chamaram a atenção de Helmut Kohl para Angela Merkel, e este foi imediatamente conquistado pela filha do pastor luterano.
Esta nova obra dedicada à chanceler lança uma nova luz sobre alguns aspetos da vida de Angela Merkel na Alemanha de Leste – mas o livro não contém nenhuma revelação sensacional suscetível de levar a que se reescreva, no essencial, o seu papel nessa época. Pelo contrário, essa nova luz sobre a “primeira vida” da chanceler destaca características que nos são familiares: espírito realista, capacidade de manobra e calculismo frio. Segundo parece, desde a época da RDA que Angela Merkel se tem movimentado no seio das estruturas existentes e em conivência com elas, quando não se lhe apresentava nenhuma outra opção, sem se deixar levar por utopias e sem nunca perder de vista a sua própria carreira. Quando o antigo aparelho se tornou obsoleto, Angela Merkel ganhou rapidamente confiança, com a mesma meticulosidade, dentro das novas estruturas da república federal.

O Estado morreu

Maria Jose MorgadoTrabalho num serviço aplicação repressiva da lei criminal onde as pessoas têm gosto em servir o interesse público e a justiça penal. Desde que começou a aplicação do programa de ajustamento económico e financeiro — o PAEF — que a dignidade, a resistência e a eficiência continuam a ser valores que opomos à desvalorização cega e ao sofrimento enquanto política de gestão da máquina administrativa.
Vamos substituindo a degradação das contas públicas de um Estado laxista por um Estado fantasma e impotente. O Estado é a raiz do mal, pois matemos o Estado. E com quê? Com mais Estado cobrador, num totalitarismo atípico deslizante.
Sinto esse fantasma todos os dias. A moralização na gestão das finanças públicas desfigurou-se de tal forma que fez ricochete num PAEF sem a bússola de valores intangíveis como a justiça, justiça fiscal e segurança social. Perdeu-se o objetivo de uma administração pública qualificada e motivada.
Os resultados da execução orçamental do último trimestre não são mais do que uma radiografia deste mal. Porquê?
Porque só um Estado sem função fica encarcerado no financiamento direto com base quase exclusiva nas receitas do IRS que representam 39,1% do crescimento da receita e dos impostos diretos que representam 22,3% do mesmo crescimento. No meio da tempestade fiscal que nos atravessa regista-se uma subida raquítica da receita fiscal de 3,3 milhões de euros — no aumento crescente do sofrimento das pessoas depois da destruição de empresas e de trabalho.
Neste cenário, além da dita ida aos mercados, ainda assim financiada a juros predadores, os únicos pilares financiadores do Estado são afinal o habitual grupo de pessoas, cada vez mais afunilado. Efeito de boomerang da austeridade sem metas de reorganização de um Estado, de uma justiça e de uma máquina administrativa que funcionem. Situações desta natureza pulverizam todas as funções de autoridade, equidade, segurança jurídica, proteção da sociedade e respeito pelos valores sociais e económicos.
A corrupção, em parceria com a fraude fiscal, tende a medrar no túnel das quimioterapias orçamentais. Basta cruzar aqueles dados com os resultados oficiais do programa de combate à fraude e à evasão fiscal do ano de 2011: os processos-crime por combate à fraude representam 9,45%, por combate à fraude qualificada 2,69% e por abuso de confiança fiscal 84,74%. Os resultados do combate à fraude fiscal são insignificantes numa justiça focada quase exclusivamente no ataque aos impostos diretos em falta. O mesmo estigma.
Sem reformas administrativas efetivas, sem qualificação da função pública, sem respeito pelas funções públicas substantivas, sem estímulos, sem Estado com função resta-nos o medo, a perigosa anemia da autoridade com a paralisia dos serviços administrativos públicos. Um Estado sem função pendurado na guilhotina do défice?
Despojos de um Estado velho e apodrecido incapaz de se proteger da tempestade e de construir um novo com a ajuda dos seus melhores. Um Estado que morreu.

Jaula para uns, pódio para outros

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Começou em Munique, o julgamento do aclamado caso NSU, em que o grupo extremista neonazi assim denominado, levou a cabo vários actos de terrorismo, entre os quais, o homicídio em série de cidadãos de ascendência turca e também grega. Beate Zschaepe, a única sobrevivente do grupo neonazi, fez a melhor aparição possível em tribunal: com as suas roupas elegantes, e maquilhagem, qual manequim. É uma imagem interessante, considerando o tratamento dos tribunais deram aos réus do caso Jonny K. 
 
Jonny K. era um jovem alemão de ascendência tailandesa, morto no ano passado por um grupo de jovens de ascendência turca.  Estes jovens foram apresentados no tribunal de algemas, e posicionados numa espécie de jaula de vidro à prova de bala. 
 Esta dualidade de tratamento chamou a atenção da opinião pública, em particular ds familiares das vítimas, que recusam o tratamento especial da ré neonazi.
Fonte:Zaman

RM 21- Vespas, bikinis e ladrões de bicicletas: começou a loucura do pós guerra



RM 21- Vespas, bikinis e ladrões de bicicletas: começou a loucura do pós guerra





A criação da Vespa, produzida em fábricas italianas que durante a guerra fabricavam material militar, é um sucesso, mas os olhares masculinos voltam-se avidamente para as praias mediterrânicas onde as mulheres exibem generosamente os seus corpos num fato de banho de duas peças: o biquini. Os efeitos secundários desta peça de vestuário, no universo masculino, são idênticos aos obtidos pelos EUA nos ensaios atómicos que fazem no atol de Bikini. Há coincidências incríveis, não há? Mas neste ano de 1946 as coincidências não se ficam por aqui... embora ainda ninguém fale de próteses mamárias, a verdade é que começa a ser produzido o silicone. Do que já se fala é das lentes de contacto que irão surgir no ano seguinte.
Nesse ano, a Índia e o Paquistão tornam-se independentes da Grã-Bretanha, mas como a União Indiana decide anexar Caxemira, os dois novos países vão entrar em conflito. 
Noutras paragens, as Nações Unidas decidem atear um barril de pólvora, dividindo a Palestina em dois estados ( um judeu e outro árabe).
No mundo das comunicações a evolução é enorme. Bell inventa o transistor , nos EUA efectua-se a primeira emissão de Televisão por cabo, e os consumidores correm em busca da máquina fotográfica Polaroid, dosdiscos long-play e do gravador para uso doméstico. Finalmente era possível registar, para ouvir quando mais apetecesse, a música que passava na telefonia, os discos dos amigos ou a confissão de amor da(o) namorada(o).
Neste mesmo ano de 1947 inicia-se a reconstrução da Europa, com a aprovação do Plano Marshall. Quem também se recompõe das humilhações sofridas durante as primeiras aparições em público é Maria Callas que passa de matrona grega a diva num toque de magia que, dada a reforma de Aladino e a greve das Fadas Madrinhas, só a sociedade de consumo consegue executar.
E como era preciso devolver o glamour às mulheres parisienses, Christian Dior mete mãos à obra e relança a moda.
A Mc Donalds faz a sua estreia nos Estados Unidos em 1948, ano em que nasce o estado de Israel e um pouco por todo o mundo se assiste à declaração de independência de antigas colónias britânicas. Pelo sim, pelo não, a ONU aprova a Declaração Universal dos Direitos do Homem e cria a Organização Mundial de Saúde. A isto se chama, visão de futuro!
Por esta altura já Sartre percebera que na sequência da Guerra havia muitas Mãos Sujas, por isso as dá a Vittorio de Sica com a estreia do seu filme Ladrões de Bicicletas.conhecer ao público no palco do teatro Antoine de Paris. Mas quem acaba preso a um grande sucesso é 

Crónicas on the rocks


O tema absurdo, a reunião inútil

por BAPTISTA-BASTOSHoje
Para que serviu o último Conselho de Estado? O tema [Portugal no pós-troika], além de absurdo pela inoportunidade, quando o País está a cair aos pedaços, mereceu de muitos conselheiros, entre os quais o prof. Jorge Miranda, e Carlos César, ex-presidente do Governo Regional dos Açores, críticas acerbas. O tom geral dos comentários é o de que o homem está débil de meninges. Outros dizem que a desorientação política em que se encontra, depois da miséria do discurso de 25 de Abril, levou-o a ensaboar a própria representação, na vã tentativa de recuperar a visagem. E, ainda, uns terceiros ou quartos que os sombrios desígnios da ideologia dominante, as contradições de um tempo intrincado que não consegue decifrar, impeliram-no e à sua cabecinha a múltiplas atitudes injustificáveis em quem desempenha tão altas funções.
Ninguém sabe o que se passou nas sete horas da magna reunião. Um comunicado de três parágrafos resumiu, desajeitadamente, o que eles entenderam ser justo o povoléu saber. O "não", violento pela secura, ao anúncio do que se passou entre os dezassete parceiros, constitui outra prova do desprezo que as "instituições" por nós dão testemunho. E a verdade é que temos o direito de conhecer o que a todos, sem excepção, diz respeito. Mas o sigilo, o silêncio e a escusa a que nos habituou este simulacro de democracia está a adensar--se, de modo que só uma pequena clique é sabedora dos enredos.
É claro que ninguém acredita que as sete horas decorreram em pacífico paleio. A conversa, em alta voz, entre Passos e Bagão Félix, ocorrida na escadaria, após a iluminada concentração de sábios, é de molde a perceber-se que as águas estiveram agitadas.
É impossível, pelo menos numa situação equilibrada, não colocar em discussão o terrorismo, sob o qual estamos submetidos. A Europa da solidariedade não passa de um território no qual se digladiam, com ferocidade inclemente, claros jogos hegemónicos e imposições de servidão. A escolha dos lugares a que entendemos dever pertencer é uma das questões fundamentais da nossa época. E a principal obrigação a que temos a imposição moral de atender é a de reconhecer este totalitarismo mascarado. Na Europa, as divisões, como sempre historicamente aconteceu, representaram o conflito entre dominantes e dominados. A Alemanha, ontem como hoje, tem desempenhado um papel sinistro neste xadrez sem regras. A obediência à lei do mais forte corresponde a uma ideia messiânica, que embala a boa consciência dos mentirosos e dos canalhas. Quando ouvimos o "Acordai!", de Lopes-Graça e José Gomes Ferreira, talvez percebamos o que nos liberta e o que nos acorrenta. Tudo, na vida, são preferências que comportam uma posição ética. O tema escolhido pelo dr. Cavaco para discussão no Conselho de Estado define um critério e projecta um carácter.
(Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo acordo ortográfico)

a luta pela natureza é a luta pelo socialismo (ii) - 2013


a luta pela natureza é a luta pelo socialismo (ii) - 2013

 intensificação da exploração capitalista e da correspondente ofensiva ideológica veio remeter para segundo plano as fingidas preocupações ambientais do sistema. Dada a degradação das condições materiais da generalidade da população dos países capitalistas, a sensibilidade ambiental tão apregoada sofreu forte abalo. Esse quase ocaso da propaganda ambiental pode reflectir a real intenção com que era utilizada: criar focos de contenção e diversão, em torno de justas preocupações populares e criar um invólucro "ambientalista" a um conjunto de países ditos "desenvolvidos", enquanto na verdade os monopólios continuavam - como hoje continuam - a delapidar intensivamente os recursos naturais sem quaisquer preocupações com a sustentabilidade e equilíbrio dos ecossistemas. 

Tendo em conta a ligação efectiva entre economia e ecologia, a sua interpenetração e interdependência, não podemos abdicar de, mesmo em contexto de crise financeira e económica do sistema capitalista, colocar como central a luta pela natureza e pela gestão popular e democrática dos recursos naturais, partindo desde já para a defesa da sua posse comum.

O desenvolvimento das relações sociais no quadro capitalista conduzem a uma socialização da produção com apropriação privada do produto, e essa socialização da produção é, em grande medida, consequência do desenvolvimento dos meios de produção. Também na luta pelo equilíbrio ambiental e pela preservação da natureza devemos ter em conta a constante evolução dos meios de produção e da tecnologia. 

Assim, acrescento apenas ao artigo de 2007, o seguinte:

Ao contrário do que possa parecer para muitos defensores da natureza, a relação da humanidade com a natureza é tanto mais estável quanto mais desenvolvidos se encontrarem os meios de produção e quanto mais socializado for o processo produtivo, associado a uma distribuição social da riqueza. O primitivismo, a defesa da estagnação do desenvolvimento, não corresponde nem à satisfação das necessidades materiais do ser humano, nem às necessidades que o equilíbrio ecológico impõe. A regressão tecnológica ou a estagnação do desenvolvimento técnico, científico e mesmo industrial, constituiriam factores de regressão social e ambiental catastróficos. 

A ilusão de um retorno a uma vida despojada de tecnologia é apenas sustentável em pequenas comunidades, pois mesmo as opções de vida ambientalmente menos prejudiciais que são tomadas por alguns só podem coexistir com a abundância material num contexto de utilização de tecnologia avançada. Ou seja, a auto-produção alimentar, a horta urbana, a reciclagem caseira, a eventual produção caseira de energia, por exemplo, são procedimentos que não negam o desenvolvimento tecnológico, antes que dele dependem e cuja eficiência com esse desenvolvimento cresce.

Confluem para a salvaguarda do substrato ambiental então, precisamente os mesmos dois factores que concorrem para a superação do Capitalismo: o desenvolvimento dos meios de produção e a luta de classes.