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quarta-feira, 15 de maio de 2013

LUXO, FOME E GUERRA - um vídeo de António Garrochinho

video
Como podem os homens continuar alheados da fome e da miséria que alastra no mundo, como pode a Igreja ostentar tanto luxo e limitar-se a falar sem que tenha qualquer intervenção na chacina de tantas de crianças vítimas de fome e da guerra. Como pode a humanidade dormir descansada com tanto horror.

Quando ouço o We Ware The world arrepia-me a pele e sei que os que construíram esta maravilhosa canção também deverão eles estar tristes pois parece que caíu num buraco sem fundo sem qualquer eco que possibilitasse a mudança destas situações. Recolhi estas simples imagens(ainda sou um amador) nestas coisas da tecnologia e tenho empenho em mostrá-las para ser mais uma voz na denúncia desta vergonha que ainda se mantém no século XXI.

António Garrochinho

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desenvolturasedesacatos: Encontro  Frente Comum deixa reunião com Governo a...: Encontro  Frente Comum deixa reunião com Governo ao fim de dez minutos A Frente Comum dos Sindicatos da Administração Pública, afect...

Encontro 

Frente Comum deixa reunião com Governo ao fim de dez minutos
A Frente Comum dos Sindicatos da Administração Pública, afecta à CGTP, abandonou esta terça-feira uma reunião com o Governo ao fim de dez minutos, rejeitando negociar as propostas colocadas em cima da mesa pelo executivo.
Frente Comum deixa reunião com Governo ao fim de dez minutos
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PAÍS

Depois de uma reunião de cerca de dez minutos com o Secretário de Estado da Administração pública, Hélder Rosalino, no Ministério das Finanças, Ana Avoila disse ter transmitido ao governante que "enquanto não retirar aquelas matérias de cima da mesa com a Frente Comum não discute nada".
"O governo pretende neste momento dizer que está a fazer a negociação de uma forma legal, no âmbito do Orçamento Rectificativo. Dizemos que está enganado. Mais que isso, os sindicatos da Frente Comum não se sentam para discutir o despedimento dos trabalhadores. Estamos aqui para defender trabalhadores e não para os enterrar", reiterou a dirigente sindical.
Ana Avoila acentuou que "estar sentado à mesa das negociações é por um selo branco nas medidas previstas pelo Governo", o que a estrutura sindical rejeita.
Helder Rosalino reuniu-se hoje com a estruturas sindicais da função pública para discutir o novo regime de mobilidade que o governo pretende transformar em requalificação dos trabalhadores.
A proposta apresentada há uma semana previa que, na sequência de um processo de reestruturação, os trabalhadores seriam colocados no quadro de mobilidade durante um período máximo de 18 meses.
Se, no final deste tempo não arranjassem nova colocação, teriam que optar por duas vias: ficar no Estado, com uma licença sem vencimento ou rescindir o contrato, levando a correspondente indemnização, sem direito a subsídio de desemprego.
Segundo notícia avançada sábado pelo Expresso, o Governo deverá apresentar aos sindicatos da Administração Pública uma nova versão do diploma da mobilidade especial, na qual aceitará acomodar o subsídio de desemprego para os trabalhadores que cheguem ao fim do período da mobilidade sem arranjarem nova colocação mas, em contrapartida, reduzirá o tempo do programa.
O secretário de Estado da Administração Pública reuniu-se também durante o dia de hoje com a Frente Sindical da Administração Pública (FESAP) e a Frente Comum.

Salazar e os 10 VW a um escudo cada

Publicado em 2013-05-13

 

A mentalidade tão austera quanto tacanha de António de Oliveira Salazar gerou um manancial de anedotas. Uma delas tem a ver, imagine-se, com a Alemanha (!) e retrata na perfeição a avareza de Sua Excelência o Presidente do Conselho, fórmula como à época se tratava o primeiro-ministro gestor de Portugal a seu bel-prazer.
Um dia, reza a anedota, viviam os germânicos a fase de recuperação de uma economia destruída pela II Grande Guerra e a Volkswagen, já então um potentado, preparava-se para lançar o último grito dos seus modelos. Numa fase ainda embrionária do marketing, telefonou o chanceler a Salazar a pedir-lhe que recebesse um administrador da fábrica de automóveis para lhe transmitir mensagem importante.
"Orgulhosamente só", mas nada parvo, Salazar acedeu e a S. Bento lá chegou um tipo anafado. O que tinha ele a dizer?
Vergado ao respeitinho pelo ditador, o homem da VW aprimorou o discurso do orgulho em ofertar ao governo português um exemplar do novo automóvel.
Jamais! Jamais! - terá exclamado Salazar. A independência do país, explicou, não se compadecia com prendas suscetíveis de castrarem a independência de decisão nacional.
O alemão gingou no sofá, argumentou, levou nega atrás de nega, até encontrar saída milagrosa. Qual? A VW estava disposta a proceder à venda de um exemplar pelo preço simbólico de um escudo.
Salazar apreciou a alternativa, deu nota ao alemão do seu espírito independente e ter-lhe-á atirado: "Sim, senhor. Como compra aceito. Faça o favor de considerar uma encomenda de dez automóveis a um escudo cada!".
Imagina-se o resto. O alemão terá corado, arranjou desculpa esfarrapada e ter-se-á escapulido do jogo duplo de Salazar. Longe de imaginar que tantos anos depois a VW seria vital para a economia portuguesa.
E por que raio vem a anedota de Salazar ao caso?
Para lá de retratar a personalidade unhas de fome de Salazar é reveladora de uma independência entretanto perdida pelo acumular de erros primários, felizmente já em regime democrático.
Hoje o orgulho nacional esbate-se nos argumentos ponderosos da sobrevivência segundo um modelo de protetorado. Bem mais deprimente que o condicionamento específico da construção de uma União Europeia.
Perceber-se-ão algumas das razões para se tirar o chapéu aos credores do país. Já é mais difícil entender a pura humilhação. Que a troika imponha condições para passar cheques após cada avaliação é admissível. Mas não encaixa no racional a disposição dos governantes para lhe fazerem sucessivos salamaleques públicos, aturando "aulas" dispensáveis.
Há casos para os quais não havia necessidade.
Duvida-se?
Eis o recentíssimo exemplo. Como já sucedeu com o FMI, o governo pediu à Organização para o Desenvolvimento e Cooperação Económica (OCDE) um estudo capaz de habilitar o país de pistas para proceder a mudanças estruturais sadias. Um comportamento normal. Incompreensível é sim a deslocação do primeiro-ministro amanhã a Paris para uma reunião na qual a OCDE divulgará a sua sabedoria.
Há casos para os quais o dobrar da cervical se dispensaria - e de Paris para Lisboa deveria ser o percurso normal dos estudiosos da OCDE.
Vivemos um tempo em que quem nos governa já nem faz esforços para parecermos independentes. Triste sina...

O milagre da sétima avaliação


“Foi tomada uma decisão muito importante para o nosso futuro: colocámos atrás das costas a sétima avaliação”, realçou Cavaco Silva. “Penso que foi uma inspiração da nossa Senhora de Fátima”, acrescentou.

Ele colocou a sétima avaliação para trás das costas, mas quem a carrega nas costas somos nós. Quanto à santinha só posso fazer minhas as palavras da amiga Paula Montez, "Deixaram-no falar no dia em que esqueceu a toma da medicação." Ou então, digo eu, o seu estado de degradação mental é tal que já não há medicamento que lhe valha. 

Por Baptista-Bastos

Na história da democracia portuguesa nunca tão poucos fizeram tão mal a tantos. Ao mesmo tempo que a cègada política transforma as nossas monumentais perplexidades numa exasperada interrogação: que mais nos irá acontecer? O rol de indignidades é extenso e não deixa de aumentar: mentiras, omissões, faltas à palavra e aos compromissos, desprezo por todos nós, ocultação de factos e de decisões, por aí fora. Este fim-de-semana, Paulo Portas continuou a não contradizer a natureza do seu carácter, que se distingue pelo ambíguo e pela duplicidade. Denegou o que, uma semana antes, grave e sumptuoso, afirmara: não toleraria a aplicação de uma taxa às pensões e às reformas.

Ele sempre foi assim: pensa a política como um jogo de pertenças múltiplas, e os políticos não devem ser julgados através de padrões morais. As circunstâncias é que determinam, explicam e justificam os seus actos e as suas condutas. Segundo Paulo Portas, a democracia não se esgota na forma jurídico-política, e enriquece-se com a criatividade e a inventiva dos seus actores. O sentido da honra possui um valor supérfluo.

Estas confusões parecem ter adquirido carta de alforria, tendo em conta a naturalidade com que são encaradas. Há qualquer coisa de errado e de contagioso que excede o funcionamento processual da democracia. Quando um Governo, este, opera decisões que, de antemão, sabe serem anticonstitucionais, inscreve-se numa erosão endémica, que devia combater como norma fundamental da sua própria estrutura. As coisas, porém, não são assim. E se Paulo Portas intruja e desdiz-se, Passos Coelho não faz melhor do que seguir a banalidade que já pertence aos novos campos de intervenção política. Este Governo não é uma nódoa; é uma chaga pestilenta.

Quando, pressurosamente, o dr. Cavaco, coitado, fala em pós-troika, devia, sim, preocupar-se com as mazelas morais deixadas por esta gente equívoca, incompetente, grosseira e indecorosa, cujas relações com a democracia e os seus exigentes mecanismos são nulas e perigosas. Mas ele, infelizmente, não vê, na democracia outra coisa senão um objecto de ódio, de despeito e de sobranceria.

Vai reunir-se, segunda-feira, o Conselho de Estado; e a crer no que numerosos dos seus componentes têm dito e escrito deste Executivo, não se vê razões para que a reunião seja pacífica, e o seu presidente contrarie os impugnadores desta política celerada, continuando a sustentar o nosso infortúnio. É verdade que a arrogância de Belém atinge os limites do insuportável; porém, não há "interesse nacional" (expressão que oculta todas as vilanias) que justifique o conjunto de infâmias que nos têm atingido nos últimos dois anos.

A coligação deixou de o ser há muito tempo. É um conjunto mal remendado de interesses, e um concentrado de servilismo a conveniências estrangeiras. A palavra perfídia anda perto.