AVISO

O administrador deste blogue
não é responsável pelas opiniões
veiculadas por terceiros
nem a sua publicação quer dizer
que delas partilhe, apenas as
publica como reflexo da
sociedade em que se inserem
dando-lhes visibilidade
mas nunca fazendo delas opinião própria.
Ao desenvolturasedesacatos reserva-se ainda o direito
de eliminar qualquer comentário anónimo ou não identificado, que contenha ataques
deliberadamente pessoais, que em nada contribuampara o debate de ideias ou para a denúncia
de situações menos claras do ponto de vista ético.


domingo, 12 de maio de 2013


Saúde mental em Portugal, Revoltante...

Pela sua importância, fazemos aqui eco, do artigo do médico psiquiatra Pedro Afonso publicado no Público


Alguns dedicam-se obsessivamente aos números e às estatísticas, esquecendo que a sociedade é feita de pessoas.

Recentemente, ficámos a saber, através do primeiro estudo epidemiológico nacional de Saúde Mental, que Portugal é o país da Europa com a maior prevalência de doenças mentais na população. No último ano, um em cada cinco portugueses sofreu de uma doença psiquiátrica (23%) e quase metade (43%) já teve uma destas perturbações durante a vida.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque assisto com impotência a uma sociedade perturbada e doente em que violência, urdida nos jogos e na televisão, faz parte da ração diária das crianças e adolescentes. Neste redil de insanidade, vejo jovens infantilizados incapazes de construírem um projecto de vida, escravos dos seus insaciáveis desejos e adulados por pais que satisfazem todos os seus caprichos, expiando uma culpa muitas vezes imaginária. Na escola, estes jovens adquiriram um estatuto de semideus, pois todos terão de fazer um esforço sobrenatural para lhes imprimirem a vontade de adquirir conhecimentos, ainda que estes não o desejem. É natural que assim seja, dado que a actual sociedade os inebria de direitos, criando-lhes a ilusão absurda de que podem ser mestres de si próprios.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque, nos últimos quinze anos, o divórcio quintuplicou, alcançando 60 divórcios por cada 100 casamentos (dados de 2008). As crises conjugais são também um reflexo das crises sociais. Se não houver vínculos estáveis entre seres humanos não existe uma sociedade forte, capaz de criar empresas
sólidas e fomentar a prosperidade. Enquanto o legislador se entretém maquinalmente a produzir leis que entronizam o divórcio sem culpa, deparo-me com mulheres compungidas, reféns do estado de alma dos ex-cônjuges para lhes garantirem o pagamento da miserável pensão de alimentos.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque se torna cada vez mais difícil, para quem tem filhos, conciliar o trabalho e a família. Nas empresas, os directores insanos consideram que a presença prolongada no trabalho é sinónimo de maior compromisso e produtividade. Portanto é fácil perceber que, para quem perde cerca de três horas nas deslocações diárias entre o trabalho, a escola e a casa, seja difícil ter tempo para os filhos. Recordo o rosto de uma mãe marejado de lágrimas e com o coração dilacerado por andar tão cansada que quase se tornou impossível brincar com o seu filho de três anos.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque a taxa de desemprego em Portugal afecta mais de meio milhão de cidadãos. Tenho presenciado muitos casos de homens e mulheres que, humilhados pela falta de trabalho, se sentem rendidos e impotentes perante a maldição da pobreza. Observo as suas mãos, calejadas pelo trabalho manual,
tornadas inúteis, segurando um papel encardido da Segurança Social.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque é difícil aceitar que alguém sobreviva dignamente com pouco mais de 600 euros por mês, enquanto outros, sem mérito e trabalho, se dedicam impunemente à actividade da pilhagem do erário público. Fito com assombro e complacência os olhos de revolta daqueles que estão cansados de escutar repetidamente que é necessário fazer mais sacrifícios quando já há muito foram dizimados pela praga da miséria.

Finalmente, interessa-me a saúde mental de alguns portugueses com responsabilidades governativas porque se dedicam obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas. Entretanto, com a sua displicência e inépcia, construíram um mecanismo oleado que vai inexoravelmente triturando as mentes sãs de um povo, criando condições sociais que favorecem uma decadência neuronal colectiva, multiplicando, deste modo, as doenças mentais.
E hesito em prescrever antidepressivos e ansiolíticos a quem tem o estômago vazio e a cabeça cheia de promessas de uma justiça que se há-de concretizar; e luto contra o demónio do desespero, mas sinto uma inquietação culposa diante destes rostos que me visitam diariamente.

Pedro Afonso Médico psiquiatra
Revolta

O polvo que alimentamos, protegemos, e mantemos.





"O dinheiro é estéril, não se reproduz, apenas muda de mãos. O dinheiro não se 
multiplica, apenas se movimenta na direcção dos agentes que geram benefício através 
do acréscimo de valor. Por exemplo, numa visão simplista, alguém compra um casal de 
porcos por “x”, os cuida e alimenta durante um tempo, e, mais tarde, os vende já 
crescidos, por “y”. O acréscimo resulta do trabalho, conhecimento, engenho, risco e 
capacidade empreendedora. Até aqui tudo bem.
O problema surge a partir do momento em que a sociedade moderna converteu a 
economia numa lotaria especulativa. Os bancos, por exemplo, emprestam dinheiro que 
não têm, a juros que não deviam, debaixo do olhar calmo dos governos. Um pequeno 
exercício de abstracção poder-nos-ia levar a encontrar grandes semelhanças com 
fraudes do tipo Madoff ou Afinsa. Mas isto é apenas um dos tentáculos do polvo que se 
esconde, camuflado sob o olhar cúmplice daqueles que dele dependem.

Hoje em dia, as grandes máquinas partidárias e as carreiras milionárias de 
muitos dos seus protagonistas que estiveram, estão ou virão a estar no governo, 
confunde-se com um grande polvo impossível de aniquilar. Um polvo que vive nas 
águas calmas do aquário formado pelas empresas públicas e as privadas que 
devem favores aos governos. O problema de Portugal não se resolve enquanto não 
se cortarem os tentáculos do polvo. Quantos protagonistas medíocres, de carinha laroca 
e alto grau de chico-espertice, ganham salários de quarenta e cinquenta mil euros pagos 
pelo estado ou por empresas a quem concederam favores quando a sua posição o 
permitia? E aqueles a quem alguns privados concederam o título de “gestores não 
executivos” para poderem pagar favores, por “nós” concedidos sem sabermos, 
à taxa de 7.400 euros por reunião? Ninguém denuncia? Ninguém acha estranho? 
E os próprios? Não têm vergonha?

O dinheiro não se reproduz e também não estica. Enquanto não o tirarem a quem 
descaradamente o desvia e mantém o sorriso, não há sacrifício que resulte. Grande 
parte dos nossos sacrifícios servem para alimentar o polvo, tornando-o mais forte e 
impossível de combater. É preciso dizer basta e cortar os tentáculos, sob pena de com 
eles morrermos asfixiados.
Sou dos que defendem que os políticos devem ganhar muito dinheiro. Tanto 
quanto for necessário para que não precisem de se corromper. Tanto quanto for 
necessário para que possamos pedir responsabilidades sem que se possam 
esconder na imunidade parlamentar. 
“É preciso explicar aos governantes que eles são empregados do povo!...”


ARTIGO COMPLETO: http://apodrecetuga.blogspot.com/2013/05/o-polvo-que-alimentamos-protegemos-e.html#ixzz2T4pdivPW