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quinta-feira, 25 de abril de 2013

IMAGENS - HOJE LISBOA 25 DE ABRIL 2013



















ALGUMAS IMAGENS DA MANIFESTAÇÃO HOJE EM LISBOA










EPHEMERA

Fernando Alexandre Novo governante desejou "boa viagem" a Gaspar no seu blogue
O novo secretário de Estado Adjunto da Administração Interna, Fernando Alexandre, desejou a Vítor Gaspar uma “boa viagem” no seu blogue ‘A Destreza das Dúvidas’, onde manifestou o seu descontentamento com a actuação do ministro e as opções do Governo, escreve o jornal i.
Novo governante desejou boa viagem a Gaspar no seu blogue
DR
POLÍTICA

Fernando Alexandre, professor, investigador e também actual secretário de Estado Adjunto da Administração Interna, lançou várias farpas ao Governo de que agora faz parte no blogue ‘A Destreza das Dúvidas’.
“O que dizer do governo e dos Presidente da República que não conseguem falar ao País?”, perguntou o actual secretário de Estado, num comentário no seu blogue, onde também apontava para a saída de Gaspar, deixando a sugestão de que o ministro das Finanças ia deixar saudades.
Foi a 9 de Abril, dias antes de ter entrado para o mesmo Governo do ministro das Finanças, que Fernando Alexandre criticou a actuação de Gaspar, com quem vai trabalhar de perto, a propósito do despacho que congelou as novas despesas em todos os ministérios. “A decisão do ministro das Finanças de congelar as despesas mostra que de facto ele, embora não viva cá, deve estar de partida para outro lugar”, escreveu, citado pelo i, concluindo com a agora ‘famosa’ frase: “Desejo-lhe boa viagem”.
Contudo, as críticas abertas da actuação do Governo e do impacto da austeridade pareceram não incomodar o primeiro-ministro. 

Bélgica Mulheres nuas 'dão banho' a arcebispo
O arcebispo André-Jozef Léonard realizava uma palestra numa universidade de Bruxelas, quando foi surpreendido por um valente banho de água fria. A autoria da ‘agressão’ pertence um grupo de activistas femininas, que, por sinal, estavam praticamente sem roupa.
Mulheres nuas 'dão banho' a arcebispo
DR
MUNDO
O incidente decorreu esta terça-feira numa universidade em Bruxelas, capital belga, onde o arcebispo protagonizava uma palestra.
As mulheres, seminuas, aliás, está é uma imagem de marca dos seus protestos, irromperam pelo auditório, fazendo-se acompanhar por cartazes que denunciavam ao que iam, e encharcaram o eclesiástico com um balde de água fria. 

Cláusula Suíça restringe entrada a imigrantes portugueses... e não só
O governo suíço decidiu esta quarta-feira manter durante mais um ano as restrições à entrada de imigrantes da Europa central e oriental, alargando-as a partir de maio a todos os cidadãos de países da União Europeia.
Suíça restringe entrada a imigrantes portugueses... e não só
Lusa
MUNDO
Esta cláusula é uma opção de controlo que permite à Suíça estabilizar de forma unilateral as quotas máximas de títulos de residência, de curta e longa duração, decisão que vai afectar os cidadãos portugueses que pretendem emigrar para a Suíça.
Entre Janeiro e Agosto de 2012 emigraram para a Suíça mais de 12.300 portugueses. A comunidade portuguesa na Suíça está estimada em 240.000 pessoas.
A ministra da Justiça e Polícia suíça, Simonetta Sommaruga, anunciou hoje em conferência de imprensa que são visados desde já os trabalhadores da Estónia, Hungria, Letónia, Lituânia, Polónia, Eslováquia, Eslovénia e República Checa.
A partir de 1 de Maio, serão abrangidos os trabalhadores de todos os países da UE.
Esta medida era reclamada pelos partidos de direita mas contestada pela esquerda e pelas entidades patronais.
O assunto da imigração ganhou visibilidade na Suíça sobretudo devido ao expressivo aumento no número de autorizações de residência para efeitos de trabalho emitidos desde 2009 para cidadãos oriundos do sul da Europa.

Tortura nas prisões colombianas: sistematismo e impunidade revelam uma lógica de Estado

Tortura nas prisões colombianas: sistematismo e impunidade revelam uma lógica de Estado
por Azalea Robles


"A tortura inscreve-se numa lógica de Estado, de dominação através do medo; não se trata de casos isolados: a impunidade que a encobre perpetua-a ao mesmo tempo que evidencia o seu carácter de instrumento de terror. Há uma utilização sistemática da tortura que conduz inclusive á morte de presos políticos, e chega ao desaparecimento forçado e homicídio de familiares."

 "Presos políticos aleijados, paralíticos, cegos ou doentes são submetidos diariamente a tortura ao serem colocados em recreios no meio de para-militares para aí receberem pauladas e sovas numa situação de total indefesa, e são privados de medicamentos e assistência médica, para que as doenças os destruam: são mensagens que procuram paralisar a empatia social. Trata-se de demonstrar que a crueldade sem limites exercida por um Estado goza de total impunidade. "

Introdução 


 Para terminar este Dossier** sobre a realidade dos 9.500 presos políticos na Colômbia, abordamos um capítulo mais amplo sobre a tortura, por esta ter um carácter sistemático: representa uma mensagem de terror enviado à sociedade no seu conjunto.
É o "castigo" contra o pensamento crítico, a reivindicação social, e a empatia. Dos milhares de presos políticos amordaçados nos cárceres colombianos estima-se que 90% sejam civis presos com o objectivo de desmantelar a organização social, e que 10% são presos políticos e de guerra, membros das organizações insurrectas.
A sistemática perseguição à oposição política emprega o aparelho judicial como arma de guerra . A partir do Estado são negados a existência dos presos políticos, em todas as suas categorias: aos presos políticos civis e aos presos políticos de guerra atribui-se-lhes, através de grotescas montagens judiciais, acusações de delito comum: « a estratégia usada contra os prisioneiros políticos é julga-los por rebelião, e acrescentar-lhes as acusações de terrorismo, narcotráfico e associação para delinquir com fins terroristas, com o claro objectivo de lhes retirar o status político, facilitando inclusive a sua extradição [o Art.º 35º da Constituição impede a extradição por delitos políticos]» .
Sindicalistas, estudantes, líderes camponeses, defensores dos DDHH (etc.) acabam presos por "terrorismo" e outros delitos comuns, devido às estratégias do Estado colombiano de negar a sua acção repressiva, ao mesmo tempo que a intensifica. Aos presos políticos da guerra impõe-se-lhes penas exorbitantes, nega-se o seu carácter político e sofrem torturas e atentados, além de chantagens com a sua vida ou a dos seus familiares, com a finalidade de os converter em falsas «testemunhas» contra activistas sociais. A reivindicação de justiça social – no 3º país mais desigual do mundo – é reprimida de modo totalitário.
A tortura na Colômbia: uma lógica de Estado


A tortura inscreve-se numa lógica de Estado, de dominação através do medo; não se trata de casos isolados: a impunidade que a encobre perpetua-a ao mesmo tempo que evidencia o seu carácter de instrumento de terror. Há uma utilização sistemática da tortura que conduz inclusive á morte de presos políticos, e chega ao desaparecimento forçado e homicídio de familiares.

O assunto da tortura implicando familiares de presos políticos será desenvolvido na parte VI deste dossier. Face à impunidade que prolonga a tortura, perante os sofrimentos indescritíveis, os homicídios de presos, torna-se urgente a solidariedade internacional. A exigência do fim da tortura e da liberdade para os milhares de presos políticos são passos imprescindíveis para uma verdadeira paz com justiça social. A importância de visibilizar estes crimes de Estado radica em tratar de impedir que continuem a utilizá-la como mecanismo de terror contra a reivindicação social. Estes mecanismos repressivos são a matriz da guerra, a sua finalidade é perpetuar o crescente despojo das riquezas da Colômbia e a concentração de capital em poucas mãos, em desfavor de uma população cada dia mais empobrecida.



"Presos políticos aleijados, paralíticos, cegos ou doentes são submetidos diariamente a tortura ao serem colocados em recreios no meio de para-militares para aí receberem pauladas e sovas numa situação de total indefesa, e são privados de medicamentos e assistência médica, para que as doenças os destruam: são mensagens que procuram paralisar a empatia social. Trata-se de demonstrar que a crueldade sem limites exercida por um Estado goza de total impunidade. "

"Diomedes Meneses: «tem de se deslocar de cadeira de rodas devido à paraplegia provocada pelas torturas, está a ser empurrado para a morte por tortura de recusa de assistência médica. Oscar Elias Tordecilla, cego e com os braços amputados colocado propositadamente numa penitenciária sem presos políticos, em violação do preceituado pela Medicina Legal e pelos Direito Internacional Humanitário (DIH): «precisou de assistência médica para evitar a perda da visão mas nunca lhe foi proporcionada.» "

A tortura: enviar uma mensagem de terror à sociedade, paralisar a reivindicação através do medo 



A repressão sistemática contra a organização social é uma mensagem de terrorismo de Estado contra a população: expressa-se no encarceramento político no assassínio político, no controlo social, no desaparecimento forçado; expressa-se nas torturas terroríficas exercidas pelo aparelho ferramenta para-militar em colaboração com o exército nas zonas a despojar , torturas à laia de escárnio público para provocar massivos deslocamentos forçados ; na mesma ordem de ideias, de paralisar a reivindicação pelo medo, implementa-se a tortura nas prisões colombianas. É parte do Terror de Estado: a sua função não é apenas exercer a crueldade contra o opositor privado de liberdade não só para lhe provocar sofrimento, mas também para enviar uma mensagem de terror aos que quiserem opor-se a um Status Quo imperante de saque e empobrecimento. Assim, as situações limite de presos políticos estropiados, paralíticos, cegos ou doentes são submetidos a tortura diária ao serem colocados no meio de pátios para-militares para ali serem golpeados e açoitados em situação de total indefesa, são privados de medicamentos e assistência médica, para que as doenças os destruam: são mensagens que procuram paralisar a empatia social. Trata-se de demonstrar que a crueldade sem limites exercida por um Estado que goza de total impunidade.

Vários presos políticos estão a morrer por recusa de assistência médica, como há igualmente recusa de classificação de internados, em clara violação dos DIH por parte do Estado colombiano; ao mesmo tempo que há uma recusa em aplicar a devida redução de pena e libertação de presos estropiados e doentes terminais, também denunciamos a deslocação geográfica e  separação familiar como forma de tortura, as sovas, as descargas eléctricas, os envenenamentos (combustível, matéria fecal vidros na comida), a privação de água, os encerramentos prolongados em pequenas células, enorme amontoado de presos , tratamentos degradantes e humilhações de carácter sexual, ameaças de extradição, torturas a familiares que vão desde manuseamentos até violações e desaparecimento. A impunidade ampara a tortura, não são respeitadas as sentenças do Tribunal Constitucional.
Além disso, promulgam-se leis dirigidas á perseguição dos protestos sociais, como a Lei de Segurança Cidadã do governo Santos, e normas internas do Instituto Nacional Penitenciário e Prisional (INPEC) [na sua sigla em castelhano] que tornam mais vulneráveis os DDHH . Daí a importância de aumentar a solidariedade activa com os presos políticos, éticas e humanitárias suficientes para que a sociedade colombiana e internacional levante um clamor solidário.


Presos políticos de guerra feridos: recusa de assistência médica, tortura extrema



A situação dos presos políticos de guerra é dramática: estes são frequentemente capturados feridos depois de combates ou bombardeamentos, pelo que ao ser-lhes recusada a assistência médica estão a ser empurrados para a morte, para a perda de membros… É o caso do preso político e de guerra Rolando Gradados que tem as pernas e braços destruídos e é torturado com a recusa de assistência médica, a restrição de água potável e falsas acusações sob a ameaça de extradição. «Não pode andar nem comer só e deveria estar sempre assistido por cuidados de enfermagem; não tem assistência médica e a péssima alimentação da cadeia põe em risco a sua vida, não recebe a dieta recomendada, tem insuportáveis dores.(…) Foi abordado por dois homens com aspecto de estrangeiros na área de saúde da prisão e estes pressionaram-no dizendo-lhe que seria extraditado para os Estados Unidos se não confessasse. (…) Foi desterrado para longe da família, o que viola um direito fundamental. Na área onde se encontra há nove presos que não estão correctamente assistidos, inclusive há um doente em estado terminal e nem cuidados de enfermagem têm. Têm restrições ao consumo de água .

O preso político de guerra Diomedes Meneses Carvajalino foi vítima de torturas por parte do Estado colombiano que lhe tirou um olho com um punhal e tentou assassina-lo em repetidas ocasiões,«está numa cadeira de rodas devido a uma paraplexia causada pelas torturas executadas por funcionários do Gaula» . Além disso está sendo empurrado para a morte por tortura pois é-lhe recusada assistência médica: «devorado por uma bactéria agressiva que lhe esta a carcomer o tecido muscular e ósseo (…) a infecção já avançou para o glúteo, afectando a sua integridade física: está em risco de amputação (…). Há mais de dois anos que a bactéria o está a destruir (…). Em circunstâncias semelhantes estão milhares de presos que não são tratados nas prisões colombianas, locais onde se tortura sistematicamente, desrespeitando o Estado colombiano as suas obrigações constitucionais de respeitar os DIH, os direitos humanos», denuncia o Comité de Solidariedade com os Presos Políticos (CSPP).

A situação dos presos mais idosos nas prisões colombianas, estropiados ou com doenças crónicas, é uma vergonha para a humanidade: a superlotação, a insalubridade, a privação de água, a comida em decomposição, as agressões físicas dos guardas ou dos paramilitares degrada-os inexoravelmente. Ivá Cepeda denunciou: «A gravíssima situação expressa-se em mais de 400 pessoas com doenças em estado terminal» . A devida redução de pena e libertação de presos estropiados ou doentes terminais é, por ódio, recusada. Em Maio de 2012 denunciam: «O prisioneiro Nelson Guzmán encontra-se quadriplégico e sem cuidados médicos adequados, em condições miseráveis (…). O juiz Escobar nem sequer se deu a trabalho de vir vê-lo, apesar da solicitação de prisão domiciliária. Idêntica situação acontece com presos idosos que gravemente doentes.»



Recusa de assistência médica constitui um «atentado contra a vida»

O CSSP denuncia em Maio de 2012 que «os presos políticos com cancro( câncer ) continuam sem receber cuidados médicos por parte do Estado»: 

Os presos políticos com cancro Luis Alberto Jaimes Garcia, Vicente Saúl Valcarcel Albarracín e João Emílio Calle Cabeza, encarcerados na prisão de Palogordo, continuam sem receber o necessário tratamento médico e a sua saúde deteriora-se todos os dias (…); Luis Alberto Jaimes, diagnosticado com cancro do colon (…) sem que até agora tenha começado com as sessões de quimioterapia determinadas pela junta de oncologia (…). Vicente Albarracín, a quem foi diagnosticado um cancro no recto, disseram-lhe que devia submeter-se a tratamento de quimioterapia, mas que CAPRECOM não tinha o medicamento (…). Juan Emílio Calle, de 33 anos, foi-lhe diagnosticado um linfoma Hodcking, desde 2008. Apesar da gravidade da doença encontra-se sem cuidados médicos há já dois anos (…). «Desde Janeiro de 2012 o seu estado de saúde piorou claramente (…), e o oncologista prescreveu-lhe quimioterapia, e que terminado este procedimento devia proceder a um transplante de medula óssea. Apesar desta ordem médica, Juan Emílio não recebeu qualquer tratamento, pelo que o seu estado de saúde piora, já só pesa 54 quilos, tem febre permanentemente, constante dores de cabeça e no corpo, pouco sono e visão nebulosa, entre outros sintomas.

A falta de cuidados de saúde constitui um atentado contra a vida e a dignidade humana, para além de ser um tratamento cruel e desumano. O Estado colombiano tem a obrigação de respeitar, proteger e garantir a respeito total pelos direitos fundamentais nas cadeias. O seu não reconhecimento aos presos políticos representa uma violação tanto do direito internacional do DDHH, como do DIH. É imperioso vigiar o que se passa nas cadeias colombianas.
As sovas estão interligadas à recusa de assistência médica


É com sovas que os presos são assassinados, como aconteceu com Ricardo Contreras – um dos casos conhecidos: moído à paulada e recusada a assistência médica. Os presos desesperados fazem greves de fome na esperança de parar a tortura, alguns até cosem a boca; mas as torturas e a negação de assistência médica continuam a ser um mecanismo de agressão contra a vida dos presos. Jhon Leyner Delgado foi «submetido a isolamento por se recusar a assinar um documento onde se culpava (…). Ao recusar assinar, a sova que lhe foi dada pelos guardas provocou-lhe múltiplas feridas. Não teve atendimento médico.
Por ter sido submetido a tortura iniciou uma greve de fome. Com o objectivo de exigir respeito pelos seus direitos fundamentais e pelo seu direito à saúde em particular», denuncia o CSPP . Em 11 de Julho de 2012 morre Jair Benavidez Suaréz, «depois de três meses de isolamento prolongado e fortes sovas do INPEC».


Denúncias contra o INPEC e o Estado ficam impunes


O Movimento das Vítimas e Crimes de Estado afirma: «A Provedoria de Justiça apresentou em 14 de Outubro (2011) uma denúncia penal contra o General Ricaurte, director do INPEC, por presumíveis actos de tortura. A tortura nas prisões continua a ser uma prática sistemática, que permanece em total impunidade. Tal como diz a Coligação Colombiana Contra a Tortura no seu Relatório de Continuação das Recomendações do Comité contra a Tortura das Nações Unidas, (…) entre o ano 2010 e o ano de 2011, a Procuradoria do Povo de César reportou, só no estabelecimento de alta segurança de Vallepur 220 queixas de presos contra funcionários do INPEC, das quais, 46 são maus tratos físicos, tratamentos cruéis, desumanos e degradantes».
Ampliar a solidariedade e denunciar internacionalmente é um imperativo humanitário. As denúncias que conseguem sair dos cárceres colombianos ficam impunes, e não são mais do que a ponta do iceberg: «Nenhum documento escrito entra ou sai das prisões sem censura prévia». A impunidade ampara os torturadores, enquanto um comportamento respeitador dos DDHH é castigado: quando há juízes que se recusam a avalizar as farsas judiciais do Estado, são assassinados e aprisionados politicamente, como aconteceu com o juiz Oscar Hurtado, detido por recusar legalizar capturas massivas e detenções arbitrárias.

As mães dos pais caminharam nuas em Maio de 2012, «contra a tortura, a falta de água, a não garantia do direito à saúde, as transferências internas para centros penitenciários afastados das suas famílias (…). Nós, familiares sentimos como próprios os sofrimentos que padecem os nossos seres queridos nos centros de tortura chamados cárceres (…). O sistema jurídico colombiano entrega sem hesitação os seus nacionais à extradição (…). Despimo-nos para sermos escutadas.».

Tortura contra presas políticas, chantagem com os filhos

As presas políticas denunciam também torturas físicas, psicológicas e a negação de assistência médica e a insalubridade. Há casos em que as torturas a vulneram de forma tão definitiva com o caso de Marisela Uribe Garcia, detida com mais de 5 meses de gravidez de gémeos, que perdeu por tortura.
Marisela denunciou a maior fossa comum do continente situada na Colômbia com mais de 2.000 cadáveres desaparecidos nas mãos do Exército colombiano, situada por trás do Batalhão militar da Força Omega.
Às presas políticas reduzem-lhe as visitas dos filhos, obrigando estes a situações dramáticas. As presas denunciam a chantagem de que são vítimas como forma de tortura utilizado pelo INPEC, implicando os seus filhos. As visitas ou a redução da pena são impedidas como retaliação contra a organização política. As crianças estão expostas à possibilidade de serem entregues a orfanatos, no caso de não terem um familiar que os acolha. Às mães chefe de família viola-se o seu direito a prisão domiciliária, como é o caso de Liliany Obando, socióloga, que passou quase 4 anos presa sem provas, durante os quais lhe foram recusados os seus direitos constitucionais como mãe chefe de família.
Liliany diz: «O terrorismo de Estado instalado na Colômbia ou faz desaparecer o seu opositor político, ou o assassina, ou prende-o (…) Uns 90% das mulheres privadas da liberdade somos mães, a maioria mães chefe de família. É muito grave que uma justiça vingativa ponha na cadeia as mulheres mães, porque isso penaliza os filhos. Estas meninas e meninos vão ficar gravemente marcados pela experiência de terem as suas mães na cadeia […] Muitos deles se não têm um familiar que cuide deles crescem numa instituição do Estado, que é praticamente outra prisão, onde vão estar recluídos, e somente poderão visitar as suas mães uma vez por mês, e por poucas horas. Algumas mulheres chegam à cadeia em plena gestação. Até á idade de 3 anos podem ficar com os filhos (em algumas prisões). Há estúdios que demonstram que estas crianças que cresceram nas prisões, têm psicologicamente muitos problemas… mas esta é a única opção para quem não tem com quem deixar os seus filhos (…). Estas condições violam os direitos das crianças».
As prisioneiras políticas sofrem reiteradas agressões, são obrigadas a conviver com para-militares: «expondo-nos e aos nossos visitantes, a quebras de segurança. Exigimos que se dê cumprimento às leis internacionais de classificação de internadas por facto punível e que sejamos separadas das detidas para-militares de "Justiça e Paz" (…). Também alertam: «Não há diagnósticos sobre doenças crónicas ou terminais, não se respeitam os tratamentos pós cirúrgicos ou não se fornecem os medicamentos». Situações tão graves como as que denunciaram as prisioneiras políticas de ERON Cúcuta: «há várias presas com ordens de cirurgias com 10 e 12 meses de antecedência e não foram atendidas».

Tratamentos degradantes e humilhações de índole sexual

As torturas e vexames alinhavados neste texto são apenas uma ínfima parte da realidade, são a ponta visível. Notícias Uno reportou a denúncia de violações sexuais por parte de guardas: «Uma reclusa foi abusada pelos guardas da prisão em Valledupar. Segundo a denúncia os guardas estariam a abusar de outras reclusas. O INPEC ordenou uma investigação, mas não mudou a presa, pelo que continua à guarda dos guardas denunciados. "Vêm buscar as mulheres e têm relações sexuais com elas, é um abuso de autoridade" Quatro polícias estão a ser investigados por induzir as detidas a prostituírem-se. ERU disse que a violação (…) depois disso continuou o acosso, a burla e depois denunciei outro intendente que se meteu na cela porque segundo ele já o tinha feito com outro guarda».


Os familiares visitantes sofrem «abusos mexendo-lhes nas partes íntimas», apesar disso os presos denunciam:temos de suportar todo o tipo de, tratamentos cruéis, desumanos e degradantes; submetidos a vexames como ser revistados totalmente nus e obrigados a fazer genuflexões perante os guardas (…). Este tipo de revistas são proibidos pelo Tribunal Constitucional» , mas a impunidade ampara a continuidade da tortura.


Azalea Robles
Fragmentos do texto original. Texto completo poderá ler no link abaixo.
Fonte: O Diário em www.odiário.info


Taxista que cobrou 55 euros do aeroporto ao centro de Lisboa acusado de especulação

Homem está acusado de nove crimes, um deles na forma tentada porque foi apanhado pela polícia. No total, cobrou cerca de 276 euros a mais do que deveria.
Viagem desde o aeroporto até ao Marquês de Pombal custou 35 euros MIGUEL MANSO/ARQUIVO


Uma taxista que fazia serviço na praça do aeroporto de Lisboa foi acusado pelo Ministério Público de dois crimes de furto e nove crimes de especulação, um deles na forma tentada. O homem, que está em prisão preventiva, chegou a cobrar até oito vezes acima do preço normal da viagem.
A 15 de Setembro de 2011, o taxista cobrou 55 euros por uma viagem do aeroporto de Lisboa até ao Hotel Vip Inn Veneza, na Avenida da Liberdade. O preço certo seria 6,90 euros - ou seja, cobrou oito vezes mais do que deveria. Mas o crime era recorrente.
Numa nota publicada nesta quarta-feira, a Procuradoria-geral Distrital de Lisboa (PGDL) faz uma lista dos crimes, que praticava sem ligar o taxímetro e entregando facturas de recibo de outros veículos. No total, cobrou mais 276,48 euros do que deveria.
O primeiro crime foi detectado em 2010: a 27 de Dezembro, o arguido cobrou 35 euros pelo transporte do aeroporto de Lisboa para o Hotel Sheraton, em Picoas. Deveria ter cobrado 6,15 euros.
A 11 de Fevereiro de 2011, foi "surpreendido pela PSP" a transportar clientes do aeroporto com o taxímetro desligado, diz a PGDL. "Só por isso", continua, "não logrou cobrar preços ilegais". Mas nem isto o demoveu. A 25 de Fevereiro, uma viagem do aeroporto até ao Marquês de Pombal rendeu-lhe mais 27,5 euros do que era suposto: em vez de 7,50 euros, cobrou 35.
Em Maio, três novos crimes detectados pela polícia. No dia 9, o transporte de clientes até ao Centro Cultural de Belém custou-lhes 45 euros, quando deveria ter custado 10,35 euros. No dia 18, pela viagem desde o aeroporto até à estação de autocarros de Sete-Rios cobrou 40 euros - o preço certa seria 6,75 euros. A 20 do mesmo mês, em vez de 11,72 euros pelo transporte até Frielas, Loures, cobrou 38 euros.
A 17 de Setembro, no transporte do aeroporto até ao Hotel Mercure, na Praça de Espanha, os turistas pagaram 39 euros, quando deveriam ter pago 8,15. Em Outubro, no dia 16, nova viagem que rendeu quase sete vezes mais do que devia: entre o aeroporto e o Hotel Corinthia, na zona de Sete-Rios, cobrou 55 euros, quando o taxímetro deveria contar 8 euros.
A PGDL diz ainda que o arguido está actualmente em prisão preventiva "à ordem de outro processo", sem referir a que diz respeito esse mesmo processo. Segundo a nota, o Ministério Público deduziu acusação pedindo o julgamento em tribunal colectivo.

ÀS PORTAS DO 25 DE ABRIL: PARA ONDE VOU COM OS MEUS FILHOS?


Bom dia.
Gostaria que ficasse a saber da minha situação, somos uma família de Évora com dois filhos menores que temos passado muita dificuldade ja alguns meses que tentamos sobreviver com 70 euro , não conseguimos fazer face as despesas nem a alimentação , estou inscrito a 9 anos na casas de habitação social na Habevora já tivemos uma acção de despejo a 6 anos atrás com uma crianças com um mês e a Câmara de Évora nada fez simplesmente me deixou na rua neste momento tenho ate ao dia 26 deste mês para sair da casa onde me encontro e PERGUNTO PARA ONDE VOU COM OS MEUS FILHOS ? terei que ir para a porta da CÂMARA.
Ja fazemos tudo o que estava a nosso alquase ja fomos a dois canais da comunicação social fui a um programa no canal SIC informamos o nosso Pais todo da nossa situação e o que a Câmara nos esta a fazer ,as respostas da Câmara e que não tem casas, isso deve ser uma brincadeira nao tem ! tem e continua a dar casas a pessoas que tem rendimentos e deixam uma família que não tem rendimentos na rua e revoltante na 3 feira estarei na Câmara e vou pedir ao SR PRESIDENTE QUE ME RESPONDA em que grau a minha família esta pois na Câmara dizem que e grau 1 urgente mas como eu esta a vizinha do lado que tem um T1 com dois filho e o ordenado do marido eu que não tenho nada estou depois dela ou seja eu vou ficar na rua e ela com casa se poder e quiser ajudar o meu contacto e 968433494 pois ja estou para o que der e vir se tiver que ir para a porta da Câmara gritar ate me ouvirem terei que o fazer obrigada.

25 DE ABRIL

"Viver e não apenas recordar" o espírito da revolução


"Viver e não apenas recordar" o espírito da revolução
Fotografia © D.R.

Cerca de 60 pessoas juntaram-se hoje em Lisboa para "viver e não apenas recordar" o espírito do 25 Abril, precisamente no momento em que, há 39 anos se iniciaram as operações militares que depuseram o regime do Estado Novo.

Em cima de uma cadeira, de microfone na mão e cravo vermelho ao peito, hoje à noite no Largo São Sebastião da Pedreira numa iniciativa de militares de Abril, o coronel Andrade da Silva, que há 39 anos foi um dos operacionais da revolução, disse que este ano se devia viver a efeméride "com um novo conceito", para que não seja só uma recordação.
"Vamos fazer o que a liberdade consente, com respeito", exclamou, lamentando que ainda exista uma "nação pouco reconhecida para os filhos da pátria".
Dito isto, Andrade da Silva gritou "viva a chamite", no momento em que um desses veículos militares dobrou a esquina do antigo quartel do Governo Militar de Lisboa.
Soou a musica "E Depois do Adeus", na voz de Paulo de Carvalho, primeira senha da revolução, entoada na sessão de hoje por alguns dos presentes.
Tinham já sido distribuídos cravos vermelhos pelos participantes, muitos deles militares de abril, à medida que vários intervenientes foram subindo a uma cadeira - um improvisado palanque - para uma espécie de tribuna pública.
Foi aí que se falaram das conquistas democráticas, dos problemas atuais do país, do que se passou há 39 anos, da tortura da Pide, das manobras militares.
Entre palmas ainda gritaram "a liberdade é de todos" e "25 de abril sempre, fascismo nunca mais".
Entre os presentes, houve quem criticasse que se vive "num estado policial", por causa da presença no local de uma dezena de agentes da polícia.

um artigo do jornal (i)Como seria o golpe. Plano de operações do 25 de Abril em 2013 - Está aberta a discussão !


Como seria o golpe. Plano de operações do 25 de Abril em 2013

E se o 25 de Abril fosse hoje? Os cenários, os envolvidos e as consequências seriam algo diferentes em 2013

Populares cantam "Grândola" e recordam primeiros minutos de liberdade




Populares cantam "Grândola" e recordam primeiros minutos de liberdade


Dezenas de pessoas entoaram aos primeiros minutos de hoje o "Grândola Vila Morena" na estreita rua Ivens, em Lisboa, à porta da Rádio Renascença, onde há 39 anos, a canção serviu de senha para a revolução de abril.

A concentração visava recordar um dos momentos importantes das operações militares que desencadearam a revolução de 25 de Abril de 1974 e nesta evocação estiveram presentes militares, cidadãos anónimos que, de cravo vermelho e punho erguido, cantaram a música de José Afonso.
Em declarações à agência Lusa, Vasco Lourenço, capitão de abril, sublinhou que é preciso "subverter a população, pô-la a lutar pelos seus interesses. Os portugueses não podem ficar amochados, com medo, levados por aquelas palavras de ordem de que não há alternativas. Há e nós temos que ser capazes de as encontrar".
Junto à Rádio Renascença esteve estacionado um chaimite, motivo maior de curiosidade para quem se aproximou e quis registar o momento fotográfico. Atrás do veículo, mulheres vendiam cravos vermelhos a um euro cada.
Momentos antes, no Largo de São Sebastião da Pedreira, junto ao antigo quartel do Governo Militar de Lisboa, cerca de 60 pessoas, sobretudo militares hoje na reforma, juntaram-se para "viver e não apenas recordar" o espírito do 25 de Abril.
Em cima de uma cadeira, de microfone na mão e cravo vermelho ao peito, o coronel Andrade da Silva, que há 39 anos foi um dos operacionais da revolução, disse que este ano se devia viver a efeméride "com um novo conceito", para que não seja só uma recordação.
Deram-se vivas à liberdade, cantaram-se as duas senhas da revolução - "E Depois do Adeus" e "Grândola Vila Morena" - e aprovou-se uma moção contra a corrupção, contra "a destruição das conquistas de Abril" e contra "o dramático empobrecimento de Portugal".
Durante o encontro foram distribuídos cravos vermelhos pelos participantes e vários intervenientes foram subindo a uma cadeira - um improvisado palanque - para uma espécie de tribuna pública.
À agência Lusa, Andrade da Silva, um dos promotores do encontro, contrariou a ideia de reine algum marasmo entre os portugueses face à crise que o país atravessa.
"Não há marasmo nenhum. Há falta de liderança, há uma certa piolheira intelectual. Os senhores doutores, com as licenciaturas todas, que deixem os lugares bons e venham ao povo, falem ao povo e que a comunicação social cumpra o seu trabalho", disse.
A opinião foi corroborada por Henrique Mendonça, oficial na reforma e outro dos promotores da iniciativa: "Procurando sensibilizar a população de que há 39 anos começavam as primeiras tropas a sair, com uma saída que já não tinha volta. A volta era o futuro."