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segunda-feira, 15 de abril de 2013


“As Aparências Enganam”: Frida Kahlo E A Moda

Quando Magdalena Carmen Frida Kahlo y Calderón nasceu, em 1907, nunca imaginou que se transformaria em referência de moda mais de 100 anos depois. Muito menos deve ter pensado que, após a poliomielite na infância e o acidente de bonde, problemas que lhe deixaram sequelas no corpo, seu nome seria considerado um ícone fashion.
Desfiles de Moschino, Christian Lacroix e Jean Paul Gaultier
Embora a artista mexicana seja muito mais conhecida e lembrada pelo trabalho na pintura, especialmente por seus autorretratos, sua aparência marcante e autêntica a fez tornar-se um ponto de destaque numa sociedade na qual a padronização e a massificação dão o tom. Além disso, o visual deFrida vinha sempre acompanhado de atitude e consciência crítica, características que têm se tornado cada vez mais raras, seja na moda, seja nos modelos culturais da atualidade.
Frida Kahlo viveu grande parte de sua vida na Casa Azul, em Coyoacán, no México, local onde até hoje estão guardados seus objetos de afeto e de memória, tais como artefatos folclóricos, quadros, roupas e joalheria artesanal. O vestuário da pintora era composto basicamente por peças representativas dospovos indígenas mexicanos, como colares com símbolos astecas (pedra jade, desenhos com círculos, cruzes e serpentes) e o vestido tehuana, característico das mulheres zapotecas, que, por sua vez, lutaram por ideais de liberdade e independência econômica para seu povo. Após a revolução de 1910, que depôs o governo de Porfírio Diaz, o orgulho nacional cresceu, e diversos artistas mexicanos passaram a criar suas obras em torno de temas nacionais. Ao se vestir com peças que representavam as antigas civilizações pré-colombianas, Frida fazia de sua roupa uma forma de expressão política e de apoio à ideologia pós-revolucionária.
Frida adotou esse tipo de vestuário a partir da cerimônia de seu casamento com o pintor Diego Rivera, em 1929, quando usou um traje popular, emprestado pela empregada de seus pais, composto por saia longa e estampadablusa e rebozo. O rebozo é uma peça tão utilizada pela artista mexicana que ele está presente tanto em fotografias quanto em seus autorretratos. Trata-se de uma espécie de xale comfranjas, confeccionado em diferentes tipos de material, dos mais simples aos mais nobres, e seu uso é comum entre as mulheres mexicanas de diversas classes sociais. Ao usar correntemente o rebozocruzado no peito, Frida fazia alusão ao modo como o usavam as revolucionárias soldaderas.
Assim, nada em Frida era por acaso. Seja para disfarçar seus problemas físicos, contra os quais lutou até o fim da vida, em 1954, seja para expressar-se politicamente, as roupas de Frida Kahlo eram a tradução visual de sua personalidade forte e de sua força de expressão. Tanto é que podem ser vistas também em diversas de suas telas, como “Meu vestido pendurado lá ou Nova York” (1933), “Memória ou O coração” (1937) e “Autorretrato com vestido de veludo” (1926), para citar algumas. Mais do que adepta de um caráter étnico, o estilo de Frida é a prova de que moda e política podem caminhar de mãos dadas.
Em 1958, a Casa Azul se transformou no Museu Frida Kahlo, com a missão não apenas de preservar o legado e a história da artista mexicana, mas também de mostrar o quanto a autenticidade e a exuberância das roupas de Frida fazem bem ao mundo da moda.
Para saber mais:
  • Exposição Las aparencias engañan: los vestidos de Frida Kahlo. Museo Frida Kahlo, Londres 247, Col. del Carmen, Coyoacán, México. A partir de 22 de novembro de 2012. Site: www.museofridakahlo.org.mx
  • Filme “Frida” (2002). De Julie Taymor, com Salma Hayek e Alfred Molina. Canadá/México/EUA.
  • Livro “Frida – a biografia”. Hayden Herrera. Rio de Janeiro: Editora Globo, 2011.
  • Livro Self Portrait in a Velvet Dress: The Fashion of Frida Kahlo. Carlos Phillips Olmedo et allii. Chronicle Books, 2008 (em inglês).

O PODER E SUA MALDIÇÃO

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Desde que a história do poder começou a ser escrita, dela tem sido inseparável o registro da corrupção. Contra a corrupção do poder, Savonarola, sugeriu um governo de santos. Platão um governo de sábios austeros. Em uma de suas famosas cartas, algumas tidas como apócrifas, ele fala da perversão do poder pelo hedonismo em Siracusa – ele que fora mal sucedido conselheiro de dois de seus tiranos, Dione e Dionísio. Pôde entender Platão que uma coisa são as idéias, outras, os homens.
            Savonarola é o modelo de todos os combatentes da corrupção na História. Coube-lhe opor-se ao mais corrupto e corruptor de todos os papas, Rodrigo Borgia, que ocupou o trono com o nome de Alexandre VI. O frade dominicano desafiou o papado e soube esquivar-se da astúcia do Pontífice, que lhe ofereceu tudo, até mesmo o chapéu cardinalício, com o propósito de  retirá-lo da Toscana, onde se sentia seguro.
           O monge acabou sendo vencido pelas armas, preso, julgado e condenado à morte. Naquele episódio, e em outros, Mamon, o deus do papa, se sobrepôs ao Cristo de Savonarola.
           Ainda agora se revela, pelo Wikileaks, que o  considerou natural a repressão no Chile de Pinochet, e exagerada a reação mundial, provocada pelas forças de esquerda, contra o golpe.
            A morte de Mme. Thatcher convida a uma viagem pela geografia da corrupção por excelência. Provavelmente não se conheça, em toda a História, processo mais extenso e mais profundo de corrupção da política pelo poder financeiro do que o eixo entre Washington, com Reagan, Londres, com a dama de ferro, e o Vaticano, com Wojtyla, no início dos 80. Convenhamos que os que os corromperam souberam fazê-lo.
            
 
Na conspiração, que se selou em encontro na Biblioteca do Vaticano, Reagan e Wojtyla - em menos de uma hora - com a presença de Alexander Haig, acertaram os movimentos coordenados para destruir o sistema socialista, acabar com o estado de bem-estar social no resto do mundo e  globalizar o sistema econômico mundial. Nenhum dos três seria capaz de engenhar o plano, que – tudo indica – lhes foi entregue pelo Clube de Bilderbeg.
            É conveniente registrar que não tiveram muitas dificuldades na União Soviética, cujos burocratas, seduzidos pelo “doce charme da burguesia”, sonhavam com a vida faustosa dos executivos norte-americanos e ingleses.
            E dificuldades ainda menores nos países em desenvolvimento, alguns deles, como o Brasil, com recursos internos que lhes permitiam resistir à desnacionalização de sua economia. Como se sabe, ocorreu o contrário, com a embasbacada adesão dos dois Fernandos ao Consenso de Washington.
         

O resultado do processo está aí, com o desmoronamento da economia européia, o avanço da pobreza pelos países centrais, e a corrupção, alimentada pelo sistema neoliberal, grassando pelo planeta inteiro.

         
Os maiores bancos do mundo exercem diretamente o poder político em alguns países, como o Goldman Sachs o exerceu na Itália, com Mario Monti, e Papademus, na Grécia, até as eleições. Isso sem falar no Banco Central Europeu, sob o comando de Mario Draghi, também do mesmo banco. No passado, os Estados intervinham no sistema financeiro, para controlá-lo e proteger os cidadãos; hoje, os bancos intervêm nos Estados, com o propósito de garantir seus lucros, o parasitismo dos rentistas e as milionárias remunerações de seus “executivos”.
         Para fazer frente ao descalabro da economia, causado pela ficção dos derivativos, os governos europeus cortam os gastos sociais e levam famílias inteiras à miséria e ao desespero. Idosos são expulsos de suas casas, por não terem como pagar as prestações ou os aluguéis, os hospitais públicos reduzem o número de leitos, as indústrias recorrem à falência, e os suicídios se sucedem. Há dias, sem dinheiro para honrar compromissos de pequena monta, um casal de meia-idade, que possuía seu negócio de fundo de quintal, se enforcou, em Civitanova, na Itália. O irmão da senhora, atingido pela tragédia, também se matou, afogando-se no Adriático.
      
 
 Em Portugal – e ali sobram capitais privados ociosos, que adquirem, sôfregos, ativos brasileiros – o desespero atingiu limites extremos, e a União Européia, de joelhos diante dos banqueiros, exige de Lisboa maiores cortes no orçamento social.
         
 
No fim de um de seus mais belos romances, Terra Fria, o escritor português Ferreira de Castro dá à mulher a notícia da presença de um militante revolucionário na cidade:
         “Ele disse que chegará o dia em que haverá pão para todos”.
          E, com o pão, a dignidade – é a nossa esperança. 



Texto: Mauro santayana 

Free Ilustration by: militanciaviva!

Fuga espectacular de prisão francesa deixa Interpol em estado de alerta

Redoine Faïd conseguiu o impensável. Fugiu de uma cadeia no Norte de França. Para trás deixou um rasto de destruição, com explosões e o sequestro de guardas prisionais.

Cinco explosões, sequestro de guardas, viaturas roubadas e fuga de uma prisão. Tudo parece fazer parte do argumento de um filme de acção mas aconteceu na realidade, no último sábado, na prisão francesa de Sequedin, a cerca de 15 quilómetros da fronteira belga, no Norte do país. Foi com este aparato que Redoine Faïd conseguiu fugir do estabelecimento prisional, onde cumpria um pena por tentativa de assalto à mão armada. Após a fuga, foi emitido um mandado de captura europeu.
Segundo dados avançados pelas autoridades e citados pelos mediafranceses, pelas 8h30 de sábado, Redoine Faïd, de 40 anos, aproveitou a habitual inspecção às celas para pôr em prática um minucioso plano de fuga, um autêntico “acto de guerra” como classificou depois o sindicato dos guardas prisionais.
Durante cerca de meia-hora conseguiu o impensável. Saiu da cela, já armado, e disparou um tiro para o ar. Com a arma intimidou quatro guardas, que manteve sob sequestro. Após o disparo, foi dado o alerta para uma tentativa de fuga de um detido. Antes que fosse interceptado, fez explodir cinco portas, umas atrás de outras, para chegar ao exterior. Acabou por deixar três dos guardas para trás mas manteve consigo um quarto, que obrigou a entrar num carro que o aguardava conduzido por um cúmplice numa estrada próxima da prisão. Pouco depois, a viatura era encontrada na A25, na zona de Ronchin, incendiada. Perto do carro estava o guarda que foi sequestrado. Faïd entrou depois numa segunda viatura de cor branca. O paradeiro de Faïd, agora o homem mais procurado em França, é desconhecido desde então.
Uma “caça ao homem” foi de imediato lançada, com o apoio de um helicóptero e de cerca de uma centena de polícias. A operação foi entretanto alargada às autoridades belgas, que com o apoio dos colegas franceses vigiam estradas, estações de comboios e aeroportos para tentar encontrar Faïd. Esta segunda-feira, a ministra francesa da Justiça, Christiane Taubira, confirmou que foram emitidos um mandado de captura europeu e um pedido de detenção pela Interpol contra o homem de 40 anos, que pela segunda vez se encontrada no topo da lista de prioridades da polícia francesa, como recorda o Le Figaro.
Durante cerca de um ano, Faïd, um francês de origem argelina, foi procurado por ter liderado um assalto à mão armada, durante o qual um polícia municipal de 26 anos foi morto. Foi por este crime que estava a cumprir uma pena em Sequedin desde 2011.
Homem "inteligente e perigoso"
Redoine Faïd ficou conhecido em França pelos assaltos que cometeu no passado. Em 1998, após três anos em fuga, parte deles na Suíça, como depois se confirmou, acabou por ser detido. Foi condenado a 20 anos de prisão, tendo passado mais de uma década em prisões de alta segurança em França. Após ter sido libertado antes de cumprir a totalidade da pena, escreveu, em 2009, o livroBraqueur (Assaltante), onde descreve como cresceu no mundo do crime organizado. É com este livro que mostra a sua obsessão com os filmes de acção, descrevendo crimes que terá cometido como autênticas cenas de filmes de acção como Cães Danados (1992), de Quentin Tarantino, ou Cidade sob Pressão (1995), de Michael Mann.
Desde então é conhecida a sua personalidade forte e destemida, que gostou de promover em entrevistas que foi dando antes de ser novamente detido em 2011. Conhecido como “Doc”, é tido entre as autoridades como um homem “inteligente e perigoso” e “perito na arte do disfarce”.
Até esta segunda-feira, não havia qualquer pista sobre o paradeiro de Redoine Faïd e todos os testemunhos estão a ser revistos pela polícia. O irmão de Faïd é mantido sob apertada vigilância, para que seja interceptado qualquer tipo de contacto que o fugitivo possa tentar com o seu familiar.
Apesar de ser considerado um homem perigoso, Faïd era considerado um detido comum em Sequedin, sem que estivesse sob medidas suplementares de vigilância, como admitiu à AFP Etienne Dobremetz, representante regional do sindicato dos guardas prisionais Ufap/Unsa Justice.
O problema da sobrelotação da prisão de Sequedin poderá ter movitado a fuga. À CNN, um porta-voz do Ministério da Justiça francês admitiu que a cadeia ultrapassou a sua capacidade para receber detidos, o que coloca em perigo a actividade dos guardas prisionais, sobre quem recai agora grande parte da atenção. Como foi possível Faïd ter tido acesso a armas e explosivos e manter sob sequestro quatro guardas? Ninguém avança com respostas.

Pelo menos dois mortos e 23 feridos em duas explosões na maratona de Boston

Pelo menos dois mortos e 23 feridos em duas explosões na maratona de Boston

(Em atualização) Pelo menos duas pessoas morreram, esta segunda-feira, na sequência de duas explosões que ocorreram junto à meta maratona de Boston, nos EUA, na qual participavam milhares de corredores, entre os quais atletas portugueses.

A polícia confirmou a morte de duas pessoas e ferimentos em pelo menos 23, adianta a agência France Press.

O jornal "New York Times" adianta que as duas explosões foram ouvidas dentro do Fairmount Copley Plaza Hotel.

As imagens das televisões em direto do local mostram cenas de pânico, com as destroços a cobrirem as ruas e feridos a serem levados em macas.

Testemunhas oculares afirmaram à CNN que as duas explosões deram-se em sequência, uma a seguir à outra, e não em simultâneo.

Segundo a mesma cadeia de televisão, há pelo menos seis feridos confirmados, quatro dos quais deram entrada até agora no Hospital Geral de Massachusetts.

Duas novas bombas são encontradas perto do local das explosões em Boston

Explosão deixa feridos na Maratona de Boston26 fotos

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Membro do esquadrão antibombas dos Estados Unidos investiga objeto suspeito após explosões na Maratona de Boston Leia mais Alex Trautwig/Getty Images/AFP

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Um oficial sênior do setor de inteligência da polícia norte-americana informou que outras duas bombas foram encontradas próximas ao local em que ocorreram as explosões na chegada da Maratona de Boston, segundo informações da agência Associated Press.
O oficial, que não quis se identificar, pois não estava autorizado a dar entrevistas, revelou que os dois novos explosivos foram desarmados.
Não estava claro, no entanto, qual tipo de artefato se tratava. O policial ainda disse que não havia indícios do motivo das explosões.
Além das duas explosões ocorridas próximas à linha de chegada da Maratona de Boston, no estado de Massachusetts, a polícia confirmou uma terceira na Biblioteca JFK.
"Houve um terceiro incidente. Foi uma explosão na biblioteca JFK. É o evento que temos neste momento. Recomendamos que as pessoas fiquem em casa e não se reúnam em grandes grupos. Vamos esperar estabilizar esta situação", Ed Davis, comissário da polícia de Boston durante entrevista coletiva.
Ele falou que não pode dar número exato de vítimas e ainda confirmou que a terceira explosão foi há meia hora.
Segundo informações divulgadas no Twitter do Departamento de Polícia de Boston, pelo menos duas pessoas morreram, e outras 23 ficaram feridas após as explosões.
Aproximadamente três horas depois que os vencedores finalizaram a prova, a primeira explosão aconteceu próxima a um hotel na Boylston Street, logo antes da linha de chegada. Antes da tragédia, a prova masculina foi vencida pelo etíope Lelisa Desisa, e a queniana Rita Jeptoo ficou com a vitória no feminino.
A segunda explosão aconteceu minutos depois da primeira, a poucos metros do hotel. Mais tarde, em uma livraria das proximidades, aconteceu a terceira. 

Explosão durante maratona de Boston - 3 vídeos

farnel - poema de António Garrochinho


olá ! eu sou o papa dos pobres


Ciganos na Europa, uma história de perseguição
Holocausto Cigano
Paris (Prensa Latina) Assentados na Europa desde os alvores da alta idade média, ao redor do ano 1400 de nossa era, os ciganos constituem a maior minoria étnica do continente e também a mais perseguida, vítima de preconceitos, discriminação e maus tratos.

Sua presença ao longo do tempo é inegável e mostra-se em várias manifestações artísticas, como a música, a pintura e a literatura, mas a percepção da sociedade sobre este grupo humano está permeada por uma série de preconceitos, errôneos a maioria deles.

Influem nisto vários fatores, como as incógnitas sobre sua origem, seu isolamento e sua negativa a aceitar outras normas de vida que não sejam as próprias.

Sabe-se que partiram de algum lugar do norte da Índia, possivelmente fugindo das invasões mongóis e muçulmanas, e depois de 600 anos chegaram ao Bósforo e dali ao sul da Grécia, numa região chamada o "pequeno Egito".

Uma das teorias sobre seu nome reforça esta hipótese pois ao chegar a terras da península ibérica foram denominados como "egiptanos", palavra que derivou na atual designação de "gitanos", ainda que entre eles se definem como "roms" segundo seu próprio idioma, o romani.

Sua indocilidade a acatar as autoridades locais, sobretudo as rígidas normas religiosas da época, e o caráter transumante fizeram que lhes começasse a imputar todo tipo de males associados a sua presença, como roubos, mortes, desaparecimento de crianças e até doenças e más colheitas.

De fato, Victor Hugo escandalizou à sociedade francesa do século XIX com seu romance Nossa Senhora de Paris, onde atribui valores morais aos ciganos e responsabiliza, em troca, pela atroz morte da protagonista feminina, Esmeralda, à turva conduta do arquidiácono Claude Frollo.

Outro tanto fez em Londres Arthur Conan Doyle, quem dá um tratamento digno aos roms em seu romance A Faixa Malhada.

Fora estes e outros poucos casos, a realidade é que os preconceitos contra os ciganos se foram acumulando durante séculos no imaginário popular, o que provocou, por sua vez, um maior isolamento entre estes grupos.

O século XX não fez senão aumentar os males destas comunidades em solo europeu, sobretudo na medida em que se fortaleceu o regime nazista e suas teorias sobre a pretendida pureza da raça ariana.

Em 1934 começou-se a praticar a esterilização de roms por meio de injeções ou castração na Alemanha e quando estourou a guerra lhes concentrou em campos de trabalho e extermínio, como Dachau, Sachsenhausen e Buchenwald.

Durante a madrugada de 3 de agosto de 1944 três mil homens, mulheres e crianças dessa raça que ainda estavam em Auschwitz-Birkenau foram assassinados nas câmaras de gás e incinerados.

O holocausto cigano é pouco estudado e desconhece-se o número exato de vítimas, mas especialistas assinalam que essa população ficou reduzida a menos da metade no final do conflito, quando suas condições de vida também não melhoraram.

Sua existência passou despercebida durante o processo de construção da União Europeia (UE), que ocupou boa parte da segunda metade do século XX, e a princípios do século atual lhes mantém à margem dos benefícios sociais e políticos destas estruturas.

A maior parte dos 10 milhões de ciganos na UE são cidadãos de países membros desse mecanismo, mas pertencem a uma espécie de segunda categoria, estão fora do chamado "estado de bem-estar", e carecem de emprego, saúde, educação e liberdade de mobilização.

Talvez de maneira involuntária a França contribuiu a que se atentasse sobre eles quando o ex-presidente Nicolás Sarkozy (2007-2012) aplicou uma política de expulsões em massa, que provocou uma onda de reações adversas em todo o continente.

Ainda que a pressão externa tenha obrigado o governo galo a frear essas medidas, a situação no interior do país tornou-se a cada vez mais precária e não mudou com a chegada das novas autoridades em maio de 2012.

A 21 de março deste ano, a Comissão Nacional Consultiva dos Direitos Humanos assegurou em seu relatório sobre racismo e xenofobia que "mais ainda que os muçulmanos, os roms migrantes sofrem de uma imagem extremamente negativa".

Segundo um questionário feito pela entidade, uma ampla maioria de franceses tem um mau conceito destes grupos, sem conhecê-los a profundidade.

Organizações humanitárias assinalam que, ao expressar sua opinião sobre esta comunidade, a população ignora ou evade o tema da proibição de lhes dar trabalho, os obstáculos para inscrever seus filhos nas escolas ou as consequências da constante destruição e desalojamento de seus acampamentos.

A cada vez que são expulsos de um lugar, as crianças perdem sua vinculação docente e os doentes, muitos com padecimentos crônicos, interrompem seu tratamento com severos danos para sua saúde.

O agrupamento Romeurope chamou a brindar-lhes maiores oportunidades aos membros da etnia e destacou o caso da jovem Anina Ciuciu quem, de deambular de menina pelas ruas de Lyon, conseguiu ingressar no ano passado à Sorbonne graças ao apoio de várias pessoas.

Segundo os especialistas, será impossível conseguir a inserção efetiva dos ciganos à sociedade, se dantes não se rompe a corrente histórica de preconceitos e discriminação, e lhes abrem as mesmas possibilidades que ao resto da população europeia.

*Corresponsável da Prensa Latina na França.
Nova centelha
Espanhóis saem às ruas de Madri para pedir o fim da monarquia
Aniversário da II República foi celebrado com um público muito maior do que nos últimos anos



Dezenas de milhares de pessoas saíram neste domingo pelas ruas de Madri em comemoração ao 82º aniversario da II República (1931-1939), uma marcha que simboliza oposição ao regime monárquico. O público, que andou por um percurso da praça Cibeles até a praça Sol e ostentava bandeiras tricolores (vermelha, amarela e roxa) da época republicana foi o maior registrado nos último anos, em um momento em que a coroa espanhola atravessa um mau momento. As informações são do jornal El Mundo.

A manifestação, em tom muito festivo e sem nenhuma ocorrência de confronto, foi convocada por cerca de vinte coletivos, que clamavam os espanhóis a saírem às ruas para reivindicar o fim da monarquia e a instauração da III República. Muitos também pedem um referendo para que a população possa decidir entre a República e a Monarquia, além da nacionalização dos bancos, uma reforma fiscal progressiva, proteção aos desempregados, reforma política, punição contra os crimes do franquismo e o não pagamento da dívida.

Agência Efe

Manifestantes com as bandeiras tricolores da Terceira República marcham em Madri

Os manifestantes entoavam cânticos como "Abaixo um Alteza com tantas baixezas!", "Amanhã, a Espanha será republicana", "Essa bandeira é a verdadeira” e "O próximo desempregado será o chefe de Estado (o rei Juan Carlos II)".

Também alguns lembravam o caso de corrupção conhecido como "Operação Babel", que envolveu o ex-jogador de handebol Iñaki Urdangarin, esposo da princesa infanta Cristina (oficialmente a Duquesa de Palma de Mallorca). Ele está sendo investigado pela polícia por uma suspeita de desvio de fundos públicos, fraude e lavagem de dinheiro através do Instituto Nóos, uma ONG de incentivo ao esporte. Para ele, os manifestantes gritavam: "Urdangarin, Urdangarin, vai trabalhar no Burger King". Ainda nesta semana, a princesa Cristina também foi formalmente acusada no escândalo. 
Além do escândalo envolvendo Urdangarin, a família real também se desgastou com uma recente viagem do rei Juan Carlos para caçar elefantes na Bostuana quando a crise das dívidas públicas europeias atingiu o país e um suposto escândalo amoroso do rei com uma empresária alemã. O rei também tem parecido pouco em público, pois enfrenta problemas de saúde.

"O rei e Urdangarin se converteram em uma fábrica de republicanos", disse Antonio Romero, coordenador da Rede Municipal pela III República e membro da direção nacional da IU (Esquerda Unida). Segundo ele, o bipartidarismo monárquico está esgotado. "A monarquia se converteu em um peso para a saída da crise. O estado não pode ser herdado como se fosse uma fazenda", afirmou.

Muitos manifestantes temem que o rei renuncie em razão dos problemas de saúde em agosto, durante o verão, quando quase todos os espanhóis estarão de férias e “imponha” seu filho, o príncipe Felipe.

Queda de popularidade

Recente pesquisa publicada em novembro de 2012 pelo jornal ABC indicava que apenas 45,8% dos espanhóis acreditavam que a manutenção da monarquia contribuia para a democracia, enquanto o apoio ao rei era de 55%. Há cinco dias, o El País publicou uma pesquisa com resultados ainda piores para a democracia: 53% dos entrevistados desaprovam a monarquia, contra 42% de apoiadores.

A avaliação anual dos espanhóis sobre a monarquia parou de ser realizada pelo CIS (Centro de Investigações Sociológicas) em 2011, quando a famílai real recebeu a nota pífia de 4,89. 

Nova centelha

O Bolivariano Nicolás Maduro é eleito presidente da Venezuela com 50,66%



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A vitória de Nicolás Maduro na eleição presidencial venezuelana já repercutiu entre os demais presidentes sul-americanos, que felicitaram o candidato do PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela) pelo novo mandato, que deverá durar seis anos. 

Hugo Chávez acaba de vencer sua última eleição. Com os resultados oficiais divulgados na Venezuela, Nicolás Maduro, seu herdeiro político, é o novo presidente do país que possui as maiores reservas de petróleo do mundo e, portanto, ocupa papel central na geopolítica global – e não apenas da América Latina. Maduro, segundo o primeiro boletim oficial, foi eleito com 50,66% dos votos, contra 49% do opositor Henrique Capriles e agradeceu a Chávez pela vitória. "Vou me entregar a Cristo redentor para ser presidente de todos e todas, e continuarei enfrentando os que odeiam para que deixem de odiar", acrescentou. Ele ressaltou que está preparado para o que vier ao argumentar que "não é uma eleição pessoal", mas de Chávez.
A vitória de Maduro é também decisiva para vários países da América Latina. Com recursos gerados pelo petróleo, a Venezuela não apenas combateu desigualdades internas (foi a país que mais reduziu o Índice de Gini na última década), como também apoiou regimes de esquerda em praticamente toda a América Latina. Chávez deu apoio decisivo à Argentina quando o país rompeu com o Fundo Monetário Internacional e também ajudou a eleger e a sustentar regimes como o de Evo Morales, na Bolívia, Rafael Correa, no Equador e, sobretudo, de Raúl Castro, em Cuba, com a venda de petróleo subsidiado. Maduro, que foi chanceler de Chávez, deve manter a mesma política. Seu desafio será construir uma liderança própria, sem contar com o mesmo carisma do antecessor.
A apoiadores, ele pediu "paz e tolerância",
Evo Morales, presidente da Bolívia, afirmou que o triunfo demostra que, frente à submissão e ao saque provocado pelo imperialismo e ao capitalismo, os povos se manifestaram democraticamente para proteger nossos recursos nautrais”. "E os resultados se respeitam”, afirmou, felicitando o povo venezuelano e o “irmão Maduro".
Para ele, os países ditos "antiimperialistas" se consolidam com a vitória da Maduro e se fortalecem através de organizações como a Alba (Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América), a Unasul (União das Nações Sul-Americanas) e a Celac (Comunidade dos Estados Latino-Americanos e do Caribe), todas idealizadas por Chávez. "A festa democrática na Venezuela também é a festa democrática de toda a América Latina".
A presidente argentina Cristina Kirchner felicitou Nicolás Maduro por sua vitória na eleição presidencial venezuelana, ocorrida neste domingo (14/04) em sua conta pessoal no microblog Twitter.
Aliada geopolítica do chavismo, ela também prometeu gratidão eterna ao presidente venezuelano Hugo Chávez : "Felicitações a todo o povo da República bolivariana da Venezuela pela exemplar jornada cívica" ; "Felicitações ao seu novo presidente, Nicolás Maduro. Memória e gratidão para sempre ao amigo e companheiro Hugo Chávez" ; "Em seu nome e no do povo venezuelano, harmonia, respeito e paz"
.

Militância activa


MÚSICA "ANTI-THATCHER" LIDERA RANKING NO REINO UNIDO E CONSTRANGE BBC


Após morte da ex-premiê, faixa “a bruxa está morta” do filme O mágico de Oz lidera as paradas de sucesso; sob pressão, emissora inglesa decidiu tocar apenas 5 segundos
A atriz Margaret Hamilton como a bruxa malvada de Oz: 70 anos depois, sua música alcança o top 10 britânico
A rede britânica BBC cedeu às pressões e decidiu não tocar a música Ding Dong! The Witch Is Dead nas tradicionais paradas de sucesso da emissora. Pelo menos não a música inteira: serão executados apenas 5 segundos da canção do filme O mágico de Oz, acompanhados de um vídeo explicativo — e inédito na história do programa dominical Radio 1 Chart Show.
Após a morte da ex-primeira-ministra, muitos ingleses anti-Margaret Thatcher iniciaram uma campanha de protesto para tentar colocar a canção no topo das paradas britânicas. A movimentação deu certo e fez o refrão “a bruxa está morta” pular para a 1ª posição das mais tocadas — no momento, é a 10ª mais pedida —, deixando a BBC sem saber o que fazer.

Popout
Tido como o responsável pela decisão final, o novo diretor-geral da emissora, Tony Hall, chegou a dizer que, pessoalmente, achava a campanha de “mau gosto”, mas que a independência editorial da BBC era “sagrada”.
Membros da alta cúpula do Partido Conservador, do qual Thatcher era representante, criticaram duramente a possibilidade da música ser executada pela BBC a três dias do funeral da ex-premiê. Na contramão, muitos chamaram de censura a decisão da emissora. Emenquetes realizadas pelo jornal The Guardian, mais de 80% dos leitores entenderam que a BBC não fez a escolha correta e preferiam que a música fosse tocada do início ao fim.
A decisão, sem precedentes, de incluir uma reportagem de notícias no programa vai tentar explicar aos espectadores por que uma faixa retirada de um filme de 1939 apareceu de repente nas paradas de sucesso. Além disso, o público-alvo do programa tem entre 16 e 24 anos de idade, poucos dos quais capaz de reconhecer facilmente o governo de Margaret Thatcher, que perdurou de 1979 a 1990.

"Dama de ferro": aos 87 anos de idade, a ex-premiê Margaret Thatcher morreu após um AVC em Londres

Nova centelha