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terça-feira, 9 de abril de 2013


Um surfista de peso


Jimbo Pellegrine:
















Portugal é porreiro pá !

Alentejanas e Amorosas (Vitorino)


Becky G - Becky from The Block


 The Block

ee LELLO KITTY'S "Relvas" - AntiCrise



LELLO KITTY'S "Relvas" - AntiCrise


paspás às suas almas

Por Samuel

Não me lembro de alguma vez ter feito festa pela morte de alguém... mesmo quando, pessoalmente, poderia considerar ter motivos para tal. Daí que asnotícias sobre os festejos a propósito da morte de Margaret Thatcher não me agradem... excepto um pormenor de génio, terrível no seu silencioso simbolismo: alguém que foi deixar um ramo de flores e uma garrafa de leite à porta da falecida ex-primeira-ministra, lembrando o facto de ter sido ela a cortar o fornecimento de leite às escolas, deixando milhares de crianças pobres sem o seu leite gratuito.

Na verdade, aqueles que sofreram na pele a paranóia fanática da “dama de ferro” não esquecem que foi ela a precursora de uma trágica viragem na política europeia moderna. Uma viragem para o neoliberalismo mais canalha. Para o egoísmo cego. Para a insensibilidade social. Para o recrudescimento da exploração selvagem.

Na verdade, por mais que os “cavacos” e os “passos coelhos” desta vida a venerem, há quem não esqueça que a megera foi uma espécie de Ronald Reagan de saias que, embora sem o poder bélico dele, era tão ou mais perigosa, por ser infinitamente mais inteligente que o idiótico fantoche dos “boys de chicago”, a matilha neoliberal que o dominava a seu belo prazer.

"Plagiando" (e adaptando) um locutor da velha Emissora Nacional dos tempos de Salazar, numa famosa piada de improviso e em directo na chegada da rainha Isabel II a Lisboa, piada que lhe valeu uma suspensão...

“Vai descer à terra a ex-primeira-ministra da Ingladita!”


Quatro almas

ALGARVE-ALENTEJO

video


Carta aberta ao reformado de Belém

«Sr. Presidente da República,
Antes de mais, desculpe vir incomodar. Eu sei que trabalha muito, 10 ou 12 horas por dia, e não pretendo maçar mais. Mas é que o assunto que me traz é mesmo muito sério e não pode esperar.
Ouvi na televisão, no dia 7, o Primeiro-Ministro – que foi empossado por si e relativamente ao qual o Sr. Presidente ainda na véspera tinha reiterado que «dispõe de condições para cumprir o mandato democrático em que foi investido» (mandato DEMOCRÁTICO, saliento) – atacar e ameaçar um outro órgão de soberania, que ainda para mais é um Tribunal, por natureza independente.
O Sr. Presidente, com a sua longa experiência em cargos políticos – que, como tanto gosta de frisar, nenhuma outra pessoa em Portugal tem… –, saberá melhor do que ninguém que os termos em que o Primeiro-Ministro hoje se referiu ao Tribunal Constitucional não são aceitáveis num Estado de Direito Democrático (como é o nosso, nos termos do artigo 2.º da Constituição).
Como entre nós vigora o princípio da separação de poderes (artigo 111.º da Constituição), «os tribunais são independentes e apenas estão sujeitos à lei» (artigo 203.º da Constituição) e que «os juízes não podem ser responsabilizados pelas suas decisões» (artigo 216.º, n.º 2 da Constituição).
Sabendo tudo isto, certamente não poderá o Sr. Presidente considerar normal que um Primeiro-Ministro, ainda que prometendo a contragosto respeitar a decisão, venha erigir o Tribunal Constitucional em inimigo público n.º 1, imputando-lhe a criação de graves problemas para os Portugueses, acusando-o de prejudicar a credibilidade externa do nosso país, culpabilizando-o pelo descalabro da execução orçamental, responsabilizando-o pelo potencial falhanço de negociações internacionais em curso, assacando-lhe culpas num eventual segundo resgate e chantageando-o quanto a decisões futuras relativas aos cortes que se avizinham na educação, saúde, etc.
Nada disto é tolerável. E tudo isto é revelador de uma imensa falta de maturidade democrática e de um assustador desconhecimento ou desprezo pelo papel dos Tribunais num Estado de Direito. A Constituição, interpretada de forma autêntica pelo Tribunal Constitucional, é um pressuposto do exercício de funções governativas. Não pode nunca ser apresentada como um obstáculo à governação, um entrave ao cumprimento de metas ou um álibi para falhanços.
(...) Assim, e face à comunicação que o Primeiro-Ministro dirigiu ao país, gostaria de saber por que razão não age o Sr. Presidente em conformidade e não toma a decisão óbvia - a demissão do Governo por o Primeiro-Ministro ter posto em causa o regular funcionamento das instituições democráticas.
Atenciosamente,»

Excerto da carta redigida por Tiago Antunes (via Shyznogud, no Jugular), que merece ser lida na íntegra. O meu amigo Victor Ferreira (que adaptou o último parágrafo) faz uma excelente sugestão: que se envie massivamente esta carta ao presidente Aníbal, através da caixa de correio que o próprio disponibilizou, para que lhe escrevêssemos.

Ladrões de bicicletas

O que preocupa a troika


Basta a primeira reacção de Bruxelas ter vindo do Simon O’Connor para se perceber que o comunicado da Comissão Europeia não passou de uma manobra concertada entre o BCE e o seu capataz loca. Depois da chantagem feita sobe o país e da falta de respeito demonstrada pela sua lei básica a troika combinou uma encenação e vem a Lisboa de urgência.
 
Quem assiste a esta palhaçada pouco digna para instituições como a EU, o BCE e o FMI pode ser levado a pensar que o governo tinha preparado um OE tecnicamente brilhante, equilibrado na distribuição do sacrifícios exigidos pela experiência mengeliana imposta ao povo português e que passados três meses de execução orçamental dava mostras de ser a solução ideal para assegurar o equilíbrio financeiro do Estado, ao mesmo tempo que permitia a retoma do crescimento e a criação de emprego no último trimestre do ano.
 
Se a troika não veio de urgência a Portugal por causa de uma queda de mais de 4 mil milhões de euros das receitas fiscais em 2012 e muito menos porque a recessão é mais do dobro do prometido pelo seu programa ou porque o desemprego é quase 20% porque razão vem por causa de 0,8% do PIB, muito menos que os desvios gasparianos? O que está em causa não é qualquer desvio colossal, o que a troika vem exigir é que a troco do dinheiro emprestado a juros elevados o país não suspenda a experiência fascista destinada a testar os papers de economistas quase desconhecidos como o ministro das Finanças ou os três palermas que a troika tem mandado a Portugal.
 
A verdade é que o impacto nas receitas fiscais da diferença entre a taxa de recessão inventada e a real é bem maior do que as consequências financeiras do acórdão do Tribunal Constitucional. A verdade é que o desvio entre as receitas fiscais inscritas no OE e as que resultam das execuções orçamentais não preocupam nem nunca preocuparam a troika.
  
A troika não está preocupada com o défice, com a falsificação das previsões, com o falhanço fiscal ou com um OE digno de um aluno do 10.º ano e não do melhor aluno da turma da Católica. O que a troika quer assegurar-se não é de que Portugal volte ao mercados ou que cumpra um memorando que não foi respeitado pela própria troika ao desprezar uma das partes em sucessivas alterações. O que a troika exige é que a experiência a que Portugal está sendo sujeito seja levada até ao fim.
 
Falhada a experiência a troika tenta a todo o custo lutar contra o tempo para que Portugal regresse aos mercados antes destes se aperceberem da situação real do país, antes que o desastre condene Portugal a sair do euro e dos mercados. A troika quer a todo o custo desembaraçar-se de Portugal sem assumir as responsabilidades pelo desastre que provocou.
  
A troika não quer assumir as responsabilidades pelas consequências políticas e financeiras da brincadeira que fez em Portugal com a ajuda de um governo incompetente e de um ministro que mais parece um assessor do governo de Bona do que o ministro de um Estado soberano.

O Jumento

desculpa passos, a culpa é nossa


Desculpa lá qualquer coisinha, ó Passos. A culpa da crise, do descalabro, da austeridade, é nossa e muito nossa. A culpa é de quem andou a viver acima das suas possibilidades. A culpa é de quem, embora ganhando um salário muito inferior aos praticados na maior parte da Europa "comunitária", viveu faustosamente e achou que tinha a crescer no quintal, na varanda, na banheira, vigorosa e inesgotável, uma gigantesca árvore das patacas. A culpa é dos velhos, que teimam em não morrer e que recebem pensões demasiado generosas. A culpa é dos doentes, que teimam em tratar-se. A culpa é dos estudantes, que teimam em querer ser alguém na vida. A culpa é dos funcionários públicos, essa turba de madraços. A culpa, já se sabe, é do Sócrates que inaugurou, em 6 curtos anos, estradas para nenhures, centros culturais, pontes, estádios, rotundas, empresas públicas, empresas satélites do Estado, empresas autárquicas, fundações e demais instituições que sempre souberam vir comer à mesa do orçamento. A culpa é de quem anda a culpar Oliveira e Costa, Duarte Lima ou Dias Loureiro pela cratera do BPN. A culpa é de quem anda a culpar a banca, os especuladores financeiros, os mercados, as bolsas, os ricos que estão cada vez mais ricos para que os pobres, felizardos, fiquem cada vez mais pobres. A culpa é de quem anda a culpar a Alemanha que, como toda a gente sabe, e se não sabe devia saber, foi vítima de duas grandes guerras no século passado que se viu forçada, coitada, a provocar. A culpa é também do Tribunal Constitucional e, em última instância, das leis e da democracia, que vos não deixam governar à vontade, decretar o aumento de quaisquer impostos que vos dê na real gana, o roubo de quaisquer salários que queiram surripiar, a redução de quaisquer direitos que achem exagerados, o corte de quaisquer serviços dedicados à causa pública. A culpa não é - definitivamente, não é - nem tua, nem do Gaspar, nem do Portas, nem do Relvas, nem de nenhum dos santos desse altar a São Bento, onde milhões de velas bruxuleiam, tantas quantas os portugueses atingidos, muitos já de morte, pelas vossas medidas. Os vossos esforços para salvar o capital são meritórios. O povo que pague a crise. Ou não tivessemos andado, bem entendido, a viver como nababos, esbanjando o vosso rico dinheirinho, nunca o nosso, em bens supérfluos como supérflua é a nossa vida, somos gente reles e indolente, carne para canhão, meros parafusos da máquina de produzir dinheiro, os novos escravos do século XXI. Desculpa lá qualquer coisinha, ó Passos. Tens razão em desprezar-nos. As tuas mais-valias são outras. O teu futuro sorrirá. Fora de Portugal, esta eterna piolheira.

Quato almas