AVISO

O administrador deste blogue
não é responsável pelas opiniões
veiculadas por terceiros
nem a sua publicação quer dizer
que delas partilhe, apenas as
publica como reflexo da
sociedade em que se inserem
dando-lhes visibilidade
mas nunca fazendo delas opinião própria.
Ao desenvolturasedesacatos reserva-se ainda o direito
de eliminar qualquer comentário anónimo ou não identificado, que contenha ataques
deliberadamente pessoais, que em nada contribuampara o debate de ideias ou para a denúncia
de situações menos claras do ponto de vista ético.


sábado, 9 de março de 2013




Ditadura na Europa 
por Juan Torres López
"Na Europa está a desmantelar-se a democracia e é lógico que isto esteja a ocorrer. É a única maneira que as autoridades têm de garantir que se possam continuar a aplicar políticas cujo fracasso é indisfarçável e assim beneficiar uma minoria muito poderosa que vive de um modelo social desigual e injusto. "


 Nem 24 horas se passaram desde o encerramento das urnas na Itália e Angela Merkel ditou o que é preciso continuar a fazer ali. O porta-voz do seu partido afirmou que seja qual for o governo que se forme só admitirá um caminho a seguir, o das reformas de Monti. E o seu ministro da Economia reiterou que não há mais alternativas senão as medidas que executava o presidente-banqueiro que agora foi fragorosamente derrotado nas eleições.

Não há forma mais clara de afirmar que o que disseram os cidadãos através do voto é que se estão a marimbar para aqueles que hoje em dia converteram a Europa numa ditadura de facto.

Na Europa está a desmantelar-se a democracia e é lógico que isto esteja a ocorrer. É a única maneira que as autoridades têm de garantir que se possam continuar a aplicar políticas cujo fracasso é indisfarçável e assim beneficiar uma minoria muito poderosa que vive de um modelo social desigual e injusto.

O relatório de Inverno apresentado há alguns dias pelo comissário da Economia, Olli Rehn, demonstra claramente que os resultados das políticas que se vêm impondo são totalmente distintos do que disseram que iam conseguir quando as anunciavam como nossa salvação. Tudo é ao contrário do que haviam previsto: o crescimento é menor, o desemprego aumentou, os bancos não financiam, as empresas continuam a fechar, o défice e a dívida crescem e ao invés de recuperar-se a economia europeia entra em recessão.

Os danos sociais que isto provoca aumentam em todos os países, sem excepção. Os indicadores que o Eurostat, o gabinete de estatística europeu, apresentou esta semana mostram que já quase um de cada quatro europeus (24,2%) e uns 27% dos jovens menores de 18 anos está em risco de pobreza ou exclusão social. Percentagens que são terrivelmente mais altas em alguns países da União Europeia, como a Bulgária (49,1 e 51,8%), onde as pessoas na rua acabam de derrubar o governo. E que alcançam proporções siderais quando se dão em famílias de baixos níveis de estudos. Neste caso, a percentagem de menores de 18 anos em risco de pobreza monetária no conjunto da UE é de 49,2%, de 76,2% na Chéquia ou de 78,3% na Roménia. Inclusive em países que sempre havíamos considerado a vanguarda do progresso está a começar a ser desencadeada a pobreza infantil e juvenil em famílias com baixo nível de estudos: 54,4% na Suécia, 52,5% em França ou 55,1% na Alemanha. A única coisa que avança na Europa é a concentração do rendimento e o peso dos rendimentos do capital no conjunto dos rendimentos.

E o problema maior que tudo isto está a provocar é que a deterioração económica está a deixar de ser conjuntural. Estamos a ponto de cruzar uma fronteira a partir da qual os danos, em forma de destruição de tecido empresarial, de emprego, de inovação e de capital físico, social, investigador e humano para o investimento futuro são irreversíveis. Por isso é dramático que os líderes europeus se fechem em copas perante qualquer sinal de reforma que não seja as que eles apregoam como representantes dos grandes capitais, cujos negócios ajudam e gerir quer no âmbito público como no privado através das portas giratórias que funcionam tão bem sob o seu mandato.

A Alemanha está a cometer com a Europa o mesmo erro que com ela cometeram os países europeus que a venceram na Primeira Guerra Mundial. Então, foi-lhe imposta uma política de reparações que criou o demónio que anos mais tarde incendiou todo o continente e agora os alemães emprenham-se em impor uma política de austeridade que não só é injusta e tosca como também é impossível que possa ter êxito. Mais uma vez, ateiam fogo à Europa.

As exigências alemãs para que os demais países continuem a reduzir salários e exportem cada vez mais são simplesmente estúpidas. É materialmente inviável que todos os países se especializem da mesma forma e que todos possam ter vantagens se se dedicarem a desenvolver a mesma estratégia. É um engano porque oculta que assim só se beneficiam as grandes corporações exportadoras à custa do empobrecimento de todo o mercado interno europeu. E o empenho em reduzir despesas públicas é paranóico porque o que na verdade a cada dia gera mais dívida são os juros por culpa de um banco central europeu que não o é.

O impressionante, contudo, é que não há reacção potente dos governos de países europeus que vêem como esta estratégia afunda suas economias e destroça suas sociedades. Inclusive uma grande potência como a França assume-a sem sequer refilar. A Espanha tem um peso suficiente na Europa para forçar mudanças, mas nem sequer tenta. E assim um atrás do outro, pois não parece que ao novo governo italiano se vá dar muita capacidade de manobra.

As imposições da Merkel e do capital alemão já são muito mais do que um empenho ideológico. Não vale recorrer outra vez ao santo temor alemão à inflação ou ao seu conceito pecaminoso de dívida. São as suas políticas que alentam um poder de mercado que arrasa o poder aquisitivo da imensa maioria das famílias europeia ou os que impõem um banco central que é a fonte real do incremento do défice e da dívida.

O que há por trás de tudo isto é a decisão de salvaguardar o poder financeiro acima de qualquer outra vontade e a vontade firme de saltar em estilo toureiro as preferências dos povos, e de evitar o que dizem nas urnas. Mas vamos deixar de dissimulações. Isso já conhecemos na Europa e chama-se ditadura.


 
O original encontra-se em http://juantorreslopez.com/impertinencias/dictadura-en-europa/ Este artigo encontra-se emhttp://resistir.info/ . 


Mafarrico Vermelho

DIA INTERNACIONAL DA MULHER – MANIFESTAÇÃO (LISBOA, 8 DE MARÇO DE 2013) – 2º SÉRIE



IMGSBNET0844
IMGSBNET0839

IMGSBNET0694
IMGSBNET0693

IMGSBNET0713
IMGSBNET0724

IMGSBNET0726
IMGSBNET0749

IMGSBNET0738
IMGSBNET0773

IMGSBNET0760
IMGSBNET0808

IMGSBNET0812
IMGSBNET0831

IMGSBNET0862
IMGSBNET0858

IMGSBNET0864

(Sandra Bernardo)
EPHEMERA

Manuel Duran Clemente. (facebook)
A APRe, ontem no programa da SIC Noticias:EXPRESSO DA MEIA NOITE.

A Presidente da Direcção, Maria do Rosário Gama esteve muito bem ontem no "Expresso da Meia Noite" na SIC N.Lamentáveis as posições dos Ricardos,Bravos e Lopes. Fantásticas as explicações de Renato Guedes..."fugindo à opinião maioritária" [como começa Ricardo Costa por dizer, no inicio do programa, para o influenciar!!!](em que estudos este borra botas foi buscar esta convicção?) É assim... jornalistas a darem a sua opinião por serem mais novos que os reformados...por ouvirem de "espirito santo de orelha"...sem bases técnicas e na raia da ignorância debitando uma parte do que sabem (pouco) e não podendo falar do que não sabem(muito).Ricardo Costa...confessaria, não leu o livro "Quem paga o Estado Social?"...nem "Torturem os Números que eles Confessam"...não leu quase nada...mas diz o que pensa como se eu tivesse interessado no que ele pensa...Uma agressão...(querido  amigo Orlando Costa...dás voltas no caixão...ao ouvir este espertalhaço do teu filho!!??).
A Maria de Rosário esteve bem nesta eventual armadilha em que as TVs e os jornais acabam por se colocar como nossos inimigos!!! Foi esclarecedora no que teve de responder. Foi contundente no tempo (pouco) de antena que lhe deram. Começou bem não hostilizando as organizações já existentes antes da APRe, respondeu prontamente "NÃO"...não temos que ser uma classe à parte, já pagamos impostos como os activos, porque havemos de ser escolhidos para uma prestação diferente e mais gravosa"? E FOI EXCEPCIONAL QUANDO ACABOU POR AFIRMAR “NÃO AO FATALISMO ALI TRAÇADO”...”vocês são os nossos filhos, querer a protecção das expectativas para nós é também desejar expectativas para vocês, para o futuro; têm de lutar como nós lutámos para que essa fatalidade badalada deixe de o ser...Não pode ser”! Claro que tem toda a razão. Estar a fazer, como se fez, futurologia de negros dias (até 2060) para amanhã...a quase 50 anos de distância, não pode ser, por favor!!!??? Mas o melhor e mais claro viria do lado de Renato Guedes...(este, que para Ricardo Costa contraria a tendência geral).Contraria porque fala claro e foge da linguagem formatada dos “yes man” do sistema.Falou da maravilha do que se fez quanto ao sistema da Segurança Social desde 1975,falou do “Livro Branco da Segurança Social”, desmontou os que se esquecem de sair dos modelos impostos e dos estudos feitos que omitem  factores importantes, assegurou que a questão demográfica não é o problema mas sim a economia! Declarou com toda a clareza e coragem que a política económica deste governo é a de criar desemprego. Para satisfazer as estatísticas e a troika pretendem aumentar os indicadores da produtividade nacional. Assim o PIB a dividir pelo número de activos (diminuindo estes com o aumento do desemprego) torna a produtividade maior. Isto é um logro. É um aspecto com que os governantes e certos comentadores nos enganam sistematicamente. Havendo menos trabalhadores há menos contributos para a Segurança Social. Os trabalhadores até hoje pagam o suficiente para a manutenção do Estado Social mas muitas empresas (e os negócios especulativos) não pagam os impostos devidos. Essa é a realidade que os poderosos e o governo escondem. O que poe em causa a segurança social é o desemprego e este governo está  empenhado em aumentá-lo. Inacreditável.
Mais… Renato chama atenção para o célebre FUNDO DE CAPITALIZAÇÃO DA SEGURANÇA SOCIAL  com o valor superior a  DEZ MIL MILHÕES de Euros. Onde anda pergunta…???
Atenção APRe…Convém deitar mão a mais esta “deixa “!
Por tudo isto:
Parabéns à Presidente da APRe!!! Parabéns à coragem e lucidez do jovem Renato Guedes!!!
Abaixo os jornalistas e técnicos, do sistema, empenhados na manutenção dum servil obscurantismo.
A APRe, ontem no programa da SIC Noticias:EXPRESSO DA MEIA NOITE.

A Presidente da Direcção, Maria do Rosário Gama esteve muito bem ontem no "Expresso da Meia Noite" na SIC N.Lamentáveis as posições dos Ricardos,Bravos e Lopes. Fantásticas as explicações de Renato Guedes..."fugindo à opinião maioritária" [como começa Ricardo Costa por dizer, no inicio do programa, para o influenciar!!!](em que estudos este borra botas foi buscar esta convicção?) É assim... jornalistas a darem a sua opinião por serem mais novos que os reformados...por ouvirem de "espirito santo de orelha"...sem bases técnicas e na raia da ignorância debitando uma parte do que sabem (pouco) e não podendo falar do que não sabem(muito).Ricardo Costa...confessaria, não leu o livro "Quem paga o Estado Social?"...nem "Torturem os Números que eles Confessam"...não leu quase nada...mas diz o que pensa como se eu tivesse interessado no que ele pensa...Uma agressão...(querido amigo Orlando Costa...dás voltas no caixão...ao ouvir este espertalhaço do teu filho!!??).
A Maria de Rosário esteve bem nesta eventual armadilha em que as TVs e os jornais acabam por se colocar como nossos inimigos!!! Foi esclarecedora no que teve de responder. Foi contundente no tempo (pouco) de antena que lhe deram. Começou bem não hostilizando as organizações já existentes antes da APRe, respondeu prontamente "NÃO"...não temos que ser uma classe à parte, já pagamos impostos como os activos, porque havemos de ser escolhidos para uma prestação diferente e mais gravosa"? E FOI EXCEPCIONAL QUANDO ACABOU POR AFIRMAR “NÃO AO FATALISMO ALI TRAÇADO”...”vocês são os nossos filhos, querer a protecção das expectativas para nós é também desejar expectativas para vocês, para o futuro; têm de lutar como nós lutámos para que essa fatalidade badalada deixe de o ser...Não pode ser”! Claro que tem toda a razão. Estar a fazer, como se fez, futurologia de negros dias (até 2060) para amanhã...a quase 50 anos de distância, não pode ser, por favor!!!??? Mas o melhor e mais claro viria do lado de Renato Guedes...(este, que para Ricardo Costa contraria a tendência geral).Contraria porque fala claro e foge da linguagem formatada dos “yes man” do sistema.Falou da maravilha do que se fez quanto ao sistema da Segurança Social desde 1975,falou do “Livro Branco da Segurança Social”, desmontou os que se esquecem de sair dos modelos impostos e dos estudos feitos que omitem factores importantes, assegurou que a questão demográfica não é o problema mas sim a economia! Declarou com toda a clareza e coragem que a política económica deste governo é a de criar desemprego. Para satisfazer as estatísticas e a troika pretendem aumentar os indicadores da produtividade nacional. Assim o PIB a dividir pelo número de activos (diminuindo estes com o aumento do desemprego) torna a produtividade maior. Isto é um logro. É um aspecto com que os governantes e certos comentadores nos enganam sistematicamente. Havendo menos trabalhadores há menos contributos para a Segurança Social. Os trabalhadores até hoje pagam o suficiente para a manutenção do Estado Social mas muitas empresas (e os negócios especulativos) não pagam os impostos devidos. Essa é a realidade que os poderosos e o governo escondem. O que poe em causa a segurança social é o desemprego e este governo está empenhado em aumentá-lo. Inacreditável.
Mais… Renato chama atenção para o célebre FUNDO DE CAPITALIZAÇÃO DA SEGURANÇA SOCIAL com o valor superior a DEZ MIL MILHÕES de Euros. Onde anda pergunta…???
Atenção APRe…Convém deitar mão a mais esta “deixa “!
Por tudo isto:
Parabéns à Presidente da APRe!!! Parabéns à coragem e lucidez do jovem Renato Guedes!!!
Abaixo os jornalistas e técnicos, do sistema, empenhados na manutenção dum servil obscurantismo.

Contra o "pobrete mas alegrete"


Lisboa, Crónica Anedótica de Leitão de Barros, 1930



"Leitão de Barros recriou, como ninguém, o que mais tarde chamou o lado "pobrete mas alegrete" do "fatalismo sem revolta" do "povo ribeirinho da velha Lisboa". Sob uma aparência desenvolta (o lado "quadro vivo") o que surge nessa "crónica" é o horizonte fechado de uma cidade sem saídas, presa das suas próprias manhas e armadilhas, que não mais deixaria de insinuar-se, em filigrana ou como nota dominante, em quase todos os filmes (comédias ou dramas) que tiveram Lisboa como cenário dominante. Se houvesse que opor um desmentido cabal à lenda da "ville blanche" (cidade branca), emblema fácil e superficial do filme de Tanner dos anos 80, havia que o buscar em todos esses filmes portugueses, em que nunca se pintou cidade mais "escura" e cujo fulgurante marco inicial é o filme de Barros, certamente um dos mais desapiedados olhares de nós próprios sobre nós próprios." 
(João Bénard da Costa, Histórias do Cinema, col. Sínteses da Cultura Portuguesa, Europália 91, ed. Imprensa Nacional - Casa da Moeda, 1991.)


Lisboa, Crónica Anedótica (1930), dirigido por Leitão de Barros, foi uma grande realização, contando com uma das melhores 
equipes técnicas até então montadas no país. Este filme é considerado como uma das obras-primas do cinema de Português.


"Não se pode deixar de referir um conjunto de apontamentos ligados a esses actores, velhos e novos, que ainda hoje dão ao filme a sua graça, já que a ficção envelhece menos que o documento: o saloio Estevão Amarante olhando os manequins na montra e replicando ao aviso da empregada Josefina Silva "Não pode ver sem tocar?" com o imediato "Eu até era capaz de tocar sem ver!"; Nascimento Fernandes e as suas mãos maravilhosas seduzindo com boquinhas e piscadelas de olho as bonitas condutoras de automóveis; Vasco Santana e Costinha, no eléctrico do Campo Grande, às voltas com um burro que impede a passagem; o grande Chaby Pinheiro, na sua única aparição cinematográfica, no papel de um vendedor da Feira da Ladra que mostra um corno aos compradores; Alves da Cunha, num momento dramático no Arsenal da Marinha, uma das melhores descrições de ambiente operário do nosso cinema; Teresa Gomes na inenarrável cena de "peixeirada" da Praça da Figueira, com evidentes alusões eróticas de peixes e alhos; Erico Braga, galã convencional, descendo a Avenida da Liberdade no seu carro e declarando-se às bonitas transeuntes; o conto do vigário da bilha quebrada, com Perpétua Santos." 
(Luís de Pina, in História do Cinema Português, ed. Europa-América, col. Saber, 1986.)


Chaby Pinheiro (1873-1933)

Para quem não saiba, Chaby Pinheiro foi um dos maiores actores de teatro, revista e até do cinema mudo em Portugal. Actor de um teatro que alguns críticos classificam como ligeiro, Chaby Pinheiro foi também intérprete de peças que os teatrólogos ortodoxos classificam como mais respeitáveis, da autoria de Henrik Ibsen (1828-1906) e Émile Zola (1840-1902).


Postal do filme encontrado na net com Chaby Pinheiro e creio? a Beatriz Costa.
Postal do filme encontrado na net com Chaby Pinheiro.

Da sua vida e da sua relação com amigos e actores ficaram registados diversos episódios pitorescos, como este que se transcreve da obra de Beatriz Costa (1907-1996), Eles e Eu (1990):

"O grande actor Chaby Pinheiro tinha uma especial admiração por Ângela Pinto, que foi a maior artista da sua época. Ângela, sempre que se referia a Chaby, chamava-lhe o «cara de cu». Um dia o grande artista chamou-a e fez-lhe sentir a vulgaridade do seu vocabulário: «Ângela, tu és uma artista amada e respeitada pelo povo, não o podes desiludir com as tuas irreverências. Acaba com essa brincadeira de, em pleno Chiado, de um passeio contrário, dares um grito: 'Adeus ó cara de cu...' » Ângela, que era humilde, como o devem ser todos os famosos, ouviu e passou a respeitar o seu mais que ilustre colega. Um dia ao passar no Rossio viu Chaby numa esplanada a chupar uma carapinhada por uma palhinha cor-de-rosa... Olhou e não aguentou aquele espírito extraordinário, que foi só dela, numa gargalhada, para que ele ouvisse, atirou com esta: «... a tomar o seu semicupiosinho!...» Sobre a Ângela Pinto existem centenas de respostas e anedotas. Não creio que tudo seja autêntico..." 
(In, blogdaruanove.blogs.sapo.pt)


Beatriz Costa numa foto "rara", sem a franjinha que depois usou durante toda a sua vida.
(foto da colecção Gulbenkian)

Citizen Grave

Hermann Goering - O Ladrão de Arte


As guerras estão sempre associadas a matanças, mas também a pilhagens. O motivo porque muitas vezes foram desencadeadas foi para pilhar cidades ou povos inteiros. O que tem mudado é a retórica dos invasores, mas as práticas são sempre as mesmas. Neste domínio são raríssimos os povos inocentes. Os romanos pilharam os bárbaros para os civilizarem. Os povos muçulmanos e cristãos pilharam-se entre si sobre o pretexto de exterminarem infiéis, idolatras, etc. Parte do produto destes saques constituem hoje o espólio dos principais museus do mundo e de inúmeras colecções privadas. 
(In, confrontos.no.sapo.pt)

Fotos de William Vandivert

Soldados americanos carregam um camião com tesouros de arte recuperadas em Unterstein, Alemanha. Abril 1945.


«Durante a marcha nazi em toda a Europa, milhares de obras de arte e antiguidades de valor inestimável foram sistematicamente saqueadas. A pilhagem também era amplamente praticada pelos aliados. O roubo de objectos valiosos foi uma prática mais comum do que se possa imaginar e respondia pelo elegante nome de “Espólios de guerra”. O exército alemão, durante a 2ª.Guerra Mundial (1939-1945) foi dos mais sistemáticos nos crimes que praticou. Seguindo o exemplo francês organizou  vastas equipas de especialistas em história de arte para seleccionarem as obras que deviam ser confiscadas aos judeus e nos países que ocuparam. Os soviéticos e os "aliados" levaram por sua vez muitos dos despojos de guerra da Alemanha, convenientemente misturados com obras de arte que os nazi haviam pilhado a outros países. Mais recentemente a invasão do Iraque pelos EUA e a Grã-Bretanha, continuou a longa prática histórica de pilhar os povos invadidos.


Soldados americanos recolhendo obras de arte roubadas e escondidas em carruagens de comboio. E, soldados do 101 ª Divisão Aerotransportada recolhe obras de arte de um bunker. Alemanha, Abril 1945.

O maior ladrão de todos os nazis era Goering, chefe da Luftwaffe, a aviação alemã. Os roubos que praticava, era para exibir em festas que dava em sua casa e a maioria (as mais valiosas) escondia em locais improváveis, um pecúlio para o futuro. Em maio de 1945, depois da queda da Alemanha nazi, alguma da colecção de obras de arte roubadas por Hermann Goering, de valor incalculável, foi descoberta em uma mina de sal abandonada. A colecção, que ficara anos escondida na escuridão da velha mina contava com 1200 quadros raros, entre eles, “Mulher surpreendida em Adultério”, assinado por Johannes Vermeer, mestre holandês do século XVII, um dos maiores pintores de sempre.

Hitler cumprimentando Goering em 1938 e pintura de Vermeer, “Mulher surpreendida em Adultério” (que era uma falsificação) , pouco depois de ser resgatada. Alemanha, 1945.

O que distinguia a pintura de Vermeer, das demais obras é que aquele quadro em especial era o único que o oficial nazi não havia roubado. Goering, era um homem rico e tinha adquirido o quadro do mestre holandês em Amsterdão. Algum tempo depois, uma investigação da policia holandesa  a um falsário de nome Hans van Meegeren, trouxe ao de cima a verdade: o quadro era falso, e também veio a descobrir-se que o dinheiro que os nazis deram ao falsário era falso também.» Ler Aqui sobre Hans van Meegeren  
(texto elaborado a partir de olavosaldanha.wordpress.com, confrontos.no.sapo.pt e repensandodiferente.blogspot.pt)


 Pinturas recuperadas da colecção de arte de Hermann Goering. Alemanha 1945. 

  Pinturas recuperadas da colecção de arte de Hermann Goering. Alemanha 1945. 

  Pinturas recuperadas da colecção de arte de Hermann Goering. Alemanha 1945. 

  Pinturas recuperadas da colecção de arte de Hermann Goering. Alemanha 1945. 

  Pinturas recuperadas da colecção de arte de Hermann Goering. Alemanha 1945. 


O roubo do século
por Zevi Ghivelder



«(...) Herman Goering, o segundo homem do Reich, foi um dos mais perversos criminosos de guerra e responsável por algumas das mais atrozes violações dos direitos humanos. Entretanto, este auto-intitulado marechal tinha um sofisticado prazer de se fazer rodear por obras de arte que, por ordem sua, foram roubadas de museus e de propriedades particulares em toda a Europa ocupada. Essas pinturas e esculturas estiveram em exibição, para os altos círculos do poder nazista, em sua casa de campo em Carinhall, perto de Berlim. Depois de sete anos de pesquisas exaustivas, Nancy Yeide, curadora da National Art Gallery, em Washington, lançou, em 2005, um livro sobre a coleção de Goering, no qual constata que o chefe nazi apoderou-se de cerca de 2 mil obras de arte. A autora revela que, quando as tropas aliadas começaram a combater dentro da Alemanha, Goering embarcou em dezenas de vagões de trens seu saque milionário, no qual havia uma quantidade desproporcional de nus artísticos direccionados à Áustria. Entretanto, já era tarde. Os norte-americanos interceptaram os comboios e remeteram as artes saqueadas para a cidade de Munique, onde fizeram um primeiro inventário. Em seus levantamentos, a curadora concluiu que centenas de pinturas e esculturas roubadas por Goering e outros nazis haviam sumido em meio ao caos do fim da guerra. Aos poucos, essas obras foram aparecendo, inclusive duas telas de Matisse, que pertenciam ao marchand parisiense judeu, Paul Rosenberg, e que hoje se encontram na National Art Gallery, “de forma ilegítima”, conforme ela acentua. Outro saque de Goering, a famosa tela Retrato do Dr. Gachet, de Van Gogh, apareceu de forma surpreendente em um leilão realizado em Tóquio, em 1990, onde foi arrematada por US$ 82.500 milhões, um recorde para a época. (...) A pilhagem nazi estendeu-se até a União Soviética, depois desta ser invadida, em 1940, compreendendo museus, propriedades particulares, igrejas e sinagogas, com destaque especial para o palácio de verão de Catarina, a Grande, de onde foram levadas todas as riquezas existentes no deslumbrante Salão de Âmbar. Os alemães desmontaram o salão e o reconstruíram no castelo de Königsberg, que foi diversas vezes visitado por Hitler. (...)» 
(In, morasha.com.br)


(Fotos de William Vandivert e LIFE Archive)

Citizen Grave

OS VÍDEOS DO - CONTRAPODER - SIC NOTÍCIAS - DE 7 E 8 DE MARÇO





À janela de Gérard Castello Lopes







Esta absolutamente extraordinária sequência pode (deve) ser vista com outra qualidade de imagem em Gérard Castello Lopes, 1956-2006. Aparições. Paris, BES e FCG, 2011.

As fotografias foram tiradas em Sesimbra, em 1956

 Blog O que eu andei...

Como os EUA montaram centros de tortura em todo o Iraque (e o resultado disso)

Nos 10 anos da Guerra do Iraque, um documentário revelador sobre um dos maiores equívocos da História recente.

James Steele (dir.), criador de centros de tortura no Iraque, em sua única foto
Tem coisas que só o bom jornalismo pode fazer por você.

O jornal inglês The Guardian investiu 15 meses numa investigação feita em parceria com o braço da BBC no mundo árabe.

O resultado é um documentário e uma série de reportagens sobre o envolvimento de veteranos das chamadas Guerras Sujas na América Latina na Guerra do Iraque – um dos equívocos mais tenebrosos na história da política externa americana.
Donald Rumsfeld
O personagem central é o coronel James Steele. Sob o comando de Donald Rumsfeld, então secretário de defesa de George W. Bush, e do diretor da CIA, David Petraeus, ele e o coronel James Coffman criaram centros de detenção para lidar com os insurgentes no país. 

Também organizaram milícias paramilitares – o mesmo padrão de atuação usado em El Salvador e Nicarágua nos anos 80, quando os EUA tentaram derrubar governos de esquerda. Steele tinha 58 anos à época e era, oficialmente, um “consultor”.
Ele e Coffman montaram vários centros de detenção, financiados pela administração Bush. O general iraquiano Muntadher Al-Samari — um tipo sinistro, com mais joias pelo corpo que um bicheiro – contou que cada um desses campos tinha seu comitê de interrogatórios, “formado por um oficial da inteligência e oito soldados. Todas as formas de tortura foram usadas para forçar os presos a confessar, como choques elétricos, tirar as unhas e espancamentos”. Segundo Al-Samari, não há provas de que Steele e Coffman participaram pessoalmente de todas as sessões, mas estavam presentes onde elas aconteciam.
Uma década depois, o Iraque é aliado do Irão
Al-Samari disse que as torturas eram rotina. “Eu me lembro de um rapaz de 14 anos que foi amarrado a uma coluna, com as pernas acima da cabeça. Seu corpo estava azul por causa das pancadas que havia tomado com emprego de cabos de aço”. As acusações implicam pela primeira vez o general Petraeus, que renunciou em novembro, em violações de direitos humanos.

O fotógrafo Gilles Peress e o repórter Peter Maass lembram que viram sangue e ouviram gritos desesperados nos complexos. “Alguém gritava: ‘Alá, Alá, Alá!’ Não era êxtase religioso ou algo assim, mas berros de dor e terror”, diz Maass.
A Guerra do Iraque fará 10 anos no dia 20 de março. Rumsfeld disse que ela “libertaria o povo para viver suas vidas e fazer coisas maravilhosas. E é isso o que está acontecendo”. Hoje, o Iraque é um dos maiores aliados do Irão. Na semana passada, o primeiro-ministro Nouri Al-Maliki se recusou a participar do embargo americano por causa do programa nuclear iraniano. Calcula-se que 136 iraquianos foram mortos em fevereiro, 177 em janeiro. No ano passado, foram 4471 civis. Recentemente, uma bomba em Bagdá matou quatro.

Steele vive no Texas, onde dá palestras sobre contraterrorismo.



Por Kiko Nogueira no DCM
Militância Viva