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domingo, 3 de março de 2013


A agiotagem, o compadrio, o nepotismo e a submissão aos grandes grupos económicos, destroem SNS.




ENTREVISTA a António Arnault sobre o estado do SNS. 
"O Serviço Nacional de Saúde (SNS) não corre perigo de vida pelas “dificuldades 
orçamentais” que hoje marcam a vivência nacional… Mas por outras malfeitorias 
diz António Arnault “É a agiotagem, o compadrio, o nepotismo, a submissão 
aos grandes grupos económicos e a falta de sensibilidade social que põem em 
causa a sustentabilidade do SNS e demais conquistas de Abril”. Quem o diz é 
António Arnaut, o “pai” do SNS, que em entrevista exclusiva ao nosso jornal antecipa cenários: “Este mal só acabará quando, como dizia o Torga, ‘o povo vier à tona da 
história’, ou seja, quando o povo empunhar uma grande vassoura para, com o cabo, 
dar umas vergastadas nos carreiristas, e depois varrer o lixo para a vala comum 
dos medíocres”… (...)

P -Como pensa ser possível expulsar os “bandidos”, desde logo os agiotas, quando é certo
 que à cabeça dos ditos cujos, encontramos a troika, que como sabe cobra mais de 3% pelo 
dinheiro emprestado… Muito mais do que qualquer banco empresta ao mais empedernido 
salafrário.
António Arnaut – A troika emprestou 78 mil milhões e cobra, em juros e comissões, 
35 mil milhões. Bancos nacionais e estrangeiros emprestaram dinheiro a 
Portugal a juros, em alguns casos, superiores a 10%, que pediram ao BCE a 1%. 
É esta “agiotagem”, de que já falava o Eça, que tem impedido o progresso dos 
países pobres e ameaça o Estado Social e, também, o SNS.

P -E o compadrio? Como pensa ser possível acabar com uma cultura que, poder-se-ia afirmar
 sem receio de falácia, integra o ideal a que pomposamente se apodou de “Alma Lusa”, 
e que encontra o seu apogeu na máxima “a família está primeiro” e se verte, na oralidade, 
entre tantas outras formas, na singela: “vê lá se arranjas alguma coisita para o Manelinho, 
que o coitado anda a precisar de ganhar algum…”
O compadrio e o nepotismo são uma instituição nacional. Por isso há tanto 
incompetente nos lugares cimeiros. Este mal só acabará quando, como dizia o 
Torga, “o povo vier à tona da história”, ou seja, quando o povo empunhar uma 
grande 
vassoura para, com o cabo, dar umas vergastadas nos carreiristas, e depois 
varrer o lixo para a vala comum dos medíocres.

P -Apontou, também, como culpada pela desgraça em que se vai afundando o SNS, a 
submissão do Governo aos grandes grupos económicos… Ao mensalão pago a “parasitas” 
a “viver à custa do sector público, através de convenções espúrias e de outras manigâncias 
conhecidas”. Como pôr fim a esta “gula devoradora”, como aqui há dias a descreveu? 
Não esquecendo que falamos de “arranjos” blindados; que em caso de rescisão dos contratos
 PPP… Obrigam a indeminizações cujo montante nem a troika arranja…
A pergunta já contém a resposta. Ninguém hoje duvida que os grandes grupos 
económicos mandam nos governos, porque são eles que subsidiam as campanhas 
eleitorais. Quem ataca o SNS são os que querem fazer da saúde um negócio e 
precisam de aumentar a sua clientela para aumentar os seus lucros. Ficam ressalvadas 
as pessoas sérias que ainda há na política e no mundo empresarial.(...)

P -O que sente quando ouve o Dr. Paulo Macedo referir que não quer ser o coveiro do SNS; 
que “a redução de custos vai levar a uma maior eficácia”… Para logo apontar: coveiro será 
quem não tomar medidas de redução da despesa”…
Ainda dou ao Dr. Paulo Macedo o benefício da dúvida. Disse-lhe há dias que se 
ele quer, efectivamente, salvar o SNS estarei ao seu lado. Caso contrário, estarei 
à sua frente. (...)

P -Tem afirmado que “só haverá paz social se o sacrifício for equitativamente repartido por todos”. 
Considera que as recentes medidas adoptadas pela tutela vão nesse sentido? Por exemplo… 
O aumento das taxas moderadoras, como foi aplicado, responde à exigência de equidade?
O aumento excessivo das taxas moderadoras e a criação de novas taxas, 
dificultam ou impedem o acesso a cuidados de saúde de muitos cidadãos. 
Em Janeiro houve menos 58.000 consultas hospitalares e nos dois primeiros 
meses do ano, menos 4.000 cirurgias. Os números não mentem…

P -A troika mandou cortar! O governo cortou (muito embora cerca de 50% da poupança 
tenha resultado de reduções administrativas nos preços dos medicamentos e não em reformas
 estruturais). 
Fica-se com a impressão de que há medo de mexer no resto… Nos interesses instalados… Partilha esta 
opinião?
O governo cortou mais do que a troika mandou. Há medo e conivência. 
É chocante verificar que são sempre os mais carenciados que pagam as crises. 
Sabe porquê? São muitos e já estão habituados…

P -Nesta onda de “cortar a eito” reduziu-se a produção, como se esta fosse irmã-gémea de 
eficiência… E aumentou, como nunca, o número de utentes em espera para cirurgia, primeiras 
consultas, recurso às urgências… e o número (considerado inusitado) de mortes em idosos nos 
primeiros meses do ano… Pressente ligação entre umas coisas e outras?
Admito que sim, mas não podemos ter a certeza. Certo é que muitos cidadãos 
deixaram de procurar cuidados de saúde e de aviar receitas por carência económica. 
Sou testemunha desse drama.

P -É legítimo pedir tanto à população portuguesa? E o pior é que vem por aí mais; 
as medidas da troika não ficam por aqui. Na “calha” está um novo aumento das taxas 
moderadoras, a restrição dos custos dos subsistemas, o corte dos preços dos genéricos e 
a diminuição dos custos operacionais, no valor de 100 milhões de euros. Tudo este ano!
Por detrás de algumas medidas draconianas está um programa ideológico 
ultraliberal que visa destruir o Estado Social e o próprio Estado Democrático. 
Habermas já acusou a Europa de estar a desconstruir a democracia e 
Mário Soares alertou-nos para um novo tipo de fascismo, a que Boaventura Sousa Santos 
chamou há tempos “fascismo social”. Pode ser forte a comparação, mas eu, 
que sou homem de esperança, digo: “Não passarão”… (...)
É preciso bom senso. Com a saúde não se brinca. O grande problema é que a 
maior parte dos nossos políticos, de todos os governos, não conhece o país real 
nem sente o sofrimento do povo. Muitos deles nunca entraram numa unidade 
do SNS. (...)fonte


ARTIGO COMPLETO: http://apodrecetuga.blogspot.com/2013/03/a-agiotagem-o-compadrio-o-nepotismo-e.html#ixzz2MVqcwhSw

Não votem mais neles, pensem !

ANIVERSÁRIO DA CNA - O GAROTO É MESMO MAL EDUCADO

Até a CHURRA mais fotogénica aqui da quinta ficou espantada.

A coisa de Belém não estava no país,parece que depois do bpn nunca mais esteve no país,pelo menos quando fazia falta.
A ministra,dita da agricultura,não podia estar,para quê,deve pensar,como a legislação que de lá sai,que as couves se plantam com a raiz para cima,não conhece os nossos problemas,não fala a nossa linguagem,é de outra classe,é ministra dos latifundiários absentistas e exploradores sem escrúpulos da natureza e dos trabalhadores,fez-se representar,por um garoto,diziam lá que era secretário de estado,com o estado de degradação a que chegou o governo tudo é possível.
O representante,enquanto o presidente da CNA,entidade que o convidou,falava ,ia rindo e galhofando com o compincha e colega do lado,ESTAVA ALI A FAZER UM FRETE,em total desrespeito e má educação,pelo menos.
Ao desrespeitar os nossos representantes desrespeitou todos os agricultores.
Convidado a falar,despejou meia dúzia de repetições e lugares comuns,nem uma palavra para os legítimos anseios e reivindicações.Parecia estar a falar para outra assembleia,para aqueles a quem o governo serve.
Permitiu-se,arre porra que é demais,apresentar a fome miséria e morte a que têm conduzido o país como uma meta alcançada.ESTÁ A EQUILIBRAR-SE A BALANÇA,disse.
Saiu apressado,sem sequer acabar de ouvir os intervenientes.
Fez bem.
Estava a mais na sala.
Não tinha nenhuma afinidade com as agricultoras e agricultores honestos e trabalhadores que,demonstrando muito mais educação e dignidade,o deixaram sair,era um convidado,mau e mal educado mas convidado,sem ser acompanhado como devia.Não perderá pela demora.

Não nos desmobilizam,não nos desmoralizam,só nos dão mais ânimo e força para a luta.

Tirando este anojo,

a festa foi um encanto,o saudável convívio um prazer e uma grande alegria,

O PAÍS CONTA CONNOSCO PARA AJUDAR A MUDAR DE POLÍTICA DE GOVERNO E VENCER.

PARABÉNS,BEM OS MERECE,À CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA AGRICULTURA.

Culturas no campo

ESPECIAL FOTOGALERIA - UMA EXCELENTE OBRA FOTOGRÁFICA- W. Eugene Smith - Deleitosa Uma aldeia espanhola "Se eu puder levá-los a pensar, fazê-los sentir, levá-los a ver, então eu fiz tudo o que podia como professor."


W. Eugene Smith - Deleitosa


Uma aldeia espanhola


"Se eu puder levá-los a pensar, fazê-los sentir, 
levá-los 
a ver, então eu fiz tudo o que podia como professor."
 W. Eugene Smith

Carpideiras no velório de Juan Larra. Deleitosa. 1951.

«W. Eugene Smith (1918-1978) - Fotógrafo, artista e repórter com um olhar profundamente sociológico. Considerado um dos grandes fotógrafos do século XX, destacou-se por suas reportagens. Uma das mais famosas aconteceu em Espanha numa aldeia da zona de Cáceres: Deleitosa, com o titulo de «Uma Aldeia Espanhola».

Deleitosa - Spanish Village. 1950. W. Eugene Smith.

 Deleitosa - Spanish Village. 1950. W. Eugene Smith.

A revista LIFE encarregou W. Eugene Smith em 1950 de fazer uma reportagem sobre Espanha. Ele tinha 32 anos e veio de França onde tinha falado com exilados espanhóis. Acompanhavam-no o seu ajudante Ted Castle e Nina Peinado (filha de refugiados republicanos), que faria de intérprete na viagem. A revista LIFE vendia em 1951 cerca de 5 milhões de exemplares, mas o numero de Abril desse anos vendeu 27 milhões. No seu interior, vinha a reportagem de W. Eugene Smith, intitulada "Spanish Village". Em Espanha foi censurada e proibida e suas fotos só foram mostradas publicamente em 1999, meio século depois.» 
(www.um.es)

Grão voando no ar durante a joeira feita por mulheres. Deleitosa. 1950.

Meninas em sala de aula escura, separadas dos rapazes. Deleitosa. 1950.

«W. Eugene Smith não se limitou a uma série de fotografias da aldeia e seus 
habitantes, realizou uma pesquisa social. 
Escreveu todos os nomes e as idades dos entrevistados, estabelecendo 
uma relação com as pessoas retratadas. Fez 1575 fotografias em Deleitosa 
e finalizou o trabalho com um relatório de 24 páginas em que fornece informações 
gerais sobre Espanha. É uma análise sócio-económica, que se concentra 
principalmente na produção agrícola, os trabalhadores, as condições de trabalho,  segurança social, 
a redistribuição de terras, o desemprego, o analfabetismo, os preços, ...
Um grande exemplo para os fotógrafos que queiram analisar hoje a situação de uma comunidade.» 
(www.elangelcaido.org)

Velório de Juan Larra. Deleitosa. 1951.

 Pesando tomates. Deleitosa. 1951. 

 Criança recolhendo estrume para ser usado como fertilizante. Deleitosa. 1950.

Vista da aldeia, mostrando fileiras de casas de pedra bruta e de adobe, ruas estreitas, burros carregados, 
moradores descansando numa atmosfera de vida primitiva, a poeira, a pobreza. Deleitosa. 1950.

Padre D. Manuel segura a cabeça do bebé Buenaventura Jiminez Morena. Durante o batizado, 
ele é mantido sobre a fonte batismal pelo padrinho, enquanto parentes e amigos assistem. 1950.

Indignação expressada no rosto e gestos de uma mulher argumentando 
sobre a escolha do local da debulha com os vizinhos. 1950.

Perfil de D. Manuel, padre da aldeia, durante uma caminhada. 1951.

 Família de agricultores (os Curiels) de cócoras no 
chão de terra da sua casa, comendo da panela. 1950.

 Camponesa usando métodos antigos para enrolar o linho. 1951.

Spain. Extremadura, província de Cáceres. 1951.

 Agricultor fazendo pressão sobre arado puxado por burros, 
para abrir sulcos durante o tempo da sementeira. 1950. 



«A pobreza, a ditadura franquista, um país a recuperar da guerra civil, o isolamento e 
a omnipresença da fé, de tudo isso nos fala Smith com o poder das imagens. 
Não sei se o fotógrafo foi levado à Deleitosa por um estranho e invulgar acaso ou se teria
 porventura, visto o documentário de Luis Buñuel, Las Hurdes - Tierra sin pan, 
rodado no início da década de 30 num local não muito longe da aldeia que ele próprio 
celebrizaria.»
 (avenidadasaluquia34.blogspot.pt)

Três membros da temida Guardia Civil do ditador Franco na Espanha rural. Deleitosa. 1951.


Desempregada envia a Cavaco cheque de oito euros de RSI
Uma mulher desempregada de 49 anos, que sobrevive com a ajuda dos pais, enviou o seu cheque de Rendimento Social de Inserção (RSI) ao Presidente da República, Cavaco Silva, considerando um “insulto” e uma “vergonha” o valor que recebe, de 8,91 euros, noticia a SIC.
Desempregada envia a Cavaco cheque de oito euros de RSI
DR
PAÍS
“Excelentíssimo senhor Presidente da República, junto à carta envio em anexo o meu cheque de RSI no valor de 8,91 euros, que considero um insulto”, indica a carta que uma mulher desempregada de 48 anos enviou a Cavaco Silva.

De acordo com a SIC, a beneficiária do RSI tem um rendimento mensal de apenas 180 euros, vivendo, aos 49 anos, com a ajuda dos pais, que lhe pagam nomeadamente os medicamentos para a depressão nervosa de que padece.
Em meados de 2012, a mulher começou por receber 50 euros de RSI, mas o valor tem vindo a descer até aos actuais 8,91 euros.  
“Espero que este vale seja útil para os portugueses. Para mim não passa de uma grande vergonha”, diz a carta enviada ao Presidente. A beneficiária do RSI teve mesmo de pedir quatro euros à irmã para registar a carta, conta a SIC. 

Manifestações e Comunicação Social (3)

Jornal Público cego e surdo por ordem do patrão?
É a austeridade ou a censura que não permite o Público comprar ou ler os jornais internacionais?


Um importante entre muitos outros:
blog C de...

Oliveira e Costa não recorre das acusações de que foi alvo


O fundador da Sociedade Lusa de Negócios (SLN), antiga dona do Banco Português de Negócios (BPN), Oliveira e Costa, ao contrário dos outros 16 arguidos no processo do Banco de Portugal, não recorreu das acusações de que foi alvo.
 
 
foto ARQUIVO/JN
Oliveira e Costa não recorre das acusações de que foi alvo
Oliveira e Costa
 
Esta informação foi confirmada à agência Lusa pelo advogado do antigo banqueiro, Leonel Gaspar, que especificou apenas que se tratou de uma decisão do próprio Oliveira e Costa. 
O julgamento do recurso apresentado pelos restantes 16 arguidos arrancou na passada segunda-feira no Tribunal da Concorrência, Regulação e Supervisão, em Santarém. 
A condenação dos arguidos a multas que, juntas, ascendem a vários milhões de euros e à inibição de exerceram cargos no setor bancário por diversos anos foi revelada em junho de 2012, pelo Banco de Portugal (BdP), sem adiantar grandes detalhes. 
Na altura, segundo o BdP, da lista inicial de 23 arguidos, a acusação recaiu sobre 17 responsáveis, que foram condenados no âmbito de um processo de contraordenação em que foi "apurada eventual responsabilidade contraordenacional pela prática de factos ocorridos no 'universo da SLN - Sociedade Lusa de Negócios'", e punidos, ao abrigo Regime Geral das Instituições de Crédito e Sociedades Financeiras (RGICSF), por "infrações especialmente graves". 
Questionada pela Lusa sobre quais as infrações em causa para cada um dos visados (bem como as coimas e as inibições decretadas), fonte oficial do Banco de Portugal não esclareceu a matéria em tempo útil. 
O RGICSF refere como infrações especialmente graves a prática não autorizada, por quaisquer indivíduos ou entidades, de operações reservadas às instituições de crédito ou às sociedades financeiras, a realização fraudulenta do capital social, a falsificação da contabilidade e a inexistência de contabilidade organizada, bem como a inobservância de outras regras contabilísticas aplicáveis, determinadas por lei ou pelo Banco de Portugal, quando essa inobservância prejudique gravemente o conhecimento da situação patrimonial e financeira da entidade em causa. 
São ainda infrações especialmente graves os atos dolosos de gestão ruinosa, em detrimento de depositantes, investidores e demais credores, praticados pelos membros dos órgãos sociais, entre outros.  
Para além da Galilei - SGPS, S.A. (sucessora da SLN depois da privatização do BPN em 2008), são arguidos no processo de recurso os seguintes responsáveis: Luís Caprichoso, Francisco Sanches, António Franco, Joaquim Nunes Ribeiro, José Vaz de Mascarenhas, Leonel Mateus, Ricardo Pinheiro, Emanuel Peixoto, Jorge Rodrigues, José Castelo Branco, Gabriel Rothes, António Coutinho Rebelo, Francisco Comprido, Armando Fonseca Pinto e Isabel Cardoso. 
Vários destes responsáveis, a exemplo de Oliveira e Costa, estão já a ser julgados no processo principal (do chamado caso BPN) movido pelo Ministério Público. 
Da lista inicial, terão ficado de fora das condenações os ex-responsáveis do grupo Luís Rodrigues, Mário Pereira, Carlos Catraio, João Abrantes, Teresa Amado e Raquel Medina, que, segundo noticiou o semanário Expresso na altura em que foram conhecidas as condenações, viram os seus processos arquivados.
Segundo o mesmo jornal, no total, as coimas deste processo ascendem aos 9,9 milhões de euros. A Galilei foi condenada a pagar 4 milhões de euros, Oliveira e Costa terá de pagar 950 mil euros (mais uma inibição de 10 anos de exercer quaisquer cargos no setor financeiro). As coimas dos restantes arguidos variam entre os 100 mil euros e os 900 mil euros.
De todos os arguidos apenas Francisco Comprido compareceu no tribunal na sessão de arranque do julgamento, que ficou marcada pela apresentação de requerimentos por parte dos advogados dos arguidos para serem dispensados de prestar declarações nas datas inicialmente marcadas, mas reservando-se o direito de pedirem para o fazer em novas sessões de julgamento.
O julgamento tem agendadas novas sessões para os dias 4 e 6 de março, ambas dedicadas à audição de arguidos que poderão ser adiadas para novas datas, e para o dia 11, data em que o tribunal deverá começar a ouvir testemunhas.



"A minha dor é uma arma"
Por Paulo Moura Texto
A multidão não gritou palavras de ordem com unanimidade, mas estava como se estivesse em casa. Como se a rua se tivesse tornado num local de prova de vida, de reconquista do país
Um homem vestido de presidiário, com as mãos acorrentadas, em cima de uma paragem de autocarro.

Outro, vestido como a morte e exibindo um papel que diz: "Vim pelos que perderam a esperança e se suicidaram".

Uma mulher segura um cartão: "Sai da minha vida". Outra um cartaz: "A minha dor é uma arma. José Gomes Ferreira".

Uma manifestação é uma manifestação, é sempre igual, e é por isso que as diferenças se notam. Desta vez há muitas pessoas sozinhas. Algumas trazem palavras de ordem originais, formas de expressão únicas, pensadas, frases e imagens que traduzem uma situação ou um sentimento, uma encruzilhada, um beco sem saída, uma angústia, uma sabedoria. Coisas pessoais.

"Há coisas que são transversais a todas as pessoas, que são comuns", diz Maria João, de 43 anos, artista plástica. "Coisas como o sofrimento". É ela que traz a frase de José Gomes Ferreira. Acredita que a manifestação pode ser um local para discutir os assuntos, para partilhar casos. Dá um certo conforto ver que não estamos sozinhos no sofrimento. "É bom que se saiba. Que mostremos uns aos outros a dor. Há os que estão ao nosso lado e estão a sofrer mais, mas temos de pensar: "A seguir podemos ser nós"", diz Maria João A-minha-dor-é-uma-arma.

Além dos solitários, há os grupos. Pessoas que se reúnem antes de vir, como se procurassem nisso alguma força. Como se discutissem antes os motivos, alguma espécie de plataforma comum que justifique o acto. O João, a Albana, o Carlos e outros cinco amigos do Cacém vieram juntos porque é juntos que têm passado muito tempo a discutir os problemas do país. "Jantamos em casa de um de nós e ficamos até altas horas a falar sobre o futuro, a tentar encontrar soluções", diz Albana, de 29 anos, desempregada. Estudou Psicologia e nunca teve um emprego na sua área, nem um contrato de trabalho. Os amigos estão na mesma situação, ou pouco melhor. "Somos precários", explicam. "Conheço muitas pessoas da nossa idade que já baixaram os braços", diz João, de 31 anos, também desempregado. "Nós ainda mantemos a esperança. Vimos a manifestações, tentamos organizar grupos, fazemos planos. Sentimos que temos de estar juntos. E que temos de sobreviver, ainda que o nosso país não tenha nada para nos dar. Se não pudermos ficar, vamos emigrar".

Estão sempre a debater uns com os outros, mesmo na manifestação. Vão falando enquanto marcham pela Rua do Ouro em direcção ao Terreiro do Paço, em Lisboa, depois, já ao fim do dia, sentam-se no chão e continuam a falar. Mas outros grupos juntaram-se-lhes. Algumas frases são gritadas mais alto: "Eu sei que não adianta nada vir aqui, nas onde é que eu haveria de estar?" Ou: "Mesmo que agora derrubássemos o Governo, já seria demasiado tarde. O país vai levar décadas a recuperar. Nunca haverá lugar para nós". Ou ainda: "Esta é a manifestação do século, pá!".

Por toda a área do Terreiro do Paço há ajuntamentos, sentados em roda, ou a circular em fila. Fazem lembrar uma enorme festa, onde se vem para conviver, fazer amigos. Daniela Sá chegou com um clube muito particular. Abordam as pessoas, chamando-lhes a atenção para as suas ideias. "Não adianta mudar o Governo, ou falar destas políticas", dizem. "É preciso uma mudança total na organização da sociedade. Enquanto isso não acontecer, não haverá soluções". Pertencem ao movimento Zeitgeist e vieram à manifestação para recrutar descontentes. E para conversar, discutir ideias.

Jacinto Rodrigues, de 68 anos, funcionário público, veio só com a mulher, Cristina, de 66 anos, mas já encontraram amigos. Decidem ficar juntos, para cantar a Grândola, Vila Morena. "Eu venho a todas as manifestações desde que este Governo tomou posse", diz Jacinto. "Venho porque quero mostrar que estou na oposição. Não sou da mesma laia desses senhores, do Governo e dos bancos. Pertenço a outro país. Porque existe outro país, que está vivo. Temos de mostrar isso. Estar aqui para fazer prova de vida".

As palavras de ordem, no entanto, não são gritadas com muito entusiasmo. Nem com grande unanimidade. Algumas são algo estafadas, como: "Se isto não é o povo, onde é que está o povo?". Maria Clara, de 52 anos, professora de Arte no Ensino Superior, queixa-se. "As pessoas já nem sabem cantar". Está no mesmo grupo de Maria João A-minha-dor-é-uma arma.

"As pessoas cantam baixinho, sem entusiasmo", diz Maria Clara. "Já não sabem. Perderam o hábito. As pessoas já não sabem bater palmas".

Outro elemento do grupo, Carla Alexandra, de 43 anos, agrónoma funcionária pública, pensa que isso se deve à falta de convicção que têm nas suas ideias. "Eu não pertenço a nenhum partido. As pessoas já não se identificam com os partidos, por isso, sabem o que não querem, mas não sabem o que defendem. Estão muito dispersas, muitos desunidas".

Na opinião de Carla, a abstenção eleitoral devia ser tida em conta. "À percentagem de pessoas que se abstêm deveria corresponder a mesma percentagem de lugares vazios na Assembleia da República".

Nuno Esteves da Silva, de 43 anos, outro dos elementos do grupo, não concorda. Prefere falar de actos simbólicos, e da sua eficácia. É preciso ter mais criatividade nas manifestações, dizem todos. Usar mais os poetas, inventar novas formas. Talvez seguir o exemplo de algumas festas tradicionais do Carnaval, em que se faz crítica social e política, através da caricatura e do sarcasmo.

Há no grupo quem concorde com esta ideia, quem não concorde. Discutem. A seguir põem-se a inventar palavras de ordem originais para a próxima manifestação. "Temos de ser piolhosos do acontecimento. Gilles Deleuze", sugere Nuno. Ou: "Vamos fazer mais um esforço para sermos bons republicanos. Marquês de Sade". Depois desatam a conceber planos para assassinar membros do Governo. "Seria útil matar algum deles", dizem. "Ou pelo menos fazer-lhe mal, para que tenham medo". Falam dos governantes como se já não fossem humanos. Parece ser essa a fase em que estamos: acabou o diálogo, já não há entendimento possível com os que detêm o poder. Eles perderam o respeito do povo. O melhor é ignorá-los. Ou eliminá-los.

"É preciso agir simbolicamente", diz Maria João. Trazer um cartaz é uma forma de o fazer. "Sair para a rua já é uma acção. É sempre uma acção. É melhor do que ficar em casa a fazer likes no Facebook. Há que substituir o Facebook pela rua".

Sempre que vêm a manifestações, e este grupo vem a todas, conhecem pessoas. Contam coisas, discutem ideias. "É preciso mostrar que estamos vivos", dizem. Estão desapontados por os manifestantes não saberem cantar nem bater palmas. Mas não têm a certeza se isso é mau ou bom. Encolhem os ombros. É assim, a realidade agora é esta, dizem. Estamos todos aqui, embora não tenhamos as mesmas ideias, embora não saibamos o que queremos, embora não tenhamos soluções.

Não se sente, na multidão, a força do entusiasmo, mas também não se percebe indiferença. As pessoas estão na manifestação com naturalidade, como se estivessem em casa. De certa forma, a falta de veemência gera uma onda de vigor. Como se depois do ódio se tivesse já passado a uma fase de desprezo pelos governantes e as suas políticas. E a rua fosse um lugar não de protesto, mas de sobrevivência. De ocupação do espaço. De reconquista do país.

"As pessoas estão desconfiadas", diz Maria João. Em relação a todo o poder, a todos os que as interpelam, para lhe roubar benefícios, sem lhes pedir a opinião. "Sentimo-nos indefesos. Podem fazer-nos tudo o que quiserem, sem limites". O Governo, a troika, os bancos, mas também os jornalistas, tudo é identificado como uma mesma entidade inimiga.

De início, Maria João A-minha-dor-é-uma-arma não queria responder a nenhuma pergunta. Nem queria dizer o nome. "Desconfiança", explicava. "Tenho uma laringite, não posso falar", justificava-se. Como se tivesse já esgotado a tolerância para mais algum pedido, mais alguma interpelação. A certa altura voltou-se para o repórter com os olhos a faiscar e perguntou: "O que me quer impor?"

Eram apenas algumas perguntas sobre a manifestação, a recolha de um depoimento para a reportagem, mas ela não via as coisas assim, estava com vontade de provocar, e repetia, o olhar fixo e desafiador: "O que me quer impor?"