AVISO

O administrador deste blogue
não é responsável pelas opiniões
veiculadas por terceiros
nem a sua publicação quer dizer
que delas partilhe, apenas as
publica como reflexo da
sociedade em que se inserem
dando-lhes visibilidade
mas nunca fazendo delas opinião própria.
Ao desenvolturasedesacatos reserva-se ainda o direito
de eliminar qualquer comentário anónimo ou não identificado, que contenha ataques
deliberadamente pessoais, que em nada contribuampara o debate de ideias ou para a denúncia
de situações menos claras do ponto de vista ético.


segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013



Reflexões


Quem me conhece bem e de perto, sabe da minha alergia a partidos políticos, militantismos, dogmatismos, fanatismos e muitas outras asfixias da mesma ordem.
A Europa está de novo a atravessar um período sombrio, contaminada por diversas crises onde a crise de valores, a questão ética, me parece ser  a pior de todas, por conseguinte, a mais letal.
Para o arqueólogo, cuja visão da História da Humanidade não escapa a noções temporais verticalmente vastas, contabilizadas em eras, milénios ou séculos, esta crise seria apenas mais uma crise. Não obstante, como dizia um ilustre professor meu, “nunca escapamos ao tempo e ao espaço no qual vivemos.” A arqueóloga (neste caso) não deixará de ser apenas mais um membro dos tais 99%.

Tenho perfeita consciência de uma realidade que parece estar condenada a acompanhar o Humano, até que o último homem ou mulher desapareça do planeta: a nossa parte obscura, suja e deprimente.
Assistimos ao ressurgimento de forças tenebrosas que nos remetem para as piores passagens do nosso percurso humano. O que de mais horrível mora no fundo de nós, reaparece por toda a parte no mundo ocidental, por vezes disfarçado atrás de máscaras reformistas que pregam a insustentabilidade do estado social e que cada dia mais golpeiam as maiores e mais justas conquistas jamais efectuadas para garantir a dignidade de cada um de nós.
Noutros casos, e cada vez mais, sem máscara, multiplicam-se os ataques xenófobos. Ressuscitam-se e reabilitam-se ditadores; dignifica-se o que nunca poderá humanamente ser digno. Uma onda de revisionismo escorre pela Europa, onda essa, feita de nostalgias e de falhas de memória, perpetuada pelas abastadas gerações pós 2a Guerra Mundial que traem os ideais e a memória dos milhões de homens e mulheres que morreram para que eu hoje possa usufruir ( não sei por quanto tempo...) de um dos maiores direitos jamais conquistados: a liberdade de expressão.

Que as forças do mal dancem à volta da fogueira, não me surpreende. O que de pior aconteceu no passado, pode repetir-se, e pior ainda, caricaturar-se. Nada de novo a esse nível. Nunca deixámos de reproduzir os piores horrores numa espiral, sempre vertiginosamente descensional, alimentada pelo progresso tecnológico, e que nos puxa para o abismo.  Descriminações, racismo, escravatura, explorações sob todas as formas, nunca deixaram de existir. Num ou noutro ponto do planeta, sempre continuaram, silenciosas ou não. Milhões de pessoas morreram a tentar combater tais pragas.

O que mais me aflige estes dias é sobretudo o silêncio dos outros, daqueles que me ensinaram a chamar “justos.”
Por onde andam? Onde se escondem? A que estão reduzidos? O que mais tem de acontecer para acordarmos.

Lili Carrascalão Contreiras


Um texto excelente por ALICE BRITO:

"Sei que a raiva não é boa conselheira. Paciência. Aí vai. Havia dantes no coração das cidades e das vilas umas colunas de pedra que tinham o nome de picotas ou pelourinhos. Aí eram expostos os sentenciados que a seguir eram punidos com vergastadas proporcionais à gravidade do seu crime. Essa exposição tinha também por fim o escárnio popular. Era aí que eu te punha, meu glutão. Atadinho com umas cordas para que não fugisses. Não te dava vergastadas. Vá lá, uns caldos de vez em quando. Mas exibia-te para que fosses visto pelas pessoas que ficaram sem casa e a entregaram ao teu banco. Terias de suportar o seu olhar, sendo que o chicote dos olhos é bem mais possante que a vergasta. Terias, pois, de suportar o olhar daqueles a quem prometeste o paraíso a prestações e a quem depois serviste o inferno a pronto pagamento. Daqueles que hoje vivem na rua. Daqueles que, para não viverem na rua, vivem hoje aboletados em casa dos pais, dos avós, dos irmãos, assim a eito, atravancados nos móveis que deixaram vazias as casas que o teu banco, com a sofreguidão e a gulodice de todos os bancos, lhes papou sem um pingo de remorso. Dizes com a maior lata que vivemos acima das nossas possibilidades. Mas não falas dos juros que cobraste. Não dizes, nessas ladainhas que andas sempre a vomitar, que quando não se pagava uma prestação, os juros do incumprimento inchavam de gordos, e era nesse inchaço que começava a desenhar-se a via-sacra do incumprimento definitivo. Olha, meu estupor, sabes o que acontece às casas que as pessoas te entregam? Sabes, pois… São vendidas por tuta e meia, o que quer dizer que na maior parte dos casos, o pessoal apesar de te ter dado a casa fica também com a dívida. Não vale a pena falar-te do sofrimento, da vergonha, do vexame que integra a penhora de uma casa, porque tu não tens alma, banqueiro que és. Tal como não vale a pena referir-te que os teus lucros vêm de crimes sucessivos. Furtos. Roubos. Gamanços. Comissões de manutenção. Juros moratórios. Juros compensatórios, arredondamentos, spreads, e mais juros de todas as cores. Cartões de crédito, de débito, telefonemas de financeiras a oferecerem empréstimos clausulados em letrinhas microscópicas, cobranças directas feitas por lumpen, vale tudo, meu tratante. Mesmo assim tiveste de ser resgatado para não ires ao fundo, tal foi a desbunda. E, é claro, quem pagou o resgate foram aqueles contra quem falas todo o santo dia. Este país viveu décadas sucessivas a trabalhar para os bancos. Os portugueses levantavam-se de manhã e ainda de olhos fechados iam bulir, para pagar ao banco a prestação da casa. Vidas inteiras nisto. A grande aliança entre a banca e a construção civil tornavam inevitável, aí sim, verdadeiramente inevitável, a compra de uma casa para morar. Depois os juros aumentavam ou diminuíam conforme era decidido por criaturas que a gente não conhece. A seguir veio a farra. Os bancos eram só facilidades. Concediam empréstimos a toda a gente. Um carnaval completo, obsessivo, até davam prendas, pagavam viagens, ofereciam móveis. Sabiam bem o que faziam. Na possante dramaturgia desta crise entram todos, a banca completa e enlouquecida, sendo que todos são um só. Depois veio a crise. A banca guinchou e ganiu de desamparo. Lançou-se mais uma vez nos braços do estado que a abraçou, mimou e a protegeu da queda. Vens de uma família que se manteve gloriosamente ricalhaça à custa de alianças com outros da mesma laia. Viveram sempre patrocinados pelo estado, fosse ele ditadura ou democracia. Na ditadura tinham a pide a amparar-vos. Uma pide deferente auxiliava-vos no caminho. Depois veio a democracia. Passado o susto inicial, meu deus, que aflição, o povo na rua, a banca nacionalizada, viraram democratas convictos. E com razão. O estado, aquela coisa que tu dizes que não deve intervir na economia, têm-vos dado a mão todos os dias. Todos os dias, façam vocês o que fizerem. Por isso falas que nem um bronco, com voz grossa, na ingente necessidade de cortes nos salários e pensões. Quanto é que tu ganhas, pá? Peroras infindavelmente sobre a desejável liberalização dos despedimentos. Discursas sem pejo sobre a crise de que a cambada a que pertences é a principal responsável. Como tu, há muitos que falam. Aliás, já ninguém os ouve. Mas tu tinhas que sobressair. Depois do “ai aguenta, aguenta”, vens agora com aquela dos sem-abrigo. Se os sem-abrigo sobrevivem, o resto do povo sobreviverá igualmente. Também houve sobreviventes em Auschwitz, meu nazi. É isso que tu queres? Transformar este país num gigantesco campo de concentração? Depois, pões a hipótese de também tu poderes vir a ser um sem-abrigo. Dizes isto no dia em que anuncias 249 milhões de lucros para o teu banco. É o que se chama um verdadeiro achincalhamento. Por tudo isto te punha no pelourinho. Só para seres visto pelos milhares que ficaram sem casa. Sem vergastadas. Só um caldo de vez em quando. Podes dizer-me que é uma crueldade. Pois é. Por uma vez terás razão. Nada porém que se compare à infinita crueldade da rapina, da usura que tu defendes e exercitas. És hoje um dos czares da finança. Vives na maior, cercado pelos sebosos Rasputines governamentais. Lembra-te do que aconteceu a uns e ao outro."

ALICE BRITO

AI AI AI CA MEDO !!!!!!






Cardeal Peter Turkson do Gana no topo da lista da sucessão de Bento XVI

Os candidatos dos países em desenvolvimento são apontados como os favoritos no processo de escolha do sucessor de Bento XVI. O próximo Papa pode vir de África ou da América Latina.
Francis Arinze já foi um dos preferidos quando da eleição de Bento XVI AFP
O cardeal Peter Turkson, do Gana, perfila-se como o mais provável sucessor de Bento XVI, pelo menos de acordo com as “previsões” das casas de apostas, que dão uma cotação de 9-4, ou seja, uma grande probabilidade, à sua eleição.A eleição do novo Papa é responsabilidade de um colégio de 118 cardeais, isolados em conclave na Capela Sistina do Vaticano. A pressão para a escolha de uma personalidade oriunda de um país em desenvolvimento é grande: é em África e na América Latina que se concentra 70% da população católica do mundo, e é aí que a Igreja Católica se encontra em expansão – em contraponto com a Europa, que há um século respondia por três quartos dos católicos do mundo e onde agora se encontram apenas 25% dos fiéis.
A escolha do cardeal Peter Turkson, de 64 anos, responsável pelo Departamento da Justiça e Paz e porta-voz do Vaticano para as questões sociais, representaria um momento histórico de viragem e renovação da Igreja Católica: seria a primeira vez que, na era moderna, o mundo católico teria como líder um homem de fora da Europa. O cardeal Francis Arinze da Nigéria, que fora mencionado como uma possibilidade durante o processo de sucessão que culminou com a eleição de Bento XVI, é a outra referência africana.
“As pessoas são livres de especular e fazer os seus próprios juízos. Quando andamos em busca de liderança, julgo que o melhor a fazer é orar a Deus, o líder e dono desta Igreja, para que ele nos ajude a encontrar a pessoa mais capaz neste particular momento da História”, reagiu o cardeal do Gana numa curta entrevista ao programa Focus on Africa da BBC, a partir do Vaticano.
“Seria muito bom que tivéssemos candidatos fortes da África e da América do Sul no próximo conclave”, considerou o cardeal suíço Kurt Koch, ao jornal Tagesanzeiger de Zurique, que, instado a manifestar uma preferência, respondeu sem hesitações que, em igualdade de circunstâncias, preferiria um candidato não-europeu a um europeu.
Mas depois das declarações do arcebispo Gerhard Müller, chefe da Congregação pela Doutrina da Fé (um cargo que foi ocupado pelo cardeal Joseph Ratzinger antes de ser eleito Bento XVI), que apontou as capacidades de “muitos bispos e cardeais da América Latina que poderiam receber a responsabilidade pela Igreja”, a “candidatura” do cardeal brasileiro Odilo Petro Sherer, arcebispo metropolitano de São Paulo, ganhou um novo impulso.
Na lista oficiosa de potenciais sucessores existem outros dois nomes da América Latina: o argentino Leonardo Sandri, filho de pais italianos e nascido em Buenos Aires e que ocupou o cargo dechief of staff, o terceiro lugar da hierarquia do Vaticano, entre 2000 e 2007; e o também brasileiro João Braz de Avis, um defensor da teologia da libertação da América Latina e actual responsável pelo Departamento das Congregações Religiosas do Vaticano.
O favoritismo de Odilo Petro Sherer tem a ver com o facto de liderar a maior diocese do maior país católico do mundo e de ser encarado como uma figura moderada (embora seja visto como um conservador no seu país). No entanto, a implantação e rápido crescimento de Igrejas protestantes evangélicas no Brasil pode ser encarado como uma “mácula” na sua candidatura.
Outros nomes que estão a ser apontados são o cardeal Marc Ouellet, do Canadá, que dirige a Congregação dos Bispos (e que uma vez disse que ser eleito Papa seria “um pesadelo”), e o norte-americano Timothy Dolan, arcebispo de Nova Iorque, EUA.
Dois italianos, o arcebispo de Milão, Angelo Scola, e o ministro da Cultura do Vaticano, Leonardo Sandri, também figuram entre ospapabili. O outro europeu nesta lista é Christoph Schoenborn, o arcebispo de Viena de Áustria – um antigo aluno de Bento XVI e autor da revisão do catecismo da Igreja na década de 1990.
As aspirações da Ásia são representadas pelo filipino Luis Tagle, de 55 anos, que trabalhou com Bento XVI na Comissão Teológica Internacional. Com 55 anos, é uma das personalidades mais carismáticas da Igreja Católica, mas as suas hipóteses serão prejudicadas pelo facto de só ter ascendido a cardeal em 2012.
Os possíveis candidatos portugueses são o actual presidente da Conferência Episcopal, D. José Policarpo; e D. Manuel Monteiro.


Vítimas irlandesas de abusos celebram renúncia do Papa

Organização americana diz que ainda há tempo para Bento XVI agir



John Kelly em imagem de março de 2010 Foto: AFP
John Kelly em imagem de março de 2010
Foto: AFP


Um grupo que representa vítimas de abusos contra crianças cometidos em instituições dirigidas por católicos na Irlanda celebrou nesta segunda-feira a renúncia do papa Bento XVI, depois que "não fez nada" para punir os responsáveis por tais ações.
"Este Papa teve uma grande oportunidade de abordar décadas de abusos na Igreja, mas no final das contas não fez nada mais que prometer tudo e, definitivamente, não fazer nada", declarou à AFP John Kelly, do grupo Survivors of Child Abuse (Sobreviventes de Abusos contra Crianças), que representa vítimas de abusos físicos, sexuais e emocionais.
A Irlanda, país tradicionalmente católico, foi sacudido nos últimos anos por uma série de relatórios que revelaram décadas de abusos contra crianças por parte do clero acobertados pela hierarquia da Igreja.
Este Papa teve uma grande oportunidade de abordar décadas de abusos na Igreja, mas no final das contas não fez nada mais que prometer tudo e, definitivamente, não fazer nada

"Pedimos ao Papa sanções contra as ordens religiosas que cometeram os abusos e os líderes religiosos da Irlanda que permitiram que isto acontecesse, mas para nossa consternação não aconteceu nada", completou Kelly.
 reconhecer que tudo isto aconteceu. Deve reconhecer que deixou entrar o diabo e residir nela durante 50 anos antes de que as pessoas possam aceitar que mudou", acusou. "A Igreja não pode avançar. A permanência no cargo deste Papa foi contaminada pelos escândalos e isto continuará até que o Papa aborde as raízes do problema", concluiu.
Por sua vez, a Snap, uma organização americana de vítimas de padres pedófilos, disse que ainda há tempo para Bento XVI agir sobre o assunto. "Por mais fatigado e frágil que esteja, o papa Bento XVI ainda tem duas semanas (até deixar o cargo) para utilizar seu imenso poder para proteger os demais jovens", afirma um comunicado do Snap.
A organização pediu que o Papa finalmente puna os bispos que ajudaram a ocultar os casos de abuso infantil. "Imaginemos o impacto e a esperança que suscitaria se, em seus últimos dias, o Sumo Pontífice castigasse ou retirasse as batinas dos bispos que ocultaram os atos pedófilos", acrescenta o comunicado.
Para a Snap, o Papa "seguiu o mesmo roteiro que os dirigentes da Igreja seguiram durante anos, e falava de abusos em termos indiretos e apenas quando era obrigatório, empregando o passado (para fazer crer que os abusos já não acontecem hoje)". 
"Bento XVI falou deste drama mais abertamente que seu antecessor, mas isso não é uma proeza. Quando era necessário atuar, o papa Bento XVI fez muito pouco para identificar os responsáveis, castigar os autores e proteger as crianças", acrescenta o texto, concluindo que o balanço deste papado é "terrivelmente decepcionante".
A Igreja católica enfrentou nos últimos anos inúmeros escândalos envolvendo padres pedófilos. O arcebispo de Los Angeles, José Gomez, difundiu no início do mês os expedientes de casos de suposta pedofilia nos quais estão envolvidos cerca de cem eclesiásticos.1
Estados Unidos da América: O país que mais vítimas causa em todo o mundo 

A comunicação social, controlada pelos grandes grupos económicos, esconde as informações que denunciam a política imperialista dos EUA.  DaAgencia Prensa Latina retirei as seguintes informações censuradas em Portugal.

A ONU expressou seu alarme pela "morte de centenas de crianças como resultado de ataques e bombardeios aéreos das forças militares estadunidenses no Afeganistão e devido a uma notável falta de medidas preventivas e do uso indiscriminado da força".

O comentário foi feito pelo Comitê dos Direitos das Crianças, um órgão de 18 especialistas independentes que supervisiona a aplicação da Convenção existente nessa matéria.

                                                                                      
 O comité advertiu que a quantidade de baixas infantis causadas pelos EUA no Afeganistão duplicou entre 2010 e 2011.
Assinalou ainda que "os membros das forças armadas responsáveis pela morte de crianças nem sempre prestam contas" e que as queixas dos familiares das vítimas não são escutadas.

Os especialistas da ONU fizeram questão de exigir a proteção dos civis, em particular os menores de idade, como uma prioridade nas operações militares dos Estados Unidos.

Da mesma forma, exigiram que sejam investigadas todas as denúncias de violações a crianças cometidas pelas forças militares norte-americanas e que seus autores sejam processados e punidos.

O tema do assassinato de crianças pelos militares de Estados Unidos no Afeganistão foi mencionado pelo secretário geral da ONU, Ban Ki-moon, num relatório apresentado em abril passado ao Conselho de Segurança e à Assembleia Geral.


C de...

Elizabeth Báthory, a condessa sangrenta

Imagem de uma pintura da Condesa Elizabeth Báthory A busca obsessiva pela beleza pode ter transformado essa condessa de família tradicional na Hungria em uma assassina cruel e sem escrúpulos com suas vítimas. 

Elizabeth Báthory nasceu no dia 7 de agosto de 1560 na Hungria. Essa jovem cresceu em uma época em que os turcos conquistaram a maior parte do território húngaro, que servia de campo de batalha entre os exércitos do Império Otomano e a Áustria dos Habsburgo. Vários autores consideram esse o motivo de seu grande sadismo. A família também tomou partido junto ao protestantismo, que era uma nova forma de oposição ao catolicismo romano. 

Desde muito jovem a moça, muito bela, já havia sido prometida em casamento. Aos 11 anos de idade já era noiva de um conde local, mas aos 14 anos engravidou de um camponês e fugiu, para não complicar seu casamento. Não se sabe o fim que a criança teve, mas o casamento ocorreu no ano seguinte. 

Acredita-se que durante as viagens do Conde, Elisabeth tomava conta dos assuntos do castelo, e a partir daí começou a aflorar seu lado sádico. Além de maltratar os empregados, ela era famosa apelo comportamento arbitrário e pela crueldade com quem infringia as regras. Ela costumava espetar agulhas em partes sensíveis do corpo, como embaixo das unhas e mandava as vítimas ficarem nuas na neve para que fossem banhadas com água fria e morressem congeladas. Existem relatos de que ela teria aberto a mandíbula de uma criada até que os cantos de sua boca rasgassem. 

O marido de Elisabeth apoiava esse tipo de atitude e se juntava a ela. Ele ensinou-a a cobrir uma mulher de mel para que insetos viessem atacar a vítima. 

A lenda de sua obsessão por beleza veio quando ela estava se penteando e uma empregada acidentalmente puxou seus cabelos. Ela teria espancado a empregada até a morte e seu sangue espirrou na mão de Elisabeth. Acreditando que aquele sangue havia rejuvenescido sua pele, surgiram histórias de que ela se banhava em sangue para se manter bela. 

Apesar de toda a sua crueldade, existem relatos de que Elisabeth era uma boa mãe para seus três filhos que teve com o conde. 

Elisabeth ficou viúva em 1604, e isso parece ter aumentado ainda mais sua insanidade mental. Ela mudou-se para Viena e chegou a conhecer outras mulheres que a incentivaram a continuar e refinar seus métodos de tortura e assassinato. 

Os nomes de todas as suas vítimas só foram descobertos quando uma investigação para verificar as dívidas do marido teve acesso a sua agenda pessoal, que continha o nome de mais de 650 vítimas registradas com sua própria letra. Durante seu julgamento, não foram encontradas provas de seus atos, apenas testemunhas que a acusavam. 

A condessa ficou na prisão por três anos, até sua morte em 1614. 

Cem anos depois, o padre jesuíta Laszlo Turoczy localizou alguns documentos originais do julgamento e recolheu histórias que circulavam entre os habitantes locais. Foi com base nesses documentos que surgiu a lenda de que Elisabeth se banhava em sangue para manter a beleza de sua pele. De acordo com essa lenda, existia em um calabouço uma gaiola com lâminas pendurada no teto, onde os condenados eram colocados e espetados com lanças, para se moverem e se cortarem. Esse sangue caia em um recipiente para os banhos de Elisabeth. 

FREGUESIA DE SANTA BÁRBARA DE NEXE - CARNAVAL CORSO DE BORDEIRA - 101 FOTOS