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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013



Grandes fotos que marcaram o ano de 2012





Um soldado sírio dispara seu rifle de uma casa em Aleppo, em 14 de agosto de 2012.

Prisioneiros participam de uma sessão de terapia de grupo na prisão de San Quentin, no estado de San Quentin, California, em 8 de junho de 2012. A prisão de San Quantin é a mais antiga unidade correcional da Califórnia e abriga uma câmara de gás.

Uma mulher empurra seu Fiat 500 com seu cão sentado dentro, em um bairro de Roma, 23 de março de 2012.

Uma mulher em traje tradicional coreano sai da piscina de Kim Il-sung, na universidade de Pyongyang, em 11 de abril de 2012.

Um banco com o nome do Costa Concordia gravado é encontrado na costa da ilha Giglio, em 20 de janeiro de 2012.

Estudantes seguram nas barras laterais de uma ponte que desabou sobre um rio na aldeia de Sanghiang Tanjung, na Indonésia, em 19 de janeiro de 2012.

Povos indígenas aqui no Brasil apontam seus arcos e flechas para um helicóptero da polícia que sobrevoava a usina hidrelétrica de Belo Monte, em 15 de junho de 2012. A área foi ocupada por cerca de 300 ativistas, povos indígenas, pescadores e membros da comunidade costeira afetados pelo projeto.

Um lutador esfrega as mãos sujas de lama no rosto durante uma tradicional luta em Akhaara, em Kolhapur, cerca de 400 km ao sul de Mumbai, em 14 de fevereiro de 2012.

As crianças da família Divino Amor – Dhones, Izabely e Samille, sentados em um sofá depois de uma sessão de terapia física, na favela Brasilândia, em São Paulo. Todos os três filhos sofrem de uma doença chamada Pelizaeus-Merzbacher, uma doença genética rara que afeta a coordenação nervosa e intelecto.

Prostituta de 17 anos abraça Babu, seu “marido”, dentro de seu pequeno quarto no bordel de Kandapara, norte de Bangladesh, em 4 de março de 2012.

Devotos tentam formar uma pirâmide humana para quebrar um vaso de barro durante as celebrações que marcam a festa hindu de Janmashtami, em Mumbai, no dia 10 de agosto de 2012.

Usain Bolt corre para ganhar os 200 m na final dos Jogos Olímpicos de Londres, em 9 de agosto de 2012.

Moradores remam barco improvisado para salvar seus pertences, enquanto casas pegam fogo. Mais de 5000 famílias ficaram desabrigadas, em 11 de maio de 2012.

Uma mulher toma sopa de mariscos enquanto mídia e apoiadores cercam o candidato à presidência dos EUA, Rick Santorum, em um evento de campanha em um restaurante da Carolina do Sul, em 15 de janeiro de 2012.

Mulheres vestindo máscaras de nulon na costa da província de Shandong, em 6 de julho de 2012. A máscara foi inventada há 7 anos para bloquear os raios do sol.

Sírios saltam sobre arame farpado fugindo de Sanliurfa, em 9 de novembro de 2012.

Relâmpago é visto durante uma tempestade em Srebrenica, em 10 de julho de 2012.

Homens usam cordas para tentar resgatar caminhão e suprimento de trigo, no distrito de Malakand, noroeste do Paquistão, em 13 de abril de 2012.

Restos de uma montanha-russa após passagem do furacão Sandy, em Nova Jersey, em 1 de novembro de 2012.

A lua cheia surge através dos anéis olímpicos pendurados sob a Tower Bridge durante os jogos Olímpicos de Londres, em 3 de agosto de 2012.


Grandes fotos que marcaram o ano de 2012





Um soldado sírio dispara seu rifle de uma casa em Aleppo, em 14 de agosto de 2012.

Prisioneiros participam de uma sessão de terapia de grupo na prisão de San Quentin, no estado de San Quentin, California, em 8 de junho de 2012. A prisão de San Quantin é a mais antiga unidade correcional da Califórnia e abriga uma câmara de gás.

Uma mulher empurra seu Fiat 500 com seu cão sentado dentro, em um bairro de Roma, 23 de março de 2012.

Uma mulher em traje tradicional coreano sai da piscina de Kim Il-sung, na universidade de Pyongyang, em 11 de abril de 2012.

Um banco com o nome do Costa Concordia gravado é encontrado na costa da ilha Giglio, em 20 de janeiro de 2012.

Estudantes seguram nas barras laterais de uma ponte que desabou sobre um rio na aldeia de Sanghiang Tanjung, na Indonésia, em 19 de janeiro de 2012.

Povos indígenas aqui no Brasil apontam seus arcos e flechas para um helicóptero da polícia que sobrevoava a usina hidrelétrica de Belo Monte, em 15 de junho de 2012. A área foi ocupada por cerca de 300 ativistas, povos indígenas, pescadores e membros da comunidade costeira afetados pelo projeto.

Um lutador esfrega as mãos sujas de lama no rosto durante uma tradicional luta em Akhaara, em Kolhapur, cerca de 400 km ao sul de Mumbai, em 14 de fevereiro de 2012.

As crianças da família Divino Amor – Dhones, Izabely e Samille, sentados em um sofá depois de uma sessão de terapia física, na favela Brasilândia, em São Paulo. Todos os três filhos sofrem de uma doença chamada Pelizaeus-Merzbacher, uma doença genética rara que afeta a coordenação nervosa e intelecto.

Prostituta de 17 anos abraça Babu, seu “marido”, dentro de seu pequeno quarto no bordel de Kandapara, norte de Bangladesh, em 4 de março de 2012.

Devotos tentam formar uma pirâmide humana para quebrar um vaso de barro durante as celebrações que marcam a festa hindu de Janmashtami, em Mumbai, no dia 10 de agosto de 2012.

Usain Bolt corre para ganhar os 200 m na final dos Jogos Olímpicos de Londres, em 9 de agosto de 2012.

Moradores remam barco improvisado para salvar seus pertences, enquanto casas pegam fogo. Mais de 5000 famílias ficaram desabrigadas, em 11 de maio de 2012.

Uma mulher toma sopa de mariscos enquanto mídia e apoiadores cercam o candidato à presidência dos EUA, Rick Santorum, em um evento de campanha em um restaurante da Carolina do Sul, em 15 de janeiro de 2012.

Mulheres vestindo máscaras de nulon na costa da província de Shandong, em 6 de julho de 2012. A máscara foi inventada há 7 anos para bloquear os raios do sol.

Sírios saltam sobre arame farpado fugindo de Sanliurfa, em 9 de novembro de 2012.

Relâmpago é visto durante uma tempestade em Srebrenica, em 10 de julho de 2012.

Homens usam cordas para tentar resgatar caminhão e suprimento de trigo, no distrito de Malakand, noroeste do Paquistão, em 13 de abril de 2012.

Restos de uma montanha-russa após passagem do furacão Sandy, em Nova Jersey, em 1 de novembro de 2012.

A lua cheia surge através dos anéis olímpicos pendurados sob a Tower Bridge durante os jogos Olímpicos de Londres, em 3 de agosto de 2012.

Seg. Social pressiona grávidas a abortar
Há jovens grávidas carenciadas a quem os técnicos da Segurança Social estão a aconselhar a abortar, apesar de manifestarem o desejo de ter os filhos. A denúncia é feita por associações da sociedade civil, que asseguram haver casos em que é dito às mães que a consequência de prosseguirem com a gravidez será ficarem sem a criança.«Cada vez conheço mais casos desses. Muitas vezes, são raparigas que estão até institucionalizadas e que são pressionadas para abortar», afirma Leonor Ribeiro e Castro, do grupo pró-vida Missão Mãos Erguidas. A ameaça, conta a activista, é clara: «Dizem-lhes que, se não abortarem, tiram-lhes os bebés. Há uma cultura de medo, que é preciso denunciar. Isto não é proteger os menores. Há coacção psicológica».
Leonor Ribeiro e Castro diz que, muitas vezes, as gravidezes chegam até ao fim e é através de advogados do movimento que lidera que as mães lutam pela guarda da criança. «Tive um caso de uma mãe que, após uma cesariana, esteve quase dois meses a dormir numa cadeira num hospital, porque se recusava a sair de lá sem o filho e tinha medo de ficar sem ele. Elas sentem isto como um castigo por não terem abortado».
Bebés retidos nos hospitais
Uma advogada que não se quis identificar relatou ao SOL a história de uma adolescente de 15 anos a quem foi retirado o filho. «A rapariga vinha de uma família desestruturada e estava numa instituição, mas queria muito ter o bebé. Disseram-lhe sempre que devia abortar, mas ela recusou». Quase um ano depois do nascimento, acabou por vir a decisão de institucionalizar o menor. «Era uma óptima mãe. Precisava de ajuda e não que lhe tirassem o filho», afirma, explicando que o processo está agora na Justiça, onde a mãe tenta recuperar a criança.
À Ajuda de Mãe também têm chegado relatos idênticos. «Temos conhecimento de algumas pressões junto das adolescentes, nos serviços de saúde e não tanto por técnicas da Segurança Social», comenta Madalena Teixeira Duarte. «Há algumas vezes, nos tribunais, a ideia de que as mães adolescentes são incapazes de ficar com os bebés e que estes devem ser retirados. Isto não tendo em conta que as instituições servem para ajudar a crescer estas meninas-mães», diz a responsável da Ajuda de Mãe.
«O que se passa muitas vezes é a retenção do bebé no hospital, se não estiverem reunidas as condições julgadas indispensáveis para irem para casa», diz Madalena Teixeira Duarte. Nestes casos, «as mães são aconselhadas a irem para uma instituição se quiserem ficar com o bebé». Ainda assim, ressalva, o mais normal é que os menores só sejam retirados «quando a carência económica ponha em perigo o bem-estar do bebé e se tenham esgotado todas as alternativas de ajuda à família».
Sandra Gonçalves é mãe de uma menor que engravidou e conta uma história parecida. «A técnica da Segurança Social disse-lhe logo que se tivesse o bebé, ia acabar por ficar sem ele». A filha tinha 16 anos, mas nem ela nem o namorado puseram sequer a hipótese de não levar a gravidez ao fim.
«Fui com ela à consulta e ela só chorava porque dizia que queria ter o filho e lhe estavam a dizer que era melhor abortar», conta uma amiga da família, explicando que conseguiram entretanto o apoio da Associação Portuguesa de Famílias Numerosas (APFN), que tem acompanhado o caso.
500 euros para nove pessoas
Artur Guimarães, da APFN, recebeu novo telefonema meses mais tarde, logo após o nascimento da criança. «A rapariga tinha tido alta, mas a assistente social não tinha autorizado que o bebé saísse também. Ela estava com medo que lhe tirassem o filho e recusava-se a sair de lá». Artur Guimarães diz que foi preciso pôr-se «em campo e fazer uns telefonemas» e a criança acabou por ir para casa com mãe.
Seis meses depois, a família vive no sobressalto constante das visitas da Segurança Social. «Nas últimas duas semanas, estiveram cá duas vezes e dizem que me levam as crianças», diz Sandra, falando num plural que inclui a neta e também os seus quatro filhos menores – entre os três e os 13 anos.
Com um rendimento de pouco mais de 500 euros – composto pelo subsídio de desemprego do marido e pelo abono de família –, Sandra Gonçalves tem nove pessoas para alimentar. «Além dos meus filhos e do meu marido, vivem comigo a minha neta e o namorado da minha filha. Não consigo pagar a renda há um ano e desde 10 de Janeiro que não tenho água nem luz em casa».
A ajuda do Banco Alimentar também não é suficiente: «Para seis meses, recebi dois pacotes de massa, dois quilos de açúcar, azeite, óleo, bolachas, quatro pacotes de papa, leite, quatro latas de salsichas e quatro de atum». Os mantimentos esgotaram-se depressa e a única esperança da mulher, de 38 anos e desempregada há 10, de uma fábrica de confecções, é conseguir o rendimento de inserção social. Enquanto a ajuda não vem, Sandra vê na pobreza a ameaça de ficar sem os filhos.
‘Há tendência para estatizar as crianças’
Artur Guimarães, da APFN, que ainda esta semana visitou a família, explica que os problemas que encontrou são os típicos de quem não tem dinheiro. «É uma casa pobre, com humidades. Mas há ali uma união na família e uma vontade de resolver os problemas», assegura, adiantando que desde esta semana «estão a receber refeições da Misericórdia».
Depois de o SOL ter tido conhecimento da história, Artur Guimarães recebeu um e-mail da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ). «Estranhamos e lamentamos profundamente termos sido visados publicamente na atribuição de actos que não têm fundamentação, no quadro do processo relativo à família mencionada», lê-se no texto, onde a presidente da CPCJ garante que a versão da família é só uma parte da história.
«Contrariamente à afirmação veiculada, a possibilidade da retirada de crianças não foi objecto de análise até agora por parte da CPCJ», sublinha Carmen Araújo, esclarecendo que «trata-se de um assunto acompanhado pela segurança social e cujos contornos (aplicação do dinheiro, racionalidade nos gastos e cooperação com as instituições) distam bastante da informação apresentada».
Artur Guimarães diz que «nem é vocação da APFN fazer este apoio social», mas vai continuar a tentar ajudar. «Ofereci-me para servir de mediador entre a família e as técnicas da Segurança Social, porque as relações já estão de tal maneira degradas, que acho que só assim será possível um diálogo». Mas frisa que «o objectivo não é entrar numa guerra com a CPCJ ou com a Segurança Socia e sim ajudar».
Leonor Ribeiro e Castro concorda que «quando há carências é preciso ajudar». A fundadora da Missão Mãos Erguidas critica o que diz ser a insensibilidade da Segurança Social. «Há uma tendência para ‘estatizar’ as crianças. O dinheiro que gastam com elas em instituições devia ser dado às famílias. Ou, então, pôr pais e filhos juntos nas instituições, até se organizarem», defende.
Arrancar implantes da pele
Chiara Pussetti, antropóloga e investigadora do ISCTE, tem encontrado nas suas pesquisas nos bairros sociais de Lisboa casos que mostram que o preconceito está na base de muitas intervenções da Segurança Social. «Por causa das ideias ocidentais do que é a família ideal, já vi crianças serem retiradas de uma família porque comiam cachupa ao pequeno-almoço. Mas é isso que se come em Cabo Verde».
A antropóloga diz que as mesmas ideias pré-concebidas levam a intervenções extremas no planeamento familiar. «Há pressão, sobretudo, junto das mulheres africanas para laquear as trompas ou para colocar implantes contraceptivos subcutâneos». O problema, explica a investigadora, é que as mulheres aceitam pô-los por um período de três a cinco anos, mas depois arrependem-se. «Como é preciso gastar mais de 400 euros na cirurgia para os tirar, muitas arrancam-nos da própria pele e ficam com as marcas. É muito violento».
A discussão ganhou actualidade depois de há duas semanas o SOL ter revelado o caso de Liliana Melo, uma mãe de Sintra a quem foram retirados sete dos seus dez filhos por não ter condições económicas e ter incumprido o acordo de protecção de menores que a obrigava a laquear as trompas.
Perante a pressão da opinião pública, o Conselho Superior da Magistratura (CSM) pronunciou-se em comunicado, afirmando que a decisão «funda-se unicamente na existência de perigo concreto e objectivo para os menores, quanto à satisfação das suas necessidades básicas».
Pobreza não é determinante
Dulce Rocha, vice-presidente do Instituto de Apoio à Criança (IAC), garante: «A pobreza nunca é o factor determinante para retirar um menor». E assegura que o interesse das crianças é sempre o valor mais forte. «O que acontece é que a pobreza leva à desorganização, falta de rotinas, de higiene e de cuidados de saúde que põem as crianças em risco». A magistrada acredita, aliás, que a retirada de menores é sempre a última medida. «Às vezes peca-se é por se dar muitas oportunidades à família, prolongando a exposição da criança a condições que não são dignas nem compatíveis com o século XXI».
Leonor Furtado, há 32 anos a acompanhar esta área, tem a mesma visão. «Só por uma vez me deparei com uma situação em que o preconceito esteve na base da retirada de menores». A magistrada admite que «os técnicos são pessoas e pode acontecer haver preconceito», mas frisa que essas são as excepções.
Contactados pelo SOL, nem o Instituto da Segurança Social nem a Comissão Nacional de Protecção de Menores estiveram disponíveis para prestar esclarecimentos. Também não foi possível obter dados sobre o número de crianças institucionalizadas e dadas para adopção nos últimos quatro anos ou saber em quantas destas situações as decisões se prenderam com a falta de condições económicas e não com abusos ou maus-tratos.
margarida.davim@sol.pt

Obama e Sarkozy, dois TS





Candelária - o cemitério dos heróis esquecidos

Candelária, o cemitério dos heróis esquecidos da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, em Porto Velho (RO).

Cruz no Cemitério da Candelária, Porto Velho (RO), 2007. Foto: Nelson Townes - Revista Momento.


Por Nelson Townes. Matéria publicada na Revista Momento e disponibilizada no site: http://www.gentedeopiniao.com.br/ em 12/10/2007 - 07:53.



Eles ainda estão lá, esquecidos e perdidos há quase um século, no meio do bosque místico, sagrado e histórico em que se transformou o Cemitério da Candelária, a dois quilômetros do centro de Porto Velho. São os 1.593 trabalhadores que vieram de 22 países de todos os continentes para lutar contra a selva amazônica e morrerem durante a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, e que ainda estão lá sepultados.
Talvez não haja cemitério igual no planeta. É uma espécie de ONU (Organização das Nacões Unidas) fúnebre, Lá estão enterrados espanhóis, antilhanos, portugueses, gregos, bolivianos, italianos, venezuelanos, colombianos, chineses, turcos, peruanos, barbadianos, alemães, franceses, ingleses, austríacos, árabes, russos, porto-riquenhos, japoneses e dinamarqueses que a Madeira-Mamoré Railway Company recrutou no mundo inteiro para trabalharem na construção ferrovia.

Eles foram sepultados entre 1907, quando o cemitério foi aberto, anexo ao Complexo Hospitalar da Candelária, criado para tratar de funcionários da ferrovia, e 1912, quando a ferrovia foi inaugurada. Era reservado só para os operários estrangeiros que morriam nas obras na grande ferrovia da floresta.
Quando a construção da estrada acabou, e a maioria dos estrangeiros voltou para suas terras de origem, os que morreram foram abandonados pelos compatriotas sobreviventes. Os 1.593 sepultamentos são confirmados por estatísticas necrológicas dos médicos do Complexo Hospitalar da Candelária. Não há registro de que algum deles tenha sido exumado para lugar algum. Heróis de uma das maiores obras da humanidade, nunca foram repatriados após a morte em terra estranha.

Seus nomes foram esquecidos. Seus túmulos começaram a ser violados após a desativação do cemitério em 1920. As lápides foram destruídas ou roubadas.


Ruína de túmulo no Cemitério da Candelária, Porto Velho (RO), 2007. Foto: Nelson Townes - Revista Momento.

As tumbas desapareceram - As que não foram violadas foram engolidas pela floresta que ressurgiu no local. Árvores gigantes se ergueram sobre os túmulos, penetrando-os com grossas raízes, envolvendo, triturando e misturando os ossos com a terra.

Uma ou outra tumba é hoje encontrada. Uma delas, posterior a 1912, já do tempo em que brasileiros também eram enterrados no Candelária, é de Carlos Augusto Serzedelo, nascido em julho de 1876 e falecido em agosto de 1917. Os túmulos que sobraram estão escondidas pela floresta que tomou conta do cemitério abandonado.

"Das 1.593 cruzes que com certeza existiam, as recuperadas ou que ainda são visíveis não chegam a 50." constatou o arquiteto Luis Leite, presidente da Associação dos Amigos da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, que visita freqüentemente o local.

Em 2005, Leite soube que haviam sido roubadas 11 cruzes do Candelária. Permaneceram desaparecidas durante um mês, até que a Polícia as entregou à Associação dos Amigos da Estrada de Ferro, sem dizer quem as tinha roubado.

Associação colocou-as novamente nos túmulos. O trabalho sob a coordenação de Luis Leite e Demetrius Lemos, demorou mais de quatro horas. Essas e outras relíquias do cemitério costumam ser roubadas sob encomenda até por gente ilustre de Porto Velho - para efeitos decorativos ou por misticismo.

A esperança dos amigos da Madeira-Mamoré é a de que os nomes de todas as 1.593 pessoas sepultadas no Candelária ainda estejam em algum livro de registros da ferrovia não queimado pelos militares da Ditadura que a destruíram a partir de 1972.

Muitos documentos escaparam do vandalismo militar, ainda não foram examinados e estão sendo estudados e recuperados por diferentes grupos de trabalho.
Lápide da sepultura de Carlos Augusto Serzedelo (1876-1917) no Cemitério da Candelária, Porto Velho (RO), 2007. Foto: Nelson Townes - Revista Momento.

História recuperada - A história desses primeiros tempos de Porto Velho também está sendo recuperada com base em documentos pertencentes ao acervo do Centro de Documentação Histórica do Tribunal de Justiça do estado de Rondônia.

Uma equipe chefiada pela historiadora Nilza Menezes examina processos judiciais, livros cartoriais de Imóveis e Registro Civil que que têm registros a partir da instalação da Comarca Santo Antonio do Rio Madeira no ano de 1912.

Enquanto o Candelária funcionou como cemitério só para estrangeiros, até 1912, apenas uma exceção foi feita para o sepultamento de uma pessoa não alienígena: uma jovem brasileira chamada Lydia Xavier, segundo o médico, antropólogo e historiador Ary Pinheiro, citado por Yêdda Pinheiro Borzacov em seu livro "Porto Velho, 100 anos de história."

Mesmo sendo exceção entre os dos estrangeiros, o túmulo da brasileira Lydia tem inscrição em inglês. Seu discreto enterro visou evitar um escândalo na sociedade de Porto Velho. A jovem era amante de um engenheiro norte-americano e o romance não podia ser revelado. Lydia, após uma briga o amante, suicidou-se se envenenando com um corrosivo.

O Cemitério da Candelária é também uma referência para os estudos sobre o povo judeu nos vales dos rios Madeira, Mamoré e Guaporé. Nele foi enterrado o judeu Isaac Benchimol, por volta de 1910. Segundo algumas fontes, a comunidade judaica não se organizou em Porto Velho pelo fato de os judeus que trabalhavam na Madeira-Mamoré serem enterrados em cemitérios não judeus – como o Candelária (e no de Abunã e anos mais tarde no Cemitério dos Inocentes, onde há outro judeu chamado Isaac Benchimol, homônimo do Benchimol do Candelária.)

O sepultamento de Isaac Benchimol no Candelária simbolizaria o início do abandono pelos judeus que trabalhavam na Estrada de Ferro Madeira-Mamoré de suas de tradições religiosas.

Há outros mistérios o Cemitério da Candelária que a história ainda não desvendou. Segundo o arquiteto Luis Leite, consta que, além dos estrangeiros sepultados até 1912, mais 4 mil pessoas (entre elas brasileiros) foram enterradas ali nos oito anos seguintes em que continuou funcionando até sua completa desativação em 1920 – e que foram igualmente esquecidas. Sem nomes, sem lápides, em túmulos escondidos pelo matagal. Quem eram? De onde vieram?

Se a informação de Luis Leite estiver correta, pelo menos cinco mil mortos estão enterrados no Cemitério da Candelária.

Uma solução para caracterizar bem o bosque-cemitério como um local sagrado e intocável seria a colocação de um grande mural no local, com os nomes dos 1.593 trabalhadores ali sepultados.

As bandeiras dos 22 países que eles representam poderiam ser desfraldadas junto ao mural, ressaltando a importância histórica do cemitério e transformando-o num ponto de referência histórica, cultural, e turística da memória da cidade - como outros cemitérios antigos são em outras cidades.

A Associação de Amigos da Madeira-Mamoré construiu uma cruz, de vinte metros de altura, com trilhos, para marcar o local do cemitério. Todos os anos, no mês de novembro, é realizada uma missa ecumênica em memória dos que estão ali sepultados e de todos os outros que perderam a vidas durante a construção da ferrovia.

A missa é celebrada também em memória dos que tiveram de ser enterrados na floresta, ao lado ou sob os trilhos, ao longo da ferrovia, e pelos que não conseguiram deixar a selva em duas tentativas anteriores de construir a Madeira-Mamoré, quando não havia o Hospital da Candelária nem o cemitério anexo (era separado do hospital por um pomar.)

Mas, o Cemitério da Candelária ainda é visto em Porto Velho como um matagal abandonado pela maioria da população, que mal conhece sua história. E está sempre na mira de empresários imobiliários que o vêem apenas como um terreno a ser loteado para construção de casas e prédios.

No resto do Brasil e em outros países, os cemitérios estão ligados à história das cidades onde se localizam, através de obras de arte como os mausoléus das famílias ilustres, das personalidades históricas e das épocas importantes que eles evocam.

Em Porto Velho, o próprio Cemitério dos Inocentes, está ligado à história com mausoléus que são monumentos sobre o passado aristocrático da cidade e os pioneiros da Capital.

Um dos fundadores da psicologia de massas, Gustave Le Bon, explica o significado dos monumentos nos cemitérios: "Não são os fatos em si que ferem a imaginação coletiva, mas sim o modo pelo qual se lhes apresentam. Os monumentos e as comemorações são, sem dúvida, os meios mais proveitosos, práticos e seguros, para gravar no espírito do povo as proezas de um herói, a grandeza de um nome ou a importância e o significado de um acontecimento."


Honra e bravura - O Cemitério da Candelária não tem monumentos materiais, O bosque que se formou sobre ele tornou-se um monumento natural, puramente espiritual. É um campo de honra consagrado à bravura e ao sofrimento físico e moral dos que enfrentaram a selva.

A floresta que os matou agora os abriga. É o local de descanso dos que deixaram suas famílias em países distantes, pensando que logo voltariam, mas foram enganados quanto às condições de trabalho e os perigos mortais que sofreriam, como anotam os historiadores.

A maioria morreu não somente de doenças da região, como a malária, mas também de outras moléstias, e após sofrimentos tão terríveis que impressionaram "indelevelmente" o sanitarista Oswaldo Cruz, que esteve em Porto Velho em 1910, estudar as causas das doenças que matavam os trabalhadores.

O Cemitério da Candelária está localizado perto da linha férrea, no trajeto em direção à antiga e extinta Vila de Santo Antonio. Tem aos fundos o Conjunto Residencial Cujubim e fica próximo do clube dos sub-tenentes e sargentos do 5º Batalháo de Engenharia de Construção do Exército. No outro extremo fica próximo das residências do bairrdo Triângulo, também na beira da ferrovia.

O perímetro urbano pertence à ferrovia desde o decreto presidencial de 8.776 de 7 de junho de 1911, assinado pelo então presidente da República, Hermes da Fonseca, que definiu as propriedades da ferrovia, na faixa de 150 metros para cada lado do eixo da linha da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, correspondentes a uma área em quadro, de 5.000 metros de lado.

Mas, como se observa, é ocupado de forma desordenada, com pouca infra-estrutura básica e agressões sobre os elementos históricos do espaço como a linha férrea e o Cemitério da Candelária além das áreas de mata preservada e de proteção de mananciais.

Quando a cidade de Porto Velho nasceu, em 1907, a partir das oficinas e galpões da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, o patrimônio imobiliário do município criado 7 anos depois correspondia tão somente às áreas de influência da construção e instalação da estrada de ferro, "sem deter qualquer outro patrimônio imobiliário” - conforme reconhece até hoje a prefeitura de Porto Velho.
Cruz no Cemitério da Candelária, Porto Velho (RO), 2007. Foto: Nelson Townes - Revista Momento.

Conjunto histórico -O Conjunto Histórico, Arquitetônico e Paisagístico da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM), formado pelo Pátio Ferroviário, os oito quilômetros de estrada de ferro que vai da Estação Central até a Estação de Santo Antônio, as três Caixas d'água e o Cemitério da Candelária, foram tombados como monumentos integrantes do Patrimônio Cultural Brasileiro, “em razão de possuírem um excepcional valor cultural” pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), através da portaria 231, de 13 de julho de 2007.

Além do valor histórico para a cidade de Porto Velho, o Cemitério da Candelária, inspira misticismo em muita gente. Moradores do bairro do Triângulo costumam contar - reservadamente - histórias sobrenaturais sobre o bosque místico onde jazem os trabalhadores da ferrovia.

Uma dona de casa, que pediu para não ser identificada, moradora a poucos metros da linha férrea, perto do cemitério, conta que, em mais de uma noite, acordou com um clarão iluminando a rua e ouvindo o ruído de um trem andando nos trilhos.

Ela diz que nessas ocasiões abre a janela e vê que o clarão é o do farol de um trem da Madeira-Mamoré se aproximando. Nesse momento, diz ela, alguns homens caminham do cemitério da Candelária para perto dos trilhos.

“Eles se vestem como os antigos trabalhadores da ferrovia, com camisas de mangas compridas abotoadas até o pescoço e junto aos punhos, para evitar picadas de mosquitos”- acrescenta a mulher.

“Os homens fazem sinais para o trem parar, mas o trem passa direto e desaparece”. “Então os homens caminham de volta ao cemitério cabisbaixos, e somem na escuridão.”

Para essa dona de casa, que diz rezar sempre pelas almas dos mortos da EFMM, eram fantasmas dos operários tentando embarcar no trem com a passagem comprada pela própria vida.
Cometerium

Gurung: Os Caçadores de Mel do Himalaia

Estas fotos são de 1987 do fotógrafo francês Eric Valli. 

Ele foi até o Nepal com sua esposa para fotografar a tribo Gurung, que são basicamente fodões que não tem medo de abelhas.

É uma atividade que esta tribo faz duas vezes no ano e com ferramentas que eles produzem a partir de galhos e bambu, além das escadas feitas com cipó eles cortam os favos das maiores abelhas produtoras de mel do planeta. Cada abelha pode chegar a 3 centímetros.

E tudo isso sem grandes proteções…