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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013


quem manda? salazar! salazar! salazar!

Portugal, em plena II Grande Guerra. Os portugueses faziam fila para receberem senhas de racionamento. Fizesse frio ou chovesse a potes, pernoitavam junto das lojas na esperança de conseguirem comprar um naco de pão, um quilo de feijão, umas batatas. Uma sardinha era repartida por quatro ou cinco. Mas a zona de Belém, em frente dos Jerónimos, foi terraplanada, um bairro destruído (primeiras duas fotografias) para que Salazar pudesse inaugurar a "grande exposição do mundo português", em 1940. Nenhum custo, por mais astronómico que tivesse sido, foi demais para louvar o mago que regularizou as finanças públicas, a sua gloriosa obra e o seu imenso império colonial. Império que perduraria, apenas, por mais 35 anos.



















Todas as fotografias recolhidas em:
http://restosdecoleccao.blogspot.pt/

Quatro almas


O Regresso aos Mercados

A nova fraude. A mentira para enganar tolos. Um novo roubo para dar aos bancos
 

O apregoado "regresso aos mercados" é fraude para enganar tolos. É uma manobra de diversão. Os juros baixam porque os grandes capitalistas financeiros (os mercados) começam a ter dificuldade em aplicar as imensas fortunas que estão a ganhar com o roubo que fazem a muitos milhões de pessoas. A quantidade de bancos (mercados) interessados em “comprar” dívida a estes juros está a aumentar, justamente porque o negócio é uma mina. Continuam a ir buscar dinheiro dos estados a menos de 1% (BCE) e emprestam aos estados a mais de 4%. É a moderna forma de roubo a somar à antiga exploração de quem trabalha. É o capitalismo especulativo financeiro.


Pagar dívida com mais dívidas e juros
 

Com o “regresso aos mercados” Portugal continua a afundar-se, pois os juros que pagamos aos “mercados” são superiores ao que se produz com esse dinheiro. É como ir ao banco pedir emprestado para comprar mais um carro que apenas vai trazer mais despesa. Pagar dívida com novas dívidas mais elevadas (dívida e mais juros) não leva a lado nenhum. É a espiral recessiva que os economistas falam.

De 117% para 120% de dívida 


A dívida pública portuguesa continua a aumentar. Atingiu o seu valor mais alto de sempre. No terceiro trimestre de 2012, a dívida passou de 117,4% para 120,3% do PIB, sendo a terceira mais elevada da UE, a seguir à Grécia e à Itália. Comparativamente com o terceiro trimestre de 2011, o aumento estimado da dívida foi de 10%. Mais 25 mil milhões de euros de dívida desde que este Governo iniciou o seu mandato, mais 11 mil milhões do que aquilo que estava previsto no memorando com a troika. 


Comparem-se estes milhões todos com os 4 mil milhões que o governo quer retirar à Saúde, Educação e Serviço Social (pensões, etc.).
 

Ricos mais ricos, pobres mais pobres
É esta a situação a que nos conduz esta política de austeridade para dar dinheiro aos Bancos. É esta política que faz com que 10 milhões de portugueses estejam a empobrecer para os mais ricos continuarem a enriquecer com a crise. Os 7 mais ricos de Portugal aumentaram as suas fortunas em mais de 1540 milhões de euros em 2012 ou seja tiveram um aumento de 13% enquanto 10 milhões de portugueses baixam ordenados e pensões.

É o regresso da política de Salazar. “Roubar aos pobres porque eles são muitos e já estão habituados”. 


De quem é a responsabilidade?


No tempo de Salazar não havia escolha pois as eleições não eram livres. Agora não há desculpa pois sãos os pobres que escolhem quem governa. Não se deixem enganar pois os exemplos duram há 36 anos, com os mesmos sempre no poder PS, PSD e CDS. Os que assinaram o pacto com a troika.

Os indignados, os revoltados, os desiludidos que não arranjem novas desculpas para dizer que não vão votar. Isso é o que eles querem. É entregar as armas ao inimigo.

Se todos os que discordam desta política não votarem, apenas votam os da direita, os mais ricos. Então, esses, continuam a ganhar as eleições com a abstenção a aumentar. Continuam a poder roubar-nos. Acordem!

C de...

A história de Josh


Eram 6 horas e trinta minutos quando Josh acordou. Estava deitado na cama, a mesma que tinha há já 20 anos, mas sentia-se desconfortável. Talvez se sentisse melhor se conseguisse dormir sem ter os sapatos calçados, mas desde que aos 13 anos se levantou para ir à casa de banho a meio da noite e foi surpreendido descalço pelo podengo da família que é incapaz de dormir sem sentir os pés protegidos.
“Paranóias”, dizem Ted e Nibles, os seus dois melhores amigos. Josh sabe que não o fazem por mal, que apenas o dizem para o tentar ajudar a ultrapassar os seus traumas, mas eles não percebem. Como poderiam? Nunca passaram pelo mesmo, até porque os dentes de leite não têm pés.
Josh levantou-se e dirigiu-se para a casa de banho. Entrou na banheira e ensaboou o cabelo 3 vezes, saindo de seguida. Josh lavava sempre a cabeça três vezes, mas não usava água, limitando-se a espalhar o shampoo pelo cabelo. “Os hunos podem aproveitar-se”, pensava. Para além disso, era-lhe insuportável a ideia de se separar do seu shampoo, uma vez que pagava para o ter no cabelo e não nos canos da casa.
Enquanto se vestia, Josh pensou na vida. Tinha 38 anos e a sua maior conquista tinha sido conseguir passar por um robalo há dois dias sem cantar o "Embraceable You", coisa que fazia desde os 10 anos, altura em que a empregada da casa da sua mãe o apanhou a acariciar lascivamente a côdea de um pão de centeio.
Josh saiu de casa, entrou no carro a correr e sentou-se. Olhou primeiro para a esquerda, depois para direita, depois para trás e depois para a frente. Começou a transpirar, o mundo parecia que estava parado e que toda a gente olhava para si. Josh teve um taque de pânico. Todos os dias lhe acontecia o mesmo sempre que precisava de meter a chave do carro na ranhura. Este gesto, absolutamente normal, tinha para Josh toda a promessa de amor perdido. Oh, a vergonha… as recordações de Sony, a torradeira de 4 fatias com quem tivera uma relação na faculdade e que fugiu com o seu colega de dormitório. Josh nunca mais confiou em electrodomésticos e desde aí que salga ou defuma toda a sua comida, o que faz dos seus iogurtes uma experiência gastronómica única.
Finalmente conseguiu ligar o carro e arrancou em direcção ao trabalho. Josh sai sempre de casa mais cedo porque o facto de só conseguir virar para esquerda, um trauma que ganhou quando viu sua mãe a separar o grão-de-bico no quarto do algoz, faz com que demore o triplo do tempo a chegar ao seu trabalho. Pelo caminho, Josh tenta comprar café, mas quando entra na pastelaria acaba sempre por pedir pretzels e um leite morno. Há anos que não consegue dizer a palavra “café” em público e só mesmo em casa, tapado até aos olhos com um saco de sarapilheira e um sombrero, consegue pronunciar as silabas, mas sem o acento. Mais um trauma com a cortesia de sua mãe, que não se importava que a ouvissem dizer à boca cheia que a sua personagem favorita era Cunegundes Rostislavna era a sua rainha da Boémia favorita.
Josh voltou ao carro para mais um ataque de pânico e arrancou. Não ligou o rádio, pois não ouve música desde o incidente. Há 3 anos, num congresso, Josh enganou-se e afirmou que o seu gelado favorito era chocolate e menta, em vez de chocolate e morango, facto que nunca foi perdoado por Hess, um alemão nascido na Alemanha que Josh nunca conheceu. A partir desse dia, só uma nota é suficiente para Josh perder os sentidos.
Finalmente chegou ao seu emprego. Josh saiu do carro e entrou para o seu edifício. Passou apressado pelo corredor sem levantar a cabeça, pois tinha pavor de tectos desde que percebeu que estes não eram suportados por magia. Entrou no seu escritório e sentou-se, mais calmo. Esperou 5 minutos e pegou no telefone:
“Mrs. Gill, diga ao chefe clínico que já cheguei. Podem mandar entra o primeiro paciente da psiquiatria”.
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