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domingo, 27 de janeiro de 2013


Incêndio em boate deixa mortos e feridos em Santa Maria, no RS

  • Bombeiros confirmam que 233 pessoas morreram na tragédia
  • Há 106 pessoas hospitalizadas
  • Bombeiros encontraram dificuldades em entrar no local por haver ‘uma barreira de corpos’


Incêndio em boate em Santa Maria deixa mortos e feridos
Foto: Zero Hora / Germano Roratto/Especial
Incêndio em boate em Santa Maria deixa mortos e feridos Zero Hora / Germano Roratto/Especial
SANTA MARIA — Um incêndio na boate Kiss, no Centro de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, deixou ao menos 233 mortos na madrugada deste domingo, informou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em entrevista coletiva. Inicialmente foi divulgado pelo Corpo de Bombeiros que o número de vítimas fatais era de 245. Já a Secretaria de Comunicação do estado diz que o número pode ser maior e chegar a 258. Há, entre as vítimas fatais, 120 homens e 113 mulheres. A Secretaria da Segurança Pública do Rio Grande do Sul divulgou uma relação preliminar com os nomes de 233 vítimas e adiantou que “algumas” ainda não foram identificadas. (CLIQUE AQUI PARA VER OS NOMES)
De acordo com a lista, que compila apenas incêndios em casas noturnas, a mais fatal delas ocorreu nos EUA e completou 70 anos há pouco tempo: o local foi a boate Coconut Grove, em Boston, e a data, 20 de novembro de 1942. O saldo foi de 492 mortos e mais de 600 feridos.Foram transferidas 14 pessoas para Porto Alegre, com queimaduras graves, e outras 92 estão internadas em Santa Maria. Segundo o delegado Marcelo Arigony, responsável pela investigação, poderia haver muitos menores entre as vítimas, que teriam entrado na festa com identidade falsa, já que o evento era para maiores de 18 anos. A Globonews informou que a maior parte das vítimas tem entre 16 e 20 anos. O incêndio já é o segundo maior da história do Brasil e o terceiro mais fatal do tipo no mundo, segundo uma lista de dez incidentes semelhantes, em locais de agremiação de público, compilada pela Associação Nacional de Proteção Contra Incêndios dos Estados Unidos (NFPA, na sigla em inglês).
No momento da tragédia, centenas jovens estavam no local, participando de uma festa universitária. A boate tem capacidade para duas mil pessoas. De acordo com a GloboNews, o dono do estabelecimento já se apresentou à polícia. A festa foi organizada por seis cursos da Universidade Federal de Santa Maria: Pedagogia, Agronomia, Medicina Veterinária, Zootecnia e dois cursos técnicos (em Alimentos e Agronegócio).
O comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Guido Pedroso Melo, contou que cerca de 85 bombeiros que chegaram ao local da tragédia em Santa Maria encontraram dificuldades em entrar no local.
De acordo com Melo, os bombeiros resgataram cerca de 150 pessoas com vida de dentro da boate Kiss. Segundo ele, os profissionais encontraram dificuldades em entrar no local por haver "uma barreira de corpos" próximo à entrada da boate. Pedroso Melo revela que relatos de jovens teriam dito que a porta da boate teria demorado de cinco a dez segundos para ser liberada pelos seguranças da boate.
Segundo Edi Paulo Garcia, capitão da Brigada Militar, 90% dos corpos estariam nos dois banheiros - um masculino e outro, feminino. Segundo ele, a boate teria apenas uma saída. Dois caminhões levaram os corpos até o ginásio esportivo da cidade, que foi isolado pela Brigada Militar para evitar a invasão de parentes e amigos. Familiares formaram uma fila de 500 metros em volta do local, para o reconhecimento dos corpos. Ojornal “Zero Hora” divulgou o nome de seis pessoas que morreram nos hospitais, após terem sido socorridas na boate.
Oito militares do Exército estão entre os mortos
Segundo informações preliminares do Ministério da Defesa, oito militares do Exército estão entre os mortos no incêndio. Os nomes das vítimas ainda não foram revelados, mas a Defesa identificou que se trata de um capitão, um tenente e dois cabos. Nas próximas horas devem ser divulgadas mais informações a respeito do caso.
O fogo foi controlado por volta das 5h30m, mas às 7h ainda havia equipes no local, fazendo o trabalho de rescaldo. A polícia e o Corpo de Bombeiros apuram as circunstâncias que provocaram fogo. Segundo as primeiras informações divulgadas pelo site G1, as chamas teriam começado por volta das 2h30m quando o vocalista da banda que se apresentava fez uma espécie de show pirotécnico. As faíscas atingiram a espuma do isolamento acústico e as chamas se espalharam. O secretário de Segurança do estado, Airton Michels, não confirmou a informação de que um show pirotécnico teria desencadeado o incêndio.
Seis hospitais fazem atendimento às vítimas
O prédio ficou destruído, mas não existe mais risco de desabamento.Relatos de sobreviventes mostram como incêndio provocou pânico. Muitas pessoas não conseguiram acessar a saída de emergência. O comandante-geral do Corpo de Bombeiros do Rio Grande do Sul disse que a porta principal da boate Kiss estava trancada na hora do incêndio. Segundo o jornal “O Diário de Santa Maria”, o local possuiria apenas uma porta de saída e houve tumulto na tentativa de fuga. Bombeiros e populares abriram um buraco na parede externa para possibilitar que mais pessoas consigam sair.
- Era uma porta pequena para muita gente sair - disse Luana Santos Silva, que estava na boate, à GloboNews.
- Chegou (socorro e polícia) tudo muito rápido - disse Aline Santos Silva, irmã de Luana.
Profissionais de saúde pedem à população que doe sangue nos hospitais. A cidade também precisa de voluntários como médicos e enfermeiros para atender os feridos. O jornal “Zero Hora” divulgou uma lista com o nome de feridos que estão nos hospitais. Seis unidades estão fazendo o atendimento às vítimas. Parentes e amigos percorrem os hospitais em busca de notícias.
De acordo com o jornal "Zero Hora", nove vítimas já estão em Porto Alegre. Quatro foram levadas por helicópteros da Força Aérea Brasileira (FAB) e outras cinco viajaram em um avião da FAB. Outros feridos devem ser levados para hospitais de Canoas.
“Diário de Santa Maria” informa que, no ginásio do Centro Desportivo Municipal (CDM), há um Comitê Gestor da Crise que tem dado apoio aos familiares. Centenas de amigos, pais e familiares estão no local em busca de informações. O procedimento, segundo o Instituto Geral de Perícias (IGP), é que as famílias se dirijam até o CDM e se identifiquem.
Tragédia em boate é uma das maiores no Brasil
O jornal “Diário de Santa Maria” relata ainda que, na tentativa de identificar os nomes, o Instituto Geral de Perícias (IGP) tem colocado documentos de identificação — como identidade, carteira nacional de habilitação, entre outros — e celulares nos peitos destas vítimas. De acordo com relatos de servidores do IGP, muitos telefones dos mortos no ginásio tocam sem parar. O incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, é o maior no Brasil em número de vítimas desde a tragédia no Gran Circus Norte-Americano, em Niterói, em 1961, quando morreram 503 pessoas.
O Ministério da Saúde acionou a coordenação da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) para identificar as necessidades médicas de equipes, leitos e suprimentos para a tragédia no município de Santa Maria. Um grupo de profissionais especializados em situações de catástrofe está se dirigindo de Brasília ao local para atuar no caso.
A Polícia Militar do Rio Grande do Sul, segundo informações do site do jornal "Zero Hora", descolou um grupo de bombeiros que estava trabalhando na "Operação Golfinho", que atua como salva-vidas no Litoral Norte do estado. Segundo informações preliminares, estes bombeiros vão ajudar a resgatar mais vítimas que poderiam existir nos escombros da boate. Não foi divulgado o número de agentes remanejados.
Plano de Prevenção e Controle de Incêndios estava vencido
Santa Maria é uma cidade universitária porque concentra muitas pessoas da região e até de outros estados que vão estudar. A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) ainda estava em aulas, devido à greve de 2012. Então, é provável que muitos estudantes estivessem na boate, que começou a queimar por volta das 2h, segundo a Brigada Militar. O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, decretou luto oficial de sete dias por conta da tragédia.
O jornal “Zero Hora” informou que o estabelecimento estava com o Plano de Prevenção e Controle de Incêndios vencido desde agosto de 2012. A FGF (Federação Gaúcha de Futebol) cancelou a rodada deste domingo do Gauchão devido ao incêndio na boate Kiss.

ACIMA DA LEI


QUE SE LIXEM AS DIETAS




    Publicamos hoje o primeiro de um conjunto de artigos que se inserem na comemoração do centenário de Álvaro Cunhal. Em texto inédito, José Paulo Netto* estuda
    a trajectória do histórico dirigente revolucionário, a sua luta intransigente e permanente contra os desvios de direita e o oportunismo burguês no seio
    do movimento comunista e do próprio PCP, o seu papel central no desenvolvimento de uma teoria da revolução portuguesa.

    O Partido Comunista Português (PCP) foi fundado em 1921. Obrigado à clandestinidade na sequência do golpe militar (1926) de Gomes da Costa, que abriu o
    caminho para a ditadura de Salazar, o partido foi reorganizado por Bento Gonçalves (1902-1942), seu primeiro secretário-geral, assassinado pelo salazarismo
    no campo de concentração do Tarrafal.

    Na história do PCP, a figura de Álvaro Cunhal é absolutamente central. De fato, o PCP que se constituiu como a força mais importante na longa resistência
    democrática ao regime fascista de Salazar e na vanguarda mais consequente do processo da “Revolução dos Cravos” (25 de abril de 1974) foi construído por
    um coletivo em que a liderança de Cunhal emergiu e se consolidou por décadas, sem quaisquer contestações por parte da militância de base – esta reconheceu
    no secretário-geral de 1961 a 1992 (depois, tornou-se Presidente do Conselho Nacional do PCP) a coragem pessoal, a firmeza ideológica e a qualificação
    teórica que, enfim, tornaram-no o próprio símbolo do comunismo lusitano. Compreende-se, pois, que o Comitê Central do PCP tenha agendado para 2013, ano
    do centenário de nascimento de Cunhal, uma série de eventos e atividades para evocar o notável “filho adotivo do proletariado português”.

    A luta por um partido marxista-leninista

    Toda a vida de Cunhal – nascido a 10 de novembro de 1913 e falecido a 13 de junho de 2005 (pouco depois da morte de outro grande nome da “Revolução dos
    Cravos”, o general Vasco Gonçalves, aos 84 anos) – foi dedicada ao PCP, no qual ingressou, como líder estudantil, nos inícios dos anos 1930.

    Articulador da juventude comunista, Cunhal integra a direção do PCP a partir de 1936. Passa com ímpar dignidade pelas prisões fascistas em 1937 e 1940.
    Entre 1940 e 1941, protagoniza um novo processo de reorganização do PCP: tratou-se mesmo de uma autêntica refundação do partido, no marco da qual se constituiu
    um sólido núcleo dirigente e se estabeleceu a estrutura clandestina que o fascismo salazarista jamais pôde destruir. Foi Cunhal cérebro e mãos desse processo:
    teórico e militante, sua intervenção intelectual e sua corajosa prática política conferiram nova dinâmica ao PCP, tornado desde então, na mais estrita
    acepção, um partido marxista-leninista. Por isto, já em meados da década de 1940 seus camaradas reconheciam o caráter singular da personalidade do líder
    que se afirmava – caráter em que se conjugavam a qualificação teórica e o talento organizativo.

    Preso em 1949, transformou seu processo judicial em tribuna anti-fascista.
    Condenado, passou 11 anos nos cárceres salazaristas, dos quais 8 em isolamento – mas encontrou meios e modos de estudar e desenvolver suas concepções teóricas
    e aperfeiçoar seus dotes artísticos (no desenho e na ficção literária). A 3 de janeiro de 1960, em espetacular fuga coletiva organizada pelo PCP, escapou
    do Forte de Peniche – e, após algum tempo na clandestinidade, rumou para o exílio (URSS, França).

    Exilado até a “Revolução dos Cravos”, teve condições de aprofundar sua análise da realidade de seu país – realmente, elaborou o que se pode designar como
    uma teoria da revolução portuguesa – e, no interior do partido (cujo Comitê Central elegeu-o para a secretaria geral em 1961) e no movimento comunista
    internacional, consagrou-se como o líder inconteste da resistência ao salazarismo. Após a derrubada da ditadura fascista, participou como ministro em vários
    dos governos provisórios da instauração democrática e o povo português conferiu-lhe seguidos mandatos parlamentares.

    No curso dessas décadas, Cunhal travou um incessante combate em defesa do caráter marxista-leninista do seu partido. A luta no plano político-ideológico
    para preservar e consolidar o papel de vanguarda do PCP foi, para ele, uma luta sem quartel.

    E uma luta em duas frentes: contra os equívocos provindos de “desvios de direita” contra as tentações aventureiras advindas de “desvios de esquerda”. Exemplifiquemos
    essa luta com um dos seus mais relevantes capítulos, o do combate aos “desvios de direita”.

    A crítica radical ao “desvio de direita”

    Já no IV Congresso do PCP, realizado em 1946, Cunhal – à base da certeira compreensão de que a ditadura portuguesa era uma forma particular e específica
    de regime fascista – defendera para a derrubada do salazarismo o recurso a um “levantamento nacional”. No curto prazo, porém, o partido deslizou para um
    posicionamento (posteriormente designado como “política de transição”) que secundarizava o empenho para organizar o “levantamento nacional”.
    Na passagem dos anos 1940 aos 1950, o partido foi profundamente golpeado pela repressão – entre tais golpes conta-se a “queda” da casa do Luso (25 de março
    de 1949), quando Cunhal, Militão Ribeiro e Sofia Ferreira, membros do secretariado da direção central, são feitos prisioneiros. A duras penas, o PCP recupera-se
    desses golpes em meados da década de 1950. Mas, a partir de 1956, o partido ruma novamente para posições similares às da “política de transição”, com uma
    orientação que se vê reforçada pelo seu V Congresso (1957). Tal orientação, que se manterá até 1960 (quando, recordemos, Cunhal e alguns companheiros evadem-se
    da prisão e podem intervir na vida partidária), trará graves prejuízos ao PCP e à resistência democrática portuguesa.

    Com efeito, a linha política traçada no V Congresso – já antecipada por um documento do Comitê Central de maio de 1956 – abandona completamente a estratégia
    do “levantamento nacional”, proposta e defendida por Cunhal há uma década: ela se vê substituída por uma orientação que prega uma “solução pacífica” para
    o fim do salazarismo. Esta orientação – que, embora contestada por alguns dirigentes e muitos militantes de base, manteve-se até 1960 – deixou o partido
    a reboque da oposição liberal-burguesa e mesmo das dissidências que afetaram o bloco de poder salazarista na crise de 1958-1959 (na sequência da candidatura
    de Humberto Delgado à presidência da República). Afirmando que o regime experimentava um intenso e irreversível processo de “desagregação”, o PCP apostava
    no “afastamento de Salazar” mediante uma “solução pacífica”, pendulando entre a via eleitoral e a via de um golpe militar. Para apressar tal “solução”,
    o partido acenava com uma “greve geral pacífica” que nunca preparou.

    Com a precipitação efetiva das lutas de classes e a movimentação autônoma do proletariado urbano e rural (especialmente no Alentejo), a orientação da direção
    do PCP não teve como resultado somente a perda da influência do PCP no jogo político: desarmou amplamente o seu aparelho clandestino frente às respostas
    repressivas do regime à crise que este experimenta em 1958-1959 – novamente, a PIDE assestou duros golpes no partido.

    Isolado na prisão de Peniche, Cunhal (que sequer foi informado do encaminhamento do V Congresso) esteve à margem dessa orientação da qual discordava por
    inteiro. Logo que se evadiu, atuou intensamente – no plano ideológico e no plano organizativo – para revertê-la radicalmente. Já num texto de dezembro
    de 1960 (“A tendência anarco-liberal na organização do trabalho de direção”) indicava as causas do fracasso da direção do PCP no nível da organização clandestina.
    Mas é no texto divulgado em março de 1961 – “O desvio de direita nos anos 1956/1959 (elementos de estudo)” – que Cunhal analisa, frontal e profundamente,
    os danos ocasionados pela orientação oficial vigente desde 1957.

    Cunhal começa por indicar que a adoção da “solução pacífica” pela direção do PCP fundava-se numa transplantação mecânica – completamente equivocada – para
    a realidade portuguesa das teses oriundas do XX Congresso do PCUS (1956) acerca da possibilidade da “via pacífica” da transição ao socialismo. Cunhal argumenta
    que tais teses são válidas para muitos países, mas não para Portugal: tais teses, enquanto dizem respeito à transição ao socialismo, são estranhas à problemática
    portuguesa, uma vez que, no contexto lusitano, a questão real é outra – em Portugal, não se tratava de transitar para o socialismo: tratava-se de derrubar
    a ditadura fascista e conquistar as liberdades políticas. Nestas condições, a proposta da “solução pacífica” tanto revela um mimetismo servil às teses
    do XX Congresso do PCUS quanto a incapacidade para analisar a realidade portuguesa, a qual se afirmava querer transformar.

    A incapacidade para operar “a análise concreta da realidade concreta” (tal como Lenin caracterizava o marxismo) – que, neste caso, mostra a ignorância do
    carácter fascista do regime salazarista – leva o PCP a substituir o caminho revolucionário para a conquista da democracia política (o “levantamento nacional”)
    por um arremedo oportunista, o “afastamento de Salazar” (exatamente a “solução pacífica”). Esta substituição retira do partido a condição de vanguarda
    e dirigente, desarma a militância proletária (urbana e rural) e enfraquece a resistência democrática: processando-se a “desagregação” da ditadura, o partido
    passa a jogar em ilusões legalistas e constitucionais (sob um regime fascista!) e/ou no golpe militar. Para Cunhal, a “desagregação” deve ser levada em
    conta, mas ele afirma contundentemente que “um regime não cai pela sua desagregação […], mas pela ação revolucionária das massas”.

    Se se toma a “desagregação” como o principal elemento para a derrota da ditadura fascista (e esta era a posição da direção do PCP), a iniciativa revolucionária
    das massas é marginalizada e os comunistas passam a desempenhar um papel secundário e lateral na luta pela democracia. Ao longo do seu texto, Cunhal demonstra
    que reside precisamente neste desvio de direita – consistente em assumir e difundir ilusões legalistas sob o fascismo e em confiar em alternativas golpistas
    – a causa das derrotas políticas e orgânicas sofridas pelo partido nos anos 1956/1959 (e o demonstra com o exame de inúmeros fatos da conjuntura portuguesa
    imediatamente anterior e posterior à “farsa eleitoral” de 1958, assim como da documentação do PCP). Na sua análise, aliás, Cunhal não desconecta a atuação
    política do partido da estrutura organizacional que a implementa: a orientação política que confia na “desagregação” conduz ao “culto da espontaneidade”
    e este fragiliza o partido na sua relação positiva com a sociedade e em seu confronto com as forças da repressão – donde o “liberalismo”, a “falta de vigilância”
    e a “facilidade na promoção de quadros” que tiveram curso na estrutura clandestina do PCP daqueles anos.

    Em síntese, Cunhal indica que a efetiva redução da influência do PCP naqueles anos – bem como muito de suas perdas orgânicas –, sob a orientação da “solução
    pacífica” (ultrapassado o partido pela ação combativa das massas trabalhadoras), estava intimamente ligada à incapacidade da direção para apreender o movimento
    social real que se desenvolvia sob a aparência imediata da sociedade portuguesa. Todo o seu argumento demonstra que os principais problemas político-ideológicos
    que então afetaram o PCP deitavam raízes na inépcia teórica dos dirigentes que conduziam o partido no rumo à “solução pacífica” (de fato, no rumo da direitização).
    A conclusão do seu argumento é cristalina:
    Se queremos que o Partido desempenhe o papel determinante que lhe cabe na luta pela liberdade política, temos de expurgar do Partido as concepções direitistas
    e oportunistas, que criaram fortes raízes a partir de 1956.

    Não se trata de uma tarefa fácil. As concepções direitistas e oportunistas foram a «linha» oficial do Partido durante vários anos, foi dentro delas que
    se formaram militantes, enraizaram-se na maneira de ver as coisas e em hábitos de trabalho, e não será fácil varrê-las dum momento para o outro. Para varrê-las
    do Partido, impõe-se um combate amplo, aberto, enérgico e persistente, contra o desvio de direita que predominou nos anos 1956-59, impõe-se que exponhamos
    ao sol da crítica as suas raízes ideológicas, impõe-se que saibamos não apenas ganhar a concordância dos militantes, mas esclarecê-los e convencê-los.
    Logo que saiu da prisão, Cunhal dedicou-se intensivamente, com outros camaradas, à tarefa que não julgava fácil. Rapidamente, já em meados dos anos 1960,
    seu combate resultou exitoso: no VI Congresso (1965), sob sua liderança inconteste, o PCP superou o “desvio de direita”, reatualizou a tese do “levantamento
    nacional” e retomou a sua vocação – ser a vanguarda do proletariado português. O informe de Cunhal a este congresso (Rumo à vitória ) deu nova orientação
    à política do PCP, preparando-o adequadamente para os confrontos decisivos que derivaram na derrubada do regime fascista e na instauração democrática.

    Líder político, teórico e homem da cultura

    O peso de Cunhal na história do PCP é indiscutível e imenso: sua intervenção organizativa imprimiu-lhe o caráter marxista-leninista na verdadeira refundação
    (“reorganização”) de 1940/1941; seu combate político-ideológico aos desvios direitistas e esquerdistas nos anos 1960 garantiu que o partido se livrasse
    do oportunismo e recusasse o aventureirismo; sob sua liderança, o PCP qualificou-se como a principal força da resistência democrática e, depois do 25 de
    Abril, como a expressão das mais profundas aspirações nacionais e democráticas. Com a sua atividade política apoiando-se no reconhecimento do protagonismo
    das massas trabalhadoras e em sólidas convicções teóricas, adquiridas e desenvolvidas em contínuos estudo e pesquisa, Cunhal nada teve em comum com ocupantes
    de secretaria-geral burocratizados e rotineiros.
    Dissemos já que Cunhal desenvolveu uma teoria da revolução portuguesa – e a afirmativa não é gratuita. No conjunto de escritos de Cunhal, a pesquisa da
    realidade portuguesa é constante – envolvendo da investigação histórica (As lutas de classes em Portugal nos fins da Idade Média) a análises contemporâneas
    (Contribuição para o estudo da questão agrária). No citado Rumo à vitória… encontra-se a síntese de anos de estudo e da sua teoria de revolução portuguesa.

    Mas Cunhal foi também um intelectual sofisticado – prova-o a sua excelente tradução de O rei Lear, de Shakespeare. Foi, de fato, um homem do mundo da cultura.
    Artista plástico, produziu uma notável série de gravuras. Suas reflexões estéticas estão explicitadas em A arte, o artista e a sociedade. A sua obra de
    ficção, marcada pelo neo-realismo, é significativa: Até amanhã, camaradas, Cinco dias, cinco noites, A estrela de seis pontas, Um risco na areia, A casa
    de Eulália, Fronteiras, Sala 3 e outros contos e Lutas e vidas. Um conto.

    A rica e polifacética obra/personalidade de Álvaro Cunhal, como se vê, desborda amplamente a dimensão estritamente política. As comemorações do seu centenário

    José Paulo Netto

MITOLOGIA GREGA - DEMÉTER - Na Grécia Antiga, a deusa Deméter e sua filha, Perséfone, eram cultuadas nos mistérios de Elêusis, rituais secretos em que se agradeciam a fecundidade da terra e as colheitas. Deméter, deusa grega da agricultura, era filha de Cronos e Réia e mãe de Perséfone, que a ajudava nos cuidados da terra, e de Pluto, deus da riqueza.







Na Grécia Antiga, a deusa Deméter e sua filha, Perséfone, eram cultuadas nos mistérios de Elêusis, rituais secretos em que se agradeciam a fecundidade da terra e as colheitas.
Deméter, deusa grega da agricultura, era filha de Cronos e Réia e mãe de Perséfone, que a ajudava nos cuidados da terra, e de Pluto, deus da riqueza.
Perséfone foi raptada por Hades, que a levou para os Infernos e a esposou.
Desesperada com o desaparecimento da filha, Deméter saiu a sua procura e, durante a viagem, passou pela cidade de Elêusis, onde foi hospitaleiramente recebida.
Em agradecimento, revelou aos habitantes seus ritos secretos.
A terra abandonada, entretanto, tornava-se estéril e os alimentos começavam a escassear.
Preocupado com a difícil situação dos mortais, Zeus convenceu Hades a permitir que Perséfone passasse o outono e o inverno nos Infernos e regressasse para junto da mãe na primavera.
Assim, Deméter simbolizou a terra cultivável, produtora da semente - Perséfone - que há de fecundá-la periodicamente.
Em Elêusis celebravam-se os mistérios, ou ritos secretos, em que Deméter figurava como deusa da fertilidade e Perséfone como encarnação do ciclo das estações.
Na Mitologia Romana, Deméter foi identificada com Ceres.
Filha de Cronos e Réia, mãe de Perséfone. Mãe Terra, diferentemente de Gaia, que é a deusa Terra Primordial, Deméter é deusa da agricultura, da terra cultivada, soberana da natureza e protetora das criaturas jovens e indefesas, deusa do casamento, fidelidade, maternidade, iniciações, renascimentos, renovações, civilização, leis e magia.
Responsável pelo amadurecimento anual dos grãos e dos frutos. Rege os ciclos da natureza e de todas as coisas vivas. Preside a gestação e o nascimento da vida nova e abençoa os ritos do matrimônio como meios de perpetuação da natureza. Ensinou aos homens as artes de arar, plantar e colher, e às mulheres, como moer o trigo e fazer o pão.



HOMEM ENSINOU LOBOS A VIVER EM LIBERDADE - FOTOGALERIA

Fantástico, a coragem de viver em harmonia com a natureza no meio dos seus lobos, confere a este personagem um estatuto de grande gratidão para a preservação da especie.

















cai a noite em lisboa










Fotografias: Paulo Duarte
https://www.facebook.com/Paulo.Duarte.Photography


O REGRESSO AOS MERCADOS

Há quem diga que os mercados são entidades abstractas, feitas de especuladores sem escrúpulos, manuseando fundos de investimento obscuros, com contas cifradas em offshore. Que são hipócritas e matreiros. Que só pensam em si mesmo. Que são eles os responsáveis pela crise. 
Não foi essa a minha experiência. Ontem fomos às Caldas da Rainha (aqui a uma hora de Lisboa). Os mercados funcionaram perfeitamente. Muita couve e batatas. Cenouras e nabos aos molhos. Uma sã convivência, com taxas de juro muito aceitáveis e crédito à vista para todos. Oferta e procura.
Quando era mais novo fartava-me de ir aos mercados. Talvez fosse mais liberal. Havia outra confiança. A austeridade era implícita. Agora ir aos mercados é uma janela de oportunidade, na esperança que a Euribor esteja de bom humor e o yeld tenha tido uma noite repousada.
Ontem foi o regresso aos mercados. Um país que continua a vender alhos e cebolas. Que continua a tirar da terra o seu sustento e para quem a crise é apenas mais uma.

Mónica Salmaso – “Até a vista se atrapaia, ai, ai, ai...”


Hoje temos uma recolha de folclore brasileiro (um colhido, como dizem por lá). É uma cantiga deslumbrante, muito bem acompanhada à viola por Paulo Freire, que chama para a cantar, uma cantora “boa absurdo!”, segundo as suas palavras.
E é mesmo “boa absurdo”! É a Mónica Salmaso, cuja preferência pela cultura, pela música de recolha, a música mais comprometida com a qualidade literária, embora não a impedindo de ter um vasto público, não se pode dizer que lhe tenha aberto as portas do estrelato. Dá gosto ouvir correr a sua voz. Dá gosto ouvi-la ousar “falar errado”... coisa que repugna a tantos intelectuais de pacotilha.
Quanto à cantiga, o Cuitelinho” (beija-flor)... que diacho se pode dizer de uma coisa assim doida de bonita?
Espero que vos chegue ao peito, que como a letra diz no final (sim, é preciso ouvir até ao fim!), «é onde o coração “trabaia”».
Bom domingo.
Cuitelinho” – Mónica Salmaso
(Popular – Recolha de Paulo Vanzolini e António Xandó)


VÍDEO - UMA APOSTINHA QUE NENHUM ÓRGÃO DA «IMPRENSA LIVRE» VAI NOTICIAR ISTO?


UMA APOSTINHA QUE NENHUM ÓRGÃO DA «IMPRENSA LIVRE» VAI NOTICIAR ISTO?



«En 2012 Cuba patentaba la primera vacuna terapéutica contra el cáncer de pulmón avanzado a nivel mundial, la CIMAVAX-EGF (3). Y en enero de 2013 se anunciaba la segunda, la llamada Racotumomab (4). Ensayos clínicos en 86 países demuestran que estas vacunas, aunque no curan la enfermedad, consiguen la reducción de los tumores y permiten una etapa estable de la enfermedad, aumentando esperanza y calidad de vida.
El Centro de Inmunología Molecular de La Habana, perteneciente al Estado cubano, es el creador de todas estas vacunas. Ya en 1985 desarrolló la vacuna de la meningitis B (5), única en el mundo, y más tarde otras, como las que combaten la hepatitis B o el dengue (6). Además, investiga desde hace años para desarrollar una vacuna contra el VIH-SIDA (7). Otro centro estatal cubano, los laboratorios LABIOFAM, desarrolla medicamentos homeopáticos también contra el cáncer: es el caso del VIDATOX, elaborado a partir del veneno del alacrán azul (8).
Cuba exporta estos fármacos a 26 países, y participa en empresas mixtas en China, Canadá y España (9). Todo esto rompe completamente un estereotipo muy extendido, reforzado por el silencio mediático acerca de los avances de Cuba y otros países del Sur: que la investigación médico-farmacéutica de vanguardia se produce solo en los países llamados “desarrollados”.».

Olhe que não