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quinta-feira, 24 de janeiro de 2013


O mundo é um lugar estranho.





Em Marrocos, como se refere aqui, um homem pode casar com quatro mulheres. No entanto, depois da revisão das leis da família, em 2004, foram impostas muitas restrições à poligamia. Hoje, só 3% dos casamentos são polígamos. Mas, de acordo com algumas sondagens, 44% dos marroquinos  são favoráveis à permissão legal da poligamia. O casamento está em declínio e, dizem, o número de mulheres solteiras não pára de aumentar. Alguns iluminados, como Abdessalam El Bouraini, presidente da Ordem Nacional de Notários Religiosos, propôs o retorno à poligamia livre e sem restrições. Os grupos de defesa dos direitos das mulheres protestaram em uníssono. É que, se há menos casamentos, não há só mais mulheres solteiras, há também mais homens solteiros, certo? E, no entanto, ninguém propôs a instituição da poliandria… Mais: uma das razões apontadas para o declínio dos casamentos é o facto de serem os noivos a arranjar casa e pagar as vultuosas despesas da festa. Mas isso não é um argumento para acabar com a poligamia, já que é tão cara? Mais: se existir poligamia, um privilégio de ricos que podem ter casa e bodas faustosas, não diminui o número das mulheres disponíveis? Enfim, não tentem encontrar argumentos racionais para justificar práticas ancestrais que de racional nada têm. 

 


Nos Estados Unidos, creio que à margem da lei, há quem pratique a poligamia e até dela faça um objecto de comércio. Joe tem relações maritais com três mulheres – Alina, Vicki e Valerie –, de que resultou uma família numerosa. Love Times Three. Se quiséssemos justificar isto à luz de argumentos racionais, como fazem em Marrocos, diríamos que se trata de uma boa opção para combater a quebra de natalidade… Mas, já agora, para quando a defesa da poliandria?

A família Darger
Malomil


Mulher de relator do FMI assume autoria de textos que levaram a demissão

Num comunicado enviado às redacções do jornais espanhóis, e “perante os acontecimentos das últimas 24 horas”, Alameda afirma que Amy Martin é “o pseudónimo utilizado para assinar numerosos trabalhos realizados para a Fundación Ideas e para o diário Público”.
Alameda diz que o marido não sabia que escrevia para a fundação que o próprio dirigia DR

Mulas



Irene Zoe Alameda, mulher de Carlos Mulas Granados, um dos autores do relatório do FMI sobre Portugal, assumiu nesta quinta-feira a autoria dos textos que levaram à demissão do marido da direcção-geral da Fundación Ideas.
Sob o pseudónimo Amy Martin, Alameda assinou textos publicados pela fundação e pelo diário espanhol Público. O pseudónimo é reclamado depois de, na quarta-feira, ter sidoanunciada a destituição de Granados pela falsa autoria de uma série de trabalhos pagos pela instituição espanhola.
Num comunicado enviado às redacções do jornais espanhóis, e “perante os acontecimentos das últimas 24 horas”, Alameda afirma que Amy Martin é “o pseudónimo utilizado para assinar numerosos trabalhos realizados para a Fundación Ideas e para o diário Público”. A escritora lamenta que a “figura de Carlos Mulas Granados tenha sido vilipendiada de forma insólita e irracional”, afirmando que o seu ainda marido – Alameda e Granados estão “sentimental e fisicamente” separados há vários anos – não tinha conhecimento de que Amy Martin era “um pseudónimo e não uma pessoa real” até esta quarta-feira, quando o jornal El Mundodivulgou o caso da falsa autoria dos textos. Além de Alameda, apenas a sua agente sabia que usava aquele pseudónimo.
Irene Zoe Alameda explica que, quando teve conhecimento de que a Fundación Ideas, dirigida pelo marido, procurava, em 2009, colaboradores para a realização de artigos em espanhol e inglês, decidiu candidatar-se sob o nome de Amy Martin. A sua candidatura foi aceite e iniciaram-se então anos de colaboração com a instituição espanhola. Por cada texto entregue, Amy Martin recebia cerca de 3000 euros, adiantou o El Mundo. O El Paísacrescenta que terá recebido um total de 60 mil euros.
Segundo Alameda, Granados não tinha qualquer conhecimento de que ela era Amy Martin, sublinhando que o marido nunca teve qualquer contacto telefónico ou viu alguma vez a escritora que assinava os textos que pagava.
O PSOE, que fundou a Fundación Ideas, tentou contactar por várias vezes, nos últimos dias, a colaboradora da instituição, mas apenas na quarta-feira Amy Martin atendeu um telefonema. O partido pediu provas de identidade após as notícias vindas a público. Irene Zoe Alameda decidiu assumir o pseudónimo, uma decisão que afirma “não ter nada de mal”, mas que recusa manter em segredo, perante as consequências que vieram a surgir para o marido.
“Carlos Mulas Granados é o homem mais honesto, trabalhador e admirável que conheci na minha vida”, realça na sua nota. “A responsabilidade absoluta pela confusão Amy Martin é minha”, sustenta, acrescentando um pedido de desculpas no penúltimo parágrafo do seu comunicado. “Publicamente, peço perdão por ter inventado e feito trabalhar Amy Martin”. Termina disponibilizando-se para devolver os honorários que recebeu durante a colaboração com a Fundación Ideas.
Jesus Caldera, vice-presidente executivo da fundação espanhola, acusou Granados de falsa autoria de uma série de trabalhos pagos pela instituição espanhola, depois de uma investigação do diário El Mundo ter revelado que Amy Martin era um pseudónimo de Carlos Mulas Granados.
Após a destituição do até aqui director da instituição, Jesus Caldera garantiu, em declarações ao programa 24 da Radio Nacional espanhola, que “não vai haver nem um euro defraudado” neste caso e assegurou aos espanhóis que vai exigir que o caso seja analisado com a “máxima transparência”.

HEFESTO O DEUS DO FOGO - MITOLOGIA GREGA





A figura de Hefesto, apesar de ser motivo freqüente de escárnio nas lendas gregas, foi muito venerada pelas dádivas por ele concedidas aos mortais.
Hefesto, na mitologia grega, era o deus do fogo. Filho de Hera e de Zeus, teria nascido feio e coxo.
A mãe, envergonhada, o jogara do Olimpo ao mar.
Foi recolhido pela titânia Tétis, que o educou na ilha de Lemnos. De volta ao Olimpo, esposou, por ordem de Zeus, Afrodite, a mais bela das deusas.
Como deus do fogo, Hefesto tornou-se o ferreiro divino e instalou suas forjas no centro dos vulcões.
Ali fabricou os raios de Zeus, o tridente de Poseidon, a couraça de Héracles, as flechas de Apolo e as armas de Aquiles.
Confeccionou também uma rede invisível em que aprisionou os amantes Afrodite e Ares para expô-los ao ridículo diante dos outros deuses e se vingar das traições da esposa.
Patrono dos ferreiros e dos artesãos em geral, é responsável, segundo a lenda, pela difusão da arte de usar o fogo e da metalurgia.
Era geralmente representado como um homem de meia-idade, barbado, vestido com uma túnica sem mangas e com um gorro sobre o cabelo desgrenhado.
Apresenta muitas semelhanças com o deus Vulcano, da mitologia romana.
É o deus do fogo, protetor de todas as atividades relacionadas à fundição de metal.
Nasceu manco e feio e, por isso, foi atirado aos mares por Hera, sua mãe.
Já crescido, ele se vingou dela, enviando-lhe de presente um trono de ouro.
Quando Hera se sentou, correntes a prenderam habilmente e ninguém conseguia quebrá-las.
Hefesto só se apiedou da mãe, muito tempo depois, convencido por Dioniso (Baco).
Era Hefesto quem construía as armaduras, cedros e espadas de Zeus; o ferreiro do Olimpo.
Também era o responsável pela produção dos raios.
Apesar de feio e manco, tinha aparência robusta e se casou com a mais bela das deusas, Afrodite.
Entre os romanos, havia uma lenda que contava que a oficina de Hefesto ficava logo acima do vulcão Etna.




O mundo é um lugar estranho.

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A história é contada - clik aqui. Em Teerão, Alireza Mafiha foi condenado à de morte, por roubo. Minutos antes de ser enforcado, procurou amparo de quem estava mais próximo: o carrasco que o iria matar dali a instantes. No seu ombro, chorou. Depois, foi morto. Enforcado por aquele que o tinha confortado minutos antes. Nada disto faz sentido, pois não?  


O homem que gostava de canções


“Festa de aldeia” – Álvaro Cunhal, in “Desenhos da prisão”

Quando no dia 13 de Abril de 1980 chegou a hora do grande comício de encerramento da 4ª Conferência da Reforma Agrária, em Évora, nem um ano tinha passado sobre o assassinato do “Casquinha” e do “Caravela” às mãos da GNR e a mando do Governo de Maria de Lurdes Pintassilgo, apoiado na lei criminosa de Barreto.
Já se tinha entendido que iria ser muito difícil defender a mais bela conquista do 25 de Abril... mas ainda assim, era o que faltava que se perdesse sem luta! Daí o lema da Conferência, “Defender a Reforma Agrária, prosseguir Abril”. Daí a redobrada importância do discurso que encerraria a Conferência e o comício, proferido por Álvaro Cunhal.
Eu tinha acabado de cantar algumas canções, duas delas (pelo menos) saídas do meu mais recente disco, editado no ano anterior. Palmas... sentei-me no grande estrado feito palco, a alguns lugares de distância de Álvaro Cunhal, que estava a escassos minutos de ir discursar para aqueles milhares de pessoas.
De mansinho, levantou-se e veio, sem dar muito nas vistas, sentar-se ao meu lado. Queria saber como estava a correr a “carreira” do meu disco. Gostava de várias das suas canções (não caiu na tentação de me dizer que gostava de todas!). Deu-me algumas razões técnicas para explicar o seu gosto pela minha canção com poema do AryLlanto para Alfonso Sastre y todos” (a ligação da música com a letra, a cavalgada rítmica que eu tinha decidido compor, a forma de a cantar)... mas preferia, decididamente, “Ao alcance das mãos”. Para meu grande prazer enquanto autor, disse-me também porquê. Uma mão a apertar-me o ombro, a dar-me força... e foi para o seu lugar, praticamente no momento em que o seu nome era anunciado.
Um membro da organização, provavelmente daqueles (já me cruzei com tantos!) para quem os cantores, assim que cantam a última nota com que “abrilhantaram” a sessão para que foram convidados, deixam de ter qualquer utilidade ou interesse... não aguentou a dúvida que o “angustiava” e perguntou-me:
- O que é que o Álvaro tanto tinha pra falar contigo em cima do palco?
Uma das minhas razoáveis qualidades (há horas em que é um defeito) foi sempre a capacidade de responder a perguntas deste “género” com respostas por vezes insolentemente anárquicas:
- Estava a dar-lhe umas ideias para o discurso!
Não lhe dei tempo para “chegar lá” por si... tive pena do seu ar algo perdido e optei por explicar-lhe o que se tinha passado realmente.
Afinal, aquela figura carregada de História, de anos de heroísmo, de algum mistério e mais tudo o que sabemos... era, também, apenas mais um homem que gostava de canções!


Adenda: Entretanto, recebi esta prenda do Monginho (sim, o Monginho dos cartoons do Avante)... que sempre tem mais uma corzinha, como ele diz. Faz toda a diferença! O cartaz é da autoria do saudoso João Martins, outro cartonista, mas este de "O Diário".

Publicado em paralelo no "2013 - Centenário de Álvaro Cunhal"

PS 

Fiéis a Sócrates pressionam Costa a avançar contra Seguro
O presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, está a ser pressionado dentro do Partido Socialista (PS) por ex-ministros de José Sócrates para avançar com uma candidatura à liderança do PS, avança esta quinta-feira a imprensa nacional, o que pressupõe um confronto com o actual líder do partido António José Seguro, que não está a conseguir descolar nas sondagens apesar do descontentamento generalizado do País.
Fiéis a Sócrates pressionam Costa a avançar contra Seguro
DR
POLÍTICA
A entrevista do antigo ministro e braço direito de José Sócrates, Pedro Silva Pereira, na Rádio Renascença, onde defendeu a realização do próximo congresso do PS (que é electivo) antes das eleições autárquicas de Setembro ou Outubro, motivou um leque de reacções de apoio dentro do partido. E são várias as vozes que querem o actual Presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, para líder do PS.
Confrontado com as declarações de Pedro Silva Pereira, que quer um conclave “o mais rápido possível”, Seguro aparentou ontem não perceber a pressão interna e repetiu por cinco vezes no Parlamento “qual é a pressa?”.

Certo é que o autarca de Lisboa, António Costa, tem reunido com muitos notáveis do PS, entre eles José Sócrates, e há quem acredite que num confronto directo com Seguro, Costa tem vitória assegurada. Ao Diário Económico, fonte próxima do autarca de Lisboa, adiantou que “ele [Costa] tem ouvido muita gente e não está a dizer que não à hipótese de avançar” para líder do PS, sendo que o cenário “ideal seria que o Governo não caísse este ano e Costa pudesse assumir a Câmara de Lisboa tranquilamente apesar de uma vitória interna”.
Várias são as críticas que têm sido apontadas ultimamente à liderança de Seguro. O antigo líder do PS/Açores, Carlos César, foi o primeiro a assumir que “Seguro tem feito bom esforço, mas sem bons resultados”, frisando que “os socialistas devem reflectir sobre as razões persistentes de afirmação da liderança”. Também o antigo ministro de Sócrates, Augusto Santos Silva, considerou, a propósito da ‘confusão’ sobre a ADSE, que “houve um problema de liderança política”, além de um “erro de comunicação”.
Vieira da Silva, deputado socialista e antigo ministro de Sócrates, afirmou ontem ser a favor da realização de um congresso do partido antes das autárquicas. “Face à evolução da situação política, seria mais vantajoso que [o congresso] acontecesse antes das eleições autárquicas, para não perturbar esse acto”, disse o socialista.
Um deputado do PS adiantou ao Diário Económico que “basta ele [Costa] ganhar o partido, para se virar as sondagens a nosso favor”, e outra fonte sustenta que “a Seguro falta esperança e garra”. No mesmo sentido, João Galamba e Pedro Nuno Santos, dois deputados socialistas muito críticos de Seguro, assumem ao jornal que esperam ver o autarca de Lisboa a concorrer à liderança do PS. “Acho que o País precisa de um PS com uma liderança mais forte”, considera Pedro Nuno Santos, enquanto João Galamba frisa que “gostava que houvesse alternativa a Seguro”.

HUMOR - REGRESSO AOS MERCADOS



MITOLOGIA GREGA - HÉRCULES - HERACLES PARA OS GREGOS





A figura de Hércules, aclamado como herói e depois adorado como deus, talvez corresponda originalmente a uma figura histórica, cuja bravura militar ensejou a lenda homérica de que venceu a morte.
Filho de Zeus, senhor dos deuses, e de Alcmena, mulher de Anfitrião, Hércules (Heracles para os gregos) foi concebido para tornar-se grande herói.
Um engenhoso estratagema de Zeus gerou a oportunidade: visitou Alcmena caracterizado como Anfitrião, enquanto este combatia Ptérela, rei de Tafos, para vingar afronta à família da esposa.
Hera, esposa de Zeus, enciumada com o nascimento de Hércules, pois desejava elevar o primo Euristeu ao trono da Grécia, enviou duas serpentes para matá-lo no berço, mas o herói, com sua força prodigiosa, destruiu-as.
Casado com Mégara, uma das princesas reais, Hércules matou-a, e aos três filhos, num acesso de fúria provocado por Hera.
Para expiar o crime, ofereceu seus serviços a Euristeu, que o incumbiu das tarefas extremamente arriscadas conhecidas como
Os 12 Trabalhos de Hércules:
(1) estrangulou um leão, de pele invulnerável, que aterrorizava o vale de Neméia;
(2) matou a hidra de Lerna, monstro de muitas cabeças;
(3) capturou viva a corça de Cerinéia, de chifres de ouro e pés de bronze;
(4) capturou vivo o javali de Erimanto;
(5) limpou os estábulos de três mil bois do rei Augias, da Élida, não cuidados durante trinta anos;
(6) matou com flechas envenenadas as aves antropófagas dos pântanos da Estinfália;
(7) capturou vivo o touro de Creta, que lançava chamas pelas narinas;
(8) capturou as éguas antropófagas de Diomedes;
(9) levou para Edmeta, filha de Euristeu, o cinturão de Hipólita, rainha das guerreiras amazonas;
(10) levou para o rei de Micenas o imenso rebanho de bois vermelhos de Gerião;
(11) recuperou as três maçãs de ouro do jardim das Hespérides, por intermédio de Atlas, que sustentava o céu sobre os ombros e executou por ele esse trabalho, enquanto Hércules o substituía;
(12) apoderou-se do cão Cérbero, guardião das portas do inferno, de três cabeças, cauda de dragão e pescoço de serpente.
Hércules realizou outros atos de bravura e participou da viagem dos argonautas em busca do velocino de ouro.
No fim, casou-se com Dejanira, que involuntariamente lhe causou a morte, ao oferecer-lhe um manto impregnado de sangue mortal, que ela acreditava ser o filtro do amor.
O corpo de Hércules foi transportado ao Olimpo, onde se reconciliou com Hera e casou-se com Hebe, deusa da juventude.

Os Trabalhos de Hércules

Hércules (ou Héracles), o maior de todos os heróis gregos, era filho de Zeus e Alcmena. Alcmena era a virtuosa esposa de Anfitrião e, para seduzi-la, Zeus assumiu a forma de Anfitrião enquanto este estava ausente de casa. Quando seu marido retornou e descobriu o que tinha acontecido, ficou tão irado que construiu uma grande pira e teria queimado Alcmena viva, se Zeus não tivesse mandado nuvens para apagar o fogo, forçando assim Anfitrião a aceitar a situação.
Nascido, o jovem Hércules rapidamente revelou seu potencial heróico.
Enquanto ainda no berço, ele estrangulou duas serpentes que a ciumenta Hera, esposa de Zeus, tinha mandado para atacá-lo ao seu meio-irmão Íflico; enquanto ainda um menino, ele matou um leão selvagem no Monte Citéron.
Na vida adulta, as aventuras de Hércules foram maiores e mais espetaculares do que as de qualquer outro herói. Por toda a antigüidade ele foi muito popular, o assunto de numerosas estórias e incontáveis obras de arte. Apesar das mais coerentes fontes literárias sobre suas façanhas datarem apenas do século III a.C., citações espalhadas por vários locais e a evidência de fontes artísticas deixam muito claro o fato que a maioria, se não todas, de suas aventuras era bem conhecida em tempos mais antigos.
Hércules realizou seus famosos doze trabalhos sob o comando de Euristeu, Rei de Argos de Micenas.
Existem várias explicações da razão pela qual Hércules se sentiu obrigado a realizar os pedidos cansativos e aparentemente impossíveis de Euristeu. Uma fonte sugere que os trabalhos eram uma penitência imposta ao herói pelo Oráculo de Delfos quando, num acesso de loucura, matou todos os filhos de seu primeiro casamento.
Enquanto os seis primeiros trabalhos se passam no Peloponeso, os últimos levaram Hércules a vários lugares na orla do mundo grego e além.
Durante os trabalhos, Hércules foi perseguido pelo ódio da deusa Hera, que tinha ciúmes dos filhos de Zeus com outras mulheres.
A deusa Atena, por outro lado, era uma defensora entusiasta de Hércules; ele também desfrutou da companhia e ajuda ocasional de seu sobrinho, Iolau.
O primeiro trabalho de Hércules era matar o leão de Neméia.
Como esta enorme fera era invulnerável a qualquer arma, Hércules lutou com ele e acabou estrangulando-o apenas com suas mãos. A seguir, ele removeu a pele utilizando uma de suas garras, e passou a utilizá-la como uma capa, com as patas amarradas ao redor de seu pescoço, as presas surgindo sobre sua cabeça, e a cauda balançando em suas costas.
O segundo trabalho exigiu a destruição da Hidra de Lerna, uma cobra aquática com várias cabeças, que estava flagelando os pântanos perto de Lerna. Sempre que Hércules decepava uma cabeça, duas cresciam em seu lugar, e, como se isso não fosse um problema suficiente, Hera enviou um caranguejo gigante para morder o pé de Hércules.
Este truque desleal foi demais para o herói, que decidiu pedir ajuda a Iolau; enquanto Hércules cortava as cabeças, Iolau cauterizava os locais com uma tocha flamejante, de modo que novas cabeças não pudessem crescer, e finalmente dando cabo do monstro.
A seguir, Hércules embebeu a ponta de suas flechas no sangue ou veneno da Hidra, tornando-as venenosas.
No Monte Erimanto, um feroz javali estava se portando violentamente e causando prejuízos. Euristeu rispidamente ordenou aHércules que trouxesse este animal vivo à sua presença, mas as antigas ilustrações deste episódio, as quais mostram principalmente Euristeu acovardado refugiando-se num grande jarro, sugerem que ele veio a se arrepender desta ordem.
Hércules levou um ano para realizar o trabalho a seguir, que era capturar a Corça do Monte Carineu. Este animal parecia ser mais tímido do que perigoso. Este animal era sagrado para a deusa Ártemis e, apesar de ser fêmea, possuía lindas aspas.
De acordo com a lenda, Hércules finalmente aprisionou a Corça e a estava levando para Euristeu, encontrou-se com Ártemis, que estava muito zangada e ameaçou matar Hércules pelo atrevimento em capturar seu animal; mas quando ficou sabendo sobre os trabalhos, ela concordou em deixar Hércules levar o animal, com a condição que Euristeu o libertasse logo que o tivesse visto.
Os Pássaros Estinfalos eram tão numerosos que estavam destruindo todas as plantações nas vizinhanças do Lago Estinfalo em Arcádia; várias fontes dizem que eles eram comedores de homens, ou pelo menos podiam atirar suas penas como se fossem flechas.
Não está muito claro como Hércules enfrentou este desafio: uma pintura de um vaso mostra Hércules atacando-os com um tipo de estilingue, mas outras fontes sugerem que ele os abateu com arco e flecha, ou os espantou para longe utilizando um címbalo de bronze feito especialmente para a tarefa pelo deus Hefesto.
O último dos seis trabalhos do Peloponeso foi a limpeza dos currais Augianos. O Rei Áugias de Élida possuía grandes rebanhos de gado, cujos currais nunca tinham sido limpos, assim o estrume tinha vários metros de profundidade. Euristeu deve Ter pensado que a tarefa de limpar os estábulos num único dia seria impossível, mas Hércules uma vez mais conseguiu resolver a situação, desviando o curso de um rio e as águas fizeram todo o trabalho por ele.
Euristeu pede agora que Hércules capture o selvagem e fez touro de Creta, o primeiro trabalho fora de Peloponeso.
Assim que Euristeu viu o animal, Hércules o soltou, este sobrevivendo até ser morto por Teseu em Maratona.
A seguir, Euristeu enviou Hércules à Trácia para trazer os cavalos devoradores de homens de Diomedes.
Hércules amansou estes animais alimentando-os com seu brutal senhor, e os trouxe de maneira segura a Euristeu. A seguir, ele foi imediatamente mandado, desta vez para as margens do Mar Negro, para buscar a cinta da rainha das Amazonas.
Hércules levou um exército junto consigo nesta ocasião, mas nunca precisaria dele se Hera não tivesse criado problemas.
Quando chegou à cidade das Amazonas de Temisquira, a rainha das Amazonas estava até feliz que ele levasse sua cinta; Hera, sentindo que estava sendo fácil demais, espalhou um boato que Hércules pretendia levar a própria rainha, iniciando-se uma sangrenta batalha.
Hércules, é claro, conseguiu escapar com a cinta, mas após apenas duros combates e muitas mortes.
Para realizar seus três últimos trabalhos, Hércules foi completamente fora das fronteiras do mundo grego. Primeiro foi mandado além da borda do Oceano para a distante Eritéia no extremo ocidente, para buscar o Rebanho de Gérião.
Gérião era um formidável desafio; não apenas tinha um corpo triplo, mas para ajudá-lo a tomar conta de seu maravilhoso rebanho vermelho também utilizava um feroz pastor chamado Euritão e um cachorro de duas cabeças e rabo de serpente chamado Orto. Orto era o irmão de Cérbero, o cão que guardava a entrada do Mundo Inferior, e o encontro de Hércules com Gérião é algumas vezes interpretado como seu primeiro encontro com a morte.
Apesar de Hércules Ter se livrado de Euritão e Orto sem muito dificuldade, Gérião, com seus três corpos pesadamente armados, provou ser um adversário mais formidável, e apenas após uma terrível luta Hércules conseguiu matá-lo.
Quando retornou à Grécia, Euristeu enviou para uma jornada ainda mais desesperadora, descer ao Mundo Inferior e trazer Cérbero, o próprio cão do Inferno.
Guiado pelo deus mensageiro Hermes, Hércules desceu ao lúgubre reino dos mortos, e com o consentimento de Hades e Perséfone tomou emprestado o monstro assustador e de três cabeças para mostrá-lo ao aterrorizado Euristeu; isto feito, devolveu o cachorro a seus donos de direito.
Mesmo assim, Euristeu solicitou um último trabalho: que Hércules lhe trouxesse os Pomos do Ouro de Hespérides. Estes pomos, a fonte da eterna juventude dos deuses, cresciam em um jardim nos confins da terra; foram um presente de casamento de Géia, a Terra, a Zeus e Hera. A árvore que dava as frutas douradas era cuidada pelas ninfas chamadas Hespérides e guardada por uma serpente. Os relatos variam sobre como Hércules resolveu este trabalho final.
As fontes que localizam o jardim abaixo das montanhas Atlas, onde o poderoso Atlas sustenta os céus em suas costas, dizem queHércules convenceu Atlas a pegar as maças por ele; enquanto fazia esta jornada Hércules sustentou, ele mesmo, o céu; quando Atlas retornou, Hércules teve algumas dificuldades em persuadi-lo a reassumir o seu fardo.
Outra versão da estória sugere que o próprio Hércules foi ao jardim lutando e matando a serpente ou conseguindo convencer as Hespérides a lhe entregar as maças. As maças de Hespérides simbolizavam a imortalidade, e este trabalho final significaria queHércules deveria ascender ao Olimpo, tomando seu lugar entre os deuses.
Além dos doze trabalhos, muitos outros feitos heróicos e aventuras foram atribuídos a Hércules. Na sua busca do jardim das Hespérides, teve que lutar com o deus marinho Nereu para compelir o deus a dar-lhe as informações que necessitava; em outra ocasião enfrentou outra deidade marinha, Tritão.
Tradicionalmente foi na Líbia que Hércules encontrou o gigante Anteu: Anteu era filho de Géia, a Terra, e ele era invulnerável enquanto mantivesse contato físico com sua mãe.
Hércules lutou com ele e ergueu-o do solo; desprovido da ajuda de sua mãe, ficou indefeso nos braços poderosos do herói.
No Egito Hércules escapou por pouco de ser sacrificado pelas mãos do Rei Busíris. Um advinho tinha dito a Busíris que o sacrifício de estrangeiros era um método infalível de se lidar com as secas. Como o advinho era Cipriota, tornou-se a primeira vítima de seu próprio conselho; quando o método se mostrou efetivo, Busíris ordenou que todo o estrangeiro temerário o suficiente a entrar em seu reino seria sacrificado.
Na vez de Hércules, deixou-se ser aprisionado e levado ao local do sacrifício antes de se voltar contra seus agressores e matar uma grande quantidade deles.
Hércules não raramente se envolvia em conflito com os deuses. Em uma ocasião, quando não recebeu uma resposta que estava esperando da sacerdotisa do Oráculo de Delfos, tentou fugir com o trípode sagrado, dizendo que iria criar um oráculo melhor por sua própria conta. Quando Apolo tentou detê-lo, ocorreu uma violenta discussão, que foi resolvida apenas quando Zeus arremessou um relâmpago entre eles.
Hércules era muito leal aos seus amigos; mais do que uma vez ele arriscou sua vida para ajudá-los, sendo o caso mais espetacular o de Alceste. Admeto, Rei de Feres na Tessália, tinha feito um acordo com Apolo que, quando chegasse a hora de sua morte, poderia continuar a viver se encontrasse alguém que quisesse morrer em seu lugar. Entretanto, quando Admeto estava se aproximando da hora da sua morte, mostrou-se ser mais difícil do que tinha calculado arranjar um substituto; após seus parentes mais velhos terem egoisticamente se recusado ao sacrifício, sua esposa Alceste insistiu para que fosse a sacrificada.
Quando Hércules chegou, ela já tinha descido ao Mundo Inferior, indo ele imediatamente atrás dela. Então lutou com a morte e venceu, trazendo-a de volta em triunfo ao mundo dos vivos.
Hércules era o super-homem grego, sendo muitas das estórias de seus feitos interessantes contos de realizações sobre-humanas e monstros fabulosos.
Ao mesmo tempo Hércules, assim como Ulisses, também atua como se fosse um homem comum, sendo suas aventuras como parábolas exageradas da experiência humana. Irritadiço, não extremamente inteligente, apreciador do vinho e das mulheres (suas aventuras amorosas são muito numerosas), era uma figura eminentemente simpática; e no geral seu exemplo deveria ser seguido, pois destruía o mal e defendia o bem, superando todos os obstáculos que o destino lhe colocou. Além de tudo, ofereceu alguma esperança para a derrota da ameaça última e crucial do homem, a morte.
O fim de Hércules foi caracteristicamente dramático. Uma vez, quando ele e sua nova noiva Dejanira estavam atravessando um rio, o centauro Nesso ofereceu-se para transportar Dejanira, e no meio da correnteza tentou raptá-la.
Hércules matou-o com uma de suas flechas envenenadas, e ao morrer, Nesso, simulando arrependimento, incentivou Dejanira a pegar um pouco de sangue do seu ferimento e guardá-lo; se Hércules algum dia parecesse cansado dela, deveria embeber um traje no sangue e dá-lo para que ele o vestisse; após isso, ele nunca mais olharia para outra mulher.
Anos mais tarde Dejanira lembrou-se deste conselho quando Hércules, voltando de uma distante campanha, mandou à frente uma linda princesa aprisionada pela qual estava evidentemente apaixonado. Dejanira mandou a seu marido um robe tingido pelo sangue; ao vestir a roupa, o veneno da Hidra penetrou na sua pele e ele tombou em terrível agonia. Seu filho mais velho, Hilo, levou-o ao Monte Eta e depositou seu corpo, retorcido porém ainda respirando, numa pira funerária, a qual acabou sendo acesa pelo herói Filoctetes.
Entretanto, os trabalhos de Hércules asseguraram-lhe a imortalidade, assim ele subiu ao Olimpo e assumiu seu lugar entre os deuses que vivem eternamente.