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sexta-feira, 18 de janeiro de 2013


Tribunal confirma condenação de Jardim Gonçalves

O fundador do BCP terá de pagar uma coima de um milhão de euros.

A juíza do Tribunal de Pequena Instância Criminal confimou nesta sexta-feira a sentença aplicada pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) a Jardim Gonçalves, fundador do BCP.
A juíza considerou que o gestor actuou com dolo directo e considerou os castigos aplicados pela CMVM correctos e proporcionais ao acto. Jardim Gonçalves terá de pagar uma coima de um milhão de euros e fica inibido de exercer funções na banca por cinco anos.
A CMVM acusava nove membros da anterior gestão do banco de terem prestado informação falsa ao mercado entre 2002 e 2007. Em consequência dessa acusação, a CMVM aplicou coimas aos nove ex-gestores e decretou a inibição da actividade bancária a oito deles pelo máximo de cinco anos, mas os visados recorreram da decisão.
Alvo destas acusações estão Jorge Jardim Gonçalves, Filipe Pinhal, Christopher de Beck, António Rodrigues, Alípio Dias, António Castro Henriques e Paulo Teixeira Pinto, assim como Luís Gomes e Miguel Magalhães Duarte, ainda em funções no banco.
A juíza confirmou também a acusação contra Paulo Teixeira Pinto, por ser negligente dada a sua experiência profissional e os conhecimentos que tinha no banco (foi secretário geral do BCP até 2005, acompanhando as reuniões do conselho de administração, e presidente de 2005 até 2007).
A juíza referiu que uma pessoa “razoavelmente prudente” teria pedido informações sobre offshore, porque tinha conhecimento de que alguma coisa se passava e que o processo não era completamente regular. Nesse caso, disse, deveria não ter assinado as contas de 2005 a 2007.
A acusação contra Filipe Pinhal foi também confirmada. A juíza considerou o castigo da CMVM correcto e adequado aos crimes cometidos. Terá de pagar uma multa de 800 mil euros e ficará inibido de exercer actividade no sector financeiro por cinco anos.
De igual forma, a juíza considerou provados todos os factos contra António Rodrigues, administrador financeiro do BCP. Este era o único administrador, além dos responsáveis máximos do banco, que tinha acesso e controlo da informação, adiantou ainda a magistrada. Além da inibição de exercer actividade bancária por cinco anos, este responsável terá de pagar uma coima de 900 mil euros.
Christopher de Beck também viu a acusação da CMVM confirmada, tendo de pagar uma multa de 650 mil euros e não poderá voltar à banca nos próximos quatro anos. A acusação contra António Castro Henriques foi igualmente confirmada. A coima será de 250 mil euros e a inibição durará dois anos.
Alípio Dias foi considerado, entre outras acusações, negligente pois não actuou de acordo com a sua experiência e conhecimentos e com as análises criteriosas que tinha, disse a magistrada. Ainda segundo a juíza, violou os deveres de gestor a que estava obrigado, pois poderia ter evitado aprovar documentos que não eram verdadeiros. A coima é de 200 mil euros e a inibição de um ano.
Alípio Dias e Paulo Teixeira Pinto foram os únicos arguidos ausentes nesta leitura de sentença.

Construindo a visão... (3)


Os Zzzz´s próprios dos vespeiros eram inteiros e os olhares dos vespas se perdiam pela ornamentação dourada da bela sala, olhando as abóbadas do tecto, como que a inquirir a resposta: 
"e como fazer, sem que as abelhas acordem e se revoltem?"

Do lado direito, da fila primeira, logo da primeira cadeira, se levantou um vespa. Levava na mão uma pen que inseriu e mostrou um video que toda a assistência viu. Elevando a voz para que fosse ouvido de modo entendido, disse antes das imagens passarem: 
"Evitemos esta imagem voraz. Evitemos mostrar o que não deve ser mostrado, como hoje soubemos não deixar escutar o que foi dito. Alimentemo-nos das abelhas de forma menos evasiva, mais...persuasiva. Não esqueçam que temos a vantagem de sermos confundidos e tomados por salvadores e amigos... de estar a cumprir um desígnio...  de este sacrifício ser um imperativo e desse imperativo ter um único sentido: o do extermínio!"
 (findo o video, o orador foi muito aplaudido e depois disso os vespas foram saindo)



Sabe-se que o que vai acontecer não será bem isto... o video é a metáfora que faltava

Conversa avinagrada

Construindo a visão... (2)


- Olhe ela voltou!, mas pousou neste outro lado... vai esperar que ela vá embora e voltar a trabalhar no arame?
- Trabalhar no arame naquele momento foi uma decisão errada. Uma metáfora para resultar tem que ser bem trabalhada e usar-se nela o material adequado...
- Escolher o arame foi uma opção errada?
- Não!, errado foi ter metido lá o martelo... em vez de se ter entendido que ele era usado para desfazer os círculos viciosos, todos leram que o que era preciso era desatar à martelada...
-  Os sinais dos tempos sobrepõem-se às intenções edificantes... então e agora?... noto que está a olhar para o belo insecto com o mesmo olhar fixo...
- Estou a tentar discernir se o insecto é abelha ou vespa... Há uma grande confusão à vista desarmada... o que mais se parece com uma vespa é uma abelha, o que mais se parece com uma abelha é uma vespa...
- Tem razão, eu próprio as confundo. Dizem das abelhas que são trabalhadoras e calmas e que as vespas são carnívoras e bravas...
- As abelhas têm uma organização social invejável mas vulnerável... as vespas atacam as abelhas, invadem-lhes os favos e devoram-lhes as larvas. As vespas maiores, mais vorazes, até as comem... 
- Não sabia... agora reconheço a importância de ficar aqui a olhar... mas... como vamos perceber a diferença?
- Primeiro olhamos para reter a imagem, a forma das patas, o abdómen, o tórax... Depois aproximamo-nos. Se nos atacarem, são vespas..
- Aproximemo-nos então!... Olhe, voou e pousou naquela flor...
- Era abelha!
- Era abelha! Podemos recapitular o observado ainda agora?
- Não consigo, tenho um problema de memória...
- E eu de observação... estamos então condenados à confusão... a só perceber quando nos vierem morder...
- Nem mais! O nosso drama é continuarmos sem memória!
- E de observação! Há um vespeiro reunido e muitos ainda julgam tratar-se de uma colmeia!!!

Conversa avinagrada

Construindo a visão...


- Que está a pensar com esse olhar tão fixo?
- Espero que a abelha saia dali e me liberte o material para eu poder pensar no que está a acontecer...
- Não percebo!, diga-me isso de outra maneira para que eu possa perceber!
- Estou à espera de poder usar o arame e reconstruir este momento que estamos vivendo...
- Com o arame constrói o pensamento para poder ter a visão do momento?... Olhe, a abelha já voou... Não se importa de eu ficar a ver como constrói a realidade trabalhando o arame?
- Fique. Veja só: pega-se assim, firmemente. Depois vai-se fazendo um pequeno arco, lentamente... mas com força. Repete-se o procedimento e surge aqui à frente outro arco quase igual. Repete-se, e assim sucessivamente, vamos desenvolvendo ciclos e ciclos com o arame...
- Faz muita força de dedos nessa manipulação?
- Neste ponto, já não... e é isso mesmo o que queria perceber... ao principio, para fazer cada ciclo, foi preciso, agora o próprio arame vai-se pondo a jeito... parece estar viciado e isso favorece a forma que lhe vou dando...
- Percebo! A partir de um dado momento os ciclos desenvolvem-se com o vício da forma inicial que foi dando...
- Isso mesmo! O arame, depois de bem manipulado, quase que automaticamente assume a forma pretendida... é uma espiral... parece uma mola, só que não impulsiona nada. Fica como a vê aqui, parada.
- Olhe, está-se a acabar o arame!...
- Vou passar a fazer círculos de diâmetro mais reduzido. Acho que chegámos ao ponto em que estamos agora...
- Mas... está a voltar atrás?
- Passámos os ciclos viciosos e, à falta de arame... digamos que temos que voltar atrás e reduzir os ciclos que tinham sido maiores. Passo a fazer ciclos recessivos... e, à frente, a fazer ciclos mais reduzidos...
- ...que vão parar?
- Quando não houver mais arame!
- O fim está à vista... foi excelente este exercício! Mas como é que saímos disto?
- Neste momento vamos a tempo... É sair destes ciclos e endireitar o arame... mas com o vício...
- Com o vício?... 
- Só à martelada!
- Acho que é uma boa solução. Procuremos o martelo, então.

(saíram os dois, procurando o martelo)

Conversa avinagrada


NOTÍCIAS DOS 'MERCADOS'


Tribunal confirma condenação de Jardim Gonçalves

O fundador do BCP terá de pagar uma coima de um milhão de euros.
A juíza do Tribunal de Pequena Instância Criminal confimou a sentença aplicada pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) a Jardin Gonçalves, fundador do BCP.
A juíza considerou que o gestor actuou com dolo directo e considerou os castigos aplicados pela CMVM correctos e proporcionais ao acto. Jardim Gonçalves terá de pagar uma coima de um milhão de euros e fica inibido de exercer funções na banca por cinco anos.
Também a acusação contra Filipe Pinhal foi confirmada. A juíza considerou o castigo da CMVM correcto e adequado aos crimes cometidos. Terá de pagar uma multa de 800 mil euros e ficará inibido de exercer actividade no sector financeiro por cinco anos.
A CMVM acusava nove membros da anterior gestão do banco de terem prestado informação falsa ao mercado entre 2002 e 2007. Em consequência dessa acusação, a CMVM aplicou coimas aos nove ex-gestores e decretou a inibição da actividade bancária a oito deles pelo máximo de cinco anos, mas os visados recorreram da decisão.
Alvo destas acusações estão Jorge Jardim Gonçalves, Filipe Pinhal, Christopher de Beck, António Rodrigues, Alípio Dias, António Castro Henriques e Paulo Teixeira Pinto, assim como Luís Gomes e Miguel Magalhães Duarte, ainda em funções no banco.
Público

A dita e o balde

Os top da máfia portuguesa... mas há mais.




























LISTA DOS MAIORES CRIMES DE 

PORTUGAL/ CORRUPÇÃO.


IMPOSTOS ESBANJADOS EM CORRUPÇÃO, ROUBOS, GESTÃO DA NOSA, GESTÃO 

CRIMINOSA, NEGÓCIOS SUSPEITOS, TRÁFICO, TACHOS BOYS E INCOMPETÊNCIAS.
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CONTINUA POR MUITOS E MUITOS MAIS .... ARTIGO COMPLETO: 


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BLOG NÃO VOTEM MAIS NELES, PENSEM!

SÍSIFO - MITOLOGIA GREGA





De maneira semelhante a Prometeu, Sísifo encarnava na mitologia grega a astúcia e a rebeldia do homem frente aos desígnios divinos.
Sua audácia, no entanto, motivou exemplar castigo final de Zeus, que o condenou a empurrar eternamente, ladeira acima, uma pedra que rolava de novo ao atingir o topo de uma colina, conforme se narra na Odisséia.
Sísifo é citado na Ilíada de Homero como filho de Éolo (iniciador da estirpe dos eólios). Rei de Éfira, mais tarde Corinto, é tido como o criador dos Jogos Ístmicos celebrados naquela cidade e como o mais astuto dos homens.
Em relatos posteriores a Homero, aparece como pai de Ulisses, que teria gerado com Anticléia.
A lenda mais conhecida sobre Sísifo conta que aprisionou Tânato, a morte, quando esta veio buscá-lo, e assim impediu por algum tempo que os homens morressem.
Quando Tânato foi libertada, por interferência de Ares, Sísifo foi condenado a descer aos infernos, mas ordenou à esposa, Mérope, que não enterrasse seu corpo nem realizasse os sacrifícios rituais.
Passado algum tempo, pediu permissão a Hades para regressar à Terra e castigar a mulher pela omissão e não voltou ao além-túmulo senão muito velho.
Sua punição final reafirma uma provável concepção grega do inferno como lugar onde se realizam trabalhos infrutíferos.


Os deuses condenaram Sísifo a incessantemente rolar uma rocha até o topo de uma montanha, de onde a pedra cairia de volta devido ao seu próprio peso.
Eles pensaram, com alguma razão, que não há punição mais terrível do que o trabalho inútil e sem esperança.
Acreditando em Homero, Sísifo foi o mais sábio e prudente dos mortais. Entretando, de acordo com outra tradição, ele foi designado a praticar a profissão de salteador.Eu não vejo nenhuma contradição nisto.
As opiniões diferem quanto às razões pelas quais ele se tornou o inútil trabalhador do subterrâneo.
Para começar, ele é acusado de uma certa frivolidade a respeito dos deuses. Ele roubou seus segredos. Egina, a filha de Esopo, foi raptada por Júpiter. O pai ficou chocado com aquele desaparecimento e queixou-se a Sísifo.
Ele, que sabia do seqüestro, ofereceu-se para contar o que sabia com a condição de que Esopo desse água à cidadela de Corinto. Ele a preferiu a bênção da água ao invés dos raios celestiais.
Ele foi punido por isso no inferno.
Homero nos conta também que Sísifo acorrentou a Morte. Plutão não pôde suportar a visão do seu império abandonado e silencioso. Ele despachou o Deus da Guerra,
Chamados, sinais de raiva, avisos foram de nenhuma utilidade. Ele viveu muitos anos mais diante da curva do golfo, do mar brilhante, e dos sorrisos da Terra. Um decreto dos deuses foi necessário. Mercúrio veio e agarrou o homem atrevido pelo colarinho, e, arrancando-o de seus prazeres, conduziu-o forçosamente de volta ao inferno, onde sua rocha estava pronta para ele.
Você já captou que Sísifo é o herói absurdo. Ele o é, tanto pelas suas paixões quanto pela sua tortura.


Seu desdém pelos deuses, seu ódio pela morte e sua paixão pela vida fizeram com que ele recebesse aquele inexprimível castigo no qual todo seu ser se esforça para executar absolutamente nada. Este é o preço que deve ser pago pelas paixões neste mundo.
Nada nos é dito sobre Sísifo no inferno. Mitos são feitos para a imaginação soprar vida neles.
Quanto a este mito, vê-se simplesmente todo o esforço de um corpo esforçando-se para levantar a imensa pedra, rolá-la e empurrá-la ladeira acima centenas de vezes; vê-se o rosto comprimido, a face apertada contra a pedra, o ombro que escora a massa recoberta de terra, os pés apoiando, o impulso com os braços estendidos, a segurança totalmente humana de duas mãos cobertas de terra. Ao final deste longo esforço medido pelo espaço e tempo infinitos, o objetivo é atingido.
Então Sísifo observa a rocha rolar para baixo em poucos segundos, em direção ao reino dos mortos, de onde ele terá que empurrá-la novamente em direção ao cume. Ele desce para a planície. É durante este retorno, esta pausa, que Sísifo me interessa.
Um rosto que trabalhou tão próximo à pedra, já é a própria pedra!
Eu vejo aquele homem descendo com um passo muito medido, em direção ao tormento que ele sabe que nunca terá fim. Aquela hora, que é como um momento de respiração, que sempre voltará assim como seu sofrimento; é a hora da consciência.
Em cada um destes momentos, quando ele deixa as alturas e gradualmente mergulha no covil dos deuses, ele é superior ao seu destino. Ele é mais forte do que sua pedra. Se este mito é trágico, é porquê seu herói é consciente.
Onde estaria realmente sua tortura se a cada passo a esperança de prosperar o sustentasse ? O trabalhador de hoje trabalha todos os dias de sua vida nas mesmas tarefas, e seu destino não é menos absurdo. Mas é trágico apenas nos raros momentos em que ele toma consciência.
Sísifo, proletário dos deuses, impotente e rebelde, sabe a total extensão de sua miserável condição: é nisso que ele pensa durante sua descida. A lucidez que deveria constituir sua tortura ao mesmo tempo coroa sua vitória.
Não há destino que não possa ser superado pelo desprezo. Se desta maneira, a descida é realizada às vezes com tristeza, também pode ser realizada com alegria.
Esta palavra não é exagerada. Novamente, eu imagino Sísifo retornando em direção à sua rocha; o sofrimento estava no início.
Quando as imagens da Terra aderem-se com muita força à memória, quando o chamado da felicidade torna-se muito insistente, acontece da melancolia aparecer no coração do homem: esta é a vitória da rocha, esta é a própria rocha.
O sofrimento sem limites é muito pesado para se suportar. Estas são nossas noites de Gethsêmane. Mas verdades esmagadoras perecem quando tornam-se conhecidas. Assim, Édipo no início obedece ao destino sem saber dele. Mas a partir do momento em que ele sabe, sua tragédia inicia.
Mas, ao mesmo tempo, cego e desesperado, ele percebe que a única ligação que o une ao mundo é a fresca mão de uma moça.
Então uma tremenda observação soa:
"A despeito de tantas experiências difíceis, minha idade avançada e a nobreza da minha alma me fazem concluir que está tudo bem".
O Édipo de Sófocles, assim como o Kirilov de Dostoievsky, desta forma dão a receita para a vitória absurda. A sabedoria antiga confirma o heroísmo moderno.
Não se descobre o absurdo sem ser tentado a escrever um manual sobre a felicidade. "O que ? --- Por estes estreitos caminhos ? --- " Não há um só mundo, de qualquer maneira. Felicidade e absurdo são dois filhos da mesma Terra. Eles são inseparáveis.
Seria um erro dizer que a felicidade nasce necessariamente do descobrimento do absurdo. O mesmo quanto ao sentimento do absurdo nascer da felicidade.
"Eu concluo que está tudo bem", diz Édipo, e esta observação é sagrada. Ela ecoa no universo selvagem e limitado do homem. Ela ensina que tudo não foi e nem está esgotado. Ela expulsa deste mundo um deus que veio a ele com descontentamento e com uma preferência pelo sofrimento inútil. Ela faz do destino uma questão humana, que deve ser resolvida entre os homens.
Toda a alegria silenciosa de Sísifo está contida nisto. Seu destino pertence a ele.
Sua rocha é algo semelhante ao homem absurdo quando contempla seu tormento; silencia todos os ídolos. No universo subitamente devolvido ao seu silêncio as pequenas vozes extremamente fascinantes do mundo elevam-se. A inconsciência, os chamados secretos, os convites de todos os aspectos, eles são o reverso necessário e o preço da vitória. Não há sol sem sombra, e é essencial conhecer a noite. O homem absurdo diz sim e seus esforços doravante serão incessantes.
Se há um destino pessoal, não há um destino superior, ou há, mas um que ele conclui que é inevitável e desprezível.
Para o restante, ele reconhece a si mesmo como o mestre de seus dias. No momento sutil quando o homem dá uma olhada para trás em sua vida, Sísifo retornando à sua pedra, neste modesto giro, ele contempla aquela série de ações não relacionadas que formam o seu destino, criado por ele, combinados e sujeitos ao olhar de sua memória e logo selados por sua morte. Assim, convencido da origem totalmente humana de tudo o que é humano, o homem cego, ansioso para ver, que sabe que a noite não tem fim, este homem permanece em movimento. A rocha ainda está rolando.
Eu deixo Sísifo no pé da montanha! Sempre se acha sua carga novamente.
Mas Sísifo ensina a mais alta honestidade, que nega os deuses e ergue rochas. Ele também conclui que está tudo bem. O universo, de agora em diante sem um mestre, não parece a ele nem estéril nem inútil. Cada átomo daquela pedra, cada lasca mineral daquela montanha repleta de noite, em si próprio forma um mundo.
A própria luta em direção às alturas é suficiente para preencher o coração de um homem.
Deve-se imaginar Sísifo feliz.
Fonte: www.geocities.com

Reino Unido pode sair da União Europeia, revela discurso de Cameron
O primeiro-ministro britânico devia avisar, no discurso previsto para esta sexta-feira e que cancelou devido aos acontecimentos na Argélia, que o Reino Unido pode decidir sair da União Europeia, se esta não responder a desafios-chave, noticia a AFP.
Reino Unido pode sair da União Europeia, revela discurso de Cameron
DR
MUNDO
Segundo extractos do discurso que deveria ser pronunciado hoje nos Países Baixos, divulgado antecipadamente à comunicação social, David Cameron ia dizer que os britânicos estão cansados da “falta de responsabilidade democrática” da União Europeia (UE).
“Se não resolvermos estes desafios, o perigo é o de a Europa cair e de o povo britânico se dirigir para a saída”, deveria dizer Cameron, em Amesterdão.
“Eu não quero que isto aconteça. Quero que a UE seja um sucesso e uma relação entre o Reino Unido e a União Europeia que nos mantenha nela”, diria também o chefe do Governo britânico.
Muitas organizações de comunicação social enviaram repórteres para Amesterdão para cobrir o discurso, que saíram do avião para serem informados quase imediatamente de que tinha sido cancelado.
Os extractos divulgados não contêm anúncios, há muito aguardados, dos planos britânicos para renegociar a pertença à UE e sujeitar a referendo os termos resultantes da renegociação.
Cameron iria defender a sua decisão, apresentando “questões difíceis” à UE, apesar da sua economia frágil, no seguimento de críticas dos seus parceiros europeus, dos Estados Unidos e dos líderes empresariais.
Ia, em particular, destacar três desafios para a UE: a crise na Zona Euro, a falta de competitividade, em comparação com as economias emergentes e a “falta de responsabilidade democrática”, que é sentida “de forma particularmente aguda no Reino Unido”.

Nos extractos do seu discurso, Cameron ia insistir que muitos cidadãos europeus vêem cada vez mais a UE a impor uma austeridade penosa sem o seu consentimento “para ajudar governos no outro lado do continente”.
Para reforçar o argumento, acrescentava: “E, claro, com certeza, que estamos a ver esta frustração com a UE muito dramaticamente no Reino Unido. Os líderes europeus têm o dever de ouvir estas preocupações. E temos o dever de agir a este respeito”.
Camenorn adiou o discurso na quinta-feira, depois de indicar que vários britânicos podiam ter sido mortos na ofensiva dos militares argelinos sobre os islamitas que se apoderaram de uma fábrica de gás no deserto da Argélia, em In Amenas, da qual a britânica BP é uma das operadoras.

As razões que explicam o desejo de Passos cortar nas pensões
O primeiro-ministro quer descer as pensões dos actuais reformados, justificando com o argumento de que não correspondem aos descontos feitos, mas o diagnóstico não é novo. Passos fala em nome da equidade geracional e entre a Função Pública e o privado. Os problemas estão identificados há anos, mas Passos “liga agora a sirene”, escreve esta sexta-feira o Jornal de Negócios.
As razões que explicam o desejo de Passos cortar nas pensões
DR
ECONOMIA
Passos Coelho quer cortar as pensões actuais e já deixou claro que se o Tribunal Constitucional não travar as suas intenções, dificilmente os pensionistas vão escapar a um corte nos seus rendimentos. Mas o que está afinal por detrás desta urgência? O Jornal de Negócios explica hoje as razões que inspiram o primeiro-ministro.
O jornal destaca três situações. Por um lado, a divergência entre os pensionistas da Caixa Geral de Aposentações (CGA), da Função Pública, e os do sector privado. Por outro lado, as discrepâncias entre os actuais pensionistas e os futuros reformados, e, por último, o facto de muita gente não descontar para aquilo que recebe.
Escreve o Negócios que os três problemas já estão identificados há anos, tendo sido já tomadas medidas, ainda que lentamente, mas o primeiro-ministro “liga agora a sirene”.
Em relação à diferença entre as pensões do público e do privado, o jornal chama a atenção para o facto de haver diferentes idades de reforma nos dois regimes: 65 anos no privado e 60 no público até há poucos anos, o que ‘baralha’ a taxa de substituição, que traduz a relação entre o valor da pensão e o último salário bruto, e que é de 47% na Segurança Social e de 90% no regime dos funcionários públicos admitidos até 2006.


O jornal aponta também que a existência de uma fórmula de cálculo mais favorável na CGA, que só tinha em conta o último salário em 2005, é o grande factor na base desta diferença, além da idade da reforma.
Outro dos argumentos é relativo à equidade entre gerações, devido às discrepâncias entre a situação de um pensionista actual e de um jovem trabalhador que só se reformará daqui a 30 anos. De acordo com o Negócios, um reformado do privado tem uma pensão equivalente a 76% do salário bruto, enquanto um jovem também do sector privado vai receber menos de 59% em 2041, quando se reformar. E tudo devido ao factor de sustentabilidade e das regras de cálculo da pensão.
Para resolver as desigualdades há propostas no sentido de alterar a fórmula de cálculo das futuras pensões, acelerando a convergência entre a CGA e a Segurança Social, e outras sugestões que passam por alterar o valor das pensões atribuídas, que Passos quer aplicar para já. 

O relatório "secreto" do Governo que inspirou o FMI
O jurista e antigo ministro de José Sócrates, Pedro Silva Pereira, alerta esta sexta-feira, num artigo de opinião do Diário Económico, para a existência de um relatório “secreto” da autoria do Governo de coligação, que serviu de base para a realização do relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI), divulgado na semana passada, e que “continua secreto” até agora.
O relatório secreto do Governo que inspirou o FMI
DR
POLÍTICA
O antigo ministro da Presidência de José Sócrates, Pedro Silva Pereira, lança hoje um alerta para o que diz ser um relatório “secreto” do Governo que serviu de base para a identificação das áreas em que devem ser feitos os cortes sugeridos pelo FMI no relatório que veio a público na semana passada.
No artigo publicado no Diário Económico, Silva Pereira chama a atenção para uma página “curiosa” do relatório do FMI, a página 17, cuja leitura permite que se fique a saber que “a identificação das áreas em que devem ser feitos os cortes, no pressuposto de que aí o Estado é "demasiado grande", resulta não propriamente do Relatório do FMI mas sim do "exercício de análise comparativa" que consta de um outro Relatório que lhe serve de base”. Face a isto, o jurista deixa no ar a questão: “A pergunta que se impõe é óbvia: afinal, que outro Relatório é esse?”.


No artigo de opinião, o antigo braço direito de Sócrates responde desde logo indicando uma nota de rodapé da mesma página 17, que permite concluir que “por incrível que pareça, além do tão falado Relatório "do FMI", há um outro Relatório sobre a despesa pública feito pelo próprio Governo mas que, até hoje, continua secreto!”.
Silva Pereira defende, assim, que “é indispensável que o Governo, de uma vez por todas, deixe de se esconder atrás do FMI e trate de divulgar, imediatamente, esse seu outro Relatório”, argumentando que é afinal nesse documento que “constam os pressupostos em que se baseou o Relatório do FMI”, nomeadamente os dados sobre a evolução da despesa pública, a avaliação do Governo sobre os resultados obtidos pelo Estado Social nas áreas da educação, da saúde e da protecção social, assim como a análise comparativa desses níveis de despesa e desses resultados com os de outros países europeus. “Um documento desses não pode continuar secreto”, defende o jurista.