AVISO

O administrador deste blogue
não é responsável pelas opiniões
veiculadas por terceiros
nem a sua publicação quer dizer
que delas partilhe, apenas as
publica como reflexo da
sociedade em que se inserem
dando-lhes visibilidade
mas nunca fazendo delas opinião própria.
Ao desenvolturasedesacatos reserva-se ainda o direito
de eliminar qualquer comentário anónimo ou não identificado, que contenha ataques
deliberadamente pessoais, que em nada contribuampara o debate de ideias ou para a denúncia
de situações menos claras do ponto de vista ético.


quinta-feira, 10 de janeiro de 2013


Oliver Stone à RT : ‘Os EUA tornaram-se um estado orwelliano’

Gosta e tem prazer em assinar sentenças de morte de inimigos e de tabaco
Oliver Stone à RT: ‘Os EUA tornaram-se um estado orwelliano’ 
"Penso que Obama foi um lobo disfarçado de cordeiro. Devido ao pesadelo da presidência Bush que o precedeu, as pessoas desculparam-no muito. Foi uma grande esperança na mudança. A cor da pele, a educação que teve, o internacionalismo, o globalismo, tudo isso pareceu evidente. E trata-se de um homem inteligente. Pegou em todas as mudanças de Bush e basicamente introduziu-as no sistema e codificou-as.”


Os americanos vivem num estado orwelliano, segundo o realizadorOliver Stone, premiado pela Academia, e o historiador Peter Kuznick, em conversa com a RT (Russia Today, TV internacional russa – N.T.) para discussão da política externa dos EUA e o desprezo do governo de Obama pelo cumprimento da lei. 

Ambos argumentam que Obama é um lobo disfarçado de cordeiro e que as pessoas o desculparam bastante devido ao "pesadelo da presidência Bush que o precedeu." 

"Pegou em todas as mudanças de Bush e basicamente introduziu-as no sistema e codificou-as," disse Stone à RT. "É um estado orwelliano. Pode não ser opressivo superficialmente, mas não há onde nos escondermos. Alguma parte de nós acaba por ir parar algures a uma base de dados." 

De acordo com Kuznick, os cidadãos americanos vivem num aquário onde o seu governo intercepta mais de 1700 milhões de mensagens por dia de "email, chamadas telefónicas e outras formas de comunicação." 

Abby Martin do programa da RT "Breaking the Set" discute a série fílmica e o livro de Oliver Stone e Peter Kuznick "The Untold History of the United States" (A História não contada dos Estados Unidos".


"Obama foi uma grande esperança na mudança" 

RT: Levou-lhes quase cinco anos a produzir a série. Existe nela um capítulo chamado Obama: Gestão de um Império Ferido. Fazem uma crítica dura ao governo de Obama. Qual no vosso entender o mais perturbador aspecto da presidência, Oliver?

Oliver Stone: Penso que ele foi um lobo disfarçado de cordeiro. Devido ao pesadelo da presidência Bush que o precedeu, as pessoas desculparam-no muito. Foi uma grande esperança na mudança. A cor da pele, a educação que teve, o internacionalismo, o globalismo, tudo isso pareceu evidente. E trata-se de um homem inteligente. Pegou em todas as mudanças de Bush e basicamente introduziu-as no sistema e codificou-as. É isso que é triste. Assim, vamos para o segundo governo que vive fora da lei e não a respeita, nem às fundações do nosso sistema, sendo ele jurista constitucional. Sem lei, é a lei da selva. Nuremberga existiu por alguma razão e houve uma razão para haver tribunais, há uma razão para o processo devido – ‘habeas corpus’ como se diz nos Estados Unidos.  


RT: Concorda, Peter? 


Peter Kuznick: Concordo. Se olharmos para a política interna, ele não cortou com as políticas da administração Bush. Se olharmos para a transparência, tendo-se ele reclamado quando se candidatou como o presidente da transparência, não houve transparência. Estão a ser classificados mais documentos com Obama do que com Bush. Todos os anteriores presidentes entre 1970 e 2008 acusaram um total de três pessoas a coberto do Espionage Act. Obama já acusou seis pessoas. A vigilância não parou, o encarceramento de pessoas sem as levar a tribunal não parou. Portanto, essas políticas tiveram continuidade. 

Depois, temos as políticas de guerra e militarização. Estão a ser mantidas. Estamos agora em guerra no Iémen, no Afeganistão, mantemos as tropas no Afeganistão. Não cortámos com as coisas que achámos tão odiosas no governo Bush e Obama acrescentou algumas suas. A política dos drones – Obama fez mais ataques de drones nos primeiros oito meses do que Bush na presidência inteira. E esses ataques têm muito duvidosa legalidade internacional. 

OS: O Peter estava esperançado que no segundo mandato haveria mais um pouco de flexibilidade, esperamos isso. Mas, existe um sistema montado, que é enorme – o sistema do Pentágono. 

RT: Parece quase que agarraram nas odiosas políticas da CIA e apenas lhes deram outro nome, de modo a serem aceitáveis – os assassínios, as execuções extrajudiciais sem processo. É incrível. 


 "Estamos em última instância vigiando-nos mutuamente " 

 PK: Durante os anos Bush, queixámo-nos de Bush montar vigilância sem cobertura judicial. Obama mata pessoas, assassínios planeados sem cobertura judicial. É obviamente muito mais grave. 

RT: Escrevem também sobre Pearl Harbor, que evidentemente levou ao internamento de cidadãos nipo-americanos. Não creio que muita gente reconheça esse aspecto da realidade mais uma vez pouco relatado e o que significou. Quando olhamos para a rede de segurança na América de hoje, quase parece um campo de internamento aberto, em que já não precisam de internar as pessoas porque temos essa rede instalada. O que pensam disso? 

PK: O governo dos EUA intercepta actualmente mais de 1700 milhões de mensagens de cidadãos americanos por dia, email, chamadas telefónicas e outras formas de comunicação. Já imaginou 1700 milhões? Temos esse aparelho agora instalado, com centenas de milhares, mais de um milhão de pessoas com habilitação de segurança máxima nesta espécie de estado de pesadelo, nesta espécie de estado à "1984". 

OS: Um milhão de habilitações de segurança máxima. É um número pesado. Noutras palavras, vivemos num aquário e penso que a parte triste é os jovens aceitarem-no. Estão habituados à 
invasão. E é verdade: como podemos estar a seguir as vidas de toda a gente? Mas, a verdade é que, em última instância, estamos a vigiar-nos. É um estado orwelliano. Pode não ser opressivo à superfície, mas não há onde nos escondermos. Alguma parte de nós acaba por ir parar algures a uma base de dados.


"Os EUA têm medo, temos medo do resto do mundo" 

PK: E pode ser opressivo à superfície. Uma das coisas que receávamos depois do 11/9 era que, se houvesse um segundo ataque importante do mesmo tipo, então a constituição iria à vida. A repressão seria horrível nessas circunstâncias. E esse medo obsessivo existe ainda. Os EUA têm medo, nós temos medo do resto do mundo. Gastamos tanto dinheiro com a nossa informação de segurança militar como o resto do mundo todo junto. Teremos inimigos de quem nos sintamos ameaçados? Precisaremos mesmo disso? Serão estas as prioridades que devemos ter? Não, pensamos que não, queremos mudar isso. 

RT: A destruição do primado da lei, especialmente o Acto de Autorização da Defesa Nacional, 
que erradica o devido processo legal, liberdade básica fundamental neste país. Quero trazer outro ponto interessante que me chocou realmente na série fílmica, que são os pilotos kamikaze. Eram corajosos, trata-se do ato mais corajoso que se pode realizar, mas então não consegui deixar de pensar nos bombistas suicidas de hoje e em Bill Maher, que foi franco e perdeu o seu programa por dizer que esses tipos são corajosos. E temos pessoas como Ron Paul levantar-se e falar da retaliação como uma realidade e ser ridicularizado. Como chegámos a este ponto, em que o discurso está tão controlado que não conseguimos sequer reconhecer verdades como essas? 

OS: Primitivo, evidentemente. Houve uma idolatria cega pelos militares e pelo patriotismo. Acredito muito no militar forte, mas para defender o nosso país, não para invadir outros países e conquistar o mundo. Penso que há uma grande diferença que foi esquecida: a moral. Quando se despreza a lei, como o Einstein uma vez disse, o país deixa de obedecer às suas leis, as leis são desrespeitadas. Por isso, parece que teremos perdido a moral fundamental algures ao longo do nosso caminho recente e agora o que conta é a eficácia. Podemos matar Bin Laden sem ter que o levar a tribunal, podemos fazê-lo sem mais nada? Essa mentalidade do "fazê-lo" é justificada mentalmente pelos fins e é aí onde os países erram e as pessoas erram. Tudo na nossa vida são equações morais. O fim justifica os meios? Não, nunca justificou. 

PK: E o outro lado da pergunta é relativo aos constrangimentos sobre o discurso político neste país. Porque estão as pessoas tão desinformadas? É disso que tratamos na série. Se as pessoas não compreendem a sua história, então não têm qualquer visão do futuro e do que é possível. Se pensam que o que existe agora, a tirania de agora, é tudo o que é possível, então não podem sonhar o futuro. Não conseguem imaginar o futuro que seja diferente do presente. É o que digo: as pessoas têm que compreender o passado, porque quando se estuda o passado pode-se conceber um futuro que seja muito diferente.

Estivemos em muitas ocasiões perto de seguir em direcção muito diferente para o futuro. Estivemos muito perto em 1944-1945 de evitar o bombardeamento atómico e de potencialmente não ter o tipo de Guerra Fria que tivemos. Estivemos muito perto em 1953 de acabar com a Guerra Fria a seguir à morte de Staline. Estivemos perto em 1963, quando Kennedy foi assassinado, de terminar a guerra no Vietnam, de terminar a Guerra Fria, para seguir numa direcção muito diferente. Então, houve os anos Carter, novamente uma possibilidade de direcção diferente. E, no fim da Guerra Fria em 1989, Gorbatchev solicitava Bush. Agarrou Bush o ramo de oliveira que Gorbatchev lhe estendia? Não, muito pelo contrário. O que fizemos, em vez disso? Aplaudimos os soviéticos por não invadirem os países que se libertavam da União Soviética e depois invadimos o Panamá e a seguir o Iraque. 

Assim, dizemos que "é fantástico mostrarem contenção, mas nós não vamos fazê-lo porque somos hegemónicos." Conforme disse a secretária de Estado de [Bill] Clinton, Madeleine Albright, "se os EUA usam a força é porque somos os Estados Unidos da América, a nação 
indispensável. Vemos mais longe e estamos mais alto que os outros países." É essa atitude que o Oliver e eu desafiamos. Este sentido do excepcionalismo americano, de que os EUA são uma cidade na colina, a dádiva de Deus à humanidade e que o que fazemos está certo não é aceitável.


"Queremos o país a começar a pensar de novo nas grandes questões" 

OS: É muito engraçado, porque o livro saiu há poucas semanas, a série tem estado a passar vai para cinco semanas. Vamos aos programas da TV, sentamo-nos naqueles bonitos cenários e eles estão sempre a correr, a correr. Apanham notícias de Gaza, apanham Obama e perguntam-nos sobre que é que falamos. História? O que tem isso a ver com a atualidade? Qual é a vossa questão? Estamos ali sentados, cheios de paciência, e é muito bizarro para mim eles dizerem que o passado é o prólogo, quer dizer que tudo aconteceu antes e que se formos espertos vemos as coisas com mais calma e não nos exaltamos. Também defendemos que este tipo de media é controlado pelo dinheiro, pela ganância. Tem-se um programa que não é um programa de notícias, é sobre cotações e sobre como se pode ganhar, tudo com muita pressa, com muito zoom e muitos cenários de fantasia, e as pessoas vêem. O objectivo é continuar a mexer, não pensar, apenas continuar a mexer.

PK: Num programa assim, podíamos discutir as questões um pouco mais em profundidade, um pouco mais criticamente. 

RT: Se fizessem um filme sobre esta geração de agora, qual pensam ser a faceta mais negligenciada ou mal apresentada? 

OS: Sobre a geração mais nova, não sei. Tenho três filhos. Penso que é uma história eterna, de certa maneira. Independentemente das pessoas terem moral e consciência idênticas, os padrões reemergem sempre. Os jovens rapazes e raparigas querem fazer o seu caminho no mundo e isso não está longe daquilo pelo qual passámos. Por isso, acredito numa história cíclica e penso que os meus filhos vão passar pelo que eu e o meu pai e a minha mãe passámos. Olho sempre primeiro para esses padrões para lá do superficial.

PK: Vejo que os meus alunos seguem com muito interesse o que se passa no mundo. Fazem muito trabalho voluntário. Mas, o que vejo nesta geração, como na minha geração e do Oliver, é que tratam dos sintomas. Não fazem perguntas sobre a causa raiz de todos estes problemas. Interessam-se, tentam mudar as coisas, mas é superficial. 

O que os desafiamos a fazer é olharem para os padrões. Olharem para o que aconteceu desde os anos 1890 até hoje. Olharem para a consistência das guerras, das intervenções, das despesas militares, da paranóia, do medo dos estrangeiros, da opressão. E chegar à raiz, ao 
que faz o sistema como um todo ser doente em certos aspectos e como poderemos nós eliminar essas causas mais fundas. 

Agora, que compreendemos, podemos começar a mudar. O movimento Occupy fez algo do que foi feito em tempos nos anos 30, 70-80 e 60, quando as pessoas desafiavam a essa escala. Queremos que o país comece a pensar de novo sobre essas grandes questões: o que foi o nosso passado, como chegámos aqui, quais as possibilidades para o futuro, o que fizemos de errado e o que podemos fazer certo? 

RT: Pensam que as superficialidades do pensamento convencional que ouvimos são perpetuadas para nos manterem num perpétuo estado de guerra? 

PK: Não sei se é tão deliberado, mas parece ser esse o efeito: embrutecer a população ao ponto de não conseguirem pensar criticamente e então pôr-lhes qualquer coisa à frente dos olhos. Têm um intervalo de atenção de cinco minutos e uma memória de cinco minutos sobre o que aconteceu no passado. Dizemos que aprendam a nossa história, que a estudem e pensem que alternativas existem, que pensem de maneiras utópicas como o mundo podia ser diferente, como podia ser melhor se começarmos a organizá-lo racionalmente no interesse das pessoas, não no interesse do lucro, não no interesse da Wall Street, não no interesse dos militares, mas no interesse da nossa humanidade comum, os seis mil milhões de nós que ocupam este planeta.

OS: O modelo foi o da série O Mundo em Guerra (The World at War), feita pela BBC nos anos 70 sobre a II Guerra Mundial. A nossa tem 10 filmes, montados com cuidado, cada um com uma hora, com narração pura, música e por vezes clips de filmes que confirmam o nosso ponto de vista ou que não o confirmam. De qualquer modo, tentamos manter um andamento de que um jovem possa gostar como no cinema e que me agradou ter acontecido consigo. 



Tradução: Jorge Vasconcelos



Fonte: O Diário em www.odiario.info



Mafarrico Vermelho

A reindustrialização


Que esta gente minta porque sente a necessidade de ser eleita ou porque quer implementar as medidas capitalistas e liberais que os seus donos lhes encomendam já estamos habituados e não é nada de novo. Agora é a ideia passa pela necessidade de reindustrializar o país, ideia já defendida pelo Durão Barroso para toda a Europa. Parece ser uma boa ideia, reconstruir o tecido produtivo que paulatinamente, os mesmos destruíram ao longo das últimas décadas. A questão é o como? Liberais defendem que o Estado não deve fazer porque não lhe compete e os privados também não parecem interessados até porque a especulação financeira rende muito mais dinheiro e com muito menos investimento, trabalho e riscos. Claro que há uma solução, a mesma de sempre, o Estado entra com o dinheiro, ou seja nós, e os privados ficam com os lucros. Nós todos vamos andar a pagar o enriquecimento de alguns, uma vez mais. Mas como é que o Estado vai ter dinheiro se está falido e com uma dívida enorme? Fácil, pede mais dinheiro emprestado, aumentando a dívida e o endividamento que depois nós teremos de pagar porque somos pessoas de bem,  honestas e cumpridoras dos seus compromissos,  mas que gastou acima das suas possibilidades. O ciclo repete-se, uma vez mais e uma vez mais os que já têm muito ficarão ainda mais ricos e os que pouco têm ficarão ainda mais pobres e miseráveis. As linhas de crédito para a industrialização devem estar prestes a rebentar por aí. 

CDS, o partido das dúvidas

O CDS não merece ser levado a sério. Aponta regularmente muitas dúvidas sobre questões estruturais da governação mas acaba sempre a dar- -lhes o seu aval. O CDS é tão responsável pela governação como o PSD, mas a verdade é que resiste melhor que o seu parceiro de coligação ao desgaste da mesma. Não há nenhuma razão objectiva para que isso aconteça. Nenhuma das decisões estruturais deste governo deixou de avançar por causa do CDS. Não foram as dúvidas de Paulo Portas que conduziram ao abandono das alterações à TSU, foi a oposição unânime de todo o país. Não nos podemos esquecer que Paulo Portas soube antecipadamente da medida e a aceitou. Só posteriormente se dirigiu publicamente ao país para dar uma grande mostra da sua deslealdade face ao seu parceiro de coligação. Nada mais mostrou com essa intervenção pública. Os resultados do CDS nas últimas sondagens são a triste prova da vitória do tacticismo sobre a verdade e a ética na política. Ainda ontem voltámos a conhecer mais dúvidas da parte do CDS sobre questões estruturantes da governação. Diogo Feio tem muitas dúvidas sobre a privatização da RTP, mas como acha que o CDS se deve posicionar face ao negócio? Não disse. A RTP acabará privatizada e, como sempre, o CDS caucionará essa decisão. Já o eurodeputado Nuno Melo quer saber o que pensam a Comissão Europeia e o BCE sobre a assunção pública do erro por parte do FMI, a propósito da avaliação do impacto das medidas da austeridade. Nuno Melo quer saber o que pensam a Comissão Europeia e o BCE. E sobre o que pensa o governo português, de que faz parte o CDS? Não quer saber? E que consequências, acha o eurodeputado Nuno Melo, o governo português deve retirar das conclusões do FMI? Nenhumas? Deve apenas esperar pelas respostas da Comissão Europeia e do BCE às suas perguntas? O que o partido mais à direita do espectro partidário português faz sistematicamente é brincar à política. Bate na água mas nunca com a força necessária para fazer ondas. É um tigre de papel.

(crónica publicada às quartas-feiras no jornal i)
Ladrões de Bicicletas 

Estrangeirismo dublado. - video


Alvorecer no Vale de Santo António.

. . . 
.
.



 
«Estavam ali diante dos meus olhos: era terrível e ao mesmo tempo fascinante. Ao princípio pensei que ele a estava a matar, logo a seguir percebi que não, que talvez ambos estivessem a morrer, só depois qualquer apelo distante se fez carne em mim.» (Fábula, Eugénio de Andrade)
.
.
,
Deviam ser umas três da tarde, ficara em casa para me concentrar num trabalho que tinha de entregar com urgência, mas há mais de uma hora que um qualquer desconforto não me largava o ouvido fundo. A princípio julguei que fossem efabulações auditivas, depois percebi que não, que havia efectivamente uma toada longínqua que, como uma vaga em cadência incerta, me ia entrando janela adentro. Pensei então que fosse uma gata com cio ou o ganir de cães destorcido pelo arco do vale. Convenci-me disso e tentei abstrair-me. Pus um CD a tocar e voltei a concentrar-me. Fiquei toda a tarde na varanda debruçado sobre o trabalho, mas de vez em quando lá vinha o rumor que quanto mais o dia avançava mais se sobrepunha à música que eu ia fazendo aumentar de volume. Ao cair da noite não havia mais como abafá-lo, numa regularidade imprecisa, mas que nunca ultrapassava os vinte, trinta minutos, lá vinha ele: cada vez mais próximo, arrastado, plangente. Só então que percebi. Uma vizinha tinha-me dito que estava previsto para o dia de Natal, enterneci-me com a ideia: um menino Jesus. Poucos dias antes do Ano Novo encontrei-os na rua, há já algum tempo que não a via e fiquei perplexo: pareceu-me uma violência que aquele corpo frágil com pouco mais de metro e meio tivesse que suportar o globo mundo, confrangi-me por não a ter achado linda como sempre, e por ver-lhe os olhos exaustos de um tempo e de um peso insuportáveis. Limitei-me a fixá-la estupefacto, não me ocorreu nada de agradável para dizer. Doce e benévola, ela reconfortou-me: «É para breve». Embaraçado, tentei um dito espirituoso para aligeirar o momento e rematei: «Talvez venha com o ano». Nos dias seguintes estive mais alerta. Atento ao movimento das escadas, corria para espreitar no buraco da fechadura sempre que ouvia barulho no patamar. Mas do andar de cima apenas uns passos lentos sobre o soalho, por vezes, umas vozes espanholas num dia, um traquinar de crianças no outro. O ano veio e nada aconteceu. Até ontem à noite, quando um apelo distante se fez carne em mim levando-me finalmente a compreender de onde vinha o rumor da tarde. Ela estava ali, poucos palmos acima da minha cabeça, entregue ao rolar da maré vazante, marcando o ritmo das vagas com uma espécie de marulhar animal de fêmea agonizante. Os gemidos pareciam derramar-se sobre os meus ouvidos como água a ferver. De peito apertado, achei que sufocava, sem saber se de medo, excitação ou pasmo. Compassadamente, os clamores seguiram-se durante horas: graves, longos e ritmados como um cântico ritual. Por volta da meia-noite fui-me deitar já com aquele murmurar incorporado. «Quanto tempo pode durar um parto?», comecei a tentar lembrar-me da hora precisa em que tinha começado a ouvir o rumor e acabei por adormecer embalado nessa contabilidade. Dormi um sono inquieto, com a toada gutural a martelar-me a cabeça e o coração. Por volta das seis da manhã, as taquicardias começaram a instalar-se e deixaram de me dar posição na cama: acordei lentamente com aquela fugitiva ilusão que se tem na manhã seguinte à morte de alguém querido, de que tudo não passou de um sonho, que afinal nada aconteceu e que o dia que nos espera é o de sempre. Mas rapidamente um bramado agudo irrompeu quarto adentro para me anunciar que tudo se mantinha como há algumas horas atrás: enquanto eu dormira, no andar de cima conservara-se sempre acesa a vigília do alvorecer. Mas entretanto, o rumor havia-se transformado em frémitos cada vez mais sequenciais e profundos. Eram oito da manhã: «passaram-se quase 18 horas, isto não pode durar muito mais», pensei. Levantei-me e fui até à varanda esperar por qualquer coisa que não sabia bem o que poderia ser. Fiquei ali a olhar o vale. Quieto, calado, tremendo a cada uivo que chegava. Escondido por detrás de uma massa cinzenta de nuvens, o sol projectava os seus raios sobre o rio produzindo uma explosão de luz semelhante a um espectro divino. Diante dos meus olhos o milagre quotidiano. Por cima de mim o silêncio. Subitamente o silêncio: o milagre da vida.

DArc

Médicos proibidos de prescrever medicamentos mais adequados aos doentes

Muitos doentes não estão a ter acesso à medicação mais adequada porque alguns hospitais não permitem a utilização de certos medicamentos por questões económicas. A denúncia parte do bastonário da Ordem dos Advogados, que considera que esta situação é “inaceitável”.
Durante um debate promovido pela Ordem dos Médicos (OM) sobre racionamento e racionalização de medicamentos, José Manuel Silva denunciou que “há médicos que estão, neste momento, a ser proibidos de prescrever aquilo que acham que devem para os doentes”
Como exemplo, o bastonário da OM apontou o caso dos novos medicamentos antivirais para a terapêutica da hepatite C que aumentam a taxa de cura da hepatite C em 30 % a 40 % e que foram aprovados com rapidez pela Agência Europeia do Medicamento devido ao seu “espetacular benefício na terapêutica”.
Para o José Manuel Silva esta situação “é, obviamente, inaceitável”.
O presidente da Associação Portuguesa de Bioética também se insurgiu contra esta prática, lamentando que haja em Portugal “hospitais com políticas diferentes” no que se refere ao acesso aos medicamentos.
“Não podemos permitir que dois hospitais separados por uma rua tenham políticas diferentes. Um dá um medicamento num determinado cancro e o outro não dá. Mas afinal quem é que manda neste país?”, questionou.
Durante o debate, o bastonário da Ordem dos Médicos teceu ainda críticas ao parecer do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (CNECV) sobre "a fundamentação ética para o financiamento de três grupos de fármacos, a saber: retrovirais para doentes VIH+, medicamentos oncológicos e medicamentos biológicos em doentes com artrite reumatóide", no âmbito da "necessidade de sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde (SNS)".  
custos com medicamentos, apresentado em Setembro, e que abre a porta ao racionamento de medicamentos que representem maior despesa para o Estado.
Ao abrir a porta ao racionamento de medicamentos que representem maior despesa para o Estado e ao entregar "de bandeja" ao Ministério da Saúde a última decisão sobre medicamentos o CNECV não está a fazer mais, segundo o José Manuel Silva, do que “um imenso frete ao Governo".
Nova centelha

RELATÓRIO MOEDAS

  

Em relação ao maquiavélico relatório do FMI, hoje a “coisa” é tema em tudo o que é noticiários, fóruns, redes sociais e afins. Tenho ouvido e lido de tudo, mais os indignados que os resignados, entre estes, surgem tipos/as que, sinceramente, devem ter caca de cão dentro da cabeça com um tal Moedas a encabeçar o rol de sacanas.

Por exemplo, no fórum da TSF, houve um animal a quem chamaram dout
 or, que afirmou mais ou menos isto:”…. o estado social não pode continuar como está, todos temos essa consciência (sic), como será possível dentro de DEZ/QUINZE anos, pagar os cuidados de saúde e reformas aos pensionistas que por essa altura ultrapassarão a população activa (sic), ora, a saúde terá de ser paga sem ajudas do estado e as pensões terão de ser substancialmente reduzidas…..” Ou seja, a ideia que fica, é que segundo este palhaço, velho é para abater pois dá despesa e não há retorno.

Começo a pensar que estamos a caminhar a curto prazo para qualquer coisa de tenebroso.
Mas, caros amigos/as, o genocídio já começou, ainda hoje o bastonário dos médicos veio afirmar que alguns médicos estão proibidos de receitar medicamentos “muito caros”(sic) a doentes hepáticos e não só.

Ferroadas

ÁRTEMIS - MITOLOGIA GREGA


Ártemis
A atribuição a Ártemis de traços de deidades pré-helênicas e cretenses mais antigas conferiu-lhe uma imagem multifacetada e ambígua.
Na mitologia grega, Ártemis era filha de Zeus e de Leto e irmã gêmea de Apolo.
Tida como virgem e defensora da pureza, era também protetora das parturientes e estava ligada a ritos de fecundidade; embora fosse em essência uma deusa caçadora, encarnava as forças da natureza e tutelava as ninfas, os animais selvagens e o mundo vegetal. Cultuada sobretudo nas áreas rurais, na Ática enfatizou-se seu caráter de "senhora das feras", na ilha de Eubéia foi considerada protetora dos rebanhos e no Peloponeso reconheceu-se seu domínio sobre o reino vegetal e ela foi associada à água vivificante.
Apesar dessa imagem protetora, Ártemis exibia facetas cruéis: matou o caçador Órion; condenou à morte a ninfa Calisto por deixar-se seduzir por Zeus; transformou Acteão em cervo para ser despedaçado por sua própria matilha e, com Apolo, exterminou os filhos de Níobe e Anfião, para vingar uma suposta afronta. Suas ocupações principais eram a caça e a dança, no que se fazia acompanhar das Ninfas.
Ártemis tinha diversas representações.
As cópias de sua estátua no templo de Éfeso, uma das maravilhas do mundo antigo, correspondem ao modelo das chamadas deusas-mães e apresentam muitos seios, símbolo de fecundidade.
Na Grécia clássica foi representada com longa túnica e arco retesado, enquanto na época helenística exibia túnica curta e aljava, seguida por uma matilha ou um filhote de cervo.
Essa imagem foi também a mais comum em Roma, que identificou Ártemis com Diana.
Fonte: www.nomismatike.hpg.ig.com.br
Ártemis

Deusa grega da caça, dos bosques e dos animais selvagens, Ártemis era filha de Zeus e de Leto e irmã gêmea de Apolo com o qual compartilhou a perseguição de Hera, a legítima e ciumenta esposa de seu pai.
Logo após seu nascimento, Ártemis procurou o rei do Olimpo e suplicou-lhe não jóias, nem adornos ou atrativos, mas curta túnica que pudesse cobrir seu corpo esbelto, sapatos de caçadora, aljava, flechas e arco.
E mais: quis a virgindade eterna, abundância de nomes e um grandioso séqüito de Oceânidas e Ninfas.
E por fim pediu: "Entrega-me as montanhas. Nelas habitarei." Zeus sorriu, acariciou a filha e aquiesceu. Ártemis foi aos Ciclopes e pediu-lhes armas; ao deus Pã solicitou uma matilha de cães que a auxiliaria nas caçadas.
Em tudo foi atendida e passou a reinar na região montanhosa da Arcádia, onde se entregava à caça, sua atividade favorita.
Quando as coisas lhe pareciam monótonas, seguia para Delfos.
Na morada de Apolo participava do coro das Graças e das Musas.
Era a caçadora-chefe dos deuses e a deusa da caça e dos animais selvagens, especialmente os ursos.
Ártemis era também a deusa do parto, da natureza e da colheita.
Manteve-se casta porque, ao nascer, viu a dor e a agonia do parto da mãe e prometeu a si mesma, neste instante, jamais conceber.
Tal proibição se estendia às suas guerreiras, o que não as poupou das investidas, tanto de mortais quanto de deuses, como seu irmão Apolo.
Como deusa da lua ela, às vezes, foi identificada com as deusas Selene e Hécate.
Embora tradicionalmente seja a amiga e protetora das mulheres, especialmente as jovens, Ártemis impediu os gregos de navegar até Tróia durante a guerra até que eles sacrificassem uma virgem para ela.
De acordo com algumas histórias, justamente antes do sacrifício, ela salvou a vítima, a jovem Ifigênia.
Como Apolo, Ártemis se armava de arco e flechas, e freqüentemente punia mortais que a ofendiam. Diziam que ela oferecia, às mulheres jovens que morriam nos partos, uma morte rápida e sem dor.
Fonte: www.mauxhomepage.com

Alicerces do capitalismo social laico-cristão

Alicerces do capitalismo social laico-cristão
por Jorge Messias
 
 
«Uma nova Concordata traduzirá, como se espera, no domínio próprio da cada uma das partes (comunidade política e Igreja) o serviço da vocação pessoal e social dos mesmos homens. E tanto mais eficazmente exercitarão esse serviço quanto melhor cultivarem entre si uma sã cooperação, tendo em conta as circunstâncias do lugar e do tempo» (José Policarpo, cardeal Patriarca, Outubro 2012).

«É importante que tenhamos a noção de que o Estado não poderá chegar a todas as situações se não tiver a humildade de pedir ajuda a quem nasceu para ajudar… É isso que estamos empenhados em fazer. Com as Misericórdias, a acção social é muito mais eficaz porque é feita de parceria !» (Pedro Mota Soares, ministro da Solidariedade e Segurança Social, X Encontro das Misericórdias).

«Mais do que irmos à procura de novos parceiros, cuidamos dos que temos. Porque entendemos que quando as empresas confiam no BACF, têm a expectativa de que a relação de parceria vai ser acarinhada. O que fazemos é cuidar dos nossos parceiros... Em Portugal, o Banco Alimentar (BACF) e 19 outros BACF ajudam uma rede distribuidora de 2047 instituições de solidariedade social, às quais fornecem ferramentas de gestão e organização, voluntários (através da Bolsa de Voluntariado e bens não alimentares, garantidos pelo Banco de Bens Doados). Temos estruturada uma rede de apoios e alimentos, competências e voluntariado qualificado» (Isabel Jonet, presidente do Banco Alimentar, jornal OJE, 22.12.2011).
 

Ser-se solidário para com os que mais precisam, é direito de cidadania. Organizar essa intervenção no sentido da conquista de maior lucro e de mais poder, representa prática intolerável. 


Qualquer reflexão que possa ser feita sobre os conteúdos e objectivos do Banco Alimentar Contra a Fome não deve esquecer que ele faz parte de uma central católica mundial que, na Europa, declara interligar 26 810 ONG e IPSS. Este movimento inscreve-se no quadro mais alargado do Voluntariado Cristão que no seu todo mobiliza alguns milhões de pessoas. Baseado no trabalho gratuito, o movimento favorece o entendimento entre os desapossados e as grandes empresas exploradoras e procura servir de almofada à luta de classes. Os BACF adoptam a estrutura empresarial capitalista e estabelecem-se como lóbis não lucrativos ligados por protocolos a grupos económicos que se movimentam na esfera ferozmente lucrativa dos monopólios.

Isabel Jonet, actual presidente do Banco Alimentar português reconhece implicitamente a natureza de classe destas instituições ao afirmar, em crise aberta do capitalismo, que os BACF são bases logísticas do mundo patronal. Entre nós, a constituição do primeiro banco alimentar (1991) é recente, tendo permanecido na sombra na sua fase inicial. Vivia-se então em tempos de vacas gordas e a grande crise era uma realidade oculta. A sua imagem real não tinha chegado ao povo. O poder político apelava ao consumismo e ao recurso ao crédito fácil.

Só mais tarde, a partir da primeira década dos anos 2000, com o desmoronar da economia europeia e o agravamento brutal do desemprego, a intervenção político-social dos bancos alimentares ganhou as honras das primeiras páginas. O plano visava pôr em prática a doutrina da Igreja como alternativa à intervenção do Estado Social. Assim, os BACF só cresceram à custa das angústias causadas nas famílias pelo brutal saque promovido pelo grande capital.

Foi um percurso extremamente contraditório: a acção social católica aceitou, em nome do combate à miséria, aliar-se àqueles que promovem a pobreza; e todo o edifício caritativo entretanto erguido, embora afirmasse o respeito pelos realizações do Estado Social, ia destruindo as suas instituições. Com intimidações e falsas promessas. Assim se percebeu que as metas a atingir seriam, pura e simplesmente, o controlo da revolta popular e a substituição da natureza do Estado.

O projecto do Banco Alimentar surgiu na área dos Jesuítas e foi nela que se estruturou. Porém, todo o aparelho assim instalado seria aparentemente autónomo e alheio a pressões e influências político-partidárias, estatais ou religiosas.

A realidade mostrou ser o oposto de tudo isto.

O Banco Alimentar contra a Fome apresenta-se à opinião pública como um espelho das virtudes cristãs. Mas como o mundo é cada vez mais pequeno, são já conhecidos detalhes das suas actividades que mostram o que se passa nos bastidores da acção: o BACF é financiado pelo Estado (1,2 milhões de euros, só em 2011 ), pelo Programa de Ajuda a Carenciados, dos fundos comunitários, pelos 80% das pensões que os pensionistas dos chamados «lares» (quase todos da Igreja) pagam como renda, por misteriosas verbas contabilizadas como «proveitos», etc. Acrescente-se, de passagem, que o BACF é uma IPSS e, como tal, não paga impostos.

Noutro sentido, os «donativos» recolhidos nunca são directamente entregues pelo banco aos mais carenciados. O BACF limita-se a distribui-los pelas IPSS ou outras instituições designadas pelos seus gabinetes técnicos (quase todos provenientes da Universidade Católica): lares, centros de dia, centros paroquiais, conferências vicentinas, etc., todos ou quase todos eles de obediência católica.

O Banco Alimentar é uma espécie de placa giratória que anima mercados e financia os cofres da caridade católica.
 
 
Fonte: Jornal Avante em www.avante.pt
 
 

E eles tão inocentes coitadinhos não sabiam que era ilegal ! só agora

PGR diz que é ilegal a Polícia pedir imagens à televisão


Manifestação de 14 de novembro do ano passado

O parecer que o ministro da Administração Interna pediu à Procuradoria diz que "não é admissível" a interpelação dos media sem ordem do ministério.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) entende que "não é admissível" que as polícias visionem imagens captadas pelas televisões para identificar autores de crimes.
A PGR considera que tal "interpelação" só poderá ser feita com o aval do MinistérioPúblico (MP) ou ordenar a quem tenha o controlo desses dados que os preserve.
O parecer da PGR foi entregue hoje ao ministro da Administração Interna que o tinha solicitado na sequência da polémica sobre o visionamento na RTP, por agentes da PSP, das filmagens dos confrontos de 14 de novembro, junto da Assembleia da República que levou à demissão do diretor de informação do canal público.
Miguel Macedo tinha perguntado se, no âmbito de uma investigação criminal, a polícia podia aceder ao material "em bruto" das televisões para poder identificar os autores das pedradas contra a polícia e causaram incidentes na via pública, incendiando contentores e partindo montras.
Para a PGR este procedimento "a solicitação de imagens captadas e na posse de órgãos de polícia criminal é matéria de competência reservada das autoridades judiciárias, independentemente de as imagens estarem protegidas por sigilo profissional do jornalista ou não".