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sexta-feira, 4 de janeiro de 2013


PRIORIDADES



Já nada admira na baixa política que tem sido praticada, e a afirmação de que o aumento do salário mínimo nacional “não era uma prioridade” para a maioria, quase passou despercebida na opinião pública.

Os salários em Portugal são em regra dos mais baixos de toda a Europa, exceptuando-se os grandes cargos de gestão das grandes empresas nacionais. Neste momento já estamos na competição com a Roménia, o que não é um bom cartão de visita para a maioria que sustenta o governo.

Podia salientar que o governo tem como prioridade a médio prazo, disse-o o ministro, diminuir o IRC, e até já existe uma comissão para criar uma nova tributação mais leve, onde pontua um ex-deputado do CDS com ligações conhecidas a grandes empresas.

Claro que nada descreve tão bem as prioridades deste governo como a “ajuda” ao BANIF, que foi decidida com a maior celeridade, sem sequer serem conhecidos os contornos da operação, que envolve uma quantia superior a mil milhões de euros.



CENTAURO (II) MITOLOGIA GREGA


Centauro
Na mitologia grega, os centauros eram a personificação das forças naturais desenfreadas, da devassidão e embriaguez.
Centauro era um animal fabuloso, metade homem e metade cavalo, que habitavam as planícies da Arcádia e da Tessália. Seu mito foi, possivelmente, inspirado nas tribos semi-selvagens que viviam nas zonas mais agrestes da Grécia. Segundo a lenda, era filho de Ixíon, rei dos lápitas, e de Nefele, deusa das nuvens, ou então de Apolo e Hebe.
Em ambos os casos parece clara a alusão às águas torrenciais e aos bosques.
A história mitológica dos centauros está quase sempre associada a episódios de barbárie. Convidados para o casamento de Pirítoo, rei dos lápitas, os centauros, enlouquecidos pelo vinho, tentaram raptar a noiva, desencadeando-se ali uma terrível batalha.
O episódio está retratado nos frisos do Pártenon e foi um motivo freqüente nas obras de arte pagãs e renascentistas.
Os centauros também teriam lutado contra Hércules, que os teria expulsado do cabo Mália.
Nem todos os centauros apareciam caracterizados como seres selvagens. Um deles, Quirão, foi instrutor e professor de Aquiles, Heráclito, Jasão e outros heróis, entre os quais Esculápio.
Entretanto, enquanto grupo, foram notórias personificações da violência, como se vê em Sófocles. Nos tempos helênicos se relacionavam freqüentemente com Eros e Dioniso.
As representações primitivas dos centauros os mostram como homens aos quais se acrescentava a metade posterior de um cavalo.
Mais tarde, talvez para realçar seu caráter bestial, só o busto era humano. Foi esta a imagem que se transmitiu ao Renascimento.
Fonte: www.nomismatike.hpg.ig.com.br

Centauro



Centauro


Eu sei, mas não devia

Marina Colasanti

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez paga mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.

(1972)

BAPTISTA-BASTOS

Resistir, nunca desistir

por BAPTISTA-BASTOS02 janeiro 2013
Entrámos no ano de todos os perigos e de todos os medos. Ninguém ameniza as perspectivas, e o primeiro-ministro acentuou a nossa angústia afirmando que nunca as coisas, depois do 25 de Abril de 74, tinham estado tão escuras. Os seus apaniguados, contentíssimos, aplaudiram as declarações, considerando-as sinal de honrada "transparência". Esqueceram-se, evidentemente, de que, à esquerda e à direita, gente altamente qualificada e sensata já advertira da tragédia próxima. E Passos Coelho continua a não reconhecer, claramente, o que a aplicação da ideologia neoliberal nos tem feito. Nem o que essa ideologia significa de risco para a própria democracia, cada vez mais acanhada até ao ponto de constituir uma humilhação e um desespero intoleráveis para quem nela acredita.
O ano traz, portanto, malvados prenúncios. E, embora sabedor da nociva sorte que nos aguarda, Passos Coelho não move uma palha para inverter a funesta tendência. Não move ou não sabe mover. A representação do poder demonstra enorme desprezo pelos protestos de rua, pelos movimentos de massas (o 15 de Setembro testemunhou a recusa da apatia e da resignação, pelas razões que em si mesmo comportava), pelos depoimentos e pelas declarações veementes de economistas, sociólogos, políticos, alarmados com o caminho para o desastre a que o País é impelido. Interpelado sobre se a população aguenta o caudal de restrições, impostos e constrangimentos, o banqueiro sr. Ulrich admitiu: "Aguenta! Aguenta!", num escabroso convencimento, a roçar o insulto e o impudor. É em criaturas deste jaez e estilo que o primeiro-ministro se apoia, pois elas mesmas caracterizam um dos pilares em que assenta a ideologia que defende.
A ideologia. Eis a questão capital. E o novo paradigma político e social, que nos tem sido imposto, inscreve--se nessa nova experiência do capitalismo, como emergência de sair da crise por si criada.
A regressão a que Pedro Passos Coelho nos obrigou contém uma incerteza dramática, que o atinge, atingindo-nos cruelmente. Ele abriu a caixa de Pandora e, agora, não sabe como fechá-la. É um tonto perigosíssimo. Arruinou a pátria, não somente a pátria política, social e económica mas, sobretudo, a pátria moral. Nem daqui a duas ou três décadas o desastre será remediado, diz quem sabe. O nefasto "rotativismo" ocultará ou dissimulará os erros e os crimes cometidos. Ninguém vai parar à cadeia, porque eles protegem-se uns aos outros, com o impudor de quem se reconhece acima de deus e do diabo.
É pungente assistir-se às torções do PS, como aos embustes, ao vazio de sentido dos discursos do PSD. Não desejo referir-me, neste texto, ao dr. Cavaco, por nojo e estrito resguardo mental. Desejo, isso sim, demonstrar o orgulho e a vaidade que sinto por pertencer a um povo como este, sofrido, cercado, mas decente e indomável.


Governo em luta – Abaixo a austeridade!!!


“Queixa-se” o Tribunal de Contas de que para os gabinetes ministeriais, incluindo o pessoal que vai de ministros e ministras a secretários e secretárias, passando pelo exército de assessores... não dão cavaco à austeridade e seguem gastando como sempre, como se não houvesse amanhã.
“Queixa-se”, sobretudo, o Tribunal de Contas, da ausência de “transparência”. Que o pior dos benditos orçamentos dos ministérios... é serem completamente opacos. “Transparentes” como velhos muros de pedra.
Confesso que não entendo certas pessoas!
Então não é natural que os homens e mulheres que, abnegadamente e com grande sacrifício pessoal têm governado o país há décadas, muito especialmente estas pobres vítimas que estão no governo agora tentando remediar o caos em que estamos (obviamente causado pelas suas e pelas minhas loucuras despesistas, caras leitoras e leitores)... não é natural, como dizia, que não tenham que estar sujeitos a essa coisa mesquinha da austeridade e da prestação de contas?!
Não é natural (e evidente) que o dinheiro à disposição de suas excelências os nossos queridos governantes, tenha que dar tanto para as despesas legítimas, como para coisas secretas, em casos de emergência e apenas a título de exemplo, comprar alguns “jornalistas” ou oferecer roupa interior a algum secretário, ou lingerie a alguma secretária?
Como raio é que querem que isso seja transparente?! Não, não estou a referir-me à lingerie! Refiro-me às contas!


O silêncio dos inocentes

 
Casal da Formiga, vinte e nove de Dezembro de 2012.
 
Cinco minutos antes da hora marcada para o jantar, ouvi um grito descendo a chaminé seguido de um estrondo na lareira. Por entre uma nuvem de cinza e fuligem, a voz rouca de um ancião, entrecortada por uma tosse irritante provocada pelas partículas em suspensão, vociferava alguns impropérios – “Foscasse! C’um caraifo! Eu já não tenho idade p’ra estas m.... caraifos!”
Tentei afastar a poeirada agitando os braços com gestos largos e estendi a mão na direcção do Pai Natal. Ignorando o meu gesto levantou-se a custo e tentou compor a farpela e a aparência, ajustando o cinto à proeminente barriga e passando as mãos pelo fato amarrotado e pela barba em desalinho. Curiosamente, o barrete intacto e imaculado continuava no seu sítio, bem fixo à cabeça grande e redonda, deixando cair grossos caracóis de cabelo grizalho que emolduravam uma cara patusca e rosada.
- Obrigado por ter acedido ao meu convite para jantar, Pai Natal – disse-lhe eu em jeito de boas-vindas.
- De nada meu rapaz, é um prazer.
Sentámo-nos à mesa e começámos a depenicar pequenos pedaços de queijo e de presunto que a Lurdes Rata tinha cortado com a delicadeza de um lenhador. Servi-lhe um tinto alentejano e indique-lhe o cesto do pão.
- Diz lá meu rapaz, o que pretendes de mim? Não te esqueças que o orçamento está curto…
Franzi o sobrolho e atirei a matar, há muito que ninguém me tratava por “meu rapaz”.
- Em primeiro lugar quero que fique bem claro que não acredito em si! Não é de agora…
Pai Natal engoliu uma côdea e tossicou. Levou o vinho aos lábios parecendo querer ganhar tempo para responder.
- Então por que é que me convidaste para jantar?
- Convidei-o porque sei que se sente só após a azáfama do Natal. Todos se lembram de si até dia 25, a partir daí é mais um velho para as estatísticas.
- Convidaste-me então por caridade…
Deixei escapar um sorriso maroto.
- Não se preocupe que não ponho fotografias do nosso jantar no facebook.
- Agradeço a tua sinceridade mas, se não acreditas em mim como é que poderemos ter um jantar agradável? Vamos permanecer calados?
Terminei um pedaço de queijo, limpei os lábios ao guardanapo e voltei a encher os copos, retomando o diálogo.
- O facto de não acreditar em si não quer dizer que não o estime. Sei que ainda faz muita gente feliz e por isso merece toda a minha consideração. Porém, outros há em quem não consigo acreditar, não lhes reservando qualquer estima.
Desta vez foi o Pai Natal a fazer um sorriso maroto.
- Referes-te ao Passos Coelho e à pandilha? Para que conste, esse tal Gaspar chegou a trabalhar para mim como duende. Era um bocado aldrabão... conheço-o muito bem!…
- Refiro-me a todos os vendedores de ilusões que nos fazem infelizes e descrentes. Há micro-deuses por todo o lado. Nem a minha cidade escapa.
- Enganar faz parte da natureza humana. Nunca enganaste ninguém?
Fiz um ar surpreendido, procurando bem no fundo da minha consciência semelhante culpa.
- Alguns maridos talvez - respondi com a inocência do miúdo que foi apanhado a ir ao frasco dos rebuçados – mas o meu problema não são essas pequenas bagatelas – retomei - o meu problema são outros, o futuro, a dignidade das pessoas, a confiança, a esperança, a felicidade. Tudo isso nos está a ser roubado por gente incompetente que nos engana de forma descarada. Vejo a mediocridade e a incompetência serem premiadas e os mais capazes a serem despejados borda fora. Vejo muitos idiotas cheios de ideias. Estou farto! Farto!
O Pai Natal passou os dedos compridos pela barba manchada de fuligem e retorquiu com os olhos semi-cerrados - mas tu acreditas que é possível viver num mundo em que as pessoas se preocupem mais com os outros do que com elas próprias? Que ponham o bem comum acima do bem individual? Que olhem para as suas capacidades como forma de ajudar os outros? Em que os mais capazes sejam os líderes?
- Acredito, porquê?
- Ho, ho, ho! Então deixa-me que te diga uma coisa meu rapaz, tu ainda acreditas no Pai Natal!… Ho, ho , ho!
Fixei os olhos no prato e não fui capaz de replicar. A crueldade das palavras do Pai Natal abateram-se sobre mim como um cutelo. Inadvertidamente tinha dado a última machadada na réstia de ingenuidade que ainda havia no “rapaz” de cabelos grisalhos com quem partilhava a refeição, e ele sentia-o. “A verdade é tanto mais cruel quanto maior a nossa consciência da realidade” – pensei.
Concluímos a refeição sem voltarmos a abrir a boca. Despedimo-nos.
Temendo novo embaraço, insisti para que saísse pela porta da frente. Anuiu. Levou os dedos à boca e assobiou. Volvidos poucos segundos três pares de renas puxando um trenó topo de gama estacionaram em frente ao portão pequeno. Acenou-me pela última vez e despareceu na noite do Casal da Formiga.
Voltei para dentro e rememorei a canção do Zé Mário Branco:
Cá dentro inquietação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Mas sei
É que não sei ainda
Há sempre qualquer coisa que eu tenho que fazer
Qualquer coisa que eu devia resolver
Porquê, não sei
Mas sei
Que essa coisa é que é linda
Tomei os hipnóticos do sono e deitei-me. Dormi que nem um anjo. Sonhei toda a noite com guloseimas, chupa-chupas, rebuçados, chocolates, brincadeiras de criança. E com gajas.
 


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Neste país onde crianças vão para a escola com fome, os verdadeiros burlões vivem nos bastidores

Silêncio da fraude/ João Pedro Martins in Visão

Quando Colin Powell afirmou nas Nações Unidas que os EUA possuíam imagens de satélite que provavam a existência de armas de destruição maciça, enganou a ONU para ter luz verde para invadir o Iraque e matar Saddam Hussein.

Quando Durão Barroso recebeu Bush, Blair e Aznar na estranha cimeira das Lajes, fez batota com os eleitores depois de ter abandonado o país e foi recompensado com um salário milionário em Bruxelas.

Quando Sócrates anunciou mais 150 mil postos de trabalho se fosse primeiro-ministro, as estatísticas vieram demonstrar que a demagogia não faz milagres depois das eleições.

Quando Pedro Passos Coelho queria ser aprendiz de governante e Paulo Portas apregoava a moralidade fiscal, ambos juraram a pés juntos que não aumentariam os impostos. Bastaram poucos dias no poder e a cassete pirata foi trocada pelo discurso de austeridade.

Quando Artur Batista da Silva enganou a imprensa com um discurso estruturado e fez propostas para renegociar a dívida com a troika, o Ministério dos Negócios Estrangeiros decidiu investigar este falso consultor do Banco Mundial e funcionário de contrafação da ONU. A TSF retirou a entrevista de antena e o diretor-adjunto do Expresso juntou-se ao coro de lesados e pediu desculpa aos leitores. Afinal, o homem era um burlão com currículo.

Até agora ninguém explicou por que razão é possível branquear peças jornalísticas apenas porque cidadãos são investigados pelas secretas e se deixa de fazer o trabalho de casa antes de se pôr notícias no ar.

O que todos ficámos a saber é que quando um contribuinte critica as políticas do governo à frente de uma câmara de televisão ou de um microfone da rádio, há sempre alguém na sombra para remexer no seu passado e preparar o linchamento na praça pública.

Neste país onde crianças vão para a escola com fome, os verdadeiros burlões vivem nos bastidores e são peritos em envenenar a fonte quando a água se torna imprópria para consumo público.

A redução coerciva dos rendimentos das famílias e a ausência de vida profissional para os jovens licenciados não são simples fraudes, são burlas legais do tamanho de uma mentira que todos conhecem, mas que ninguém acreditava antes das eleições.

Será que quando um pequeno burlão denuncia um crime, como as parcerias público-privadas ou as taxas de juros imorais, é menos credível do que um alto funcionário das Nações Unidas ou do Banco Mundial?

Para perceber esta verdade não é preciso tirar uma licenciatura à pressa na universidade. Mais difícil de compreender é o facto de as Nações Unidas, através do Programa de Ajuda Alimentar Mundial, ter contratado uma empresa-fantasma acabada de criar no offshore da Madeira e derretesse toneladas de euros em serviços de logística para suposta ajuda humanitária.

A empresa-fantasma chamava-se Everywhere e estava sediada na mesma morada onde os jogadores de futebol Xabi Alonso e Mascherano se divertem no jogo da fuga legal aos impostos.

Só que neste negócio de milhões não houve um único cêntimo a cair no prato daqueles que morrem à fome.

uma reportagem de 2010 - o banho do Vinte Nove



O Banho do Vinte Nove 2010

Banho do Vinte Nove - 2010
No Banho do Vinte Nove, pr'mêro, rapimpamos-se com o decomerzinho qu' a gente leva...
Este ano ninguém teve desculpa p'a nã ir ô Banho do Vinte Nove. Carruaja havia com fartura qu' a Junta e aCam'bra trataram disso c'm' fazeram ôs ôtros anos. O tempo 'tava do melhor, amoroso qu' até dava gosto, que nem uma arajazinha se sintia. E, méme que muntos digam qu' isto 'tá mau, qu' a coisa 'tá ruim, eles inda vão p' aí pagando as reformazinhas à famila... Que jêto a gente nã s' ir ad'vertir?!...

Foi o qu' ê cá fiz más a minha Maria e uns tantos amigos. E nã dí o tempo p'r mal impregue. Nem ê cá, nem eles. Eles, digo ê cá, que a maior parte era elas. E elas, c'm' mecêas sabem muntíssemo de bem, quáisempre, inda são mái danadas p'à galhofa do qu' ôs homens. E p' ôs que nã querem crer, olhem bem p'ôs retratos qu' ê cá tirí e p' ôs filmes qu' a minha mánica tamém fez que logo vêem s' a r'zão 'tá do mê lado ó se nã 'tá.

D'zer a verdade, já ia p'a uns dôs anos qu' ê cá nã punha lá os pés. Nã que nã gostasse d' ir sempre, mái atão as coisas nem sempre calham a nosso favor... Olhem, o ano passado, nã sê se fui ê cá se foi a minha Maria - ó saria-se os dôs... - 'tava-se com uma catarrêra que nem pensar em sair do monte. De manêras que f'camos p'r 'qui. E há dôs anos, se nã 'tô atribuído, o tempo béque-me 'tava chuvoso que nã deu p'a se fazer nada de jêto.
Banho do Vinte Nove - 2010
... muntas das vezes, méme p' à famila da alta, até umas papas mirôilas dã jêto. E sâ gostosas, nã cudem...
Más olhem, desta vez, as coisas correram-me tã bem que nem tampôco tive precisão da via da Câm'bra. Nasbéspras, ó p'a melhor d'zer, quái uma semana entes, tive logo aqui a oferta dum amigo que me levava a mim e á minha Maria e mái os mês compadres. Foi o parente Cosme da Quinta.

'Tá bem qu' a via dele - uma camineta de caxa aberta e já um coisinho usada, ora usada, 'tá quái fêta num caneco - nã é lá grande coisa p'a um serviço destes, mái c'm' àquilo era p'a s' ir de nôte, tapados com o encerado qu' ele tem lá, e a Guarda, a essas horas, calhando, eram capazes de 'tar a comer qualquer coisinha e nã andarem aí na estrada a charingar um e ôtro, pegamos na gente e foi-se todos. E inda mái umapagela deles...

Iam tantos c'm' dez amalhòfados debaxo desse tal encerado. Tirando o chòfer, o compad'e Jôquim do Barranco e a c'mad'e C'stóida, qu' esses, foram na cabine más a minha Maria. Era ê cá, o Adelino da Desmoitada, um gozão do pior, o Arraúl Vàlise, o ti Luís Agúida que tem um mata-velhos mái nã anda de nôte que tem medo, o Martinho do Almarjão, alomeado p'r 'Pata-Rasa', o Tóino Luzicuco, semp'e de cigarro na boca, o parente Zé Caçapo, 'Verruma' l'e chamam, semp'e a sovinar, e fico-me p'r 'qui qu' os ôtros iam todosacuados ô canto do taipal e já nem m' alembra bem quem eles era...
Banho do Vinte Nove - 2010
... bebe-se-l'e, tamém, um calcesinho dela. Da boa, 'tá bom de ver...
Nôtres tempos, nã era nada disto. O mái que se podia arrenjar era um carro de besta com uns sês ó sete lugares, nã contando com o carrêro. Quem nã t'vesse carro de besta ó d'nhêro p' ô alugar, qu' era o que sedava com quái todos, ia a pé ó, calhando a terem um burro na arramada, amontavam-se nele, à vez, e passadas umas quatro ó cinco horas, chigavam o sê destino deles, na Praia do Vau.

Mái nã cudem, lá por isso, a galhofa nã f'cava nada atrás do qu' a famila faz hoje em dia... Mái p'ra más do que p'ra menes. Nã vêem, é qu' ir désna de Monchique - levem bem repáiro que d'zer Monchique é o mémo que falar na Serra toda. É o concelho duma ponta à ôtra. - até à Praia do Vau de carro de besta ó a pé inda levava umas belas horas e a famila tinha qu' ir logo adiantando algum serviço.

De manêras que, ia-se andando e c'mendo. Uns p'xinhos da hortauns coisinhos de chôriça, uma f'lhòzinha, umas coisinhas assim... E p'a impurrar isso p'as goélas abaxo e nã imbassar, o qu' é qu' uma pessoa podia fazer?... 'Tá claro, bebia-l'e uns porrêtes... Ora aquilo dava cá uma influêinça!... Nem o caminho custava a andar...
Banho do Vinte Nove 2010
... charola-se e balha-se um belo pôcachinho p'a desmoer a pelharcada... 
Esta conversa fez-me vir à idéa o que se deu desta vez. O Tóino Luzicuco, semp'e com a mania do tabaco, que nã pode passar, 'tava-se a gente todos munto bem sa senhora boa vida amalhòfados debaxo do incerado, puxa da sua onça 'Àguia' dele e do sê livro de papel béque-me da méma marca, tira uma mortalha, despeja-l'e um coisinho de tabaco p'a drento e vá d' inrolar. Pensí cá pra mim:

- Nã me digam qu'este saganheta vai-se pôr a fumar aqui mémo num sito destes...

Inrolô, inrolô... passô-l'e cuspinho com a língua na ponta da mortalha, deslizô-l'e o dedo duma ponta à ôtra p' àquilo colar, deu umas batidinhas com a ponta do cigarro na unha do dedo grande - há quem l'e chame omata-piolhos... - e pôse-o na boca. Pensí:

Ehq, aquilo, calhando, é só p'a ele matar o viço e nã no acende, se nã a gente cuda de morrer aqui com falta d' ar e desata tudo a tossir.

Qual o quem?!... Tã penas olho ôtra vez p'ra ele, já o marafado tinha tirado uma caxa de forfes da alsebêra e toca de tirar um forfe p' ô acender. Às escuras, o Tóino nã fechô bem a caxa. Ora, nesse mê tempo, o parente Cosme teve que fazer uma travaja a fundo - só mái tarde é que sube que se l' atravessô um bicho na frente da camineta. O Tóino inda riscô o forfesa senhora, e acendeu-o, mái atão, com o balanço, os ôtros des'parceram todos da caxa... Desata tudo numa risada:
Banho do Vinte Nove 2010
... e só despôs é que s' afituramos a ir p'a drento d' água...
- Ai Tóino que lá se foram as tuas acendalhas todas!... E, calhando, o cigarrinho tamém...

- Nã queria mái nada!... O cigarrinho 'tá aqui na boca e este forfe inda 'tá a arder. Dêxa-me lá acender o cigarro entes qu' ele s' apague...

- Olha lá nã sabes que nã é atorizado fumar im sitos fechados?!... Nã vês qu' isto aqui é c'm' se fosse lá navenda do Alferce... Eles lá dêxam-te fumar?...

- Nã vejo aqui nenhum papel na parede a d'zer o contráiro. De manêras que nã seponha com coisasMás a más qu' o sito é bem arejado...

E pôs-se a ver se dava panhado os forfes que tinham caído. Mái atão, com o vento que antrava p'a drento do encerado com o andar da camineta, adonde é qu' eles já 'tavam... Nem um...

- Bem fêta, qu' é p' à ôtra vez respêtares. E, agora, era bem fêto qu' o vento tamém te levasse o cigarro da boca.

E dí uma piscadela d' olho ô ti Zé Caçapo. Ele, p'r alguma r'zão l'e chamam o 'Verruma', intendeu logo, vai assim p' trás do Tóino Luzicucoc'm' quem nã quer a coisa, dá-l'e um toque de lado com uma mão, ele volta a cara, ô méme tempo, dá-l'e ôtro toque no cigarro com a ôtra mão, lá vai ele p'ros ares...

Otra risada im forte... Más aí, o Tóino f'cô um coisinho sintido e desatô a d'zer alarvidades. Se nã é o ti ZéCaçapo ser um homem duma certa idade, nã sê nã sê... Inda vi jêtos do Tóino se jogar a ele. Mái a coisa láatamancô e, dali a um nadinha, 'tava-se a chigar à Praia do Vau.
 Banho do Vinte Nove - 2010
... ô fim, volta-se p'ra casa, todos sastefêtos, com a trugia toda às costas...
Do que se passô lá méme na arêa da praia já mecêas hã-de saber. Foi tudo munto ad'vertido, a famila incheu tudo o bandulho até mái não, de coisas p'a bober só f'cô lá a água do mar. Quái todos balharam, cantaram euns tantos que t'veram mái foiteza sempre se jogaram à água p'a se lavajarem e p' à SIC filmar.

Só o que l'es sê d'zer é que inda pus os caguetes tamém drento d' água e, d'zer a verdade, nã na achí munto fria, mái c'm' à minha Maria se tinha desquecido da toalha im casa e as cirôilas qu' ê cá levava eram novas nã me dava jêto molhá-las logo, só cheguí com a água p'ros artelhos. Mái hôve menino que antrô lá p'a drento equái que já nem queria sair. Ôtros, atão, ensiavam-se qu' ê bem nos ôvia. E, no mêo daquilo tudo, inda béque-me hôve lá um que vinha a arrabolar inrolado numa onda...

Querendem ver videos e retratos do que se passô lá, acalquem aqui na Galeria de Vídeos do Parente da Refóias, na Galeria do Banho do Vinte Nove, e na Galeria do Picasa.

Os videos tamém 'tão logo aí prebaxinho. É só acalcar im cimba deles.

Dés l'e dê saúde.























Santana Lopes critica Cavaco por ter “passado a estar de acordo” com a oposição

O social-democrata condena que o Presidente da República tenha pedido a fiscalização sucessiva do Orçamento do Estado para 2013.
"O Orçamento ficou em suspenso", lamentou Santana Lopes ADRIANO MIRANDA
Pedro Santana Lopes lamenta a “corrida” que está a ser feita “entre o Presidente da República e os grupos parlamentares, a ver quem pede mais inconstitucionalidades” nas normas previstas no Orçamento do Estado para 2013, enviado por Cavaco Silva para fiscalização sucessiva do Tribunal Constitucional.
Em declarações durante o programa Prova dos 9, emitido quinta-feira na TVI24, o ex-primeiro-ministro teceu duras críticas à postura de Cavaco Silva, defendendo que “os presidentes nos segundos mandatos acabam sempre assim” e que “passam a estar de acordo com as oposições”. “No primeiro mandato e até meio do segundo está tudo bem. E, depois, para serem interessantes têm de discordar do Governo”, acrescentou.
Santana Lopes condenou, por isso, a fiscalização sucessiva do Orçamento do Estado solicitada nesta semana pelo Presidente ao Tribunal Constitucional, depois de ter promulgado o documento. Isto apesar de vários quadrantes da sociedade portuguesa terem insistido numa fiscalização preventiva, enquanto outros reiteravam a importância de o documento seguir em frente. Para o comentador “o Orçamento ficou em suspenso” nas normas que suscitaram dúvidas a Cavaco.
Santana Lopes referiu-se, ainda, a Pedro Passos Coelho para comparar a situação do actual primeiro-ministro com a que viveu quando assumiu o lugar, em 2004, substituindo Durão Barroso. Poucos meses depois, o então Presidente da República, Jorge Sampaio, dissolveu o Parlamento, levando à queda do Governo: “Se fosse primeiro-ministro sem ter sido eleito ele provavelmente tinha tido o mesmo destino que eu tive”.

Também num artigo de opinião publicado nesta sexta-feira pelo semanário Sol, Santana Lopes voltou ao tema do Orçamento de Estado, escrevendo que a promulgação “pelo Presidente da República é compreensível, prudente e equilibrada. O facto de não ter pedido a fiscalização preventiva mostra que foi sensível ao argumento da importância de termos um novo Orçamento, em plena eficácia, logo a partir do início de ano. Mas, ao pedir a fiscalização sucessiva – que PS, PCP e BE já tinham antecipado –, o Presidente identificou-se com toda a oposição”.
O Presidente da República pediu a fiscalização das normas relativas à suspensão do pagamento do subsídio de férias (em geral e para aposentados e reformados) e à contribuição extraordinária de solidariedade. Em causa estão três artigos da Lei do Orçamento do Estado para 2013 que Cavaco Silva quer ver fiscalizados: o artigo 29.º, que diz respeito à “suspensão do pagamento do subsídio de férias ou equivalente”, o artigo 77.º, sobre a suspensão do subsídio de férias de aposentados e reformados, e, finalmente, o artigo 78.º, relativo à contribuição extraordinária.
Na mensagem de Ano Novo, o Presidente da República já tinha reconhecido que a receita de austeridade do Governo de Passos Coelho falhou. As “fundadas dúvidas” sobre a justa “repartição dos sacrifícios” levaram Cavaco a enviar os artigos para o Tribunal Constitucional.

Relatório 
Gabinetes ministeriais vivem sem austeridade
Uma auditoria do Tribunal de Contas mostra que os gastos de funcionamento dos gabinetes dos ministros e secretários de Estado não diminuíram apesar da pesada austeridade que o Governo está a impor aos portugueses. Os juízes criticam a falta de transparência nas despesas dos membros do Executivo de Passos Coelho.
Gabinetes ministeriais vivem sem austeridade
DR
ECONOMIA
Um relatório do Tribunal de Contas (TC), a que a TVI teve acesso, revela que as despesas dos gabinetes ministeriais não diminuíram, apesar da austeridade imposta ao País. “Não existe evidência de que as despesas de funcionamento dos gabinetes dos membros do Governo tenham diminuído”, pode ler-se no estudo.


A instituição liderada por Guilherme d’Oliveira Martins critica ainda a falta de transparência no que toca aos orçamentos dos gabinetes ministeriais, pedindo ao Governo para melhorar este aspecto. "A inexistência de um tecto máximo para a despesa dos gabinetes e a manutenção da sua opacidade revelam que persistem anomalias, situação que deve ser ultrapassada em nome do rigor e da transparência orçamental", refere o relatório.
No mesmo capítulo da transparência, o Tribunal de Contas salienta que “não constam critérios sobre a atribuição de regalias, como o cartão de crédito, uso de viatura e despesas do telefone”.
Ainda assim, os juízes consideram que houve “melhorias” face ao Governo anterior, salientando a criação de novas leis e publicação de informação na Internet. “Em matéria de transparência e publicidade de informação dos gabinetes ministeriais houve melhorias”, frisa.