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quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

VENENO PURO



A quem servem as portagens na Via do Infante?
Vasco Cardoso *




No longo cadastro do PS, PSD e CDS está a introdução de portagens na Via do Infante. O saque à população do Algarve arrancou a 8 de Dezembro de 2011. Um ano decorrido, a vida confirmou o alerta e a denúncia de todos, como o PCP, desde o início tomaram partido contra esta medida.

Introduzidas na base de uma campanha recheada de falsificações diversas, as portagens na Via do Infante foram impostas tendo como principal argumento o combate ao défice das contas públicas e à dívida do Estado. Argumentos esses, aliás, que serviram de suporte a outros assaltos feitos aos trabalhadores, aos pensionistas, ou aos rendimentos de muitos pequenos empresários, como se comprova pelo roubo nos salários, o corte em muitas prestações sociais, o aumento de impostos como o IVA, ou o agravamento de preços de outros serviços como as taxas moderadoras na saúde.

Entretanto os números da execução orçamental dos últimos meses, desmentem categoricamente os aparentes propósitos dos partidos que se ajoelharam perante a troika. No último ano, não só se agravou o défice das contas públicas, como a própria dívida continuou e continuará (segundo as próprias previsões do governo) a degradar-se.

A alternativa à introdução de portagens seria deixar tudo como estava antes, suportando o Estado os valores leoninos acordados com a concessionária da Via do Infante ou da EN125? É evidente que não. A lógica da construção de importantes investimentos públicos por via das chamadas Parcerias Público Privadas, ou de contractos de concessão de longa duração, com grupos económicos privados comprovou-se como sendo profundamente errada, contrária aos interesses nacionais, no fundo, uma escandalosa garantia de rendas altíssimas aos capitais privados.

Na verdade, em vez do governo português, face aos constrangimentos financeiros do país, assumir uma política de firme renegociação, ou mesmo cessação, de contractos lesivos para o interesse público, optou por transferir esse fardo para as costas da população. Assim fez, porque é um governo que não está, nem ao serviço do povo, nem tão pouco do país. A sua política é a do favorecimento exclusivo dos interesses da banca e de outros grupos económicos. Cada euro roubado à população não é para resolver nenhum problema das contas pública, e muito menos para garantir qualquer futuro para um país cada vez mais comprometido. Cada euro roubado à população, seja na Via do Infante, seja na sobretaxa do IRS que se preparam para impor, seja no fecho de um serviço de saúde, ou de uma junta de freguesia, destina-se a entregar aos donos dos bancos privados a quem o Estado português pagará mais de 7200 milhões de euros só em juros em 2012, a tapar buracos de milhares de milhões de euros como o do BPN, a presentear os grupos económicos com benefícios ficais de valor superior a 1400 milhões de euros se contabilizarmos apenas os que foram concedidos este ano no off-shore da Madeira.

Entretanto a Via do Infante perdeu mais de metade do tráfego, sucedem-se os engarrafamentos e o congestionamento na EN125 (que voltou a ostentar o infeliz apelido de “estrada da morte” dado o agravamento da sinistralidade rodoviária), os tempos e os custos de deslocação médios na região subiram e a economia andou para trás. Um retrocesso agravado com o cancelamento das obras de requalificação da EN125, cujo concessionário, após uma dita renegociação do contracto com o Estado, ficou aliviado dos seus compromissos (transferidos para a Estradas de Portugal) mantendo a mesma Taxa Interna de Rentabilidade. Um ano de roubo que tarda em ser interrompido, embora não tivessem faltado oportunidades, na medida em que por três vezes o PCP levou a proposta de acabar com as portagens à Assembleia da República e, por três vezes, os deputados do PS, PSD e CDS (incluíndo os que foram eleitos pelo Algarve) votaram contra.

Não tenho nenhuma dúvida de que a Via do Infante um dia voltará a estar ao serviço da região, liberta de qualquer portagem. Como? Intensificando e alargando a luta contra esta injusta medida até que a mesma seja derrotada. Quando? Quando um governo patriótico e de esquerda, com o apoio e ao serviço do povo português, concretizar uma política que rompa com este caminho de desastre nacional.

Dirigente do PCP 

As charolas



A designação de Charola, no Algarve, parece estar muito ligada à imagem do Deus-Menino, de pé, no alto de uma armação composta por caixas de diferentes tamanhos que, sobrepostas, formam um trono em escadaria. Por extensão, significa também o grupo de pessoas (cantadores, músicos e acompanhantes) que percorre os povoados, na época natalícia, cantando e/ou tocando de porta em porta. No entanto, o termo é muito polissémico. No mês de Junho, já pode significar o enfeite que se coloca no topo dos mastros, nas festas dos Santos Populares.
[...]

Perspectiva histórica das Charolas

Crê-se que as Charolas, entendidas como grupos de pessoas (cantadores, músicos e acompanhantes) que na época natalícia percorrem os povoados, cantando e tocando, se têm manifestado desde tempos ancestrais. De acordo com os relatos de pessoas mais idosas, é parecer comum que as Charolas já existiam antes do final da 1ª Grande Guerra, mas cantavam ao Deus-Menino. As Charolas seriam grupos de cantares de presépio que progressivamente adquiriram outras características e funções. Esta evolução parece ter ocorrido em vários grupos que progressivamente se foram constituindo nos mesmos moldes.

Uma apresentação

Executando a Marcha de Entrada, só com instrumentos, o grupo dirige-se para o local de apresentação até se instalar convenientemente. Ao som do apito, normalmente um curto e um longo, a música termina no momento da cadência final seguinte.
Tem então lugar o Estilo do Começador. Nalguns grupos, a composição musical correspondente ao Canto Novo designa- se Estilo do Começador. A designação estilo significa melodia, canção. Sendo as canções criadas de novo tomaram noutros locais a denominação de Estilo Novo (ou Canto Novo), por oposição ao Estilo Velho (Canto Velho) que correspondia às canções natalícias, com referências explícitas de louvor a Deus-Menino e relatando episódios bíblicos. A música correspondente ao Estilo do Começador, em compasso binário, tem normalmente duas partes: uma sem canto, com todos os instrumentos a tocar, em andamento mais rápido, para permitir o acompanhamento da pancadaria, outra mais lenta, para proporcionar o canto do começador, com letra de improviso, saudando as instituições que promoveram a apresentação e as pessoas que se encontram a assistir, é acompanhada somente pelos acordeãos. A ligação entre ambas as partes é feita exclusivamente por estes instrumentos (acordeãos), com carácter ad libitum. Este esquema estrófico alternando entre canto e tutti instrumental é repetido até nova ordem (apito) do começador.
Curiosamente, embora o Estilo do Começador se associe ao Canto Novo, conserva ainda alguma referência ambiental com o Estilo Velho, sobretudo pelo carácter emotivo que sugere e pretende transmitir (quando o começador canta é quase como no Fado, é sagrado, esse momento é sagrado).
Segue-se a Valsa das Vivas, momento alto da performação. É agora que terá lugar a satisfação ou não dos espectadores e a validação do nível de qualidade do grupo: a sua criatividade, o inesperado das situações evocadas, a oportunidade da crítica política, o simples retrato social e a lembrança dos que não podem ser esquecidos e que determinam o poder, o afecto, a amizade, a compreensão ou o desafio (retratar, saudar as pessoas, muitas vezes em tom de brincadeira, certas piadas, certas malandrices, que às vezes só o visado é que percebe). É o reino do improviso com regras explícitas.
A música pára quando o improvisador fala para levar toda a gente a gritar: Viva!. Esta acção de despoletar o entusiasmo chamam-na “tirar Vivas”. O discurso tem que ser formado por quatro versos com rima do tipo “abab” ou “abba”, ou por sextilhas. A sua finalidade é sobretudo causar o riso ou a admiração. Por vezes tem somente a função de saudação.
No entanto, o jogo que se estabelece e as cumplicidades assumidas tornam esta fase extremamente interessante, sem fim (uns somos o fermento dos outros: há o Zé que tira uma Viva sobre um tema ou uma pessoa e faz lembrar o António).
A música utilizada na Valsa das Vivas é formada por duas partes: uma em modo menor e outra que modela à relativa maior. Ambas as partes se repetem em esquema do tipo “aabb”, sendo “a” no modo menor e “b” no maior. A primeira das duas partes “aa” e “bb”, embora termine no acorde da tónica, corresponde-lhe uma melodia que não termina na tónica. A tónica só se afirma melodicamente na segunda vez de cada parte.
Quando o começador apita, ao sinal de um qualquer dos elementos ou até mesmo de alguém no público que quer tirar Vivas, a música completa a volta, acabando na próxima cadência que lhe permita terminar a parte em que está. Quando o momento de terminar chega, normalmente pela necessidade de dar a vez a outros, ou pelo facto de se sentir ser o momento de pôr um ponto final no assunto, o começador apita várias vezes anunciando o final da Valsa e não apenas o fim de uma volta para alguém tirar Vivas.
Por último tem lugar a Marcha de Saída. Mais uma vez trata-se de uma marcha com carácter vivo e de despedida. Esta Marcha tem canto. Há um refrão longo que tende a exaltar as virtudes do grupo, a sua boa disposição e alegria em participar nas Charolas. Há um esquema formal para o conteúdo da mensagem da Marcha de Saída. Primeiro, procede-se à identificação do grupo. Depois faz-se uma saudação, em geral. Finalmente, expressa-se a despedida com votos de Bom Ano, saúde, felicidade e gratidão, sendo comum exaltar-se a bandeira e o pendão do grupo.
Este esquema em 4 partes, nas actuações públicas em palco, tem normalmente uma duração de cerca de meia hora. Em contextos mais íntimos pode alongar-se.
[JERÓNIMO, Rui Moura. "Charolas, a invenção da tradição", in Cidade e Mundos Rurais: Tavira e as sociedades agrárias. Tavira: Câmara Municipal de Tavira, 2010, p. 121-124]
A melhor ilustração que encontrei (no Youtube) foi este vídeo (embora claramente amador, separa explicitamente as várias partes referidas no texto):

[Resumo da actuação da Charola da Casa do Povo de Conceição de Faro, 
no Dia de Ano Novo, de 2010, no 28º. Festival de Charolas de Conceição de Faro].
Este Canto Velho também poderá fazer as delícias de alguns leitores:

[Canto Velho é o canto mais tradicional da Charola e é repetido todos os anos.
Aqui é cantado pelo principiador João Faustino. A música e os versos são de autores desconhecidos
]
omeubau.net


ENCONTRO CHAROLAS CASA DO POVO






Foi em ambiente de festa que decorreu esta tarde o Encontro de Charolas na Casa do Povo de Estói.

O programa contou com a participação dos grupos:

1. Charola da Casa do Povo de Conceição de Faro
2. Charola Aldeia Branca de Estói
3. Charola da Mocidade Bordeirense
4. Grupo de Cantares do Rancho Folclórico da ACR de Sta Barbara de Nexe
5. Charola Ossonoba
6. Charola Flor Oriental
7. Charola da Casa do Povo de Estoi

Grupos com diferentes estilos e reportório, mas todos interessados em manter esta tradição das Charolas do sotavento algarvio, de festejar o Ano Novo e o Dia de Reis, apresentando toda a vivacidade e alegria que lhes é peculiar nomeadamente no que toca ás vivas.

Infelizmente a tradição tem degenerado sendo que actualmente as tradicionais “vivas”, foram substituídas em quase todos os casos, por quadras e sextilhas dedicadas aos presentes e também com alguma sátira politica, mas pouco alusivas a esta festa de Ano Novo.

Seja como for a tradição mantém-se e as Charolas saíram mais um ano para encanto de todos os que, tal como eu, gostam de as ouvir cantar.

Parabéns a todos os grupos presentes e á Casa do Povo de Estoi, por esta organização que contou com o apoio da Junta de Freguesia de Estoi e do Município de Faro.

Inventos sustentáveis - em Milão, no encontro do Well Tech Award

Inventos sustentáveis - em Milão, no encontro do Well Tech AwardFoto: Divulgação

BOA PARTE DAS INVENÇÕES MAIS RECENTES TEM PELO MENOS UM IMPORTANTE PONTO EM COMUM: DESEJAM MELHORAR A QUALIDADE DE VIDA BUSCANDO SOLUÇÕES PARA UM DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL. O OUTRO PONTO É A PREOCUPAÇÃO COM A QUALIDADE DO DESIGN


Todos os novos engenhos apresentados na seleção abaixo estarão expostos no Well Tech Award, prêmio que todos os anos escolhe as melhores inovações no campo da tecnologia. O próximo encontro será no Palácio da Província, em Milão, Itália, entre os dias 17 e 22 de abril.
1 Ecco Nau, o camper verde
Trata-se de um camper elétrico que se recarrega em estações de carga a 240V. Mas ele pode, quando parado, acumular energia por meio de painéis solares. A estrutura do veículo é em alumínio e o design é em forma de gota, para reduzir ao mínimo a resistência ao avanço. A bordo existe também um sistema para reciclar a água e reduzir os desperdícios. www.nau.coop
2 Embrace, a incubadora portátil
Tem o aspecto daquelas mochilas porta-bebê que servem para levar os pequeninos nos dias frios, mas é na verdade uma incubadora destinada a recém-nascidos, sobretudo os dos países menos ricos. No seu interior, contem um tipo particular de cera que, quando aquecida, mantém a temperatura ao redor dos 37 graus centígrados durante 4 horas. Muito mais econômica do que uma incubadora convencional, Embrace foi pensada principalmente para ser usada naqueles países carentes de energia elétrica e onde a vida é principalmente rural. www.embraceglobal.or
3 Aeroclay, o plástico que vem do leite
Seu nome é Aeroclay, e seus ingredientes são proteínas extraídas do leite e da argila; trata-se de um material similar ao poliestireno que pode substituir vários tipos de plástico comum, obtidos a partir do petróleo. Mantém inalteradas as suas características até 200 graus centígrados, e suas capacidades de isolamento térmico e acústico podem ser aplicadas no campo da construção civil, bem como no dos transportes e no das embalagens.
4 The Aid, a bengala digital
Lembra-se da clássica muleta usada por quem tem uma perna engessada ou algum outro problema de locomoção? Imagine então uma bengala que tenha uma porção de sensores no cabo, para medir a frequência cardíaca e a temperatura, um pulsante de emergência para se pedir ajuda com apenas um clique e um visor para se ter sob controle todas as funções vitais. É o que promete The Aid, a muleta hi-tech idealizada pela designer lituana Egle Ugintaite.
5 E-Bike, a bicicleta inteligente
Um dos problemas das bicicletas dotadas de motor elétrico é o look, quase sempre pouco entusiasmante, e a autonomia da bateria, que nunca é suficiente. E-Bike parece ter resolvido ambos os problemas: tem aspecto agradável e concentra um motor elétrico que é ativado quando se começa a pedalar, e desligado quando se superam os 25 quilômetros horários. Essa bike também pode ser alimentado por uma bateria de íons de lítio que garante cerca de 100 quilômetros de autonomia.
6 Royal Light, a vela que ilumina
São lampiões a baixo consumo e de longa duração, destinados à iluminação de parques, percursos para pedestres e jardins panorâmicos. O sistema utiliza uma série de leds cuja luz é dirigida para baixo a partir de uma “vela” colocado no alto. O aparelho limita a poluição visual da paisagem e economiza muita energia (redução de até 75% em relação aos lampiões comuns). www.citydesign.it
7 Poetree, uma planta é para sempre
Misto de tumba-monumento e instalação, Poetree enfrenta de forma original o tema da morte. Trata-se de uma urna funerária realizada com material biodegradável e destinada a conter as cinzas do defunto. Pode também conter terra e se transformar em um vaso no qual poderá crescer uma planta. Quando ela estiver grande, a urna será enterrada no jardim. Ela desaparecerá sob a terra, restando visível, ao pé da árvore, apenas o disco de cerâmica no qual está escrito o nome do morto.
8 Biolight, a luz "viva"
Biolight tira proveito do fenômeno da bioluminescência: ilumina graças a uma cultura de bactérias que, sob certas condições, emitem luz em ambientes saturados de metano. Os microrganismos permanecem no interior de recipientes de vidro (que no conjunto parecem uma grande célula) conectados a depósitos de compostagem que produzem o gás metano a partir de restos orgânicos domésticos. A luz desse modo obtida tem intensidade e tempos de produção imprevisíveis, não existindo necessidade de alimentação elétrica.
9 Treepod, o plástico que respira
Retirar o anidrido carbônico do ar pode ser mais conveniente do que reduzir as emissões. Nesse sentido, nada melhor do que uma árvore para retirar o CO2 do ambiente circundante. Neste caso, porém, trata-se de uma árvore artificial: Treepod tem o tronco feito de plástico reciclado e é dotado de 126 bulbos que funcionam como filtros de ar. Tais elementos, inspirados por uma tecnologia desenvolvida pela Columbia University, são constituídos por uma resina alcalina: em contato com o ar, conservam o gás carbônico e liberam produtos mais inócuos.
10 KiteGen, a energia das pipas
A ideia é simples: aproveitar as grandes pipas, capazes de voar a grandes altitudes, para transformar, de maneira “limpa”, a energia cinética em energia elétrica. As grandes pipas KiteGen voam a altitudes entre 800 e 1.000 metros, onde são capazes de capturar ventos de grande intensidade para fazer girar um sistema de turbinas.
11 Shweeb, um minimetrô a pedal
Shweeb é proposto como meio de transporte urbano, divertido, seguro, e com emissão zero de poluentes. É formado por um trilho aéreo ao qual estão enganchadas “cabines” que se movem à força das pedaladas dos passageiros. A posição se inspira nas bicicletas “recumbment”, nas quais o ciclista permanece quase deitado, de modo que suas pedaladas sejam mais eficientes. Shweeb foi projetado para durar entre 50 e 100 anos. É feito de material reciclável e pode ser facilmente desfeito.
12 Lótus, a folha que recarrega
Como serão no futuro os postos de combustível? Terão talvez o aspecto de Lótus, um sistema modular capaz de se transformar de simples área de estacionamento a estação de carregamento para veículos elétricos ou estações high-tech para os veículos de transporte público. A “folha” fotovoltaica montada na parte superior funciona não apenas como proteção contra a chuva, mas também pode gerar a energia elétrica necessária para fazer funcionar displays informativos e a iluminação.
13 Wetropolis, a cidade flutuante
Wetropolis é um projeto de aglomerado urbano sustentável sobre a água. Foi pensado para as zonas rurais de cidades como Bangcoc, sujeitas com frequência a fenômenos de aluvião. Desse modo as catástrofes são convertidas em oportunidades de melhoria e usadas como ocasião para se escolher um modo de vida alternativo, compatível com a natureza e os fenômenos do lugar.
14 O filme fotovoltaico transparente
É uma das novidades menos... visíveis, desenvolvida no Brookhaven National Laboratory e no Los Alamos National Laboratory (ambos norte-americanos). Esse filme, quando exposto ao Sol, armazena energia. É constituído de um polímero semicondutor a base de carbono, com uma estrutura microscópica em forma de colmeia de abelhas. O resultado é um material “condutor”, porém relativamente transparente. No futuro, ele poderá ser empregado sobre vidros tradicionais; por exemplo, nas janelas e portas das casas, eliminando a necessidade de caros e pesados equipamentos de produção de energia solar.
15 Ctrus, a bola do futuro
Provavelmente essa bola inteligente será adotada pela Fifa em alguma próxima Copa do Mundo de Futebol. Ctrus é uma bola que, em comum com as bolas normais, possui apenas o peso e a forma (regulamentares). Não contem ar, mas uma série de sensores de movimento, microchips e transmissores que serão úteis a todos os protagonistas do jogo: aos árbitros, aos treinadores e às televisões, que disporão de uma verdadeira mina de informações estatísticas que poderão ser mostradas durante as reportagens.
16 O ônibus-escola a pedal
Um meio de transporte original, ecológico e sadio, e que poderá sensibilizar as crianças para um estilo de vida menos sedentário. O ônibus escolar criado pela empresa holandesa Tolkamp pode transportar até dez crianças e um condutor (melhor se ele for adulto, claro!) e é movido tanto pelo movimento das pedaladas quanto por um pequeno motor elétrico auxiliar. Um nível adequado de segurança é garantido pelos freios, os indicadores de direção, marcha à ré e grade protetora. Tem velocidade média de 13 quilômetros horários e seu motor elétrico oferece uma autonomia de 35 quilômetros.
17 Smart Bendages, a gaze inteligente
Chega da Austrália uma inovação que poderá ser vista dentro de pouco tempo nos hospitais. Smart Bendages é um tipo de gaze inteligente, feita com uma fibra que reage – mudando de cor – às mais mínimas variações de temperatura. Será possivelmente empregada no tratamento de feridas crônicas e para monitorar feridas que apresentam risco particular de infecção. O uso é simples e imediato: será suficiente confrontar a tonalidade da gaze com um “catálogo” arquivado de cores (e suas temperaturas correspondentes).

NARCISO - MITOLOGIA GREGA


Lenda de Narciso, surgida provavelmente da superstição grega segundo a qual contemplar a própria imagem prenunciava má sorte, possui um simbolismo que fez dela uma das mais duradouras da mitologia grega.
Narciso
Narciso
Narciso era um jovem de singular beleza, filho do deus-rio Cefiso e da ninfa Liríope. No dia de seu nascimento, o adivinho Tirésias vaticinou que Narciso teria vida longa desde que jamais contemplasse a própria figura.
Indiferente aos sentimentos alheios, Narciso desprezou o amor da ninfa Eco - segundo outras fontes, do jovem Amantis - e seu egoísmo provocou o castigo dos deuses. Ao observar o reflexo de seu rosto nas águas de uma fonte, apaixonou-se pela própria imagem e ficou a contemplá-la até consumir-se. A flor conhecida pelo nome de Narciso nasceu, então, no lugar onde morrera.
Em outra versão da lenda, Narciso contemplava a própria imagem para recordar os traços da irmã gêmea, morta tragicamente.
Foi, no entanto, a versão tradicional, reproduzida no essencial por Ovídio em Metamorfoses, que se transmitiu à cultura ocidental por intermédio dos autores renascentistas. Na psiquiatria e particularmente na psicanálise, o termo narcisismo designa a condição mórbida do indivíduo que tem interesse exagerado pelo próprio corpo.
Fonte: www.nomismatike.hpg.ig.com.br
Narciso


NarcisoNarciso, antes de ser uma personagem da mitologia grega, era simplesmente um rapaz escorreito, não se pode negar; tinha uma cara de príncipe de conto de fadas, usava o cabelo comprido ou curto conforme a ocasião, vestia com gosto e maquilhava-se só com produtos naturais, absolutamente naturais.
Numa terça-feira (ou quinta. tanto dá) acabava de dispor-se para sair, talvez para ir ao teatro (porque ainda não se tinha inventado o cinema) ou talvez a uma festa. Tinha revitalizado os seus lábios com cereja vermelha, branqueado o seu rosto e penteado o seu cabelo.
Viu-se ao espelho (o reflexo da água num lago, pois tudo era natural) e contemplou-se com satisfação e disse para si mesmo:"sou mesmo perfeito".
Então Zeus, o deus grego, reparando com quanto deleite Narciso contemplava a sua própria figura, infundiu-lhe um amor desmedido pelo seu próprio eu.
Narciso enamorou-se perdidamente por si mesmo. E quis alcançar a sua imagem atirando-se ao tanque, onde morreu infeliz por não se poder possuir.
Esta história da mitologia grega, parece-se com a história dos rapazes que gastam tardes inteiras no ginásio a contemplar os seus bíceps ou das raparigas que não se poupam jornadas esgotantes de ginástica rítmica. "Sou mesmo perfeito" ouvimo-los pensar quando nos salões se põem diante dos espelhos depois de "treinarem", olhando, por diante ou atrás o abdómen dividido em quatro ou seis retângulos, os músculos dorsais, fazem força para perfilar melhor os bíceps, os peitorais, etc.
Se fores a um ginásio podes ver que sempre há um salão com espelhos onde certamente haverá "teens" e não tão "teens" a avaliar a musculatura dos seus corpos. "Com o suor cutâneo a silhueta dos músculos fica mais definida …", é o que dirão.
Mas narciso não só é o rapaz ou a rapariga que vivem para a figura do seu corpo: há alguns mais refinados, desde os que transmutam o rosto com cosméticos, até aos que além de dietas, roupas e modas, se penteiam com métodos sofisticadíssimos.
Narciso a morte apanhou-o num tanque. E eu pergunto-me, onde é que a morte apanha os narcisos de hoje, que consomem a sua vida no culto idólatra da sua figura; a sobredosse, excesso de hormonas, e eis os que ficam "tesos" com a cirurgia plástica , etc. "Não, eu só faço exercício" diz algum rapaz frequentador do ginásio …
Viver para o corpo é como morte em vida, pois não vives para ti mesmo nem para os outros, mas para a figura do teu corpo. Sem necessidade de falar da doutrina católica e de que o culto do corpo constitui uma forma de idolatria, um elementar sentido humano adverte-nos contra essas formas de perversão.
O meu corpo não me pertence porque não é uma coisa que se possua, também o meu corpo é a minha casa, como dizia a propaganda sem bases filosóficas.
O meu corpo é parte da minha humanidade: sou eu mesmo com a minha alma numa união indivisível.
Ao dar atenção desmedida ao meu corpo, em certo sentido estou a tratá-lo como um objeto que possuo. E não é que não deva atender o meu corpo, dizendo melhor, cuidar e atender-me a mim mesmo e por isso mesmo, como parte inseparável do meu ser, aplicar-me ao cuidado do meu corpo.
O ginásio e os aerobics são bons: são saúde. Mas não são um fim em si mesmo.
Da próxima vez que fores ao ginásio, procura não olhar-te ao espelho. Faz exercício físico que te ajude a manter a mente desempoeirada e o espírito aberto.
Como dizia o sábio pensamento latino: Orandum ut sit, mens sana in corpore sano; quer dizer, "há que fazer oração para ter uma mente sã num corpo são".
Não esqueças a sentença completa porque o homem é uma unidade de espírito e corpo.
E o homem não terá são o quinto andar, se o seu espírito e o seu corpo carecem de harmonia; quer dizer, se não está em paz com Deus, com os outros e consigo mesmo: Orandum ut sit, mens sana in corpore sano.

O leitor

- E o que fazes na vida?
- Sou leitor.

Ganham a vida a ler em voz alta nas fábricas de charutos de Cuba. Lêem jornais,

poesia, receitas de cozinha e romances eternos. Sem eles a rotina dos operários

que passam os dias a enrolar folhas de tabaco não seria a mesma. De manhã,

a imprensa diária, à tarde um clássico da literatura, de preferência com muito

amor e intriga. Pelo meio pode haver o horóscopo da semana e até livros para

ensinar a perder peso ou o último best-seller de Dan Brown.
Até à década de 1960, eram os próprios operários quem pagava o salário do leitor,

que podia ser um deles. Faziam-no quer em dinheiro, quer produzindo uma

quantidade superior de charutos para que o colega não tivesse de o fazer.
"Concentrados num romance, num poema ou num simples anúncio da secção de

classificados, não olham nunca para o leitor, mas imprimem à folha de tabaco a

paixão pelo que ouvem, pelas aventuras que vivem e os sonhos que sonham,

para que o prazer dos que a fazem arder se converta em êxtase supremo."
Alguns dos trabalhadores (os poucos que tinham dinheiro para o fazer e que

sabiam ler), incapazes de esperar pelos dias seguintes para saber o que tinha

acontecido ao amargurado Edmond Dantés de Dumas ou ao nobre D. Quixote

de Cervantes, compravam o romance, lembra o escritor. Outros, entusiasmados

com as aventuras que os livros escondiam, decidiram aprender a ler e a escrever,

fazendo dos funcionários das tabaqueiras a classe operária mais culta e informada

da ilha.
A este propósito fiquei também a saber através de um colega que "Os trabalhadores da 
extracção da cortiça, aqui para os lados de Sines, já tinham este hábito no século 
passado: o letrado era poupado às tarefas manuais, ficando com a responsabilidade de 
ler o jornal aos restantes".


Read more: http://acucaramarelo.blogspot.com/2013/01/o-leitor.html#ixzz2Gvf2Mp6n

Às vezes uma vida vale um instante."

pintura de Renata Brzozowska
há quase que um êxtase místico  no compasso
 em que o pé se levanta voluptuosamente do chão
 um dia
 hei-de descalçar a timidez
derrubar as paredes do meu corpo
e mergulhar na noite enquanto cheira a céu estrelado
.





"Às vezes uma vida vale um instante."

(Perfume de Mulher)

Só te peço cinco minutos

Papa Bento XVI – Uma vida de excruciante sofrimento


Diz-me um jornal que o cidadão Ratzinger, usando o nome artístico de Bento XVI, resolveu denunciar o «capitalismo desregrado» como uma ameaça à paz. Aproveitou ainda o balanço para apontar o dedo acusador às enormes diferenças entre ricos e pobres.
Imagino o quanto o “papa” sofre. Tem toda a minha solidariedade!
Imagino que de cada vez que olha para si próprio e vê as suas aparatosas vestes, feitas de ouro, o seu bastão, feito de ouro, a sua cadeira, feita de ouro, os seus talheres, feitos de ouro (desconfio que até o seu penico, feito de ouro)... e os compara com as vestes singelas e o estilo e nível de vida dos milhares de padres pobres das aldeias remotas, por exemplo, de Trás-os-Montes, ou de missões na África profunda, para não falar da esmagadora maioria dos habitantes desses lugares... os sensíveis olhos lhe fiquem marejados de lágrimas.
Imagino que de cada vez que toma conhecimento de mais um negócio porco, uma falcatrua internacional, um crime económico, por exemplo, do seu Banco Ambrosiano, ou das acções mafiosas dos cardeais que o dirigem... o sensível coração lhe sangre abundantemente.
Digamos que é o arremedo possível da vida de sofrimento de Cristo na Terra... interpretada e representada de uma forma extremamente “livre”.