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terça-feira, 25 de dezembro de 2012



As prendas do Gaspar


E pronto chegou o dia de Natal, o dia das prendas, o dia mais desejado quando éramos crianças. Mudam-se as idades e mudam-se os tempos. Quem parece gostar de mandar muitas prendas neste mês de Natal é o amigo Vitor, que para fechar o ano em beleza descarrega tudo o que tem sobre os contribuintes. Quem não tiver as centenas de euros para pagar paga com a penhora, seja casa ou salário. Mais sorte tem quem deve milhões porque a esses tudo é perdoado em nome do empreendedorismo e do investimento, que nunca se vê nem nunca acontece. Para o ano mais e mais impostos, a promessa de muitos mais quando tudo começar a desmoronar-se, esta é a prenda do Gaspar, a prenda que ninguém quer mas todos recebem. Quando era pequeno eram meias, agora são cartas do Gaspar.


NATAL

O ANO EM QUE PASSOS COELHO MATOU O NATAL

«Tudo o que se esconde atrás desta mascarada de austeridade que Passos Coelho, Vítor Gaspar, Miguel Relvas e Mota Soares representam é desigualdade, favorecimento, empobrecimento, benefícios aos ricos, subserviência perante os fortes, despotismo perante os fracos, hipocrisia, descaramento, desumanidade. O contrário do que gostamos de pensar que é o espírito de Natal. Surpreende que um dos feriados eliminados não tenha sido o Natal, tal é a sanha anti-humanista dos rufias no poder. 

(...) 
 O que fazer enfim quando se tem um primeiro-ministro tão escassamente instruído, tão infantilmente birrento, tão desprovido de consciência social quanto de competências sociais, tão determinado quanto aos fins, tão indiferente quanto aos meios e tão flexível quanto aos princípios? O que fazer quando se tem um primeiro-ministro tão indiferente a Portugal e aos portugueses e tão subserviente perante poderes estrangeiros? No quadro constitucional português, a instância a quem cabe resolver este nó górdio é o Presidente da República. Mas o que fazer quando este está demasiado ocupado a comer bolo-rei? Vamos perder a vida e o futuro e a liberdade por delicadeza, como no poema de Rimbaud?

PS para PPC: Rimbaud é um poeta francês, mas não se incomode a ler. Leia antes Lettres et le Néon, um livro sobre publicidade do seu filósofo de cabeceira, Jean-Paul Sartre, que tem certamente na prateleira dos livros


JOSÉ VÍTOR MALHEIROS

PÚBLICO

A dita e o balde