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sábado, 22 de dezembro de 2012

REACCIONÁRIO “FIM DE MUNDO”


UM VÍDEO COM FLORES PARA PROMOVER CERVEJA RUSSA, SÓ QUE... O VÍDEO É ERÓTICO E AS FLORES SÃO AS PROTAGONISTAS




Já leram o memorando da troika?...

 Sim, é a minha pergunta de hoje: já leram o memorando de entendimento com a troika, assinado por Portugal em Maio de 2011? Eu li, e em pé de página deixo o link para quem o quiser consultar, na sua tradução oficial. São 35 páginas, escritas num português desagradável e tecnocrático, que têm servido a este governo para justificar tudo.
Ainda ontem, com descaramento, um dirigente do PSD dizia que "este não era o Orçamento do PSD, mas sim da troika"! Ai sim? Então eu proponho a todos um breve exercício de leitura. Tentem descobrir, lendo o memorando, onde é que lá estão escritas as 4 medidas fundamentais pelas quais este governo vai entrar para história de Portugal!
Sim, tentem descobrir onde é que lá está escrito que se deve lançar uma sobretaxa no subsídio de Natal de todos os portugueses (decidida e executada em 2011); cortar os subsídios aos funcionários públicos e pensionistas(decidido e executado em 2012); alterar as contribuições para a TSU (anunciada e depois retirada em Setembro); ou mexer nas taxas e nos escalões do IRS, incluindo nova sobretaxa (anunciados no Orçamento para 2013), e definidos pelo próprio ministro das Finanças como "um aumento enorme de impostos"?
Sim, tentem descobrir onde estão escritas estas 4 nefastas medidas e verão que não estão lá, em lado nenhum. Ao contrário do que este Governo proclama, estas 4 medidas, as mais graves que o Governo tomou, não estão escritas no "memorando com a troika"! Portugal nunca se comprometeu com os seus credores a tomar estas 4 medidas! Elas foram, única e exclusivamente, "iniciativas" do Governo de Passos Coelho, que julgava atingir com elas certos objectivos, esses sim acordados com a "troika".
Porém, com as suas disparatadas soluções em 2011 e 2012, o Governo em vez de melhorar a situação piorou-a. Além de subir o IVA para vários sectores chave, ao lançar a sobretaxa e ao retirar os subsídios, o Governo expandiu a crise económica, e acabou com menos receita fiscal e um deficit maior do que tinha. Isto foi pura incompetência, e não o corolário de um "memorando de entendimento" onde não havia uma única linha que impusesse estes caminhos específicos! 
Mais grave ainda, o Governo de Passos e Gaspar, sem querer admitir a sua incúria, quer agora obrigar o país a engolir goela abaixo "um enorme aumento de impostos", dizendo que ele foi imposto pela "troika".
Importa-se de repetir, senhor Gaspar? É capaz de me dizer onde é que está escrito no "memorando de entendimento" que em 2013 o IRS tem de subir 30 por cento, em média, para pagar a sua inépcia e a sua incompetência? 
Era bom que os portugueses aprendessem a não se deixar manipular desta forma primária. Foram as decisões erradas deste Governo que, por mais bem intencionadas que fossem, cavaram ainda mais o buraco onde já estávamos metidos. E estes senhores agora, para 2013, ainda querem cavar mais fundo o buraco, tentando de caminho deitar as culpas para a "troika"?
Só me lembro da célebre frase de Luís Filipe Scolari: "e o burro sou eu?"
Para ler o memorando vá a:


Papa faz visita e concede perdão a ex-mordomo antes do Natal



O papa Bento 16 fez uma surpresa antes do Natal e visitou neste sábado a prisão em que se encontrava detido seu ex-mordomo, perdoando-o por ter roubado e vazado documentos sobre supostas corrupções no Vaticano.
O papa passou cerca de 15 minutos com Paolo Gabriele antes de o preso ser libertado e poder voltar para o seu apartamento no Vaticano, ao lado de sua mulher e filhos, afirmou o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi
"O que eles disseram um para o outro continuará em segredo entre eles... Ele sabe que cometeu um erro", afirmou à Reuters a advogada de Gabriele, Cristiana Arru, que estava no apartamento quando ele retornou para a sua casa.
Gabriele foi condenado por furto qualificado em 6 de outubro, em um caso que constrangeu o Vaticano. Ele estava cumprindo uma sentença de 18 meses de prisão em uma cela na sede da polícia da cidade.
Lombardi chamou a iniciativa do papa de "um gesto paternal para uma pessoa com a qual o papa dividiu sua vida por vários anos... Esse é um final feliz nessa temporada de Natal para esse episódio triste e doloroso".
Lombardi e Arru descreveram o encontro como "intenso", porque foi a primeira vez que ambos se viram desde maio, quando Gabriele foi preso depois de a polícia do Vaticano encontrar vários documentos que tinham sido roubados do escritório papal em sua posse.
O pontífice também perdoou um especialista em computação do Vaticano que recebeu uma pena em outro julgamento.
VATILEAKS
Em uma saga que ficou conhecida como "Vatileaks", Gabriele vazou documentos que mostravam o que aparentava ser uma disputa por poder nas mais altas hierarquias da Igreja, e conflitos internos sobre o quão transparente o banco do Vaticano, que já passou por vários escândalos, deveria ser com as autoridades financeiras externas.
Ele disse aos investigadores que agiu porque via "o mal e a corrupção em todos os cantos da Igreja" e que as informações estavam sendo escondidas do papa.
O Vaticano disse que Gabriele não poderá mais trabalhar lá, mas que o ajudará a encontrar um emprego e começar uma nova vida fora dos muros da cidade-Estado, ao lado de sua família.
"Quando ele chegou em casa, as crianças pularam sobre ele e se penduraram em seu pescoço. Foi um período muito difícil para eles. Não creio que todo esse episódio está enterrado para eles ainda", afirmou Arru.
Gabriele, de 46 anos, afirmou em seu julgamento, um dos mais espetaculares da recente história da Santa Sé, que ele não se considerava um ladrão e que foi motivado pelo amor "visceral" pela Igreja.
O mordomo, que servia as refeições do papa e o ajudava a se vestir, tirou fotocópias de importantes documentos às costas de seus superiores, em um pequeno escritório adjacente ao quarto do papa.
Ele então escondeu mais de mil documentos originais e cópias, incluindo alguns que o pontífice marcou como "a ser destruído", entre outros milhares de documentos e jornais em um grande armário no apartamento da família, dentro do Vaticano.
Ex-integrante de um seleto grupo chamado de "família papal", Gabriele era uma de menos de dez pessoas que tinham a chave de um elevador que levava diretamente aos aposentos do pontífice.
Ele disse no julgamento que, na sua posição de mordomo do papa, ele pôde ver o quão fácil um poderoso homem pode ser manipulado pelos seus assessores, mas escondeu coisas que pode ter conhecimento.
Os papéis que vazaram revelaram trabalhos internos de uma instituição conhecida pelos seus segredos, e causou uma das maiores crises do papado de Bento 16 quando os detalhes apareceram em uma publicação de um jornalista italiano, no começo deste ano.
Muitos acreditam que o mordomo pode não ter agido sozinho e que foi mandado por outras pessoas do Vaticano. Gabriele afirmou durante o julgamento que pode ter sido influenciado por terceiros, mas que não tinha cúmplices. 

Facebook está a experimentar uma nova Timeline



Facebook está a experimentar uma Timeline de design renovado num grupo restrito de utilizadores. Abaixo da fotografia de capa vai aparecer uma barra de navegação e o nome de utilizador vai ser exibido na fotografia maior, tal como acontece no Twitter. 

 O "segredo" do Facebook foi detetado quando um produtor do site ABC News reparou que a sua página pessoal estava diferente. O órgão de comunicação recebeu mais tarde a confirmação de um porta-voz da empresa de Mark Zuckerberg de que estão mesmo a ser feitos testes a um novo design. 
O objetivo das alterações é tornar a navegação pela Timeline mais simples. O resultado final poderá ser parecido com o das seguintes imagens:


Nova Timeline Facebook

Nova Timeline Facebook

No geral os perfis vão ficar mais simples e mais "limpos". A barra de navegação vai conter os principais itens - como amigos, fotografias, informações sobre o contacto - e a navegação entre os diferentes menus é sempre feito na mesma página e não exige o reencaminhamento para um novo link, tal como acontece atualmente. 

A barra de navegação funciona como atalho, mas caso os utilizadores assim queiram, ao visitarem um perfil, podem encontrar os principais conteúdos de cada secção descendo na página do contacto. O número de "subscritores" exibido vai ser exato e não arredondado e o próprio termo vai ser trocado pela palavra "seguidores". 

Como as imagens são referentes a uma versão de testes, até que o design final seja disponibilizado ainda podem haver trocas e alterações. Sobre a data de chegada da renovada Timeline não existe nenhuma informação. 

A "linha do tempo" foi introduzida em 2011não obteve o consentimento e aprovação de todos os utilizadores, mas mesmo contra a vontade de alguns foi implementada em todos os perfis. 

Avé Portugal mendigo. Senhora da Linha em maré de pobres - Mário de Carvalho

(Um longo e magistral texto do escritor Mário de Carvalho a ler, divulgar, guardar e, sobretudo, a não perder)

Mário de Carvalho  Avé Portugal mendigo. Senhora da Linha em maré de pobres

1.
A esmola. O próprio vocábulo hoje incomoda. Tem travos de aviltamento, atraso e rebaixo. No século XXI, há quem queira voltar à prática infamante da esmola! As saudades da Idade-Média tardam ao esconjuro. Mas o lastro da miséria não é aura que eleve aos céus. É chumbo que arrasta para as regiões inferiores, onde, segundo as mitologias, se arde.
Vem-me primeiro à ideia o orador Rufino de «Os Maias». É o meu espírito faceto. Mas eu não consigo ser sempre faceto. A memória não deixa. Acode-me o mal-estar de miúdo quando um padre me levou num grupo a distribuir embrulhos por tugúrios de Alfama. Para que os meninos do liceu soubessem como vivia a pobreza, explicou. Eu não precisava que me lembrassem como vivia a pobreza. Sabia e sabia bem. Tinha brincado com miúdos rotos e descalços que usavam carrinhos feitos de arame como agora em África. Tinha entrado em casas de chão batido em que não havia nem uma cadeira. Tinha visto os pedintes chegarem aos grupos, esfarrapados, longas barbas, bornal ao ombro, por entre os arremessos dos cães, e ficarem depois às sobras debaixo dum chaparro. Tinha espreitado a guarda a cavalo, de chapéu colonial, a patrulhar os campos e a assegurar-se de que tudo estava em ordem: «Assine aí, lavradora!». Tudo estava em ordem. A ordem da miséria e da degradação. A ordem natural das coisas. Pobres sempre haveria. Porque sim. À cautela, aquelas «Mauser» em bandoleira eram garantes.
Isto vem, claro, a propósito da doutora Maria Isabel Jonet. E começou a ser escrito após uma senhora deputada ter entrado em guincharia num programa de televisão conduzido por uma daquelas figuras curvadas que nos vêm abrir uma porta rangente, de candelabro na mão, olho torvo e beiçola descaída, quando o nosso carro sem gasolina parou numa charneca desértica, entre nevoeiros, sem haver mais que uma mansão decrépita.
A deputada estridulou acusações contra «campanhas» e destemperou insultos. Mal defendida ficou a ré Isabel. Mal vista a parlamentar. Diminuídos todos. Suscitado este texto.

2.
Eu até nem desgosto especialmente da Doutora Jonet. E não se trata de nenhuma simpatia atávica pelos simples. Acho que é mais defeito meu: uma dificuldade em antipatizar, da natureza daquelas portas perras que, por mais que se tente, não fecham. Aliás, nomeio a pessoa apenas para que não interpretem a omissão como pejorativa.
A actividade caridosa dos ricos também não me causa, em si, especial contrariedade. Cuidar dos outros nunca fez mal a ninguém. Enquanto certa gente se entretém com a caridade não está a fazer coisas piores: intrigas, festarolas, ostentações, frioleiras, chazinhos. E, em certos casos, malfeitorias.
Vou passar de alto as últimas declarações da respeitável senhora. Dizem-me que se tem desdobrado em entrevistas. E mais insinuam: que não se trata de uma bem organizada manobra de influências, abusando de subalternidades nos jornais, mas de coisa pior: vontade pérfida, por parte da imprensa, de a surpreender, mais uma vez, em inconveniências. Eu nunca entraria nem num jogo, nem noutro. De maneira que recorro à minha memória, que é fraca, pedindo desde logo que me corrijam, se estiver equivocado:
 -- Aqui há tempos, a um propósito que tinha a ver com a entreajuda na família, afirmou convictamente que os filhos deviam ajudar «a cortar a relva»;
 - Noutra ocasião, referindo-se aos jovens dos seus relacionamentos disse, por palavras suas, que esses eram as «elites» que iriam estar à frente deste país.
 -- Na véspera das últimas eleições legislativas (em pleno período de reflexão) convidada pelo espertíssimo Doutor Rebelo de Sousa que a olhava com o amarotado deleite de quem acaba de fazer batota na «vermelhinha», a senhora debitou, item a item, dogma a dogma, todo (mas todo) o papagueio da cartilha que tem vindo a desgraçar este país.
A «relva» ainda passa. É a consequência de se viver num mundo fechado. Mas sendo uma pessoa tão viajada… Não interessa. Já conheci gente que andou pelos sítios mais desvairados e não viu nada. Pode ir-se e voltar-se da Conchinchina setenta vezes sem sair de intramuros.
O considerar que certo tipo de jovens está destinado a governar é uma concepção classista, capciosa, e até ofensiva para a esmagadora maioria da juventude. Mas temos de reconhecer que há falhas de educação que nos acompanham toda a vida. O saisons, o chateaux…
Já fazer propaganda em dias de defeso é muito mais grave. Mas creio que podemos atribuir as culpas a quem a convidou para aquele programa, naquela precisa noite, sabendo de antemão que a senhora não poderia deixar de dizer as inanidades que lhe estão na massa do sangue. Com tal habilidade e torsão de manobra não admira que o Professor Rebelo de Sousa acabe, tanta vez, por se rasteirar a si próprio.
Surpreende-me é que as pessoas que, outro dia, se indignaram com a questão dos bifes e das torneiras (parece ter havido, entretanto, outra pérola sobre a temperatura do dueto solidariedade/caridade) não deram nem pelo corte da relva, nem pela vocação oligárquica, nem pela violação encapotada da lei eleitoral. Não se tratou de uma mera impertinência de uma senhora num tropeço de infelicidade. Por trás há um pensamento. Uma ideologia. E há muita gente (se calhar muitos dos vociferantes) que tem consentido nessa ideologia que faz passar por «normal» uma concepção do mundo arcaizante.

3.
No país em que eu nasci, quem mandava eram os ricos que encarregavam das tarefas sujas uns professores de Coimbra e uns militares que por sua vez comandavam legiões de desgraçados. Durante gerações, houve pessoas, em número mínimo, que beneficiaram duma vida remansosa dentro dum circuito fechado e protegido. A sua insensibilidade social era completa. Nem se apercebiam de que em volta havia pobre gente maltratada, humilhada, presa, espancada. Se lhe chegassem rumores (através das criadas, por exemplo) considerariam que era natural. O imperfeito mundo funcionava assim mesmo, éramos «um país pobre», resignassem-se. E até encontravam uma especificidade nacional justificativa do nosso fascismo doméstico. Era desumano? Paciência. Havia oratórios, terços, missas, e em calhando cilícios e bodos aos pobres. A desumanidade redimia-se nos ritos.
De repente (surpresa para eles) caiu-lhes uma revolução em cima, transtornou-lhe os planos, estremeceu-lhes as carreiras, desmarcou-lhes as festas. O que se chama, na sabedoria popular «uma patada no formigueiro».
Nunca perdoaram esses momentos – fugazes - de perturbação das pequenas vidas. Não tardariam, eles e seus descendentes, a ser repostos nos lugares de antes (em circunstâncias e conluios que não importa agora rever) mas num quadro jurídico e institucional diverso: a democracia. Essa incomodidade áspera, própria de intelectuais irrealistas, operários transviados e outros lunáticos, mostrava-se demasiado imponente para se derrubar de golpe? Dissimulasse-se. Corroesse-se por dentro. Desviassem-se os recursos do Estado. Praticasse-se uma permanente cleptofilia. E, dentada a dentada, sangria a sangria, desgaste a desgaste, chegou o momento que julgaram oportuno para rasgarem as fantasias e voltarem aos plenos poderes de antes, a coberto dos seus criados. A vingança serve-se fria. Há um nome francês que se usa no caso: «revanche».
É deste movimento que a doutora Maria Isabel Jonet tem sido uma porta-voz, no seu estilo muito próprio. E só agora muita gente nota. Porque vinha tudo no embalo duma quotidiana propaganda que dia a dia, linha a linha, imagem a imagem, inculcava nos espíritos o acatamento dum mundo de diferenças e de desigualdades. O mundo em que a doutora Jonet – e outras pessoas do mesmo entendimento – se sentem realizadas.
Quando por todo o lado se apregoa – com grande favor jornalístico – a ideia de que o Engº Zulmiro não deve pagar o mesmo nos transportes que um reformado pobre, quando se dispõem contrapartidas distintas, conforme os escalões, nos cuidados de saúde, quando se estabelecem diferenças de tratamento ao sabor dos rendimentos declarados não é a justiça que estão a praticar. Muito ao contrário. É a normalização e a institucionalização das desigualdades. É um desenho do mundo em que a pobreza (a dos outros) se aceita como fatalidade. A restauração do despenhado mundo dos pobres, como eu o conheci.
Os ricos já têm o poder económico neste país. Asseguraram, através dos seus valetes, o poder político; ainda querem mais: exercer o poder pessoal, sobre as vidas de cada um, usando, ou sendo transmissários, do instrumento da esmola. É a imposição da desigualdade como ordem natural das coisas, como uma grelha implacável cravada na sociedade portuguesa. A esmola, neste quadro, faz lembrar o cajado do guardador de rebanhos. Pobres para serem mandados, distribuídos, orquestrados, mordidos, concentrados, castigados, benzidos.
E isso é bem diferente de praticar a caridade, nas falhas e interstícios do chamado Estado social. Não há aqui expressão de amor ao próximo. Não se trata dos casos (meritórios) em que se descarregam consciências, sem que uma mão saiba o que faz a outra. É, ao contrário, uma fórmula institucional de violência. Esse mal, sistémico e obsidiante, não se deixa compensar com os maquinismos do bem-fazer de uma indústria caridosa. Por um lado fabricam-se pobres, através dum sistema social iníquo. Por outro lado, esmolam-se os pobres que se criaram. É repulsivo? É, sim, e estão em campo as mesmas famílias (descendentes ou afins) praticantes dos bodos dos tempos do fascismo.

4.
Falemos agora de decência. É um conceito que não tem que ver com o sapatinho de vela no verão, o esgoleiramento da camisinha branca ao fim-de-semana, os gestos miúdos do chazinho ou a mãozinha no volante do Porshe, nem com os objectos «de marca» que irmanam paradoxalmente os extremos do espectro social. Vadios de cima e vadios de baixo (Eça confrontava-os no Chiado) entusiasmam-se pelos mesmos efeitos. Apuradas as razões, hão-de encontrar-se num subterrâneo fio de ligação, mais ou menos disfarçado: frivolidade iletrada. Aos de cima, chamou a doutora Isabel Jonet «elite», por manifesto equívoco. Como se no país não existissem cientistas, arquitectos, engenheiros, artistas, professores, médicos, advogados, e tudo tivesse que rasar-se pela bitola de alguns economistas, banqueiros, «gestores» e ociosos.
Um dos preceitos estruturantes que escora o nosso ordenamento jurídico e funda a confiança nos comportamentos eticamente regulados vem do direito romano e das ancestrais práticas de boa-fé e exprime-se no brocardo: «pacta sunt servanda», ou seja, os compromissos são para se cumprirem. E sobre isto não há expedientes de contabilistas, não há casuísticas habilidosas, não há reservas mentais, não há passes de futebolista atendíveis. Há uma obrigação? Cumpra-se.
Mas a plutocracia que tem mandado nos destinos dos portugueses transportou para o Estado os seus pequenos hábitos de manobrismo, de expedientes, habilidades, truques, quando não de falcatrua, que retiraram à entidade a sua natureza de «pessoa de Bem». Ser «de bem» é uma noção que está fora do alcance de quem apenas acha meritórios o lucro e as negociatas. Coisa abstracta e «intelectual», própria de «otários» para utilizar a linguagem das cadeias que acaba por não ser muito diferente, numa perspectiva de extremos tangenciais
É assim que vemos governantes a colocarem o Estado Português na situação de violar os compromissos tomados para com os seus trabalhadores e aposentados. A ignorar prazos contratuais. A incumprir as promessas juradas perante o seu eleitorado. A fazer negaças às própria constituição. De modo tão flagrante e provocatório que lhes fez perder a legitimidade formal que detinham à partida.
Ora quem se coloca fora da lei está a pedir um tratamento fora da lei. Mas eles não estão apenas a pedir pedradas. Estão a pedir o confisco dos seus relvados, dos seus automóveis, das suas casas, das suas piscinas, dos seus valores mobiliários, dos seus quadros, dos seus cavalos, das suas jóias e luxos e a supressão de todas as mordomias. Não que isso seja economicamente relevante. Mas significa a reposição de um mínimo de decoro.
Ser-lhes-á então tarde para perceber que numa situação de ruptura a própria polícia mudará de campo. Certos jornalistas descobrirão escrúpulos éticos insuspeitados. Economistas e contabilistas virão dizer que foram mal interpretados e nunca proferiram aquelas coisas. Irromperão múltiplos vira-casacas e desertores da tirania de mercado, dispostos a pisar a livralhada de Milton Friedman e a cuspir no retrato emoldurado da Senhora Thatcher.
E lá terão as pessoas de bom senso de arriscar a reputação e a pele para evitar que se maltratem umas dúzias de plutocratas amedrontados e seus serviçais de fatinho, rojados pelo chão, de folha de cálculo à mostra.

MdC
20-12-2012

A ESPUMA DAS PALAVRAS

caloteiros ricos - O banquete

A dita e o balde


Passos Coelho – Sem um pingo de vergonha na cara!


Já passaram várias horas sobre o momento do debate em que o pascácio Coelho agrediu verbalmente a deputada Heloísa Apolónia, acusando-a de mentir, vomitando a sentença mais ou menos berrada de que «não podemos dizer tudo o que nos apetece, sem sermos confrontados com a realidade», acrescentando, raivoso, «isso é uma falsidade, nunca disse isso em lado nenhum e desafio a senhora deputada a trazer afirmações minhas nesse sentido».
Heloísa Apolónia tinha apenas referido o facto (gravado e conhecido) de o pascácio Coelho ter afirmado, ali mesmo, naquele Parlamento, mas há um ano, que seria este ano de 2012... e não 2013, o ano da “viragem económica” que agora resolveu re-anunciar.
Como disse, já passaram várias horas sobre a agressão cobarde do primeiro-ministro à deputada Heloísa Apolónia... e o bandalho ainda não veio a público pedir desculpas!
A exibição impune da total falta de carácter, da total falta de vergonha na cara, “alavancada” (como eles gostam de dizer) por uma arrogância sem limites... é sempre um espectáculo degradante e nojento!

CARTOON versus QUADRAS

Convite à Reflexão
HenriCartoon

CONVITE À REFLEXÃO

Descontdaid seu Fedelho, descontdaid…
É o mais acedtado fazed nesta ocasião,
Comemodad o Natal e depois refletid…
Qual o motivo dessa tua pdeocupação?

Traduzindo…

Descontrair seu Fedelho, descontrair…
É o mais acertado fazer nesta ocasião,
Comemorar o Natal e depois refletir…
Qual o motivo dessa tua preocupação?

-Acabado, são as ricas pensões elevadas
Que apoquentam o meu subconsciente
Deixando-me em estado deprimente…
Custa-me baixar essas somas avultadas!

Meu filho, tal pensamento é uma tdeta!...
Não deves ouvid a voz da tua consciência
Pois a nossa defodma está mais que cedta!!!

Traduzindo…

Meu filho, tal pensamento é uma treta!...
Não deves ouvir a voz da tua consciência
Pois a nossa reforma está mais que certa!!

-Deus te ouça, mas melhor o sentido alerta
Não vá descer a pensão na tua presidência…
Pró Zé, a vida ficará cada vez mais preta!!!

POETA ANARQUISTA



Portugal nas mão de bandidos


Tinha que dar nisto! Quando se coloca um país nas mão de bandidos, ele acaba vendido, espoliado, com milhões de cidadãos roubados para encher os bolsos aos membros do bando.
Em casos extremos, como o nosso, em que os bandidos padecem de um fanatismo patológico, o país pode mesmo acabar desfigurado geográfica e historicamente, com milhares e milhares de portugueses a ter que pensar duas vezes antes de dizerem onde nasceram, não vá a sua freguesia de nascimento ter sido extinta pela paranoia demagógica e mentirosa destes bandalhos... isso para além das dificuldades acrescidas para a vida de populações inteiras, desviadas das suas tradições, rotinas de vida, serviços públicos, etc., etc., etc.
Não, não vivemos uma época edificante! Como se não bastasse, vem, mais uma vez, o que faz de primeiro-ministro da quadrilha... tentar colocar o peso da culpa sobre os ombros dos portugueses.
Desta vez, o canalha espera que 2013 «seja um ano em que as pessoas vençam o pessimismo e não acrescentem dificuldades àquelas que já temos», insinuando que somos nós quem origina a crise e as dificuldades por que estamos a passar. Insinuando que o estado miserável da sua governação não passa, afinal, de um “estado de espírito”, de que é o povo, “piegas e pessimista”, o único culpado.
Não satisfeito com isso, acrescenta ainda o canalha que «às vezes parece que há quem queira mais pessimismo e mais dificuldades»... a velha e fascista calúnia contra todos os que se opõe à política oficial e cometem o “crime” de anunciar, com antecedência, os seus resultados nocivos.
Pessoalmente, não quero nem mais “pessimismo” nem mais “dificuldades”. Provavelmente, nem sempre sei sequer aquilo que quero… excepto quanto ao futuro deste miserável que dá pelo nome de Pedro Passos Coelho e da sua abjecta quadrilha. Isso sei muito bem!!!