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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

quando se trata da papa desce-se de qualquer maneira

o iate e a ondulação



lavando a louça



Miguel Relvas, Dias Loureiro e José Luís Arnaut em férias de luxo no Rio de Janeiro


José Luís Arnaut e Dias Loureiro também estiveram no hotel de luxo Capacabana Palace, no Brasil


  • Miguel Relvas

As crises religiosas e sociais e suas consequências políticas 
por James Petras


"A década de crises tem tido diversos impactos importantes – enfraqueceu fortemente a identidade religiosa, qualquer que seja a sua denominação específica, aumentou a incerteza religiosa e aumentou fortemente o número e a percentagem de americanos adultos que deixaram de ser religiosos. Entre 1998 e 2008, a percentagem de adultos de ambas as categorias duplicou de 10,5% para 20,2%; os números aumentaram de 18,34 milhões para 46 milhões. Segundo parece, a maior parte dos 'não-religiosos' provém da maioria de cristãos e de judeus."

 
A longa década de abertura do século XXI (2000-2012) tem sido um período de repetidas e profundas crises económicas e sociais, de guerras em série e prolongadas e de queda dos níveis de vida para a grande maioria dos americanos. Como é que as pessoas reagiram a estas crises?

Não surgiu nenhum movimento em grande escala, de longa duração, para desafiar as classes dominantes bipartidárias. Durante um breve momento, o movimento "Occupy Wall Street" proporcionou uma plataforma para denunciar os 1% super-ricos mas depois desapareceu da memória.

Coloca-se a questão de se, no meio de prolongados tempos difíceis, as pessoas se viram para a religião como solução, como uma saída para a piedade espiritual. A questão que este artigo aborda é se a religião se tornou no 'ópio do povo' como Karl Marx sugeriu ou se as crenças e instituições religiosas também estão em crise, perdendo a sua atracção espiritual perante a sua incapacidade de resolver as necessidades materiais quotidianas de uma legião crescente de trabalhadores empobrecidos, mal pagos, desempregados e eventuais e de uma classe média que se vai afundando. Por outras palavras, as principais religiões estão a crescer e a prosperar na nossa época de crise económica permanente e de guerras perpétuas ou estão num caminho descendente e partilham do declínio do Império dos EUA?

Segundo os últimos dados de 2008, [nos EUA] o maior grupo religioso é o cristianismo com 173,402 milhões de membros representando 76% da população adulta, seguido pelo judaísmo com 2,680 milhões representando 1,2% da população adulta; seguidos pelas religiões orientais com 1,961 milhões e representando 0,9% de muçulmanos, em que 1,349 milhões representam 0,6% de adultos. O segundo grupo mais populoso depois dos cristãos é o dos adultos que afirmam 'não terem religião', 34,169 milhões, ou seja 15%.

População adulta e filiações religiosas, 1990-2008 

Adultos 1990
milhões
Adultos 2008
milhões
Variação percentual
Proporção dos adultos em 1990
Proporção dos adultos em 2008
Variação da proporção do total de adultos
1990 - 2008
População adulta175.440228,18230,1%
Cristãos (todos)151,225173,40214,7%86,2%76%-10,2%
Judeus (todos)3,1372,680-14,6%1,8%1,2%-0,6%
Orientais (todos)6871,961185,4%0,4%0,9%+0,5%
Muçulmanos (todos)5271,349156,0%0,3%0,6%+0,3%
Sem religião14,33134,169138,14%8,2%15,0%+6,8%
 
As tendências dinâmicas ao longo do tempo mostram uma percentagem decrescente de adultos que são cristãos: entre 1990-2008 caíram de 86,2% para 76%: os judeus desceram de 1,8% da população adulta em 1990 para 1,2% em 2008 e as religiões orientais estão a aumentar de 0,4% da população adulta para 0,97% da população. Do mesmo modo, a percentagem de muçulmanos na população adulta aumentou de 0,3% em 1990 para 0,6% em 2008. A percentagem de população adulta não religiosa aumentou de 8,2% em 1990 para 15% em 2008.

Enquanto os praticantes do cristianismo e do judaísmo, em percentagem da população adulta, diminuíram, há uma profunda divergência em termos de mudança numérica; entre 1990 e 2008 o número de cristãos aumentou 2,218 milhões enquanto o número de judeus diminuiu 457 mil. O judaísmo é a única das religiões, mais importantes ou menos importantes, a diminuir em número absoluto.

O número conjunto de afiliados religiosos orientais e muçulmanos, ultrapassa agora o judaísmo em 630 mil crentes, cerca de 30%. Os judeus representam hoje apenas 1,2% da população adulta dos EUA em comparação com 1,5% de muçulmanos, budistas e hindus. O fosso entre adultos cristãos e não-religiosos nos EUA diminuiu nos últimos 20 anos: de 86,2% e 8,2% em 1990, para 76% e 15% em 2008. Entre os cristãos o maior declínio está entre as 'principais igrejas protestantes' (os metodistas, os luteranos, os presbiterianos, os episcopalianos/anglicanos e a Igreja Unida de Cristo) de 32,8 milhões em 1998 para 29,4 milhões em 2008; e entre "protestantes não especificados", de 17 milhões para 5,2 milhões. Os maiores aumentos são entre "cristãos não confessionais" passando de 194 mil para 8,03 milhões de crentes entre 1990-2008, entre cristãos não especificados de 8,2 milhões para 16,4 milhões e entre pentecostais de 5,7 milhões em 1990 para 7,9 milhões em 2008. Católicos e baptistas aumentaram de número mas praticamente mantêm a sua percentagem da população adulta.

Análise das tendências religiosas no contexto político-económico 

Contrariamente à maior parte dos observadores e analistas, a crise económica não levou a um ressurgimento da afiliação ou identificação religiosa – a procura de 'consolo espiritual' numa época de desespero económico. As principais igrejas e sinagogas não atraem, nem sequer mantêm, membros porque pouco lhes têm a oferecer como soluções materiais numa época de necessidade (penhoras por hipotecas, falências, desemprego, perda de poupanças, de pensões ou de acções). Contrariamente a alguns analistas, nem mesmo as igrejas mais sobrenaturais, mais apocalípticas, a de Pentecostes, a Carismática, a do Novo Nascimento, embora aumentando o seu número, conseguiram atrair uma percentagem maior da população adulta nos últimos 20 anos; em 1990 tinham 3,5% de adultos e em 2008, 4,4%, um aumento de 0,9%.

A década de crises tem tido diversos impactos importantes – enfraqueceu fortemente a identidade religiosa, qualquer que seja a sua denominação específica, aumentou a incerteza religiosa e aumentou fortemente o número e a percentagem de americanos adultos que deixaram de ser religiosos. Entre 1998 e 2008, a percentagem de adultos de ambas as categorias duplicou de 10,5% para 20,2%; os números aumentaram de 18,34 milhões para 46 milhões. Segundo parece, a maior parte dos 'não-religiosos' provém da maioria de cristãos e de judeus.

O aumento de adultos não religiosos entre 1990-2008 não pode ser relacionado com uma maior educação, urbanização e exposição ao pensamento racionalista que se manteve mais ou menos o mesmo durante as duas décadas. O que mudou é o descontentamento crescente em relação aos rendimentos decrescentes dos trabalhadores assalariados, os grandes aumentos de desigualdade, as guerras perpétuas e o descrédito público das principais instituições políticas e económicas – o Congresso é encarado negativamente por 78% dos americanos, tal como os bancos, em especial a Wall Street. As instituições religiosas e a fé religiosa são crescentemente encaradas no mínimo como irrelevantes, mas também como cúmplices na decadência dos níveis de vida e das condições de trabalho nos EUA. Apesar do aumento acentuado de americanos 'não religiosos', cerca de 75% continuam a afirmar-se como crentes de uma qualquer versão de cristianismo.

A crise no judaísmo é muito mais grave do que a das 'principais' igrejas cristãs. Nos últimos 20 anos o número de judeus adultos diminuiu em 15%, mais de 450 mil antigos judeus deixaram de se identificar como tal. Algumas das causas político-económicas para a fuga do judaísmo podem ser idênticas às dos cristãos. Outras podem ser mais específicas dos judeus: mais de 50% de judeus casam-se fora da sinagoga com não judeus, causa e consequência da "defecção'. Há quem se converta a outras religiões – orientais ou cristãs. Alguns rabis judeus e ideologias neo-conservadores, clamam contra a ameaça de 'assimilação' que comparam a um 'genocídio'. Muito provavelmente, a maior parte de antigos judeus tornaram-se 'não-judeus' ou seculares e as razões para isso podem variar. Para uns, as histórias sangrentas do Antigo Testamento e as regras talmúdicas não se encaixam no pensamento racional moderno. Considerações políticas também podem contribuir para o profundo declínio na identidade dos judeus: os elos cada vez mais fortes e a identidade de Israel com as instituições religiosas judaicas, a bandeira de Israel anunciando um apoio incondicional aos crimes de guerra israelenses, afastaram muitos antigos paroquianos que se retiram discretamente em vez de se envolverem numa luta pessoal, com custos espirituais, contra o formidável aparelho pro-Israel inserido nas redes religiosas-sionistas interligadas.

Conclusão 

As crises religiosas, o declínio na crença e na afiliação institucional, estão intimamente ligadas com a decadência moral nas instituições públicas dos EUA e o súbito declínio dos níveis de vida. Entre os cristãos, o declínio é crescente mas regular; entre os judeus é mais profundo e mais rápido. Não se perfila no horizonte nenhuma 'alternativa religiosa'. Os grupos cristãos mais fundamentalistas reagiram tornando-se mais envolvidos politicamente em movimentos extremistas como o Tea Party, demonizando as despesas públicas para melhorar as desigualdades sociais, ou aderiram a movimentos islamofóbicos pró-Israel – aumentando assim o número do afastamento de ex-judeus!

A população adulta secular ou não-religiosa ainda tem que organizar e articular um programa em contraste com os fundamentalistas, talvez porque sejam uma categoria social muito díspar – em termos de interesses socioeconómicos e de classe. 'Não religioso' diz-nos muito pouco quanto à alternativa. A percentagem em redução de crentes religiosos pode ter diversos resultados: nalguns casos pode levar ao endurecimento da doutrina e das estruturas organizativas, 'para manter em linha os fiéis'. Noutros levou a uma maior politização, na sua maioria na extrema-direita. Entre os cristãos significa insistir nas leituras literais da Bíblia e no anti-evolucionismo; entre os judeus, os números em redução estão a intensificar as fidelidades tribais e uma angariação de fundos mais agressiva, o aumento da pressão e do apoio incondicional a um "Estado Judeu", purgado de palestinos, e com uma punitiva caça à bruxas contra os críticos de Israel e do sionismo.

O que é necessário é um movimento que ligue a crescente massa de pessoas racionais não religiosas à grande maioria dos trabalhadores assalariados que estão a sofrer a deterioração do nível de vida e dos crescentes custos (materiais e espirituais) das guerras imperialistas. Alguns indivíduos e até confissões religiosas sentir-se-ão atraídos por esse movimento, outros atacá-lo-ão por razões sectárias e políticas. Mas, assim como a moral não-religiosa liga as crises individuais e políticas à acção social, também a comunidade politica cria as bases para uma nova sociedade construída sobre necessidades seculares e ética pública.
 
 
 
O original encontra-se em http://petras.lahaine.org/?p=1925 . Tradução de Margarida Ferreira. 

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ . 


Mafarrico Vermelho
Posted: 30 Dec 2012 11:05 AM PST
Os chefes evangélicos
Igrejas Evangélicas S.A. - Enriquecendo em Cristo
Humor em Cristo

Pequenos extratos em vídeos de Pastores evangélicos pedindo "grana" aos crentes para sua "obra de Deus" , obviamente, obra localizada num paraíso fiscal, é óbvio!.
  
Têm também o rodopio ( viadagem) do Pastor Cisne Negro, imperdível! 
 
Entrevista exclusiva  diretamente do inferno, do demônio ao pastor evangélico, não percam! pois o demônio não dá muitas entrevistas.
 
E finalmente, o importante tema para a humanidade "com quem Caim se casou" se Adão e Eva foram os primeiros habitantes da terra?

Toda estupidez protagonizada por Pastores, bispos, apóstolos evangélicos e vomitada para seu rebanho de tôlos, que infelizmente acreditam! fazer o quê?
 
Deus nos livre de um Brasil Evangélico!!
Cruz credo, Saravá tres vêzes!
 
Obs: A palavra "viadagem" se aplica a todos os homofóbicos, como é o caso desse Pastor, que dá esse "espetáculo de viadagem" rodopiante e cheio de trejeitos horrorosos.
 
 
Com a palavra os "homens de Deu$"


Apostolo Valdomiro querendo tomar 30% dos ganhos dos seus fiéis:
 
 
 
Esse Pastor bem que tentou ser o protagonista do filme " O cisne Negro". Até hoje ele morre de inveja da atriz Natalie Portman. Por essa grande frustação em sua vida, nos cultos ele fica de "viadagem" rodopiando feito um pião.
 
 
 
O demônio ( também pode ser chamado de diabo, belzebu, inimigo, mafarrico, coisa ruim e etc) concede entrevista exclusiva diretamente do inferno ao pastor evangélico, vejam com seus olhos que um dia a terra há de comer!!! cruz credo!!
 
 
 
Apresentamos a importante palestra para toda humanidade, intitulada "Com quem Caim se casou? se Adão e Eva foram os primeiros habitantes da terra". Apresentada por um Pastor, que de falar tanta merda, sua bôca ficou igual a uma privada entupida!. A utilização da descarga foi necessário ao final da palestra.
 
 
 
 
 

Chega de asneiras , sou ateu graças a Deus!
Ateu em Cristo, é claro!!...rs.rs.rs
 
 

O que é a Akoya Asset Management?

A Akoya está no centro da investigação judicial Monte Branco. É uma empresa gestora de fortunas com sede na Suíça.
A Akoya Asset Management saltou para os jornais, no âmbito da operação Monte Branco, uma acção que visou desmantelar uma rede que alegadamente permitia a saída de Portugal de capitais, fugindo ao fisco e permitindo o branqueamento de capitais.

A Akoya, segundo o seu "site", diz ser "um grupo suíço independente especializado na gestão de fortunas multi-disciplinar, fundado em 2009 no coração do centro financeiro da Suíça".

Fala no profissionalismo da sua equipa, liderada por Michel Canals, arguido no processo Monte Branco, mas que depois de uma detenção foi libertado sob caução. Michel Canals é caracterizado no "site" da Akoya como tendo mais de 30 anos na indústria financeira, tendo passado pelo Swiss Bank e pela UBS. Antes de se juntar à Akoya, foi responsável, no país helvético, da gestão de fortunas dos designados UHNW ("ultra high net worth"), que são as pessoas com activos superiores a 30 milhões de dólares. 

Na lista da equipa da Akoya consta, ainda, Nicolas Figueiredo, também arguido no processo Monte Branco e também libertado, depois de detido, sob caução. Tem 15 anos de indústria financeira e também trabalhou na UBS. Foi responsável, segundo o "site" da Akoya, pelos clientes portugueses no departamento de gestão de fortunas. 

José Pinto e Monica Ködder são os outros dois elementos citados no "site" da Akoya como pertencentes à equipa. José Pinto é referido como tendo 10 anos de experiência na indústria financeira, tendo trabalhado na UBS em Genebra, Nova Iorque, Miami e Lisboa, no serviço de gestão de fortunas aos UHNW do Brasil e Portugal. Monica Ködder tem 20 anos de experiência na banca suíça, sendo a sua área de especialização o imobiliário.

No caso Monte Branco, há ainda um arguido em prisão preventiva. Segundo tem sido noticiado, Francisco Canas, conhecido como "Zé das Medalhas", é o único que ainda se encontra detido. Era dono de uma loja de medalhas na Baixa de Lisboa e permitia a transferência para uma sua conta em Cabo Verde de contas em Portugal. O dinheiro era então levantado e entregue aos clientes. O "Sol" escreveu em Maio que a rede de Canals teria sido usada por cerca de 400 clientes, com um prejuízo para o Estado de cerca de mil milhões de euros.

Quando o caso Monte Branco veio a público, surgiram notícias que davam conta do envolvimento de banqueiros, gestores e políticos, enquanto clientes da Akoya. Segundo foi noticiado a semana passada, Ricardo Salgado, presidente do BES, foi ouvido como testemunha neste caso, tendo prestado esclarecimentos sobre a sua ligação à Akoya enquanto alegado cliente. Segundo foi noticiado por vários jornais, Ricardo Salgado terá a sua situação fiscal regularizada. 

Álvaro Sobrinho, gestor angolano, assume, agora, ser accionista da Akoya, através da Coltville. Mas "não pertence nem nunca pertenceu a qualquer órgão de gestão desta sociedade". E enquanto accionista, juntamente com outros, diz ter solicitado "à autoridade de supervisão suíça uma inspecção extraordinária à Akoya, apesar de ter já sido feita uma auditoria profunda à sociedade, cerca de um mês antes de os administradores da Akoya terem sido constituídos arguidos, a qual atribuiu uma excelente classificação aos procedimentos e regras instituídas pela lei suíça", diz Álvaro Sobrinho na carta publicada esta sexta-feira, 28 de Dezembro, no jornal "Sol". 

MOICANOS - ESPECIAL


"Moicano" é um corte de cabelo indígena usado por índios americanos e celtas, geralmente raspado dos lados.
Utilizados também por punks e outros sub-gêneros. Algumas vezes são pintados, deixando o moicano mais diferenciado. Também existe outro tipo de moicano, que não são raspados dos lados, só levantados. Esse tipo é mais simples, menos chamativo.

Moicano Spikes: É o moicano que em vez de uma "crista" possui "Espinhos", em geral são estabilizados por fixador de cabelo, Gel em alguns casos sabonete.




Moicano LequeÉ aquele que é uma "crista" perfeita, geralmente estabilizada por sabonete ou Gel.








Segue abaixo pessoas adeptas do moicano:



























Espero que tenham gostado 

Bons e Velhos Tempos: Buster Keaton


Buster Keaton foi um grande artista da era do cinema mudo.
Contemporâneo de Harold Lloyd e Chaplin, alguns adentram na discussão de quem seria o melhor. Para mim, é como comparar “apples & oranges”, mas confesso uma predileção ao homem que nunca sorri.
Sua característica mais marcante é a expressão facial – ou, melhor dizendo, a falta dela – tendo sido apelidado de “The Great Stone Face”.
Sua genialidade pode ser observada nas incríveis cenas acrobáticas que realizava sem a ajuda de dublês, bem como pelo uso adequado dos elaborados cenários e locações, o que permitia incríveis efeitos visuais em plena década de 1920. O maior efeito especial, no entanto, era o próprio Keaton.
Não é apenas a sua genial obra que é digna de análise. Sua história é a exemplificação de que grande parte das coisas na vida – senão todas – são efêmeras e que, apesar disso, é preciso continuar a fazer o que se faz de melhor. No caso de Buster Keaton, o melhor era saber fazer rir.

Campeão mundial de poker
Buster Keaton nasceu numa família de artistas do gênero vaudeville, que é uma espécie de junção entre números circenses, bizarrices e teatro. Foi logo na infância que ele adquiriu suas habilidades acrobáticas, bem como a percepção de que uma expressão impassível diante das situações mais absurdas fazia o número ser ainda mais engraçado.
Começou sua carreira nos filmes de Fatty Arbuckle de quem era grande amigo. Logo montou o próprio estúdio e passou a dirigir e atuar seus próprios filmes.
A obra de Keaton é marcada pela sua estrondosa habilidade acrobática aliada a um pensamento vanguardista de se fazer cinema. Foi um dos primeiros artistas a investir em diferentes e arriscadas técnicas de filmagem e seqüências. É dele a memorável cena em que a parede de uma casa a cai deixando-o intacto devido a um vão da janela (o cenário pesava meia tonelada e toda a equipe fechou os olhos na hora com medo do Buster ser esmagado).
Estou cantarolando essa musiquinha
Sherlock Jr. (1924) é um de seus filmes mais engraçados. Possui cenas memoráveis para a história do cinema, como a cena em que Keaton entra (literalmente) na tela do filme que está sendo exibido e passa a interagir com a história.
Esse filme tem ainda uma seqüência que é o exemplo perfeito do tipo de humor que o artista imprimia em suas obras com desordem, confusão e técnica de câmera rápida.
Buster Keaton tinha o ímpeto de tentar coisas novas, aprimorar sua técnica e atuação. Essa visão diferenciada que tinha em relação à produção cinematográfica fez com que fosse produzida uma das grandes obras-primas do cinema: The General (1926).
Há uma cena em que a locomotiva, ao passar por uma bem estruturada ponte de madeira, cai no rio. Para isso foi necessário realmente construir tal ponte e, de fato, uma locomotiva ficou em pedaços. Foi a mais cara cena de cinema produzida até então, tendo sido gastos cerca de 750 mil dólares

Ok... é só um vagão e não a locomotiva inteira.
Keaton era perfeccionista e se empenhou para que The General tivesse a qualidade que tem. No entanto, o filme foi um fracasso nas bilheterias. O público e a crítica não parecem ter compreendido o vanguardismo do ator que tentou imprimir na obra uma história além dos padrões dos pastelões da época.
Em 1928, devido a dificuldades financeiras, Keaton vendeu seu estúdio para a MGM, tornando-se assalariado desta. Foi o início de seu declínio, pois o ator não mais tinha a liberdade artística de antes e o novo estúdio o obrigava a deixar que um dublê realizasse as cenas mais perigosas.
Além disso, começou a ascensão do cinema falado e Keaton deveria começar a produzir novos filmes no novo formato. Até então, tudo bem. Ocorre que os atores tinham que gravar a mesma cena em três idiomas diferentes e, convenhamos, não há espontaneidade e talento que possa resistir a isso.
Mas como 
uma merda um infortúnio na vida sempre atrai outro, em 1932, a mulher de Keaton pediu divórcio levando boa parte de sua fortuna. Como se não bastasse, ela ainda retirou o sobrenome do ator de seus dois filhos e o impedia de manter contato com os meninos.
Keaton, que já tinha na família histórico de alcoolismo por parte de pai, se tornou alcoólatra chegando a beber uma garrafa de whisky por dia.

É a vida te derrubando, amigo.
A verdade é que Keaton nunca se adaptou ao cinema falado, tendo que se sujeitar a produções ruins para continuar na ativa. Em decorrência dos fracassos de bilheteria e dos problemas com o alcoolismo, foi demitido do estúdio MGM.
Em 1940, após mais um casamento/divórcio que tomou boa parte de sua fortuna, Keaton se casou comEleonor Norris, com quem ficou atéo fim da vida. Eleonor o ajudou na batalha contra o alcoolismo, foi o recomeço do homem que sempre caiu e soube se levantar.

O genuíno “Glory Hole”
Durante os anos 1950’s, Keaton estrelou um famoso programa de TV: The Buster Keaton Show, e em 1957 sua trajetória foi tema do filme “The Buster Keaton Story”, dirigido por Sidney Sheldon. Recebeu umOscar honorário em 1959 pelo seu talento único e comédias inesquecíveis.
Em 1966, Keaton faleceu em decorrência de câncer no pulmão.

O fim chega para todos, afinal.
Acho uma pena Keaton não ser tão conhecido pelas novas gerações. Keaton foi mais do que isso que eu tentei mostrar na coluna de hoje. O que se observa em seus filmes é sempre um personagem obstinado que, apesar de miúdo (1,68 m) é capaz de fazer qualquer coisa para atingir o que quer. Ele cai, levanta, é derrubado de novo, mas nunca desiste. Era uma espécie de herói para mim, garoto franzino.
Keaton não chega a interpretar o mais carismático dos personagens, já que este nunca sorri ou chora. Mas acontece algo inusitado, o espectador se envolve por aquele solitário homem inexpressivo. Inexpressivo? Mentira. Os grandes olhos de Buster Keaton mostram tudo o que deveriam mostrar. É a prova de que não é preciso exagerar nas expressões faciais, nem falar para dizer muito.
Obrigado, Keaton, por me fazer gargalhar tantas vezes!

Afinal, ele também gargalhava.

 lol, he he he