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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012



Ordenados secretos

É assim a política de direita disfarçada de democracia.

Ordenados de 300.000 euros


O ministro das Finanças, Vítor Gaspar, tem recusado divulgar os vencimentos auferidos por altos cargos na Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública – IGCP, que, segundo o Correio da Manhã, rondam os 300 mil euros anuais.



João Moreira Rato e Cristina Casalinho, beneficiam de um regime de excepção no IGCP. 

Regime de excepção e ilegal

Ambos os gestores do IGCP não entregaram as declarações de rendimentos junto do Tribunal Constitucional, o que deviam ter efectuado até 18 de Agosto.
Em 10 de Setembro o Correio da Manhã, questionou Vítor Gaspar. O ministro não respondeu.

É isto a política de direita, política de classe do capitalismo.

Blog C de...

“O Dono de uma Sucata foi impedido de levantar um cheque e foi expulso de sucursal do banco Santander Totta no distrito de Braga por estar mal vestido”


“O Dono de uma Sucata foi impedido de levantar um cheque e foi expulso de sucursal do banco Santander Totta no distrito de Braga por estar mal vestido”
Paulo Ribeiro, dono de uma sucata, nem queria acreditar quando o gerente da unidade bancária lhe disse que não podia levantar um cheque no interior da dependência.
“Vinha do trabalho e passaram-me um cheque de 169 euros. Como o banco fica no caminho, decidi ir levantá-lo, mas fui posto na rua por estar mal vestido”, lamenta o empresário, de 36 anos e natural de Figueiredo, Braga, reportando-se à manhã de terça-feira.
“O gerente disse-me que pensava que eu era romeno. Isto é racismo”, lembra, indignado com a situação, acrescentando ter pedido o livro de reclamações, o qual lhe foi inicialmente recusado. “Disse que só o dava depois de eu tomar banho e vestir outra roupa”, acrescenta ainda.
Ato contínuo, decidiu chamar as autoridades. A GNR foi ao local e tentou identificar o gerente do banco mas, segundo Paulo Ribeiro, sem êxito. “Disse que não se identificava e que se as autoridades quisessem identificar alguém que identificassem o banco”.
A situação é perceptível no vídeo a que o JN teve acesso e onde se vê o gerente do banco entregar o valor do cheque em numerário a Paulo Ribeiro. “Acabei por ser atendido na rua. Ele foi lá dentro com o cheque e entregou-me, cá fora, o dinheiro”, explica o empresário, que nunca tinha sido confrontado com semelhante atitude. “Isto nunca me tinha acontecido. Nem nunca pensei que fosse possível. Andamos a trabalhar e a pagar impostos para sermos tratados desta forma”, frisa.
Paulo Ribeiro avançou com uma queixa na GNR e fez uma exposição dos factos ao Banco de Portugal. “É preciso denunciar estes procedimentos. Não quero que aconteça a outro cidadão qualquer, independentemente de raça ou estrato social”, alerta.
A GNR de Braga confirma a queixa e o Santander Totta o caso. “De imediato, abriu-se um procedimento interno para apurar os factos que efetivamente ocorreram, processo esse que continua em curso”, explica Cristina Dias Neves, da comunicação do Santander Totta.


Paulo Cristóvão até tinha espia dentro do Fisco


 
NELSON MORAIS

O ex-presidente do Sporting, Paulo Pereira Cristóvão, obteve informações confidenciais da maioria dos árbitros de futebol, em 2011, através de uma funcionária das Finanças, arguida noutro processo.
 

Paulo Cristóvão até tinha espia dentro do Fisco
Godinho Lopes com Paulo Cristóvão
 
Virgínia Maria Ferreira de Freitas era a funcionária repartição de Finanças Lisboa 1 que utilizou as bases de dados da Administração Tributária e Aduaneira (ATA) para pesquisar e transmitir a Paulo Pereira Cristóvão, entre outras informações, números de identificação fiscal e bancárias, rendimentos, titularidade de bens móveis e imóveis e identificação dos cônjuges dos árbitros.
A pesquisa desses dados foi feita a 14 de julho e a 10 de agosto de 2011, num serviço combinado entre Cristóvão e o companheiro daquela funcionária, Carlos Ferreira Alves da Silva. Este é funcionário reformado do Fisco e recebera, da parte do então vice-presidente dos leões, a lista dos árbitros que apitavam jogos da 1.ª Liga de Futebol.
O serviço não terá sido feito por favor ou simpatia clubística. Virgínia Freitas e Alves da Silva são suspeitos de terem feito negócio com as bases de dados do Fisco. Aliás, não foram agora acusados de crime, porque, antes de ser aberto o processo de Cristóvão, já eram investigados noutro inquérito, que ainda está pendente na 9.ª secção do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa. Um deles está já em prisão preventiva, mas o JN não logrou confirmar qual.
Pelos mesmos factos, Cristóvão foi já acusado de um crime de acesso ilegítimo, previsto na lei do cibercrime e punível com pena até cinco anos de prisão. E o facto de ter posteriormente criado e gerido um ficheiro informático em formato Excel, com as informações dos árbitros, também lhe valeu a acusação por um crime de devassa, que pode custar até dois anos.
Cristóvão foi acusado de outros cinco crimes: um de burla qualificada, que lesou o Sporting em 57 mil euros; um branqueamento de capitais, pela dissimulação daquele dinheiro através da empresa Rightexpert; dois de peculato, pela apropriação ilegítima de 4640 euros do clube; e outro de denúncia caluniosa contra o árbitro José Cardinal.
O segundo arguido visado pela acusação é Vítor Viegas, antigo superior hierárquico de Cristóvão na Polícia Judiciária, que vai responder por três crimes. Os de branqueamento e burla e foram cometidos em coautoria com Cristóvão, mas o outro, de devassa por meio informático, foi-lhe aplicado só a si.
A acusação por este crime resulta do facto de lhe ter sido apreendido um ficheiro informático, Excel, contendo os nomes dos futebolistas profissionais do Sporting, das suas mulheres e de alguns dirigentes do clube, e informações sobre das residências e a marca, modelo, matrícula e cor dos automóveis 

Ministro Miguel Macedo foi 'apanhado na curva' no caso das polícias
O ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, não tinha conhecimento da proposta elaborada pela comissão de revisão do Conceito Estratégico de Segurança e Defesa Nacional (CESDN), pelo que a reestruturação das polícias terá sido feita à sua revelia, avança a edição desta quinta-feira do jornal i.
Miguel Macedo foi 'apanhado na curva' no caso das polícias
O ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, foi apanhado de surpresa no que diz respeito à proposta elaborada pela comissão de revisão do Conceito Estratégico de Segurança e Defesa Nacional (CESDN), sendo que no encontro de emergência que teve na terça-feira à noite com o director-nacional da PSP terá mostrado o seu desagrado com o teor do documento, revela o jornal i.


Refira-se que a proposta prevê que a Polícia de Segurança Pública (PSP) passe apenas a estar vocacionada para o policiamento de proximidade nas cidades, bem como a entrega das competências do combate à criminalidade grave e violenta e ao terrorismo à GNR.
Miguel Macedo não estava a par do documento uma vez que a comissão que o delineou foi nomeada pelos ministros dos Negócios Estrangeiros e da Defesa, Paulo Portas e Aguiar-Branco, respectivamente, por solicitação do chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, portanto sem o aval do Ministério da Administração Interna, que por sinal tem a tutela da PSP e da GNR.
A direcção-nacional da PSP já ameaçou demitir-se em bloco caso o projecto contemplado na proposta avance.


QUERIDO PAI NATAL: E UMA NOVA BANDEIRA,PODE SER?


E uma nova bandeira, pode ser?
20/12/12 00:31 | Helena Cristina Coelho
JORNAL ECONÓMICO


Querido Pai Natal, esta não é uma lista de pedidos de presentes ou fantasias de Natal.
Querido Pai Natal, esta não é uma lista de pedidos de presentes ou fantasias de Natal. Não é sequer uma forma de desculpar o mau comportamento do País nos últimos anos para justificar um típico acto de generosidade no final do ano. É, acima de tudo, o reconhecimento de que chegamos ao final de um 2012 muito duro que tem servido de estágio para um novo ano ainda mais penoso. E é também um lamento por, ao fim de mais um ano, ver tantos projectos e ambições de Portugal a caírem em saco roto. Confesso: gostaria muito que esta fosse uma genuína lista de pedidos para o País.

Uma lista onde cabem velhos sonhos e aspirações de um País que minou a auto-estima e a autonomia à conta de asneiras, ganâncias e erros de cálculo. Gostaria muito que os portugueses não fossem obrigados a chegar ao final de um ano a fazer contas à venda dos seus mais preciosos anéis. Que não tivesse de entregar a gestão das suas redes energéticas a outras nações, seja a China ou outra qualquer, porque necessita urgentemente de receitas. Que não precisasse de entregar a investidores internacionais, sejam da Colômbia, Alemanha ou Angola, a gestão dos seus estaleiros, dos seus aeroportos ou dos seus aviões, simplesmente porque deixou de ter músculo e fôlego financeiro para os sustentar. Que pudesse contar com grandes e sólidas empresas privadas portuguesas para manter estes negócios em mãos nacionais.

Mas nada disso se parece cumprir. Mais milhão, menos milhão, os dedos debilitados de Portugal vão perdendo os anéis que, durante anos, marcaram uma identidade nacional. Uma bandeira a que os portugueses se agarram agora para segurar o que, nesta conjuntura, não têm forma de pagar. Como muitos portugueses, também eu gostaria de pedir que a RTP se prolongasse como um canal de (verdadeiro) serviço público, que os estaleiros de Viana continuassem a funcionar com capital nacional, que a gestão da ANA permanecesse em mãos portuguesas, que a TAP continuasse a orgulhosa companhia aérea de bandeira. Mas não há orgulho nacionalista que resista a uma economia falida. Não há mão que valha a pena bater no peito quando há dívidas, passivos e prejuízos a sangrar nas contas das empresas públicas.

Se há lição a retirar deste castigo - sim, porque ser obrigado a vender tudo isto vale quase tanto como uma punição - é que alguma coisa os portugueses terão feito bem pelo caminho. Se hoje há investidores de vários cantos do mundo disponíveis para comprar estas marcas e empresas, é também porque os portugueses conseguiram criar e manter projectos suficientemente válidos para justificar esse interesse, há um projecto que vale a pena manter e ajudar a crescer. E isso deveria fazer alguma coisa pelo País. É verdade, custa vender (ainda para mais à pressão) aquilo que demorou tanto a construir.

Mas, se há momento de trocar os velhos problemas por novas soluções, é agora. Os portugueses não precisam de companhias de bandeira. Precisam, isso sim, de novas bandeiras. Precisam de novas metas, aspirações, planos, regras, um futuro que nos descole de vez destes anos penosos em que começámos a derrapar, em vez de acelerar. Por isso, Pai Natal, se não for pedir muito, seria possível receber os pilares de um País novo no próximo ano? A nossa futura bandeira depende disso.

A especiaria

um pão nos cornos da populaça

Cristina Andrés, uma empresária de Vigo, vai atirar pão ao populacho resgatando, ao que parece, uma tradição do século XVII. São 3.000 os pães que a esmoler senhora arrojará das varandas da luxuosa sede da sua empresa para a mole humana que, lá em baixo, de mão estendida, tentará arrebanhar o maná vindo dos céus.

Querem saber o que é que eu acho? Que os maias tinham razão. Que amanhã se acaba o pesadelo e que este processo de retrocesso, salvo seja, irá ser interrompido à força de vendavais, ciclones, dilúvios e sei lá que mais, talvez tornados, talvez erupções vulcânicas, talvez bolas de fogo a caírem-nos na moleirinha.

Se tal não acontecer, se os maias nos tiverem enfiado o barrete, então que sejamos nós a pôr fim a este fim do mundo. Que se tome a Bastilha, que se guilhotinem as Antonietas deste vale de lágrimas onde vogamos ao sabor dos caprichos e desmandos dos novos senhores medievais.




Quatro almas

ai que rico cheirinho a igreja!...


Valha-me Santo Eucarário, eis o regresso da Velha Senhora em toda a sua glória, de crepes negros, vestido negro, véu negro, chapelito negro no alto do cocuruto e punhetes de renda negra nas mãos cavernosas. A cheirar a naftalina e, claro, a incenso, que o ouro mirra cada vez mais à pala do Gaspar. Ai que rico cheirinho a igreja, está-me a dar cá uma filoxera de ir à dos Mártires em pranto pelos portugueses todos!

Todo este aranzel vem à colação de uma nova que li hoje, que lá para as bandas de Braga, a Roma de Portugal onde convivem santos e arcanjos numa eterna ceia de cardeais, bispos e arcebispos, um funcionário do Santander impediu a entrada de um cliente na dependência por estar ... mal vestido.

Agora me lembro, há muito que não vejo aquela plaquita que tanto me envergonhava em piqueno (reparem como escrevo piqueno, que isto de reencontrar a Velha Senhora tem destas finesses), de tão mal vestido que andava, a roupa pingona, os sapatos cambados: RESERVADO O DIREITO DE ADMISSÃO.

Proponho que o Totta, Santander em segundas e auspiciosas núpcias, a coloque à porta dos seus estabelecimentos. Assim, já não há quiproquós. Toda a gente sabe, e quem não sabe devia saber, que os bancos são para os ricos alaparem os traseiros onde não há almorróida que se não cure. É lá que encontram juros baratos (juros altos só para os pobres, o risco de incumprimento é elevado). Os pobres pagam despesas de manutenção, porque as somas que lá têm só dão incómodos e chatices. Os ricos não. Os pobres pagam a crise. Os ricos não. Os ricos comem. Os pobres comem pela medida grande. Os banqueiros têm que ser ajudados pelo Estado. Os pobres não. Os banqueiros vivem da rapacidade. Os pobres da caridade, essa imaculada prática que regressou com o regresso da Velha Senhora, abençoada seja que tanta falta nos fez de setenta e quatro para cá.

Oremos, irmãos. A igreja está toda iluminada. Deve ser Natal. 

Imagem: http://www.stockvault.net/

Quatro almas