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domingo, 9 de dezembro de 2012


Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Mãos dadas


Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.

Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.

Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.

Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,

não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.


O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.

Têm aqui a minha!


beijinhos e boa semana 


SÓ TE PEÇO CINCO MINUTOS

COVA COM ELE !



Fábrica dos "coisos" das Caldas...














O cultivo do arroz é a principal actividade agrícola desta freguesia, sendo também responsável pelas belas paisagens que se vão transformando ao ritmo das estações do ano.
A cultura do arroz terá sido introduzida em Portugal no reinado de D. Dinis, no Baixo Mondego, na zona de Montemor-o-Velho, a partir de semente procedente da região de Sevilha.
Conhecido por “O Lavrador”, este rei governou em Portugal de 1279 a 1325.
Desenvolveu a agricultura, dando terras para cultivar a quem não as tinha (mas apenas se as trabalhassem) e por transformar zonas de pântanos em terras próprias para a agricultura.

As histórias da Cegonha Cici – O Cultivo do Arroz no Baixo Mondego
Muitas crianças, particularmente as que vivem longe do campo, desconhecem de onde vem o arroz ou como ele se desenvolve. Especialmente a pensar nelas, em 2009 fizemos um vídeo didático no qual a “Cegonha Cici” explica o ciclo do cultivo do arroz.
De algum modo, este vídeo pretende ser também uma forma de preservar o património imaterial, particularmente das gentes da Borda do Campo, uma pequena freguesia situada a sul do concelho da Figueira da Foz, no Baixo Mondego.
No Inverno os campos encontram-se em repouso após mais uma época de colheitas.
À medida que as chuvas vão caindo, os campos vão-se transformando
num enorme espelho de água.
Em meados da Primavera tem início um novo ciclo de cultivo.
Em Abril preparam-se os terrenos.
As maquinas limpam as valas para poder drenar e irrigar os campos.
A descida das águas é um festim para a aves, alimentando-se de lagostins a pequenos peixes.
Em meados de Abril, inicio da gradagem dos campos.
A utilização de rodas de ferro oferece maior sustentação ao tractor e deixam menos rastos que as rodas de borracha.
Com a utilização de uma grade traseira remexem o terreno previamente alagado com água, para arrancar as ervas daninhas e nivelam o terreno deixando a superfície lisa e totalmente submersa.
Este processo também permite a formação de lama, ideal para receber o arroz préviamente germinado e facilitar assim o seu enraizamento, evitando que seja arrancado e deslocado pelas pequenas ondas formadas pelo vento.
Apesar de já se poder semear o arroz através de avião, a maioria dos agricultores da Borda do Campo opta por fazê-lo a pé, de barca ou de tractor. Para se poder guiar durante a sementeira, o agricultor divide o terreno em pequenos lotes, através da colocação de canas ao longo da sua propriedade.
Nos últimos dias de Abril decorre a sementeira do arroz. A azáfama no campo é muita e entre tractores e barcas, o arroz é lançado à água. Nesta zona do Baixo Mondego são várias as técnicas utilizadas para semear o arroz.
Semear a pé
Semear com bóia
Semear de barca ou com tractor
Para celebrar o fim da azáfama da sementeira do arroz, desde há alguns anos que se realiza no primeiro domingo de Maio a já tradicional Corrida de Barcas no Rio Pranto.
Eis um vídeo com alguns dos melhores momentos da Corrida de Barcas de 2009.

Pode ver mais sobre a Corrida de Barcas em:
http://bordadocampo.com/barcas/corridas-de-barcas/
Tal como qualquer outro cultivo agrícola, também o arroz precisa de cuidados para um crescimento saudável e rentável. Em Junho, quando o arroz já tem alguma altura acima da água, é adubado a pé, de tractor ou de avião.
Em meados de Junho voltam os trabalhos ao campo. Nesta altura procede-se à monda do arroz. Antes do aparecimento de químicos específicos, a monda – eliminação de ervas daninhas – era feita à mão pelas mondadeiras. Actualmente é frequente ver-se meios aéreos a cumprir essa tarefa.
Monda a pé
Monda de tractor
Monda de avião
Para que os químicos produzam efeito, os campos devem ter pouca água. Nas grandes áreas os níveis das águas são controlados através de comportas, enquanto que nos pequenos canteiros é necessário bombeá-la.
Em Setembro chega a altura de ceifar o arroz. Em tempos o arroz era cortado à mão, mas actualmente essa prática apenas acontece para cortar algumas bordas que a ceifeira mecânica não consegue alcançar.
O Rancho Etnográfico da Borda do Campo também está muito ligado ao cultivo do arroz.
Eis um vídeo com a actuação do Rancho Etnográfico da Borda do Campo, uma dança dedicada as colheitas, ornamentados com cestos de espigas de arroz.

Pode ver mais sobre o Rancho Etnográfico da Borda do Campo em:
http://bordadocampo.com/instituicoes/rancho-etnografico-adulto-da-borda-do-campo/Rancho Etnográfico Infantil da Borda do Campo:
http://bordadocampo.com/instituicoes/rancho-etnografico-infantil-da-borda-do-campo/

As palhas são retiradas do campo e armazenadas em forma de palheiros ou de fardos.
O arroz é levado para secar nas eiras ou em secadores mecânicos.
Para poder ser descascado, o moinho é o próximo destino do arroz. Finalmente pode ser consumido.
Com uma Tarara, separam-se os grãos de arroz inteiros da casca e dos grãos partidos.
Na aldeia do Casenho, freguesia da Borda do Campo, situa-se o último moinho em pleno funcionamento. Com 87 anos e com a força que a saúde ainda lhe permite é junto às mós que Manuel Carvalho se sente feliz.
Foi com a consciência da necessidade de preservar um pouco deste património que realizámos esta reportagem. Neste vídeo é possível observar uma actividade menos vista pelo público em geral, mas fundamental para o bom funcionamento do moinho – o picar da pedra.
Pode ver mais sobre a história dos moinhos desta região em:
E por fim o arroz chegou ao prato, com o tradicional arroz de Carneiro
E para sobremesa, um delicioso arroz doce com passas e pinhões.