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terça-feira, 27 de novembro de 2012


PCP - Nota sobre a abertura de uma grande superfície no centro de Santa Maria da Feira

imageA pouco tempo da abertura de mais uma grande superfície comercial na cidade de Santa Maria da Feira, o PCP vem denunciar, uma vez mais, os riscos que representa este projecto para a economia local feirense. Durante bastante tempo o Executivo camarário PSD tentou justificar a luz verde dada a este projecto com a promessa de uma contrapartida a ser garantida pelo grupo SONAE, que consistiria na requalificação do espaço envolvente: a “Pedreira das Penas”, actualmente um depósito de águas estagnadas altamente contaminadas, onde proliferam roedores, entulho, lixo acumulado e onde, graças à existência de materiais em decomposição, o mau cheiro atinge graus insuportáveis. Essa contrapartida, integrada, de acordo com a Câmara Municipal, no projecto de criação de um centro de criação de artes de rua – a tão publicitada “Caixa das Artes” – não passou afinal de uma miragem com que os responsáveis locais do PSD acenaram quando isso parecia servir os fins do grupo em causa.

Hoje, a requalificação da Pedreira das Penas ainda não saiu do papel, e a única caixa à vista é a “caixa registadora”. Sem embargo da criação de um limitado número de postos de trabalho – cujas condições laborais estão ainda por esclarecer, prevendo-se que venha a constituir mais um exemplo de precariedade e desprotecção laboral – é facto indesmentível que a instalação de uma grande superfície comercial no centro da Feira representa a machadada final no comércio local da freguesia-sede do Concelho. 

Quando a Feira se encontra já notoriamente saturada de grandes superfícies comerciais, cercada como está por “hipermercados”; quando comércio local enfrenta um momento particularmente difícil graças à situação económica dos trabalhadores e do povo para onde nos empurra a actual política; quando os comerciantes feirenses lutam pela sobrevivência num contexto de asfixia e colapso dos pequenos e médios comerciantes (desemprego, empobrecimento dos trabalhadores, IVA a 23%, roubo dos salários, etc.), a decisão política de autorizar a instalação de um hipermercado no centro da Feira constitui uma gravosa irresponsabilidade, pela qual todos os feirenses devem pedir contas à Câmara. 

Acresce ainda que da riqueza resultante destas mega-lojas não ficarão na região mais do que algumas migalhas: entretanto, o lucro será canalizado para as fortunas dos homens mais ricos do país (e talvez conduzido para sedes fiscais no estrangeiro, como sabemos ser hoje prática corrente...), contribuindo assim para a extraordinária acumulação de capitais em elites económicas cujos lucros não param de crescer de ano para ano, enquanto aqueles que vivem apenas do seu trabalho vêem degradar-se a sua situação de dia para dia. 

Alertamos também para os riscos que traduz este projecto ao nível da saúde pública: pretende instalar-se uma grande loja de venda de bens alimentares a escassíssimos metros de um depósito de lixo com várias décadas – as antigas pedreiras, com metros de profundidade de água estagnada, entulho, lixo doméstico, velhos electrodomésticos, intenso odor, etc. – constituem um evidente foco infeccioso, ameaçando a saúde de todos quantos vierem a frequentar aquela superfície, e colocando em causa as condições sanitárias para o armazenamento e venda de alimentos. À questão ambiental soma-se agora uma preocupante questão de saúde pública. 

É urgente denunciar esta opção estratégica do poder local/PSD: a instalação de grandes superfícies detidas por monopólios comerciais não só não salvaguarda o comércio local, como significa o fim de muitos dos empresários, comerciantes, lojistas e retalhistas. Esta opção apenas contribui para acentuar as assimetrias económicas e sociais, para além de configurar uma prática lamentável e ultrapassada de invasão de um centro urbano com um bloco de betão, implicando previsíveis congestionamentos de trânsito, aumento dos níveis de ruído e poluição no centro da cidade, e consequente perda de qualidade de vida, deixando, por outro lado, intocado o gravíssimo passivo ambiental que representam as antigas pedreiras. Todos estes factores caracterizam bem o sentido retrógrado, penalizador e irresponsável que assume o Executivo PSD liderado por Alfredo Henriques: à imagem do actual Governo PSD/CDS-PP, também aqui em Santa Maria da Feira os números valem mais do que as pessoas. 

O PCP reafirma a sua solidariedade para com os pequenos e médios comerciantes e empresários de Santa Maria da Feira, mas anuncia também que estará sempre ao lado dos trabalhadores que vierem a ocupar os postos de trabalho a fixar nesta superfície: porque é preciso e é urgente uma outra política, ao serviço dos trabalhadores e do povo, e não do grande capital, o PCP manter-se-á firme e intransigente na defesa da população!

Kousas & Lousas



Cenas dos próximos capítulos


Aprovado que está o OE por um grupo de energúmenos, entra em cena o candidato a Bobo. 
O Banco de Portugal, a OCDe e reputados economistas portugueses e estrangeiros já disseram que este OE é um embuste e as metas não serão cumpridas.
Hoje mesmo, Vítor Gaspar veio admitir essa possibilidade, mas descartou responsabilidades, alegando que se não for cumprido será por culpa das circunstâncias internacionais.
Aconselhado pelos parceiros sociais e pela  maioria dos conselheiros de Estado a pedir a fiscalização do Tribunal Constitucional , ou a vetá-lo, como reagirá o cadáver de Belém? 
O mais provável é que vá consultar a sua conta bancária, para confirmar se a sua parca reforma foi depositada a tempo e horas.  Se estiver tudo bem, comete mais uma vez  perjúrio, aprova o OE em nome da estabilidade política e, confortado pela consciência de bobo, vai comer bolo rei com a Maria. 
Na mensagem de Ano Novo, vai falar das alterações climáticas...

Simon & Garfunkel : El Condor Pasa (1970)

Simon & Garfunkel, Bridge Over Troubled Water, Central Park


MANIFESTAÇÕES CONTRA O ORÇAMENTO DE ESTADO (LISBOA, 27 DE NOVEMBRO DE 2012)