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domingo, 25 de novembro de 2012


Troliteiros do poder


No discurso de abertura do XIV Congresso Regional do Partido Social Democrata, Alberto João Jardim, disse ter sido alertado para eventuais manobras de correlegionários com o objectivo de prejudicar eleitoralmente o partido. Aos delegados ao congresso, o Presidente do PSD-M disse que tal cenário constituiria motivo de expulsão do partido.

Assim se governa na Republica das Bananas, esta é a democracia dos caciques, daqueles que não aceitam nem a critica nem sequer outras opiniões. Na Madeira reina há décadas, por cá cada vez mais as liberdades são contestadas pelo poder, quem se opõe ao roubo a que estamos a ser sujeitos é considerado anarquista ou violênto. Vigiar, controlar, espiar, tudo parece valer para criminalizar quem dia não. Pois que saiba este poder que não o temo, que não me calo e que não me deixarei de manifestar sempre que assim o deseje. Eles têm a força e o poder para me travar, mas não o poderão fazer sem deixarem cair a máscara da hipocrisia e sem terem de mostrar a sua verdadeira face. Não me calo e o único medo que tenho é o de algum dia ter medo. 


Sindroma de Estocolmo? Não será de Berlim? Ou de Bruxelas? Ou de Nova Iorque?

Imaginem um sequestrador que nos empurra para um qualquer canto subterrâneo, escuro, isolado, afastado. Imaginem que os dias, as semanas, os meses e os anos passam lenta e amarguradamente. Imaginem a voz, o cheiro, a sombra e o olhar do agressor, presentes em repetidos reencontros totalmente despidos de emoção, compaixão, fraternidade ou, simples respeita pela comum condição humana. Imaginem que ao desespero dos primeiros dias, se segue o cansaço e o esgotamento dos seguintes. Imaginem o terror transformado em suspense, por sua vez transformado em indiferença.

Esta poderia ser a estória de um qualquer sequestrado. Trágica o suficiente para nos fazer pensar, quase subconsciente, numa saída, numa fuga, numa alternativa.  Bastaria encher a estória de detalhes relacionais, individuais e materiais diversos, para que todos nós, muito humana e institivamente, iniciássemos um périplo mental preconizador de uma possibilidade de fuga, por muito ínfima que fosse. E porquê? Porque a necessidade de fuga ao agressor e a necessidade de luta, quando esta se torna a ultima das alternativas perante o encurralamento, constituem comportamentos reflexivos típicos de todos os animais. Uns enfrentam o agressor, outros engendram hipóteses de fuga, mas nenhum, que eu conheça, se entrega ao conformismo.

Ora, esta entrega ao conformismo já será, em si mesmo, uma tragédia, por representar a desistência da luta contra o agressor, bem como, a desistência da luta (física ou mental) como forma de se atingir uma realidade material alternativa. Contudo, mais trágica ainda se torna a situação quando, sequencialmente, a vítima em causa se afeiçoa, nos mais diversos graus da afeição, ao agressor.

O que de mais insidioso se pode imaginar do que uma vítima de sequestro, por falta de esperança e perspectivas de vida e/ou mudança acabar por se afeiçoar a quem lhe perpetra a agressão? Este constitui, sem dúvida, o mais trágico dos paradoxos humanos. Representa o despir de toda a dignidade, amor-próprio, individualidade e auto estima. Representa o abandono da luta por algo de diferente. Representa a conformação subconsciente com uma determinada fonte de agressão. 

Daí que, psicologicamente se classifique esta tragédia humana como algo de patológico. Quem pode muito bem tratar-se de um Sindroma. Neste caso, provavelmente, o Sindroma de Estocolmo. Mais patológica se tornaria ainda a situação se, de repente, a vitima passasse a desejar a agressão. Quase como, para colocar um fim ao sequestro, desejar um novo sequestro, numa repetição interminável de fugas à agressão que mais não seriam do que repetições da agressão anterior e que, perante a doença, a vitima passasse mesmo a não desejar o fim das mesmas. Ou seja, não apenas se conformava com a ausência de alternativa como, passaria a ver na ausência de alternativa a verdadeira e única alternativa! Já pensaram em algo mais doentio, paradoxal e insidioso?

Infelizmente, esta tragédia humana, enquanto comportamento disfuncional, é facilmente subsumível a muitas outras realidades humanas, individuais e colectivas. Vejamos como.

Os PIGS (Portugal, Grécia, Irlanda e Espanha) encontravam-se, economicamente, desprotegidos e inseguros face à agressiva economia especulativa global. Em virtude dessa desprotecção, as suas economias foram alvo das mais diversas acções de aproveitamento da sua situação, nomeadamente, ataques às suas finanças públicas.

Numa lógica de fuga ao agressor, neste caso, já numa situação de doentia predisponência ao sindroma de Estocolmo, pois os nossos governantes possuem uma admiração profunda pelos agressores (os “MERCADOS”, os “INVESTIDORES”, os “EMPREENDEDORES”…), estes senhores procuraram fugir para uma classe de agressores, na sua óptica, menos “agressivos”. É claro que, mais uma vez, os nossos (des)governantes mostraram à partida a sua predisponência  para com a contracção da doença Sindroma de Estocolmo. Pois, à partida, todos simpatizavam demasiado com os agressores, neste caso o FMI, BCE e CE. Então, estes senhores, supostamente democráticos governantes, desejaram entrar numa lógica de sujeição interminável, inequívoca e perpétua à agressão exterior.

Mais grave se torna quando, estes senhores, não se limitando a padecerem eles próprios da doença, tentam, por todos os meios que lhes são possíveis (e que são muitos, desde a comunicação social, à manipulação da justiça) submeter os outros à sua macacoa.

Ora, estes senhores, perante a agressão dos seus deuses, qual a alternativa que preconizam? Uma agressão ainda maior. Se o país está mal por causa dos especuladores, vamos dar-lhe com mais especulação ainda. Se o pais está mal por falta de investimento nas pessoas? Vamos desinvestir mais ainda. Se o país está mal porque a austeridade é enorme? Demos-lhe com mais austeridade ainda. E, assim, fazem suceder sobre o seu país e sobre o povo que, supostamente, os elegeu, uma continuidade interminável de agressões, tipologicamente iguais, mas cada vez mais profundas e incisivas. Ou seja, para esta gentalha, a alternativa à agressão passou a ser…a própria agressão!

É curioso que, no entanto, subsistem um conjunto de seres que, muito saudável, natural e humanamente, tentam encontrar alternativas de fuga e luta ao agressor. Daquelas que implicam a sua destruição ou, pelo menos, a não submissão aos seus efeitos. Este comportamento é, aliás, o verdadeiro motor da história, subjacente à luta de classes, do progresso e até, da sobrevivência das espécies. Imaginem que os escravos em vez de se libertarem, teriam preferido continuar como estavam (aliás, os doutrinados economicistas da altura defendiam a escravatura porque era economicamente importante, portanto, não se podia acabar com ela)? Imaginem que os burgueses do século XV e XVI, sem vez de terem combatido o feudalismo se tivessem entregado às guilhotinas monárquicas? Imaginem os operários do século XVIII que, saídos da revolução industrial, deram em criar partidos, sindicatos, conquistando uma qualidade de vida sem precedentes, imaginem que este se tinham entregado apenas e tão só à desumanidade laboral que o capital lhes queria impor?Imaginem que Portugal não se tinha tornado independente porque Castela era maior e mais rica? Imaginem que não se tinha derrubado a ditadura, porque eles eram mais fortes? Bem, esta ultima é, precisamente, uma das razões da agressão!

Quer esta escumalha neo-liberal queira, quer não queira, está na natureza da vida a luta por alternativas de sobrevivência. Aliás, diria mesmo, o que faz a vida ser tão bela e preciosa é a capacidade que a natureza tem de, perante todas as ameaças de morte e destruição, encontrar sempre o caminho da sua afirmação e salvação, produzindo as roturas e as revoluções necessárias à sua sobrevivência.

E vêm agora estes ditadores argentaristas, uns doentes do sindroma de Berlim, Bruxelas e Nova Iorque, originariamente desistentes do progresso e da evolução, procurar estender a sua insana patologia a todo o país?

É claro que, no meio destes animais, temos diversos graus e espécies patológicas. Uns são masoquistas, nomeadamente aqueles que sofrendo a agressão no pelo, julgam que a mesma é boa e sabe bem. Outros são Sado-masoquistas. Gostam da agressão, gostam da dor que provoca mas querem-na estender a todos nós, para se excitarem enquanto nos vêem sofrer. Também temos os fetichistas Sádicos. Não sentem qualquer efeito da agressão, contudo, a sua homo e sócio fobia são tão grandes que, por razões diversas, gostam e querem ver os outros sofrer. Outros são sofredores do Sindroma de Estocolmo. Apaixonaram-se perdidamente pelos agressores.

Podem passar um bocado a pensar onde enquadrar gente como o Luís Delgado (e a sua raiva primordial a tudo o que está à sua esquerda, o que não quer dizer que seja de esquerda), o Camilo Lourenço (neo-liberal romântico e empedernido) ou até o Ministro das Finanças (menino de mão do agressor). Todos eles se enquadram nalguma das categorias anteriores, mas todos eles têm algo em comum. Nãos e contentam em serem eles os agredidos. Querem-nos todos a sofrer. Querem-nos todos caladinhos. Querem-nos todos apaixonados pelos agressores que, para eles, era ou se tornaram deuses (a Troika, os mercados, os investidores…). Querem que todos nós nos dispamos da nossa humanidade e da nossa natural tendência para a evolução e sobrevivência.

Não vos chega serem doentes sozinhos?


Seus…Sindrominados

Deuses intestinos

verso e desenho - António Garrochinho



O “Direito à autodefesa”, uma tremenda vitória da propaganda israelita

O “Direito à autodefesa”, uma tremenda vitória da propaganda israelita
por Amira Hass* (Haaretz) 




Este artigo, de uma jornalista israelita e publicado no importante jornal Haaretz, é duplamente significativo e corajoso: pela recusa da propaganda que novamente pretende transformar agressores em agredidos, e pelo testemunho que dá de que o sionismo pode ser esmagadoramente dominante na sociedade israelita, mas que continua a haver - e possivelmente a aumentar - entre os israelitas a recusa e o combate essa ideologia racista, colonialista e fascista, factor central da longa e intolerável tragédia do povo palestino e do Médio Oriente.

 

Com o seu apoio à ofensiva de Israel em Gaza, os líderes ocidentais deram carta-branca aos israelitas para que façam aquilo que melhor sabem fazer: chafurdar na sua vitimização e ignorar o sofrimento palestino.

Uma das tremendas vitórias da propaganda de Israel é que tenha sido aceite como vítima dos palestinos, tanto em termos da opinião pública israelita como da dos líderes ocidentais, que se apressam a falar do direito de Israel a defender-se. A propaganda é tão eficaz que apenas os foguetes palestinos no sul de Israel, e agora em Tel Aviv, são inventariados no balanço das hostilidades. Os foguetes, ou os danos no que há de mais sagrado - um jeep militar- são sempre apresentados como ponto de partida e, ao som da aterradora sirene, como se se tratasse de um filme da Segunda Guerra Mundial, constroem a meta-narrativa da vítima que tem direito a defender-se.



Todos os dias, e na realidade em todos os momentos, esta meta-narrativa permite a Israel acrescentar um outro elo à cadeia do saque de uma nação tão antiga como o próprio Estado, enquanto ao mesmo tempo é ocultado o facto de que um fio condutor se desenrola desde 1948 quando foi negado aos refugiados palestinos o regresso aos seus lares, a expulsão dos beduínos do deserto de Negev em principios de 1950, a expulsão actual dos beduínos do vale do Jordão, as fazendas para os judeus no Negev, a discriminação nos orçamentos de Israel e os disparos contra os pescadores de Gaza para os impedir de ganhar a vida de forma respeitável. Milhões destes fios contínuos não tiveram interrupção desde 1948 até ao presente. É este o tecido da vida da nação palestina, tão isolados como estão na solidão dos seus diversos confinamentos. É assim o tecido da vida dos cidadãos palestinos de Israel e dos que vivem nas suas terras de exilio.

Mas estes fios não constituem toda a trama da vida. A resistência aos fios que nós, os israelitas, fazemos indefinidamente girar, também é parte da trama da vida dos palestinos. O significado da palavra resistência foi degradado para lhe atribuir o sentido de uma disputa muito masculina na qual os mísseis terão por alvo zonas muito afastadas (uma disputa entre as organizações palestinas, e entre elas mesmas e o exército regular israelita). Isto não invalida o facto de que, em essência, a resistência à injustiça inerente à dominação israelita é parte integrante da vida quotidiana dos palestinos.

Os ministérios dos Estrangeiros e do Desenvolvimento no Ocidente e nos Estados Unidos colaboram aleivosamente na mentirosa representação de Israel como vítima, uma vez que a cada semana recebem relatórios dos seus representantes na Margem Ocidental e na Faixa de Gaza sobre um elo mais que foi acrescentado à cadeia de desapropriação e opressão que Israel impõe, ou até porque os seus próprios contribuintes “doam dinheiro para alguns dos desastres humanitários, grandes e pequenos, infligidos por Israel”.

Em 8 de Novembro, dois dias antes do ataque ao mais santo dos santos - os soldados de um exército em jeep – esses contribuintes poderiam ter lido que os soldados israelitas tinham morto Ahmad Abu Daqqa, de 13 anos, que estava a jogar futebol com os seus amigos na povoação de Abassan, a leste de Khan Yunis. Os soldados estavam a 1,5 quilómetros das crianças, dentro da zona da Faixa de Gaza, ocupados em “expor” (palavra utilizada para branquear uma outra, “destruir”) as terras agrícolas. Sendo assim, ¿porque não começar a narrativa da escalada de agressão na morte do menino? Em 10 de Novembro, depois do ataque ao jeep, o exército israelita matou outros quatro civis de 16 a 19 anos.

Chafurdar na ignorância


Os líderes do Ocidente podiam saber que antes do exercício do exército de Israel da passada semana, dezenas de famílias beduínas do vale do Jordão foram obrigadas a evacuar os seus lares. ¡Não é curioso que os treinos do exército israelita tenham sempre que ser realizados nos lugares onde vivem os beduínos e não onde estão os colonos israelitas, e que esse facto constitua um motivo para os expulsar? Outra razão. Outra expulsão. Os líderes do Ocidente também poderiam ter sabido, com base no artigo impresso a quatro cores em papel cromo em que é feito o relatório das finanças dos seus países, que desde o início de 2012 Israel destruiu 569 edifícios e estruturas palestinas, incluindo poços de agua e 178 moradias. No total, 1.014 personas foram afectadas pelas demolições.

Não ouvimos as massas de Tel Aviv nem os residentes das zonas do sul advertir os administradores do Estado sobre as implicações desta destruição sobre a população civil. Os israelitas chafurdam alegremente na sua ignorância. Esta informação e a de outros factos semelhantes está disponível e acessível a qualquer um que esteja realmente interessado. Mas os israelitas optam por não saber. Esta ignorância voluntaria é uma pedra angular da construção do sentido de vitimização de Israel. Mas a ignorância é ignorância: o facto de que os israelitas não querem saber o que estão a fazer, como potência ocupante, não nega os seus actos nem a resistência palestina.

Em 1993 os palestinos deram uma prenda a Israel, uma oportunidade dourada para cortar a trama dos fios que atam 1948 até ao presente, de abandonar as características de país de saque colonial, e de planear juntos um futuro diferente para os dois povos na região. A geração palestina que aceitou os Acordos de Oslo (cheios de armadilhas colocadas por inteligentes advogados israelitas) é a geração que conheceu uma multifacética, e até normal, sociedade israelita que permitiu a ocupação de 1967 (com o fim de conseguir mão de obra barata) com uma liberdade de movimentos quase completa. Os palestinos chegaram a um acordo sobre a base das suas reivindicações mínimas. Um dos pilares destas exigências mínimas definia a Faixa de Gaza e a Cisjordânia como uma entidade territorial única.

Mas desde que teve início a aplicação de Oslo, Israel fez sistematicamente todo o possível para que a Faixa de Gaza se convertesse numa entidade independente, desligada, no quadro da insistência de Israel em manter e ampliar a trama de 1948. Desde o aparecimento do Hamas tem feito todos os possíveis para dar apoio à concepção que Hamas prefere: que a Faixa de Gaza é uma entidade política separada onde não existe ocupação. Se isto é assim, por que não ver as cosas da seguinte maneira: Como entidade política independente, qualquer incursão no território de Gaza é uma violação da sua soberania, e Israel está constantemente a fazê-lo. ¿Por acaso não terá o governo do estado de Gaza o direito de responder, de ripostar, ou ao menos o direito masculino - um gémeo do direito masculino do exército israelita – a assustar os israelitas da mesma forma que eles o fazem com os palestinos?

Mas Gaza não é um Estado. Gaza está sob ocupação israelita, apesar de todas as acrobacias verbais tanto de Hamas como de Israel. Os palestinos que vivem ali são parte de um povo cujo ADN contém a resistência à opressão.

Na Cisjordânia, os activistas palestinos procuram desenvolver um tipo de resistência diferente da resistência armada masculina. Mas o exército israelita destrói com zelo e determinação toda a resistência popular. Não temos ouvido dizer que os residentes de Tel Aviv e das zonas do sul se queixem da simetria de dissuasão que o exército israelita está a construir contra a população civil palestina.

E assim de novo Israel oferece mais razões a mais jovens palestinos, para quem Israel é uma sociedade anormal de exércitos e de colonos, para concluir que a única resistência racional é o derramamento de sangue e o contraterrorismo. E assim todos os elos da opressão israelita e toda a ignorância da existência da opressão israelita nos vai arrastando encosta abaixo na ladeira da disputa masculina.





*Amira Hass, jornalista israelita, filha de dois sobreviventes do Holocausto que, ao chegarem a Israel, se recusaram a viver em casas roubadas a palestinianos entretanto expulsos da sua terra.


Fonte original: http://www.haaretz.com/news/features/israel-s-right-to-self-defense-a-tremendous-propaganda-victory.premium-1.478913


Fonte em português: http://odiario.info/


Mafarrico Vermelho

vartoon (HUMOR E NÃO SÓ) - RTP IMAGENS DA MANIFESTAÇÃO GREVE GERAL


humor Papa


PAI NATAL PSD



Álvaro Cunhal, "Porque nenhum de nós anda sozinho / E até mortos vão a nosso lado.” - 3


O 25 de Novembro

A História não é um somatório de factos que se possa dar por encerrado. Todos os dias surgem outros factos que confirmam ou desmentem as diferentes versões sobre uma passada realidade. Em certa medida a História não é matéria que se encerre, vai sendo feita. E há documentos que não devem ser ignorados mesmo se possam ter, como este, referências a aspectos que possam ser considerados marginais. Julgo que para quem escreve a história, não devendo ser exigida a isenção, que ao menos se lhe peça rigor. Rigor e exigência de credibilidade moral e ética sobre as testemunhas (e testemunhos) que o historiador julgue necessário reunir, para ilustrar os factos ou entende-los. Sobre esta data, ficam os testemunhos de Álvaro Cunhal, cuja leitura se recomenda na integra:
"(...) O golpe militar de 25 de Novembro foi a conclusão de um agudo e tempestuoso período de choques, divisões e conflitos não só entre os partidos participantes no governo, nomeadamente PCP e PS, mas também no MFA: entre os chamados «moderados» (nomeadamente o «Grupo dos Nove» que se aliavam cada vez mais à direita reaccionária), e a esquerda militar (cada vez mais ligada e sofrendo pressões do esquerdismo pseudo-revolucionário lançado em irresponsáveis acontecimentos desestabilizadores).(...)
(...) O 25 de Novembro não liquidou o processo, ainda então em curso, de configuração do regime democrático a instaurar e a institucionalizar. Criou entretanto uma nova correlação de forças que abriu caminho mais fácil à formação de governos com uma política contra-revolucionária.(...)"
Álvaro Cunhal - in "A Revolução de Abril 20 Anos Depois" - Fevereiro de 1994
"O 25 de Novembro foi um golpe militar inserido no processo contra-revolucionário. A sua preparação começou muito antes das insubordinações e sublevações militares do verão quente e de Outubro e Novembro de 1975 . Talvez que as mais esclarecedoras informações dessa preparação em curso muitos meses antes de Novembro sejam as que dá o comandante José Gomes Mota no seu livro, esquecido ou guardado nas estantes, A Resistência. O Verão Quente de 1975 , Edições jornal Expresso , 2ª ed., Junho de 1976. (...) 
Álvaro Cunhal, in Capítulo 8 do livro "A verdade e a mentira na Revolução de Abril: A contra-revolução confessa-se", Edições Avante!, Lisboa, Setembro de 1999

Conversa avinagrada 

PORTUGAL FALIU POR CORRUPÇÃO DO ESTADO, O RESTO É TRETA - VALE A PENA VER E OUVIR