AVISO

O administrador deste blogue
não é responsável pelas opiniões
veiculadas por terceiros
nem a sua publicação quer dizer
que delas partilhe, apenas as
publica como reflexo da
sociedade em que se inserem
dando-lhes visibilidade
mas nunca fazendo delas opinião própria.
Ao desenvolturasedesacatos reserva-se ainda o direito
de eliminar qualquer comentário anónimo ou não identificado, que contenha ataques
deliberadamente pessoais, que em nada contribuampara o debate de ideias ou para a denúncia
de situações menos claras do ponto de vista ético.


sábado, 24 de novembro de 2012


Querida Angela Merkel

Ainda te lembras porque é que Hitler chegou ao poder em 1933? Não era má ideia leres uns livros da história do teu próprio país, e talvez assim te recordasses que foi graças às terríveis políticas de austeridade praticadas pelo chanceler Heinrich Bruning, que ficou conhecido pelo sinistro cognome de "chanceler da fome", que Hitler ganhou as eleições em 1933.
Durante apenas três anos, entre 1930 e 1933, a Alemanha viveu uma fortíssima recessão, que gerou um desemprego colossal, e uma parte da população caiu numa atroz miséria, dando origem ao famoso "ovo da serpente", a desordem geral que possibilitou a ascensão de Hitler ao cargo de chanceler da Alemanha. Para os que não sabem, convém sempre lembrar que não foi a hiperinflação dos anos 20 que gerou os nazis, mas sim a austeridade dos anos 30. 
Também em 1930, e é disso que te devias recordar, havia quem dissesse que todos tinham "vivido acima das suas possibilidades" durante a década de 20, e que só com "austeridade" se recuperaria a "confiança" na economia alemã. Infelizmente, nada disso aconteceu, e a recessão económica agravou-se brutalmente, lançando a Alemanha, e a Europa, numa década de horrores.
É por isso que escrevo, para te recordar as profundas semelhanças entre os anos 30 e estes que estamos a viver. Também nessa época se tinha uma crença enorme que, fazendo "ajustamentos" às economias, elas iriam entrar de novo nos carris. Também nessa época se acreditava que, se os países "descessem os seus custos salariais", iriam ser de novo competitivos. Também nesses tempos se dizia que, "se os governos lançassem impostos e cortassem nas despesas" o equilíbrio das suas finanças públicas se recompunha.
Porém, isso nunca aconteceu. Os "ajustamentos" falharam, e só trouxeram miséria aos povos e uma crise geral à Europa. Nesses tempos, tal como agora, toda a gente queria exportar e ninguém queria importar, e todos se esqueceram que se ninguém importa, também ninguém exporta.
A Europa é hoje muito diferente do que era nos anos 30 do século passado, mas quem pensar que as lições dessa época não nos servem está enganado. Todas as tuas opiniões sobre esta crise são, de forma perturbadora, semelhantes às opiniões que existiam nesses tempos negros. Também tu defendes a "austeridade", a "desvalorização salarial", o corte abrupto nos "deficits orçamentais". Também tu te agarras à esperança de que assim a "confiança" voltará aos mercados.
Contudo, a realidade não te dá razão. Há três anos havia uma crise na Grécia, e problemas em Portugal e na Irlanda. Hoje, há uma catástrofe na Grécia, uma crise grave em Portugal, na Irlanda, em Espanha e em Itália, e começam já a chegar fortes problemas a França e até ao teu país, a Alemanha. A crise, em vez de ser contida, expandiu-se, e ameaça de novo a estabilidade do euro. 
A pior coisa que fizeste à Europa foi dividi-la entre países credores e países devedores. Traçaste uma linha, um muro de Berlim financeiro, entre aqueles que "se tinham portado bem" e aqueles "que tinham vivido acima das suas possibilidades". Sem qualquer hesitação ou dúvida, foi criada por ti uma profunda falha tectónica no euro, distinguindo entre os "cumpridores" e os "pecadores". A partir dessa data, algures em 2009, a Europa entrou numa nefasta crise, da qual ainda não se viu livre.
Contigo ao leme, querida Angela, a Europa aproxima-se de um perigoso precipício. Os próximos meses serão terríveis, e talvez em 2013 todos percebam finalmente que foste tu a principal responsável por ter colocado a Europa na boca deste inferno. Nessa altura, todos os que me criticam irão infelizmente ser forçados a reconhecer que foram avisados. 


Domingos Amaral

    Os fantasmas





    Esta coisa de escrever crónicas "é um jogo permanente entre o estilo e a substância". Uma luta entre "o deboche estilístico" do gozo da escrita e "a frieza analítica" do pensamento do cronista.

    Por isso, enquanto cidadão, só posso ver este governo como uma verdadeira praga bíblica que caiu sobre um povo que o não merecia. Mas, enquanto cronista, encaro-o como uma dádiva dos céus, um maná dos deuses, "um harém de metáforas", uma verdadeira girândola de piruetas estilísticas.

    Tomemos como exemplo o ministro Gaspar.

    Licenciado e doutorado em Economia, fez parte da carreira em Bruxelas onde foi director do Departamento de Estudos do BCE.

    Por cá, passou pelo Banco de Portugal, foi chefe de gabinete de Miguel Beleza e colaborador de Braga de Macedo. É o actual ministro das Finanças.

    Pois bem. O cronista olha para este "talento." E que vê nele?

    Um retardado mental? Uma rábula com olheiras? Um pantomineiro idiota?

    Não me compete, enquanto cidadão, dar a resposta. Mas não posso deixar de referir a reacção ministerial à manifestação de 15 de Setembro que, repito, adjectivava os governantes onde se inclui o soporífero Gaspar, como "gatunos, mafiosos, carteiristas, chulos, chupistas, vigaristas, filhos da puta".

    Pois bem. Gaspar afirmou na Assembleia da República que o povo português, este mesmo povo português que assim se referia ao seu governo, "revelou-se o melhor povo do mundo e o melhor activo de Portugal"!

    Assumpção autocrítica de alguém que também é capaz de, lucidamente, se entender, por exemplo, como um "chulo" do país?

    Incapacidade congénita de interpretar o designativo metafórico de "filhos da puta"?

    Não me parece. Parece-me sim um exercício de cinismo, sarcástico e obsceno, de quem se está simplesmente "a cagar" para o povo que protesta.

    A ser assim, julgo como perfeitamente adequado repetir aqui uma passagem de um texto em forma de requerimento "poético" de 1934.

    Assim:



    "A Nação confiou-lhe os seus destinos?...

    Então, comprima, aperte os intestinos.

    Se lhe escapar um traque, não se importe.

    Quem sabe se o cheirá-lo nos dá sorte?

    Quantos porão as suas esperanças

    Num traque do ministro das Finanças?...

    E quem viver aflito, sem recursos

    Já não distingue os traques dos discursos."



    Provavelmente o sr. ministro desconhecerá a história daquele gajo que era tão feio, tão feio, que os gases andavam sempre num vaivém constante para cima e para baixo, sem saber se sair pela boca se pelo ânus, dado que os dois orifícios esteticamente se confundiam.

    Pois bem. O sr. ministro é o primeiro, honra lhe seja concedida, que já confunde os traques com os discursos.

    Os seus. Desta vez, o traque saiu-lhe pelo local de onde deveria ter saído o discurso!

    Ou seja e desculpar-me-ão a grosseria linguística, em vez de falar, "cagou-se".

    Para o povo português.

    Lamentavelmente. Outro exemplar destes políticos que fazem as delícias de um cronista é Cavaco Silva.

    Cavaco está politicamente senil.

    Soletra umas solenidades de circunstância, meia-dúzia de banalidades e, limitado intelectualmente como é, permanece "amarrado à âncora da sua ignorância".

    Só neste contexto se compreende o espanto expresso publicamente com "o sorriso das vacas", as lamúrias por uma reforma insuficiente de 10 mil euros mensais, a constante repetição do "estou muito preocupado" e outros lugares-comuns que fazem deste parolo de Boliqueime uma fotocópia histórica de Américo Tomás, o almirante de Salazar. Já o escrevi aqui várias vezes.

    Na cabeça de Cavaco reina um vácuo absoluto. Pelo que, quando fala, balbucia algumas baboseiras lapalicianas reveladoras de quem não pode falar do mundo complexo em que vivemos com a inteligência de um homem de Estado. Simplesmente porque não a tem.

    Cavaco é uma irrelevância de quem nada há a esperar, a não ser afirmações como a recentemente proferida aquando das comemorações do 5 de Outubro de que "o futuro são os jovens deste país"! Pudera!

    Cavaco não surpreenderia ninguém se subscrevesse por exemplo a afirmação do Tomás ao referir-se à promulgação de um qualquer despacho número cem dizendo que lhe fora dado esse número "não por acaso mas porque ele vem na sequência de

    outros noventa e nove anteriores."

    Tal e qual.

    Termino esta crónica socorrendo-me da adaptação feliz de um aforismo do comendador Marques de Correia e que diz assim:



    Faz de Gaspar um novo Salazar,

    faz de Cavaco um novo Tomás

    e canta ó tempo volta para trás".



    É que só falta mesmo isso. Que o tempo volte para trás. Porque Salazar e Tomás já os temos por cá.





    P.S.:

    Permitam-me a assumpção da mea culpa.

    Critiquei aqui violentamente José Sócrates.

    Mantenho o que disse.

    Mas hoje, comparando-o com esse garotelho sem qualquer arcaboiço para governar chamado Passos Coelho, reconheço que é como comparar merda com pudim.

    Para Sócrates, obviamente, a metáfora do pudim.

    Sinceramente, nunca pensei ter de escrever isto.

    Luís Manuel Cunha

     In "Jornal de Barcelos" 

ATENÇÃO ! IMAGENS MUITO VIOLENTAS, SE É SENSÍVEL NÃO VEJA. - EXECUÇÃO DE SOLDADO PELO CHAMADO EXÉRCITO DE LIBERTAÇÃO DA SÍRIA - É DESTES ASSASSINOS QUE OS EUA E OUTROS PAÍSES DA EUROPA SÃO AMIGOS !



"Alá u ajbar" (Alá é grande)



Chamo desde já a atenção que o vídeo que coloco no fim do post contém imagens de extrema violência embora em abono da verdade, segundo os cânones "ocidentais", quando a violência é praticada pelos nossos amigos depressa se transforma em redenção e glória.

Mahmud Mohamed Ali tenente do exército sírio foi capturado pelas briga-das Al Ghuraba e Eiz Al Din Kasam do autodenominado Exército Sírio de Libertação que as nossas televisões acompanham mas que vá-se lá saber porquê omitem coisas como estas, ocupados que estão em mostrar as barbaridades do exército regular, esquecendo-se ou tentando fazer esquecer-nos que esta coisa tem sempre dois lados. Depois de torturado foi levado até à margem do rio Eufrates e ali sumariamente executado como mostra o vídeo que foi colocado na internet pelos próprios rebeldes, o que diz bem da qualidade da gente que temos no nosso círculo de amizades.



Salvo conduto