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terça-feira, 13 de novembro de 2012

Maioria dos quartéis posto à venda é na Grande Lisboa

Localizam-se, sobretudo, na região da Grande Lisboa, as instalações até agora militares com que o Governo pretende 

inanciar o muito deficitário fundo de pensões dos militares. Saibam quais são e onde ficam.

Carlos Abreu (www.expresso.pt)
 Terça feira, 13 de novembro de 2012

A Quinta Nova de Queluz, junto ao Palácio Nacional e as instalações do INEM na Ajuda, Lisboa, são apenas duas das dezenas de 
propriedades que o Governo pretende vender quanto antes para salvar o muito deficitário fundo de pensões dos militares.
Depois de anunciar a intenção no passado dia 25 de outubro, a lista com os terrenos e edifícios foi hoje publicada no "Diário da República".
As instalações militares que a partir de amanhã passarão para o domínio civil localizam-se, sobretudo, na região da grande Lisboa (ver fotogaleria).
De acordo com a Resolução do Conselho de Ministros, os prédios rústicos e urbanos poderão ser vendidos em hasta pública, por negociação 
e por ajuste direto, "nos casos em que se verifique a inexistência de interessados, ou de não adjudicação definitiva no âmbito dos procedimentos 
prévios de venda em hasta pública ou por negociação".
O encaixe a realizar com a venda destes imóveis destina-se integralmente a tapar o buraco do fundo de pensões dos militares das 
Forças Armadas que tem encargos anuais de 32 milhões de euros, mas recebe dos militares no ativo apenas dois milhões e euros.
Alguns destes imóveis já constavam da Lei de Programação de Infra-estruturas Militares, publicada em novembro de 2008.
Em janeiro deste ano, o grupo parlamentar do Bloco de Esquerda recomendou ao Governo a cedência 
à população do concelho de Sinta da Quinta Nova de Queluz.

Veja a fotogaleria com as localizações e breve discrição dos 25 lotes de propriedades, hoje publicada no "Diário da República". 
Nota: em alguns casos, perante a exígua informação disponível, a imagem pretende apenas dar uma localização aproximada.



Língua portuguesa pode perder-se na era digital

“São necessárias medidas imediatas para assegurar a sua posição internacional de comunicação”, alerta António Branco

2012-11-09
Por Susana Lage

António Branco foi um dos investigadores portugueses envolvido no estudo
António Branco foi um dos investigadores portugueses envolvido no estudo
Muitas línguas europeias enfrentam um futuro incerto em termos da sua sobrevivência na Sociedade da Informação, adverte um recente estudo realizado por investigadores europeus em tecnologia da linguagem.

A investigação, elaborada por mais de 200 especialistas e documentada numa colecção de Livros Brancos, avaliou o nível de desenvolvimento da tecnologia da linguagem para 30 das cerca de 80 línguas europeias existentes e concluiu que em 21 delas este é, na melhor das hipóteses, ‘nulo’ ou ‘fraco’. 

No caso da língua portuguesa, apesar de ser a quinta mais falada no mundo, com cerca de 220 milhões de falantes em quatro continentes, o que o Livro Branco indica é que, “dependendo das diferentes vertentes em análise, o desenvolvimento da tecnologia da linguagem para a língua portuguesa apresenta um nível muito baixo, ou mesmo nulo, na generalidade dessas vertentes”, afirma António Branco ao Ciência Hoje.

Segundo o investigador da Universidade de Lisboa envolvido neste estudo, isto revela que “em termos de tecnologia da linguagem e de preparação para a era digital, a língua portuguesa se encontra próximo de outras línguas faladas por comunidades bem mais minoritárias e exposta a riscos similares quanto à sua sobrevivência na era digital”.

Tecnologia da linguagem
As revoluções tecnológicas que no passado envolveram a linguagem natural (o advento da escrita, a imprensa mecânica, etc.), levaram a que muitas línguas perdessem a sua relevância e algumas acabassem por se extinguir à medida que os seus falantes deixavam de poder beneficiar desses avanços tecnológicos. “Para uma língua prosperar na era digital que se avizinha, é necessário que esteja devidamente equipada do ponto de vista tecnológico de forma a poder ser usada para se aceder a todas as pessoas, serviços e bens que irão ficando disponíveis apenas na e através da sociedade da informação”, afirma António Branco.
De acordo com o investigador português, “a tecnologia da linguagem é o novo factor disruptivo que está a desencadear uma nova revolução tecnológica, sem precedentes, para a linguagem natural. Apenas a tecnologia da linguagem desenvolvida e adaptada especificamente para a uma dada língua permitirá que esta sobreviva na era digital e que os seus falantes e a sua cultura tenham assegurada uma cidadania plena na sociedade da informação”.
Em face destes resultados, no Livro Branco para o português é assinalado que “são necessárias medidas imediatas para que se possam obter progressos importantes para o português assegurar a sua posição como língua internacional de comunicação”, refere. "Uma dessas medidas é a adesão de Portugal à recém criada Infraestrutura Europeia de Investigação CLARIN, dedicada à ciência e à tecnologia das linguagens naturais”, ilustra.

O Livro Branco para a língua portuguesa vai ser lançado no próximo dia 16, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa. Trata-se de uma obra dirigida a um público o mais vasto possível, não especializado nestas matérias, incluindo comunidades linguísticas, jornalistas, políticos ou docentes, entre muitos outros.

“As consequências desejáveis são as de que as suas conclusões ajudem a desenhar as melhores políticas da língua para o português e as melhores políticas de apoio à ciência e tecnologia da linguagem aplicada ao português, em vista do superior interesse da língua portuguesa”, diz António Branco.

Uma vez identificadas as principais lacunas na investigação sobre a tecnologia da linguagem aplicada ao português, os próximos passos na investigação serão assim o “desenvolvimento de recursos linguísticos e ferramentas de processamento específicos, por toda a comunidade que trabalha sobre a língua portuguesa, que possibilitem caminhar no sentido de eliminar estas lacunas, desde que este trabalho seja apoiado por políticas de desenvolvimento científico e tecnológico adequadamente planeadas”, avança o professor.

Relvas contra o futebol em sinal aberto

Por SAPO Desporto c/Lusa

Miguel Relvas diz que Portugal não está «em tempo» de suportar transmissão de futebol em sinal aberto.

Relvas contra o futebol em sinal aberto
O ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares afirmou hoje, no Parlamento, que o país não está «em tempo» de ter despesa com a transmissão dos jogos de futebol da Primeira Liga e da Liga dos Campeões em sinal aberto. 
Miguel Relvas, presente em audição conjunta em três comissões parlamentares no âmbito da discussão na especialidade da proposta do Orçamento do Estado para 2013 (OE2013), indicou que o PS lhe fez chegar um requerimento no passado fim de semana, perguntando «porque é que no despacho de interesse público [de acontecimentos de interesse nacional que devem ser transmitidos em sinal aberto], na área desportiva, não estavam os jogos da Primeira liga e os jogos da Taça dos campeões». 
Por duas razões, respondeu o ministro. «A primeira porque entre 2004 e 2010, o futebol custou à RTP 109 milhões de euros. Não estamos em tempo de ter esse tipo de despesa. O que considerei de relevante interesse público é a passagem em canal aberto público dos jogos da seleção nacional [de futebol] e mesmo assim é um investimento muito significativo», afirmou. 
O governante acusou ainda «quem no passado assinou despachos de interesse de serviço público», considerando que «o fez com a atitude de saber que não o ia cumprir». A título de exemplo, recordou que quem transmitiu na época de 2011-2012 os jogos da Primeira Liga em sinal aberto foi uma televisão privada, a TVI.
E a TVI «pode voltar a fazê-lo», afirmou o ministro. «Qualquer uma das televisões não está impedida de o voltar a fazer. Agora, também nesta matéria, não podemos ceder às tentações populistas e temos que ser muito exigentes com os gastos da RTP como com os gastos de qualquer empresa pública».
Relvas afirmou ainda que a RTP viveu este ano com um corte de 20%, no próximo sofrerá um corte de 42% «e não se nota falta de qualidade na programação da RTP». 
«Não se nota, o problema de audiências da RTP já se verificava há mais de um ano. Mas, no meu conceito de serviço público não sou refém de políticas de audiências», disse. 
Neste domínio, porém, Relvas recordou que a administração da RTP escreveu uma carta à Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), na semana passada, «a pedir a intervenção em matéria de autorregulação do atual modelo de avaliação das audiências».

UGT com forte presença na greve-geral da CGTP

UGT com forte presença na greve-geral da CGTP
legenda da imagem
António Antunes/RTP

A UGT demarcou-se da greve-geral desta quarta-feira convocada pela CGTP, uma decisão que, no entanto, não impediu que cerca de 30 sindicatos ligados à central sindical liderada por João Proença tivessem apresentado pré-avisos de greve como forma de luta contra as medidas de austeridade previstas pelo Governo na proposta de Orçamento do Estado para 2013. Apesar das divergências quanto à convocação da greve-geral, a UGT já reconheceu "motivos específicos e gerais" para o protesto dos sindicatos.

Convocada pela CGTP, mas com forte participação dos sindicatos ligados à União Geral dos Trabalhadores, que justificou a não adesão por considerar que esta foi motivada por questões político-partidárias, a greve-geral desta quarta-feira está a merecer um amplo apoio dos sindicatos não só ligados à central liderada por Arménio Carlos mas também de organizações ligadas à UGT já que são 31 os sindicatos que marcaram greve para a mesma data justificada pela luta contra o agravamento das medidas de austeridade e no âmbito de uma jornada de luta convocada pela Confederação Europeia de Sindicatos.

O Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes, o Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública, Sindicato Democrático dos Trabalhadores das Comunicações e dos Media (SINDETELCO), o Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE), e a Federação dos sindicatos da Indústria e Serviços são algumas das estruturas filiadas na central de João Proença que emitiram pré-aviso de greve.

Algo que, no entanto, não suscita admiração no seio da UGT que em comunicado já veio admitir que "existem motivos específicos e motivos gerais que justificam o protesto, tais como a exigência de diálogo e negociação, particularmente na Administração Pública e no Setor Empresarial do Estado, e as muitas situações de bloqueamento da negociação coletiva e aumento acentuado de desemprego no setor privado".
Forte apoio dos trabalhadoresÀ iniciativa da CGTP juntam-se ainda 28 sindicatos independentes, o que já levou o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, a estimar que a maioria dos trabalhadores portugueses vá aderir à greve.

"Os trabalhadores é que são os protagonistas desta greve-geral e nas centenas de contactos feitas pelas estruturas sindicais, quer em plenários nas empresas, quer em encontros junto às empresas, os trabalhadores manifestaram o seu total apoio e disponibilidade para esta ação de luta, o que nos leva a crer que vamos ter uma grande greve geral", disse Arménio Carlos.

O líder da CGTP destaca ainda a “grande convergência" relativamente à greve-geral, independentemente da organização que a convocou, referindo que “esta não é apenas uma greve-geral da CGTP", já que além dos sindicatos filiados na Intersindical, um grande número de sindicatos independentes e de sindicatos filiados na UGT emitiu pré-aviso de greve.

"Vamos ter um dia de farta participação cívica dos trabalhadores portugueses e dos trabalhadores europeus em geral. Vamos ter milhões de trabalhadores na Europa a dizer basta de austeridade, é preciso mudar de políticas", afirmou Arménio Carlos lembrando ainda que "não há memória de uma greve-geral ibérica".

humor - recados políticos e não só






Merkel e Passos – “Está tudo bem assim e não podia ser de outra maneira” *


Passada a «afronta neocolonial» da visita da chanceler Merkel, ficaram-me na retina umas tantas frases ou notícias, de que destaco a porca demagogia com que a “patroa” declarou que fará tudo «para que Portugal seja feliz», prometendo até que mais tarde virá cá passar férias, mas apenas quando já não for chanceler... pois agora não tem tempo.
Poderia perfeitamente dizer-lhe onde pode ir passar as férias... mas agora também não tenho tempo!
Já sobre o lacaio principal, Pedro Passos Coelho, destaco a perfeição do “gesto técnico” com que, ao mesmo tempo que se curvava e baixava as calças, dizia estar muito agradecido a Merkel «pela forma como tem ajudado Portugal».
Enquanto voltava a vestir as calças teve ainda fôlego para garantir que segue o «único caminho possível».
Não está sozinho! Quase todas as bestas que “andam à nora”, horas e dias a fio andando em círculos e com os antolhos bem apertados no focinho... “pensam” exactamente o mesmo!
* António de Oliveira Salazar... revisitado e sempre “inspirador”...

NO BRASIL TAL COMO CÁ (ANTIGAMENTE) A ARTE XÁVEGA ERA ASSIM, TÁ A TAINHA EM MONTE MÓÇE ! !!!


E a Tainha apareceu em Itapirubá...

Itapirubá, , tem um núcleo de pescadores profissionais que todos os anos, a partir do mês de junho, ficam na expectativa da pesca da Tainha, um dos peixes mais cobiçados do Hemisfério Sul pela sua ova e porque se reproduz em lagoas, só saindo para mar aberto nos meses do inverno, quando viaja do Sul para o Norte em busca de águas quentes. A pesca se dá de duas formas: por rede de traineira, quando os pescadores vão para alto mar em suas lanchas para cercar o peixe, ou por arrasto, quando o peixe encosta na praia e é cercado por uma rede lançada ao mar por canoa e puxada pelos pescadores e colaboradores. Pois havia muito tempo que o arrasto não conseguia em Itapirubá tanto peixe, como conseguiu na última sexta-feira, dia 8. Mais de 5 toneladas foram capturadas para a alegria de todos. Essas fotos eu consegui no Facebook de Jairo Adenelson May, um tubaronense que como eu resolveu passar o resto de sua vida aqui na prainha.
 (Segue o post...) 


Essa foto mostra como se dá a pesca por arrasto. Depois de lançada ao mar por uma canoa a remo, cercando a manta de peixe, através de dois cabos a rede e trazida a praia por pescadores e colaboradores. O peixe vem ensacado entre a boia e o chumbo. Recolhido ele é vendido como arrecadação aos pescadores profissionais e uma boa parte é distribuída entre os colaboradores da praia. Entenda todo o processo vendo as fotos. 

Jairo May, o dono das fotos no Facebook em primeiro plano de camisa listrada. Ajudando a recolher o peixe. 




















Pot(s) á beira mar

DA CARIDADE



S. Martinho corta o manto com a espada para o dividir com o pedinte (El Greco, 1598).


O debate entre a “caridade” e a “caridadezinha” tem tido, nos últimos tempos, picos de aquecimento na blogosfera e nas redes sociais. Até cantores de esquerda foram acusados de envolvimento em iniciativas pintadas com as cores da caridadezinha, mas a intervenção de Isabel Jonet nessa questão tem sido mais focada. O tema importa, não apenas pela sua relevância política, mas por dizer directamente respeito a pessoas que precisam de não serem deixadas à sua sorte, bem como a pessoas que por isso se interessam. Ora, então, vamos lá por partes.

Ponto 1. Eu não sou contra a caridade. Não sou contra as pessoas que, livremente e para lá de quaisquer direitos ou deveres legais, dão coisas e/ou tempo e/ou dedicação a outras pessoas, gratuitamente. Não sou contra isso, nem na forma individual, nem na forma organizada. Pelo contrário. Por exemplo, acho meritório o trabalho dos Bancos Alimentares contra a Fome. Como instituição e na pessoa dos colaboradores que concretizam a sua acção. Mesmo que eu não partilhe algumas das suas ideias, acho meritório. Há, de facto, seres humanos concretos que obtém, mesmo que momentaneamente, algum tipo de alívio para os seus sofrimentos por causa de acções que costumam designar-se como caridade. Não podemos ser indiferentes a isso.

Ponto 2. No plano de uma comunidade política civilizada, as pessoas têm direitos. Para falar genericamente, direito a uma vida digna. Os direitos não são oferecidos pela boa vontade de alguém, são uma bagagem inalienável de cada pessoa. Os direitos não devem depender de que apareça alguém com disponibilidade para os concretizar, devem ser assumidos por uma comunidade organizada. Uma comunidade onde a caridade é precisa, de forma sistemática, para atender a direitos básicos que deviam estar assegurados, é uma comunidade doente. O "Estado social", tal como o entendo, é necessário para que ninguém precise da caridade. O projecto de tornar a caridade o caminho principal, a via real, relegando para segundo plano a solidariedade organizada e a garantia dos direitos, é um projecto para uma sociedade de pedintes e servos. É que os direitos não podem depender das boas vontades, enquanto a caridade é, por natureza, arbitrária: ninguém pode ser obrigado a ser caridoso, o caridoso é caridoso quando quer, como quer, com quem quer. Esse elemento de discricionaridade, sempre presente na caridade, não é tolerável como elemento central de uma comunidade de cidadãos.
Por isso acho intolerável a ideologia de Isabel Jonet sobre este ponto, quando diz: «Eu sou mais adepta da caridade do que da solidariedade. A caridade é muito mais. A palavra está desvirtuada por ter uma conotação religiosa, mas para mim a caridade é a solidariedade com amor. Com entrega de si mesmo. A grande diferença é que caridade é amor e solidariedade é serviço.» (fonte)
Colocar os direitos, e a solidariedade organizada como meio de os fazer valer, em segundo plano face à caridade, é ideologicamente um regresso ao salazarismo. Que recuso liminarmente.

Ponto 3. Isabel Jonet, presidente do Banco Alimentar Contra a Fome, tem-se colocado sistematicamente, de há algum tempo a esta parte, numa linha claramente ideológica, política no sentido mais parcial do termo, assumindo teses muito antigas e muito claramente posicionadas no tabuleiro da luta político-partidária. Quando alerta para os «efeitos perversos» do Estado Social; quando defende que o novo pacote de austeridade de Setembro (incluindo o Robin dos Bosques invertido, mais conhecido por TSU) é um «mal menor»; quando afirma: «As pessoas passaram a achar que têm direito a todas as prestações sociais e dão-no como adquirido. Muitas vezes, preferem ir para o subsídio de desemprego do que ter um emprego, ainda que ele seja menos bem pago, porque sabem que vão ter a prestação social no final do mês.» (fonte). Entretanto, se alguém ataca as declarações da senhora, há logo umas vozes escandalizadas porque a senhora é muito boazinha e não pode ser criticada. Ora, nada disto é caridade: isto é política de uma tendência bem determinada. 
Saberá Isabel Jonet, por exemplo, que quase metade dos desempregados em Portugal não recebem nenhuma prestação de desemprego? Misturar toda essa gente, em geral, com os que se encostam e não fazem nada (que também existem, sim) é pura ideologia. E é um velho argumento, que vem sempre do lado dos que culpam os aflitos pela sua aflição. Isabel Jonet tem insistido, nos últimos tempos, em fazer ideologia, em falar demasiado genericamente. Fica-lhe mal e, se o que ela quer mesmo é fazer caridade, está a prejudicar essa mesma caridade com esta insistente agenda ideológica. Infelizmente, até já a caridade serve para fazer currículo que depois se usa no combate político (um Fernando Nobre de saias?). O que é uma pena: há pessoas que admiro apesar das divergências, mas também há pessoas que nos fazem perder o respeito pela sua acção quando confundem os carrinhos todos e se metem em guerras a que se deviam poupar.

Ponto 4. Usar a caridade para promover certas ideias políticas é repugnante. Moralmente repugnante. Mesmo em termos cristãos, é contra o Evangelho, que manda que a mão esquerda não saiba o que faz a mão direita (quer dizer, que não se apregoe, não se faça propaganda da caridade praticada). Não sou contra a caridade como caridade, mas tenho muito contra a intrusão da caridade na luta ideológica, como arma de arremesso política. Infelizmente, a Isabel Jonet que assim entra no combate ideológico, sem luvas nem nada (de uma forma quase partidária, pelo tom da sua vinda a terreiro neste momento), lança desse modo uma sombra sobre um projecto (os bancos alimentares contra a fome) que, apesar das discordâncias com as tintas ideológicas, considerávamos meritório. E continuamos a considerar: meritório e necessário. Infelizmente necessário.

Ponto 5. Uma última palavra sobre a solidariedade que vai para além do “Estado social”. Nem toda a caridade é caridadezinha, mas anda por aí muita caridadezinha disfarçada de caridade cristã. Gostaria de saber se todos os entusiastas de Jonet seriam igualmente entusiastas de associações operárias de socorros mútuos, que certamente não beneficiariam de tanta benevolência de certos meios, nem de tantas bênçãos. E, contudo, têm tradição e fizeram muita obra: mas com uma ideologia muito diferente. Aliás, é pena que a esquerda, em tantos países, tenha perdido essas tradições, tornando-se demasiado estatista: mas essa é outra conversa. Entretanto, aos que fazem ideologia e política de facção do alto dos seus tronos de caridade, digo, usando ainda outra expressão do Evangelho, que são "túmulos caiados de branco". E que, como tal, não me merecem o respeito que presumem ser-lhes devido.

(Acrescento este link, por conter alguma informação relevante de enquadramento.)

Machina Speculatrix