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domingo, 28 de outubro de 2012

 gigante Relvas


Miguel Relvas sustentou que, embora se assista a uma «crescente crispação em Portugal» e «a gritaria» tenha ocupado o debate público, não há «alternativa à austeridade e às reformas estruturais» do Governo.«Temos consciência dos custos elevados para as famílias e da coragem com que os desempregados estão a suportar estes tempos difíceis». Mas, mesmo quem contesta a austeridade «sabe que não tem outra saída» e comporta-se como um doente que «vai pensando todo o tempo em evitar aquela medicação» indispensável para a sua cura, que exige «sacrifícios, paciência e disciplina».

“Quero que tudo seja apurado, porque, como disse, fiz de acordo com a lei, de consciência tranquila, de boa-fé. Era assim que estava, é assim que estou e é assim que continuarei a estar”, insistiu o governante, depois de sustentar que prossegue “uma vida aberta, transparente e clara” e que “quem desempenha cargos públicos tem de estar sempre disponível para poder responder sobre todas as dúvidas que existem”.

O relatório da Inspeção-Geral da Educação e Ciência, noticia o semanário Expresso na sua última edição, mostra que Miguel Relvas foi não só o aluno que recebeu mais equivalências a maior número de cadeiras (32 num total de 36, o que equivale a 160 dos 180 créditos exigidos para a licenciatura em Ciência Política e Relações Internacionais) como contou com equivalências a cadeiras que tão-pouco existiam no ano lectivo de 2006/2007, quando esteve matriculado na Universidade Lusófona.

Dois recentes momentos em que o Miguel Relvas fez afirmações, primeiro sobre a austeridade onde exigiu sacrifícios, paciência e disciplina chamando às vozes que a contestam, gritaria. No segundo para mostrar toda a sua beatitude apresentando-se como senhor de uma vida aberta, impoluta e transparente. Só não se viram crescer-lhe asinhas  nas costas porque foi agora conhecido, não que já não se soubesse que era Senhor Doutor por equivalência, mas porque se formou com equivalências até a cadeiras que não existiam na faculdade.
Um governo que tem um Relvas como Ministro não é um governo, é um covil de hienas, é um antro de compadrio e aldrabices, é uma vergonha a que nenhum povo devia ser sujeito. Se lhe juntarmos que é essa gente que está a vender o que resta de público em nebulosas privatizações, então temos a certeza que este país está a ser saqueado. Está o país e estamos todos nós com roubos de salários e reformas. Se pensam que isto é muito mau então juntem-lhe a destruição do emprego, da saúde  e escolas públicas, do estado social, dos direitos laborais e civis e vejam o que restará quando esta gente terminar a pilhagem. Isto não vai acontecer no futuro, está acontecer agora e se o não travamos já não vai restar nada para salvar mais tarde. 
Se todos não percebermos que não podemos ficar sentados à espera que outros resolvam os nossos problemas, temos de ser nós, todos a fazê-lo e já.


PAÍS
Ministro da Defesa acusa comentadores de serem tão perigosos como qualquer ameaça externa


O ministro da Defesa, Aguiar-Branco acusou hoje os comentadores "de fato cinzento e gravata azul" de serem o maior adversário das forças armadas e tão perigosos para a defesa nacional como qualquer outra ameaça externa.
"Este adversário é tão corrosivo, tão arriscado e tão perigoso para a Segurança nacional como qualquer outra ameaça externa", afirmou José Pedro Aguiar-Branco d
epois de acusar os " comentadores de fato cinzento e gravata azul" de fazerem "o discurso da inutilidade das Forças Armadas" e de serem o seu "o maior adversário".

No discurso com que presidiu às comemorações do Dia do Exército, nas Caldas da Rainha, Aguiar-Branco sublinhou às tropas: "O nosso maior adversário não é a adaptação que nos é exigida à situação que o país atravessa", nem tão pouco "as medidas da 'troika (Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e Comissão Europeia) ou a contenção orçamental".

Mas sim, "o sentimento, inegavelmente crescente, de que as Forças Armadas, num contexto de carência geral, não são necessárias" e os comentadores "que olham para o Orçamento de Estado e dizem que é aqui que está a despesa que se pode cortar sem que o país sinta a sua falta", disse.

Sem especificar a quem se dirigem as criticas, Aguiar-Branco acusou os mesmos comentadores de terem do Estado e da soberania "uma visão contabilística" e de encherem páginas de jornais e os noticiários da televisão questionando "para que servem as Forças Armadas".

Um discurso "perigosamente demagógico" que o ministro quer ver combatido "dentro dos quartéis".

"No dia em que as Forças Armadas se deixarem instrumentalizar ou envolver no debate partidário, é o dia em que estamos a dar a resposta, por nós indesejada, à pergunta dos comentadores de fato cinzento e gravata azul", sustentou.

Na intervenção, o ministro deixou ainda uma critica velada às associações representativas dos vários ramos das Forças Armadas sublinhando que "as verdadeiras Forças Armadas não estão nas salas de hotel a discutir política", mas sim no terreno e nos quartéis.

A esses, o governante prestou hoje contas sobre o corte de despesas e custos intermédios no Ministério da Defesa Nacional no valor de 19 milhões de euros, conseguido através da eliminação de direções administrativas e da saída do Programa dos NH90, "libertando 130 milhões para 2013".

A rescisão do contrato das viaturas Pandur e o cancelamento do concurso da arma ligeira que "envolvia 80 milhões de euros", foram outras das medidas apontadas e que, no conjunto, "permitem libertar o erário público, para os próximos anos, em mais de 1.000 milhões de euros".

Cortes que o ministro considera não afetarem o "equipamento necessário" nem diminuírem as capacidades do exército, apesar de o Chefe do Estado-maior do Exército, general Pina Monteiro, ter afirmado que "o potencial humano nas fileiras tende a situar-se em níveis mínimos" e que o efetivo atual do exército "significa uma redução de cerca de 5.500 homens e mulheres em relação ao pessoal necessário para guarnecer a totalidade da estrutura orgânica do exército".

OS CAIS E OS ESTIVADORES - LUTA E PROBLEMÁTICA



All is fair in love and (class) war

Por 


Em consonância com a conhecida expressão inglesa, no amor e na guerra vale tudo e, sobretudo, quando se trata de guerra de classes. E é disso que se trata na crise em curso, uma guerra de classes de grande envergadura. Em Portugal neste momento esta guerra tem várias frentes. Todas possuem importância na ofensiva do capital e dos seus gestores políticos neoliberais e todas têm importância para a defesa dos direitos da população trabalhadora pelos sindicatos. Contudo, está em curso uma batalha específica que pode determinar o curso da guerra – o conflito em torno da flexibilização do trabalho portuário e a greve dos estivadores.
O governo e o patronato estão a jogar com a ignorância e a indiferença do público para efectuar grandes transformações na operação dos portos mas, no Sindicato dos Estivadores, Trabalhadores do Tráfego e Conferentes Marítimos do Centro e Sul de Portugal, uma associação que beneficia de uma sindicalização de quase 100% nos portos incluídos no seu âmbito, encontraram um obstáculo aos seus planos. Este sindicato está convicto de que o Acordo para o Mercado deTrabalho Portuário celebrado pelas Associações dos Operadores, a UGT e a Federação Nacional dos Sindicatos de Trabalhadores Portuários, bem como a legislação subsequente produzida pelo governo, visam a desregulação de normas estabelecidas para o seu trabalho e o funcionamento dos portos, um esvaziamento dos legítimos direitos conquistados pelos trabalhadores portuários e uma provável precariedade e redução do emprego dos trabalhadores cobertos pela contratação colectiva.
O governo e o patronato argumentam que a flexibilização do trabalho portuário é necessária para aumentar a competitividade dos portos portugueses, e vários grupos económicos fortes (nomeadamente o Mota Engil) estão posicionados para retirar os benefícios das transformações conseguidas, de forma a ampliar o seu espaço de intervenção nos portos.
É verdade que a competitividade dos portos portugueses poderia ser melhorada. Mas o governo e os empregadores põem o ónus da falta de competitividade sobre as normas de trabalho portuário. Todavia, será que o problema essencial da competitividade dos portos portugueses incide no custo do trabalho resultante da sua regulação?  Analisando dados comparados relativos à competitividade, destacam-se como mais relevantes os dados referentes aos custos comparados da exportação e importação de um contentor. De facto, em termos dos custos totais, Portugal está relativamente bem posicionado nos rankings calculados pelo Banco Mundial, encontrando-se em terceiro lugar em relação à exportação (atrás de Singapura e da Finlândia) e em sexto lugar em relação à importação (atrás de Singapura, da Finlândia, da Noruega, da Suécia e da Dinamarca).
Em primeiro lugar, deveremos registar destes rankings a observação de que a competitividade não é, necessariamente, um resultado simples do grau de regulação do trabalho portuário e do custo do trabalho, sendo que os portos dos países escandinavos, com os seus fortes sistemas de relações laborais, se apresentam entre os mais competitivos.
Em segundo lugar, a contribuição do custo da movimentação da carga nos portos tem de ser relativizada. Efectivamente, Portugal não está muito competitivo neste indicador mas, mais uma vez, a superior competitividade dos países escandinavos em termos destes custos demonstra que o custo do trabalho não é,  necessariamente, um factor que impede a competitividade. Factores como a gestão, a tecnologia e a logística entrarão, realmente, com mais peso neste cálculo. Sim, é possível aumentar a competitividade neste campo à custa da retribuição pelo trabalho portuário à moda chinesa – como fizeram os gregos no porto de Pireus, entregando uma parte da zona portuária à administração de uma empresa chinesa. Mas será uma solução inteligente? As condições de trabalho dos trabalhadores gregos sob gestão chinesa são muitíss mo precárias e há uma discrepância significativa no seu nível salarial em relação aos outros portos gregos, sendo essa a razão pela qual a gestão chinesa atingiu a sua melhoria de competitividade.
Em terceiro lugar, é outra vez evidente, pelo posicionamento medíocre de Portugal em relação ao custo dos aspectos administrativos e burocráticos envolvidos na movimentação da carga, que o governo poderia fazer muito, neste domínio, para melhorar a competitividade dos portos portugueses. Então, por que é que governo e o patronato canalizam os seus esforços para a flexibilização do trabalho portuário?
A resposta tem a ver com a ofensiva geral do capital, do governo e da troika, aproveitando a crise, contra o que resta de um modelo de relações laborais baseado na regulação do mercado do trabalho através da contratação colectiva. Também tem a ver com os interesses dos grupos económicos que estão prontos para se aproveitar de novas áreas de negócio portuário, abertas pela transformação das relações laborais estabelecidas. Quanto ao custo do trabalho portuário, os estivadores grevistas estão a ser vítimas de  uma campanha eficaz de desinformação (quiçá intoxicação!), na comunicação social, que procura isolar os  estivadores e culpabilizá-los pelos direitos que têm conquistado desde a década de 1990, na sequência das mudanças tecnológicas nos portos. Nesta  campanha várias celebridades mediáticas têm vindo a prestar um serviço ao governo e ao patronato. A mentira mais comum é de um sadismo terrível: a afirmação de que os estivadores chegam a ganhar 5000€ mensais! Quem poderia sentir simpatia ou solidariedade por trabalhadores braçais que ganham mais do que um professor catedrático? A ideia transmitida é a de que estes trabalhadores são uns privilegiados que fazem greves fortuitas e que estarão a explorar os empregadores!!
Num programa recente no canal televisivo SIC Notícias, Sónia Almeida, mulher de um estivador, fez a pergunta relevante: “Em que é que estas figuras baseiam as suas afirmações difamatórias dos estivadores?”.
Em primeiro lugar, relativamente à afirmação dos 5000€, trata-se (infelizmente) de uma ficção inventada. Não é verosímil que as categorias de estivadores em greve possam chegar a salários mensais de 5000€ com base em qualquer regime de trabalho normal, desde logo porque uma percentagem importante dos estivadores corresponde a trabalhadores eventuais que trabalham em função dos pedidos das empresas, podendo ser trabalhadores em situação precária ou temporária. Olhando para a tabela salarial actualmente em vigor e para o contrato colectivo, consegue-se fazer alguns cálculos simples: para ganhar 5000€ por mês um trabalhador da mais alta categoria (superintendente) teria de  trabalhar 16 horas por dia, durante 30 dias seguidos, ou seja, o mês inteiro! No entanto, os estivadores nas categorias de base na escala, ao trabalhar 16 horas por dia (um turno normal acrescido de um turno de horas extraordinárias), chegarão a ganhar, aproximadamente, entre 3030€ e 4450€. Se fosse possível trabalhar tanto, o trabalhador mereceria não só os 5000€ mas, ainda, o bónus de um Porsche, tal e qual o terceiro carro do seu patrão, e, por último, um caixão de ouro no fim do ano!
Fala-se, assim, quer de um regime de trabalho a tempo inteiro quer de horas extraordinárias impossíveis de realizar. Portanto, aqueles, como Ângelo Correia, que vieram à televisão fazer afirmações deste tipo, têm a responsabilidade de demonstrar como tal seria possível, sobretudo porque os documentos do sindicato em causa (que tenho à minha frente) mostram que o salário mensal dos trabalhadores é de 1623,98€ na Figueira da Foz, 1538,96€ em Setúbal, 1787,28€ em Lisboa e 2183,48€ em Sines. O salário mensal mais alto detectado entre os sindicalizados, actualmente, é o de 2708,27€, correspondendo a um cargo de coordenador em Setúbal.
Ao contrário do que foi afirmado, televisivamente, por Ângelo Correia, a nova legislação não visa uma redistribuição “mais justa” das horas extraordinárias de um conjunto de trabalhadores, supostamente privilegiados mas, antes, a redistribuição dessas horas a novas categorias de trabalhadores nas áreas de logística, os quais terão contratos precários de empresas de cedência de trabalho portuário, não tendo os mesmos direitos em relação aos estivadores sindicalizados. É assim que a legislação governamental visa precarizar o trabalho portuário em geral, tendo, por efeito de contágio, um impacto sobre as relações laborais dos trabalhadores sindicalizados. É, por isso, que os estivadores em greve prevêem despedimentos de uma grande parte dos trabalhadores eventuais (ou seja, os trabalhadores alocados, diariamente, pelas empresas de prestação do trabalho portuário aos armadores). Se permitirmos que isso aconteça nos portos, por contágio outros ramos de actividade sofrerão o efeito deste modelo de flexibilização das relações de trabalho.
Por outro lado, qual é o problema se um trabalhador ganhar bem, pelo serviço prestado, de trabalho duro, para uma empresa que faz lucro? É um pecado? A pobreza do proletariado do século XIX (ou em Portugal antes do 25 de Abril) será uma virtude melhor, uma meta para as relações laborais de hoje? Será que estas celebridades pensam que é preciso ser pobre para ser um operário honesto? Que argumentação perversa e mentalidade reaccionária! E qual é o problema se um
trabalhador ganhar devidamente, devido à boa capacidade negocial do seu sindicato na contratação colectiva, por a sua alta produtividade permitir altos rendimentos ao seu empregador? Não é isso, supostamente, a virtude da função da contratação colectiva em democracia? Ou terá a burguesia perdido o apreço e a tolerância pela democracia e a negociação laboral?
Vários sinais deveriam ter acordado o movimento sindical quanto à seriedade da situação mas, lamentavelmente, ainda há pouco eco do conflito no debate sindical:
1) Na última semana, várias vozes do patronato pressionaram o Governo, frontalmente, reivindicando o recurso à requisição civil. Aparentemente, o governo vai tentar evitar o risco de um confronto aberto, optando, para obter o mesmo efeito, pela alteração dos critérios dos serviços mínimos, redefinindo-os. Em vez de incidirem apenas no tratamento de produtos perecíveis e de primeira necessidade, os grevistas terão ainda o dever de tratar de tudo o que é indispensável à economia nacional. Como tudo o que tem a ver com a exportação pode ser invocado como indispensável à economia nacional, nesta crise, o governo vai, efectivamente, retirar força ao direito à greve. Se isso acontecer todo o movimento sindical sofrerá as repercussões desta precedência.
2) Um representante do patronato veio várias vezes a público acusar, de forma policial, o PCP e a CGTP (como se fossem uma entidade única anti-nacional) de estar atrás da greve. Trata-se de uma táctica McCarthyista da mais elementar. Toda a gente sabe que o sindicato em questão é independente, “livre e democrático”, como rezam os seus estatutos, e que o PCP não tem influência na sua direcção. Algo diferente é que o PCP apoie, de alguma forma, a luta destes trabalhadores, o que os estivadores só poderão agradecer, como reconhecerão o apoio de todas as forças políticas que sustentem a justiça desta luta. E se há alguma convergência entre a greve e os objectivos políticos do PCP e da CGTP, isto é indicativo da situação  política no país e não dos objectivos dos estivadores. Mas esse apoio valioso do PCP, e de outras forças da esquerda, de maneira nenhuma significa que se trata de uma greve fomentada por eles. Esta greve é uma resposta legítima de uma classe de trabalhadores que está a sofrer um ataque às suas condições de trabalho e de emprego.
Trata-se de um conflito laboral importante e legítimo – que entretanto envolve alguma divisão sindical. O acordo sobre o trabalho portuário que abriu a porta à nova legislação foi assinado pela UGT e a Federação Nacional dos Sindicatos de Trabalhadores Portuários. Embora este sindicato represente, em maioria, os rabalhadores do porto de Leixões, no conjunto de portos portugueses é minoritário. Quanto à UGT, a assinatura deste acordo é, infelizmente, consistente com a sua política de concertação a todo o custo, sendo muito compatível com a sua posição em relação à assinatura do “Compromisso para o Crescimento, Competitividade e Emprego”. Evidentemente, há diversas estratégias sindicais para lidar com os problemas actuais da economia e do emprego. Ora, sem querer entrar no conflito ideológico que divide, disfuncionalmente, o sindicalismo português, é preciso, contudo, constatar que a greve dos estivadores é um conflito exemplar em resposta às reivindicações patronais para a flexibilização e desregulação das relações laborais em torno da competitividade. As repercussões desta situação podem – e vão ser de certeza – sentidas muito além dos portos.
A campanha dos empregadores procura isolar os estivadores em greve da mesma maneira (embora ainda mais radicalmente) que, no geral, se procura dividir os trabalhadores do sectores público e privado no contexto das políticas de austeridade. Também cada vez mais, nos ruídos produzidos na internet e na “opinião pública”, outros trabalhadores do sector dos transportes em conflito, tais como maquinistas da CP, trabalhadores da Soflusa e da Transtejo, etc., estão a ser tratados em conjunto, como se fossem uma aristocracia de trabalho que tem uma vida privilegiada, e associam-se os conflitos, deslegitimando as reivindicações destes trabalhadores.
Os estivadores têm tido evidentes dificuldades em transmitir a sua mensagem. Embora se possa entender que entre sindicalistas da UGT haja um incómodo em relação ao conflito,  devido à assinatura, pela UGT, do Acordo sobre o Mercado de Trabalho Portuário, surpreende a falta de empenho do resto do movimento sindical em torno da situação e, sobretudo, a falta de discussão do conflito. Como é que vão reagir se houver uma repressão dos estivadores em greve?
Em conclusão, sugiro uma reflexão sobre a história recente do ovimento sindical internacional. Pensemos no sindicalismo americano, por exemplo, e o efeito que em 1981 a repressão, por Reagan, da greve dos controladores aéreos de PATCO, uma profissão reduzida de trabalhadores altamente qualificados e “privilegiados”, teve no declínio do poder negocial dos sindicatos norte-americanos, em geral, e na sindicalização. Consideremos o sindicalismo britânico e o efeito que a derrota em 1984 dos mineiros, outros “privilegiados”, teve nos recuos dos direitos dos trabalhadores desse país. Lembremos, então, o significado do lema sindical “solidarity forever”. Não se trata, apenas, de um slogan do passado histórico ou de uma ideia ideológica abstracta, mas de uma necessidade sindical!
Não esqueçamos o que o governo e o patronato tão bem entendem (e aplicam, se  deixarmos): “vale tudo no amor e na guerra”… de classes!

Alan Stoleroff
26 de Outubro de 2012

Kings Of Leon - Sex On Fire

Botanica Promo Video



Momix: uma experiência sensorial

Essa é imperdível pra quem gosta de dança contemporânea. A companhia norte-americana Momix, que mescla dança, efeitos visuais, técnicas de circo e música,

Desta vez, a trupe apresenta o espetáculo “Botanica”, que abusa das projeções de luz e cenários oníricos para lembrar a importância do equilíbrio ambiental no planeta e, como de costume, levar a plateia ao delírio. Bailarinos imitam plantas, animais e criaturas fictícias. Um desafio à imaginação. Quando o assunto é Momix dá, sim, para esperar o inesperado…
E se uma imagem vale mesmo mais do que mil palavras, pra que falar mais? O vídeo promocional com trechos da performance resume o que as linhas tortas aí de cima tentaram explicar. Apertem os cintos e preparem-se para uma viagem sensorial!

Pedro Mestre Povo que Canta RTP1



Refundação. A palavra mágica!

O que é a "refundação". Nada de confusões! 
Tentemos perceber.

Até Passos Coelho já viu que todos percebemos que esta política não serve. 

Mas não quer assumir a necessidade de uma nova política. Não! Isso seria assumir que o sistema capitalista não tem resposta. 
Não quer assumir a renegociação da dívida. Não! Isso seria reconhecer que as propostas do PCP cada vez mais apoiadas por largos sectores da sociedade, são mesmo necessárias. 

Que refazer? ou "Que Fazer?"

Passos, está num beco sem saída. Que refazer? ("Que fazer?" lembraria outro).
Foi ao dicionário e encontrou uma palavra suficientemente ambígua para dar resposta a tudo.Refundação.
Refundação, parece ser a palavra mágica que contenta (q.b.) todos.

foto refundada do ParafusoVadio

Todos sabemos que esta política não serve.Refundemos a política!
Todos sabemos que este memorando assinado com a troika é a corda na garganta. Refundemos o Memorando!
Todos sabemos que a dívida que estamos a pagar não é a nossa dívida e é uma dívida impagável.Refundemos a Dívida.
Todos sabemos que são os Bancos que ganham com o negócio dos juros. Refundemos os Juros.
Todos sabemos que o Estado não exerce as suas funções para dirigir a economia do país. Refundemos o Estado.
Todos nos queremos livrar das troikas (FMI, BCE, UE) e (PS, PSD, CDS). Refundemos as troikas.
Todos começamos a perceber que este sistema está... f... (falido ou fundido). Refundemos o sistema! (Há aqui uma confusão de palavras e de letras que é preciso refundar. Agora sou eu que tenho que ir ao dicionário, porque este verbo Refundar presta-se a confusões em demasia). 
Refundação. É palavra que pode levar longe. Passos Coelho, creio, entrou em caminhos perigosos com esta palavra Refundação. Será preciso refundar bem fundo a refundação?




Chico Buarque – Chame ladrão!


Servindo-se da sua forma encantadora de, por vezes, descrever realidades sinistras, o Chico Buarque escreveu, há muitos anos, uma canção descrevendo o sobressalto da repressão, da perseguição política, das prisões, da tortura, dos assassinatos, do afastamento, do exílio, do nojo da ditadura militar que durante tanto tempo esmagou o Brasil.
Eram anos de chumbo... em que, como se diz na cantiga, quando a hora chegava, quando "tinha gente lá fora batendo no portão", não adiantava chamar a polícia. A polícia era o inimigo. Era melhor chamar um ladrão...
Também nós já vivemos nesse mundo execrável. Agora, ao arrepio da História e do futuro, há quem esteja a perturbar a nossa linha do tempo, torcendo-a, obrigando-a a apontar de novo ao passado.
Não, inda não chegámos lá! Só que aquilo que é realmente decisivo na História da Humanidade raramente acontece por acaso. O passado só não regressará, se lhe fizermos frente!
Bom domingo!
“Acorda amor” – Chico Buarque
(Francisco Buarque de Holanda)


GATOS