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terça-feira, 23 de outubro de 2012



Europa do capital monopolista empenhada no anticomunismo

Europa do capital monopolista empenhada no anticomunismo
por Hugo RC Souza 


Ao mesmo tempo em que o fascismo volta a mostrar a cara na Europa — e os partidos e organizações da direita ganham espaço político — a propaganda fascitizante se esmera em elaborar argumentos invertidos para justificar a campanha anticomunista posta em prática desde as instituições européias supranacionais até os governos locais, passando pelos meios de comunicação e certa literatice histórica pseudo-científica.

Lisboa - A lógica que respalda perante o público a perseguição às organizações comunistas é a da sua equiparação com o nazi-fascismo, omitindo a verdade histórica de que os primeiros, na verdade, foram as principais vítimas dos segundos, e rejeitando o fato de que a União Soviética comunista foi a principal responsável pela libertação de uma Europa que se encontrava sob o jugo da Alemanha nazi. Outra verdade histórica: à semelhança dos tempos da Segunda Guerra Mundial, o ódio de classe aos comunistas se intensifica quando o acirramento da ofensiva imperialista representa a maior ameaça para a liberdade dos povos.

A direita européia mais reacionária começou o ano de 2007 reeditando no Parlamento Europeu uma agremiação de eurodeputados extinta desde 1989. Herdeiros diretos do fascismo hitleriano, os integrantes do grupo parlamentar Identidade, Tradição e Soberania têm agora acesso direto a financiamentos, maior tempo de tribuna e cargos de responsabilidade em comissões. Esses agentes da extrema direita aguardavam ansiosos a adesão da Romênia e da Bulgária à União Européia para somar a si próprios os eurodeputados do Partido da Grande Romênia e os búlgaros do partido Ataka, a fim de conseguir o número mínimo de 20 eurodeputados necessários para a formalização de um grupo parlamentar de "pleno direito".

Romênia e Bulgária aderiram oficialmente à UE no dia 1º de janeiro, e já no dia 15 o euro-deputado francês Bruno Gollnish formalizava a constituição do novo grupo, quase vinte anos depois de dissolvida a frente parlamentar liderada pelo líder fascista francês Jean Marie Le Pen.

Gollnish é tido como o braço direito do próprio Le Pen no partido francês Frente Nacional. No âmbito do Parlamento Europeu os papéis se invertem para manter as aparências: Gollnish lidera o Identidade, Tradição e Soberania. Lidera o próprio Le Pen, sua filha Marina, e outros quatro membros da FN. Tem ainda sob sua orientação formal o austríaco George Haider, Alessandra Mussolini — neta do Benito Mussolini — e três belgas do partido nacionalista xenófobo Vlams Belang.

O cenário é anunciador de um acirramento da ofensiva anticomunista que se observa hoje no âmbito da União Européia. Uma ofensiva que foi desencadeada a partir do Conselho da Europa, um ano antes de a extrema direita se reunir formalmente no grupo Identidade, Tradição e Soberania, no Parlamento Europeu.

No dia 25 de janeiro de 2006, os parlamentares da direita conseguiram aprovar no Conselho uma resolução que associa o comunismo, os comunistas e a ideologia que orienta seu pensamento e suas ações a toda sorte de crimes contra a humanidade e violações dos direitos humanos. Em síntese, a resolução aprovada há cerca de um ano reivindicava para o comunismo e para os comunistas as mesmas condenações internacionais recebidas pelo nazi-fascismo ao longo dos últimos cinquenta anos.

Mas os objetivos do documento aprovado na assembléia parlamentar do Conselho da Europa — documento preparado pelo sueco Göran Lindblad e intitulado "Necessidade de uma condenação internacional dos crimes dos regimes comunistas totalitários" — iam além do evidente teor provocativo ou mesmo da mal forjada campanha de desmerecimento: tentou-se criminalizar a resistência comunista atual através da deturpação de complexos processos históricos do passado.

Em primeiro lugar, os parlamentares do Conselho negam o papel fundamental que as lutas comunistas desempenharam e desempenham para o combate à dominação dos povos e na busca incessante pela abolição de todas as formas de opressão humana. Fingem desconhecer a grandiosidade das realizações comunistas e refutam a contribuição ímpar que seu ideário ofereceu e oferece à busca pela liberdade. Em segundo lugar, esses parlamentares da direita tentam desqualificar o protagonismo comunista na vitória sobre o nazi-fascismo na Segunda Guerra Mundial, o que leva a crer — vindo o falseamento de quem vem — que além de provocação e campanha de caça às bruxas, trata-se também de revanchismo.

Silenciar e criminalizar

Assim os herdeiros do nazi-fascismo tentam escrever, apregoar e inculcar na consciência dos povos uma versão falsa sobre sua própria derrota na Segunda Guerra Mundial. Esmeram-se em escamotear a natureza capitalista e imperialista da guerra e calam-se sobre o fato de ser o ódio nazi aos comunistas uma manifestação do ódio de classe burguês.

Segundo essa versão calcada em mentiras e omissões, não importa o papel preponderante desempenhado pela União Soviética para a vitória sobre a Alemanha nazista. Para eles, não basta não lembrar, nem sequer basta fazer esquecer: é preciso que se invertam os papéis, e dessa forma o Exército Vermelho, que libertou os europeus do pesadelo nazi, se transforma, num passe de embromação, no cruel algoz dos países por onde marchou.

A artimanha não é nova. Em maio de 2005 o então vice-presidente do mesmo Conselho da Europa, o alemão Gunter Verheugen, exigiu que o governo da Rússia reconhecesse publicamente que a União Soviética havia ocupado os países bálticos de forma ilegal. Para apresentar como invasores os libertadores, as grandes burguesias dos Estados-membros e os meios de comunicação por elas controlados juntam-se de bom grado aos setores mais reacionários do Parlamento Europeu e da Comissão Européia. E não apenas. Falsos representantes das forças populares no Parlamento e na Comissão por vezes fazem pouco mais do que anunciarem seus votos contrários.

Todos farejam mais uma oportunidade para silenciar, desqualificar e criminalizar aqueles que hoje insistem em resistir à força do capital. Foi o que ressaltou o deputado sueco Mats Einarsson, do Partido da Esquerda da Suécia, numa intervenção na sessão de janeiro de 2006 em que os fascistas de agora aprovaram o relatório anticomunista:

— Em nome do anticomunismo muitas pessoas foram presas, torturadas e privadas dos seus direitos democráticos. Os alvos do anticomunismo nunca são as ditaduras, mas a esquerda, os movimentos dos trabalhadores e todos os que põem em causa o capitalismo. Aqueles que se opuseram à ditadura do proletariado não o fizeram porque se tratava de uma ditadura, mas porque se tratava do proletariado que encarnava o pesadelo para as classes dirigentes.
 

O cenário é anunciador de um acirramento da ofensiva anticomunista que se observa hoje no âmbito da União Européia 

O documento foi aprovado, e nele é possível ler trechos como "a consciência pública dos crimes cometidos pelos regimes comunistas totalitários é muito pobre", ou "os partidos comunistas estão sempre legais e em atividade em qualquer país, mesmo se em certos casos eles não estejam dissociados de crimes".

O músico comunista grego Mikis Theodorakis divulgou um comunicado no qual invocou seus camaradas mortos nos campos de concentração para desabafar contra os que chamou de gentlemen do Conselho da Europa: "Tenham vergonha!". No mesmo texto, Theodorakis escrevia:

"O Conselho da Europa anuncia doravante a perseguição futura dos comunistas europeus que não se tenham ainda retratado. Talvez porque amanhã vão decidir proibir os partidos comunistas, abrindo dessa forma a porta aos fantasmas de Hitler e Himmler, que, como se sabe, começaram a sua carreira proibindo os partidos comunistas e colocando comunistas nos campos de concentração".

O que ele apresentava como uma possibilidade sombria é hoje uma realidade concreta.


Cronologia da truculência
A campanha anticomunista posta em prática na Europa visa sobretudo os jovens e é empreendida principalmente pelas classes dirigentes encarregadas da gestão da restauração capitalista no Leste Europeu. Na Ucrânia, membros da Liga da Juventude Comunista Leninista vêm sendo presos e torturados. Na Bielorrússia, os dirigentes da União da Juventude Republicana — de caráter comunista — vêm sendo impedidos de viajar para alguns países da Europa. Mas o empenho do governo da República Tcheca para lançar à clandestinidade os jovens comunistas daquele país foi o caso que ganhou maior repercussão e suscitou grandes manifestações de solidariedade, talvez pela magnitude das lutas contra a privatização do ensino superior que se pretende implementar nas universidades tchecas.

Em novembro de 2005 a KSM — União da Juventude Comunista da República Tcheca — recebeu uma intimação do governo tcheco exigindo a renúncia aos princípios marxistas-leninistas. A KSM tinha até 31 de dezembro daquele ano para rever o seu programa, sob pena de dissolução por decreto e pela força. Ao longo do prazo, milhares de checos subscreveram um abaixo-assinado contra a atitude do governo, e organizações antifascistas e de estudantes organizaram manifestações de solidariedade dentro da República Tcheca e em diversos países do mundo. Acossado por essas mobilizações, o governo adiou a decisão sobre a ilegalização da KSM para março de 2006.

No dia 27 de fevereiro milhares de estudantes europeus concentraram-se na frente das embaixadas da República Tcheca em vários países da União Européia, evento que recebeu o nome de Dia Internacional de Solidariedade com a KSM, organizado pela Federação Mundial da Juventude Democrática (FMJD).

No dia 25 de abril a tensão aumentou após o vice-presidente do Partido Comunista da Boêmia e Morávia (KSCM) ser espancado em Praga, capital do país. Seis dias depois, no dia 1º de maio, realizou-se uma grande manifestação anticomunista na cidade, tendo à frente os líderes dos três grandes partidos da direita. A provocação foi redobrada porque a marcha da direita acontece exatamente no lugar onde a KCSM realizaria as comemorações do Dia do Trabalhador.

Milhares de estudantes voltaram a se mobilizar em solidariedade aos jovens comunistas tchecos

Em outubro de 2006 o governo tcheco avança e ilegaliza oficialmente a União da Juventude Comunista da República Tcheca. O decreto é expedido uma semana antes das eleições para o senado e exatamente no momento em que tanto a KSM quanto a KSCM estavam empenhadas em recolher assinaturas da população para impedir a instalação de bases da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) no país. Para mostrar força, o governo começa a plantar notícias sobre prisões de jovens militantes, mas a KSM não apenas desmente os boatos. Também resiste ao acolher em Praga a 5ª Reunião Européia das Juventudes Comunistas, sob o lema A luta da juventude européia contra os ataques aos direitos sociais e democráticos — ofensiva militante contra o anticomunismo.

Mas a classe dirigente tcheca não se dá por satisfeita, e em novembro é criada uma comissão parlamentar, tendo como ponto de partida para a perseguição ao próprio Partido Comunista da Boêmia e Morávia, que havia conseguido 15% dos votos nas eleições legislativas. O trabalho desta comissão é avaliar a legalidade dos estatutos da KSCM.

Apesar da truculência e das ameaças, a resistência faz-se ouvir. No dia 13 de dezembro, em vários países europeus, milhares de estudantes voltaram a se mobilizar em solidariedade aos jovens comunistas tchecos, concentrando-se não apenas na frente das embaixadas tchecas, mas também se manifestando nos ministérios das Relações Exteriores, exigindo providências das diplomacias européias.

O resultado é o silêncio oficial. Os partidos no poder recusaram-se até mesmo a assinar moções parlamentares de repúdio à perseguição posta em prática na República Tcheca. Certamente porque a perseguição arranca agora ou está no horizonte nos outros países europeus.

Na Espanha, organizações de jovens comunistas vêm sendo ilegalizadas sob o pretexto do combate ao ETA. O Partido Comunista Espanhol Reconstituído vem sofrendo perseguições. Seus dirigentes históricos comprometidos com a luta antifascista caem presos e são apresentados como terroristas. Significativamente, alguns deles estiveram também nas cadeias franquistas, onde outros tantos foram assassinados durante 40 anos de ditadura fascista.

Na Rússia, o governo Putin acabou com o feriado de 7 de novembro, dia da Revolução Socialista que mudou o curso da história no século XX. A coligação de extrema direita que governa a Polônia colocou em andamento um programa de expurgo de funcionários pú blicos que no passado estiveram ligados ao regime comunista. Em Portugal, os movi mentos estudantis das escolas secundárias ligados à Juventude Comunista Portuguesa são alvo de reiterada repressão. Na Itália, as autoridades estão empenhadas em perseguir os integrantes do Novo Partido Comunista Italiano.

Sob pano de fundo da sanha anticomunista que varre a Europa está o pavor dos dominadores diante dos movimentos e organizações verdadeiramente antiimperialistas, antifascistas e anticapitalistas em geral. À ameaça que elas representam a Europa do capital monopolista é acompanhada de truculência e destruição de direitos democráticos.


Não surpreende que o faça em nome da própria democracia.
 
 
 
 

Medina Carreira, de comentador encartado a palhaço-sério...

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De comentador encartado a palhaço-sério...

Ouvi atentamente Medina Carreira com um colega seu, a seu lado (tipo eco), a malhar forte e feio naquela coisa que se prepara para ser obrada. E porque não cortar na despesa, assim? E porque não cortar na despesa, assado? Porque este governo, assim. Porque este governo, assado. E assim foi durante não sei quantos minutos a fio e de onde se conclui que o homem, o que advoga, é que não há dinheiro para macacos viciados e que isto é um circo cheio de vícios incutidos por uma constituição que está datada e que hoje já não vale nada. Diz o comentador encartado (agora palhaço-sério), mais ou menos isto: este governo vai gastar demais na saúde, no ensino e no Estado social. Ponto Final. Ponto final, pois. Porque o  este palhaço sério, que já vive há muito do circo, omite como se sai do vicioso circulo... (ver resumo)

Claro que o homem falava sem contraditório. Não parecia nada mal colocar alguém que tirasse o palhaço do sério e lhe espetasse pelos olhos dentro a realidade da despesa monstruosa que cresceu à custa do circo e que, não por acaso, o Medi(ci)na omitiu: 
"O debate sobre a despesa pública está há muito inquinado por dois grandes erros de percepção. O primeiro corresponde à imagem da administração pública como um conjunto de repartições onde nada se faz de útil, quando maioritariamente é constituído pelo conjunto de pessoas e estruturas (como escolas e centros de saúde) que asseguram muitas das funções que permitem que vivamos numa sociedade minimamente decente. O segundo erro de percepção diz respeito à distinção entre a qualidade e o volume da despesa. A melhoria da qualidade da despesa deve ser uma preocupação de todos, sobretudo a partir de uma verdadeira posição de esquerda, tendo em conta a forma como a despesa pública tem crescentemente vindo a ser determinada pela promiscuidade entre os poderes político, económico e financeiro (como ilustrado pelos casos mais flagrantes das PPP, do BPN ou da privatização de monopólios naturais). Porém, a preocupação com a qualidade da despesa não deve levar à conclusão errada segundo a qual o volume total da mesma - e sobretudo o défice - devem ser cortados de qualquer forma e em qualquer momento. 
O Orçamento de Estado para 2013 consegue o pior em todas estas frentes: é profundamente pro-cíclico (tendo em conta a carga fiscal brutal e o saldo primário visado, no contexto de uma gravíssima crise económica e social) e afecta a qualidade da despesa da pior forma (sacrificando ben públicos essenciais para o desenvolvimento e bem-estar). Onde cortar, então? Naturalmente, no mais inútil dos ministérios: o ministério do serviço da dívida. Tem um orçamento superior à Saúde e à Educação, corresponde à sangria de recursos do país numa altura crítica (aprofundando por isso a recessão) e tem como única função adiar uma reestruturação que todos sabemos já ser inevitável, dada a relação entre o volume da dívida, os juros reais e o (de)crescimento a que estamos condenados por esta via. Teria consequências? Sim. Será inevitável mais cedo ou mais tarde? Sim. Seria preferível fazê-lo já? Certamente." 
ALEXANDRE ABREU, in "Ladrões de Bicicletas"
Conversa avinagrada 


Paulo Campos – Convém não exagerar…


Ao mesmo tempo que Paulo Campos dá entrevistas com este teor, queixando-se de ganhar tão mal que necessita do apoio dos pais para conseguir dar uma boa educação aos filhos… afinal, vem a lume que o ladino ex-ajudante de Sócrates no Governo, tem como média de ganhos mensais nos últimos anos, qualquer coisa como 8.000 euros.
Para este tipo de gente e este tipo de estórias, já começam a faltar os adjectivos.
Diria, no entanto, que é mais um caso para nos mostrar (como se ainda fosse preciso!) que nenhum dos governos do “centrão”, que nos têm desgovernado desde 76, num interminável “alterne” entre PS, PSD e CDS, tem o exclusivo de governantes sem vergonha na cara.
Diria ainda, dados os montantes de que o senhor Paulo Campos parece necessitar para a educação dos filhos, que espero bem que os pobres coitados não fiquem deteriorados irremediavelmente... por excesso de educação!
É que no caso de Vítor Gaspar (só a título de exemplo), o «enorme investimento» que Portugal fez na sua educação e que ele, desgraçadamente, faz questão de “retribuir”… deu na tragédia que vemos todos os dias!


Faro ensino de excelência.




Colégio de Nossa Senhora do Alto foi o 2.º melhor do país nos exames de 6.º ano
No primeiro ano em que se realizaram exames nacionais do 6.º ano, o Colégio de Nossa Senhora do Alto, sediado em Faro, obteve o 2.º lugar a nível nacional e o 1.º lugar a nível regional.

Relativamente ao 9.º ano, o colégio privado mantém o 1.º lugar a nível regional, posicionando-se no 13.º lugar no «ranking» das escolas com 50 ou mais provas e o 20.º lugar no «ranking» das 1320 escolas do ensino básico a nível nacional.

“Como escola católica e diocesana, continua a promover um ensino de excelência, resultado de uma estreita cooperação entre toda a comunidade educativa e um projeto educativo que promove o desenvolvimento do aluno em todas as suas dimensões”, refere o colégio, em comunicado
.

in Região Sul.

HUMOR - NOVO CATÁLOGO DAS TINTAS ROBIALAC


Mãos Visíveis

E a saga continua

by Tiago Santos


José Rodrigues dos Santos volta a entrar de forma arrogante em campos que não conhece. Já o tinha feito com o último livro, "o último segredo" e sobre este vale a pena ler a crítica escrita pelo padre e filósofo Anselmo Borges, no DN.
Desta vez, discorre sobre a economia. A formula será basicamente a mesma, ou seja, com um número muito limitado de fontes, discorrerá sobre temas que não domina fazendo de parvos quem lê e quem estudou estes temas ao longo de vidas inteiras.
Nada disto mereceria a minha atenção e a atenção deste blogue se a posição priviligiada de JRS não lhe garantisse uma enorme cobertura mediática e por isso, a garantia de um sucesso comercial. Com isto tudo, as pessoas vão-se sentir informadas mas tudo não passa de mais um exercício de desinformação. Opinião pura e pouco fundamentada de JRS travestida de realidade, com o carimbo da sua suposta credibilidade enquanto pivot de televisão - aquele que nos retrata a realidade.
Deixo algumas pérolas que podem ser encontradas na entrevista do autor à Visão:
"Faz-me confusão que protestem agora, mas que não o tenham feito quando se ordenou a construção da segunda ou da terceira autoestrada Lisboa--Porto, nem quando se construíram dez estádios para o Euro 2004, sendo precisos apenas sete. Quando o dinheiro já tinha sido derretido, todos estavam contentes. Agora que chega a fatura, é que se protesta."
"São os principais culpados da crise do subprime. A crise europeia, e a crise portuguesa, decorrem de outro tipo de responsabilidades. O que nos aconteceu foi um acidente de avião. Quando os aviões caem, nunca é por uma só razão, mas por várias, que ocorrem simultaneamente. Ouvimos dirigentes políticos a dizerem: "Ah, a culpa [da crise] é da desregulação nos EUA." É verdade, mas não é toda a verdade. Houve desregulação na América, e a Alemanha tem um desemprego de 4% e uma economia pujante."
"Depois, há a crise do euro e das economias todas. E um problema de fundo: a desindustrialização do Ocidente. Termo-nos endividado não tem nada a ver com o subprime, isso é uma desculpa de quem está a tentar esconder a verdade. Uma segunda crise é a das economias. Para termos um determinado nível de vida, temos que produzir de acordo com ele. Mas como há uma transferência dos meios de produção para a Ásia, que é o problema de fundo, passámos a produzir menos mas a querer manter o mesmo nível de vida. E então, endividámo-nos. Mas este endividamento é insustentável. Portanto, há um momento em que os bancos recuam - aí, sim, entra a crise do subprime. Mas esse momento havia de acontecer na mesma, mais cedo ou mais tarde. Se passar um camião a grande velocidade na minha rua, isso causa um tremor. De repente, caem quatro casas. Mas estes edifícios estavam com falhas estruturais sérias... E a falha mais importante, no caso desta crise, tem a ver com a transferência de produção para o Oriente, e a falta de competitividade."
Esperem um pouco até verem postas inflamadas pelo facebook a socorrerem-se das ideias veículadas por este novo guru da economia. É também aqui que a crise começa...
Posted: 22 Oct 2012 07:11 AM PDT
Os bons negócios de Tony Blair
por Marc Roche , Carta de Londres


Já lá vai o tempo em que os antigos primeiros-ministros europeus consagravam os primeiros seis meses de sua passagem à reforma para escreverem as suas memórias antes de passarem o seu tempo num campo de golfe ou a ocuparem-se com instituições de caridade!

Hoje, eles estão a voltar-se para os negócios, com todos os problemas de ética e de conflito de interesses que isso levanta. Tony Blair é o exemplo vivo desta simbiose que nem sempre é muito saudável entre a política e as finanças e que abre a porta a todos os compromissos.

Mais de 1 milhão de libras (1,24 milhões de euros) de honorários por três horas de trabalho: esta é a colossal comissão recebida por Tony Blair, por ter actuado como intermediário entre o gigante suíço Glencore, especialista, negociante e especulador sobre matérias-primas, e o Qatar. Glencore tinha anunciado que iria lançar no mês de Fevereiro uma oferta pública de aquisição (80 mil milhões de dólares ou 63 mil milhões de euros) sobre o grupo mineiro Xstrata, também ele suíço, de que o emirado é o segundo maior accionista. Confrontado com a hostilidade do fundo soberano Qatar Holding a este golpe na Bolsa, o director–executivo da Glencore, Ivan Glasenberg, apela em dificuldade ao antigo primeiro-ministro trabalhista (1997-2007). "Por favor, tente fazer qualquer coisa para conquistar o Qatar." Tony Blair, que fundou a sua muito próspera empresa de consultoria e conselho telefonou sem demora a um seu amigo, Hamad bin Jassim Al-Thani, primeiro-ministro do emirado rico em gás e que é o patrão da Qatar Holding. Na sequência desta conversa, é marcado um encontro entre as duas partes, em Londres. 

Emirati Sheikh não pode recusar qualquer coisa e seja o que for ao antigo morador de 10 Downing Street que também é o representante do Quarteto para o Médio Oriente (Estados Unidos, Rússia, União Europeia e Nações Unidas). Tony Blair é também um conselheiro internacional do banco de negócios americano JPMorgan com emolumentos de 2,5 milhões de libras por ano [1]. JP Morgan aconselhou Xstrata ao JPMorgan . Na noite de 7 de Setembro, Glasenberg, Sheikh Hamad e Tony Blair reúnem-se numa suíte do Claridge Palace protegidos por uma porta duplamente acolchoada. Nada filtrou do conteúdo dessas entrevistas.

Evidentemente, Tony Blair sabe rentabilizar as suas consideráveis habilidades de negociação e a sua agenda de endereços que é impressionante, especialmente no que se refere ao Médio Oriente e aos países da antiga URSS. O sucesso da sua intervenção é também devido ao facto de que o Qatar precisa de melhorar a sua imagem junto de investidores de longo prazo muito cautelosos, imagem esta que foi manchada pelo escândalo das condições de resgate financeiro, no Outono de 2008, do banco Barclays. O departamento sobre fraudes graves iniciou uma investigação sobre o pressuposto pagamento, pelo banco britânico Barclays, de subornos a alguns membros da família reinante do Qatar.

Além disso, o antigo chefe do governo, que tinha trabalhado na criação de uma regulação financeira "muito suave" após sua chegada ao poder em 1997, transformou-se no grande defensor do "too big to fail" , ou seja, banco ou instituição muito grande para poder falir. A solução para os nossos problemas não é a de pendurar 20 banqueiros, disse o querido Tony Blair, lançando assim um apelo para que cesse a caça às bruxas a visarem os senhores do dinheiro.

Tony Blair não é o único ‘antigo’ a quem a noção de conflito de interesses escapa completamente. O ex-presidente dos Estados Unidos, o democrata Bill Clinton, que, para simplificar, se poderia considerar posicionado à esquerda no sentido americano do termo, faz conferências altamente remuneradas pelo mundo empresarial. O ex–primeiro-ministro trabalhista, arquitecto do New Labour, Lord Mandelson, é o missi dominici do banco de investimentos Lazard. 

Entre duas Presidências do Conselho italiano, Romano Prodi foi contratado pela Goldman Sachs. Desde 2005, o antigo chanceler alemão, Gerhard Schröder, é o representante da empresa russa Gazprom no Conselho de supervisão do gasoduto do Norte europeu, consórcio russo-alemão encarregado da construção e da exploração de um gasoduto.

Próximo da esquerda católica sindical, o antigo chefe do Governo belga Jean-Luc Dehaene durante muito tempo presidiu ao Conselho de administração do "pato coxo" que é o banco Dexia. E, obviamente, a lista não é exaustiva dos homens de esquerda convertidos "ao capitalismo de acesso", ao capitalismo assente nas boas relações como assim o catalogou em 1993 Americain New Republic.

No rescaldo do colapso financeiro, no Reino Unido, foi a direita que apertou os parafusos da regulação. David Cameron entrou em guerra contra os salários  excessivos dos banqueiros, contra a especulação e a evasão fiscal. Mas isso não impede que o líder da coligação conservadora no poder esteja sempre a empurrar a ‘porta giratória’, ou seja, de andar sempre, como fazem os americanos, entre Wall Street e Washington.

Na verdade, quando da sua remodelação governamental de 4 de Setembro, três antigos banqueiros, ou aparentados entraram para o governo. Só a imprensa financeira especializada se refere à nomeação de Paul Deighton como Secretário de Estado para as Finanças, de Sajid Javid para o Tesouro e Greg Clark para Secretário de Estado para os assuntos da cidade. O primeiro, director-geral dos Jogos Olímpicos de Londres, trabalhou 22 anos no Goldman Sachs. O segundo foi um trader, um operador nas salas de mercados, especialista portanto em produtos derivados e especulação, no Deutsche Bank. O terceiro, vem da Boston Consulting Group, uma empresa de consultoria em gestão.

A priori, no plano jurídico como no plano moral não há nada a acrescentar sobre os recém-chegados ao poder. Ainda que a presença de profissionais da finança ao perfil idêntico no topo do Ministério das Finanças possa vir a constituir um problema.
Marc Roche, Le Monde

[1] Nota de Tradução. Segundo o Guardian Tony Blair é também consultor da empresa de seguros suíça Zurich: "Zurich is taking Blair on to advise it on the implications of climate change.The aim, a spokesman said, was to establish "the best way they can adapt their policies for businesses to take account of climate change".

Zurich refused to say how much it was paying Blair and whether the payment would be offshore, but did not deny that he was likely to receive a six-figure sum as a senior adviser."
 
 
 
Fonte: