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terça-feira, 16 de outubro de 2012

mar tu - metade - poemas de António Garrochinho



ESCURO - POEMA DE ANTÓNIO GARROCHINHO




A barbárie chegou à escola

Terça-feira, 16 de Outubro de 2012


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Segundo esta notícia do Correio da Manhã, já confirmada, apesar da fonte, na EB1 n.º 2 de Quarteira em Loulé, houve uma criança que foi impedida de almoçar, porque, alegadamente, os pais têm uma dívida para com a escola no valor de 30€.
Como se não bastasse, a criança foi obrigada a sentar-se ao lado dos colegas, a assistir enquanto aqueles almoçavam.
A barbárie desumana foi defendida e promovida pela directora da escola, de seu nome,Conceição Bernardes. Deixo o nome bem explícito e a 'negrito', para que quem a conheça se envergonhe de a cumprimentar. O despudor é tanto, e a falta de sensibilidade é tão grande, que uma funcionária terá tentado oferecer o almoço à criança, mas foi impedida pela supra referida directora.
Tal acto deverá ser alvo de inquérito disciplinar e criminal. Não nos podemos dar ao luxo de, nestes tempos, permitir que a crise tudo justifique, inclusive a selvajaria e a barbárie, sobretudo quando cometidas contra crianças, que como tal, são inocentes em todo o processo.
Permitir ou não, é a diferença entre a civilização e a barbárie...

Em baixo, uma missiva enviada pela Lúcia Gomes, que desde já solicito a todos que se sentem indignados por ver recusada comida a uma criança, enviem para os seguintes mail's:
info@eb1-n2-quarteira.rcts.pt; gestao.esla@gmail.com; cmloule@cm-loule.pt; dge@dge.mec.pt


"Exmos. (as) Senhores (as),

face à notícia da edição do Correio da Manhã do dia de hoje, não posso deixar de manifestar o maior repúdio pelo sucedido e pelas declarações da Directora da Escola E.B.1 de Loulé.
Informo V.Exas. que o sucedido configura a prática de um crime de maus tratos a menores, a quem foi confiada a sua educação (!), crime previsto e punido pelo artigo 152º – A do Código Penal. Visto tratar-se de um crime público, efectuei já a competente queixa crime contra a Directora da referida escola.
Espero que da parte do Município seja aberto o competente processo disciplinar com vista ao despedimento e a proibição imediata do contacto dessa senhora com as crianças.
É, de todo, inadmissível, que, confrontada com a situação tenha respondido com o facto de ter avisado as famílias e que estas foram negligentes.
É dever de qualquer pessoa, até por mera questão de civismo e humanismo, respeitar as crianças. Essa senhora não só não respeitou, como violentou desumanamente e impediu que uma funcionária fosse ao seu auxílio.
É indescritível e inadmissível o sucedido. E mais o será se o agrupamento nada fizer.

Com os melhores cumprimentos,"



QUANDO AMAMOS 

o amor contigo é música
as notas, os símbolos, as letras
no teu corpo são perfeita cadência
excita-me 
a harmonia dos teus gestos 
a elegância 
o som da tua voz é sublime 
quando amamos
o sexo, o amor, escrito
em pautas de ternura 
depois
deixamos no chão 
os restos da noite 
resíduos da essência 
do que somos
o cheiro da paixão
da loucura  

António Garrochinho


O divino Gaspar


Quando ouvimos Vítor Gaspar ficamos com a sensação de estarmos a ouvir a palavra de Deus, aquele ar de menino a ler as escrituras na missa lembra Jesus perante os sábios do templo, Gaspar fala com a certeza de que o que diz é a verdade, parece haver uma relação unívoca entre os problemas e a sua solução. Os restantes doze membros do governo, Passos e Moedas incluídos, não são mais do que doze apóstolos apostados em ouvir, cumprir e fazer cumprir a palavra do Vítor Gaspar.
Quando se ouve Gaspar esquecemos o memorando, a Merkel ou o Durão Barroso, tudo estava escrito nos seus velhos papers que religiosamente mandava aos amigos do BCE, tudo o que ia suceder e a mezinha que a economia precisaria estavam nas suas escrituras, a crise financeira mais não foi do que a solução encontrada por Deus para nos levar a crer na palavra do Gaspar.
Ao que o Gaspar sugere não há alternativa, a penitência que nos exige não admite qualquer margem, a compensação milagrosa está prometida, lá para 2013 teremos crescimento e criação de emprego. De nada serve questionar Gaspar, Cavaco que lhe perdoe mas a sua opinião não é merecedora de reflexão, Portas que se deixe escorrer pela cadeira ao som das gargalhadas porque vai ter de engolir o aumento dos impostos, a sua penitência é uma exigência divina, é o caminho da purificação de um país que durante anos ignorou os seus papers.
Gaspar fala como menino sem pecado, dá pequenos raspanetes aos jornalistas, ignora as opiniões de Cavaco Silva com a ingenuidade de uma criança, tudo nele é ingenuidade e irradia a luz do saber, nele vemos a infalibilidade. Gaspar não erra, mesmo a um pequeno deus há realidades que escapam, há previsões que podem falhar, mas se isso suceder cá o teremos para o ano, para mais um aumento dos impostos ou talvez para capar os funcionários públicos.
O problema é que este Gaspar tem todo o ar de um menino que não brincou com meninos, um jovem que não brincou com jovens, um adolescente que não percebeu que o marranço não é lá muito afrodisíaco. Gaspar tem todo o ar de ignorar o mundo em que vive, de desconhecer a realidade humana, para ele não há países nem cidadãos, tudo é despersonalizado e reduzido a indicadores económicos, não somos seres humanos, somos números de um laboratório onde é ele que manda, ele é que decide se somos inteiros ou fracionários, se somos reais ou imaginários, se somos positivos ou negativos.
Gaspar não erra, não comete desvios colossais entre as previsões e a realidade, entre a receita fiscal estimada e a cobrada, entre a promessa de crescimento neste segundo semestre e a espiral de recessão a que estamos sendo conduzidos. Vítor Gaspar é infalível, é o economista enviado por Deus para salvar o país com os seus papers, ele é uma espécie de bispo da Igreja Universal do Reino de Deus que promoveu os seus papers a escrituras transformando a política económica na leitura da sua própria palavra.

do blog O jumento
foto retirada da net e trabalhada por António Garrochinho

Manifestantes despidas de preconceitos