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terça-feira, 9 de outubro de 2012

Ella Fitzgerald - Fever


Vários municípios do PSD aprovam redução de freguesias, mas Porto e Espinho mantêm tudo como está

09.10.2012 - 15:49 Por Lusa, PÚBLICO

Porto não mexe nas freguesiasPorto não mexe nas freguesias ()
 As assembleias municipais da Maia, Arouca, Marco de Canavezes e Vila Verde, autarquias lideradas pelo PSD, aprovaram na madrugada desta terça-feira a redução do número de freguesias dos respectivos concelhos.
Em Almada, a maioria CDU impôs a manutenção do status quo, contra a reforma territorial que o Governo pretende levar a cabo.

Ainda assim, mesmo em autarquias lideradas por sociais-democratas, há alguns revezes a assinalar. Em Arouca, por exemplo, O CDS ganhou o voto do PS e impôs o seu mapa ao PSD. E no Porto, a dissensão de um presidente de Junta eleito pela coligação PSD/CDS inverteu a relação de forças na Assembleia, que acabou por decidir, como desejava a oposição, a manutenção das actuais 15 freguesias, deixando aberta a porta para que, neste como noutros casos, o novo mapa seja imposto pelo Governo.

A Assembleia Municipal do Porto aprovou as moções do PS, CDU e Bloco de Esquerda e do presidente da Junta de Freguesia de Nevogilde, João Luís Rozeira. Com o apoio deste autarca, as três forças da oposição chumbaram as moções apresentadas pelo PSD e pelo CDS, que previam reduções, respectivamente, para seis e sete freguesias. Numa assembleia em que o PSD e o CDS somam 27 deputados municipais e o PS, CDU e BE totalizam também 27 eleitos, o voto de João Rozeira desempatou para o lado das forças políticas contrárias a qualquer redução do número de freguesias portuenses.

Na Maia, PS admite contestar na Justiça

A poucos quilómetros, a vizinha Assembleia Municipal da Maia aprovou também na madrugada desta terça-feira, por maioria, uma proposta da bancada do PSD que prevê a redução de 17 para 10 freguesias no concelho. O PS, o BE e a CDU votaram contra. Com o que foi aprovado, as cinco freguesias da vila do castelo da Maia, Gondim, Santa Maria de Avioso, São Pedro de Avioso, Gemunde e Barca são agregadas. Também as três freguesias da cidade da Maia – Gueifães, Maia e Vermoim – são agregadas, bem como Nogueira e Silva Escura.

Contactado pela Lusa, o presidente da Câmara da Maia, Bragança Fernandes, considerou esta proposta “lógica”, uma vez que junta as cinco freguesias da vila do Castêlo da Maia, as três freguesias da cidade da Maia e outras duas que estão já muito ligadas. Bragança Fernandes referiu que, “embora sendo contra a lei, ela é para cumprir e esta é uma proposta possível”. O PS da Maia garantiu já esta terça-feira que continuará a lutar pela “manutenção das 17 freguesias” no concelho, acusando os autarcas do PSD de terem “desferido o maior ataque à Maia”, ao aprovarem a agregação de freguesias.

Em comunicado, o PS acusa os presidentes de junta de freguesia do PSD, que votaram a favor da proposta do seu partido, de desrespeitarem os pareceres das assembleias de freguesia, afirmando que, das freguesias extintas, “em seis delas a Assembleia de Freguesia pronunciou-se claramente contra a extinção das mesmas, ou contra as agregações resultantes da proposta” aprovada. Os socialistas afirmam que vão “accionar mecanismos legais para averiguar e apurar” possíveis ilegalidades por parte dos autarcas que terão desrespeitado “a decisão e o parecer emitido pela Assembleia de Freguesia”.

Muita contestação no Marco de Canaveses

Ainda no distrito do Porto, a Assembleia Municipal do Marco de Canaveses aprovou também esta terça-feira de madrugada, em clima crispado, a redução de 31 para 16 freguesias, deliberação que foi precedida por uma intensa discussão no plenário e contestação de dezenas de cidadãos. Após seis horas de troca de argumentos a favor e contra a agregação de freguesias, na qual também participaram vários presidentes de junta que se opunham à medida, a proposta acabaria por ser aprovada com 36 votos a favor, 25 contra e duas abstenções.

A proposta apresentada pelo PSD, partido maioritário nos órgãos autárquicos concelhios, propõe que das actuais freguesias, apenas seis (Soalhães, Constance, Tabuado, Vila Boa do Bispo, Sobretâmega e Balho e Carvalhosa) mantenham a sua configuração actual. As restantes 11 resultarão da agregação de várias freguesias. Os sociais-democratas propuseram a formação de uma única freguesia, com mais de 11.000 habitantes, para a cidade do Marco de Canaveses, agregando as actuais localidades de S. Nicolau, Tuías, Fornos, Freixo e Rio de Galinhas.A reorganização administrativa preconizada pela maioria na Assembleia Municipal aponta para a criação de outra grande freguesia, com cerca de oito mil residentes, no sul do concelho, agregando as actuais freguesias de Alpendurada, Torrão e Várzea do Douro. Além disso, a proposta prevê a agregação das freguesias de Toutosa e Santo Isidoro, dando origem à freguesia de Livração. Várzea de Ovelha e Folhada também passarão a ser uma única freguesia, o que ocorrerá também com a agregação de Vila Boa de Quires e Maureles. Ainda no rol das agregações, propôs-se as freguesias de Avessadas com Rosém e de Penhalonga com Paços de Gaiolo. As freguesias de Favões, Ariz e Magrelos, seguindo a proposta, ficarão agregadas. Também as freguesias de Sande e S. Lourenço do Douro ficarão unidas administrativamente.

O momento mais tenso da reunião ocorreu quando habitantes de S. Lourenço de Douro contestaram ruidosamente a proposta de agregação com Sande. Os cidadãos, que interromperam a apresentação da proposta, defendiam que S. Lourenço de Douro se devia agregar com Magrelos.

Durante vários minutos, prevaleceu alguma confusão na sala de sessões, com troca de palavras entre alguns munícipes, que criticavam a proposta que estava a ser explicada, e o presidente da Assembleia Municipal, António Coutinho, que apelava à calma.

Rui Cunha, líder da bancada do PSD, defendeu que a proposta apresentada visa evitar que o processo de reorganização administrativa do concelho venha a ser feito a partir de Lisboa. “Temos hoje o sentido do dever cumprido”, afirmou o deputado municipal, reconhecendo que se trata de uma proposta que não agrada a todos. O PS, através do líder parlamentar João Valdoleiros, criticou a proposta, considerando ter sido feita “à revelia das populações”.

Em Arouca, CDS impõe mapa à maioria PSD com o apoio do PS

A Assembleia Municipal de Arouca, também na área, aprovou, por maioria de um voto, a reorganização do concelho em 16 freguesias, quatro das quais agora agregadas às suas localidades vizinhas, em territórios de montanha pouco populosos. A proposta apresentada pelo executivo da câmara era a de que o concelho passasse de 20 para cinco freguesias: a intenção do autarca socialista José Artur Neves era “criar cinco mini-municípios com mais capacidade reivindicativa”, mas o CDS-PP tem na Assembleia um número de deputados igual ao do PS e o mapa dos populares acabou por receber o apoio.

As quatro uniões de freguesias agora definidas afectam, por um lado, o centro urbano do concelho e, por outro, seis das oito localidades com menor número de habitantes no município. Arouca junta assim os seus 3.185 residentes aos 1.993 de Burgo, para um reforço do centro urbano da vila, enquanto Albergaria da Serra associa os seus 105 habitantes aos 126 de Cabreiros; Covelo de Paivô une os seus 103 aos 119 de Janarde; e Canelas agrega os seus 801 aos 382 de Espiunca.

Para o CDS-PP, a reorganização administrativa do concelho beneficia assim “as freguesias que são predominantemente de montanha” e que “deverão ser ‘protegidas’ no quadro da prestação de serviços de proximidade”. Essa protecção deve-se “ao seu território acidentado, ao facto de se encontrarem afastadas da sede do município, vítimas do fenómeno da despovoação, com a população envelhecida, com falta de transportes públicos regulares, com vias rodoviárias que tem obrigatoriamente de ser percorridas em velocidades reduzidas e, na sua maioria, tendo na Junta de Freguesia o único elo de ligação com o Estado”.Espinho quer manter cinco freguesias

Também na Área Metropolitana do Porto, a Assembleia Municipal de Espinho pronunciou-se a favor da manutenção das actuais cinco freguesias, Espinho, Silvalde, Paramos, Anta e Guetim, conforme proposta do executivo de maioria PSD No entender de Pinto Moreira e dos presidentes de Junta consultados no processo, a redução de 20% proposta pela nova lei não pode aplicar-se a Espinho: “Isso resultaria em 0,8 de redução, valor que é inferior a uma unidade, pelo que o concelho, aplicando-se esta reorganização territorial, terá sempre de ficar com cinco freguesias”.

Vila Verde cria 12 “uniões de freguesias”

No distrito de Braga, a Assembleia Municipal de Vila Verde aprovou por maioria, a redução de 58 para 33 no número de juntas de freguesias do concelho. A proposta apresentada pela Câmara (PSD) apontava para um novo mapa administrativo com 34 freguesias, mas, na Assembleia Municipal, a Junta de Atães, cuja agregação não estava prevista, manifestou vontade de integrar a chamada União de Freguesias de Vade, que incluirá ainda Covas, Penascais, Codeceda e Valões.

Esta decisão foi contestada por um elemento da Assembleia de Freguesia de Atães, órgão que se tinha manifestado contra a fusão. Aquele eleito admitiu avançar com uma providência cautelar para travar a decisão da Junta.

Em sentido inverso, manifestaram-se os presidentes das juntas de Barros, Escariz S. Mamede, Pico de Regalados e Gondiães, que propuseram a desagregação das suas freguesias, mas sem sucesso. As juntas de freguesia que se mantêm como actualmente são Atiães, Cabanelas, Cervães, Coucieiro, Dossãos, Freiriz, Geme, Lage, Lanhas, Loureira, Moure e Oleiros. São criadas 12 juntas, cuja denominação começará por União de Freguesias.

Em Almada, a CDU mantém tudo como está...

No distrito de Setúbal, a Assembleia Municipal de Almada, de maioria CDU, votou contra a extinção ou fusão de qualquer uma das onze freguesias do concelho, exigindo também a revogação da lei. “As freguesias desempenham um papel de grande relevo na promoção das condições de vida das populações, assumindo a realização de investimento público indispensável ao progresso local e ao combate às assimetrias regionais”, refere o documento aprovado.

Tal como as assembleias de freguesia e o executivo municipal, a Assembleia Municipal de Almada também está contra a redução de freguesias, apelando a todas as forças políticas com assento na Assembleia da República para que “rejeitem todos os projectos que venham a ser apresentados e que determinem a liquidação de freguesias”.

A Assembleia Municipal de Almada considera que o trabalho realizado pelas onze freguesias do concelho de Almada se traduz numa “mais-valia fundamental para as populações locais” e que a e lei seja revogada. O concelho de Almada é composto pelas freguesias de Almada, Cacilhas, Caparica, Charneca de Caparica, Costa da Caparica, Cova da Piedade, Feijó, Laranjeiro, Pragal, Sobreda e Trafaria.

Em Guimarães PS aprova novo mapa

Num concelho liderado pelo PS, a Assembleia Municipal de Guimarães, no distrito de Braga, rectificou o novo mapa administrativo, que tem menos 21 freguesias, com voto favorável da maioria socialista e com os votos contra da oposição, que considerou que esta reforma “não ouve a população”. A deliberação aprovada na segunda-feira à noite reduz de 69 para 48 as freguesias do concelho de Guimarães, mantendo 31 das Juntas a delimitação actual e procedendo-se à constituição de 17 novas unidades administrativas resultantes de 13 uniões de duas freguesias e de quatro uniões de três freguesias.Este novo mapa foi aprovado com os votos favoráveis do PS e com os votos contra do PSD, CDU, CDS e BE, tendo-se registado ainda 10 abstenções, com o presidente da autarquia, António Magalhães, a lembrar que esta reforma é uma “imposição” do Governo. No entanto, a oposição criticou a proposta, defendendo que foi feita “nas costas” das freguesias.

“Esta reorganização desconhece o valor social das freguesias, não reduz, antes agrava a despesa pública e não respeita a história e identidade das freguesias”, apontou o CDS. Opinião partilhada pela bancada do Bloco de Esquerda que afirmou estar “seriamente contra” a proposta que estava a ser discutida, propondo a “manutenção das actuais 69 freguesias” que compõe o concelho. Já o PSD, no mesmo sentido do que havia argumentado na reunião do executivo camarário, afirmou que “tudo foi feito nas costas das freguesias” e que “não cumpre o objectivo de redução de despesas”.

A proposta da autarquia vimaranense, à data da aprovação pelo executivo camarário, foi alvo da satisfação do secretário de Estado da Administração Local e Reforma Administrativa que classificou a redução de freguesias como “significativa” e “exemplar”. “Trata-se de uma redução significativa e exemplar, pelo que é oportuno reiterar que a agregação de órgãos autárquicos de freguesia vai permitir uma mais adequada e racional gestão dos recursos disponíveis”, referiu Paulo Júlio, em comunicado enviado à Lusa.

Maria Callas: Casta diva (1958)

um corpo e duas cabeças

ISTO É IMPRESSIONANTE!

TRATA-SE DE UMA ADOLESCENTE DE 17 ANOS, COM DUAS CABEÇAS. 

TODAS AS DUAS CABEÇAS FALAM, RIEM, OLHAM, TÊM SENSAÇÕES E O MAIS IMPORTANTE, TÊM PENSAMENTOS DIFERENTES. 

UMA QUER SER ODONTÓLOGA, A OUTRA, ADVOGADA. 


A CABEÇA ESQUERDA CONTROLA A MÃO E PERNA ESQUERDA; A CABEÇA DIREITA CONTROLA A MÃO E PERNA DIREITA, O QUE FAZ COM QUE OS MÉDICOS FIQUEM INTRIGADOS PELA PERFEITA COORDENAÇÃO MOTORA DA ADOLESCENTE NO ANDAR E NO DANÇAR. 


OBSERVEM A ADOLESCENTE ESCREVER, EM SALA DE AULA, COM AS DUAS MÃOS, AO MESMO TEMPO. AUMENTE O SOM E ASSISTA AO FILME... 

Para Pedro Lomba, dois anos
é igual ou equivalente a 36 anos !




Certamente convencido de que descobriu a pólvora  (a meu ver, mais que estragada) e estava a sacar de um argumento arrasador, na sua crónica de hoje no «Público» esgrime contra o que chama o mito «de que a colecção das nossas esquerdas se acha inocente de tudo que de mal nos tem acontecido. Nunca exerceram qualquer poder, sendo por isso inteiramente alheias ao actual estado de coisas».

Contra este «mito», Lomba invoca que «essas esquerdas» (mas, na verdade, está-se a referir ao PCP) «não só passaram em tempos pelo governo, com as consequências que se conhecem para a economia e o sistema político [reparem que não fala das condições de vida da população !como o facto é que conservaram, desde o ínicio, por diversas vias, diversas posições no Estado, na Administração, nos sindicatos e nalgumas corporações profissionais que lhe deram real poder. De resto, foi uma das «transacções» mais curiosas deste regime. O recuo da esquerda radical em termos eleitorais foi compensado pela sua permanência no Estado e na administração».

Feita a generosa citação, o que importa agora dizer é, primeiro,  que Pedro Lomba quer comparar e equiparar a participação durante dois anos do PCP nos governos Provisórios, ao lado de muitos mais ministros do PS e do PSD (e, sublinhe-se, o PCP tem muita honra do que por lá andou a fazer!) com 36-anos-36 de governos com a participação, em termos e fórmulas variadas, do PS, PSD e CDS.

E, segundo, que Pedro Lomba, ao referir a tal «transacção» e a detenção de certos «poderes» por parte que chama de  «esquerda radical», está a misturar coisas tão diferentes como os sindicatos (que em regra combateram o curso político, económico e social dos últimos 36 anos) e a administração e, pior que, tudo, no que toca a esta, parece estar a sugerir que nisso houve a generosidade de alguém ou então que os vastos saneamentos à esquerda então ocorridos deviam ter sido muito mais totais e abrangentes.

Pois é, Pedro Lomba que deixe de querer o tapar um imenso Sol com uma minúscula peneira e vá dar uma volta ao bilhar grande, de preferência perdendo pelo caminho argumentos que, de tão frágeis e rídiculos, só o desqualificam.

reduzir deputados - Heloísa Apolónia



Merkel «provoca» gregos com casaco do Euro2012

Chanceler repete indumentária quando a Alemanha ganhou à Grécia por 4-2 nos quartos de final do Europeu de futebol

A chanceler alemã está de visita à capital da Grécia. Uma estadia de seis horas marcada por fortes contestações na praça de Syntgama - bandeiras com a cruz suástica, símbolo do nazismo alemão, em chamas e milhares de pessoas em protesto - e um largo reforço policial, com cerca de sete mil polícias nas ruas e atiradores nos telhados.

Talvez para lhe dar sorte, Angela Merkel chegou a Atenas com a mesma indumentária que usou quando a seleção da Alemanha venceu à Grécia no Euro2012: o mesmo casaco verde-azeitona, com um básico branco e um colar escuro a rodear o pescoço.

Esta é a primeira visita da responsável alemã à Grécia desde o início do programa de assistência da troika, há cerca de três anos. Uma visita que pretende demonstrar o seu apoio às promessas do primeiro-ministro grego, Antonis Samaras, de cumprir a austeridade, ao mesmo tempo que a opinião pública alemã duvida do empenho grego para corrigir os problemas orçamentais. A Alemanha é, atualmente, o país que mais contribui para consolidar as contas públicas dos países da Zona Euro.

Mensagens de apoio que não disfarçaram o look da chanceler. Rapidamente, os media gregos repararam que o casaco verde-azeitona é o mesmo que Merkel usou quando a seleção grega foi para casa derrotada, nos quartos de final, por 4-2 pela equipa alemã, a 22 de junho de 2012.

Já na altura, a relação entre futebol e a crise foi falada e explorada, com o The Guardian a afirmar, por exemplo, que os dois estão «inexplicavelmente ligados».

Nas redes sociais, os gregos consideram que foi uma «escolha diplomática errada», considerando-a mesmo «provocativa».

Nas ruas, os gregos também não poupam críticas à chanceler alemã, afirmando: «Merkel vai-te embora. A Grécia não é a tua colónia»; «Isto não é uma União Europeia, é escravatura»; «Nós não a queremos aqui», como cita a agência Reuters.

Para acalmar os protestos, a polícia já lançou gás lacrimogéneo, enquanto atiradores situados no topo dos prédios do Governo têm mira apontada para os cerca de 40 manifestantes na principal praça de Atenas.

Críticas que devem continuar, uma vez que a «chanceler sem medo», como lhe chamou o «El Mundo», não terá levado ajudas financeiras à Grécia, preferindo que o modelo de austeridade se mantenha, para que o país fique no euro. O próximo ano será, já, o sexto consecutivo que a Grécia viverá em recessão económica.

Ainda ontem o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schauble, disse que «a Grécia está numa situação económica e financeira extremamente difícil devido aos seus próprios erros nas últimas décadas, e os que dizem aos gregos que a culpa da sua situação é do Governo alemão ou da Europa estão a mentir às pessoas».

«A chanceler não vai à Grécia para fazer novas concessões financeiras e não falará com os responsáveis gregos sobre questões relacionadas com o acordo da troika», reiterou Schauble.


Governo Gaspar admite recuar e aliviar aumento de impostos
O ministro das Finanças português garantiu na segunda-feira, no Luxemburgo, que o Governo vai "tentar com afinco" substituir algumas das medidas de agravamento de impostos anunciadas para o próximo ano por outras de contenção de despesa.
ECONOMIA
Gaspar admite recuar e aliviar aumento de impostos
Vítor Gaspar falava após uma reunião de ministros das Finanças da zona euro, na qual o Eurogrupo validou a quinta revisão do programa de ajustamento português, já com as medidas alternativas às alterações na Taxa Social Única (TSU), dando ‘luz verde’ ao desembolso da sexta tranche de ajuda a Portugal.
Apontando que "a substituição da medida de desvalorização fiscal" conduziu a uma situação de "sobrecarga do lado das medidas de receita", o ministro disse que Lisboa ainda pretende "mitigar" o anunciado aumento de impostos, tendo para tal o aval da troika.
“Nós temos uma cláusula no memorando de entendimento que nos permite continuar a trabalhar na área da contenção de despesa, sendo que, quer a troika, quer o Eurogrupo considerarão positivo se for possível substituir algumas das medidas de agravamento do lado da receita por medidas de corte de despesa”, apontou.
Afirmando que, por isso mesmo, “a preparação dos documentos é mais exigente que o habitual”, Vítor Gaspar disse que o Governo vai “tentar com afinco conseguir esses resultados até ao fim do processo de preparação e aprovação do Orçamento na Assembleia da República”.
O titular da pasta das Finanças realçou que “as linhas gerais” da apresentação do Orçamento do Estado para 2013 “manter-se-ão”, mas ressalvou que “alguns dos aspectos dessas medidas poderão ser adaptados” e que o Governo está “a trabalhar para procurar mitigar o agravamento que neste momento está previsto” e “reequilibrar esse pacote de medidas”.

Questionado sobre se, mesmo com essas eventuais alterações, o aumento de impostos em 2013 continuará a ser “enorme”, como o classificou anteriormente, Vítor Gaspar disse não querer “entrar num concurso de adjectivos”.


LUSA

Cidade cubana recupera trajetória de Che durante a revolução

Santa Clara tem diversas homenagens ao guerrilheiro, morto há 45 anos na Bolívia

Aldo Jofre Osorio/Opera Mundi

Histórias de combates entre Che e o exército de Fulgencio Batista são contadas pelo povo de Santa Clara

Com a estridente buzina que alerta a aproximação do trem, a ferrovia cubana destruída em dezembro de 1958 se mantém ativa. Cheio de passageiros, o trem que conecta o leste de Cuba a Havana cumpre seu trajeto revivendo a história ao passar pelo museu a céu aberto ¨Ação contra o trem blindado¨, em Santa Clara, cidade localizada a 270 km da capital.

Quatro vagões que descarrilharam e foram atacados a tiros pelos revolucionários liderados por Ernesto Che Guevara estão expostos em uma praça construída no local do confronto, que resultou na rendição dos soldados do ditador Fulgencio Batista. Dentro de cada um, a história do evento que marcou a vida dos habitantes de Santa Clara está contada.

Em um deles, uma carta intitulada ¨Ao Povo de Santa Clara¨ avisava aos moradores que o exército rebelde já se encontrava na cidade, ¨um dos últimos redutos da tirania¨ na província. Segundo o documento, as forças revolucionárias já ocupavam a maior parte da cidade. ¨Acreditamos que dentro de breves horas poderemos anunciar aos locais e ao povo de Cuba que Santa Clara já é cidade livre¨.

¨Mas o ânimo da vitória, a satisfação e a alegria acumulada através de quase sete anos de terror não devem se desbordar em manifestações populares, já que o exército da tirania ainda ocupa posições dentro da cidade, posições das quais em breve serão desalojados¨, diz um trecho da carta, assinada pela seção provincial de propaganda do movimento revolucionário 26 de Julho.
 

Entre as orientações transmitidas no documento estavam a de que a população saísse de casa somente em caso de urgência, a evacuação de famílias que morassem perto de regiões conflitivas, e a prestação do maior apoio possível aos membros do exército rebelde e a organizações revolucionárias clandestinas.

¨As cartas eram impressas precariamente nas montanhas e repassadas clandestinamente aos moradores. Um lia e passava para o outro, e assim a informação ia sendo transmitida¨, explicou aoOpera Mundi Eneida López Peralta, responsável de Relações Internacionais do Partido Comunista Cubano (PCC) da província de Villa Clara, localizada no setor que, na época da revolução, era denominado Las Villas.

Aldo Jofre Osorio/Opera Mundi

Imagem do museu do trem blindado, na cidade de Santa Clara, em Cuba

No museu, também está exposto um dos tratores utilizados para a deformação dos trilhos que, levantados, provocaram o descarrilamento do trem e, depois de hora e meia de combate, a subida da bandeira branca da rendição dos militares.

Todos os moradores da cidade têm lembranças ou relatos para contar sobre os confrontos na região naquele ano. Os mais velhos recordam momentos de tensão constante pelos bombardeiros indiscriminados do exército, em uma vã tentativa de sufocar a guerrilha. E contam como a população se uniu o Che e seus combatentes, atirando coquetéis molotov em cima e embaixo dos vagões, já que suas paredes foram previamente blindadas com chapas de metal e areia.

¨Não escutei uma grande explosão quando o trem descarrilhou, mas sim muitos tiros. Lembro de ter me escondido embaixo da cama¨, conta o aposentado santaclarenho José Socarrán, que tinha 15 anos na época do confronto, ocorrido a apenas alguns metros de sua casa.

Os mais jovens, por sua vez, reproduzem com detalhes as histórias que escutam desde pequenos, sobre a importância da cidade para o triunfo da revolução. Batista renunciaria e fugiria rumo à República Dominicana dias depois do ataque, que impediu o transporte das de armas pesadas e munições destinadas a fortalecer suas tropas, já debilitadas.

Mausoléu e homenagens

Auto-denominada ¨Cidade do Che¨, Santa Clara abriga o mausoléu do revolucionário argentino e de outros combatentes mortos na Bolívia. Os restos mortais de Che chegaram a Cuba em 1997, após anos de desconhecimento sobre sua localização no país andino.

Aldo Jofre Osorio/Opera Mundi

Che e Camilo Cienfuegos no museu da revolução, em Havana, em uma das homenagens ao argentino

A urna com os restos mortais foram expostos inicialmente em Havana e depois transladados a Santa Clara em uma carreata que passou por diferentes cidades do país. No dia da inauguração do mausoléu, o próprio Fidel Castro ascendeu a chama da imortalidade e fez um discurso em homenagem ao Che, lembra o museólogo do local, Faustino Moriano Morales.

Dispostas em uma espécie de cova inspirada na selva boliviana, com pouca iluminação, o mausoléu pode ser visitado por grupos reduzidos. O uso de câmeras fotográficas e filmadoras não são permitidas no recinto, localizado na parte traseira a uma alta estátua do guerrilheiro, e diversos painéis esculturais no qual seus dizeres e imagens em ação são retratados.

Em frente ao mausoléu, um museu narra a vida do guerrilheiro desde sua infância, com uma réplica de sua estátua quando criança, que também pode ser vista na cidade argentina de Alta Gracia, onde Che também viveu quando era jovem, e que hoje funciona como um museu.

Aldo Jofre Osorio/Opera Mundi
A poucos metros dali, uma escultura doada a Cuba pelo artista Casto Solano Marroyo está exposta no comitê provincial do PCC, que abrigou a segunda comandância das tropas rebeldes em Santa Clara. Repleta de mini-esculturas por todo o corpo e roupa, a obra é rica em expressões sobre a vida do revolucionário argentino.

A estátua de Che caminhando com uma criança nos braços simboliza a saída do guerrilheiro desta comandância em janeiro de 1959 para cumprir a nova missão designada a ele por Fidel Castro: ocupar Morro Cabaña, um forte localizado em Havana, que servia como uma poderosa unidade militar de Batista, e que hoje é mais um dos pontos que narram a história do revolucionário argentino em Cuba.

A poucos metros do complexo, está localizado o museu ¨Casa do Che¨, onde se exibe a urna na qual os restos mortais do guerrilheiro foram transportados até sua acomodação definitiva no mausoléu. Apesar do nome do espaço de exposição, o local não funcionou como a casa familiar do argentino, mas sim como ambiente de trabalho, com a convivência permanente dos integrantes de sua coluna rebelde.

O Museu da Revolução, instalado no lugar que funcionava como palácio presidencial até a renúncia de Batista, compila diversos retratos do revolucionário na luta rebelde. A exposição oferece uma narrativa da revolução cubana ilustrada por fotos, documentos, réplicas e elementos originais – como o barco Granma, exposto em um anexo no exterior do museu – da época.

Governo Passos/Portas – Uma quadrilha!


Como o facto de repetidamente tomarem atitudes e adoptarem medidas dignas de verdadeiros canalhas, já não surpreende ninguém, o governo de fanáticos de Passos e Portas decidiu demonstrar, mais uma vez e com estrondo, o profundo desrespeito, a roçar o ódio, que têm ao poder local democrático nascido com o 25 de Abril e à sua autonomia.
Pouco lhes interessa a realidade ou a verdade. Pouco lhes interessa que o poder local contribua para a dívida pública de uma forma quase residual, mas, em contrapartida, tenha sobre os ombros tarefas sociais de toda a ordem, que caberiam ao poder central. Apenas lhes interessa cavalgar a “pileca” do populismo barato, vendendo a ideia de um país onde praticamente só existem autarcas despesistas e corruptos (corruptos há, sim senhor, mas, curiosamente, quase sempre vindos da área política do governo), um país onde praticamente só há “rotundas” e não um belo trabalho social, cultural, de defesa e preservação do património, etc., etc., etc., um trabalho que implica (e que em tantos casos é evidente) um profundo amor à sua terra a às suas gentes, um conceito absolutamente estranho aos bandalhos que se instalaram no poder exactamente para fazer o contrário: vender o país ao desbarato e espoliar os cidadãos até ao tutano.
Em mais uma imposição “afascistada” de corte cego na “despesa” (o nome que estas bestas dão aos vencimentos dos trabalhadores públicos), ordenam um autêntico “abate” de funcionários que, a ir para a frente, deixará muitas autarquias e serviços em colapso em termos de funcionamento.
Para deixarem claro que pretendem terraplanar qualquer veleidade de autonomia de qualquer autarquia, num tique ainda mais “afascistado” do que o corte em si, ameaçam que qualquer Câmara Municipal que não faça o “abate” de funcionários, terá o corte de verbas equivalente ao número de trabalhadores que seriam afastados, caso obedecessem ao dictat governamental.
Tem toda a razão o Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local, quando diz que «Isto não é um governo, é uma quadrilha!»


A polítca económica do Gaspar

 
O que mais impressiona na política económica do competentíssimo Vítor Gaspar é a ligeireza com que se muda de um programa brutal para outro programa brutal, quase de um dia para o outro, sem qualquer estudo, sem apoio em qualquer experiência anterior, apenas com base nos palpites do híper-ministro.
  
Hiper-ministro porque mais do que um super-ministro o Vítor Gaspar é uma grande superfície de competências ministeriais, entre as quais está o poder de influenciar e convencer Passos Coelho a dizer qualquer asneira ou gozar com o seu colega Álvaro nas reuniões em que este se lembre de propor medidas para estimular o crescimento. Vítor Gaspar tem muitos poderes em todas as áreas da governação, mas a verdade é que não os exerce, estão em prateleiras como se fosse um hipermercado do Pingo Doce do Borges. Vítor Gaspar não governa nem deixa governar, o governo pouco mais é do que os seus pacotes, as palhaçadas comunicacionais de Passos Coelho a que, em regra, se segue, uma conferência do próprio Gaspar porque o primeiro-ministro nem percebeu nem soube explicar e defender as suas ideias.
  
O caso da TSU mostra bem a imponderabilidade do brilhante pensamento económico do Vítor Gaspar, num dia defende um roubo brutal aos trabalhadores para entregar o resultado do roubo aos patrões para que estes contratem mais trabalhadores a que possam roubar com a preciosa ajuda governamental. Como o país se indignou em menos de nada o Gaspar desistiu da TSU e arranjou medidas equivalentes, nada mais, nada menos do que um aumento brutal dos impostos cuja receita vai inteirinha para tapar o desvio colossal nas receitas fiscais de 2012.
  
Isto é, de um dia para o outro o Gaspar mandou os patrões à bardamerda, aquilo que ia sacar em TSU saca em IMI e IRS, fica com a receita e ainda goza com a inteligência dos portugueses dizendo que arranjou uma solução para substituir a TSU, que supostamente visava criar emprego e crescimento. Mas parece que os admiradores de Gaspar não são apenas os idiotas lusos, também o Durão Barroso veio, em nome da Comissão e da troika, confirmar o brilhantismo das medidas do Gaspar.
   
Este ministro decide com a maior das ligeireza tirar um ou dois vencimentos aos trabalhadores, tira dois aos funcionários, o Constitucional não deixa, então tira dois aos funcionários e um aos do privado, o provo não deixa, então tira dois a todos o dinheiro fica todo para o Estado. E tudo isto a um ritmo louco, se nos outros países se discutem meses uma medida com um impacto de 1% num imposto, o Gaspar lembra-se à noite, pensa durante a barba e decide a caminho do gabinete, à hora de almoço já o Passos Coelho está instruído, o Álvaro já recebeu ordens para ficar calado, o Paulo Portas já engoliu e o Cavaco já foi informado. E se tudo der para o torto três dias depois há novo pacote.

A política económica do Gaspar não tem seriedade, não assenta em quaisquer pressupostos técnicos ou científicos, não é debatida no seio do governo, não se fundamenta em qualquer tese ou experiência, são coisas de que o Gaspar se lembra de experimentar. Perante tudo isto o Seguro cala-se porque há um memorando, o Cavaco permite sabe Deus porquê, o Passos não percebe nada mas concorda porque foi uma ideia do Gaspar, o Portas desaparece e o Álvaro faz cara de parvo porque o pobre coitado é muito inteligente mas ainda não aprendeu a fazer outra.

O jumento


A GARGALHADA DO DIA


Livro para adultos recomendado a crianças do 2.º ano


O livro "O que Dói às Aves", da escritora Alice Vieira, faz parte da lista dos aconselhados pelo Plano de Leitura (PNL) para crianças do 2º ano apesar de se tratar de um livro de poesia para adultos.

Em declarações à TSF, Alice Vieira mostrou-se chocada com a escolha do PNL: "É um livro para adultos, é poesia de amor, que está obviamente nos meus livros para adultos, porque eu não faço só para crianças".
A escritora ficou bastante admirada com o facto de, no PNL, terem escolhido este seu livro sem sequer o abrirem. 'Nem sequer era preciso ler o livro todo, bastava ler a contracapa para verem que aquilo não são histórias de pintainhos, apesar de falar em aves, e ele [o livro] ainda por cima é pequeno, nem dava muito trabalho', disse à TSF.
Foi a própria autora quem fez a denúncia, alegando nem ter querido acreditar quando viu o livro nas propostas do Ministérios da Educação.
Alice Vieira quer agora apurar como um livro destinado ao público adulto pode ter sido aconselhado a crianças, não acreditando que a proposta tenha partido da editora, A Caminho.
Mais do que apurar responsabilidades, a escritora exige que o livro seja retirado da lista de propostas para o 2º ano do Plano Nacional de Leitura, adiantou a TSF.
DN

Eu Vivo...

Prémio de Sor. Cecilia Codima Masachs

A vida do poeta
Tem um outro ritmo.

Na fragilidade desse mundo
Eu vivo.

Na apatia dos ruídos da rua
Eu vivo.

Onde o silêncio murmura
E as rosas se desfolham
Eu vivo.

Na solidão das noites caladas
De vidas perdidas
Eu vivo.

No carpir das mágoas contidas
O tempo se dissolve
E eu vivo.

Na saudade antecipada da partida 
Eu vivo.

Persigo há anos um sonho
Que nunca vou alcançar,
Mas vivo.

Piso a terra abandonada
Olho o céu enegrecido
E vivo contigo.

Volto ao princípio de tudo
E a noite se ilumina
Com outra claridade
E duvido se vivo.

Será que tudo emudeceu
Será que os céus estão vazios
Será que há vozes?

Entrei sem entrar
Pensei sem pensar
E representei.

Que tenho feito na vida
Se represento momentos vividos
E não sei meu nome...

Tenho pedido por mim
E por ti a todas as horas
Que passam e fogem
Aos meus pedidos.

E continuo a escrever
Sem me mover
Do mesmo recanto
Onde nasci.

E digo que continuo a viver
E minto quando digo,
Eu vivo!...

Maria Luísa Adães

blog Os 7 Degraus


RECADO A PORTUGAL

Ainda que te cante, oh Pátria amada
E que neste meu canto te enalteça,
Por toda a tua História consagrada
Que nada tem que a Honra não mereça,
Com erros e acertos que são Nada
Que ensombre Teu passado ou enegreça,
Teus feitos pelo mundo são citados

E Honras são aos teus antepassados.

E querendo mesmo assim perpetuar
Os atos, as tamanhas valentias,
Esse nato prazer de desbravar
A fome de aventura que sentias,
As naus, as caravelas pelo mar
E essas boas novas que trazias,
Feitos, tão bem descritos por Camões
Numa das suas grandes criações.

Um povo que inda há pouco nos fez crer
Que tinha as crenças suas renovado,
Libertando a Nação com o querer
Num brado bem sentido, revoltado.
Resgatou nossa honra e a meu ver,
Também nos libertou nosso passado.
Houve erros, alguns erros ,eu aceito,
Só que errar é humano, não tem jeito.

Como posso cantar-te se hoje em dia
És sombra do que foste no passado?
Não sei se por má obra de magia
Ou se por pura falta de cuidado,
Porque os homens honestos, eu diria,
"Assunto" são, que está ultrapassado.
O Lema do Honrado morreu mesmo,
Hoje é mentir, roubar, sacar a esmo.

Como posso louvar-te oh Pátria amada
Se nos jardins do "Reino" passeando,
Em cima duma "relva" mal cortada
Anda um "coelho" à solta só roubando,
O pouco da "comida" amealhada
De quem passou a vida trabalhando.
REVOLTA estou sentindo no momento
Cantar-te eu já não posso, mas lamento!

Helena Cunha Caneiro