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domingo, 7 de outubro de 2012

o punhal da traição dos xuxas

Apalpando o pulsar das manifestações e de todo o protesto que passa ás margens dos xuxas e seguindo na senda da traição aos trabalhadores António José Seguro deu a mão a uma velha aspiração do PSD e também apadrinhada pelo PS. A redução de deputados, ou seja a diminuição da oposição da verdadeira esquerda no Parlamento. Apercebendo-se do desencanto do Povo com a classe política corrupta mais uma vez os xuxialistas espetam o punhal da traição na democracia e na liberdade. Nada fazem estes sovinas e trafulhas em prol da vida dos mais desfavorecidos, antes pelo contrário não diferem em nada das políticas fascistas do PSD/CDS.

Há muito, muito tempo, quando a temperatura aquecia na Sala Oval



Ontem, a SIC comemorou 20 anos e, para assinalar a data, ofereceu-nos uma bela retrospectiva que vi a espaços.
Talvez muitas pessoas já não se lembrem como era o mundo em 1992, por isso, aqui fica uma breve resenha:

No ano em que o escudo adere ao Sistema Monetário Europeu (1992), Portugal estreia-se na Presidência da CEE e, em Lisboa, o polémico Centro Cultural de Belém é inaugurado para acolher a Presidência portuguesa. Fecha logo de seguida e reabrirá no ano seguinte. Ele há coisas assim...
Com os Jogos Olímpicos e a Expo -92 a realizarem-se em Espanha, os portugueses passam o ano a saltar a fronteira, inaugurando as "escapadelas de três dias". Quem também se escapa, mas por período mais longo, para os EUA, é o corrector da Bolsa Pedro Caldeira. O jogo da Bolsa dera para o torto e várias figuras públicas ficam sem umas massas valentes. Quem não anda muito bem de finanças são os estudantes. Novos actores da sociedade de consumo, os jovens não têm dinheiro para as propinas. Vai daí, manifestam-se em frente à AR. Derrubam o Ministro mas azar... os pais vão mesmo pagar propinas.
Finalmente a RTP deixa de ter o monopólio televisivo. A esperança numa televisão melhor nasce com a SIC, mas o sonho dura pouco tempo. A qualidade passa a ser nivelada por baixo. No entanto, a aposta no Poder do Dinheiro revela-se acertada. Por meia dúzia de contos, qualquer um se despe em palco, mas desta vez os púdicos espectadores e os atentos Bispos não reagem contra a ofensa aos costumes perpretada por filmes como "O Império dos Sentidos" ou “Pato com Laranja”. A sociedade de consumo ri-se baixinho... enquanto as iras se voltam contra Saramago e o seu "Evangelho Segundo Jesus Cristo".
O Mundo parece estar arrependido por ter tentado destruir a diferença. Por isso atribui o Prémio Nobel da Paz a Rigoberta, uma índia guatemalteca, ignorando dois ex-inspectores da PIDE a quem o Governo concede pensões por "serviços excepcionais". Injustiças.
A Europa passa a ter a sua Disneylândia. Esteve a um passo de ficar em Portugal, mas Paris ganha a corrida. Conviver com o Rato Mickey e o Pato Donald é agora mais fácil. Tão fácil como aceder ao crédito bancário. O dinheiro está barato e os portugueses aproveitam para comprar todas as futilidades que a sociedade de consumo lhes oferece. Também compram casas, porque fica mais barato do que arrendar mas, 20 anos depois, as casas que adquiriram e pensavam suas, são nacionalizadas pelo governo que os obriga a pagar uma renda astronómica, a que chama IMI.
O ambiente está,durante três semanas, no centro das atenções: no Rio de Janeiro discute-se o futuro da Terra, ameaçada pelos efeitos nefastos do progresso. No final da Cimeira da Terra, as cenas do costume. Trocam-se muitos abraços e beijinhos, chega-se de madrugada, e à pressa, a compromissos mal amanhados que abrilhantarão os discursos finais, mas a discussão fundamental é adiada. Em Tóquio é que vai ser. Os EUA, como sempre, estão-se nas tintas e o Presidente Bush ( pai) nem põe os pés no Rio de Janeiro para discutir seja o que for. Limita-se a enviar recados pela imprensa. Bem feito. No final do ano será substituído na Casa Branca por Bill Clinton. Na sala oval vai-se sentir o efeito de estufa: o ambiente vai aquecer, graças aos calores de Monica Lewinski.

linhagens de poder



abraço (5) - poema de António Garrochinho



METÁFORA - O Manifesto


Eu digo-te
que o sol floresce limpo
sobre o estrume das aparências
e que as palavras são casas nas cidades da voz

digo-te
que as ruas são mãos a repousar,
que as coisas de pedra são canções
e que as canções são luas, de tão brancas…

dir-te-ei,
vez por outra,
que as plantas são mulheres e homens
cansados da colheita improvável,
que os dias – todos eles –
são movimento,
que as noites são o esconderijo
dos sonhos à espera de acordar
e que os muros são pontes entre agora e depois

falar-te-ei de passos sem distância,
de espaços sem medida,
de memórias sem tempo
e de gente sem medo de morrer,
mas jamais me ouvirás falar da renúncia
enquanto o murmúrio me for permitido
na cidade da voz libertada

Também a metáfora se come, se bebe
e não sabe render-se enquanto viva 



Maria João Brito de Sousa 
blog pekenasutopias

bugys e bikes


viver - poema de António Garrochinho



Dívidas de 4800M nos tribunais

A notícia Dívidas por cobrar nos tribunais chegaram aos 4800 milhões de euros é preocupante, fazendo pensar na grave situação da economia nacional, isto é, nas condições difíceis em que os portugueses estão a viver e, por outro lado, na necessidade de para um país tão incumpridor ser preciso uma justiça mais rápida e mais eficiente, apoiada por uma legislação adequada.
Qual é a resposta do poder legislativo?
E a do ministério da Justiça?
Qual tem sido o papel da Educação no ensino prático da utilização das operações aritméticas para bem se gerir a vida privada e de pequenas empresas, sem cair nas armadilhas da publicidade, das promoções e das ofertas de crédito dispensável do género «vá de férias e pague depois»?
Quem se preocupa pela formação cívica e cultural dos portugueses de forma a saberem evitar as tentações banais?

Imagem de arquivo


Farto de Voar - Sérgio Godinho


Farto de Voar

SÉRGIO GODINHO

Farto de voar
Pouso as palavras no chão
Entro no mar
Sinto o sal de mão em mão
Tenho um barco na vida espetado
Só suspenso por fios dum lado
E do outro a cair
a cair
no arpão
no arpão
Levo a dormir
Sonhos que andei para trás
Ergo o porvir
Trago nos bolsos a paz
Tenho um corpo na morte espetado
Só suspenso por balas dum lado
E do outro a escapar
a escapar
de raspão
de raspão
Ponho a girar
Cantos que ninguém encerra
De par em par
Abro as janelas para terra
Tenho um quarto na fome espetado
Só suspenso por água dum lado
E do outro a cair
a cair
no alçapão
no alçapão
Farto de voar
Pouso as palavras no chão
Entro no mar
Sinto o sal de mão em mão

Folha seca blog

"Ética da Troika", por Fernanda Palma

Por solicitação do Ministério da Saúde, o Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida emitiu um parecer sobre um modelo de deliberação para financiamento do custo dos medicamentos. Como premissa do seu estudo, o Conselho não deixou de ter em consideração as restrições de despesas na saúde derivadas do acordo celebrado com a troika.
O Conselho não adianta critérios mas propõe um modelo de deliberação inspirado em Norman Daniels, professor de Bioética em Harvard e autor da expressão "responsabilidade para a razoabilidade". O modelo terá sido testado no Canadá e na Austrália, mas o parecer não apresenta nenhuma comprovação do seu êxito nem da sua adequação à realidade portuguesa.
Sendo tão abstrato quanto ideológico, este modelo pode levar a leituras perversas, como a recusa da "obstinação" no prolongamento da vida de determinados doentes cancerosos, por poder colidir com o tratamento de outros doentes. O parecer pressupõe, deste modo, conflitos económicos que devem ser decididos por lógicas não explicitadas de custo-benefício.
O ponto de partida do parecer é a crítica de uma ideia de Justiça que preconiza o incremento máximo de todos os direitos dos doentes, atribuída, em tese geral, a John Rawls. O parecer qualifica este filósofo como utilitarista, esquecendo que ele se dedicou, na "Teoria da Justiça", a superar o utilitarismo numa perspetiva kantiana, como assinalou Paul Ricoer.
É certo que o parecer tem a virtude de alertar para a necessidade de transparência de critérios e para a desigualdade social no acesso à saúde. Porém, desconhece por completo a dimensão constitucional do direito à saúde – não utilitarista e baseada na igual e máxima dignidade da pessoa –, que pode ser posta em causa por certas interpretações da sua doutrina.
O parecer rejeita a política maximalista que reduziu drasticamente a mortalidade infantil e acrescentou doze anos à nossa esperança de vida. A decisão médica será orientada por uma razoabilidade económica que limita o empenho em atingir níveis ótimos. Uma tal orientação empurrará os menos pobres para seguros privados e os mais ricos para o estrangeiro.
Bem-intencionado decerto, o parecer não parte de uma avaliação da realidade portuguesa (dos desperdícios e sucessos) e ignora o parâmetro constitucional. Pede aos médicos que prestem contas das suas decisões num plano de utilidade que não define e cede à mensagem subliminar de que pode haver uma ética na saúde a partir dos interesses dos nossos credores.
Por:Fernanda Palma, Professora Catedrática de Direito Penal,a quem, com a devida vénia, se agradece.Foi publicado no "Correio da Manhã".