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sexta-feira, 5 de outubro de 2012


A revolução do 5 de Outubro de 1910 e a mudança de paradigma

Fig. 1 - Proclamação da República Portuguesa. Estampa de autor desconhecido 1910.

O derrube da Monarquia a 5 de Outubro de 1910 foi fruto da acção doutrinária e política do Partido Republicano Português, criado em 1876 e cujo objectivo essencial foi desde o princípio, a substituição do regime.
As questões ideológicas não eram primordiais na estratégia dos republicanos, uma vez que para a maioria dos seus simpatizantes, bastava ser contra a Monarquia, a Igreja e a corrupção política dos partidos tradicionais.
Determinados eventos como as Comemorações do Tri-Centenário da Morte de Camões (1880) (Fig. 2) e o Ultimatum inglês (1890) (fig.3) foram aproveitados pela propaganda republicana, que se procurou identificar com os sentimentos nacionais e as aspirações das massas populares. O Partido Republicano alcançou então enorme popularidade.
Na noite de 3 para 4 de Outubro de 1910, eclodiu em Lisboa um Movimento Revolucionário, impulsionado pelo Partido Republicano e apoiado pela Marinha de Guerra e por forças do Exército. Após dois dias de combate (Fig.4 a fig.19), o Movimento Revolucionário triunfa devido à incapacidade de resposta do Governo, que não conseguiu reunir tropas que dominassem os cerca de duzentos revolucionários que na Rotunda resistiam de armas na mão. Ao Governo monárquico não resta outra saída senão demitir-se. A família real abandona o país. A República é proclamada na manhã de 5 de Outubro, das janelas da Câmara Municipal de Lisboa (Fig. 20 a fig. 23) e é constituído imediatamente um Governo Provisório (Fig. 25), presidido pelo Dr. Teófilo Braga, que assume como tarefa fundamental uma mudança radical nas instituições vigentes. [1]
Com a queda da Monarquia a 5 de Outubro de 1910, há uma mudança de paradigma. Uma Monarquia com oito séculos é substituída por uma República que tomou o poder nas ruas de Lisboa e depois de o proclamar às varandas da Câmara Municipal, o transmitiu para a província à velocidade do telégrafo.
As instituições e símbolos monárquicos (Rei, Cortes, Bandeira Monárquica e Hino da Carta) são proscritos e substituídos pelas instituições e símbolos republicanos (Presidente da República, Congresso da República, Bandeira Republicana e A Portuguesa), o mesmo se passando com a moeda e as fórmulas de franquia postais.

[1] – De acordo com a Revista “O Occidente”, nº 1144 e 1145 de 20 de Outubro de 1910, era o seguinte, O PROGRAMA Do GOVERNO: “Desenvolver a instrução; assegurar a defeza nacional, procurando colocar Portugal em condições de verdadeiro e sério aliado com a Inglaterra; desenvolver as colónias sob a base do self-gouvernement; conceder plena autonomia ao poder judicial; criar o sufrágio universal e livre, assegurar o crédito público; desenvolver a economia nacional; estabelecer o equilíbrio do orçamento; fazer respeitar todas as liberdades necessarias, expulsar frades e freiras em harmonia com as nossas seculares leis liberaes; instituir a assistencia social, decretar a separação da egreja do estado; remodelar os impostos.”
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Fig. 2 -  Festas do Tri-Centenário da Morte de Camões – Chegada do Cortejo Cívico à Praça Luís de Camões (Desenho de Casanova -  Revista “O Occidente”, nº 61 de 8 de Julho de 1880).
Fig. 3 - Manifestação patriótica em Lisboa, de repúdio pelo Ultimatum inglês, junto ao monumento aos Restauradores (Desenho de L. Freire – Revista “O Occidente”, nº 399 de 21 de Janeiro de 1890).
Fig. 4 - A Avenida da Liberdade, palco da Revolução (Fotografia reproduzida na Revista “O Occidente”, nº 1144 e 1145 de 20 de Outubro de 1910).
Fig. 5 - Um aspecto do acampamento revolucionário, no alto da Avenida da Liberdade (Cliché da “Mala da Europa”, reproduzido na Revista “O Occidente”, nº 1144 e 1145 de 20 de Outubro de 1910).
Fig. 6 - No acampamento revolucionário, o povo armado, nas barricadas que levantou (Fotografias reproduzidas na Revista “O Occidente”, nº 1144 e 1145 de 20 de Outubro de 1910).
Fig. 7 - O acampamento revolucionário, povo, soldados de Infantaria 16 e Artilharia 1, fazendo pontarias (Fotografias reproduzidas na Revista “O Occidente”, nº 1144 e 1145 de 20 de Outubro de 1910).
Fig. 8 - Revolucionários do 5 de Outubro entrincheirados na Rotunda (Fotografia de Anselmo Franco – Arquivo Fotográfico do Arquivo Municipal de Lisboa).
Fig. 9 - No acampamento revolucionário, alguns momentos de armistício (Instantâneos de Joshua Benoliel, reproduzidos na Revista “O Occidente”, nº 1144 e 1145 de 20 de Outubro de 1910).
Fig. 10 - Revolucionários triunfantes hasteando a bandeira da República no seu acampamento na avenida da Liberdade (Fotografia reproduzida na Revista “O Occidente”, nº 1144 e 1145 de 20 de Outubro de 1910).
Fig. 11 - Revolucionários na Rotunda (Fotografia de Joshua Benoliel – Arquivo PCD).
Fig. 12 - Mulheres presentes nas barricadas da Rotunda (Fotografia de Joshua Benoliel – Arquivo PCD).
Fig. 13 - Mulheres presentes nas barricadas da Rotunda (Fotografia de autor não identificado, provavelmente  Joshua Benoliel).
Fig. 14 - Lado a lado, civis e militares nas barricadas da Rotunda (Fotografia de Joshua Benoliel – Arquivo PCD).
Fig. 15 - Os marinheiros que desembarcaram dos navios de guerra, passando no Rocio, dirigem-se para o acampamento da Revolução na Avenida da Liberdade (Fotografia da Revista “O Occidente”, nº 1144 e 1145 de 20 de Outubro de 1910).
Fig. 16 - Manifestação entusiástica de apoio à revolução republicana por parte de populares e de soldados da Guarda Fiscal que empunham a bandeira republicana. (Fotografia de Joshua Benoliel – Arquivo Fotográfico do Arquivo Municipal de Lisboa).
Fig. 17 - O quartel-general dos revolucionários instalado na casa do Sr. Costa Lopes na Avenida da Liberdade (Fotografia reproduzida na Revista “O Occidente”, nº 1144 e 1145 de 20 de Outubro de 1910).
Fig. 18 - No Largo das duas Igrejas. Os revolucionários percorrem em trens as ruas de Lisboa (Fotografia reproduzida na Revista “O Occidente”, nº 1144 e 1145 de 20 de Outubro de 1910).
Fig. 19 - No Rocio – Os revolucionários saúdam o povo de Lisboa que os aclama (Fotografia do Estúdio Mário Novais - Arquivo Fotográfico do Arquivo Municipal de Lisboa).
Fig. 20 - O povo em frente à Câmara Municipal de Lisboa durante a proclamação da República (Fotografia de Joshua Benoliel – Arquivo Fotográfico do Arquivo Municipal de Lisboa).
Fig. 21 - O povo em frente à Câmara Municipal de Lisboa aclama a proclamação da República (Fotografia de Joshua Benoliel – Arquivo Fotográfico do Arquivo Municipal de Lisboa).
Fig. 22 - O Governador Civil, Eusébio Leão, à varanda da Câmara Municipal de Lisboa, após a proclamação da República, aconselha comedimento nos ânimos populares (Fotografia de Joshua Benoliel – Arquivo Fotográfico do Arquivo Municipal de Lisboa).
Fig. 23 - Inocêncio Camacho, à varanda da Câmara Municipal de Lisboa, após a proclamação da República, lê os nomes dos membros do Governo Provisório (Fotografia de Joshua Benoliel – Arquivo Fotográfico do Arquivo Municipal de Lisboa).

Fig. 24 - Depois da revolução, recolhendo as armas (Fotografia reproduzida na Revista “O Occidente”, nº 1144 e 1145 de 20 de Outubro de 1910).
Fig. 25 - Bilhete-postal humorístico da época com o GOVERNO PROVISÓRIO DA REPÚBLICA. Da esquerda para a direita: BRITO CAMACHO (Ministro do Fomento), AMARO JUSTINIANO DE AZEVEDO GOMES (MINISTRO DA MARINHA E DO ULTRAMAR), ANTÓNIO JOSÉ DE ALMEIDA (Ministro do Interior), TEÓFILO BRAGA (Presidente do Conselho de Ministros), ANTÓNIO XAVIER CORREIA BARRETO (Ministro da Guerra), BERNARDIM MACHADO (Ministro dos Negócios Estrangeiros), AFONSO COSTA (Ministro da Justiça e Cultos), JOSÉ RELVAS (Ministro das Finanças).

BLOG dO TEMPO DA OUTRA SENHORA

a morte da jornalista margarida marante e a hipocrisia desta vida

A morte hoje ocorrida da jornalista Margarida Marante, vitima de um ataque cardíaco fulminante, não deixa de suscitar interrogações sobre a hipocrisia desta vida.Traçam-se agora os maiores encómios à actividade passada de Marante, como entrevistadora corajosa desde que começou a carreira aos 20 anos no semanário o ‘Tempo’, e, mais tarde, na RTP, onde se distinguiu nos programas de grande entrevista política,tendo integrado a equipa fundadora da SIC, onde apresentou programas como ‘Sete à Sexta’, ‘Contra Corrente’, ‘Cross Fire’ e ‘Esta Semana’.Mas esquece-se o maior drama da sua vida, que, provavelmente, levou à sua morte precoce!
Fala-se dessa carreira emérita mas esquece-se que o esquecimento a que foi votada por muitos amigos e familiares ( houve excepções!) a levou a rumar para os caminhos perigosos do consumo de drogas que arrunaram a sua vida profissional e pessoal.Nem a desintoxicação nma clinica em Navarra,paga pelo seu amigo do Opus Dei, Jardim Gonçalves,a levou a deixar esses caminhos torturosos,ela que tinha tudo para ser feliz: apresentadora temida em programas de TV, presença habitual nas revistas «cor de rosa» onde surgia ao lado do marido, Emídio Rangel, com amigos influentes – entre os quais, o ex-marido, Henrique Granadeiro, pai dos seus três filhos, homem forte da PT que sempre a acarinhou, mesmo nas horas infelizes -  passando por José Sócrates e a ex- namorada deste, Fernanda Câncio, habituais frequentadores de sua casa tendo Fernanda Cância se tornado testemunha presencial de cenas dramáticas a que foi sujeita.
Inexplicavelmente, ligou-se a Fernando Farinha Simões, um cadastrado com ligações ao Caso Camarate ( que denunciuou agora através de uma carta as várias implicações deste crime que continua impune) que dizia ter em seu poder vídeos comprometedores para personalidades influentes do meio social e político, a quem fornecia droga e apanhara em grandes orgias. Os alvos principais foram Margarida Marante e o marido, Emídio Rangel, o jornalista que conhecera quando ainda estava na prisão onde cumpria pena por tráfico agravado de droga e que o convidara a participar, como informador, num programa na forja da SIC sobre o Caso Camarate. Repudiado na sua relação amorosa com a jornalista, depois de se ter envolvido nove meses com ela, resolveu contactar o jornal «O Crime» para se vingar. O «tiro» havia de lhe sair pela «culatra»: antigo colega nos anos oitenta de Marante no semanário «Tempo», o jornalista que Simões contactara reatou o contacto com a antiga apresentadora. E foi ela quem acabou por lhe revelar todo o seu drama, recebendo-o em sua casa com lágrimas nos olhos, aliviada por saber que «o monstro que lhe atormentara a vida estava de novo preso». 
Fernando Farinha Simões, que deverá sair muito em breve da prisão, era um cadastrado capaz de se dar bem com Deus e o Diabo. Antigo motorista de Sousa Cintra, foi considerado um «chibo» (informador) nas prisões por onde passou. A sua aparente simpatia e inteligência fizeram com que mantivesse relacionamentos surpreendentes, até junto dos mais altos quadros da PJ, onde gozava o «estatuto» de infiltrado junto do DCIT, o órgão de combate ao narcotráfico. Nos finais dos anos noventa, a passagem pelo estabelecimento Prisional de Pinheiro da Cruz tornar-se-ia penosa para este personagem: «Estava sempre a levar estaladas por se chibar», confidenciou um seu antigo companheiro de cárcere. Tony, o ex-namorado de Arlinda Mestre, a concorrente da «1ª Companhia», um indivíduo que esteve ligado ao grupo de traficantes do colombiano Pablo Escobar, foi um dos que afogou as suas mágoas na cara de Simões. Aliás, esta faceta de denunciante e de «fura-vidas» também se revelou no decurso dos trabalhos da V Comissão de Inquérito Parlamentar ao caso Camarate, quando Fernando Farinha Simões foi à Assembleia da República, conduzido sob escolta, fazer revelações surpreendentes. Sem pejo, FFS denunciou José Esteves, seu antigo companheiro nas redes bombistas do chamado «Verão Quente de 75», como tendo sido o homem que fabricou a bomba que fez cair o Cessna que transportava o então primeiro-ministro. Mais tarde, numa entrevista à revista «Focus», Esteves confessou ter sido um dos autores do atentado, lançando as culpas da autoria moral para as chefias militares, sobressaltadas com a iminência da revelação de comprometedora documentação na posse Adelino Amaro da Costa envolvendo-as nos desvios dos dinheiros do Fundo de Defesa do Ultramar – uma espécie de «saco azul» destinado a financiar acções ilegais, entre as quais, soubemos, a compra de armas para a guerra Irão/Iraque. Foi com o intuito de procurar tirar dividendos desses seus conhecimentos sobre o mistério Camarate, pensando num atenuação da pena, que Fernando Farinha Simões testemunhou na Comissão de Inquérito na Assembleia da República. Ao mesmo tempo, ofereceu os seus préstimos a Artur Albarran e a Barata Feyo (então responsáveis do programa «Grande Reportagem» da SIC e que preparavam um trabalho sobre a morte de Sá Carneiro). Foi desta forma que conheceu o director de informação daquele canal: «O Rangel soube que o Fernando Simões estava a par de muitas informações sobre o que aconteceu em Camarate. Resolveu contratá-lo como informador para um documentário com 12 episódios sobre o caso. Chegava a mandar o motorista da estação de TV buscá-lo num  Mercedes a Pinheiro da Cruz quando ele saía nas precárias. E de informador passou a ser seu companheiro mais chegado, acompanhando-o nas noitadas», referiu Margarida Marante. O tal seriado sobre Camarate terá custado uma pequena fortuna a Pinto Balsemão – Margarida fala em 50 mil contos na moeda antiga (250 mil euros actuais) – mas a mini-série nunca foi para o ar e apenas um episódio terá sido produzido.
O relacionamento de FFS com a jornalista iria perdurar muito para além do seu divórcio atribulado com o ex-director da SIC. Marante explicou os motivos pelos quais acedeu relacionar-se intimamente com um indivíduo de passado mais que duvidoso: «Encontrava-me fragilizada depois de anos e anos de um casamento marcado pela violência com o Rangel. Por outro lado, a minha formação católica – sabe, sou do Opus Dei? – levava-me a acreditar na redenção humana. Todo o homem, por mais miserável que seja, deve ter uma segunda oportunidade. Apreciava a forma com ele amava a sua neta. E pus-me a pensar: será que eu devo duvidar de um homem que tem este comportamento tão humano, que me ampara a mim e aos meus filhos, que se mostra tão dedicado para connosco?».
A alma e a carne são frágeis. E Marante, vulnerável, assumiu esse relacionamento que acabou por se tornar demasiado íntimo. Havia também outros interesses em jogo. Atentemos no que escreveu um dos juízes relatores no acórdão da sentença da 2ª Vara Criminal que condenou Fernando Farinha Simões a seis anos e meio de prisão pelos crimes cometidos contra Marante, justificando os motivos pelos quais achava que o arguido deveria também ser penalizado por tráfico de droga: «Foi manifesto das suas declarações que a assistente sempre dependeu de outrem para obter cocaína (primeiro do seu então marido, depois do arguido) não sendo em meu entender liquido que tivesse recursos para procurar outra fonte de abastecimento, antes de deixando entregar às mãos do seu “fornecedor”, pelo menos enquanto o pudesse fazer, como fez, por ter recursos financeiros para tanto».
Fernando Farinha Simões acabou por ser condenado por três crimes de sequestro, dois por coacção grave, três por violação de domicílio, os quais praticou quando a apresentadora pretendeu acabar com a relação que se ia tornando cada vez mais obsessiva. E aí começou o terror:
«Queria mandar em tudo, até na minha conta bancária, nos cartões de crédito, na escolha dos meus amigos…Assumo que foi um erro ter ido para a cama com ele…talvez o tenha feito por me sentir revoltada. Os dias passavam e cada vez me sentia mais angustiada. Queria vê-lo fora de casa, longe dos meus filhos (que deixaram de a frequentar) e ele não me largava. Até que o proibi de ir a minha casa. Mas ele nem assim desarmou: introduzia-se no meu apartamento passando pela varanda de um andar ao lado, depois de ter subornado o porteiro do prédio. Comecei a viver dias e noites de autêntico terror. Por várias vezes, acordava durante a noite, com ele no meu quarto, aos pontapés à cama. Cheguei a barricar-me no meu quarto, mas ele partiu a porta aos pontapés», contou Margarida Marante.
Das «invasões» do domicílio às agressões e ameaças foi um pequeno passo. A antiga apresentadora chegou mesmo a ser intimidada com uma faca que FFS lhe encostou ao rosto, e, numa outra ocasião, como nos revelou a jornalista, o cadastrado introduziu-lhe o cano de uma arma «Glock» no sexo. Na 21ª Esquadra da PSP de Campolide choveram várias queixas de Margarida. Mas as suas súplicas não eram atendidas. «Provavelmente, pensavam que eu não estava boa da cabeça», sublinhou.
O rapto e sequestro para a Figueira da Foz, onde, durante o trajecto, Margarida, contou ela numa carta que enviou a amigos, alertando-os para o seu drama, chegou a ser a amarrada a uma árvore enquanto FFS lhe encostava uma arma à cabeça, poderá ter «sensibilizado», de forma definitiva, a Polícia a agir. As brigadas Anti-Crime da PSP e a DCCB da PJ entraram em campo e foi emitido um mandado de detenção contra o ex-presidiário. Este acabou por ser detido em Cascais, mas, aproveitando uma ida à consulta no Hospital de São José, acabou por se evadir.
Foi durante este interregno que Fernando Farinha Simões contactou  «o Crime» para um encontro num café nas proximidades do jornal, dizendo estar na posse de provas comprometedoras para Margarida Marante e Emídio Rangel. Mas o único documento que acabou por  exibir foi, precisamente, o mandado de detenção emitido por um juiz do TIC para ser conduzido sob custódia no âmbito de uma queixa apresentada pela jornalista.
Nos dias seguintes, FFS deixou de dar notícias. Havia uma explicação para o facto: é que fora detido na noite de 28 de Janeiro de 2006, à porta do prédio onde reside Margarida Marante, quando se aprestava, uma vez mais, para invadir o seu domicílio.
Mais tarde, Margarida Marante haveria  confessar os motivos que a levaram a tornar públicos estes factos ( que criaram muitos «estilhaços» nos meios onde se movimentam as nossas vedetas das TV, entre as quais, o consumo de droga era assunto sigiloso) uma atitude pouco comum nas figuras em destaque nos vários quadrantes da sociedade. «Foi por causa das chantagens que!  o Farinha Simões me fez, ameaçando incriminar amigos próximos, alguns deles bastante influentes na sociedade portuguesa, ameaças que iam desde o fornecimento de droga, a suspeitas sobre a sexualidade. Por outro lado, quis expiar os meus pecados. Quero voltar à vida». Um propósito que está a ser difícil de concretizar: a jornalista nunca mais foi estrela nos ecrãs da TV. Morreu agora, triste e só, esquecida pelo grande público, longe dos holofotes da fama que ela tanto ansiava voltar a recuperar.Era de facto uma grande jornalista mas escolheu mal as suas companhias que arruinaram a sua vida.Paz  à sua alma !

O Crime
Firmeza
.
Sem frases de desânimo,
Nem complicações de alma,
Que o teu corpo agora fale,
Presente e seguro do que vale.

Pedra em que a vida se alicerça,
Argamassa e nervo,
Pega-lhe como um senhor
E nunca como um servo.

Não seja o travor das lágrimas
Capaz de embargar-te a voz;
Que a boca a sorrir não mate
Nos lábios o brado de combate.

Olha que a vida nos acena
Para além da luta.
Canta os sonhos com que esperas,
Que o espelho da vida nos escuta.

José João Cochofel

A CORJA COMEMORANDO



É O ESTADO DO PAÍS COMENTAVA O POVO !!


Bandeira portuguesa foi hasteada ao contrário e o discurso de Cavaco foi interrompido por entrada súbita de uma mulher em protesto.

A cerimónia do hastear da bandeira que deu início às comemorações oficiais do 5 de Outubro começou por ficar marcada pelo hastear da bandeira nacional com o escudo ao contrário. Assim que o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, hasteou a bandeira, algumas vozes fizeram-se ouvir alertando que a ban
deira estava ao contrário.

"É o estado do país", ouviu-se entre os populares que assistiam à cerimónia, enquanto outros diziam que era uma "gaffe" imperdoável a bandeira ter sido hasteada de forma errada. Na Praça do Município, apenas cerca de 40 pessoas assistiram à cerimónia do hastear da bandeira, contrastando com as cerimónias do centenário da República há dois anos, quando a praça ficou repleta de convidados e populares.

Minutos depois de Cavaco Silva e restantes representantes políticos se terem dirigido ao Pátio da Galé, onde decorrem as restantes cerimónias, a bandeira voltou à sua posição correcta.

As cerimónias ficaram ainda marcadas pela entrada no Pátio da Galé, em Lisboa, de uma mulher a gritar contra a actual situação do país, tendo sido retirada por vários elementos da segurança. As cerimónias ainda estavam a decorrer - discursava o Presidente da República, Cavaco Silva - quando se começou a ouvir um burburinho no fundo da sala junto à entrada do Pátio da Galé. Na altura, uma mulher gritava dizendo ser incapacitada, não ter trabalho e não ter futuro.

"Tenho uma pensão de cerca de 200 euros, estou farta de procurar trabalho, já tentei fazer limpezas, mas não consigo arranjar nada", disse aos jornalistas Luísa Trindade, 57 anos. A mulher tentou caminhar pela passadeira vermelha dirigindo-se até aos representantes políticos, mas foi imediatamente bloqueada por vários elementos da segurança que estavam no local e que, de seguida, a agarraram e a colocaram fora do local onde estavam a decorrer as cerimónias.

Luísa Trindade manteve-se à porta do pátio da Galé e à medida que os vários convidados iam saindo foi-lhes gritando e perguntando: "Não se envergonham de olhar para a minha miséria?". Chegou mesmo a interpelar o deputado do CDS-PP Nuno Magalhães, mas este seguiu sem dar resposta.

Os incidentes não se ficaram por aqui. Já depois de Cavaco Silva ter acabado de discursar, a plateia foi surpreendida por uma mulher que, ao fundo do corredor central do Pátio da Galé, começou a cantar o "Firmeza", de Fernando Lopes Graça. Ana Maria, cantora lírica, disse à Agência Lusa que já tinha estado na manifestação em Belém, no dia do último Conselho de Estado, a
cantar o "Acordai", do mesmo autor. "As pessoas estão a sofrer, eu sou uma delas. Eu ainda vou tendo emprego. Penso que era a altura de cantar o Firmeza", justificou.

Ao contrário da primeira mulher que entrou no Pátio da Galé, que foi levada por elementos de segurança, Ana Maria saiu pacificamente do recinto onde decorreu a sessão solene do 5 de Outubro, no final da sessão. Entretanto, no exterior, na Praça do Comércio, o número de populares foi aumentando, apesar de ser difícil distinguir entre os que estão pelas cerimónias e os turistas. Ainda assim, não houve registo de manifestações ou distúrbios.

Algumas pessoas com quem a Lusa falou disseram estar desiludidas pelo facto de as cerimónias deste ano terem decorrido no pátio da galé e não na praça do município como habitualmente. "Isto é uma vergonha porque não é uma cerimónia privada. Parece que vivemos outra vez numa ditadura quando hoje é o dia da República" disse Justino Serrão, de 59 anos, ex-militar de Abril. Entre os populares na praça do comércio algumas pessoas queixavam-se de os políticos se esqueceram deles.

No final da cerimónia, a deputada socialista Maria de Belém resolveu vir interpelar os populares, pedindo desculpa aos presentes por não ter vindo dar os bons dias, mas que estava com pressa para um compromisso. A atitude da deputada socialista fez, no entanto, com que algumas pessoas gritassem: "A culpa também é sua".

Bandeira içada ao contrário no 5 de Outubro. Acto falhado?

Em tempos, durante as grandes guerras, a bandeira hasteada ao contrário era sinal de que o local estava dominado pelo inimigo ou como pedido de socorro. 



“Um país não pode descurar os seus jovens”
Mário Soares ausente de cerimónias do 5 de Outubro
As cerimónias do 5 de Outubro começaram, esta sexta-feira de manhã, com o içar da bandeira pelo Presidente da República, Cavaco Silva, e o presidente da Câm

ara de Lisboa, António Costa. Mas… estava ao contrário. Os governantes riram e voltaram-lhe as costas. Alguém há-de reparar o erro.

Só que o erro já foi, noutra altura, acerrimamente criticado. Numa altura em que não era erro, mas um modo de protesto.

Tudo o que diz respeito à bandeira nacional tem um simbolismo e hasteá-la ao contrário não foge à regra. Em tempos, durante as grandes guerras, as bandeiras hasteada ao contrário eram sinal de que o local estava dominado pelo inimigo, enviando um pedido de socorro. Trata-se de um sinal reconhecido ao nível internacional.

O incidente desta manhã ocorre numa altura em que o próprio país se encontra “de pernas para ar”, apertado por um plano de ajustamento económico internacional que, há dois dias, conheceu novos contornos, com o anúncio de mais medidas de austeridade e a previsão, em alta, da taxa de desemprego.

Dia 15 de Setembro, a manifestação que deu origem a várias outras e mostrou, como há muito não acontecia, que os portugueses não estão satisfeito com o rumo que o país tomou e está a tomar, intitulava-se “Que se lixe a ‘troika’. Queremos as Nossas Vidas” – que é quase o mesmo que dizer: “socorro, está cá o inimigo”. E o inimigo, como as manifestações que se seguiram o demonstraram, não é apenas a “troika”. E a isso não é a troca de local das comemorações do 5 de Outubro.

Mas voltemos um pouco atrás. Em 2009, um programa de televisão mostrava uma imagem da bandeira nacional invertida, o que causou uma grande celeuma entre a classe política e originou mesmo um comunicado de Belém.

"A bandeira nacional é símbolo da soberania da República, da independência, da unidade e integridade de Portugal é a adoptada pela República instaurada pela Revolução de 5 de Outubro de 1910", lembrava-se no site da Presidência.

Era depois recordado, em concreto, o artigo 332º do Código Penal, que pune com pena de prisão até dois anos ou com pena de multa até 240 dias "quem publicamente, por palavras, gestos ou divulgação de escrito, ou por outro meio de comunicação com o público, ultrajar a República, a bandeira ou o hino nacionais, as armas ou emblemas da soberania portuguesa".

Hoje, o chefe de Estado sorriu do incidente e deixou a outros a função de reparar um acto falhado de muito simbolismo

VÃO-SE FODER