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quarta-feira, 3 de outubro de 2012

oposição com charme


Acorda Portugal!



Exemplos (3)

Os Vampiros

Nos textos anteriores, comecei por referir que António Borges, (António Mendo de Castel-Branco do Amaral Osório Borges), filho de boas famílias, que nunca precisou de trabalhar para comer, tem sido muito falado pelo que menos importa. 

Procurei por isso relacionar o seu serviço para as troikas, com o seu papel de cruzado pela imposição do capitalismo financeiro no domínio do mundo. Socorrendo-me das informações de vários jornais e jornalistas que investigaram organizações, de que ele é uma peça*, pretendi mostrar a verdadeira face de uma feroz ditadura que não hesita na destruição da vida de milhões de pessoas.
A propósito da Goldman, disse Matt Taibbi: “um grande vampiro que se alimenta da humanidade, com um apetite sanguinário implacável”

Os donos do mundo

Essa “máquina”que explora povos do terceiro mundo, rouba-lhes as matérias primas condenando-os à fome, é a mesma que provoca as guerras, derruba governos legítimos para apoiar ditadores ao seu serviço. É a que não hesita em ensaiar produtos químicos, transgénicos, nas populações africanas, tornando-as suas cobaias ou lançar epidemias para vender medicamentos de que tem a patente. É a máquina que gera as crises económicas e se serve delas para retirar direitos aos trabalhadores nos países mais desenvolvidos.

Reduzir salários... medida inteligente

Esse vampiro que se alimenta do trabalho da humanidade, tem os Antónios Borges ao seu serviço a chupar os trabalhadores e defender a redução de salários para que os banqueiros aumentem as suas riquezas. 

António Borges, social-democrata, quadro do PSD, foi claro na definição da política de direita que serve:“Diminuir salários, não é uma política, é uma urgência” ou transferir sete por cento da taxa social única (TSU) dos trabalhadores para os patrões, é uma medida muito inteligente. Será isto a austeridade inteligente?

Democracia?

António Borges é uma das faces do capitalismo financeiro, do poder económico que comanda os governos, as ditaduras, sejam elas impostas pela força das armas ou eleitas através de eleições manipuladas e ditas democráticas.

Os patrões de António Borges, como os da Goldman Sachs, intervêm directamente em Portugal. Sobre esta matéria também o jornal Económico aborda alguns exemplos. Recomendo a leitura emhttp://economico.sapo.pt/noticias/afinal-o-goldman-sachs-manda-no-mundo_129099.html. 

Bicho peçonhento

Recorde-se que este “vampiro” (capitalismo) não suga apenas o trabalho e as energias dos povos. Como bicho peçonhento, inocula o veneno nas mentes através das escolas e universidades, nos jornais, nas televisões, na publicidade (ideológica e comercial), na cultura, nos hábitos e na degradação dos valores humanos. 
É assim que "domestica" as pessoas, tornando-as dóceis, controláveis, incapazes de defender os seus interesses. 

A ética, a moral e os valores

O “vampiro” mata a solidariedade, a justiça social e inocula a competitividade, a violência, a concorrência, a lei da selva, o salve-se quem puder. Nas escolas ensina que o mundo é dos mais fortes, que a justiça é a lei (feita por quem tem o poder), que quem quer saúde tem que a pagar, que o dinheiro é o objectivo da vida e, para o obter com fartura, só através da exploração em massa.

António Borges é professor na Universidade Católica. 
Disse que os empresários que não concordavam com a redução de salários através da TSU para as empresas, se fossem seus alunos chumbavam! 
Que ensina este professor na sua Universidade? 
É fácil de imaginar!
António Borges é um exemplo da ética, da moral, do capitalismo que representa.

O resto do seu currículo pode ser visto emhttp://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B3nio_Borges

*Recomendo também a leitura d o livro "O Banco. Como o Goldman Sachs dirige o Mundo", o jornalista belga, Marc Roche, correspondente do Le Monde em Londres, refere que o banco norte-americano "está por detrás da atual crise financeira" e do artigo de Vítor Rios em Dinheiro Vivohttp://www.dinheirovivo.pt/Economia/Artigo/CIECO044780.html  ou o de Rita Leça (Agência Financeira)http://www.agenciafinanceira.iol.pt/financas/goldman-sachs-marc-roche-privatizacoes-antonio-borges-crise-agencia-financeira/1352598-1729.html
Mais informações em 
http://www.tsf.pt/PaginaInicial/Economia/Interior.aspx?content_id=2364755
http://www.agenciafinanceira.iol.pt/geral/antonio-borges-jeronimo-martins-administracao/1333413-5238.html
http://economico.sapo.pt/noticias/os-negocios-do-goldman-sachs-com-portugal_129105.html

Enfim há muito por onde escolher, para quem ainda tiver dúvidas.

Todos, ou quase, contra o aumento de impostos

Da esquerda à direita, são muitos aqueles que criticam o aumento de impostos. Mas também há quem concorde.

14:47 Quarta feira, 3 de outubro de 2012





Palavras-chave  impostosIRSIVAaumentocarga fiscalDossiêsausteridade


Ler mais: http://expresso.sapo.pt/todos-ou-quase-contra-o-aumento-de-impostos=f757639#ixzz28GoSLRBz

1967 - Luis Cília - "Recuso-me"

The Classics Teaser Promocional

nos dias de Outono - poema de António Garrochinho



Caiu a máscara de um crápula


O texto vem de Moçambique que ao que parece têm em fraca conta o jornalista Mário Crespo.

O sujeito que observo neste texto é aquele que diariamente fecha o telejornal  da SIC dizendo que a RTP gasta,  diariamente, não sei quantos milhões e que dá pelo nome de Mário Crespo.
Este sujeito foi meu colega de liceu salazar, em Lourenço Marques, hoje Maputo. Sempre foi mau estudante, mas cheio de truques e boas amizades, sobretudo com a Mocidade Portuguesa.

Á custa das amizades, supõe-se, fez a "guerra" como relações públicas do Gen Kaúlza de Arriaga,  Comandante Chefe, em Moçambique.

Com o fim da guerra tornou-se no "papagaio" da rádio do apartheid na África do Sul, a SABC.
Com os estertor do regime sul africano, esperto como é, resolveu mudar de ares. Como era bem falante em inglês,e certamente com bons contactos nos protectores do apartheid (USA), veio para Portugal onde logo lhe ofereceram um bom tacho na RTP- correspondente em Washington. Trabalhava pouco, o que parece ser mal de nascença, mas gastava muito do dinheiro de todos nós, em cartões de crédito, ajudas de custo, festas, whisky etc. Foi devolvido, por má figura, para Lisboa. Infelizmente, em vez de ser despedido, foi colocado na prateleira onde a SIC o foi buscar.

Imaginem quem o repatriou de Washington para Portugal. Um governo do PS! Está explicado o posicionamento político do crápula.

Os jornais revelaram que o seu amigo Relvas apadrinhava o regresso do Crespo à RTP. O Presidente da RTP, e bem, recusou.
Foi demitido.
PS- Para que se saiba.Quando durante o governo de José Sócrates, este já farto do aproveitamento da posição de pivot na SIC Notícias, Mário Crespo fazia em directo uma campanha sem fundamento e contra o governo, José Sócrates então declarou num restaurante a um amigo que almoçava com ele, que era preciso afastar o Mário Crespo. Esta frase de desabafo foi ouvida numa mesa ao lado onde se sentava um amigo do Mário Crespo que lhe foi dizer, atiçando-o e dando origem a uma série de atitudes de aproveitamento político que envolveram a Assembleia da Republica onde o Mário Crespo também foi depor, fazendo então uma cena ridícula com uma Tshirt. Ora, quem era o amigo do Mário Crespo que ouviu o desabafo de José Sócrates....foi o "dr" Miguel Relvas.

Pertencem ambos ao mesmo conjunto de pessoas-tipo.

De alguém que não sei quem...

devagarinho foi-nos lixando



QUE RAIO DE GENTE É ESTA !
Que raio de genta esta!
«Aprendi, há muitos anos, que os homens se dividem em sólidos, líquidos e gasosos. Ensinou-me o meu pai estas definições, que o rodar do tempo confirmou serem adequadas e justas. Já ultrapassei a idade com que o meu pai morreu e sinto-me desconfortavelmente adaptado às dores do corpo. Que remédio! Às da alma, é que não. São dores pungentes porque tocam nas coisas da esperança e do sonho desunidos. Poucos homens sólidos há, hoje. A época tem sido fértil

 em amolecer caracteres e em estimular e premiar a velhacaria e a malandrice. Gosto muito da palavra "sólido". Tenho vivido e respirado palavras, não passo de um vago senhor português, com a tineta de que as palavras podem modificar o destino de milhões de homens, e a palavra "sólido" ainda hoje me surge como um significado de dignidade.
Conheço, agora, muitos mais homens líquidos e gasosos de que antes. Não quero dizer que os não houvesse; mas, hoje, estão mais expostos à própria malignidade do tempo. Vêmo-los e assistimos ao que dizem, mentirosos sem remissão; infalíveis tratantes; uma congregação de gente moldada ignora-se como, de quê e por quê. O nivelamento por baixo atingiu todos os sectores da sociedade. A indolência, de ordem cívica, é a pior de todas as afrontas éticas. E, de repente, ficámos aturdidos com um milhão de pessoas nas ruas, sem saber o significado mais profundo dessas razões. Sem saber o que fazer desta e com esta multidão. Pessoas sólidas, inesperadamente tornadas indefectíveis aos valores e aos princípios, e, até, às ideias, que calculávamos soterrados. É verdade que uma comoção alegre nos atingiu. Porém, estamos tão desavindos, tão mortiços, tão perdidos, ignorância de pobres e de cegos, que perguntamos, tontos e incrédulos: e agora?
Os homens líquidos e os homens gasosos continuam nessa desfilada indecente. Fala-se, agora, em "impreparação" de quem dirige o País. Oculta-se o projecto ideológico que lhe subjaz, e no tripudiar dos conceitos morais. Esta casta não é nova: procede, directamente, do oportunismo nascido das sociedades em ruptura, e que pratica uma constante "transacção" de interesses. A manifestação de 15 de Setembro representou a repulsa por esta gente. Mas, também, pelos que se lhe não opõem.
Temos assistido a episódios deploráveis, como aquele, na segunda-feira, no qual António José Seguro ficou perplexo por desconhecer que a substituição da taxa social única fora aprovada em Bruxelas, sem que o Governo o tivesse consultado. A humilhação fez espelho nas televisões. O pobre homem, um pouco espavorido, balbuciou uma módica frase de tristíssima indignação. Não serve de nada: Passos despreza-o e despreza-nos. No decálogo ensinado pelo Velho Bastos, em que categoria colocaríamos o secretário-geral do PS: líquido ou gasoso?; sólido, certamente, não.»

Que raio de genta esta! por BAPTISTA-BASTOS, DN 3-10-2012

COM HUMOR TAMBÉM SE LUTA

“As 40 medidas do Orçamento Geral do Estado Português para 2012 ainda em segredo:

1. Por cada neto que nascer vão ter de morrer 2 avós
2. Comércio tradicional vai pagar IVA de 23%
3. Trabalho escravo regressa mas apenas com contratos a prazo
4. O eléctrico 28 vai fazer a ligação Alfama – Sines-Salamanca em bitola alfacinha
5. Governo vai aumentar a segunda-feira para 48 horas
6. Subsídio de Natal vai ser um par de meias
7. Horas extraordinárias vão ser pagas com desenhos do filho do ministro das Finanças
8. Metro do Porto vai voltar a ser uma piada
9. O IVA do vinho depende do que se aguenta
10. Bancos vão poder servir mini-pratos ao balcão
11. Diferença horária para os Açores vai aumentar 15%
12. Quebra de produção com feriados santos vai ser compensada com trabalho forçado de padres
13. Casais com mais de 3 filhos vão ter de abater 1
14. Taxas moderadoras podem ser pagas com sexo
15. Reformas antecipadas congeladas até Manoel Oliveira parar de filmar
16. TSU de empresas de empresários supersticiosos cai 13%, se eles quiserem, eles é que sabem…
17. Juízes perdem subsídio de renda e vão passar a ir dormir a nossa casa
18. Pensionistas do Estado com pensões inferiores a 485 euros vão poder trocar consultas por órgãos
19. TSU de empresas com gestores com hipermetropia vai descer 0,0000000000000001 pontos
20. IVA dos restaurantes pode ser levado para casa
21. Portuguesas com um sexto sentido vão ter que desistir de um dos outros
22. Vão haver portagens à saída das maternidades
23. São proibidos ajuntamentos de mais de 3 pessoas junto das caixas multibanco
24. IVA da Coca-Cola aumenta se agitarem as embalagens
25. Desempregados vão formar empresa de logótipos humanos para eventos em estádios
26. Vai haver portagens à entrada do tribunal de Oeiras
27. Madeira vai ser alugada para experiências nucleares
28. EPAL vai cobrar taxa nos sonhos húmidos
29. Pelo princípio do utilizador-pagador, pessoas com três rins vão pagar mais taxa de esgoto
30. RTP fica só a dar música sacra até à Páscoa
31. Portugueses nascidos a 29 de Fevereiro vão deixar de ter documentos
32. TSU das empresas de pesca vai descer assim (fazer gesto do tamanho que quiser com as mãos)
33. TAP vai fazer a ligação por terra Sines-Entroncamento
34. Militares vão substituir bombeiros nos seus deveres conjugais
35. Reformados que ultrapassam a esperança média de vida proibidos de andar na rua
36. TSU das empresas de Duarte Lima vai descer sete palmos
37. As SCUT vão poder ser percorridas a pé por metade do preço
38. Castrados vão perder o abono de família
39. Escolas passam a distribuir rações de combate ou em alternativa refeições da TAP
40. A força vai passar a ser igual a metade da massa vezes a aceleração.


Vaticano – O Estado a que aquilo chegou...


Chega-me a notícia de que o mordomo do Papa se queixou de ter sido maltratado na prisão do Vaticano. Ao que parece, as autoridades nem se deram ao trabalho de o desmentir.
Fico também a saber que o dito mordomo, acusado de ter fotocopiado 60.000 documentos do Ministério da Defesa... perdão, isso foi o Paulo Portas!, que o dito mordomo, acusado de ter surripiado uns documentos do Vaticano, tinha como tarefas junto ao Papa (pelo menos entre as confessáveis) andar à sua frente nas deslocações no “papamóvel” e... vestir o Sumo Pontífice.
Apenas dois comentários à notícia:
1. Fico absolutamente siderado por saber que as autoridades da Igreja Católica são capazes de maltratar pessoas que estejam à sua guarda durante os períodos de “Inquisição”, perdão... de inquérito a possíveis ilícitos...
2. Acho espantoso que tantos milhões de católicos aceitem ter como líder um homem que não sabe, ou não pode, ou pura e simplesmente não quer vestir-se sozinho!



A Rapariga do "Acordeon"....






Moções de censura – BE e PCP



Se há uma coisa que pode abanar a caixa dos pirulitos e deixar as fuças a arder, é um estaladão sonoro e bem assente.
Agora imagine-se o efeito de dois estaladões, dados com uma vontade alimentada por muitos, muitos milhares de braços... e rigorosamente ao mesmo tempo! Um de um lado eoutro do outro... convergindo para o mesmo fim.
Os do costume dirão, mais uma vez, que são moções de censura inconsequentes, pois não podem derrubar o Governo. Pois não... mas, na verdade, poucas coisas há mais desmoralizadoras e humilhantes do que um belo par de bofetadas. Sonoras, bem assentes... e em público!
Adenda: Claro que o PS, que desde há décadas anda a fazer governos e arranjinhos com o PPD e com o CDS, tinha que vir dizer que o PCP está de mão dada com a direita. Dizem eles que é porque o PCP participou no derrube do governo de José Sócrates... que como todos estamos lembrados, era um governo super híper maxi de esquerda.
Francamente... se ainda existe por aqueles lados outra estirpe de socialistas, é capaz de estar na hora de mudarem de "porta-vozes"!


O ÚLTIMO TANGO EM PARIS


João Pires aconchegou a gola do casaco, naquela tarde fria de Janeiro. Sentado num banco da Estação de Santa Apolónia, olhava a chuva miudinha e enervante que caía sobre Lisboa. No seu olhar errante, mirava as carruagens na gare, enquanto um altifalante roufenho, debitava informações sobre a chegada e partida dos comboios. Depois, fixava-se nos carris a perder de vista, até à curva onde o olhar lhe consentia. Eram os carris do Destino. Estava de partida para Paris, agora que o país que o vira nascer, o empurrava para a fronteira. Na Beira - Baixa, deixou a mãe viúva, encostada à soleira da porta, limpando as lágrimas ao avental negro que era o espelho da sua alma. Abraçaram-se em silêncio e João partiu, levando na mala em partes iguais, um quinhão de esperança e outro de desespero.
Ao apito estridente do chefe – da - estação, o comboio partiu, com um solavanco. Depois, foram dois dias de viagem, com transbordos e paisagens diversas. Mas João ia absorto nos seus pensamentos, recordando a família e a aldeia que deixara para trás, o berço da sua infância. No bolso, ciosamente guardado, o pecúlio que a mãe lhe dera e tirara do fundo da arca onde guardava o centeio, fruto de muita poupança. Também uma carta – de - chamada, que lhe compraria a força dos braços, numa qualquer obra de Paris.

Tudo correu bem. Apesar de dividir a camarata com três companheiros, João Pires deixou-se embalar ao ritmo da grande cidade. À tarde, depois do trabalho, percorria com os amigos as ruas da capital, ao som dos acordeons que despontavam em cada rua e em cada viela. Era o perfume francês, que lhe embriagava a alma.
Num Sábado, pleno de sol, mais afoito e conhecedor dos segredos da grande metrópole, João saiu sozinho à conquista de Paris. Novo e bem - parecido, João percorreu os Campos Elísios, em direcção ao Arco do Triunfo. A correria dos automóveis, o movimento dos passantes, o clamor da cidade, tudo era uma nova realidade a que se ia acostumando.

Até que, numa pequena esplanada se sentou. Precisava de um café retemperador. Foi então, que uma rapariga se acercou dele. Era empregada do pequeno estabelecimento e a barreira da língua, que poderia ser um entrave ao diálogo, mais não foi que a troca de uma gargalhada. Riram. Riram muito. Depois, mais sérios, olharam-se nos olhos e Nicole apressou-se a trazer a bebida requerida. João ficou ali, sentado, a sorver o café em pequenos tragos e a observar todos os movimentos da bela francesa de olhos grandes e cabelo loiro. E ela, de faces ligeiramente roborizadas, escondia que naquele momento o seu coração batia forte. Decididamente, juntara-se gasolina à fogueira, ao som arrebatador de um entusiasmante tango em Paris.

Nessa noite, João dormiu mal. E, no emprego, trabalhava maquinalmente, fazendo contas aos dias que faltavam para Sábado e de novo encontrar Nicole, no simpático bar de uma esquina da cidade. Durante meses, foi assim. Mais conhecedor da língua, João esperava que ela saísse do trabalho e ela, um dia, confidenciou-lhe que morava numa mansarda, numa rua próxima dos Campos Elísios. João acompanhou-a até lá. Subiram a escada escura, até à porta da habitação. Depois beijaram-se. E ele, fez menção de entrar. Ela, porém, suave e delicadamente, empurrou-o com uma mão no peito, impedindo-lhe a passagem e, devagar, fechou a porta. João ficou ali, parado e sozinho, a esbracejar em ondas de desespero. Depois partiu, para junto dos companheiros, trazendo na mente a ideia que os dias de férias a passar em Portugal, ficariam para outra ocasião. Seriam passadas com Nicole. Iria propor-lhe que ela também pedisse dispensa na mesma altura, para voarem nas asas da paixão. Se assim o pensou, melhor o fez. E ela, louca de amor por ele, concordou.
Foi num dia de Setembro, que, de mãos dadas, se passearam pelos jardins do “Trocadero”, mesmo junto à Torre Eiffel. As férias estavam no fim e João preparava-se para regressar ao trabalho. Para trás, ficavam as caminhadas nas margens Sena e as noites passadas na mansarda, naquele ninho de amantes. Ali, em momentos escaldantes e sôfregos, trocavam de alma, trocavam de corpo e trocavam de beijos ardentes. Antes, ao som do gira – discos, dançavam o tango, ao ritmo da voz temperada e envolvente de Carlos Gardel.

Numa tarde cinzenta de Outubro, João Pires foi confrontado com o destino. Um pé mal colocado, o desequilibrar de um andaime e o estatelar- se desamparado na calçada. Correram os companheiros, aflitos, em sua ajuda, mas João não dava sinal de vida. Rapidamente, foi levado para um hospital de Paris. Em coma, permaneceu vários dias. Até que acordou. Porém, o seu estado de saúde era grave e a sua recuperação muito lenta. Por vários meses, permaneceu internado. Mas, num dia de Abril, já recomposto mas ainda débil, João regressou ao estrondo da cidade. Porém, a rota dos seus pontos – cardeais, apenas lhe lembrava um destino: o bar de Nicole. Ainda meio trôpego e magro, João partiu na procura da sua amada. No estabelecimento entrou, mas não viu Nicole. Do lado de lá do balcão, em silêncio, Pierre, o dono do pequeno bar, olhava-o, num misto de surpresa e de compaixão. Então, João sentou-se e perguntou por ela. Pierre olhou-o, taciturno, e, de uma gaveta, retirou um pequeno envelope fechado, que, sem explicações entregou a João. Com um ar grave e as mãos trémulas, João abriu o envelope que continha um pequeno bilhete e leu:

João
Não estou certa que leias estas linhas. Nunca mais voltaste e desesperei de esperar por ti. É estranho que neste tempo que passámos juntos, nunca me ter preocupado em saber onde moravas ou o que fazias. De saber tão pouco de ti. Foi pecado meu. Restou-me esperar. Penso, agora, que tudo não passou de uma fugaz ilusão e que tu rumaste a outras paragens ou, talvez, a outra mansarda. Já não estou em Paris. Parti para Itália, com Ângelo. Apesar da diferença de idades, decidi viver com este italiano cortês, com quem me sinto segura e a tua ausência fez-me ter a certeza que tudo terminou entre nós. Deixei a minha casa e o café do Pierre, onde não tinha futuro. Tal como tu, que deixaste do teu país, também eu atravessei a fronteira, na procura de uma vida melhor. Gosto do Ângelo, mas apenas gosto, porque é amável e leal para comigo. Mas foi por ti que um dia me apaixonei e guardarei para sempre a recordação dos momentos felizes que contigo vivi.
Sempre tua
Nicole
Por minutos, João ficou de olhos fixos no chão, meditabundo. Pierre, varria o chão do bar, num mutismo comprometido. Então, levantou-se com dificuldade, apertou a mão a Jean Pierre e partiu.
Por Paris deambulou, até que a noite o cobriu com a sua capa de escuridão. Sentado num lugar isolado, nas margens do Sena, a carta amarfanhada entre os dedos, João escutava o rio, com um olhar ausente. No seu cérebro, em turbilhão, lembrava o rosto da bela Nicole. Também a penumbra da velha mansarda, os tangos dançados no auge da paixão e a voz inesquecível de Carlos Gardel. Com a cabeça entre as mãos, no zénite do desespero, deu um grito e atirou-se ao rio, que rapidamente o tragou e acolheu no seu ventre.

Depois, o silêncio. Apenas o lúgubre murmurar do Sena, em sentido pranto. Até a voz argentina de Gardel, de triste, emudeceu. João Pires acabara de dançar, em passada lenta e sofrida, o seu último tango em Paris.
Quito Pereira 


O ministro extraordinário

Quando um irresponsável é encarregado pelo governo, no âmbito do Memorando da Troika, de vender a pataco o que resta do sector empresarial do Estado, de fazer de conta que anda a renegociar as parcerias público-privado deixando continuar o sorvedouro, de estruturar a Banca (que continua a fechar a torneira do crédito às (pequenas e médias) empresas… Quando tem a obsessão
 de cortar nos salários (que são já dos mais baixos da União Europeia) para aumentar a competitividade das empresas, quando está provado que esse está longe de ser o factor mais importante para o conseguir, além de agravar a recessão da economia pela diminuição do poder de compra das famílias e a destruição do mercado interno… Quando consegue a crítica (quase) unânime da esquerda à direita, dos sindicatos às confederações patronais, da esmagadora maioria dos economistas…
E, no entanto, do alto da sua presunção, acha que os outros não passam de uma cambada de ignorantes, poderíamos pensar que a luminária não passa de uma anedota.
Acontece porém que a coisa é muito mais grave. O energúmeno, milionariamente pago pelos contribuintes, é conselheiro de Passos Coelho. É uma espécie de ministro extraordinário cuja doutrina económica ultra-liberal pode conduzir este país a um abismo sem retorno.