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quinta-feira, 20 de setembro de 2012



A (misteriosa) Jamanta

Porque estamos num barco, e porque ele tem o nome de um peixe seláceo, diremos já que aJamanta foi feita para navegar pela ria Formosa e confirmamos que existe (depois de uma campanha de marketing ter perguntado aos locais se a «criatura» seria mito ou realidade). E tanto assim é que no próximo domingo vai zarpar do cais da Porta Nova de Faro para um passeio incomum com música a bordo e festa ao entardecer, aberta a todos os que tenham a ousadia de conhecer o primeiro barco-bar do Algarve.




Por esta altura restam poucas dúvidas sobre o que é afinal a Jamanta. Esta embarcação com capacidade para 200 pessoas é mais do que um transporte de passageiros: está equipada com serviço de bar, mesa de DJ e um espaço de convívio e de dança. Não surpreende então que se diga que é perfeita para a realização de grandes eventos, de animação de congressos e de festas temáticas. Porque é.

O conceito de party boat – pequenas embarcações que oferecem festas a bordo – não é novo e está até em proliferação em diversos lugares do litoral espanhol. A novidade aqui é o facto de este ser o primeiro do género a operar no Algarve, resultado de um investimento de cerca de um milhão de euros da empresa Animaris, comparticipados pelos programas QREN e POP Algarve 21.

Mas nada melhor do que conhecer ao perto, com pés em cima do barco, a sensação de viajar pelos canais da ria Formosa num bar flutuante. O próximo evento sunset é já este domingo (dia 23) das 17h00 às 21h00, com embarque no cais da Porta Nova, junto à Doca de Recreio de Faro.

Antes de terminarmos, um pequeno esclarecimento: desengane-se quem pensa que o barco-bar apenas opera para festas. Desenhado com especiais preocupações ambientais, visíveis nos materiais escolhidos e nos sistemas de poupança de energia, ele é também um veículo de aposta no ecoturismo. Estará brevemente com passeios diários a partir do cais até à ilha Deserta, entre as 18h00 e as 22h00.

Agora com a curiosidade aguçada, urge descobrir ao vivo a Jamanta, «criatura» que colocará o Algarve no mapa da criatividade empresarial. Soltem-se as amarras.


Nota:
A entrada no evento “Jamanta Sunset” do dia 23 de setembro tem o preço de 15 euros (comprada até amanhã). Os bilhetes podem ainda ser adquiridos no barco (no dia, com preço a 20 euros), na Animaris (junto ao cais da Porta Nova), no restaurante 3Wonders e no Columbus Bar.


Vítor Gaspar – Uma questão de carácter


Segundo se diz, Vítor Gaspar era, aos trinta anos, uma estrela em ascensão (pena que tenha voltado à Terra!!!) e aos dezassete anos de idade já lera Marx. Se atendermos à vastidão e, sobretudo, à densidade da obra de Karl Marx, esse feito do “Gasparzinho” adolescente coloca-o ao nível dos quase génios. Praticamente ao nível de fenómenos como o de um garrafão de plástico que tenho aqui em casa e que, pasmem!, consegue “dizer” Água do Luso!!!
Agora, no estrangeiro e perante um dos seus patrões e ministro das finanças da Alemanha, Gaspar decidiu “dar graxa ao cágado” dizendo que as manifestações do passado dia 15 de Setembro que juntaram o número brutal de quase um milhão de vozes de protesto, «não foram de ruptura, foram de força de carácter».
Quase que acertou, o senhor ministro! Enganou-se na questão da ruptura, que é já uma evidência, acertou quanto ao carácter. Grande força de carácter dos portugueses... num “colossal” contraste com a total falta de carácter daqueles que (ainda) governam, ou melhor, desgovernam, roubam, destroem, desmoralizam, desrespeitam os portugueses todos os dias.
Para que não se diga que não faço mais nada do que dar caneladas ao homem... aqui fica um pista para melhor entender a sua forma de falar que, no limite, poderia ser confundida com uma qualquer estirpe de deficiência.
Adaptando uma piada que li algures (e lamentando não poder fazer justiça ao autor) direi que não!, que o senhor Vítor Gaspar não fala sempre assim, tão devagar... ele está é a fazer tradução simultânea do que lhe vai dizendo a Angela Merkel.

TODOS NA RUA CONTRA OS CARRASCOS E OS COVEIROS DE PORTUGAL




Mário Crespo – Provocador rasca



«Nós não seremos capazes de manter a dominação branca, que constitui um objectivo nacional, a não ser que o povoamento branco se efectue a um ritmo que acompanhe e ultrapasse, mesmo que ligeiramente, a produção de negros evoluídos».

«Passou mais um dia e a RTP custou mais um milhão de euros».

Estas duas frases, assim como as fotografias, estão separadas por muitos anos.

A primeira foi proferida durante a Guerra Colonial pelo fascista e criminoso de guerra Kaúlza de Arriaga, responsável (entre outros crimes) pelo tristemente famoso massacre deWiriamu… não se sabe se com a inspirada ajuda “literária” do seu ajudante de campo para as coisas da comunicação, o alferes Mário Crespo.

A segunda (uma mentira repetida até que se transforme em “verdade”), parte da campanha contra o Serviço Público de Rádio e Televisão, é a mais recente provocação saída da boca do mesmíssimo Mário Crespo (provavelmente inspirada pelo espírito de Kaúlza), quando encerra o “Jornal das 9” da SIC, estação televisiva que, curiosamente, é propriedade de outro empenhadíssimo adjunto de Kaúlza de Arriaga nos tempos de guerra, Francisco Balsemão.

«Uma colaboração para além da que seria devida às suas funções de ajudante de campo», diria mesmo o Secretário de Estado da Aeronáutica (o mesmo Kaúlza), quando ordenou o louvor de Balsemão... como podem ver e ler AQUI.

Da boca daquela sebosa e rasca imitação de jornalista já se espera tudo. Segundo os trabalhadores da RTP que, muito justamente, apresentaram queixa do miserável provocador, Crespo já terá esquecido os tempos em que ele próprio usufruiu largamente das “mordomias” que agora denuncia, nos tempos em que foi o incompetente – mas caro – correspondente da RTP em Washington. Dizem também – e digo eu! – que muito provavelmente o sabujo não está a fazer mais do que tentar garantir o seu lugar de futuro destacado lacaio na televisão “relvista” que por aí virá...

Faz todo o sentido!

Adenda: Dei-me ao incómodo de esperar pelo final do "Jornal das 9", para confirmar se a provocação prosseguia... mas o "valentaço" já não deve achar importante insistir na sua tão militante "denúncia".


Caiu-lhe a máscara, dra. Isabel Jonet?

«As pessoas passaram a achar que têm direito a todas as prestações sociais e dão-no como adquirido. E portanto muitas vezes - isso verificou-se nos últimos anos - preferem até ir para o subsídio de desemprego do que ter um emprego, ainda que ele seja menos bem pago. Porque sabem que vão ter essa prestação no final do mês: ou o rendimento social de inserção ou o subsídio de desemprego. Ora, isso veio trazer alguma perversidade neste tipo de fórmulas, que são fórmulas de emergência e que deviam ser reduzidas ao máximo. Mas sobretudo para fazer com que este montante que é afectado a estas prestações sociais não atingisse níveis incomportáveis e insustentáveis para o Estado. (...) [o Estado] mete-se demais em coisas em que não deve». (daentrevista da TSF e do Diário de Notícias a Isabel Jonet, presidente do Banco Alimentar contra a Fome).

Num momento em que há cada vez mais famílias a viver em situação dramática; em que a economia colapsa e o desemprego dispara; em que as iniquidades se aprofundam (num país que é o terceiro mais desigual da OCDE); e em que salários e prestações sociais (já de si dos mais baixos na Europa) sofrem cortes brutais, Isabel Jonet decide juntar-se à miséria moral e ao populismo demagógico que grassa em certos meios conservadores e que marcará, de forma inapagável, a governação da actual maioria PSD/PP.

O Banco Alimentar é uma instituição que, de um modo geral, os portugueses consideram. Muitas famílias beneficiam dos bens distribuídos, tornando possível minorar o sofrimento, a angústia e a falta de horizonte em que um número cada vez maior de pessoas se encontra. Dir-se-ia até que o Banco Alimentar conhece, como poucos, os contornos mais precisos que a carência económica assume em Portugal. E é por isso impensável que a presidente do Banco Alimentar desconheça que a taxa de risco de pobreza seria de 43% no nosso país, caso as transferências sociais não a restringissem a 18% (isto é, a menos de metade). Ou seja, se o Estado não «se metesse demais em coisas que não deve» - como defende Isabel Jonet - cerca de 4 em cada 10 portugueses encontravam-se em risco de pobreza (e não 2 em cada 10, como as estatísticas demonstram).

Não se tratando portanto de ignorância em relação à profunda crise social e económica que o país atravessa, nem em relação aos traços estruturais da pobreza em Portugal, as declarações da presidente do Banco Alimentar só podem ser interpretadas de duas formas: ou Isabel Jonet decidiu surfar, de forma obscena e repugnante, a onda de populismo e miséria moral que se instalou; ou a economista que preside ao Banco Alimentar está apenas a tratar da sua vidinha e dos seus negócios. Isto é, a mostrar sinais de interesse em contratualizar com o Estado uma qualquer parceria público-privada no «sector» da pobreza (que se encontra em vertiginosa expansão), criando simultaneamente condições que favoreçam (ainda mais) o aumento da «procura» (pela redução, «ao máximo», das tais «fórmulas de emergência»: RSI e Subsídio de Desemprego). E não é de excluir, obviamente, que estas duas interpretações se complementem.