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quarta-feira, 12 de setembro de 2012

The Beatles - Yesterday (official video)

Jesus Christ Superstar (1973) (11HQ) I Dont Know How To Love Him (((Ste...

Jesus Christ Superstar (1973) - Everything's Alright


Embaixador norte-americano na Líbia é morto em ataque a consulado

Protestos tiveram início em razão de um filme considerado ofensivo ao Islã












Agência EfeO Ministério do Interior da Líbia confirmou, nesta quarta-feira (12/09) a morte do embaixador dos Estados Unidos, J. Christopher Stevens, e de outros três funcionários norte-americanos após um ataque ao consulado de Benghazi, segunda maior cidade do país norte-africano. As informações são da agência de notícias France Presse. O presidente dos EUA, Barack Obama, confirmou a informação.

[Imagem distribuída pelo Departamento de Estado dos EUA de J. Christopher Stevens pela ocasião de sua morte]

"O embaixador e três funcionários morreram no ataque", afirmou o vice-ministro líbio do Interior, Wanis al Sharif. Em seguida, o vice-premiê da Líbia, Mustafá Abu Shagur, repetiu a informação em sua conta no microblog Twitter, e condenou o atentado. Stevens se encontrava em Benghazi para uma curta visita.

Segundo Sharif, os responsáveis pelo ataque seriam insurgentes fiéis ao regime do coronel Muamar Kadafi (1969-2011), deposto e assassinado no ano passado por forças de oposição apoiadas por tropas aéreas de potências ocidentais. Ele afirmou que os EUA deveriam ter tirado sua representação diplomática do país quando o filme foi divulgado.

“Eles erraram ao não tirar seu pessoal das redondezas, apesar de isso já ter sido feito na época da morte de Abu Yaha al Libi [um dos líderes da Al Qaeda, com cidadania líbia]. Era necessário que eles tomassem precauções, e é culpa deles por não terem adotadop as medidas necessárias” disse Sharif, em coletiva de imprensa.
O presidente da Alta Comissão de Segurança de Benghazi, Fawzi Wanis, afirmou que o embaixador norte-americano estava no consulado no momento do ataque..
Versões
Há duas versões conflitantes sobre a morte de Stevens.
De acordo com o site da rede Al Jazeera, manifestantes armados atacaram o consulado e lançaram foguetes contra o edifício na noite de terça-feira (11/09). Stevens teria morrido sufocado em razão da inalação de fumaça, causada pelo incêndio decorrente dos ataques, assim como outros dois de seus seguranças. Um terceiro funcionário, de nacionalidade desconhecida, também teria morrido durante o incidente. Outros dois funcionários teriam ficado feridos.
Já o jornal britânico Guardian, citando a agência Reuters, apresenta uma versão de que Stevens teria morrido em seu carro. Citando um oficial líbio, ele estaria se dirigindo para um local mais seguro quando o veículo foi atingido por um foguete.
A origem dos protestos
Os manifestantes protestavam contra a exibição do filme Innocents of Islam (Os inocentes do Islã), considerado ofensivo à religião. O filme foi dirigido por Sam Bacile, um empresário de dupla nacionalidade israelense-norte-americana que chegou a declarar que “o Islã é um câncer”.
A difusão do trailer na internet causou revoltas em diversos países do Oriente Médio. Um outro protesto ocorreu diante da embaixada norte-americana no Cairo, onde manifestantes trocaram a bandeira norte-americana pela egípcia.
EUA
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, confirmou a morte do embaixador e de três outros funcionários, segundo a agência Bloomberg. Em resposta ao ataque à embaixada, o chefe de Estado afirmou que o governo norte-americano repudia qualquer tipo de “degradação de crenças religiosas” (em crítica direta ao filme), mas se opõe à “violência sem sentido” que culminou na morte do embaixador norte-americano na Líbia.
Em seguida, em um pronunciamento a Casa Branca junto com a secretária de Estado Hillary Clinton, ele afirmou que os EUA trabalharão com o governo líbio "para levar à Justiça os assassinos que atacaram nossos diplomatas". "Que não haja lugar para dúvidas: a justiça será feita", acrescentou o presidente.
(*) com agências de notícias internacionais

Nova centelha

Manifestação por independência reúne mais de 20% da população catalã

Presidente da região se reunirá com Rajoy na próxima semana, quando pedirá mudanças no pacto fiscal









Agência Efe

A passeata desta terça-feira reuniu o equivalente a 20% da população da Catalunha, que quer maior autonomia em relação à Espanha

Mais de 1,5 milhão de pessoas participaram nesta terça-feira (11/09) de uma passeata em Barcelona em favor da independência da Catalunha. Os manifestantes responsabilizam a Espanha por levar a comunidade para dentro da crise devido ao sistema fiscal que consideram ser “injusto”.

O evento, classificado pela imprensa espanhola como “o maior dos últimos anos”, foi organizado pelo grupo ANC (Assembleia Nacional de Catalana) e durou mais de três horas. Como a população da Catalunha está estimada em pouco mais de sete milhões de pessoas, o movimento teria reunido mais de 20% dos catalães.

Agência Efe

O lema do movimento, organizado por um grupo em favor da independência, foi “Catalunha, um novo Estado para a Europa”

Apesar da polícia local ter estimado em 1,5 milhão o número de presentes, organizadores afirmam que mais de 2 milhões de pessoas estiveram na passeata. A Polícia Nacional, por sua vez, calculou que 600 mil manifestantes aderiram ao protesto. De acordo com o jornal El Mundo, a quantidade de pessoas surpreendeu até mesmo os organizadores da manifestação, que tiveram de mudar o local de concentração.
Ao final do movimento, cujo lema foi “Catalunha, um novo Estado para a Europa”, 15 membros da ANC entregaram um manifesto a Núria de Gispert, presidente do Parlamento da Catalunha.

Por ser realizada no mesmo dia da Diada (festa nacional catalã), a manifestação contou com a presença de diversas autoridades da comunidade da Catalunha, mas não com a do presidente da região, Artur Mas, que disse apoiar a passeata “em espírito”.

No dia 20 de setembro, Mas se reunirá com o presidente do governo espanhol, Mariano Rajoy, e pedirá uma revisão do atual pacto fiscal. Caso Rajoy não sinalize com a possibilidade de alterações, “o caminho para a independência estará aberto”, afirmou Mas nesta terça-feira.

A atual Constituição espanhola, que entrou em vigor em 1978, “reconhece o direito à autonomia das nacionalidades e regiões”, o que permite, por exemplo, o uso do catalão como língua oficial da comunidade. Ainda assim, o governo regional defende maior autonomia fiscal e o seu reconhecimento como nação.

Agência Efe

Medvedev defende libertação de integrantes da Banda Pussy RIOT


O primeiro-ministro da Rússia, Dmitry Medvedev, defendeu nesta quarta-feira (12/09) a libertação das três integrantes da banda punk Pussy Riot, detidas desde março. Em reunião do partido governista Rússia Unida, o líder russo argumentou que a pena de dois anos recebida pelas artistas era “contraproducente”

O primeiro-ministro russo disse que os quase 7 meses em que as três mulheres já passaram na prisão são suficientes








WikiCommons (12/04/2012)

Uma das integrantes da banda Pussy Riot posa para foto vestindo o símbolo do grupo, o gorro colorido

O primeiro-ministro da Rússia, Dmitry Medvedev, defendeu nesta quarta-feira (12/09) a libertação das três integrantes da banda punk Pussy Riot, detidas desde março. Em reunião do partido governista Rússia Unida, o líder russo argumentou que a pena de dois anos recebida pelas artistas era “contraproducente”.

“A punição que elas já sofreram sendo detidas por tempo bastante significativo é totalmente suficiente para fazê-las pensar sobre o que aconteceu, por causa de sua estupidez ou alguma outra razão”, disse ele segundo a agência russa Interfax.

Desde março deste ano, Maria Alyokhina, Nadezhda Tolokonnikova e Yekaterina Samutsevich estão presas por conta de um protesto que realizaram contra o presidente russo, Vladmir Putin, no altar da Catedral de Cristo Salvador, maior igreja ortodoxa do país. No dia 17 de agosto, as ativistas foram condenadas a dois anos de prisão por tribunal de primeira instância pelo crime de "vandalismo motivado por ódio religioso".
“O que elas fizeram, sua aparência, e a histeria que acompanhou todo o processo me dá náuseas”, afirmou Medvedev citado pelo jornal canadense Globe and Mail. Apesar disso, o premiê russo usou seus conhecimentos legais de advogado para dizer que a decisão judicial ainda pode ser suspensa na próxima instância judicial.

Relembre o caso:
Integrantes da banda Pussy Riot são condenadas a dois anos de prisão
A liberdade está sendo roubada na Rússia, diz Pussy Riot
Manifestações pelo mundo e autoridades pedem revisão de sentença das Pussy Riots


O apoio do premiê russo pode ser importante para os advogados de defesa da banda, que irão recorrer ao veredito no dia 1 de outubro deste ano. “Consideramos correto e apoiamos o  fato de ele (Medvedev) considerar contraproducente para as Pussy Riot permanecerem detidas por mais tempo”, afirmou Nikolai Polozov, um dos advogados das ativistas, à Interfax.

Prisão política

Centenas de pessoas na Rússia e em outros países do mundo protestaram contra a prisão das manifestantes russas, sustentando que foram perseguidas politicamente. "Seja qual for o desejo de Putin, ele consegue. Isso é a única coisa a ser dita", resumiu o marido de Tolokonnikova na saída do tribunal.

Para os ativistas críticos a Putin tanto na Rússia quanto no exterior, o julgamento das Pussy Riot foi mais um sinal de que o governo russo não tolera críticas nem dissidências. “Estamos pedindo às autoridades russas para tirar suas queixas de vandalismo e soltar imediatamente Maria, Ekaterina e Nadezhda”, disse Kate Allen, diretor da Anistia Internacional do Reino Unido.

WikiCommons (11/03/2008)

O primeiro-ministro russo, Dmitry Medvedev (esquerda), com o presidente russo, Vladimir Putin

Os advogados da banda acusaram a justiça de agir com parcialidade favorável a acusação e que o processo não passa de uma repressão política do regime de Putin.  No início do julgamento, Yekaterina mostrou preocupação com o atual quadro político russo: “estou considerando isso como o início de uma campanha autoritária e repressiva do governo que procura dificultar a atividade política e criar um sentimento de medo entre os ativistas políticos”.

Já em carta enviada nesta quinta-feira (17/08) ao público, Tolokonnikova afirmou que os críticos ao regime "Putinista" venceram, independentemente do veredito final. “Algo inacreditável está acontecendo na cena política da Rússia: uma pressão poderosa, insistente e exigente da sociedade frente às autoridades”, escreveu ela.

LOVEFIELD (Short Film by Mathieu Ratthe) - um clip surpreendente


Quando a nudez, mesmo comum, é algo de belo...


Fotos: © Matt Blum "The Nu Project". 
Textos de Petit Gabi adaptados pelo editor deste blog

Quando se pensa em fotografia de nus se imagina plasticidade, linhas perfeitas, corpos esculturais. Pois o fotógrafo americano Matt Blum, casado com a também fotógrafa Katy Kessler, inverteu esses fatores e com um conceito de valorização do belo natural começou em 2005, na cidade de Minneapolis, a série The Nu Project. O fotógrafo usa suas lentes para clicar mulheres em momentos cotidianos, sem poses forçadas, maquiagem, efeitos ou glamour. A ideia é mostrar o nu artístico de mulheres comuns. Para as câmeras de Blum qualquer mulher se sente bem em mostrar aquelas dobrinhas adoráveis, a celulite saltando aos olhos ou as pintas espalhadas em toda sua extensão. Tanto que ele consegue as modelos de forma aleatória, através de uma simples inscrição em seu site. Para se candidatar as mulheres precisam apenas ter mais de 21 anos e autorizar a publicação das fotos. Na sequência do post mais alguns exemplos do The Nu Project




Sem maquiagem, nem truques, ali, expostas, as mulheres se mostram prontas para mostrar toda sua beleza natural.


Sem distinção de raça, idade ou classe social, o fotógrafo faz o trabalho de forma gratuita e, quase sempre acompanhado da esposa, visita as modelos em seus países de origem. Fotografar no próprio ambiente familiar da modelo parece ser uma das técnicas de Blum para conseguir a desenvoltura das mulheres fotografadas.




O site já conta com três galerias entre cidades da América do Norte e América do Sul - entre elas, São Paulo - e Matt tem a pretensão de lançar um livro com suas fotografias. Interessadas em participar da série The Nu Project podem se inscrever no próprio site do fotógrafo. Mas lembrem-se: é necessário ter mais de 21 anos.






















Como bem define Petit Gabi, pseudônimo de Gabriela Silva, uma paraense que encontrou seu porto seguro em São Paulo onde é redatora publicitária e aspirante a escritora nas horas vagas: 

"Amar o próprio corpo não tem sido uma tarefa muito fácil atualmente. A cada dia que passa, a artificialidade tem sido mais valorizada, e o que vemos são mulheres de plástico, sambando orgulhosamente com seus silicones em nossa cara. Isso não é necessariamente uma crítica - cada um faz suas escolhas e se ter um corpinho esculpido à base de cirurgias plásticas é sinônimo de felicidade para alguém, não há o que dizer. Mas é fato que a beleza natural anda realmente desvalorizada. Não há como negar. Em tempos em que os padrões de beleza se tornaram tão artificiais, é sempre reconfortante saber que ainda existem pessoas que valorizam e enaltecem um corpo comum. Sim, com suas celulites e gordurinhas localizadas, uma bunda mais reta ou seios pequenos. Reconhecendo o potencial de beleza natural das mulheres." 

POST(S) Á BEIRA MAR

O mundo na visão de um autista...

Esse slide show é polêmico, mas lindo! Polêmico porque as fotos são creditadas a um fotógrafo identificado como Patrick Notley, que na verdade não existe. Aliás, ele existe, mas não é fotógrafo. Patrick Notley é na verdade um cidadão comum, mas autista, e resolveu montar essa clipagem de fotos que lhe impressionaram, e elas são verdadeiramente lindas. Na própria postagem original ele se identifica: "Meu nome é Patrick Notley. Eu sou autista e eu produzi este slide show para você. Por favor, envie-o em volta do Mundo. Deixe finalmente brilhar a beleza". Infelizmente, como muitas coisas na WEB, distorceram tudo e muitos passaram a anunciar Patrick como o autor das fotos, o que não é verdade. Isso, todavia, não tira o efeito do slide show, que é apresentado com a música "La Mer", de Claude Debussy. Um trabalho MAGNÍFICO  que vale a pena ver



Post(s) á beira mar

A quem ainda não decidiu


Nestes dias estamos todos confrontados com uma escolha: deixar esta loucura prosseguir, ou exigir um ponto final. Não pensem que é impossível. Quando um povo exige com determinação a saida de um governo, o governo parte mesmo. Este tem de ir. E isto tem de parar.

Se não sabe onde a paciência em excesso nos pode levar, olhe para a Grécia. Sim, era mesmo verdade, a troica está a exigir na Grécia que se volte à semana de seis dias e que os patrões possam exigir semanas de 78 horas. A reforma, no fim desta canseira, iria para os 67 anos. 
E que tal alugar parcelas do território? É que na Grécia também se fala seriamente de alugar ilhas por 50 anos a promotores imobiliários.
Tudo indica que o povo grego irá decidir que o seu governo tem de sair. Nós devemos fazer o mesmo enquanto pensamos no que deve vir depois. 

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Aqui que ninguém nos ouve
Acabei de ouvir Miguel Relvas dizer, com o seu já habitual ar de sabujo, que o apoio aos mais desfavorecidos é uma preocupação permanente deste Governo. Perante a impossibilidade de ser ouvido por esta gente, perante esta espécie de surdez desprovida de qualquer noção de civilidade no serviço prestado ao país, vou escrever como se eles não nos estivessem a ouvir.

Que país é este que aceita que um bando de filhos da puta confisque impunemente o resultado do trabalho de milhões de pessoas? Quão insensível é preciso um bando de filhos da puta ser para anunciar ao país uma redução do salário mínimo? Eu sei que muita gente sente já ter assistido a isto antes, mas este não é um bando de filhos da puta qualquer. É uma espécie refinada de filho da puta, tão perigosa pela sua ignorância quanto pela capacidade inesgotável de mandar um país inteiro para o caralho que o foda. Bem sei que é um bando de filhos da puta com maioria absoluta. Infelizmente, demasiados eleitores desconheciam, à data das eleições, que estavam a mandatar um bando de filhos da puta com tão especial vocação para foder o mexilhão. Quiseram acreditar que este não era um bando de filhos da puta. Infelizmente, jamais imaginaram que este viesse a tornar-se o maior bando de filhos da puta que o país já viu no poder, e a mais séria ameaça ao modo de vida de todos os que diplomaticamente têm aceitado a pior forma de governo, salvo todas as outras.

Está ali um bandalho dum funcionário descansado na televisão a dizer-me que as empresas são locais de cooperação entre patrões, empregados e a cona da mãe dele. Amigo: locais de cooperação o caralho que ta foda. Este pulha dum cabrão, que nunca trabalhou numa puta duma empresa na vida, assim como a maioria destes inefáveis cabrões, que eu podia alegar não terem outro nome, não fosse o facto de já os ter apresentado como filhos da puta, mas dizia eu, este filho da puta, bandalho e pulha dum cabrão, sobejamente merecedor de todos os insultos que me forem ocorrendo, diz-me que a empresa é um local de cooperação. As empresas, cabrão desumano, são locais onde as pessoas convivem de forma mais ou menos saudável com um modo de vida/ocupação de tempo que, de forma mais ou menos saudável, aceitam ao longo de parte das suas vidas. Então explica-me lá, ó javali cagado pela arca, em que é que uma empresa é um local de cooperação, e não uma desesperada forma de prisão, quando um bando de filhos da puta destrói qualquer possibilidade de as pessoas terem uma remota esperança de construir algo edificante a que possam chamar vida, esperar que esta subsista, se mantenha e evolua positivamente sem a ajuda, mas especialmente sem a constante sabotagem, de um bando de filhos da puta. Se o referido bando de filhos da puta nos estivesse a ouvir, ouvir-se-ia por esta altura um deles dizer, de forma inacreditavelmente ponderada, dotado da mais fina filha-da-putice - que este bando de filhos da puta confunde com elevação, humanidade, sentido de estado e afins – diria que eu, e vocês todos, passámos estes anos todos a viver acima das possibilidades.

Mas quais anos, meu filho da puta? E quais possibilidades? Trabalho que nem um cão há 6 anos, a tempo inteiro mais as horas todas que não me pagaram, e o número de reduções salariais que tive, impostas por este bando de filhos da puta, é já próximo do número de empregos que tive na minha ainda curta carreira. Comprei um carro em segunda mão, uma mota para poupar no que não podia gastar com o carro, e vou jantar fora e ao cinema. Comprei uns discos, uns livros, fiz meia dúzia de viagens baratas, comprei uns móveis do Ikea e, durante o processo, paguei uma renda e uma catrefada de impostos. Vá lá, tentei ser feliz sem pedir ajuda a ninguém nem ir preso. Aceitei o mais serenamente que pude as regras do jogo, isto é, trabalho, trabalho e trabalho para usufruir do resto e conservar, em doses iguais, a saúde mental e a ambição, a primeira das quais começa a desvanecer-se, como se lê. E, no final de uma semana de 60 horas de trabalho que aceitei de bom grado por considerar justa e saudável a "relação de cooperação" mantida com quem me paga, ligo a rádio e é-me anunciada, por um filho da puta de currículo construído a favores, é-me anunciada a ideia peregrina com que este bando de filhos da puta, sem critério nem humanidade, resolveu premiar um país inteiro, que na sua maioria vive em muito piores condições do que eu.

Reduzir o salário mínimo? Aumentar ainda mais a precariedade de quem trabalha a recibos verdes? Transferir uma soma obscena de dinheiro dos trabalhadores para as empresas num país com clivagens sociais e económicas absolutamente trágicas, numa esperança infundada de que isso promova emprego? Isto já não cabe na cabeça de ninguém, e há um bom motivo para existir hoje uma impensável maioria que vai de António Nogueira Leite a Bagão Félix, passando pelos 4 sem abrigo que contei de casa até ao trabalho, mais as lojas falidas. Não é simbolismo nem retórica nem injustiça poética: isto é a vida, conforme ditada por um bando de filhos da puta, a abater-se sobre um país inteiro, dia após dia, cêntimo após cêntimo, impossibilidade após impossibilidade. Haverá um pingo de decência nestas cabeças? Milhões de vozes manifestam em uníssono a vontade literal de esganar estes filhos da puta, ao mesmo tempo que consideram, infelizes, a hipótese de fugir do seu próprio país, e estes filhos da puta aparentam não sentir nada. Foda-se, reduzir o salário mínimo. Há gente que merece o pior de nós. E é assustador que aí se inclua o Governo do meu país.


publicado por Vasco Mendonça
SINUSITE CRÓNICA

Experimentalismo e fascismo económico – As cobaias podem revoltar-se...


Um leitor/comentador do post anterior, pôs o dedo numa ferida interessante, dando a sua opinião sobre a motivação de muitos dos que agora se insurgem contra as medidas de Passos Coelho. É uma bela questão!
Na verdade, gostaria muito de saber quantos destes novos “indignados” com a monstruosidade, falta de sensibilidade social, falta de conhecimentos e preparação, ataque brutal aos trabalhadores, etc., etc., várias das classificações que encontram para esta inegável selvajaria do governo de fanáticos do PSD/CDS, quantos desses, como dizia, gesticulam agora contra o governo por uma qualquer e real convicção social ou sentido de justiça, ou se o fazem apenas por simples cobardia, para de distanciarem dos “culpados”, caso este evidente excesso dos canalhas que detêm o poder, gere reacções mais duras da parte dos explorados e roubados.
Esta espécie de experimentalismo económico neoliberal, que ignora em absoluto quaisquer consequências que as suas experiências tenham na vida das “cobaias”, não pode deixar de lembrar as experiências “a bem da ciência” que o monstro nazi Josef Mengele fazia com os prisioneiros dos campos de concentração. A natureza abjecta e criminosa deste tipo de “política experimental” é de tal maneira odiosa, que não admira que os mais cobardes de entre eles queiram juntar-se ao imenso coro de protestos para, numa possível hora de aflição, poderem lembrar: nós também fomos contra!
Apostam, no fundo, na nossa atávica falta de memória, que mais uma vez deixaria de fora e impunes, os responsáveis pelo conjunto de políticas que nos trouxeram até este pântano fétido e, ao longo de décadas, criaram os “Passos”, os “Gaspares”, os “Borges”, os “Relvas” deste mundo.
Entretanto, Passos Coelho, no papel de “amigo” e assinando apenas como “Pedro”, vendo que o seu “desgosto” via facebook, em vez de lhe granjear simpatias, acicatou ainda mais a ira e o nojo que já provoca a largos milhões de portugueses, decidiu encomendar uma “genial solução” para o problema: uma espécie de manual de “língua de pau”, em que se alinham as respostas com que os funcionários devem contornar as perguntas inconvenientes de jornalistas e cidadãos em geral. Mais uma vez, o governo aposta em tomar todo o país por um bando de débeis mentais.
Numa nota final, referir que no meio de tantas dúvidas sobre quanto se perde, quem mais perde, ou o que se ganha com estas medidas; sobre tantas dúvidas sobre se um único posto de trabalho vai ser criado com esta desavergonhada falácia... pelo menos já se sabe quem vai ganhar milhões numa espécie de “jackpot” inesperado e sem obrigações:
As grandes empresas, que terão por esta via um “presente” de muitos milhões, com a SONAE do mega-merceeiro Belmiro de Azevedo e o seu “Continente” à cabeça, esfregando as mãos perante os cerca de 20 milhões de euros de “prémio”.

Welcome To The Machine - Pink Floyd