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segunda-feira, 3 de setembro de 2012


Cavaleiro Marcelo Mendes vai avançar com queixa contra manifestantes anti-touradas da Torreira

O cavaleiro tauromáquico Marcelo Mendes vai apresentar uma queixa às autoridades por alegadamente ter sido alvo de “ofensas” e “apedrejado” por manifestantes que, no domingo, protestavam contra a realização de uma tourada na praia da Torreira (Aveiro).
“Estava a aquecer os cavalos e fui insultado, o que é já normal. Entretanto, começou a corrida e, antes de tourear, fui novamente aquecer os cavalos e foi quando os insultos aumentaram e atiraram pedras ao cavalo”, relatou hoje o toureiro à Agência Lusa.
A certa altura, “o cavalo começou a entrar em stress com o barulho e a andar para trás e, por pouco, batia nos manifestantes que estavam bastante perto da praça, coisa que eu consegui evitar”, sublinhou.
Marcelo Mendes alega que, passados alguns minutos, um dos manifestantes o ofendeu, dirigindo-lhe palavrões, e lhe disse que “deveria espetar ferros nas costas da mãe”.
O mesmo indivíduo, argumentou, terá ainda manifestado votos de que o cavaleiro ficasse “paralítico”, numa alusão, segundo o toureiro, ao caso do forcado do Aposento da Moita recentemente colhido no Campo Pequeno.
“Aquilo caiu tão mal, eu fixei a cara do tipo e arranquei atrás dele para o agarrar, para quando chegasse a polícia para o identificar”, assegurou.
Marcelo Mendes indicou ainda que não conseguiu “agarrar” o manifestante e que se desviou “ao máximo” dos restantes manifestantes: “Nunca tive intenção de magoar ninguém”.
Marcelo Mendes acusou ainda os manifestantes de provocarem danos materiais nas viaturas do seu “staff” e revelou que vai apresentar uma queixa, junto das autoridades competentes, contra os manifestantes.
Por sua vez, a associação Animal anunciou ter apresentado uma queixa na GNR da Murtosa (Aveiro) contra o cavaleiro Marcelo Mendes, por alegadamente ter abalroado manifestantes que protestavam contra a realização da tourada.
Numa nota publicada na rede social Facebook, a associação diz que, quando exerciam o seu direito constitucional à manifestação, sentados com os seus cartazes, cerca de 40 manifestantes "foram literalmente abalroados” por Marcelo Mendes, que se encontrava a cavalo.
"Foram momentos de pânico, em que as pessoas tiveram que fugir para não serem feridas pelo animal que era conduzido para cima delas", descreve a associação, acrescentando, contudo, que "não houve nenhum dano físico de maior".
Na mesma nota, a Animal diz que tudo fará para esta situação não ser esquecida, lembrando que, já em 2002, o cavaleiro tauromáquico Luís Rouxinol "teve uma atitude semelhante, tendo magoado gravemente alguns ativistas".
O cartel da tourada, que se realizou numa praça de touros improvisada junto ao parque de campismo, foi composto pelos cavaleiros Joaquim Bastinhas, Brito Paes e Marcelo Mendes, estando as pegas a cargo dos forcados Amadores de Cascais e de Coimbra.

Cavaleiro Marcelo Mendes vai avançar com queixa contra manifestantes anti-touradas da Torreira | iOnline


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Amigos para Siempre


MINISTRO PAULO PORTAS SUSPEITO NO CASO DOS SUBMARINOS




Justiça
MP coloca Portas como suspeito no caso dos submarinos

Económico
03/09/12

Carta rogatória é clara: investigação associa depósito de um milhão de euros na conta do CDS, em 2005, ao negócio dos navios.

O 'Diário de Notícias' titula hoje que o Ministério Público "insinua que Portas é suspeito no caso dos submarinos" e que num documento oficial enviado às autoridades inglesas a pedir acesso às movimentações de uma conta bancária, o actual ministro dos Negócios Estrangeiros [na altura ministro da Defesa] é apontado como alvo de investigação.

Em duas cartas rogatórias enviadas em 2011 pelo Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) para a Suiça e para a Inglaterra são levantadas suspeitas sobre pagamentos de subornos.

Na carta que foi enviada para Inglaterra o DCIAP relaciona um depósito de um milhão de euros numa conta do CDS, em 2005, à decisão de Paulo Portas, tomada um ano antes como ministro da Defesa, de adjudicar o negócios dos submarinos à MAN Ferrostaal.

De acordo com o jornal, o Ministério Público investigava então dois movimentos: o pagamento de 30 milhões à Escom, empresa do grupo Espírito Santo que assessorou os alemães, e uma segunda relativa ao pagamento de 1,7 milhões a Rogério d'Oliveira, ex-consultor da empresa que vendeu os submarinos.

"Resultam suspeitas que parte do dinheiro pago ao GSC [German Submarine Consortium] à Escom tenha sido utilizado para pagamentos indevidos e como contrapartidas a decisores políticos e a grupos políticos envolvidos nas negociações", pode ler-se num dos documentos, citado pelo jornal.

"Foram recolhidos elementos que indiciam a existência de uma relação entre aqueles depósitos e a outorga pelo ministro da Defesa Paulo Portas dos contratos de submarinos e contrapartidas", escreve o DCIAP em 2011 ao Serioues Fraud Offica (SFO), no Reino Unido.



Submarinos: conversa de Portas escutada
Juiz Carlos Alexandre considerou relevante o conteúdo de duas conversas entre o então líder do CDS e um camarada de partido

Por: Redacção 31- 8- 2012

Em Outubro de 2009, Paulo Portas, atual ministro dos Negócios Estrangeiros, foi apanhado numa escuta no âmbito do processo dos submarinos. Vieram agora à tona duas dessas escutas que o juiz Carlos Alexandre considerou relevantes.

Segundo o «DN», o juiz mandou transcrever um telefonema e uma SMS, nas quais Portas, em conversa com o camarada de partido, Pedro Brandão Rodrigues, quadro da Portugal Telecom, pede para falarem sobre o os submarinos no café. Portas já havia dito à secretária de Brandão Rodrigues que só falava com ele por telefone fixo. Na mensagem, Paulo Portas aconselha Brandão Rodrigues a mudar de número de telemóvel.

Os telefones fixo e móvel de Brandão Rodrigues estavam sob escuta.
As escutas constam do processo ao advogado Bernardo Ayala, que foi recentemente arquivado e que o diário consultou.

Deste processo que corre no Ministério Público foram ainda enviadas cartas rogatórias para três países, com o intuito de descobrir o rasto a contas bancárias.

O «DN» tentou uma reação do ministro Paulo Portas, mas tal não foi possível.

Olha mãe, apareci na televisão…
Jorge Sanches da Cruz *




Chegou o verão e as televisões apostam naquele género de programas realizados numa terra mais ou menos conhecida, onde dois apresentadores daqueles muito populares fazem entrevistas a restaurantes locais que apresentam o seus pratos, a artesãos que mostram os seus trabalhos, a poetas populares que recitam umas quadras, a alguns “artistas” locais que cantam qualquer coisita e, claro, ao inevitável ego em pessoa do presidente da câmara, do presidente da junta ou de algum vereador mais finório que consegue ludibriar o seu presidente e roubar-lhe algum do protagonismo. Tudo devidamente emoldurado por música pimba com fartura. É um dia de festa na terra, e os figurantes do costume passam por trás das câmaras e fazer adeus e a bater palmas às piadas dos apresentadores, normalmente muito engraçados e carregados de piada. Por vezes o humor roça o indelicado, quando fazem disfarçada troça de algumas das pessoas, humildes, que lhes são absolutamente necessárias para encher, de borla, as horas infindáveis do programa. Umas apresentadoras estagiárias fazem umas perguntas de circunstância sobre vulgaridades, e lá se passa um dia inteiro de serviço público televisivo. Faz também parte do “formato”, a introdução de uma ou outra rubrica cultural, com um historiador ou sábio local, que desinteressadamente vai tentar dar o seu contributo e pôr o seu conhecimento ao serviço do programa. Serve de alguma coisa? De nada. Normalmente ninguém o ouve nem o próprio apresentador que indisfarçadamente olha por cima da sua cabeça enquanto recebe instruções sobre a perda de audiências que o discurso está a causar e que é preciso introduzir rapidamente uma música pimba com umas moçoilas a mostrar as pernas para agarrar a audiência. E lá se interrompe apressadamente a única pessoa que está a dizer alguma coisa de interessante sobre a terriola em causa. Aliás, os apresentadores e toda a produção revelam-se de uma vulgaridade e de uma falta de profissionalismo compatível com a qualidade geral do programa. Confundem tudo o que lhes é dito e demonstram à saciedade a falta de aptidão para fazer um trabalho que devia demonstrar algum respeito pelos sítios que alegremente os recebem com honras que eles demonstram não merecer. Mostram não ter preparado convenientemente o trabalho, trocando nomes e referências, evidenciando que estar em Óbidos ou em Silves, para eles, é a mesmíssima coisa.

Há quem ache que, para as localidades bafejadas pela sorte de aparecerem neste tipo de programas, é uma optima oportunidade para a “divulgação” dos sítios, da sua cultura popular e das suas potencialidades. No fundo, que é uma forma de “promoção turística”. Sim, porque todos os autarcas ambicionam ser um destino turístico, vá-se lá saber porquê. Para além disso, o ego em pessoa dos políticos locais acha que aquele é o melhor meio de divulgar publicamente a “sua obra” e as modernidades da sua terra. Durante um dia inteiro, fala-se do seu concelho por todo o País. No fim do dia, ufanos, passeiam-se pelas principais ruas da terra, ou vão a um sítio onde possam ser vistos por muita gente, com o peito cheio do dever cumprido, e recebem parabéns daqueles que normalmente têm por função parabentear, alto e bom som, em público, os queridos líderes. No dia seguinte as redes sociais enchem-se de elogios e de fotografias do acontecimento, onde mais uma vez os felizes autarcas testam a sua popularidade.

Por todos estes factos, também há quem não reconheça a menor importância a este tipo de show, antes pelo contrário. De facto, este formato televisivo estival, da forma como é feito, e sobretudo porque é dirigido a uma franja muito específica de espectadores, pode ter um efeito precisamente contrário ao que erradamente lhe é atribuído. Porque se trata de um produto que generaliza as terras e as trata de forma igual, com a mesma fórmula pobre e popularucha, acaba por vulgarizar o que muitas das vezes merecia uma divulgação séria, que tratasse com seriedade a genuinidade e a singularidade dos sítios. Aquele involucro igualitário, que mistura algumas formas de cultura popular com música sem qualidade, pode ser desastroso para a imagem dos sítios. Vulgariza-os de tal forma que os desguarnece de tudo o que têm de genuíno e de singular. Para além do mais, a faixa de publico que consome este tipo de programas não é necessariamente um público compatível com o “turismo” e com a “cultura”. Quanto muito são mais do tipo de pessoas que vão passear em excursão, e que levam a geleira e o garrafão ás costas. Sem tirar o direito a que cada um faça o tipo de “turismo” que entende, e de acordo com as suas possibilidades, não devemos confundir excursionismo com turismo. Por definição, um turista é uma pessoa que pernoita pelo menos uma noite num sítio, e que assim usa e consome em alojamento, restaurante e ainda em algum produto artesanal local. É esse turista, não predador e interessado no que cada sítio tem de autêntico, que interessa cativar, e a quem têm de se destinar todas as acções de promoção, e não ao excursionista que aparece sempre, mesmo sem ser convidado. O excursionista é aquele visitante que passa ao lado da porta dos restaurantes e do comércio e que não gasta um tostão, mas que se for preciso entra para ir à casa de banho gastar água e papel higiénico. Mas então por que razão se insiste em querer “divulgar” um produto ao público errado, correndo mesmo o risco de afastar o público alvo a quem se deviam dirigir todos os esforços? Apenas por uma razão: necessidade de protagonismo pessoal dos intervenientes, em especial os autarcas e dirigentes locais e ainda muitas das vezes das próprias entidades ligadas à promoção turística, ou seja, aqueles que deviam perceber do assunto. É verdadeiramente incompreensível.

É cada vez mais evidente e consensual que, no que diz respeito á promoção e divulgação de locais com potencial turístico, que cada sítio é um sítio, com as suas especificidades e singularidades, que devem ser criteriosamente defendidas e valorizadas com trabalho sério e responsável e que não podem ser enfiados no mesmo saco onde se enfiam indiscriminadamente praias, serra, campo ou cidades. A forma higiénica de defender os interesses de sítios que têm alguma aspiração a terem actividade turística de qualidade é banir este tipo de programas que só têm um efeito negativo na promoção e divulgação das qualidades históricas, patrimoniais e paisagísticas dos sítios. Isto de saber promover os sítios é um assunto sério que tem de ser feito por quem sabe e não por quem gosta de ser visto. Olha mãe, apareci na televisão…

Arquitecto
Jorge Sanches da Cruz *

DE OUTROS

Desta vez a Candidinha Almeida tem de se demitir

A Candidinha voltou a fazer das suas. Disse que em Portugal "os políticos não são corruptos." O problema é que há muitos operadores na Justiça a dizer que os políticos corruptos não são apanhados nem condenados em Portugal por causa da confusão que existe no Departamento Central e de Investigação e Acção Penal, o órgão do Ministério Público que a procuradora geral adjunta Cândida Almeida dirige desde 2001, especializado no combate à criminalidade mais complexa e precisamente à corrupção. 
Em Julho passado, os juízes do Tribunal do Barreiro que julgaram o caso Freeport em relação a Charles Smith e Manuel Pedro  mandaram extrair uma certidão para que o DCIAP voltasse a investigar o caso no que se refere a José Sócrates e outros políticos envolvidos. Na verdade, passaram um atestado de incompetência ao DCIAP de Cândida Almeida. Esta ficou muito revoltada com a decisão do colectivo do Barreiro mas não teve outro remédio senão voltar a pegar no caso. 
Os juízes do Barreiro lá saberão porque tomaram esta decisão. Conhecerão certamente, entre outros factos, que os procuradores encarregados do Freeport, Vitor Magalhães e Paes de Faria queriam acusar Sócrates e revelaram numa reunião em Haia, na Holanda, com as autoridades inglesas ter "falta de confiança na hierarquia" do Ministério Público, ou seja, na directora do DCIAP Cândida Almeida, tal como noticiou o Diário de Notícias em 2010.     
Os juízes do Barreiro também saberão o que foi publicado na comunicação social sobre um alegado entendimento entre Cândida Almeida e os procuradores  Vitor Magalhães e Paes de Faria para que não tendo Sócrates sido envolvido no Feeport pelo menos fizessem parte do processo 27 perguntas que nunca foram... respondidas pelo então primeiro-ministro. O que ilustra bem o carácter esquizofrénico do processo. O penalista Germano Marques da Silva chamou-lhe "uma grande trapalhada", considerando "desastrosa" a forma como o caso foi conduzido.           
Em Setembro de 2010, o Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, então dirigido por João Palma, aprovou uma moção por unanimidade  em que pedia ao PGR Pinto Monteiro "uma rigorosa avaliação da direcção, organização, funcionamento e desempenho" do DCIAP. Na mesma moção os sindicalistas exprimiram preocupações sobre a "manutenção do critério da confiança pessoal" no recrutamento para dirigir o DIAP, situação "susceptível de condicionar a actuação" dos restantes  procuradores do departamento. Foi uma alusão do SMMP ao facto de Cândida Almeida exercer o cargo desde 2011, primeiro nomeada por Souto Moura e depois confirmada no cargo por Pinto Monteiro. A última vez em Janeiro de 2010, para uma comissão de mais três anos. Refira-se que o actual PGR é amigo de longa data de Cândida de Almeida, tendo ambos trabalhado no Tribunal de Grândola, a seguir ao 25 de Abril. Foi Pinto Monteiro, como conta a directora do DIAP, quem lhe apresentou o futuro marido Rodrigues Maximiano.     
Em 2008, o ex- director nacional da Polícia Judiciária (PJ), Alípio Ribeiro lançou mais uma bomba contra a directora do DCIAP . Considerou urgente "uma nova dinâmica" no órgão para que sejam "alcançadas respostas adequadas e socialmente perceptíveis". Acrescentou que há uma realidade "para a qual não há resposta [do MP], talvez não tanto pela falta de meios, mas pela falta de propósitos".  
Paulo Gaião
Blog 'É Preciso Ter Topete'/Expresso


As “universidades de verão”... e uma escola de vida



Numa tentativa (vã) de acrescentar algum valor à pobreza, previsibilidade e mediocridade dos seus discursos políticos, os partidos do autoproclamado “arco da governabilidade” inventaram as pomposas “universidades de verão”.
É um sucesso mediático! Uns tantos, muito poucos, passe a contradição, encafuam-se numas salas e os “professores” lá vão desfilando, debitando as suas generalidades. O PSD tem a sua. O PS também tem a sua. Para dar um ar de superior elevação intelectual à coisa, “professores” de um lado, vão botar discurso à “universidade” do outro lado. Fica sempre bem...
Infelizmente, aquilo que seria um trunfo, ou seja, a grande cobertura mediática que contratam nos diversos meios de comunicação social, acaba por se virar contra eles, dada a profunda inutilidade, vigarice e chatice que tudo aquilo é... mesmo que aqui ou ali sejam introduzidos assuntos hilariantes, como esta imbecilidade, apresentada por um comprovado imbecil, que são os «mini-jobs». Isto para já não falar do problema que é juntar numa mesma frase, nos dias que correm, as palavras“universidade” e “Relvas”...
Atendendo à velocidade a que estas modas se vulgarizam, tal como as velhas “camisas TV” e as “saias plissadas” dos anos 60, qualquer dia não há quem não tenha a sua “universidade de verão”. Quando a falta de interesse nesta moda começar a fazer abrandar a procura, temo que a tendência seja para aumentar a oferta do "produto"... não faltando muito para que tenhamos “universidades” nas quatro estações, na meia-estação, acabando por haver algumas de manhã, à tarde, à noite... e até ao “lusco-fusco”, aproveitando esse grande nicho de mercado há tempos divulgado pelos “Gato Fedorento”.
Felizmente, alguns dos meus amigos mais antigos não precisam de universidades para a “rentrée”, nem para nada... pois há muito “fundaram” com o seu suor e criatividade (para algum desespero dos demais) essa grande, extraordinária e inimitável“coisa de fim de verão” em que pensam durante o ano inteiro... que é a “Festa do Avante!”
Faço votos de que continuem assim!

DA VACA AO PÃO - VENDENDO TUDO, FICANDO SEM NADA !

A Aposta


Freguesia da Ponta do Pargo, Calheta

Vocês sabem o que é a felicidade? Anda muita gente à procura dela, mas nem toda a gente a encontra. No entanto conhecia-se no Porto do Moniz um casal - a Tia Narcisa e o Tio Norteiro - que chegaram à muita idade sem terem tido uma zanga, por pequena que fosse. Era o casal mais feliz e amigo de toda a ilha. De toda a ilha? Ora, de todo o mundo!

Felizes eram, mas também pobres, muito pobres. E foi preciso tomar uma decisão importante para resolver o problema da pobreza. Foi preciso mesmo vender a vaquinha que eles tinham alimentado durante muito tempo. E lá foi o Tio Norteiro para os lados da Ponta do Pargo procurar comprador.

Ali chegado, um pargueiro, armado em engraçado, virou-se para o Tio Norteiro e perguntou-lhe:
- Quer trocar essa vaca por uma cabra?
E o Tio Norteiro:
- Ora, então não hei-de trocar?

E fez-se a troca, mais adiante apareceu um pastor que lhe trocou a cabra por uma ovelha. E não tardou que aceitasse trocar a ovelha por um galo. Depois, apertando-lhe a fome, vendeu um galo e comprou um pão. Regressou então a casa. Estava já o Tio Norteiro perto de casa e encontrou um vizinho que lhe perguntou:
- Então, ti Norteiro, fez bom negócio?
- Deixa-me lá, não trago um pataco furado!
E contou o que se passara. Logo o vizinho comentou:
- Ai, a ti Narcisa vai dar-lhe uma malha!
- Uma malha?! - Admirou-se o ti Norteiro.
- Com tanta asneira que fez, aposto o dinheiro da vaca em como a Tia Narcisa se vai zangar a valer!
- Bem, não sei. Como insistes, aceito a aposta, anda daí.

E à chegada a casa, o vizinho assistiu à cena:
- Então, sempre vendeste a vaca? -  perguntou a Ti Narcisa.
- Troquei-a por uma cabra.
- Foi o melhor que fizeste. Dá leite e não dá tanto trabalho.
- Mas troquei a cabra por uma ovelha.
- Ainda melhor, pois dá leite e lã!
- Olha troquei-a depois por um galo.
- Pronto, já temos com que acordar para a missa de domingo!
- Mulher, mas deu-me a fome, vendi-o e comprei um pão para comer.
- Fizeste muito bem! Não ias ficar com fome e com um galo na mão!
E o vizinho, admiradíssimo com a bondade da Ti Narcisa, de bom grado pagou a promessa e andou a contar a história a toda a gente!

em "Contos Populares das Ilhas da Madeira e do Porto Santo", José Viale Moutinho, editora Nova Delphi


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