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domingo, 26 de agosto de 2012

Léo Ferré - La solitude (Live)


A RTP e a economia portuguesa

Não é por obra do acaso que Portugal tem lugar no pódio europeu das assimetrias sociais e a burguesia mais lúmpen e rentista do velho continente.
De forma genérica a economia portuguesa tem duas grandes características, é uma enorme fábrica de pobres, precários e desempregados e um excelente biótopo de grandes negócios.
Mas vamos por partes na análise. Os últimos governos pouco se têm distinguido nas estratégias económicas estruturais, o favorecimento aos setores monopolistas tem vindo aliado a uma crescente deslaboralização do trabalho, colocando-lhe o ónus da competitividade. Favorecem-se os donos de Portugal, entregando-lhes os sectores estratégicos da economia nacional, geralmente isentos de risco, necessidade de investimentos arrojados e concorrência, concomitantemente reduzem-se os custos do trabalho, os direitos laborais e sociais e as obrigações do Estado no campo dos serviços públicos.
Não é por obra do acaso que Portugal tem lugar no pódio europeu das assimetrias sociais e a burguesia mais lúmpen e rentista do velho continente. Se os grupos Sonae, Mello, Jerónimo Martins e Amorim projetam os seus proprietários para as listagens da Forbes, não foi de longe pela sua capacidade visionária ou pela mais-valia gerada através dos inovadores bens transacionáveis que produzem. Caso contrário, não seriam recetáculos de monopólios estatais privatizados, promotores de subemprego e os mais beneficiados com as sucessivas reformas do código do trabalho e com a impunidade fiscal. Os sucessivos governos de geometria variável ao centro têm sido os seus melhores procuradores, é preciso reconhecê-lo, era complicado demonstrar mais dedicação de classe.      
Mas o que tem tudo isto a ver com a RTP?
Tudo. A privatização deste canal público é ilustrativa do funcionamento dos grandes negócios em Portugal. Tudo aponta para que a rifa da lotaria certa vá sair ao novo parceiro de eleição: o capital angolano. Mas, independentemente do comprador é já certo que usufruirá de todos os benefícios e garantias de sempre, foi isso que António Borges fez questão de frisar na sua entrevista à TVI.
Vejamos, o governo pretende concessionar o canal público por um período entre 15 a 20 anos, abdica de qualquer encaixe financeiro e ainda lhe entrega a taxa de televisão – que todos nós pagamos mensalmente através da fatura de eletricidade – estimada em 140 milhões de euros ano.  O consultor justifica a proposta por ela ser “uma hipótese muito atraente” e por permitir melhores condições de gestão da empresa. Borges tem razão, a proposta é olimpicamente atraente: a transferência de posse é gratuita, o adquirente recebe um imposto por inteiro e a garantia de lucros certos. É o sonho húmido de qualquer empresário.
Ao mesmo tempo encerra a RTP2, acabando com cultura e a diversificação informativa e programática em canal aberto, Portugal passa a ser o único país europeu sem um serviço público de televisão, mas podemos ficar descansados, provavelmente continuaremos a ter direito ao “Preço Certo em Euros”.
A economia pode estar em coma, o desemprego galopante, a precariedade como norma no mercado de trabalho, o saldo migratório próximo da realidade dos anos sessenta, mas o país continua a ser um éden para negociatas.

Assassinato racista na Grécia reflete crescente influência neonazi




240812 fascistas gregos2Grécia - WSWS - [Christoph Dreier, tradução do Diário Liberdade] Domingo 12 de agosto, bem cedo à manhã, cinco figuras vestidas de preto guiaram quatro motocicletas através da Praça Omonia, no centro da Atenas, à caça de imigrantes.

Ao toparem com um iraquiano de 19 anos bateram-lhe com punhos e pedras e esfaquearam-no várias vezes. O moço morreu no mesmo dia num hospital.
Este assassinato racista é o brutal resultado duma sistemática caça ao imigrante que o Estado levou a cabo nas passadas semanas. A gangue de motoristas já atacara no mesmo distrito um romeno e um marroquino sem a polícia a molestar. No entanto, as primeiras duas vítimas conseguiram pôr-se a salvo a tempo.

Este assassinato na Atenas faz parte duma onda de violência racista na Grécia. Sábado um grupo de paquistaneses foi atacado violentamente em Iráclio, na ilha de Creta. Diversas lojas de imigrantes foram atacadas repetidamente na cidade portuária do Pireu. Bombas de fumo foram atiradas contra uma loja que serve como mesquita.

Quinhentos imigrantes deram entrada no hospital devido a ataques racistas durante a primeira metade do 2012. De acordo com informações do diário Ta Nea, que se baseiam nos dados de organizações não governamentais, esta cifra já logo duplica o total de vítimas de ataques similares durante o mesmo período do ano passado.

Estes ataques são o resultado direto duma política do governo apoiada pela UE. Uma semana antes do assassinato, 4500 polícias participaram numa operação de caça ao imigrante. Detiveram 6700 pessoas que pareciam estrangeiras e internaram 1555 em campos especiais, onde esperam pela deportação. Centenas deles já foram deportados.

O ministro da Ordem Pública, Nikos Dendias, do partido conservador Nova Democracia, recorreu, para justificar esta caça ao homem, a uma comparação entre os imigrantes e os "ocupantes" que protagonizaram "a maior invasão que a Grécia já experimentou". O ministro encorajou com estes comentários tão repugnantes os ataques contra imigrantes e colocou os perpetradores de ataques fascistas contra eles em pé de igualdade com os lutadores da resistência contra a ocupação nazi durante a II Guerra Mundial.

Ao longo dos últimos anos, o partido fascista Chryssí Avguí (Amanhecer Dourado), que tem um papel importante nos ataques contra imigrantes, foi sendo fortalecido pelos sucessivos governos gregos. Em 2004, Ta Nea já informara das estreitas ligações entre os fascistas e o aparelho do Estado.

O partido fascista atua mão a mão com a polícia. Durante manifestações de grupos de esquerda e anarquistas, polícias entregaram bastões e rádios aos fascistas por forma a eles incitarem a violência. Demais, a polícia permitiu que membros de Amanhecer Dourado levassem armas.
Antonios Androutsopoulos, membro de Amanhecer Dourado, matou um estudante de esquerda em 1998, mas evitou o arresto durante sete anos, muito provavelmente com a ajuda da própria polícia. Ele só foi arrestado em 2005. Embora houvesse muitas pessoas envolvidas no assassinato, apenas Androutsopoulos é que foi acusado.

Também em 1998, o jornal Eleftherotypia informou que tumultos racistas em Tessalônica foram organizados por "forças racistas no interior da polícia". Ninguém foi arrestado após os tumultos.
A listagem de colaborações da polícia com os fascistas continua até ao dia de hoje. Nas últimas eleições, o diário To Vima informa que 50% dos membros da polícia votaram Amanhecer Dourado.
A organização grega de defesa dos direitos dos imigrantes 'Expulsar o Racismo' documentou centenas de casos em que agentes da polícia descuidaram a vigilância durante ataques contra imigrantes. Também há testemunhos de estrangeiros golpeados nas comissarias de polícia, e polícias a proporcionarem a moradores locais o número de telefone de Amanhecer Dourado quando eles se queixam de imigrantes.

"Temos medo de sair às ruas", declarou um imigrante ao jornal diário Kathimerini. "É o Ramadã e nós fomos convidados a cear, mas não imos ir. Se saímos imos ser interceptados quer pela polícia quer por Amanhecer Dourado".

O diário alemão Die Welt informou duma mulher da Geórgia que foi assaltada sexualmente em Atenas por um membro de Amanhecer Dourado. Depois de eles acudirem à polícia, o homem regressou à tarde acompanhado de polícias da esquadra policial local e a fanfarronar: "Vês agora quem são os meus amigos?"

O governo grego, formado por Nova Democracia (ND) e o Partido Social-Democrata PASOK e Esquerda Democrática (DIMAR), apoia as forças fascistas por forma a criar uma atmosfera política em que qualquer oposição popular pode ser atacada violentamente. O seu principal objectivo é preparar a supressão brutal de qualquer movimento que vier a surgir dentro da classe trabalhadora contra as impopulares medidas de austeridade que exige a UE e que esnaquizaram a economia grega.

Os ataques sociais empreendidos pelo governo, que já espalharam amplamente a miséria e a pobreza e que ainda deverão intensificar-se, são de cada vez mais incompatíveis mesmo com as próprias regras democráticas.

Sob umas condições em que os partidos da "esquerda" burguesa como SYRIZA impediram a emergência de lutas da classe trabalhadora contra a UE e as políticas da burguesia grega, as forças fascistas aparecem como a única alternativa à atual configuração política. A medida que aumentam as tensões sociais, a elite no poder promove mais e mais as forças de direita, e as regras burguesas assumem um carácter ainda mais ditatorial.

Neste contexto houve pedidos para a proibição de Amanhecer Dourado, especialmente da banda do Comissário de Direitos Humanos do Conselho de Europa, Nils Muiznieks. A assinalar que o Amanhecer Dourado está entre "os partidos mais abertamente extremistas e nazis da Europa", ele pediu ao governo grego para "testar a legalidade do partido", de acordo com Kathimerini.

Porém, tal proibição não vai garantir qualquer proteção para os imigrantes ou pôr fim à influência das forças de estrema direita. Ainda mais, eles estão ligados e são protegidos pelas próprias forças de segurança do estado burguês grego que tal proibição encarregaria de reprimir o Amanhecer Dourado.

No sítio disso a proibição irá reforçar o aparelho do Estado e fornecerá uma escusa para criminalizar os opositores políticos e desmantelar as organizações políticas da oposição e da esquerda. Isto reforçará o aparelho da repressão e levará rapidamente ao autoritarismo.

A defesa dos direitos dos imigrantes requer a mobilização da classe trabalhadora para combater as políticas de austeridade da UE e a crescente influência das forças fascistas. Esta luta apenas poderá ser bem sucedida quando baseada numa luta socialista contra o capitalismo, que está cada vez mais virado para os elementos mais à direita.

Tradução de Alberto Lozano para o Diário Liberdade.

Foto: Alba Christiansen.

As escritorazinhas e as outras

foto retirada da net por António Garrochinho

As escritorazinhas e as outras



Serve esta crónica para retratar e comentar um certo elemento que existe frequentemente em órgãos de comunicação social e que responde pelo nome genérico de "Escritorazinha"

A Escritorazinha é aquela intelectual companheirona que desde o liceu cultivava o estilo "eu é que sou boa", tinha graves défices de atenção por parte das outras raparigas, era usada e abusada pelos rapazes e os professores teimavam em dizer-lhe que tinha um belo futuro como escritora, só porque era boa de pernas. Ora acontece que a Escritorazinha é geralmente burra e sem ideias, sempre pronta para escrever asneiras e alinhar com a malta em jornais mais sensacionalistas que a revista Mariana, para além de escrever livros onde nem sequer sabe descrever propriamente uma personagem, e raramente os seus escritos se tornam apetecíveis a alguém com meio palmo de testa, a não ser em noites longas regadas a mais de sete vodkas, nas quais o desespero comanda o sistema intelectual, transformando qualquer Pipoca Mais Doce numa Bessa Luís, mesmo que seja uma peixeira com bigode do Mercado da Ribeira.

A Escritorazinha é porreira, é fixe, é divertida, quer sempre ir a todo o lado e está sempre bem-disposta, portanto a Escritorazinha torna-se numa espécie de mascote do jornal que todos protegem, porque, no fundo, todos sabem que ela já foi comida por muito barão dos média, e no fundo, alguns até têm um bocado de pena dela, e uma grande dose de remorsos por já se terem metido com a mesma nas supracitadas funestas circunstâncias. E é assim que a Escritorazinha acaba por se tornar muito popular, até porque, como quase nunca escreve nada de jeito, está sempre disponível para os mais variados Órgãos de Com. Social, nem que seja o jornal Sol.

À partida, não tenho nada contra as Escritorazinhas, mas irrita-me que gozem de um estatuto especial entre os média. Às Escritorazinhas tudo é permitido: podem insultar os outros nas crónicas, processar em tribunal quem vai contra as suas ideias, consumir cocaína, podem inclusive ir a programas dizer que só têm 3 ou 4 dias para preparar a sua crónica, por isso não lhes podem pedir mais do que aquilo que escreve, porque como são do "grupo", toda a gente acha muita graça e ninguém condena.

Agora vamos lá ver o que acontece se uma escritora a sério faz alguma dessas coisas sem que surja logo um inquisidor de serviço a apontar o dedo para lhe chamar calaceira, irresponsável, pouco profissional e até mesmo burra. Uma escritora a sério não tem direito a esse tipo de comportamentos porque não foi levada ao colo pelas cunhas: é uma escritora e, consequentemente, se não consegue preparar uma crónica por semana, é imediatamente despedida. E o que mais me irrita é quando as Escritorazinhas apontam também elas o dedo às escritoras a sério, quando estas se comportam de forma semelhante a elas.

Ser escritora a sério dá trabalho e requer inteligência e sagacidade, para além de muita cultura. Que o digam as minhas amigas escritoras a sério, que foram vendo a sua reputação ser sistematicamente denegrida por dois tipos de pessoas: os tipos que nunca conseguiram que elas fossem trabalhar para os seus jornais e as Escritorazinhas que teriam gostado de ser convidadas para esses mesmos jornais, mas só conseguiram depois de se oferecerem. Uma escritora a sério não pode escrever sobre tudo, sob pena de censura. Já uma Escritorazinha pode dizer e fazer tudo o que lhe passar pela cabeça, porque conquistou um inexplicável estatuto de impunidade.

Porquê? Porque não é vista como uma escritora? Porque todo têm pena dela? E, já agora, porque é que quando uma Escritorazinha debita merda, as explicações bacocas para o sucedido são aceites sem despedimento, mas quando é uma escritora a sério a escrever sobre algo inoportuno, ninguém se coíbe de comentar:

Como dizia o François René: «O escritor original não é aquele que não imita ninguém ,
mas sim aquele que ninguém pode imitar.»


E quanto às Escritorazinhas, o melhor é arranjarem outro trabalho. Ou um frasco de cianeto. Ou as duas coisas.

fonte Fernando André Silva - facebbok

AMIGOS E INIMIGOS


amigos e inimigos




Silvio Rodriguez... um presente de aniversário


Deixado “à solta” seria bem capaz de me esquecer do meu próprio aniversário... “habilidade” que há sempre quem se encarregue de impedir. O mesmo não acontece com os aniversários do “Cantigueiro”, que fez cinco anos... no passado dia 20 deste Agosto.
Não que seja costume os blogues prestarem contas... mas foram cinco anos divertidos, feitos de muitas ideias, acertos, erros, aplausos e críticas, que se foram espalhando por 2.940 textos, que inspiraram 33.700 comentários às amigas, amigos e restantes seres humanos que por aqui passaram, perfazendo o número de 1.250.000... a fazer fé nas contas do Sitemeeter. De há uns tempos a esta parte, a "porta do estabelecimento” vai-se abrindo a uma média relativamente estável de um pouco mais de mil vezes por dia.
Sejam todos muito bem vindos... mesmo aqueles que possam pensar que não o são!
Obrigado!
A canção de hoje, que há muitos anos me "desconcerta" sempre que a ouço, não deixando de ser a partilha que sempre são as músicas que aqui publico, é como que uma prenda também para mim, em especial... o que me desculparão, estou certo.
Recebam então a enorme canção de amor Oleo de mujer con sombrero, escrita e composta pelo grande autor e grande cubano Silvio Rodriguez, numa gravação em vídeo retirada de um documentário sueco (daí as fantásticas legendas), de 1976, em que o próprio Silvio Rodriguez, do alto dos seus, então, apenas 30 anos de idade, canta como deviam cantar os deuses... se existissem.
Bom domingo!
Oleo de mujer con sombrero” – Silvio Rodriguez
(Silvio Rodriguez)



Retratos...


Às vezes, a partir das faces observamos nos humanos detalhes que se tornam reflexos de seus sentimentos, caráter, ou mesmo destino. Entre os fotógrafos há uma percepção de que a fotografia de retrato, os "portraits",trazem em torno de si uma aura misteriosa que torna impossível desvendar o segredo de um retrato bem-sucedido. Durante o último século a tecnologia fotográfica progrediu significativamente, mas o papel e o talento do fotógrafo, neste caso, são decisivos. Captar a emoção do retrato está além do simples conhecimento tecnológico. Estes são exemplos inspiradores de retratos que nos passam a emoção de algo que está muito além do que se possa definir.


















































Post(s) á beira mar